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Crónicas sobre Televisão


_Daniel_

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Boas malhas

por NUNO AZINHEIRA

1 Álvaro, Eugénia e Ana - Os 100 anos de Cunhal, a reportagem de Judite Sousa exibidasegunda-feira passada na TVI, mostrou o lado mais íntimo e privado do histórico líder comunista, sobretudo a sua relação com a filha Ana. Nem tudo o que ali foi dito é absolutamente novo, é verdade (Ana Cunhal deu em 2010 uma entrevista à Sábado, em que conta alguns dos pormenores, até aí desconhecidos, dessa relação), mas foi a primeira vez que uma reportagem televisiva foi tão longe na reconstrução da face mais escondida de Cunhal. Judite Sousa, uma vez mais, provou ser uma excelente contadora de histórias, construindo uma narrativa (palavra perigosa, entretanto...) capaz de prender o espectador ao ecrã - 1,5 milhões acompanharam a reportagem exibida no Jornal das 8. Em tantos anos de carreira ela construiu um estatuto difícil de igualar. Alheia ao ruído à sua volta, continua a fazer o seu trabalho. E fá--lo bem. E é isso que verdadeiramente é insuportável para muita gente...

2 Excelente a reportagem da SIC sobre os 15 anos da Expo"98. Vivi, enquanto jornalista, a Exposição Internacional de Lisboa por dentro e, portanto, é natural que aquele momento único e irrepetível da nossa história coletiva, me tenha marcado para sempre. Foi bom rever o Pavilhão da Utopia, dos Oceanos, do Conhecimento dos Mares e perceber a sua importância atual, 15 anos depois. Mas para lá do lado afetivo, há o reconhecimento de um estilo que marca a diferença nas reportagens televisivas. E esse é o estilo SIC ou, se quisermos, aquele novo "estilo Mourinho", a correr de um lado para o outro. Convém não banalizar, mas que é bom, é...

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Ao fim da noite

por NUNO AZINHEIRA

 

1 Hora de Fecho, às sextas na RTP Informação, é um dos melhores programas de análise política da TV portuguesa. Depende, naturalmente, como quase todos os formatos do género, da qualidade dos convidados e dos jornalistas-comentadores da semana, mas consegue, quase sempre, reunir análise que vai para além da espuma dos dias, diversidade de opinião, e uma serenidade discursiva que nem sempre a televisão consegue. A "culpa" é de Maria Flor Pedroso que, já aqui o disse, é uma das melhores jornalistas de política nacional: séria, competente, bem informada (continuo, aliás, sem perceber se o facto de estar escondida da principal antena televisiva pública é uma exigência sua; uma decisão de quem manda; ou fruto das circunstâncias. Independentemente da opção certa, é uma pena...). Sexta-feira convidou Ana Sá Lopes e Graça Franco, duas jornalistas experientes e suficientemente discordantes, e António Capucho, um social-democrata que faz melhor oposição ao Governo PSD/CDS do que muito líder da oposição. Os 50 minutos do programa, cheios de ritmo, voaram num ápice. Há melhor elogio?

2 A TVI anda toda entusiasmada com Destinos Cruzados, mas Mundo ao Contrário é a sua grande novela. Eu sei que o povo adora a Liliane Marise e o Moisés - personagens interpretadas por Maria João Bastos e Pedro Teixeira. As pessoas adoram rever-se no grotesco, mesmo que depois digam que não, que não são assim. Os dois atores têm feito bem o seu papel - muito bem, até, se pensarmos no mediatismo das duas personagens, que vivem bem fora da própria novela. Mas história a sério, bem contada e interpretada, é a que se lhe segue, já depois da meia-noite. O público tem dificuldade em pegar-lhe, mas, já se sabe, o povo nem sempre tem bom gosto...

 
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Mais Castelo Branco

por NUNO AZINHEIRA

 

Eu sei que isto até pode parecer contraditório com o que aqui já escrevi de Splash! e de José Castelo Branco, mas a SIC precisa de os ter mais em antena. Se quer fazer da sua aposta um happening televisivo, e, sobretudo, se quer que eles marquem os espectadores, não pode esconde-los ao domingo e deixar o Big Brother à solta, por muito que se ache que o formato da TVI está gasto. Pode estar, mas continua a ter todos os dias mais de 1,3 milhões de portugueses a segui-lo às 21.30.

Por outro lado, não faz sentido convidar e pagar a uma personagem como José Castelo Branco, excessiva, histriónica, catalisadora de ódios e paixões, e depois não tirar todo o proveito dela. Nisto não há que ter vergonhas: ou não se convida um boneco daqueles porque se acha que é descer baixo de mais - uma opção tão legítima como qualquer outra! - ou, se se convida, é preciso sugar dele tudo o que ele tem para dar ao espectáculo. E, gostando-se ou não do marchand, reconheça-se que tem muito.

A SIC tem, pois, em minha opinião, que trazer Splash! para os dias úteis. Todos os dias, uma espécie de diário, dez minutos no máximo, ou a seguir ao Jornal ou "entalado" entre Dancin" Days e Avenida Brasil, os seus dois produtos mais fortes. Lá tem de ter os treinos, os chapões, os choros, os medos, as histórias de coragem dos paralímpicos Jorge Pina e Simone Fragoso, e, claro, muito Castelo Branco: as manias, os trejeitos, as bichisses, os vestidos, os fatos de banho, os ais e os uis. Convenhamos, ninguém convida Castelo Branco pela sobriedade da sua presença. Soltem-no, espicacem-no. Neste caso, menos não é mais...

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Essa histórias dos diários nos reality-shows, acho que só mesmo em Portugal é que se faz isso. Não conheço mais nenhum canal a nível mundial que use tal forma de encher-chouriço até mais dizer não.

 

Fiquem Bem.

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Essa histórias dos diários nos reality-shows, acho que só mesmo em Portugal é que se faz isso. Não conheço mais nenhum canal a nível mundial que use tal forma de encher-chouriço até mais dizer não.

 

Fiquem Bem.

Ex.: a TF1 (França) tem diário do SS. Até acho que tem vários durante o dia. 

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Destaco o último tópico 

O estado da Nação

por JOEL NETO

1 A Autoridade da Concorrência e a Entidade Reguladora da Comunicação Social ameaçaram intervir se os principais canais de televisão não se entenderem, permitindo ao mercado funcionar com um só sistema de audimetria. E eu torno a arregalar os olhos. Das duas uma: ou aceitamos a liberalização dos próprios números e cada investidor deve funcionar de acordo com aqueles que mais o convençam; ou insistimos na determinação de uma medição única e oficial, e nesse caso já deveríamos ter intervindo há muito tempo. Admitir intervir e ainda quase não ter mexido uma palha é que me parece um absurdo. Quantos milhões ao certo continuam a nadar, a cada mês que passa, sem saberem se estão a ser encaminhados para as contas certas?

2 O documentário do jornalista Herberto Gomes sobre o 6 de Junho e a memória da FLA, emitido ao longo dos últimos dois dias na RTP/Açores, é mais uma prova da importância superlativa dos nossos canais regionais. O estilo cola-se um pouco ao de Joaquim Furtado e a pós-produção é modesta. Mas está lá tudo: o interesse, o cuidado e - acima de tudo - a identidade. Tenham a coragem de passá-lo na RTPIn, por favor.

3 Sara Norte numa emissão especial da RTP e Daniela Ruah entrevistada por Judite Sousa (que ainda há dias entrevistou também Reynaldo Gianecchini). O nosso horário nobre está cada vez mais Larry King, advento não totalmente desprovido de defeitos. Depois da overdose economicista dos últimos dois/três anos, porém, sabe bem espairecer. Quase se acredita que efetivamente há vida para além da crise.

  • 2 weeks later...
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É raro concordar com o Joel Neto: crónica de Ontem:

 

Verão, para quê?

por JOEL NETO

 

1. O que é que distingue Portugal em Festa (SIC), com estreia marcada para hoje, de Somos Portugal (TVI)? Tanto quanto se pode perceber pelas informações distribuídas por Carnaxide, nada de relevante. Para a primeira estação privada portuguesa, pois, o combate à hegemonia da TVI deve continuar a fazer-se no campo desta, com uma proposta o menos diferenciadora possível. Parece-me absurdo. Porque os resultados de tal estratégia estão à vista e, sobretudo, porque, do ponto de vista da qualidade, em nenhum momento alguma das duas puxa um pouco pela outra. E isso torna particularmente evidente a gravidade do relatório da ERC sobre o negócio dos media em Portugal nos últimos quatro anos. A televisão secou tudo à volta. E, no entanto, é cada vez mais pobre. E disto, não sendo por imposição de algum choque de mentalidades resultante desta dolorosa crise económica, já não sairemos nunca.

2. "Bárbara Guimarães vai estrear-se na literatura", leio por toda a chamada "imprensa da especialidade". Isto porque a apresentadora da SIC decidiu pegar num monte de entrevistas e reuni-las em livro. Com toda a legitimidade, naturalmente. Mas "literatura"? Acaso alguém que reúna em DVD uns vídeos que pôs no YouTube se "estreia no cinema"? Porventura alguém que plante umas flores num tacho velho se "estreia na culinária"? Parece embirração, e até talvez o seja. Mas já é tempo de irmos elevando um pouco o nível do nosso jornalismo sobre televisão.

3. A RTP encomendou mais episódios da pobre Bem-Vindos a Beirais. Gostava de acreditar que o triunfo se deve à temática do campo e não à boçalidade do produto. Devo?

 
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Ex.: a TF1 (França) tem diário do SS. Até acho que tem vários durante o dia. 

 

A TF1 tem só um diário do Secret Story, e não está em horário nobre. Igual para as galas que só começam às 23h.

E visto o fracasso que está a ser este ano a nível de audiências, aposto que vai ser o último ano lá. Héhé! ^^

 

Não se queres um exemplo mesmo pior do que a TVI a nível de reality-shows, vê o dispositivo do grupo Mediaset España para o "Gran Hermano".  :P

Têm a Telecinco, mas também tem mobilizados os seus outros canais TDT La Siete e Nueve, sem contar o canal pago "Gran Hermano 24". Só no canal Nueve são 7h30 de emissão diária!  :O

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A TF1 tem só um diário do Secret Story, e não está em horário nobre. Igual para as galas que só começam às 23h.

E visto o fracasso que está a ser este ano a nível de audiências, aposto que vai ser o último ano lá. Héhé! ^^

 

Não se queres um exemplo mesmo pior do que a TVI a nível de reality-shows, vê o dispositivo do grupo Mediaset España para o "Gran Hermano".  :P

Têm a Telecinco, mas também tem mobilizados os seus outros canais TDT La Siete e Nueve, sem contar o canal pago "Gran Hermano 24". Só no canal Nueve são 7h30 de emissão diária!  :O

 

A TF1 tem só um diário do Secret Story, e não está em horário nobre. Igual para as galas que só começam às 23h.

E visto o fracasso que está a ser este ano a nível de audiências, aposto que vai ser o último ano lá. Héhé! ^^

 

Não se queres um exemplo mesmo pior do que a TVI a nível de reality-shows, vê o dispositivo do grupo Mediaset España para o "Gran Hermano".  :P

Têm a Telecinco, mas também tem mobilizados os seus outros canais TDT La Siete e Nueve, sem contar o canal pago "Gran Hermano 24". Só no canal Nueve são 7h30 de emissão diária!  :O

 

Estão a ser más as audiências do SS Francês?

Quão más?

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Estão a ser más as audiências do SS Francês?

Quão más?

 

Andei a fazer umas pesquisas...:

- Dia de estreia : 15,7% de share, atrás da série NCIS da M6. Pior audiência em 7 anos de programa. http://www.ozap.com/actu/audiences-ncis-la-s-impose-face-a-secret-story-w9-en-forme/447493

 

- E na semana seguinte, às 23h : 22% de share.

 

- Os diários conseguiram em média uns 15% de share. http://www.toutelatele.com/secret-story-7-la-premiere-quotidienne-deja-en-difficulte-50120

 

A ver se o público da TVI também faz o mesmo para vermos enfim programas frescos na estação (mesmo se não tenho grandes esperanças, pois isso...).

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Andei a fazer umas pesquisas...:

- Dia de estreia : 15,7% de share, atrás da série NCIS da M6. Pior audiência em 7 anos de programa. http://www.ozap.com/actu/audiences-ncis-la-s-impose-face-a-secret-story-w9-en-forme/447493

 

- E na semana seguinte, às 23h : 22% de share.

 

- Os diários conseguiram em média uns 15% de share. http://www.toutelatele.com/secret-story-7-la-premiere-quotidienne-deja-en-difficulte-50120

 

A ver se o público da TVI também faz o mesmo para vermos enfim programas frescos na estação (mesmo se não tenho grandes esperanças, pois isso...).

 

Andei a fazer umas pesquisas...:

- Dia de estreia : 15,7% de share, atrás da série NCIS da M6. Pior audiência em 7 anos de programa. http://www.ozap.com/actu/audiences-ncis-la-s-impose-face-a-secret-story-w9-en-forme/447493

 

- E na semana seguinte, às 23h : 22% de share.

 

- Os diários conseguiram em média uns 15% de share. http://www.toutelatele.com/secret-story-7-la-premiere-quotidienne-deja-en-difficulte-50120

 

A ver se o público da TVI também faz o mesmo para vermos enfim programas frescos na estação (mesmo se não tenho grandes esperanças, pois isso...).

 

Eu em parte concordo contigo.

A única parte em que discordo é que acho que os realitys não devem desaparecer, mas aparecerem mais espaçados e cada vez mais originais.

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OMG adoro o 2º tópico, é msm pra rir  :haha:  :haha:

 

Leituras de fim de semana

por JOEL NETO

 

1. O grande contrassenso da televisão contemporânea é que, no momento de meter estilo, os próprios protagonistas sentem a obrigação de dizer que não a veem. Ainda este fim de semana foi o humorista Francisco Menezes, saído de uma temporada de exposição e honorários em A Tua Cara não Me É Estranha, que o sublinhou no Correio da Manhã: "A televisão está cada vez pior, e eu não vejo! (...) Não tenho paciência para me sentar a olhar para uma televisão." Acredito perfeitamente, porque a TV nacional não apenas é pobre como está a empobrecer, tanto do ponto de vista criativo como do ponto de vista estético, como ainda (claro) do ponto de vista intelectual. Naturalmente, é uma pequena tragédia que se trate do único segmento da comunicação social a mostrar-se capaz de fazer face à depressão económica. Mas sempre se poderia tentar resistir um pouco, se ao menos (já nem falo dos críticos, espécie em vias de extinção) os profissionais de comunicação, os intelectuais públicos e os próprios programadores favorecessem o desenvolvimento de um espírito crítico no telespectador. Pelo contrário, o discurso é cada vez mais cínico e a convicção de que a qualidade neste momento é irrelevante cada vez mais óbvia. Um deserto.

2. Momento divertido na Notícias TV: as justificações dadas por Pedro Lopes, argumentista de Dancin" Days, sobre as semelhanças entre a personagem de Pepê Rapazote, Miguel, e a de Cadinho, de Avenida Brasil. Diz ele: "Miguel não é uma cópia nem idêntico ao Cadinho. (...) No caso do Miguel há um jogo romântico." Toda a razão. Para além do mais, Miguel coxeia da perna direita, ao passo que Cadinho coxeia da esquerda. Vocês não percebem nada.

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OMG adoro o 2º tópico, é msm pra rir  :haha:  :haha:

 

Leituras de fim de semana

por JOEL NETO

 

1. O grande contrassenso da televisão contemporânea é que, no momento de meter estilo, os próprios protagonistas sentem a obrigação de dizer que não a veem. Ainda este fim de semana foi o humorista Francisco Menezes, saído de uma temporada de exposição e honorários em A Tua Cara não Me É Estranha, que o sublinhou no Correio da Manhã: "A televisão está cada vez pior, e eu não vejo! (...) Não tenho paciência para me sentar a olhar para uma televisão." Acredito perfeitamente, porque a TV nacional não apenas é pobre como está a empobrecer, tanto do ponto de vista criativo como do ponto de vista estético, como ainda (claro) do ponto de vista intelectual. Naturalmente, é uma pequena tragédia que se trate do único segmento da comunicação social a mostrar-se capaz de fazer face à depressão económica. Mas sempre se poderia tentar resistir um pouco, se ao menos (já nem falo dos críticos, espécie em vias de extinção) os profissionais de comunicação, os intelectuais públicos e os próprios programadores favorecessem o desenvolvimento de um espírito crítico no telespectador. Pelo contrário, o discurso é cada vez mais cínico e a convicção de que a qualidade neste momento é irrelevante cada vez mais óbvia. Um deserto.

2. Momento divertido na Notícias TV: as justificações dadas por Pedro Lopes, argumentista de Dancin" Days, sobre as semelhanças entre a personagem de Pepê Rapazote, Miguel, e a de Cadinho, de Avenida Brasil. Diz ele: "Miguel não é uma cópia nem idêntico ao Cadinho. (...) No caso do Miguel há um jogo romântico." Toda a razão. Para além do mais, Miguel coxeia da perna direita, ao passo que Cadinho coxeia da esquerda. Vocês não percebem nada.

 

 Em relação ao 2º ponto:  :haha:  :haha:  :haha:  :haha:

 

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OMG adoro o 2º tópico, é msm pra rir  :haha:  :haha:

 

Leituras de fim de semana

por JOEL NETO

 

1. O grande contrassenso da televisão contemporânea é que, no momento de meter estilo, os próprios protagonistas sentem a obrigação de dizer que não a veem. Ainda este fim de semana foi o humorista Francisco Menezes, saído de uma temporada de exposição e honorários em A Tua Cara não Me É Estranha, que o sublinhou no Correio da Manhã: "A televisão está cada vez pior, e eu não vejo! (...) Não tenho paciência para me sentar a olhar para uma televisão." Acredito perfeitamente, porque a TV nacional não apenas é pobre como está a empobrecer, tanto do ponto de vista criativo como do ponto de vista estético, como ainda (claro) do ponto de vista intelectual. Naturalmente, é uma pequena tragédia que se trate do único segmento da comunicação social a mostrar-se capaz de fazer face à depressão económica. Mas sempre se poderia tentar resistir um pouco, se ao menos (já nem falo dos críticos, espécie em vias de extinção) os profissionais de comunicação, os intelectuais públicos e os próprios programadores favorecessem o desenvolvimento de um espírito crítico no telespectador. Pelo contrário, o discurso é cada vez mais cínico e a convicção de que a qualidade neste momento é irrelevante cada vez mais óbvia. Um deserto.

2. Momento divertido na Notícias TV: as justificações dadas por Pedro Lopes, argumentista de Dancin" Days, sobre as semelhanças entre a personagem de Pepê Rapazote, Miguel, e a de Cadinho, de Avenida Brasil. Diz ele: "Miguel não é uma cópia nem idêntico ao Cadinho. (...) No caso do Miguel há um jogo romântico." Toda a razão. Para além do mais, Miguel coxeia da perna direita, ao passo que Cadinho coxeia da esquerda. Vocês não percebem nada.

 

 

 

 

 Em relação ao 2º ponto:haha:  :haha:  :haha:  :haha:

 

 

 

Por acaso nunca tinha associado o Cadinho ao Miguel de DD. Enquanto vi DD, o Miguel ainda não andava com várias, agora não ando bem a par das histórias secundárias da novela. Mas o Cadinho pode ficar descansado que ninguém chega aos pés dele... nem "1001 Migueis" :haha:  :haha:

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joel_neto1.pngTotalmente diferente

por JOEL NETOHojeicn_comentario.gifComentar

 

1. Parece mentira, mas é verdade: o novo programa das noites de domingo da TVI, apresentado desta vez por Cristina Ferreira (a solo, isto é), vai mesmo ser um "concurso" de "talentos" de "famosos". Desta vez ninguém canta. Desta vez ninguém imita. Desta vez ninguém mergulha. Desta vez ninguém escorrega em cenários inclinados. Desta vez ninguém brinca ao jogo da corda. Desta vez ninguém cospe caroços de cereja, a ver quem chega mais longe. Desta vez - rufem os tambores - os "famosos" vão dançar, coisa que ainda ninguém tinha experimentado em telev... Como? Já se fez?! Ó diabo: parece que começámos a repetir "talentos". Ah, mas de certeza que não vamos repetir "famosos"...

2. Não sou jurista, mas parece-me estranho que alguém possa ser condenado por difamação agravada após chamar idiota a alguém. É uma acusação subjetiva, muito distinta do que seria chamar ladrão ou assassino. Em todo o caso, faço a mesma pergunta que os leitores: se o diretor do jornal O Mirante foi condenado por chamar idiota a um secretário de Estado, Miguel Sousa Tavares também será condenado por chamar palhaço ao Presidente da República? Ou terá Cavaco Silva a bonomia que faltou a Rui Barreiro?

3. James Gandolfini era a prova viva - Que digo eu? Continua a ser a prova viva! - de como também em televisão o talento e a composição fazem toda a diferença. O seu Tony Soprano não seria o mesmo nas mãos de outro e a série The Sopranos não seria a mesma sem o seu Tony Soprano. Não é apenas uma passarela para gente bonita, a TV. Pelo menos não era até aqui.

 
  • 2 weeks later...
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Já tinham colocado no fórum da TVI, mas como não vai lá toda a gente, deixo aqui para todos verem! :)

 

A ponta de lança

por NUNO AZINHEIRA

 

Cristina Ferreira é o Cristiano Ronaldo da televisão portuguesa. Ela tem 35 anos, ele 28. Ou seja, estão ambos na fase de maturidade profissional e longe da "reforma". Ambos têm origens humildes, ela em Torres Vedras e ele no Funchal, e estão hoje no lote dos mais bem pagos nas suas áreas (salvo as proporções decorrentes da profissão e do país em que é praticada). Ambos são competentes, quer na capacidade de seduzir os públicos que os seguem, quer na forma como se movimentam nas redes sociais e no espaço mediático, quer na atração que os seus nomes despertam nas marcas comerciais e, portanto, na capacidade de gerarem negócio (de novo, mutatis mutandis). Fixemo-nos, então, na televisão e no salto que, de repente, Cristina Ferreira deu na cena mediática portuguesa. Quase dez anos depois de se ter revelado ao lado de Manuel Luís Goucha nas manhãs da TVI, uma parceria que se tornou líder absoluta de audiências, Cristina prepara-se para voar sozinha. Para já, vai ter um programa a solo no mais competitivo horário televisivo, o de domingo à noite. É a TVI a cavalgar, e bem, a onda de Cristina Ferreira, que nos últimos meses saltou para as capas das revistas e que acaba de lançar um profissional, e comercialmente muito ambicioso, projeto na Net, como uma qualidade nunca feita em Portugal. Cristiano Ronaldo foi mais longe do que Figo. E este mais do que Futre. E este mais do que Eusébio. Os tempos, os novos tempos mediáticos e globais, beneficiam sempre as novas gerações. Tal como Cristina chegará mais longe do que Júlia Pinheiro, do que Teresa Guilherme e do que Catarina Furtado. Vai uma aposta?

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Já tinham colocado no fórum da TVI, mas como não vai lá toda a gente, deixo aqui para todos verem! :)

 

A ponta de lança

por NUNO AZINHEIRA

 

Cristina Ferreira é o Cristiano Ronaldo da televisão portuguesa. Ela tem 35 anos, ele 28. Ou seja, estão ambos na fase de maturidade profissional e longe da "reforma". Ambos têm origens humildes, ela em Torres Vedras e ele no Funchal, e estão hoje no lote dos mais bem pagos nas suas áreas (salvo as proporções decorrentes da profissão e do país em que é praticada). Ambos são competentes, quer na capacidade de seduzir os públicos que os seguem, quer na forma como se movimentam nas redes sociais e no espaço mediático, quer na atração que os seus nomes despertam nas marcas comerciais e, portanto, na capacidade de gerarem negócio (de novo, mutatis mutandis). Fixemo-nos, então, na televisão e no salto que, de repente, Cristina Ferreira deu na cena mediática portuguesa. Quase dez anos depois de se ter revelado ao lado de Manuel Luís Goucha nas manhãs da TVI, uma parceria que se tornou líder absoluta de audiências, Cristina prepara-se para voar sozinha. Para já, vai ter um programa a solo no mais competitivo horário televisivo, o de domingo à noite. É a TVI a cavalgar, e bem, a onda de Cristina Ferreira, que nos últimos meses saltou para as capas das revistas e que acaba de lançar um profissional, e comercialmente muito ambicioso, projeto na Net, como uma qualidade nunca feita em Portugal. Cristiano Ronaldo foi mais longe do que Figo. E este mais do que Futre. E este mais do que Eusébio. Os tempos, os novos tempos mediáticos e globais, beneficiam sempre as novas gerações. Tal como Cristina chegará mais longe do que Júlia Pinheiro, do que Teresa Guilherme e do que Catarina Furtado. Vai uma aposta?

 

 

Tudo verdade. O Nuno Azinheira nunca desilude. Deve ser do nome.

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nuno_azinheira.png                                                                Famosos de cernelha

por NUNO AZINHEIRA

 

Acabo de saber que José Castelo Branco, ele próprio, se ofereceu à SIC para integrar a nova loucura da televisão generalista - Olé!, uma noite de festa brava com famosos. Sim, está na hora de perguntar, caro leitor, "credo, o que vão mais eles inventar?". Uma caçada com famosos? Uma noite na sopa dos pobres com famosos? Uma ida às meninas de Bragança com famosos? Esclareço desde já que prescindo dos direitos de autor ou, sequer, de qualquer referência pública ao facto de ter sido eu o autor das ideias... Dizem-me que o produtor Piet-Hein, a quem a televisão privada em Portugal muito tem de agradecer, andava há meses a trabalhar neste novo projeto. Percebe-se porquê. A crise deixou Piet-Hein fora da TV nos últimos anos. Tanto que se viu obrigado a encerrar a sua CBV, que partilhava com mais dois profissionais. Agora, o homem que trouxe para Portugal formatos tão polémicos (no seu tempo, naturalmente...) como Big Brother, Fear Factor, O Meu Odioso e Inacreditável Noivo, ou o Momento da Verdade, tinha de regressar com algo forte, polémico, impactante. Nada melhor do que a tourada num País profundamente dividido entre as tradições culturais e a defesa dos animais. Ao que sei Olé! não terá bandarilhas, nem viverá do sofrimento dos touros. Menos mal. É apenas um mano a mano entre o homem e a besta. Não deixa, pois, de ser interessante perceber que famoso lá teremos nos cornos do boi? Castelo Branco de tanga tigresse, a chamar o dito cujo com um "sua bichaaaaaaaa!"? Uma estrela de segunda linha à espera dos seus cinco minutos de fama? Um autarca desesperado por uns votos à beira de eleições? Estou que nem posso...

 

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