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há 43 minutos, DBook disse:

Onde andam as pessoas que andavam por ai a dizer que o Chega não era um partido de extrema-direita? :lol: 

Espero que a Le Pen não descubra que o apoio vai para alguém que quer usar as contribuições europeias da França e outros países para pagar aumento de reformas e afins dos portugueses. Já que ninguém o informou que a última coisa que ela quer é mandar dinheiro para Portugal e outros países que "andam a receber dinheiro que devia ser investido na França".

On 03/02/2024 at 23:46, Guida disse:

Não concordo contigo. Se o Chega chegasse ao poder, não íriamos voltar ao Estado Novo - nem de longe nem de perto; para isso, era preciso que o partido tivesse propostas sólidas, bem definidas, estruturadas. Olho para o Chega e vejo um barco há deriva, que não sabe bem o que defende; um partido populista, cujo objetivo máximo não é conseguir propostas governativas de qualidade, mas conseguir votos a qualquer custo. Do regime de Oliveira Salazar, só têm mesmo o "escudo" conservador. Até o nacionalismo louco em 1933 era mais bem estruturado. O Chega é um vazio completo de ideias, é uma nódoa política. André Ventura é um boçal, longe de ser verdadeiramente carismático. Lidera um partido popular junto dos jovens graças ao tiktok (desculpem-me, mas isto é patético). Se um dia o Chega conseguisse efetivamente formar governo, viveríamos um período de surpreendente anarquia e a corrupção aumentava imenso. Essas são duas certezas que tenho.

Não precisamos de voltar ao Estado Novo para as bases da nossa democracia ficarem minadas. Aliás, existem exemplos bem óbvios dentro da própria UE. Ao longos da última década, Orban minou completamente a democracia húngara, ao ponto de nem se assemelhar sequer a uma democracia. As instituições públicas são usadas como fonte de propaganda governamental, as vozes da oposição praticamente não têm tempo de antena. Seria aquilo que já vemos nas nossas televisões com o Ventura em esteroides. Outro exemplo disso é a Polónia, que, apesar da oposição ter finalmente maioria parlamentar, está aos poucos a tentar refazer aquilo que o PiS polaco minou.

O partido não precisa de propostas sólidas, bem definidas e estruturadas para causar dano suficiente. Até mesmo em outros exemplos populistas, com Trump e Bolsonaro, o dano esteve e continua a estar bem presente - e vai continuar. Até mesmo em casos onde não sequer existe maioria de partidos como o Chega, são influentes o suficiente para causar dano. Podemos achar que é só um partido popular junto dos jovens, mas nunca tivemos uma manifestação de extrema-direita, com saudações nazi e vivas ao Salazar, no pós-25 de abril como aquela que tivemos bem recentemente; nem tivemos sequer uma ameaça às próprias eleições por parte de elementos nas forças polícias, isto depois de já ter sido reportado as ligações de alguns elementos dessas mesmas forças ao Chega e aos discursos xenófobos que estes têm.

O nacionalismo louco em 1933 não surgiu do nada. O discurso extremista não começou em 1933, foi-se alimentando ao longo dos anos até se tornar mainstream. Nem acho sequer que seja um barco à deriva; sim, pode não saber bem o que defende (o que é comum dos partidos na mesma família europeia), mas também não precisa. Têm apoios mais que suficientes de grupos económicos e influência para arrastar o discurso para aquilo que são os talking points do partido.

Enquanto o PSD for o vazio que é, preso ao passado do Passos Coelho e com um líder fraco e com uma campanha que se baseia num "não somos o PS", só se pode esperar que o "vazio de ideias" do Chega passem também a ser, ainda que mais moderadas, o "vazio de ideias" da direita democrática. E assim o Chega vai ganhando influência, tal como outros partidos europeus semelhantes ganharam.

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há 1 hora, Ruben disse:

Espero que a Le Pen não descubra que o apoio vai para alguém que quer usar as contribuições europeias da França e outros países para pagar aumento de reformas e afins dos portugueses. Já que ninguém o informou que a última coisa que ela quer é mandar dinheiro para Portugal e outros países que "andam a receber dinheiro que devia ser investido na França".

Não precisamos de voltar ao Estado Novo para as bases da nossa democracia ficarem minadas. Aliás, existem exemplos bem óbvios dentro da própria UE. Ao longos da última década, Orban minou completamente a democracia húngara, ao ponto de nem se assemelhar sequer a uma democracia. As instituições públicas são usadas como fonte de propaganda governamental, as vozes da oposição praticamente não têm tempo de antena. Seria aquilo que já vemos nas nossas televisões com o Ventura em esteroides. Outro exemplo disso é a Polónia, que, apesar da oposição ter finalmente maioria parlamentar, está aos poucos a tentar refazer aquilo que o PiS polaco minou.

O partido não precisa de propostas sólidas, bem definidas e estruturadas para causar dano suficiente. Até mesmo em outros exemplos populistas, com Trump e Bolsonaro, o dano esteve e continua a estar bem presente - e vai continuar. Até mesmo em casos onde não sequer existe maioria de partidos como o Chega, são influentes o suficiente para causar dano. Podemos achar que é só um partido popular junto dos jovens, mas nunca tivemos uma manifestação de extrema-direita, com saudações nazi e vivas ao Salazar, no pós-25 de abril como aquela que tivemos bem recentemente; nem tivemos sequer uma ameaça às próprias eleições por parte de elementos nas forças polícias, isto depois de já ter sido reportado as ligações de alguns elementos dessas mesmas forças ao Chega e aos discursos xenófobos que estes têm.

O nacionalismo louco em 1933 não surgiu do nada. O discurso extremista não começou em 1933, foi-se alimentando ao longo dos anos até se tornar mainstream. Nem acho sequer que seja um barco à deriva; sim, pode não saber bem o que defende (o que é comum dos partidos na mesma família europeia), mas também não precisa. Têm apoios mais que suficientes de grupos económicos e influência para arrastar o discurso para aquilo que são os talking points do partido.

Enquanto o PSD for o vazio que é, preso ao passado do Passos Coelho e com um líder fraco e com uma campanha que se baseia num "não somos o PS", só se pode esperar que o "vazio de ideias" do Chega passem também a ser, ainda que mais moderadas, o "vazio de ideias" da direita democrática. E assim o Chega vai ganhando influência, tal como outros partidos europeus semelhantes ganharam.

O Chega é um perigo para a democracia; disso não haja dúvidas. O que eu disse foi que o Chega não tem estrutura política para acabar com a democracia. Porque é que o Estado Novo vingou? Porque fez aprovar uma constituição e mais mil documentos para garantir que não havia oposição às decisões do governo.

É verdade que o Chega fez sair do armário um batalhão de gente indecente. Mas, felizmente, ainda temos órgãos democráticos a funcionar, ainda temos um presidente da República com poder efetivo. Lembra-te que, em 1933, ainda antes do Estado Novo, já não havia instituições democráticas. E lembra-te que o Estado Novo não foi um projeto criado das massas para o poder (como os movimentos fascistas alemão e italiano), mas do poder para as massas. O Estado Novo era um projeto pessoal de Salazar, que foi a votos uma única vez sob condições bastante suspeitas (plebiscito de 1933). O Chega é um projeto pessoal de Ventura, mas vai a votos, mas é escrutinado, mas não é imune aos ataques da oposição. São situações distintas.

O Chega, neste momento, representa pouco mais de 10% das opiniões eleitorais (e não me venham dizer que passa os 20%, porque não acredito em sondagens). É a terceira força política, mas muito fraca de bases; lembra-te que o CDS também era a terceira força política há menos de uma década... Veio minar a democracia (como dizes)? Veio. Veio agitar a opinião pública? Veio. Veio trazer a público o pior que que há na política, os radicalismos e a violência? Veio. Mas não há nada que seja muito efetivo e claro para se criar uma ditadura extremista de direita.

Vivemos num país conservador, mas, na generalidade, democrático. É nos democratas que temos de confiar!

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há 7 minutos, Guida disse:

O Chega é um perigo para a democracia; disso não haja dúvidas. O que eu disse foi que o Chega não tem estrutura política para acabar com a democracia. Porque é que o Estado Novo vingou? Porque fez aprovar uma constituição e mais mil documentos para garantir que não havia oposição às decisões do governo.

É verdade que o Chega fez sair do armário um batalhão de gente indecente. Mas, felizmente, ainda temos órgãos democráticos a funcionar, ainda temos um presidente da República com poder efetivo. Lembra-te que, em 1933, ainda antes do Estado Novo, já não havia instituições democráticas. E lembra-te que o Estado Novo não foi um projeto criado das massas para o poder (como os movimentos fascistas alemão e italiano), mas do poder para as massas. O Estado Novo era um projeto pessoal de Salazar, que foi a votos uma única vez sob condições bastante suspeitas (plebiscito de 1933). O Chega é um projeto pessoal de Ventura, mas vai a votos, mas é escrutinado, mas não é imune aos ataques da oposição. São situações distintas.

O Chega, neste momento, representa pouco mais de 10% das opiniões eleitorais (e não me venham dizer que passa os 20%, porque não acredito em sondagens). É a terceira força política, mas muito fraca de bases; lembra-te que o CDS também era a terceira força política há menos de uma década... Veio minar a democracia (como dizes)? Veio. Veio agitar a opinião pública? Veio. Veio trazer a público o pior que que há na política, os radicalismos e a violência? Veio. Mas não há nada que seja muito efetivo e claro para se criar uma ditadura extremista de direita.

Vivemos num país conservador, mas, na generalidade, democrático. É nos democratas que temos de confiar!

Embora seja bom recordar o Estado Novo e os movimentos anti-democráticos fascistas e nazi do século XX, a realidade é que não tem de haver um golpe de estado como o de 1926, que levou ao fim da Primeira República, para as instituições democráticas se desgastarem. Existem várias maneiras de minar uma democracia, não precisa de ser um textbook dos anos 20/30 do século XX, não precisa sequer que o objetivo seja o fim da democracia. Basta influenciá-la a seu favor.

Quando o Fidesz regressou a uma posição de poder em 2010 (porque já tinha estado no governo no início do séc. XXI), adotou uma nova constituição no ano seguinte. A bem da verdade, tinha supermaioria parlamentar que lhe permitiu aprovar essa mesma constituição, mas também não parou apenas na constituição. Órban faz efetivamente o que quer na Hungria. Nem sequer é preciso aprovar uma nova constituição: a Polónia, durante os anos do PiS, também não aprovou nenhuma e o poder judicial estava cada vez mais interligado com o poder legislativo. Há atualmente toda uma controvérsia entre o novo governo de Tusk e o canal público TVP porque durante anos a TVP servia apenas como fonte de propaganda do PiS (https://notesfrompoland.com/2023/12/28/tvp-world-suspended-and-director-fired-amid-polish-governments-public-media-takeover/).

Podemos pegar em vários exemplos, de vários países, em que não foram precisos golpes de estado ou novas constituições para as bases da democracia ficarem minadas, temporária ou permanentemente, porque forças com tendências antidemocráticas chegaram ao poder ou influenciaram os governos vigentes. Trump e Bolsonaro foram derrotados, mas a direita brasileira e o Partido Republicano nunca mais foram os mesmos. O GOP nunca mais largou a teoria que as eleições foram roubadas e apesar de até com um Joe Biden impopular não conseguirem os resultados que querem porque os candidatos só debitam aquilo que Trump diz, também não quer ninguém diferente para 2024.

O CDS, com todos os seus defeitos e conservadorismo, e até com alguns dos talking points que o Chega também tem, não estava em 2011 na posição que o Chega pode vir a tomar. O PSD venceu as eleições de 2011 com mais de 100 deputados, a 8 deputados da maioria absoluta e teve quase 40% dos votos. Era um partido forte, que lutava pela maioria absoluta. Este PSD é um partido que luta para vencer um PS desgastado de 8 anos de governo e que vem de uma maioria absoluta. Um Chega com 30 deputados, que é concebível, como 3º, 2º ou até quase como maior partido em distritos do interior, com todo o aparelho comunicativo que tem nas redes sociais e em certas camadas da sociedade, é bem mais influente que um CDS com os seus 20/25 deputados há cerca de 15 anos. A situação europeia é também completamente diferente: houve uma vaga de vitórias de direita no início da década, mas a extrema-direita só começou a subir e a tomar maiores proporções a partir de 2014/15. É uma questão de circunstâncias também.

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há 23 horas, Ruben disse:

Espero que a Le Pen não descubra que o apoio vai para alguém que quer usar as contribuições europeias da França e outros países para pagar aumento de reformas e afins dos portugueses. Já que ninguém o informou que a última coisa que ela quer é mandar dinheiro para Portugal e outros países que "andam a receber dinheiro que devia ser investido na França".

Falaste nesta questão e abordaste o Fidesz, por isso, deixa-me fazer aqui um "acrescento": apesar das posições eurocépticas e da constante política de manter a UE refém da sua vontade, a verdade é que a Hungria deve ser provavelmente dos países mais dependentes da UE em todo o bloco. Basta ver o quanto o aparelho à volta de Órban está dependente dos fundos europeus para manter a sua actividade económica aberta e minimamente funcional. Acabando o financiamento europeu, a economia húngara colapsa e foi muito à custa disso que o resto da UE conseguiu virar o feitiço contra o feiticeiro nas discussões do acordo para o apoio à Ucrânia.

Aliás, o único movimento eurocéptico que teve (e será talvez o único a ter) sucesso, foi o movimento em redor do Brexit, em grande parte devido à insularidade do próprio Reino Unido. Qualquer outro partido/líder eurocéptico que consiga o poder vai virar a casaca (ou moderar o seu discurso em relação à UE) quando se aperceber que o financiamento da UE vai ser benéfico para alimentar a rede de amigos que se começa a construir à volta deste, enquanto este financiamento para capturar o resto das instituições com o completo aval desta rede.

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há 7 minutos, Guida disse:

O Chega é um perigo para a democracia; disso não haja dúvidas. O que eu disse foi que o Chega não tem estrutura política para acabar com a democracia. Porque é que o Estado Novo vingou? Porque fez aprovar uma constituição e mais mil documentos para garantir que não havia oposição às decisões do governo.

É verdade que o Chega fez sair do armário um batalhão de gente indecente. Mas, felizmente, ainda temos órgãos democráticos a funcionar, ainda temos um presidente da República com poder efetivo. Lembra-te que, em 1933, ainda antes do Estado Novo, já não havia instituições democráticas. E lembra-te que o Estado Novo não foi um projeto criado das massas para o poder (como os movimentos fascistas alemão e italiano), mas do poder para as massas. O Estado Novo era um projeto pessoal de Salazar, que foi a votos uma única vez sob condições bastante suspeitas (plebiscito de 1933). O Chega é um projeto pessoal de Ventura, mas vai a votos, mas é escrutinado, mas não é imune aos ataques da oposição. São situações distintas.

O Chega, neste momento, representa pouco mais de 10% das opiniões eleitorais (e não me venham dizer que passa os 20%, porque não acredito em sondagens). É a terceira força política, mas muito fraca de bases; lembra-te que o CDS também era a terceira força política há menos de uma década... Veio minar a democracia (como dizes)? Veio. Veio agitar a opinião pública? Veio. Veio trazer a público o pior que que há na política, os radicalismos e a violência? Veio. Mas não há nada que seja muito efetivo e claro para se criar uma ditadura extremista de direita.

Vivemos num país conservador, mas, na generalidade, democrático. É nos democratas que temos de confiar!

Embora seja bom recordar o Estado Novo e os movimentos anti-democráticos fascistas e nazi do século XX, a realidade é que não tem de haver um golpe de estado como o de 1926, que levou ao fim da Primeira República, para as instituições democráticas se desgastarem. Existem várias maneiras de minar uma democracia, não precisa de ser um textbook dos anos 20/30 do século XX, não precisa sequer que o objetivo seja o fim da democracia. Basta influenciá-la a seu favor.

Quando o Fidesz regressou a uma posição de poder em 2010 (porque já tinha estado no governo no início do séc. XXI), adotou uma nova constituição no ano seguinte. A bem da verdade, tinha supermaioria parlamentar que lhe permitiu aprovar essa mesma constituição, mas também não parou apenas na constituição. Órban faz efetivamente o que quer na Hungria. Nem sequer é preciso aprovar uma nova constituição: a Polónia, durante os anos do PiS, também não aprovou nenhuma e o poder judicial estava cada vez mais interligado com o poder legislativo. Há atualmente toda uma controvérsia entre o novo governo de Tusk e o canal público TVP porque durante anos a TVP servia apenas como fonte de propaganda do PiS (https://notesfrompoland.com/2023/12/28/tvp-world-suspended-and-director-fired-amid-polish-governments-public-media-takeover/).

Podemos pegar em vários exemplos, de vários países, em que não foram precisos golpes de estado ou novas constituições para as bases da democracia ficarem minadas, temporária ou permanentemente, porque forças com tendências antidemocráticas chegaram ao poder ou influenciaram os governos vigentes. Trump e Bolsonaro foram derrotados, mas a direita brasileira e o Partido Republicano nunca mais foram os mesmos. O GOP nunca mais largou a teoria que as eleições foram roubadas e apesar de até com um Joe Biden impopular não conseguirem os resultados que querem porque os candidatos só debitam aquilo que Trump diz, também não quer ninguém diferente para 2024.

O CDS, com todos os seus defeitos e conservadorismo, e até com alguns dos talking points que o Chega também tem, não estava em 2011 na posição que o Chega pode vir a tomar. O PSD venceu as eleições de 2011 com mais de 100 deputados, a 8 deputados da maioria absoluta e teve quase 40% dos votos. Era um partido forte, que lutava pela maioria absoluta. Este PSD é um partido que luta para vencer um PS desgastado de 8 anos de governo e que vem de uma maioria absoluta. Um Chega com 30 deputados, que é concebível, como 3º, 2º ou até quase como maior partido em distritos do interior, com todo o aparelho comunicativo que tem nas redes sociais e em certas camadas da sociedade, é bem mais influente que um CDS com os seus 20/25 deputados há cerca de 15 anos. A situação europeia é também completamente diferente: houve uma vaga de vitórias de direita no início da década, mas a extrema-direita só começou a subir e a tomar maiores proporções a partir de 2014/15. É uma questão de circunstâncias também.

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há 16 horas, D91 disse:

cringe cringe cringe 

Eu gosto de acreditar na liberdade de impressa etc, mas fica cada vez mais difícil ver a "neutralidade" dos meios de comunicação 

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23 minutes ago, Duarte said:

cringe cringe cringe 

Eu gosto de acreditar na liberdade de impressa etc, mas fica cada vez mais difícil ver a "neutralidade" dos meios de comunicação 

Mas os orgãos de comunicação não são neutros, há linhas editoriais. O que há é muito sonsice na nossa comunicação social. O único jornal que assume o que é o Observador, o resto faz-se de neutro, sendo que toda a gente sabe a sua linha editorial mas ninguém os vê a assumir diretamente. Nos outros países é bastante comum dizer a sua posição e eu acho isso melhor do que uma suposta neutralidade. Assim as pessoas já têm em mente com que olhar aquilo vai ser lido, não sendo necessariamente mentira o que se vai ler, há diferentes perspetiva e interpretações sobre o mesmo acontecimento, e são todas legítimas. Fake news é outra coisa.

O que eu critico é dar palco a gente que não sabe do que fala, como esse Rui Lopo ou o Diogo Faro. Gente que só espalha desinformação ou que sabem um total de 0 coisas daquilo que estão a falar, aproveitando-se da elevada audiência que têm para fazer isso mesmo. Eu sei que os partidos têm de se aproximar dos mais jovens, mas há meios mais legítimos do que andar a dar entrevistas a esses dois bonecos. Dois bonecos que falam de tudo e tudo o que falam é cheio de mentiras.

Qualquer dia, esse Rui tem um programa que nem o Faro para dar palco a outras pessoas que também sabem 0 daquilo que estão a falar :lolipop: Ainda não me esqueci das barbaridades que se ouviam no Scroll. 

Editado por Fernando
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há 38 minutos, Fernando disse:

Mas os orgãos de comunicação não são neutros, há linhas editoriais. O que há é muito sonsice na nossa comunicação social. O único jornal que assume o que é o Observador, o resto faz-se de neutro, sendo que toda a gente sabe a sua linha editorial mas ninguém os vê a assumir diretamente. Nos outros países é bastante comum dizer a sua posição e eu acho isso melhor do que uma suposta neutralidade. Assim as pessoas já têm em mente com que olhar aquilo vai ser lido, não sendo necessariamente mentira o que se vai ler, há diferentes perspetiva e interpretações sobre o mesmo acontecimento, e são todas legítimas. Fake news é outra coisa.

O que eu critico é dar palco a gente que não sabe do que fala, como esse Rui Lopo ou o Diogo Faro. Gente que só espalha desinformação ou que sabem um total de 0 coisas daquilo que estão a falar, aproveitando-se da elevada audiência que têm para fazer isso mesmo. Eu sei que os partidos têm de se aproximar dos mais jovens, mas há meios mais legítimos do que andar a dar entrevistas a esses dois bonecos. Dois bonecos que falam de tudo e tudo o que falam é cheio de mentiras.

Qualquer dia, esse Rui tem um programa que nem o Faro para dar palco a outras pessoas que também sabem 0 daquilo que estão a falar :lolipop: Ainda não me esqueci das barbaridades que se ouviam no Scroll. 

Eu gabo-te a coragem de ouvir o Scroll 

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há 42 minutos, Fernando disse:

Nunca ouvi tudo, mas cheguei a ver alguns que me interessavam :dog: 

Amig, coragem só aí 

Responde ao teu textão, eu acho preocupante não haver qualquer tipo de neutralidade. Não há qualquer compromisso sério em informar as pessoas, mas sim manipular 

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Mariana Mortágua e a mentira da avó.:haha:

Só por causa disso eu adorava que o Bloco de Esquerda ficasse sem assentos no parlamento.:riso:

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há 14 horas, Ruben disse:

Embora seja bom recordar o Estado Novo e os movimentos anti-democráticos fascistas e nazi do século XX, a realidade é que não tem de haver um golpe de estado como o de 1926, que levou ao fim da Primeira República, para as instituições democráticas se desgastarem. Existem várias maneiras de minar uma democracia, não precisa de ser um textbook dos anos 20/30 do século XX, não precisa sequer que o objetivo seja o fim da democracia. Basta influenciá-la a seu favor.

Quando o Fidesz regressou a uma posição de poder em 2010 (porque já tinha estado no governo no início do séc. XXI), adotou uma nova constituição no ano seguinte. A bem da verdade, tinha supermaioria parlamentar que lhe permitiu aprovar essa mesma constituição, mas também não parou apenas na constituição. Órban faz efetivamente o que quer na Hungria. Nem sequer é preciso aprovar uma nova constituição: a Polónia, durante os anos do PiS, também não aprovou nenhuma e o poder judicial estava cada vez mais interligado com o poder legislativo. Há atualmente toda uma controvérsia entre o novo governo de Tusk e o canal público TVP porque durante anos a TVP servia apenas como fonte de propaganda do PiS (https://notesfrompoland.com/2023/12/28/tvp-world-suspended-and-director-fired-amid-polish-governments-public-media-takeover/).

Podemos pegar em vários exemplos, de vários países, em que não foram precisos golpes de estado ou novas constituições para as bases da democracia ficarem minadas, temporária ou permanentemente, porque forças com tendências antidemocráticas chegaram ao poder ou influenciaram os governos vigentes. Trump e Bolsonaro foram derrotados, mas a direita brasileira e o Partido Republicano nunca mais foram os mesmos. O GOP nunca mais largou a teoria que as eleições foram roubadas e apesar de até com um Joe Biden impopular não conseguirem os resultados que querem porque os candidatos só debitam aquilo que Trump diz, também não quer ninguém diferente para 2024.

O CDS, com todos os seus defeitos e conservadorismo, e até com alguns dos talking points que o Chega também tem, não estava em 2011 na posição que o Chega pode vir a tomar. O PSD venceu as eleições de 2011 com mais de 100 deputados, a 8 deputados da maioria absoluta e teve quase 40% dos votos. Era um partido forte, que lutava pela maioria absoluta. Este PSD é um partido que luta para vencer um PS desgastado de 8 anos de governo e que vem de uma maioria absoluta. Um Chega com 30 deputados, que é concebível, como 3º, 2º ou até quase como maior partido em distritos do interior, com todo o aparelho comunicativo que tem nas redes sociais e em certas camadas da sociedade, é bem mais influente que um CDS com os seus 20/25 deputados há cerca de 15 anos. A situação europeia é também completamente diferente: houve uma vaga de vitórias de direita no início da década, mas a extrema-direita só começou a subir e a tomar maiores proporções a partir de 2014/15. É uma questão de circunstâncias também.

Comparar as "democracias" de leste à democracia portuguesa é errado. Desde já, porque muitos desses países nunca conheceram uma democracia plena (a Rússia, por exemplo, passou de um império autocrático para uma ditadura comunista; depois, para uma oligarquia estranhíssima). A Hungria, a Bielorrússia, a Polónia (...) são exemplos dessa fragilidade democrática. Nunca foram países de liberdade, nunca conheceram revoluções liberais, estiveram sempre sujeitos a um poder ditatorial ou perto disso. Portugal, pelo contrário, conheceu bem o liberalismo do século XIX e uma democracia com boas bases no pós-1910. Se o Chega ganhasse (putativamente falando e mantendo a minha opinião) não era capaz de destruir as instituições democráticas. Teria uma oposição fortíssima de todos os lados. Veja-se o que aconteceu na Itália: ganhou uma extremista de direita, abertamente mussoliniana, e o país não sofreu alterações significativas. Porquê? Porque tem bases democráticas.

A extrema-direita populista está a minar a democracia, sim. Mas não creio que a situação seja dramática ao ponto de acabar com as instituições democráticas. Nos EUA, por exemplo, vive-se numa democracia mais ou menos completa há mais de dois séculos. Não vai ser o séquito de Trump que vai destruir esse espírito, por mais ataques que faça. Lembra-te que haverá, certamente, tantos democratas (ou mais) como extremistas. Os democratas têm é de se organizar para fazerem triunfar as suas ideias. E essa organização não existe, infelizmente. 

Editado por Guida
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6 hours ago, Duarte said:

Amig, coragem só aí 

Responde ao teu textão, eu acho preocupante não haver qualquer tipo de neutralidade. Não há qualquer compromisso sério em informar as pessoas, mas sim manipular 

Eu diria que nem é um problema de neutralidade, o conceito de neutralidade é passível de uma grande discussão. Creio que se trata de um problema de sensacionalismo e de jornalismo-espetáculo, que acontece por questões de financiamento, uma vez que precisam de vender e é um vale-tudo autêntico. O jornalismo está pela hora da morte e os investidores estão cada vez com mais pé atrás em investir, embora até nem seja um problema que se coloca apenas nesta década, Natália Correia, já nos pós-25 de abril, denunciava a mercantilização do jornalismo, algo que fragiliza a prática do jornalismo. O que acontece hoje, é que quem está disposto a investir, usa os meios de informação para se autopromover, ou para promover um projeto que pretende. Não é um fenómeno novo, mas é um fenómeno que está a regressar em força. 

Editado por Fernando
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há 17 minutos, Fernando disse:

Eu diria que nem é um problema de neutralidade, o conceito de neutralidade é passível de uma grande discussão. Creio que se trata de um problema de sensacionalismo e de jornalismo-espetáculo, que acontece por questões de financiamento, uma vez que precisam de vender e é um vale-tudo autêntico. O jornalismo está pela hora da morte e os investidores estão cada vez com mais pé atrás em investir, embora até nem seja um problema que se coloca apenas nesta década, Natália Correia, já nos pós-25 de abril, denunciava a mercantilização do jornalismo, algo que fragiliza a prática do jornalismo. O que acontece hoje, é que quem está disposto a investir, usa os meios de informação para se autopromover, ou para promover um projeto que pretende. Não é um fenómeno novo, mas é um fenómeno que está a regressar em força. 

Tudo verdade. Eu vejo coisas no jornalismo atualmente de levar as mãos à cabeça. A qualidade do jornalismo é cada vez mais rara e são poucos os meios que se preocupam com isso.

Postado
há 1 hora, D91 disse:

Mariana Mortágua e a mentira da avó.:haha:

Só por causa disso eu adorava que o Bloco de Esquerda ficasse sem assentos no parlamento.:riso:

Eu quero a avó da Mariana Mortágua na Júlia já! 

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