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STORMERE

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Temporada 2, Episódio 1 - "Cair da Noite"

EXT. DESERTO DE CRISTAL– CAMPO DE BATALHA – AMANHECER

Silêncio. A tempestade desapareceu. Resta apenas o que ficou depois.

O silêncio não é vazio mas sim pesado. A tempestade passou e deixou para trás um cemitério de vidro e metal. O Deserto de Cristal reflete a luz pálida do amanhecer como um espelho partido.

SOREN está estático. O punho de uma espada – a espada de Hunter – é a única coisa que o ancora à realidade. A sua mão, coberta de poeira e sangue seco, aperta o metal com tanta força que os nós dos dedos estão brancos. Ele não pisca.

Atrás dele, LYRA está de joelhos. Não a rezar… está a organizar as pedras do túmulo de Hunter com uma precisão maníaca, quase cirúrgica. As suas mãos tremem, mas ela força-as a parar, pressionando-as contra o solo cortante até que a pele ceda.

ARIADNE, mais afastada, observa o horizonte. O ar à volta dela distorce-se, uma vibração subtil, como se a própria magia estivesse a tentar sair pelos seus poros. Ela não está a olhar para o deserto; está a ouvir as fendas que se abrem no éter.

Ninguém fala e o vento é o único som.

CORTE BRUSCO PARA O TÍTULO: STORMERE

ATO QUATRO – “O MUNDO QUE ELE CRIOU”

EXT. DESERTO DE CRISTAL – CUME – MAIS TARDE

O grupo prepara-se para partir. Sem discussão. Sem plano. Apenas movimento.

Lyra coloca a última pedra com uma precisão cirúrgica como se o equilíbrio daquela pilha fosse a única coisa que a impedia de colapsar. Ela não chora; a dor já não se manifesta por lágrimas mas sim pela forma como os seus dedos se enterram na areia lutando para manter o contacto com o que resta de Hunter, recusando-se a aceitar o vazio que os seus dedos tocam.

Soren é o primeiro a virar costas. Começa a andar. Não olha para trás.

Ariadne hesita… depois segue-o.

Lyra fica mais um segundo. Depois… Levanta-se. E deixa-o para trás.

EXT. ESTRADA NO DESERTO – DIA

Areia infinita. O calor sobe do chão.

Os três caminham em linha reta. Soren à frente. Sempre à frente. Lyra e Ariadne atrás.

Distância entre eles. Não física. Algo mais pesado.

Horas passam. Ninguém fala.

EXT. POSTO ABANDONADO – TARDE

Um pequeno ponto de controlo ao longo da estrada. Reconstruído.

Novas bandeiras pendem das paredes. Carmesim. O símbolo de Nox gravado com precisão na pedra.

Um grupo de VIAJANTES está em fila. À espera.

Soren não abranda. Lyra agarra-lhe o braço.

     LYRA: Devíamos ver o que se passa.

Soren afasta-se.

     SOREN: Não é problema nosso.

Ariadne observa o posto com atenção.

     ARIADNE: Tens razão… mas não custa nada dar uma olhadela.

Aproximam-se.

Um GUARDA dá um passo em frente. Calmo. Educado.

     GUARDA: Indiquem o vosso destino.

Soren encara-o.

     SOREN: Estamos só de passagem.

O guarda sorri.

     GUARDA: Claro.

Faz um gesto para um livro de registos.

     GUARDA (CONT.): Só precisamos da vossa identificação. Pela ordem, claro.

Lyra olha para o livro. Páginas cheias de escrita organizada. Nomes. Milhares e milhares de nomes.

     LYRA: Desde quando?

     GUARDA: Desde que a paz foi estabelecida.

Um momento.

Soren aproxima-se.

     SOREN: E se não vos dermos a identificação?

O guarda não reage. Não ameaça. Não levanta a voz.

     GUARDA: Então teremos de assumir que têm algo a esconder.

Silêncio.

Ariadne sente-o. O peso do sistema.

Soren pega na pena e escreve: SOREN THORNE

Empurra o livro de volta.

     SOREN: Pronto.

O guarda acena com a cabeça.

     GUARDA: Bem-vindos ao novo mundo.

A frase fica no ar.

Passam por ele. Lyra olha para trás. O próximo viajante avança e repete o mesmo gesto. Como um ritual.

EXT. ESTRADA – MAIS TARDE

Voltam a caminhar. Agora mais depressa. Como se quisessem afastar-se daquele lugar.

Lyra quebra o silêncio primeiro.

     LYRA: Isto não é paz. O Nox criou algo… sombrio.

Sem resposta.

     LYRA (CONT.): Isto é controlo.

Ainda nada.

Ela olha para Soren.

     LYRA (CONT.): Diz alguma coisa.

Soren continua a andar.

     SOREN: O que queres que eu diga?

     LYRA: Qualquer coisa.

Soren para e vira-se.

Os seus olhos estão vazios.

     SOREN: Ele venceu.

A voz quase falha. Mas ele força-se a controlá-la.

Um momento.

     SOREN (CONT.): É isso. É toda a história.

Vira-se de novo e continua a andar.

Lyra aperta o maxilar. Ariadne olha entre os dois.

EXT. ACAMPAMENTO NA ENCOSTA – NOITE

Uma pequena fogueira. Mal acesa.

Estão sentados à volta. Afastados uns dos outros. Sem comida. Sem conversa. Apenas silêncio.

Lyra fixa o olhar no fogo. Ariadne observa o céu.

Soren não se senta. Anda de um lado para o outro. Para trás e para a frente.

Como se não conseguisse parar.

Finalmente…

     ARIADNE: As estrelas… estão sobrecarregadas. Algo não está certo.

Soren para. Lyra levanta o olhar.

     LYRA: O que queres dizer?

Ariadne abana a cabeça.

     ARIADNE: Elas estão lá… mas parecem distantes. Como se algo as estivesse… a sobrecarregar.

Olha novamente para o céu.

     ARIADNE (CONT.): É como se a magia tivesse mudado… e elas estivessem a carregar mais do que deviam.

Soren ri-se. Curto. Amargo.

     SOREN: Isso não faz sentido nenhum.

Eles olham para ele.

     SOREN (CONT.): Mas pronto… não é problema nosso.

Silêncio.

     SOREN (CONT.): Eu sei para onde vamos… vamos para casa. Preciso de ver se ainda lá está.

Eles olham para ele. Um momento.

Lyra acena primeiro. Ariadne segue-a.

FIM DO EPISÓDIO

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STORMERE

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Temporada 2, Episódio 2 - "Cair da Noite"

EXT. ACAMPAMENTO NA ENCOSTA – AMANHECER

Luz fria da manhã. A fogueira está apagada. Cinza espalhada pelo vento.

SOREN já está acordado. Sentado. Imóvel. A espada de Hunter sobre o colo.

LYRA e ARIADNE mexem-se atrás dele. Ninguém diz bom dia. Ninguém diz nada.

Soren levanta-se.

     SOREN: Vamos.

Começa a andar. Sem hesitação. Lyra e Ariadne trocam um olhar. Depois seguem-no.
 
EXT. LIMITE DA FLORESTA – MANHÃ

O deserto dá lugar a uma floresta seca. Árvores retorcidas. Sombras longas. O mundo parece mais silencioso aqui. Demasiado silencioso.

Os três caminham. Mais próximos do que ontem. Mas ainda não juntos. Um triângulo quebrado.
 
EXT. TRILHO NA FLORESTA – MAIS TARDE

Ramos estalam sob os pés. Um corvo observa de cima. Ariadne abranda ligeiramente. Algo está errado.

     ARIADNE: Espera.

Soren continua a andar.

     SOREN: Não temos tempo para esperar.

     ARIADNE: Soren…

Ele para e vira-se. Irritado.

     SOREN: O quê?

Ariadne olha em volta. Inquieta.

     ARIADNE: Há demasiada magia aqui. Não acho seguro seguirmos por este caminho.

Lyra franze o sobrolho.

     LYRA: Demasiada?

     ARIADNE: Não como antes. Não é natural. Parece… instável.

Soren solta um suspiro brusco.

     SOREN: Não temos tempo para isto.

Vira-se novamente.

     SOREN (CONT.): Continuamos.

Ariadne abre a boca, mas… cala-se.

EXT. CLAREIRA – TARDE

Chegam a uma clareira.

Um pequeno grupo de VIAJANTES está reunido junto a uma carroça. Uma roda partida. Mantimentos espalhados.

Ninguém discute. Ninguém entra em pânico. Apenas… silêncio.

Um guarda passa. Um homem, por puro reflexo de medo, para de respirar, escondendo a ferramenta. A sua submissão não é apenas um gesto (ajoelhar), é um instinto de sobrevivência enraizado que ele já não mais controla…

Uma MULHER está por perto, segurando uma criança. A observar. À espera.

Soren abranda. Lyra repara.

     LYRA: Devíamos ajudá-los.

Soren não responde. Apenas observa.

O homem falha outra vez. Larga a ferramenta.

A mulher não se mexe. A criança não chora.

Lyra dá um passo em frente.

     LYRA (CONT.): Vamos ajudá-los.

Soren agarra-lhe o braço.

     SOREN: Não.

Lyra afasta-se.

     LYRA: O que se passa contigo?

     SOREN: Não é problema nosso.

Lyra encara-o.

A raiva cresce.

     LYRA: É sempre isso que dizes agora. É esse o teu novo lema?

Uma pausa.

     LYRA (CONT.): Não és assim.

A expressão de Soren endurece.

     SOREN: Tu não sabes quem eu sou.

Silêncio.

     SOREN (para si): Nem eu sei quem sou.

Pesado.

Ariadne coloca-se entre eles.

     ARIADNE: Parem.

Olha para Soren.

     ARIADNE (CONT.): Não temos de salvar toda a gente.

Depois para Lyra…

     ARIADNE (CONT.): Mas também não temos de ignorá-los.

Lyra olha para os viajantes e depois para Soren.

Uma escolha.

Soren larga-a e dá um passo atrás.

Não ajuda.

Lyra ajuda.

Ajoelha-se ao lado do homem.

     LYRA: Sai.

O homem obedece imediatamente. Demasiado depressa.

Lyra arranja a roda com eficiência. Sem agradecimentos. Sem conversa. Apenas um aceno silencioso.

Ela levanta-se. Olha para eles. Nada. Sem alívio. Sem gratidão. Apenas… submissão.

Lyra recua. Inquieta. Eles vão embora.

EXT. TRAVESSIA DO RIO – FIM DE TARDE

Um rio raso corta o caminho. Água lenta. Quase imóvel.

Eles atravessam.

O som da água ecoa de forma estranha. Demasiado alto. Demasiado nítido.

A meio… Uma ondulação. Não natural.

Ariadne congela.

     ARIADNE: Parem.

A água treme.

Depois… Um pulso de luz fraca sob a superfície.

Desaparece num instante.

Lyra recua.

     LYRA: O que foi aquilo?

Ariadne fixa a água. Abalada.

     ARIADNE: Magia. Algo não está certo. Vou precisar de investigar isto melhor quando chegarmos a Willowford.

Soren atravessa na mesma. Não para. Não quer saber.

Lyra segue com mais cuidado.

Ariadne por último. Ainda a observar. Ainda a pensar.

EXT. MIRADOURO NA CRISTA – PÔR DO SOL

Chegam a uma crista elevada. A terra estende-se ao longe.

Campos. Estradas. Pequenas vilas. Tudo ordenado. Tudo silencioso. Tudo errado.

Soren está à beira. A olhar. A procurar.

Lyra aproxima-se.

     LYRA: Não estás bem.

Soren não responde.

     LYRA (CONT.): E fingir que estás não ajuda ninguém. Nem a ti.

Soren expira. Cansado.

     SOREN: Eu não estou a fingir.

Olha finalmente para ela.

     SOREN (CONT.): Eu simplesmente não quero saber.

Aquilo atinge forte. Lyra abana a cabeça.

     LYRA: Isso é mentira.

Soren quase reage. Quase. Mas reprime.

     SOREN: Acredita no que quiseres.

Passa por ela.

Lyra fica ali. Furiosa. Magoada.

Ariadne observa ambos. A fissura entre eles a aumentar.

EXT. ACAMPAMENTO – NOITE

Outra fogueira. Ainda mais pequena.

Lyra senta-se à parte. Ariadne ao lado. Soren sozinho. Outra vez.

Um longo silêncio.

Depois…

Passos.

Uma figura aproxima-se entre as árvores. Calma. Familiar.

RONIN.

Para à margem da luz da fogueira.

     RONIN: Estava a pensar quanto tempo iam demorar a voltar. Vocês saíram daqui em busca de Stormfall à meses.

Soren levanta o olhar. Sem surpresa. Só reconhecimento.

     SOREN: Demasiado tempo. O que estás a fazer aqui?

Ronin avança. Observa-os. A distância. O dano.

     RONIN: Fui à capital tratar de uns assuntos da forja. Estou a voltar agora. E vocês? Parecem pior do que da última vez que vos vi.

Lyra quase se ri. Quase. Ariadne observa-o com atenção.

     ARIADNE: Sabias que íamos passar por aqui?

Ronin encolhe os ombros.

     RONIN: Claro que não. (ri-se) Estava a voltar para casa quando achei que ouvi a voz do Soren.

Olha para o Soren.

     RONIN (CONT.): Onde está o Hunter?

Soren para.

Ninguém consegue olhar Ronin nos olhos. Ronin aproxima-se.

     RONIN (CONT.): Soren…?

Soren não responde.

     SOREN: Ele morreu.

Ronin pousa a mão no ombro de Soren.

     RONIN: Lamento muito, Soren. Não vou perguntar o que aconteceu. Vais contar quando estiveres pronto. Vamos descansar. Partimos para casa de manhã.

Soren olha para Ronin com um olhar que todos achavam que tinha desaparecido de Soren.

     SOREN: Obrigado.

Eles preparam-se e vão dormir. Com Hunter na cabeça.

EXT. ESTRADA PARA WILLOWFORD – AMANHECER

Agora são quatro a caminhar. Não unidos. Mas também não completamente quebrados.

Ronin ao lado de Soren. Lyra e Ariadne atrás.

A estrada sobe.

Uma colina à frente. Ronin olha para Soren.

     RONIN: Estás pronto para voltares a casa?

Soren aperta a espada de Hunter.

     SOREN: Não.

Uma pausa.

     SOREN (CONT.): Mas tenho de o fazer.

Chegam ao topo. E param.

EXT. COLINA COM VISTA PARA WILLOWFORD – CONTÍNUO

Lá em baixo… WILLOWFORD.

Mudada. Mais limpa. Controlada. E no centro… uma estátua.

NOX.

A observar tudo.

Silêncio.

Lyra solta o ar lentamente.

     LYRA: Pois… isto é mau.

Ariadne não fala. Apenas observa.

Soren dá um passo mas o seu pé trava como se o chão estivesse a ceder. A garganta aperta-se, transformando a pergunta num som rouco que mal corta o silêncio da forja. Olhos fixos na vila. Na estátua e na sua casa.

     SOREN: Vamos.

Uma pausa.

     SOREN (CONT.): Isto acaba aqui.

Descem.

Em direção a Willowford. Ao que quer que se tenha tornado.

FIM DO EPISÓDIO

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há 4 minutos, ilovetv.2008 disse:

Somos dois... agora o meu foco é filosofia... :susto:

O exame vai correr bem

O meu é conseguir por o meu trabalho em dia, mas quando estamos o tempo todo em reuniões é complicado

  • Obrigado 1
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COMUNICADO

Depois da intensidade que vivemos com "Coroa Vermelha" e do impacto da estreia dos episódios 1 e 2 da Segunda Temporada de "Stormere", eu e o @Angel-O sentamo-nos a analisar esta história de reinos antigos que exigem imersão. É uma série que carrega uma alma e uma vibe mais outonal, densa e misteriosa: o tipo de narrativa que pede noites mais longas, mantas e atenção total a cada detalhe. Com a chegada do calor, das férias e do ritmo natural de verão (onde o fórum entra em modo mais off e a cabeça de todos nós está noutro lado), percebemos que lançar os episódios agora seria desperdiçar o potencial desta grande saga. Vocês merecem a melhor experiência possível e a história merece a vossa total atenção.

Por isso, decidimos fazer uma Pausa de Verão.

Mas calma! Esta Mid-Season Break não é um adeus. A verdadeira tormenta está guardada para a época perfeita. Stormere regressa em pleno outono, na última quarta-feira de setembro, dia 30! É a partir dessa data que a temporada volta com tudo, com o ambiente lá fora a condizer finalmente com a atmosfera escura e épica do nosso reino.
O que fazer até dia 30 de setembro?

Para que ninguém fique com o "bichinho" a arrefecer, deixamos-vos três missões para estes meses de calor:

  1. Pôr a leitura em dia: Se chegaste agora ou se o verão te der mais tempo livre, aproveita para ler (ou reler!) os episódios 1 e 2 desta nova temporada.
  2. Explorar o Passado: Se ainda não o fizeste, devora todo o spin-off "Coroa Vermelha" e a 1a Temporada completa. Há detalhes e ramificações lá que vão ser cruciais para o que aí vem.
  3. Prepara as tuas perguntas: Em setembro, antes da grande estreia do episódio 3, vamos ter mais um Q&A (Perguntas & Respostas) aqui no fórum! Podem questionar-nos sobre tudo.

Boas férias, boas leituras e encontramo-nos em setembro 😉

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há 31 minutos, zeferovic14 disse:

COMUNICADO

Depois da intensidade que vivemos com "Coroa Vermelha" e do impacto da estreia dos episódios 1 e 2 da Segunda Temporada de "Stormere", eu e o @Angel-O sentamo-nos a analisar esta história de reinos antigos que exigem imersão. É uma série que carrega uma alma e uma vibe mais outonal, densa e misteriosa: o tipo de narrativa que pede noites mais longas, mantas e atenção total a cada detalhe. Com a chegada do calor, das férias e do ritmo natural de verão (onde o fórum entra em modo mais off e a cabeça de todos nós está noutro lado), percebemos que lançar os episódios agora seria desperdiçar o potencial desta grande saga. Vocês merecem a melhor experiência possível e a história merece a vossa total atenção.

Por isso, decidimos fazer uma Pausa de Verão.

Mas calma! Esta Mid-Season Break não é um adeus. A verdadeira tormenta está guardada para a época perfeita. Stormere regressa em pleno outono, na última quarta-feira de setembro, dia 30! É a partir dessa data que a temporada volta com tudo, com o ambiente lá fora a condizer finalmente com a atmosfera escura e épica do nosso reino.
O que fazer até dia 30 de setembro?

Para que ninguém fique com o "bichinho" a arrefecer, deixamos-vos três missões para estes meses de calor:

  1. Pôr a leitura em dia: Se chegaste agora ou se o verão te der mais tempo livre, aproveita para ler (ou reler!) os episódios 1 e 2 desta nova temporada.
  2. Explorar o Passado: Se ainda não o fizeste, devora todo o spin-off "Coroa Vermelha" e a 1a Temporada completa. Há detalhes e ramificações lá que vão ser cruciais para o que aí vem.
  3. Prepara as tuas perguntas: Em setembro, antes da grande estreia do episódio 3, vamos ter mais um Q&A (Perguntas & Respostas) aqui no fórum! Podem questionar-nos sobre tudo.

Boas férias, boas leituras e encontramo-nos em setembro 😉

:gosto:

Postado
há 1 hora, InesMig disse:

@zeferovic14 e @Angel-O vocês precisam de descanso

Em Setembro cá esperaremos

Ora nem mais.

há 1 hora, zeferovic14 disse:

COMUNICADO

Depois da intensidade que vivemos com "Coroa Vermelha" e do impacto da estreia dos episódios 1 e 2 da Segunda Temporada de "Stormere", eu e o @Angel-O sentamo-nos a analisar esta história de reinos antigos que exigem imersão. É uma série que carrega uma alma e uma vibe mais outonal, densa e misteriosa: o tipo de narrativa que pede noites mais longas, mantas e atenção total a cada detalhe. Com a chegada do calor, das férias e do ritmo natural de verão (onde o fórum entra em modo mais off e a cabeça de todos nós está noutro lado), percebemos que lançar os episódios agora seria desperdiçar o potencial desta grande saga. Vocês merecem a melhor experiência possível e a história merece a vossa total atenção.

Por isso, decidimos fazer uma Pausa de Verão.

Mas calma! Esta Mid-Season Break não é um adeus. A verdadeira tormenta está guardada para a época perfeita. Stormere regressa em pleno outono, na última quarta-feira de setembro, dia 30! É a partir dessa data que a temporada volta com tudo, com o ambiente lá fora a condizer finalmente com a atmosfera escura e épica do nosso reino.
O que fazer até dia 30 de setembro?

Para que ninguém fique com o "bichinho" a arrefecer, deixamos-vos três missões para estes meses de calor:

  1. Pôr a leitura em dia: Se chegaste agora ou se o verão te der mais tempo livre, aproveita para ler (ou reler!) os episódios 1 e 2 desta nova temporada.
  2. Explorar o Passado: Se ainda não o fizeste, devora todo o spin-off "Coroa Vermelha" e a 1a Temporada completa. Há detalhes e ramificações lá que vão ser cruciais para o que aí vem.
  3. Prepara as tuas perguntas: Em setembro, antes da grande estreia do episódio 3, vamos ter mais um Q&A (Perguntas & Respostas) aqui no fórum! Podem questionar-nos sobre tudo.

Boas férias, boas leituras e encontramo-nos em setembro 😉

Combinado, obrigado pela vossa compreensão e desculpem alguma coisa da minha parte.

Setembro é já amanhã e promete ser arrasador!

  • Obrigado 2
  • 3 semanas depois...
  • 1 mês depois...
Postado

ESTAMOS DE VOLTA (QUASE)!

Finalmente, estamos de volta. É já dia 23 de Setembro que regressamos com a segunda temporada de Stormere. Em baixo, enviamos o cronograma da temporada. É bom que estejam prontos para o que aí vêm!

  1. Episódios 3 e 4 - Dia 23 de Setembro
  2. Episódios 5 e 6 - Dia 30 de Setembro
  3. Episódios 7 e 8 - Dia 7 de Outubro
  4. Episódios 9 e 10 - Dia 14 de Outubro
  5. Episódios 11, 12 e 13 - Dia 19 de Outubro
  6. Episódios 14, 15 e 16 - Dia 23 de Outubro.

Vai ser um mês imperdível!

 

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há 1 hora, zeferovic14 disse:

ESTAMOS DE VOLTA (QUASE)!

Finalmente, estamos de volta. É já dia 23 de Setembro que regressamos com a segunda temporada de Stormere. Em baixo, enviamos o cronograma da temporada. É bom que estejam prontos para o que aí vêm!

  1. Episódios 3 e 4 - Dia 23 de Setembro
  2. Episódios 5 e 6 - Dia 30 de Setembro
  3. Episódios 7 e 8 - Dia 7 de Outubro
  4. Episódios 9 e 10 - Dia 14 de Outubro
  5. Episódios 11, 12 e 13 - Dia 19 de Outubro
  6. Episódios 14, 15 e 16 - Dia 23 de Outubro.

Vai ser um mês imperdível!

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Alguém me explica?🫣

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Postado (editado)

Por motivos de atvboard (aproveitem e votem na derradeira sondagem da edição), só hoje retomamos do hiatus de
nAiOh0v.jpg

Temporada 2, Episódio 3 - "Intermissão I: A Era de Nox"
EXT. VERITA – UM NOVO AMANHECER

A capital brilha sob um nascer do sol pálido, sem vida.
As suas torres de mármore são imaculadas. As ruas estão cheias. As bandeiras, todas carmesim, todas com o símbolo de NOX, ondulam em perfeita simetria.
Nenhum fumo onde não devia. Nenhum mercador a gritar por cima de outro. Nenhuma discussão. Nenhum tumulto.

Apenas ordem e silêncio. Silêncio a mais. No centro da cidade ergue-se um enorme palácio negro de pedra polida e vidro. O novo coração do mundo.

INT. SALA DO TRONO – MANHÃ

Uma vasta sala de pedra escura e luz branca.
Altas janelas inundam o espaço com a luz da manhã. Bandeiras carmesim pendem dos pilares como sangue a escorrer.

Ao fundo, num trono esculpido em cristal negro: NOX.
Imóvel. Régio. Intocável.

Abaixo dele, filas de ministros, generais, escribas e guardiões ajoelham em silêncio absoluto.

À sua direita está SCARLETT, a Rainha de Sangue, em armadura vermelho-escura. À esquerda, alguns passos abaixo, está ALERIC.

Um conselheiro lê de um pergaminho.

CONSELHEIRO: A produção de cereais nas províncias do sul excedeu todas as expectativas. O comércio entre os portos do oeste e os assentamentos montanhosos permanece ininterrupto. Não foram registados sinais de rebelião este mês.

Nox não reage.

O conselheiro engole em seco e continua.

CONSELHEIRO: O crime em Verita desapareceu praticamente. Os conflitos fronteiriços cessaram e um novo sistema de identificação está a funcionar sem problemas.

Um longo silêncio.

NOX: E, no entanto falam todos como se a paz fosse um número que pode ser medido.

Ninguém ousa responder.

Nox levanta-se.
A sua capa cai atrás dele como uma sombra sólida.

Desce lentamente os degraus.

NOX (CONT.): As estradas estão limpas. Os mercados estão calmos. Os reis ajoelharam-se. E, no entanto… o mundo continua a parecer… errado.

A sala permanece congelada.

Scarlett observa-o com atenção.
Aleric baixa o olhar.

CONSELHEIRO: Meu senhor… talvez o que sente seja apenas o peso do que alcançou.

Nox pára diante dele.

Uma pausa.

NOX: Não.

Vira-se.

NOX (CONT.): É outra coisa.

EXT. VERITA – PRAÇA CENTRAL – MAIS TARDE

Uma grande praça de pedra polida.
Crianças sentam-se junto a uma fonte, lendo livros de capa carmesim. Guardas estão em cada esquina, calmos e imóveis.

Nox atravessa a praça sozinho.
Sem escolta. Sem medo.

As pessoas ajoelham à sua passagem.
Algumas por vontade própria.
Outras porque sabem que devem.

Uma menina deixa cair o livro.
O som ecoa alto demais.

A mãe fica tensa imediatamente.
A criança baixa-se para o apanhar, a tremer.

Nox para.

Olha para a menina.
Para a mãe.
Para a praça.

Todos observam.
Ninguém respira.

Nox ajoelha-se e apanha o livro.
Entrega-lho.

NOX: Não precisas de ter medo, menina.

A menina pega no livro com mãos trémulas.

MENINA: Obrigada… meu senhor.

Nox levanta-se.

A mãe inclina-se tanto que quase toca no chão com a testa.

Ele continua a andar.

O seu rosto não revela nada.
Mas algo nos seus olhos muda.

INT. CORREDOR DO PALÁCIO – DIA

Longos corredores de mármore polido.

Scarlett caminha ao lado de Nox. O corredor está vazio.

SCARLETT: A praça ficou em silêncio depois de saíres.

Nox continua a andar.

NOX: Já estava em silêncio.

SCARLETT: Sabes o que quero dizer.

Uma pausa.

SCARLETT (CONT.): Têm medo de te desapontar.

A expressão de Nox endurece ligeiramente.

NOX: Ainda bem. O medo impede que tudo se desfaça.

Scarlett observa-o.

SCARLETT: Era isso que querias? Medo?

Nox para.
Vira-se para ela.

NOX: Eu queria ordem.

SCARLETT: Há diferença.

Um longo silêncio.

NOX: Há?

Scarlett não responde.

Ele vira-se e continua.

INT. SALA DE GUERRA – TARDE

Um enorme mapa do mundo cobre o chão, gravado em prata e obsidiana.

Reinos. Estradas. Rotas comerciais. Províncias.
Tudo sob o seu símbolo.

Nox está no centro.

Aleric entra silenciosamente.

ALERIC: Chamaste-me?

Nox não se vira.

NOX: Chamei?

Aleric espera.

Nox olha finalmente para ele.

NOX (CONT.): Diz-me uma coisa, Aleric. Agora que acabou… agora que o mundo finalmente está em silêncio… estás feliz?

A pergunta apanha-o desprevenido.

ALERIC: Não tenho a certeza de que a felicidade tenha alguma coisa a ver com isto.

Nox quase sorri.

NOX: Uma resposta útil. Vazia. Mas útil.

Aleric aproxima-se do mapa.

ALERIC: Construíste o que disseste que ias construir. Não há guerras. Nenhum rei a lutar por território. Nenhuma aldeia queimada por causa de outra pessoa.

Nox vira-se completamente.

NOX: E, no entanto…

Aleric sustenta o olhar.

ALERIC: E, mesmo assim… é o mundo notável que sempre imaginaste.

Silêncio.

NOX: O poder não desaparece, Aleric. Move-se. Encontra outro lugar para existir. Agora… quero que me digas tudo o que sabes sobre Ariadne.

EXT. VERITAS – DISTRITO INFERIOR – FIM DE TARDE

O distrito inferior está mais limpo.
Sem sujidade. Sem crime. Sem fome.

Uma fila de trabalhadores recebe pão num posto público.
Sem empurrões.
Sem barulho.

Uma idosa chega à frente. Recebe a ração com ambas as mãos e afasta-se imediatamente.

Nox observa sob um arco de pedra.
Scarlett ao lado. Aleric alguns passos atrás.

SCARLETT: Não era isto que querias provar?

Nox observa a fila.

NOX: Ninguém passa fome.

SCARLETT: Ninguém fala também. Criaste uma ditadura.

Nox não responde.

Um homem na fila olha para ele por demasiado tempo.

Um guardião aproxima-se.
Não agressivo.
Pior. Controlado.

GUARDIÃO: Olhos no chão.

O homem obedece imediatamente.

Nox observa.
O maxilar aperta-se.

NOX: Isto não foi o que eu construí.

SCARLETT: Eu sei.

O significado paira no ar.

INT. APOSENTOS DE SCARLETT – NOITE

Luz da lua atravessa cortinas vermelhas.

Scarlett retira uma peça da armadura.
Aleric está à janela.

SCARLETT: Mal falaste hoje.

ALERIC: Não tinha nada que valesse a pena dizer.

Ela aproxima-se.

ALERIC: Começo a achar que quase nada do que éramos antes ainda existe.

Silêncio.

SCARLETT: Então deixa morrer. Está no passado.

ALERIC: Foi isso que fizeste?

Ela fica imóvel.

SCARLETT: Fiz o que tinha de fazer.

ALERIC: Eu também.

Silêncio pesado.

SCARLETT: Arrependes-te?

ALERIC: A cada minuto.

Scarlett não responde.
Porque entende.

INT. SALA DO TRONO – MAIS TARDE

Quase vazia.

Nox está de pé.

Um servo entra.

SERVO: Meu senhor… houve outro incidente nas terras do sul.

NOX: Que tipo de incidente?

SERVO: Luzes estranhas sob a terra. Animais a recusar atravessar campos. Água a aquecer sem razão.

Nox vira-se lentamente.

NOX: Quente?

SERVO: Sim.

NOX: Sai.

O servo sai apressado e um relâmpago negro percorre o chão sob o trono.

Nox ajoelha-se.
Toca na pedra.

Ela vibra.

O seu rosto escurece.

INT. SALA DE REGISTOS – NOITE

Filas de livros antigos.

Nox move-se com propósito.

Abre um armário antigo.

Dentro: textos antigos.
Stormfall.

Lê.

Para numa linha.

MANUSCRITO: “Quando o recipiente se quebra, o fardo permanece. O que a tempestade carregava procurará nova saída.”

NOX (baixo): Não…

Outra linha:

MANUSCRITO: “Se o excesso for impedido de se libertar, os antigos criadores responderão. E os responsáveis responderão no Purgatório.”

Nox fecha o livro.

Respira mais rápido.

Pela primeira vez… medo.

INT. OBSERVATÓRIO – NOITE

Uma sala aberta ao céu.

As estrelas… mais fracas.

Aleric espera.

ALERIC: O que aconteceu?

NOX: Eu terminei o Stormfall.

ALERIC: Eu sei.

NOX: Mas… cometi um erro.

Silêncio.

NOX: Posso ter começado algo pior.

ALERIC: Então resolve.

NOX: Se soubesse como… já o tinha feito.

Pausa.

NOX: Confio em ti.

ALERIC: Mais do que em ti próprio?

NOX: Neste momento… sim.

EXT. TELHADO DO PALÁCIO – PRÉ-AMANHECER

A cidade dorme inquieta.

Nox observa o horizonte.

Scarlett e Aleric juntam-se.

NOX: Cometi um erro. Parti algo.

Silêncio.

ALERIC: Então é culpa tua.

NOX: É.

Scarlett dá um passo.

SCARLETT: Então vamos resolver. Juntos.

Nox observa o céu rasgado ao longe.

NOX: Vamos.

Um trovão estranho ecoa sem tempestade e, pela primeira vez, Nox parece pequeno.

Temporada 2, Episódio 4 - "Regresso a Casa"
EXT. WILLOWFORD – MANHÃ

A vila desperta. Há uma cadência meticulosa que domina cada recanto. As ruas, de calçada impecavelmente lavada, refletem a claridade do dia, enquanto as fachadas das casas exibem portadas de madeira com tinta fresca, cujas cores vibrantes denunciam um cuidado quase obsessivo com a aparência exterior.

No centro da praça principal a estátua de NOX impõe-se. A sua presença é o ponto de convergência de todos os olhares, uma figura que, pela sua escala e sobriedade, parece observar a rotina da vila com uma indiferença imutável.

SOREN, LYRA, ARIADNE e RONIN caminham pela rua principal.
Ninguém os impede mas toda a gente repara.

As pessoas olham. Depois desviam o olhar depressa demais.

Soren absorve tudo sem dizer uma palavra.
Ronin lança um olhar para a rua da ferraria.

RONIN: Lar, doce lar.

Lyra continua a olhar para a estátua.

LYRA: Este lugar dá-me arrepios.

Ariadne observa os habitantes da vila.

ARIADNE: Então… esta é a tua terra, Soren?

Soren fala finalmente.

SOREN: Não. Isto não é casa. Já não.

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – CONTÍNUO

Alguns habitantes tratam em silêncio das bancas do mercado. Fruta arrumada com precisão excessiva. Pão empilhado de forma demasiado perfeita.

Um ESCRIVÃO DA VILA está sentado a uma mesa com livros de registo e papéis carimbados. Uma fila de pessoas espera pacientemente para receber pequenos pergaminhos.

Ronin abranda.

RONIN: Antes não estava aqui nada disto.

Um HOMEM à frente deles recebe um pergaminho, acena e segue caminho sem protestar.

Lyra observa.

LYRA: O que é isto?

O escrivão levanta os olhos. Reconhece-os imediatamente.

A expressão muda: surpresa, medo, depois uma cortesia forçada.

ESCRIVÃO: Registos de deslocação. Atribuições de trabalho. Certificações de ração.

Uma pausa.

ESCRIVÃO (CONT.): Bem-vindos de volta a Willowford.

Soren aproxima-se.

SOREN: Quem pediu isto?

O escrivão lança um olhar nervoso à estátua.

ESCRIVÃO: Ninguém pediu. Foi decretado.

Soren fixa-o.

SOREN: Por quem?

O escrivão não responde.
Nem precisa.

Ronin pousa uma mão levemente no ombro de Soren.

RONIN: Não aqui. Esse é um problema para outro dia.

Soren recua.

Continuam.

EXT. RUA DA FERRARIA – MAIS TARDE

Ronin guia-os até uma forja perto da extremidade da vila.

A tabuleta ainda diz: THORNE & IRONWORKS

Soren fica imóvel. A forja está mais limpa que antes. Ampliada. Mais organizada. Novas prateleiras de armazenamento. Uma carroça de entregas junto à entrada com selos carmesim estampados em todas as caixas.

Ronin repara no olhar de Soren.

RONIN: Tenho-a mantido a funcionar. Espero que não te importes.

Soren não diz nada.
Limita-se a fitar o nome da família por cima da porta.

A espada de Hunter pende-lhe ao lado.
Pesada.

Ronin abre a porta.

RONIN (CONT.): Anda. Entra antes que meia vila continue a fingir que não está a olhar para ti.

INT. FORJA THORNE & IRONWORKS – DIA

Luz quente. O cheiro familiar a carvão e ferro.

Pela primeira vez em muito tempo, isto parece casa.

Ferramentas penduradas nas paredes. Ferraduras a meio fazer. Uma forja ainda acesa. Uma bancada coberta de limalhas de metal.

Lyra expira.

LYRA: Está bem. Isto… tem mesmo a tua cara, Soren. E também a dele.

Ronin quase sorri.

RONIN: Porque tem. Passámos a maior parte da nossa infância dentro desta forja.

Ariadne aproxima-se da janela, lançando um olhar para a estrada.

Soren caminha mais para dentro da forja.
Passa a mão pela bancada.

Sem pó.
Cuidada.
Viva.

SOREN: Mantiveste isto assim?

RONIN: Alguém tinha de o fazer.

Uma pausa.

RONIN (CONT.): O teu irmão matava-me se eu deixasse este lugar apodrecer.

A expressão de Soren muda por um segundo fugaz.
Depois fecha-se de novo.

LYRA: Onde vamos dormir?

RONIN: Há espaço no andar de cima. Não é bonito, mas serve.

Ariadne afasta-se da janela.

ARIADNE: E a vila? Tem sido sempre assim desde…?

O tom de Ronin escurece ligeiramente.

RONIN: Desde que o mundo mudou? Sim. Ao princípio, as pessoas sentiram alívio. Sem lutas. Sem fome. Sem ataques. Depois vieram os registos, os horários, os guardiões… e toda a gente aprendeu a ficar calada.

Lyra cruza os braços.

LYRA: Isso parece miserável.

Ronin encolhe os ombros.

RONIN: Miserável é uma palavra simpática para descrever isto.

Soren olha para a porta da forja.

SOREN: Vou a casa.

Ronin acena devagar.

RONIN: Queres companhia?

SOREN: Não. Obrigado mas não.

Lyra dá um passo em frente.

LYRA: Soren…

SOREN: Eu disse que não.

Sai.

A porta da forja bate atrás dele.

Silêncio.

Ariadne olha para Lyra.

ARIADNE: Ele não devia estar sozinho.

Ronin solta o ar.

RONIN: Neste momento, é o máximo que podemos fazer. Dar-lhe espaço.

EXT. ESTRADA DO POMAR – TARDE

Filas de macieiras ondulam ao vento.
A estrada está silenciosa.

Soren caminha sozinho em direção à sua casa.
Cada passo mais lento do que o anterior.

Chega ao portão.
Para.

A casa está onde sempre esteve.
Inalterada.

INT. CASA DOS THORNE – CONTÍNUO

Imobilidade.

A mesma mesa. As mesmas cadeiras. A mesma lareira fria.

Soren entra como se estivesse a entrar numa sepultura.

Vai até à cornija da lareira.
O olhar percorre a divisão.
Depois pousa na prateleira da cozinha.

Uma caneca.
A caneca de Hunter.

Ainda ali.

Soren pega nela.
Roda-a nas mãos.

Uma fenda na lateral. Uma de que se lembra de ter sido ele a causar há anos.

Quase sorri.

Depois pousa-a com demasiada força.
Parte-se.

O som corta o silêncio.

Soren fixa os pedaços partidos.
A respirar mais fundo agora.

Ajoelha-se para os apanhar.
Corta a mão.

Não reage.
Continua apenas a juntar os pedaços.

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – AO MESMO TEMPO

Lyra e Ariadne atravessam a praça enquanto Ronin fala com um mercador ali perto.

A vila move-se em redor delas num ritmo cuidadosamente medido.

Um sino toca uma vez.

Imediatamente, metade da praça muda de direção.
Trabalhadores a deslocarem-se para novos postos. Crianças reunidas pelos professores. Bancas de mercado a fecharem em uníssono.

Lyra observa, inquieta.

LYRA: Eles agora fazem tudo por ordem?

Uma MULHER que passa ouve-a. Baixa a cabeça.

MULHER: Isso é melhor do que a alternativa.

Continua a andar.

Ariadne observa-a afastar-se.

ARIADNE: Isto está tão errado.

O olhar de Lyra pousa num pequeno quadro de avisos junto à praça.

Horários afixados. Zonas de trabalho aprovadas. Recolheres obrigatórios. Horas de apresentação.

E um título perturbador:

DIRETIVAS DE HARMONIA PÚBLICA

Lyra arranca uma.

Ariadne segura-lhe o pulso.

ARIADNE: Não. Não queremos meter estas pessoas em problemas.

Lyra olha em volta.
Vários habitantes da vila viram.
Nenhum reage.

Ela larga lentamente o papel.

INT. FORJA THORNE & IRONWORKS – MAIS TARDE

Ronin martela metal na bigorna.
Faíscas sobem.

Lyra está sentada à bancada, inquieta. Ariadne está por perto, a folhear um velho caderno que encontrou numa das prateleiras.

LYRA: Odeio este lugar.

RONIN: Não, não odeias.

Lyra levanta os olhos.

RONIN (CONT.): Odeias que este lugar te faça pensar nele.

Uma pausa.

Lyra recosta-se.

LYRA: Qual é a diferença?

Ronin pousa o martelo.

RONIN: Uma grande diferença.

Ariadne levanta os olhos do caderno.

ARIADNE: Também houve perturbações mágicas fora da vila. Na estrada. No rio.

Ronin franze o sobrolho.

RONIN: Já ouvi coisas.

Lyra vira-se.

LYRA: Que coisas?

Ronin limpa as mãos a um pano.

RONIN: Gado a comportar-se de forma estranha. Poços a aquecerem de um dia para o outro. Luzes debaixo dos campos. Pessoas a dizer que o chão vibra se se ficar quieto tempo suficiente.

Ariadne absorve cada palavra.

ARIADNE: Está a espalhar-se.

Lyra olha para a porta.
Para onde Soren foi.

LYRA: Ótimo. Portanto o mundo está prestes a implodir e o Soren está a perder o controlo.

Ronin não responde.
Porque ela tem razão.

EXT. CASA DOS THORNE – PÔR DO SOL

O céu arde em dourado e vermelho.

Soren está sentado nos degraus da varanda.
Os pedaços da caneca partida ao lado dele.
Uma ligadura mal atada em volta da mão.

Ronin aproxima-se pela estrada, com duas garrafas.

Senta-se ao lado dele sem pedir licença.
Oferece-lhe uma.

Soren aceita.

Um longo silêncio.

Depois…

RONIN: Sabes, da primeira vez que passei por aqui, o teu irmão quase me expulsou por eu tentar “melhorar” a organização da forja.

Soren solta um pequeno som pelo nariz.
Não é um riso.
Mas quase.

RONIN (CONT.): Disse que, se eu mudasse mais uma ferramenta sem autorização, me partia a mão.

Soren olha em frente.

SOREN: Soa mesmo a ele.

Uma pausa.

RONIN: Queres falar sobre isso?

SOREN: Não.

Ronin acena.
Bebe.

RONIN: Justo.

Mais silêncio.

SOREN: Parti a caneca dele.

Ronin olha para os pedaços espalhados.

O maxilar de Soren aperta-se.

SOREN: Voltei aqui a pensar que talvez… não sei. Talvez alguma coisa fosse parecer igual.

Agarra a garrafa com mais força.

SOREN (CONT.): Mas não parece.

Ronin observa a estrada em frente.

RONIN: Porque não é.

Soren olha para ele.

A voz de Ronin mantém-se calma.

RONIN (CONT.): Tu já sabias que voltar a casa não o ia trazer de volta.

SOREN: Ele não merecia isto.

Soren desvia o olhar.

SOREN: Eu quero o meu irmão de volta.

Aquilo fica entre eles.
Cru.

Ronin não suaviza.
Nem tenta.

RONIN: Eu também, Soren. Eu também.

Silêncio outra vez.
O sol desce.

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – NOITE

Lanternas brilham suavemente em redor da praça.
A estátua de Nox impõe-se na escuridão.

Um pequeno grupo de habitantes da vila está diante dela. Em silêncio. Imóveis.

Não é adoração.
Não exatamente.

É apenas presença obrigatória.

Um FUNCIONÁRIO local lê de um pergaminho e afirma: O recolher obrigatório começa ao segundo toque. A produção atribuída recomeça ao amanhecer. As inspeções de harmonia continuarão durante a semana.

A multidão ouve sem expressão.

Soren, Lyra, Ariadne e Ronin estão na margem da praça, a observar.

LYRA: Diz-me, por favor, que isto não é normal.

RONIN: Agora é. Eu nem sequer apanhei muito disto. Estive fora, lembras-te?

O funcionário continua.

FUNCIONÁRIO: Qualquer deslocação não autorizada para além das estradas designadas deve ser comunicada. Qualquer fenómeno mágico invulgar deve ser imediatamente comunicado ao gabinete distrital.

Isso chama a atenção de Ariadne.

ARIADNE: Eles sabem.

Ronin acena ligeiramente.

O funcionário enrola o pergaminho.

FUNCIONÁRIO: A ordem protege-nos. A obediência preserva-nos.

A multidão repete.
Sem emoção.

Como uma oração sem fé.

MULTIDÃO: A ordem protege-nos. A obediência preserva-nos.

O rosto de Soren endurece.

Olha para a estátua.
Para as pessoas.
Para a vila onde cresceu.

Alguma coisa começa finalmente a estalar por baixo da dormência.

Não de forma ruidosa.
Mas o suficiente.

Lyra repara.

LYRA: Soren…

Ele não responde.

O segundo sino toca.

A praça esvazia-se imediatamente.
As pessoas dispersam em todas as direções sem dizer uma palavra.

Em poucos segundos, a praça está quase vazia.

Só a estátua permanece.

A observar.

Ariadne vira-se para Ronin.

ARIADNE: Estas pessoas estão presas.

Ronin mantém os olhos nas ruas.

RONIN: Acho que estamos todos presos.

Soren dá um passo em frente para a praça vazia.
Para na base da estátua.
Olha para cima.

A espada de Hunter na mão.

Lyra fica tensa.

LYRA: Soren, não…

Ele não a ergue.
Não grita.
Limita-se a olhar.

Uma longa pausa.

SOREN: Amanhã começamos a consertar esta vila.

Lyra e Ariadne trocam um olhar.
Ronin observa-o com atenção.

Há propósito em Soren agora.
Mas não há paz.
Ainda não.

Por cima deles, nuvens passam devagar sobre a lua.

A estátua projeta uma longa sombra sobre a praça vazia.

E Soren está mesmo no meio dela. Coberto de escuridão.

FIM DO DUPLO EPISÓDIO

Spoiler

quem não quiser ser mencionado que nos diga :p 

@Lee @ilovetv.2008 @InesMig @Patiño @Diogo O. @Luisão @Fernando @Throne @Romy

Editado por Angel-O
  • Adoro 3
  • 2 semanas depois...
Postado

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Por motivos de força maior (fruto do nosso @zeferovic14 estar com uns problemas de saúde), e visto que a série foi toda ela escrita por ele e apenas revista por mim, não faz sentido continuar a publicação da restante temporada até que ele esteja recuperado. Assim, e já que a série carrega uma vibe meio dark, decidimos adiar (provisoriamente) os capítulos em falta para a altura do Halloween. Está difícil mas isto vai lá :cryhappy: 

STORMERE
BREVEMENTE NOVOS EPISÓDIOS

  • Triste 1
Postado
há 1 hora, Angel-O disse:

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Por motivos de força maior (fruto do nosso @zeferovic14 estar com uns problemas de saúde), e visto que a série foi toda ela escrita por ele e apenas revista por mim, não faz sentido continuar a publicação da restante temporada até que ele esteja recuperado. Assim, e já que a série carrega uma vibe meio dark, decidimos adiar (provisoriamente) os capítulos em falta para a altura do Halloween. Está difícil mas isto vai lá :cryhappy: 

STORMERE
BREVEMENTE NOVOS EPISÓDIOS

As melhoras para ele.

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