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Coroa Vermelha: Uma História Stormere

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Episódio 2 - "O Estranho"

EXT. VALENRITH – CAMPOS AGRÍCOLAS EXTERIORES – ANOITECER

A câmara afasta-se, revelando campos dourados e estradas silenciosas. Uma caravana de mercadores segue em direção às torres vermelhas da capital ao longe.

Um cavaleiro encapuzado viaja sozinho atrás deles mas nunca vemos o seu rosto.

INT. ESTALAGEM À BEIRA DA ESTRADA – NOITE

Entramos numa estalagem iluminada por uma luz quente. Ouvem-se gargalhadas de grupos de viajantes cansados.

O ESTRANHO está sentado sozinho num canto, brincando com o seu copo de vinho.

Observa e escuta tudo à sua volta.

Um grupo de MERCADORES fala alto demais num recanto.

     MERCADOR #1: Os impostos voltaram a subir. É a terceira vez este ano. Continuam a cortar no que ganhamos e a aumentar os preços por todo o lado…

     MERCADOR #2: Pelos vistos, a Corte diz que é para “melhorar as nossas defesas no leste”.

     MERCADOR #1: Defesa de quê? Agricultores? Não há nada para além das regiões orientais…

Risadas leves.

O Estranho fala finalmente. Calmo. Educado.

     O ESTRANHO: A Corte Vermelha não tem medo de agricultores.

Eles olham para ele.

     O ESTRANHO (CONT.): Mas tem medo do que toda a região fará quando descobrir a verdade…

     MERCADOR #2: E qual é essa, sabichão?

     O ESTRANHO (sorri sob o capuz): Que o fim da Corte Vermelha está a chegar…

Ele levanta-se e deixa uma moeda.

Dinheiro a mais para o que consumiu.

EXT. PORTÕES DA CAPITAL – MANHÃ

O Estranho chega com a multidão da manhã que se reúne na praça para os melhores produtos do mercado.

A Capital Vermelha impõe-se.

Magnífica.

E, para ele, já morta.

INT. PALÁCIO – PÁTIO DE TREINO – MANHÃ

Aleric treina com outro cavaleiro.

É rápido. Controlado. Preciso.

Desarma o adversário com um golpe limpo.

LARS, o CAPITÃO DA GUARDA, acena, impressionado.

     CAPITÃO LARS: Continua assim e ainda me tiras o lugar antes dos trinta.

     ALERIC: O trono que tanto proteges não é o meu horizonte. Enquanto tu lutas para manter o que tens eu já estou a construir o que o amanhã trará. Tenho outros planos para a minha existência e garanto-te que são muito mais interessantes.

Os seus olhos sobem até à varanda acima. Scarlett está lá a observá-lo. Capitão Lars percebe algo entre eles mas não diz nada.

INT. PALÁCIO – APOSENTOS DE SCARLETT – MAIS TARDE

Scarlett está a ser vestida pelas criadas. Está completamente aborrecida.

     CRIADA: Sua Graça pediu que comparecesse ao jantar do conselho esta noite. Diz que é importante que esteja presente nesta reunião em particular.

Scarlett suspira.

     SCARLETT: Claro que pediu. Aposto que vai tentar “impor” mais um marido. Como faz aliás todas as semanas…

A criada ri-se.

INT. ANTECÂMARA DO CONSELHO – DIA

Os lordes discutem em pequenos grupos.

LORDE MAERON repara em alguém novo entre os criados.

Um homem com uma bandeja de vinho.

O ESTRANHO.

Os seus olhares cruzam-se por meio segundo.

INT. ESCRITÓRIO DE LORDE MAERON – MAIS TARDE

LORDE MAERON encontra um bilhete na sua mesa.

Ninguém viu quem o deixou.

Abre-o e lê.

A sua expressão muda. Parece… preocupado.

INT. PALÁCIO – GRANDE SALÃO – NOITE

Chegamos ao jantar formal. Uma longa mesa iluminada por velas carmesim.

SCARLETT senta-se ao lado do pai. ALERIC está de guarda, como sempre.

O ESTRANHO move-se pela sala como parte do pessoal. Serve vinho. Escuta.

Para atrás de LADY VELARA.

Enche-lhe o copo.

Sussurra, só para ela:

     O ESTRANHO (sussurrando): A dívida de jogo do seu filho em Karsin está prestes a tornar-se muito pública… a menos que…

Sussurra algo que nem o público ouve.

Ela fica imóvel.

Ele segue para o próximo convidado, LORDE THESIN.

Enquanto lhe serve vinho, sussurra:

     O ESTRANHO (baixo): O seu irmão não morreu de febre. Eu digo-lhe quem o matou, se…

Mais uma vez, não ouvimos o resto.

A mão de Thesin treme.

INT. VARANDA – MAIS TARDE

Scarlett escapa para apanhar ar.

Aleric já lá está.

     SCARLETT: Juro que, se ouvir as palavras “aliança” ou “impostos” mais uma vez, atiro-me desta varanda.

     ALERIC: Porque é que o teu pai te pediu para vir a este jantar?

     SCARLETT: Não faço ideia… Nem uma palavra me disse a noite toda.

     ALERIC: De certeza que tinha uma razão…

Um momento.

Ela olha para ele.

     SCARLETT: Não sentes que algo está errado hoje?

Ele pensa.

     ALERIC: Não notei nada de estranho... porquê? Viste alguma coisa?

     SCARLETT (Afastando-se da varanda, abraçando os seus próprios braços): Acho que não... talvez esteja só a ficar paranóica.

     ALERIC: A paranóia é o veneno desta corte, Scarlett. Mas tu nunca foste de imaginar fantasmas onde eles não existem.

     SCARLETT (Um riso seco, sem alegria): Talvez os fantasmas tenham finalmente decidido aparecer.

Enquanto falam não veem o Estranho a observá-los do interior.

INT. ESCRITÓRIO DE LORDE MAERON – NOITE

Lorde Maeron volta a ler o bilhete.

Batem à porta.

     LORDE MAERON: Entre.

O Estranho entra. Capuz ainda colocado.

     LORDE MAERON (irritado): Quem é você? E o que está a fazer nesta parte do castelo? Esta é uma área restrita. Posso mandar prendê-lo e executá-lo por isto.

     O ESTRANHO: Pensei que quisesse falar depois de ler o meu bilhete…

Maeron olha para o bilhete e depois para ele.

     LORDE MAERON: Quem é você? E como descobriu isto?

Levanta o bilhete.

     O ESTRANHO: Digamos que sei muito sobre esta Corte e estou aqui para garantir que não seja destruída.

Maeron observa-o.

     LORDE MAERON: E o que quer?

     O ESTRANHO: O seu apoio… Vai perceber tudo em breve.

Silêncio e, depois, Maeron sorri.

INT. APOSENTOS DO REI – MESMA NOITE

O Rei Aldric está junto à janela. O Alto Sacerdote atrás dele.

     REI ALDRIC: Estavam nervosos. Toda a gente se comportou de forma estranha esta noite…

     ALTO SACERDOTE CAELUM: Conhece-os… estão apenas inquietos com tudo o que está a acontecer.

     REI ALDRIC: Não. Isto é diferente.

Vira-se para ele.

     REI ALDRIC (CONT.): Algo está a aproximar-se. E não sei se vamos conseguir detê-lo…

O Alto Sacerdote parece preocupado.

EXT. TELHADO DA CIDADE – NOITE

O Estranho está sozinho, a olhar para a capital.

Remove uma luva.

Na palma: marcas escuras, estranhas e ténues.

Pulsa.

Fecha a mão.

     O ESTRANHO (para si): A queda da Coroa Vermelha começa hoje…

Um momento.

     O ESTRANHO (CONT.): E finalmente poderei roubar todo o poder deles para alcançar o trabalho de toda a minha vida. Já o consigo sentir…

Olha para a mão. Vibra com magia sombria.

Desaparece na noite.

FIM DO EPISÓDIO 2

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há 2 minutos, zeferovic14 disse:

Coroa Vermelha: Uma História Stormere

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Episódio 2 - "O Estranho"

EXT. VALENRITH – CAMPOS AGRÍCOLAS EXTERIORES – ANOITECER

A câmara afasta-se, revelando campos dourados e estradas silenciosas. Uma caravana de mercadores segue em direção às torres vermelhas da capital ao longe.

Um cavaleiro encapuzado viaja sozinho atrás deles mas nunca vemos o seu rosto.

INT. ESTALAGEM À BEIRA DA ESTRADA – NOITE

Entramos numa estalagem iluminada por uma luz quente. Ouvem-se gargalhadas de grupos de viajantes cansados.

O ESTRANHO está sentado sozinho num canto, brincando com o seu copo de vinho.

Observa e escuta tudo à sua volta.

Um grupo de MERCADORES fala alto demais num recanto.

     MERCADOR #1: Os impostos voltaram a subir. É a terceira vez este ano. Continuam a cortar no que ganhamos e a aumentar os preços por todo o lado…

     MERCADOR #2: Pelos vistos, a Corte diz que é para “melhorar as nossas defesas no leste”.

     MERCADOR #1: Defesa de quê? Agricultores? Não há nada para além das regiões orientais…

Risadas leves.

O Estranho fala finalmente. Calmo. Educado.

     O ESTRANHO: A Corte Vermelha não tem medo de agricultores.

Eles olham para ele.

     O ESTRANHO (CONT.): Mas tem medo do que toda a região fará quando descobrir a verdade…

     MERCADOR #2: E qual é essa, sabichão?

     O ESTRANHO (sorri sob o capuz): Que o fim da Corte Vermelha está a chegar…

Ele levanta-se e deixa uma moeda.

Dinheiro a mais para o que consumiu.

 

EXT. PORTÕES DA CAPITAL – MANHÃ

O Estranho chega com a multidão da manhã que se reúne na praça para os melhores produtos do mercado.

A Capital Vermelha impõe-se.

Magnífica.

E, para ele, já morta.

 

INT. PALÁCIO – PÁTIO DE TREINO – MANHÃ

Aleric treina com outro cavaleiro.

É rápido. Controlado. Preciso.

Desarma o adversário com um golpe limpo.

LARS, o CAPITÃO DA GUARDA, acena, impressionado.

     CAPITÃO LARS: Continua assim e ainda me tiras o lugar antes dos trinta.

     ALERIC: O trono que tanto proteges não é o meu horizonte. Enquanto tu lutas para manter o que tens eu já estou a construir o que o amanhã trará. Tenho outros planos para a minha existência e garanto-te que são muito mais interessantes.

Os seus olhos sobem até à varanda acima. Scarlett está lá a observá-lo. Capitão Lars percebe algo entre eles mas não diz nada.

 

INT. PALÁCIO – APOSENTOS DE SCARLETT – MAIS TARDE

Scarlett está a ser vestida pelas criadas. Está completamente aborrecida.

     CRIADA: Sua Graça pediu que comparecesse ao jantar do conselho esta noite. Diz que é importante que esteja presente nesta reunião em particular.

Scarlett suspira.

     SCARLETT: Claro que pediu. Aposto que vai tentar “impor” mais um marido. Como faz aliás todas as semanas…

A criada ri-se.

 

INT. ANTECÂMARA DO CONSELHO – DIA

Os lordes discutem em pequenos grupos.

LORDE MAERON repara em alguém novo entre os criados.

Um homem com uma bandeja de vinho.

O ESTRANHO.

Os seus olhares cruzam-se por meio segundo.

 

INT. ESCRITÓRIO DE LORDE MAERON – MAIS TARDE

LORDE MAERON encontra um bilhete na sua mesa.

Ninguém viu quem o deixou.

Abre-o e lê.

A sua expressão muda. Parece… preocupado.

 

INT. PALÁCIO – GRANDE SALÃO – NOITE

Chegamos ao jantar formal. Uma longa mesa iluminada por velas carmesim.

SCARLETT senta-se ao lado do pai. ALERIC está de guarda, como sempre.

O ESTRANHO move-se pela sala como parte do pessoal. Serve vinho. Escuta.

Para atrás de LADY VELARA.

Enche-lhe o copo.

Sussurra, só para ela:

     O ESTRANHO (sussurrando): A dívida de jogo do seu filho em Karsin está prestes a tornar-se muito pública… a menos que…

Sussurra algo que nem o público ouve.

Ela fica imóvel.

Ele segue para o próximo convidado, LORDE THESIN.

Enquanto lhe serve vinho, sussurra:

     O ESTRANHO (baixo): O seu irmão não morreu de febre. Eu digo-lhe quem o matou, se…

Mais uma vez, não ouvimos o resto.

A mão de Thesin treme.

 

INT. VARANDA – MAIS TARDE

Scarlett escapa para apanhar ar.

Aleric já lá está.

     SCARLETT: Juro que, se ouvir as palavras “aliança” ou “impostos” mais uma vez, atiro-me desta varanda.

     ALERIC: Porque é que o teu pai te pediu para vir a este jantar?

     SCARLETT: Não faço ideia… Nem uma palavra me disse a noite toda.

     ALERIC: De certeza que tinha uma razão…

Um momento.

Ela olha para ele.

     SCARLETT: Não sentes que algo está errado hoje?

Ele pensa.

     ALERIC: Não notei nada de estranho... porquê? Viste alguma coisa?

     SCARLETT (Afastando-se da varanda, abraçando os seus próprios braços): Acho que não... talvez esteja só a ficar paranóica.

     ALERIC: A paranóia é o veneno desta corte, Scarlett. Mas tu nunca foste de imaginar fantasmas onde eles não existem.

     SCARLETT (Um riso seco, sem alegria): Talvez os fantasmas tenham finalmente decidido aparecer.

Enquanto falam não veem o Estranho a observá-los do interior.

INT. ESCRITÓRIO DE LORDE MAERON – NOITE

Lorde Maeron volta a ler o bilhete.

Batem à porta.

     LORDE MAERON: Entre.

O Estranho entra. Capuz ainda colocado.

     LORDE MAERON (irritado): Quem é você? E o que está a fazer nesta parte do castelo? Esta é uma área restrita. Posso mandar prendê-lo e executá-lo por isto.

     O ESTRANHO: Pensei que quisesse falar depois de ler o meu bilhete…

Maeron olha para o bilhete e depois para ele.

     LORDE MAERON: Quem é você? E como descobriu isto?

Levanta o bilhete.

     O ESTRANHO: Digamos que sei muito sobre esta Corte e estou aqui para garantir que não seja destruída.

Maeron observa-o.

     LORDE MAERON: E o que quer?

     O ESTRANHO: O seu apoio… Vai perceber tudo em breve.

Silêncio e, depois, Maeron sorri.

 

INT. APOSENTOS DO REI – MESMA NOITE

O Rei Aldric está junto à janela. O Alto Sacerdote atrás dele.

     REI ALDRIC: Estavam nervosos. Toda a gente se comportou de forma estranha esta noite…

     ALTO SACERDOTE CAELUM: Conhece-os… estão apenas inquietos com tudo o que está a acontecer.

     REI ALDRIC: Não. Isto é diferente.

Vira-se para ele.

     REI ALDRIC (CONT.): Algo está a aproximar-se. E não sei se vamos conseguir detê-lo…

O Alto Sacerdote parece preocupado.

 

EXT. TELHADO DA CIDADE – NOITE

O Estranho está sozinho, a olhar para a capital.

Remove uma luva.

Na palma: marcas escuras, estranhas e ténues.

Pulsa.

Fecha a mão.

     O ESTRANHO (para si): A queda da Coroa Vermelha começa hoje…

Um momento.

     O ESTRANHO (CONT.): E finalmente poderei roubar todo o poder deles para alcançar o trabalho de toda a minha vida. Já o consigo sentir…

Olha para a mão. Vibra com magia sombria.

Desaparece na noite.

FIM DO EPISÓDIO 2

Que rápido que chegaram os 2 episódios. Agora, o meu foco está no SS, mas certamente temos o novo hit da ficção do fórum. PARABÉNS, GUARDIÕES @Angel-O E @zeferovic14, OU DEVO DIZER NESTE CONTEXTO, CO-AUTORES!

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há 2 minutos, InesMig disse:

Estou em falta :(

Somos dois, mas também não é fácil estar em tudo ao mesmo tempo. Certamente, quando voltarmos em pleno a isto, surpreender-nos-emos pela grandeza e qualidade do spin off que está a ser lançado por aqui.

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Coroa Vermelha: Uma História Stormere

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Episódio 3 - "O Estranho"

EXT. VALENRITH – BAIRROS BAIXOS – MANHÃ

O submundo da capital.

As ruas eram um labirinto asfixiante, um emaranhado de vozes onde os gritos dos vendedores de rua cortavam o ar pesado. O brilho do mármore lá no alto não chegava aqui em baixo; na sarjeta, as escamas e vísceras de peixe apodreciam sob o sol, misturando o cheiro do mar com a humidade da pedra. Crianças esguias passavam como sombras, serpenteando por entre carroças de madeira enquanto o vapor espesso subia das grelhas de metal carregado com o aroma da gordura e do carvão.

Uma carruagem modesta avança por ali, deliberadamente sem marcas. Lá dentro, SCARLETT, com o capuz puxado para baixo. Sem joias. Sem insígnias.

Dois guardas seguem a seu lado; protetores e inquietos.

Scarlett olha para as ruas como alguém que não sai muito.

Uma mulher discute por causa de pão. Um rapaz saca uma moeda e foge. Um homem tosse para um pano já escurecido pelo sangue.

     SCARLETT (em voz baixa): Não sabia que tudo estava assim tão mal...

O guarda ao seu lado não parece, de todo, surpreendido com a afirmação que acabara de ouvir.

     GUARDA: Está assim faz muitos meses… já lhes perdi a conta.

Scarlett observa uma mãe a dividir uma maçã em três partes. Sente tristeza mas também uma profunda raiva.

INT. PEQUENA CASA DE CURANDEIRO – MANHÃ

Escura. Sobrelotada. O ar cheira a ervas fervidas e doença.

Uma criança doente está deitada, a transpirar sob cobertores finos. A mãe ajoelha-se ao lado da cama, exausta para além das lágrimas.

Scarlett pressiona um saco de moedas nas suas mãos.

A mulher fica a olhar, depois solta um suspiro de espanto.

     MULHER: Vossa Alteza, eu... eu não posso...

Tenta inclinar-se em reverência. Quase desaba.

Scarlett ampara-a.

     SCARLETT: Não. Por favor. E aceite. Precisa mais disto do que eu.

A gratidão é crua. Desesperada. Agarrada àquilo com todas as forças.

Scarlett não está habituada a isto.

Liberta-lhe as mãos com delicadeza.

Sai.

EXT. CASA DO CURANDEIRO – CONTÍNUO

ALERIC está encostado à parede de pedra, de braços cruzados.

Endireita-se quando ela sai.

     ALERIC: Se o teu pai descobre que estiveste aqui...

     SCARLETT: Não vai descobrir...

     ALERIC: Estás a brincar com o fogo, Scarlett.

     SCARLETT: Não. Estou só cansada de ver este reino apodrecer.

Começam a andar.

INT. PALÁCIO – SALA DO CONSELHO – DIA

A corte está unida. O que, normalmente, é muito mais perigoso do que estar dividida.

Lordes e damas falam com uma calma medida...

     LADY VELARA: Temos de aumentar as tarifas sobre os cereais.

     SCARLETT: Outra vez? Literalmente aumentámos as tarifas na semana passada...

     LORDE THESIN: E também precisamos de reforçar as guarnições do leste. Desta vez, publicamente.

     SCARLETT: Vocês enlouqueceram? É a terceira vez este mês que pedem isso. Não podemos continuar assim... vamos arruinar famílias inteiras.

     LORDE MAERON: Não há muito que possamos fazer, princesa. Temos de aprovar estes pedidos...

REI ALDRIC está sentado à cabeceira. Mais velho do que aparenta. Mais cansado do que admite.

     REI ALDRIC: Se aprovarmos isto, vamos deixar, pelo menos, três províncias à fome.

Uma breve pausa.

     LORDE MAERON: Vão sobreviver. Mas temos de fazer isto... por segurança.

     SCARLETT: Contra o quê? Continuam a falar em segurança como se estivéssemos em guerra.

Outra pausa. Ninguém responde.

     REI ALDRIC: Vou aprovar isto. Mas que fique bem claro: esta é a última vez que aumentamos tarifas e desviamos tropas.

Ninguém vacila.

Ao fundo, entre escribas, criados e funcionários de dedos manchados de tinta...

O ESTRANHO escuta.

Imóvel. Observador. A sorrir levemente.

INT. PALÁCIO – APOSENTOS DE SCARLETT – FIM DE TARDE

Os criados retiram as joias de Scarlett, peça por peça. Cada objeto cai sobre a mesa com um pequeno som metálico.

A sua armadura, ao ser retirada, faz um estrondo pesado.

Ela dispensa as criadas.

Silêncio absoluto diante do espelho.

Parece uma princesa.

Polida. Composta. Decorativa.

Toca no seu reflexo.

     SCARLETT (entre dentes): De que serve seres uma princesa se não consegues salvar o povo do teu próprio reino?

Batem à porta.

     SCARLETT: Entre.

Entra um criado.

     CRIADO: Uma mensagem, Vossa Alteza. Foi deixada nos portões.

Scarlett pega na nota selada.

O criado sai.

Scarlett quebra o selo.

Lá dentro:

"Podes salvar o teu reino. Mas vais precisar de ajuda... Encontra-te comigo no Solário, esta noite."

O maxilar dela contrai-se.

INT. PALÁCIO – ANTIGA ALA OESTE – NOITE

Corredores abandonados há muito.

Partículas de pó flutuam sob a luz pálida da lua. Tapeçarias apodrecem nas paredes. Aqui, o palácio parece mais antigo.

Scarlett chega ao velho Solário.

Leva a mão à porta.

Hesita, mas abre-a.

INT. SOLÁRIO ABANDONADO – CONTÍNUO

Um teto de vidro estilhaçado. A luz da lua entra como chuva prateada.

Plantas partidas. Trepadeiras mortas.

E um homem.

O ESTRANHO, junto à janela. Sem capuz, mas de alguma forma ainda com o rosto coberto de sombra.

Não se vira de imediato.

     SCARLETT: Ou é muito corajoso ou muito estúpido para contactar um membro da realeza por cartas anónimas...

     O ESTRANHO (sorri levemente): Já me chamaram as duas coisas. Mas resultou, não foi?

Ela não se aproxima.

     SCARLETT: Foste tu que enviaste a carta?

     O ESTRANHO: Sim.

     SCARLETT: Então fala... antes que o mande prender.

Ele vira-se por fim.

     O ESTRANHO : A minha carta dizia tudo... E, se está aqui... é porque já pensou no que eu disse.

Silêncio.

Ela sabe que ele tem razão.

Ele gesticula na direção da cidade.

     O ESTRANHO (CONT.): O seu reino está a morrer. E sabe disso.

     SCARLETT: Sei.

     O ESTRANHO: E sabe que o seu pai também sabe.

Uma pausa.

     O ESTRANHO (CONT.): Ele está cansado. E percebe-se que está a sofrer com tudo isto.

Mais uma vez, ela sabe que ele tem razão.

     SCARLETT: Então veio aqui só para me dizer o óbvio ou vai dizer-me o que quer?

Agora ele observa-a a sério.

     O ESTRANHO: Quero ajudá-la a consertar este reino. Moldá-lo de novo em algo... notável.

Uma respiração.

      SCARLETT: E o que terei de pagar por isso?

Ele sorri, seguro de si.

     O ESTRANHO: Eventualmente? Tudo.

INT. PALÁCIO – PÁTIO DE TREINO – DIA SEGUINTE

O aço choca violentamente.

Aleric luta como se estivesse cheio de raiva. CAPITÃO LARS bloqueia um golpe.

     CAPITÃO LARS: Estás bem, Aleric? Pareces... tenso.

     ALERIC: Só cansado.

     CAPITÃO LARS: Tens a certeza? Sabes que podes falar comigo, certo?

Aleric não responde logo.

     ALERIC: Eu sei. Mas não é nada...

O Capitão Lars não acredita, mas não insiste.

INT. APOSENTOS DE SCARLETT – DIA

Scarlett relê a nota dada pelo Estranho.

Os seus dedos seguem a tinta. Aproxima-a de uma vela.

A chama enrola o papel. Escurece. Desfaz-se em cinza.

EXT. JARDINS REAIS – NOITE

Chegamos a um jardim coberto de sebes iluminadas pela lua e fontes esculpidas.

Scarlett caminha sozinha. O Estranho está sentado casualmente num banco de pedra, como se aquilo lhe pertencesse.

     SCARLETT: Disse que eu tinha tempo para pensar.

     O ESTRANHO: E tem... estou só aqui para ver se ainda tinha dúvidas.

Ela senta-se, rígida, zangada consigo própria por estar ali.

      SCARLETT: Faça a sua proposta. Claramente. Diga-me exatamente o que quer.

Ele inclina-se para a frente.

     O ESTRANHO: Posso pô-la no trono. Amanhã.

Ela ri-se.

     SCARLETT (a rir): E eu posso voar e fazer bolos do nada.

     O ESTRANHO: Não estou a brincar. O reinado do seu pai está a chegar ao fim. E sabe disso... Seja por doença... traição... ou inevitabilidade.

Ela deixa de rir.

     O ESTRANHO (CONT.): E quando isso acontecer, a corte vai devorar-se a si mesma. Eu posso garantir que seja você a tomar o trono.

     SCARLETT: Os membros do conselho nunca votariam a meu favor.

     O ESTRANHO: Votariam, acredite em mim.

     SCARLETT: E você? O que ganharia com isso?

     O ESTRANHO: Ganharia poder ajudá-la. Poderia tornar-me o seu conselheiro real. Isso é mais do que suficiente para mim.

O silêncio prolonga-se.

     SCARLETT: Está a pedir-me que traia a minha família.

     O ESTRANHO: Estou a pedir-lhe que escolha qual família importa mais. A que tem o seu nome... ou a que está a passar fome do lado de fora dos seus portões.

INT. GABINETE DO REI – MESMA NOITE

O Rei Aldric tosse violentamente para um pano.

Sangue.

O Alto Sacerdote finge não ver.

     ALTO SACERDOTE CAELUM: O conselho está a ficar impaciente, Sua Graça. Acho que tinha razão...

     REI ALDRIC: Que fiquem. Não há muito mais que possamos fazer, Caelum. Só saiba... se me acontecer alguma coisa, proteja a Scarlett. Por favor.

O Alto Sacerdote acena.

Outra tosse do Rei. Mais sangue.

EXT. VARANDA – MAIS TARDE

A cidade estende-se lá em baixo. Nuvens de tempestade juntam-se ao longe.

Scarlett e Aleric estão lado a lado.

     ALERIC: Tens estado calada estes últimos dias. Estás bem?

     SCARLETT: Hum, sim. Está tudo bem. Não te preocupes.

Silêncio.

     SCARLETT (CONT.): Achas que eu seria uma grande rainha?

Aleric observa-a com atenção.

     ALERIC: Não preciso de pensar. Sei que farias um trabalho extraordinário. Mas porque estás a pensar nisso? Não é como se isso fosse acontecer tão cedo. O teu pai ainda está vivo e bem.

Ela não responde.

INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE

Scarlett está à porta. O Estranho espera.

Sem sorriso desta vez.

     SCARLETT: Ainda não estou a dizer que sim.

     O ESTRANHO: Claro que não.

     SCARLETT: Mas estou a ouvir.

Um sorriso lento surge no rosto do Estranho.

EXT. VALENRITH – NOITE

A cidade dorme, uma sesta, inquieta, onde o silêncio das ruas é demasiado denso para ser paz. Ao longe um trovão ressoa como um tambor de guerra esquecido

Por cima do palácio juntam-se nuvens da tempestade.

FIM DO EPISÓDIO 3

 

Episódio 4 - "Os Dois Lados do Problema"

EXT. VALENRITH – TELHADOS – AMANHECER

Bandeiras vermelhas ondulam por toda a capital. A cidade desperta lentamente. Sinos. Carroças de mercado. Fumo.

Scarlett está numa varanda alta, de braços cruzados contra o frio e parece cansada.

INT. PALÁCIO – SALA DO CONSELHO – MANHÃ

O ruído habitual.

     LADY VELARA: Estamos a perder dinheiro a um ritmo alarmante no leste. Nunca vi nada assim acontecer antes...

     LORDE MAERON: Então devemos começar a considerar cortar completamente o leste.

     REI ALDRIC: Estão loucos? São pessoas. Não são gado…

    LORDE THESIN: Não há mesmo mais nada que possamos fazer!

     LORDE MAERON: Se continuarmos a enviar estes carregamentos de ajuda, a este ritmo...

     REI ALDRIC (interrompendo): Não me importa. Não vou abandonar ninguém!

     LADY VELARA: Eu pensaria melhor, Sua Alteza. Não fazer isto vai começar a afetar outras regiões…

     LORDE MAERON: Já não há alternativa.

Scarlett observa-os a todos. Não diz nada. Está em choque. Não consegue acreditar no que está a ouvir.

INT. PALÁCIO – CORREDOR – MAIS TARDE

Scarlett caminha depressa. Aleric acompanha-a.

     SCARLETT: Não consigo acreditar que aqueles abutres queiram condenar à morte uma região inteira só para não perderem mais algum dinheiro...

     ALERIC: O teu pai não vai deixar que isso aconteça... tenho a certeza.

Ela expira.

     SCARLETT: Acho que ele não vai ter escolha. O conselho vai acabar por forçá-lo.

     ALERIC (desiludido): Eu sei. (pausa) Mas tenho a certeza de que vai fazer o possível para evitar que isso aconteça. Pelo menos, durante algum tempo.

     SCARLETT: O que está a acontecer a esta corte...

     ALERIC: Não o digas. (pausa) Eu sei.

INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE

O Estranho está junto ao teto de vidro partido. A chuva tamborila suavemente lá em cima.

Não se vira quando ela entra.

     O ESTRANHO: Estás atrasada.

     SCARLETT: Esqueceu-se de quem eu sou? Não tenho tempo para estes encontros clandestinos...

     O ESTRANHO: Seguindo em frente...

Ela revira os olhos.

     SCARLETT: Diga porque me trouxe aqui.

Ele observa-a por um momento.

     O ESTRANHO: O seu conselho vota amanhã. Chamam-lhe o “Ato de Ajuda ao Leste”.

     SCARLETT: Não vai passar. Eles querem cortar a região.

     O ESTRANHO: Tem razão, não vai passar... (pausa) Não sem ajuda.

Ela cruza os braços.

     SCARLETT: Que tipo de ajuda?

     O ESTRANHO: Digamos apenas que... mexi alguns cordelinhos.

Ela semicerrra os olhos.

     SCARLETT: Isso é vago. E eu não gosto de coisas vagas.

     O ESTRANHO: Lady Velara anda a desviar fundos há anos. Em silêncio. Com eficiência. Para pagar as dívidas de jogo do filho em Karsin.

Ela fica a olhar para ele.

     SCARLETT: Se está a mentir...

     O ESTRANHO: Não estou. (pausa) O que ganharia eu em mentir?

Uma pausa.

     SCARLETT: Então... quer que eu revele isto a toda a gente? Não vão acreditar em mim sem provas.

     O ESTRANHO: E se eu lhe disser... que as provas já estão no mundo?

Agora ela observa-o com atenção.

     SCARLETT: Já pôs isto em marcha.

Ele não responde. O que já é resposta suficiente.

EXT. PROPRIEDADE DE LADY VELARA – NOITE

A chuva cai, constante e fria.

Scarlett está sob um capuz, afastada dos portões.

     SCARLETT: Se isto não resultar...

     O ESTRANHO: Vai resultar.

Como se fosse deixado por uma deixa, um CRIADO sai com um estojo de couro. Uma sombra interceta-o discretamente num beco.

Sem luta. Sem gritos. O estojo muda de mãos. O criado afasta-se, confuso, mas ileso.

Scarlett expira.

     SCARLETT: Planeou isto muito bem.

     O ESTRANHO: Digamos apenas que... quando tenho a minha oportunidade, não falho.

INT. PALÁCIO – DIA SEGUINTE

Sussurros percorrem os corredores.

Membros do conselho agrupam-se em círculos apertados.

LADY VELARA está de rosto vermelho na sala do conselho.

     LADY VELARA: Isto é absurdo. Fabricado.

     LORDE MAERON: Será?

Papéis são lidos em voz alta. Números. Transferências. Assinaturas.

     LADY VELARA: Sirvo esta coroa há trinta anos...

     REI ALDRIC: E, ao que parece, também a si própria.

Os guardas avançam. Lady Velara olha em volta à procura de aliados.

Não encontra nenhum. É escoltada para fora.

Scarlett observa.

Isto devia saber a vitória. Mas não sabe.

INT. GABINETE DO REI – DIA

O Rei Aldric esfrega as têmporas. Parece mais velho do que ontem.

     REI ALDRIC: Alguém está por trás disto. Isto não teria vindo a público assim, do nada... (pausa) E não gosto de não saber quem.

Scarlett permanece imóvel.

     SCARLETT: Não devia estar satisfeito? Descobriu que alguém da sua corte estava a roubar o reino.

Ele olha para ela. Acena levemente.

INT. PALÁCIO – CORREDOR – DIA

Aleric alcança-a.

     ALERIC: Diz-me que não sabias daquilo. Foste tu que...

Scarlett continua a andar.

     SCARLETT: Toda a gente sabia que havia algo de errado. Não é assim tão surpreendente.

     ALERIC: Não foi isso que eu perguntei.

Ela para.

     SCARLETT: O que queres que eu diga?

     ALERIC: Quero saber que não estás a ser arrastada para alguma coisa. Isto não és tu.

     SCARLETT: Isto sempre fui eu. Talvez nunca me tenhas realmente conhecido.

Ele procura algo no rosto dela. Não gosta do que vê.

INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE

Scarlett entra furiosa.

     SCARLETT: Isso foi rápido.

     O ESTRANHO: Queria que fosse feito. Está feito.

     SCARLETT: Eu queria provas. Não uma execução pública da reputação dela.

     O ESTRANHO: Ela roubou províncias que estavam a morrer à fome.

     SCARLETT: Humilhou-a. Podíamos ter feito isto de forma mais discreta.

     O ESTRANHO: Eu expus a verdade.

Ela abana a cabeça.

     SCARLETT: Pelo menos, o dinheiro está a voltar para o reino.

     O ESTRANHO: Está a ver? Há sempre um lado positivo. (pausa) Sem sangue. Apenas justiça.

     SCARLETT: Justiça, mas no momento de maior estrago possível.

Um pequeno silêncio.

     O ESTRANHO: Sim. E há mais... sobre os outros.

Ela desvia o olhar.

     SCARLETT: E se estiver enganado em relação aos outros?

     O ESTRANHO: Então saberemos em breve. (pausa suave) Mas se eu tiver razão... acabou de salvar milhares de vidas e de limpar o seu caminho até ao trono.

Aquelas palavras atingem-na como um golpe físico. Scarlett estaca, a respiração presa na garganta enquanto o peso da verdade a ancora ao chão. Ela odeia o facto de ele ter razão.

INT. PROVÍNCIA ORIENTAL – ALDEIA – ALGUNS DIAS DEPOIS

Carroças de ajuda entram na aldeia. Sacos de comida. Caixas de medicamentos.

As pessoas choram abertamente. A esperança regressou às regiões orientais.

Scarlett observa do alto do cavalo, de capuz posto.

Uma criança agarra um pão como se fosse o primeiro que alguma vez viu.

Desta vez... sente alegria. Foi ela que fez isto.

EXT. COLINA COM VISTA SOBRE A ALDEIA – PÔR DO SOL

O céu arde em laranja.

Scarlett está afastada. O Estranho aproxima-se, mas sem invadir o seu espaço.

     SCARLETT: Resultou.

     O ESTRANHO: Sim. O pacote de ajuda foi aprovado há uns dias. Suponho que ter dinheiro extra ajudou.

Ela não olha para ele.

     SCARLETT: Estou a começar a perceber o seu ponto de vista.

     O ESTRANHO: Não precisa de acreditar em mim. (pausa) Não resultou? Olhe para isto.

Ela observa os aldeões a descarregar as caixas.

     SCARLETT: Sim.

     O ESTRANHO: Isto é o que poderíamos fazer. Este será o seu legado…

Ela sorri.

INT. PALÁCIO – APOSENTOS DE SCARLETT – NOITE

Scarlett estuda novamente o seu reflexo.

Desta vez... há algo mais duro por detrás dos seus olhos.

Menos dúvida. Mais cálculo. Isso perturba-a.

EXT. PALÁCIO – VARANDA – NOITE

Aleric coloca-se ao seu lado. Ao início, não olha para ela.

     ALERIC: Seja lá no que estiveres metida... (pausa) está a mudar-te.

Ela quase lhe conta tudo. Quase. Mas não conta.

     SCARLETT: Talvez eu precisasse de mudar pelo reino.

     ALERIC: Talvez. Mas não tinhas de mudar por mim. Já eras perfeita.

Essas palavras quase a destroem.

INT. VARANDA DO SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE

O Estranho observa a cidade lá em baixo. Luzes vacilam nas janelas e as nuvens de tempestade voltam a juntar-se, tingindo o céu de um cinzento metálico.

Ele sorri.

FIM DO EPISÓDIO 4

 

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Comunicado: Atualização do Calendário do Universo Stormere

 Olá a todos! Devido ao elevado volume de projetos que temos assumido atualmente no A Televisão, eu e o @zeferovic14 decidimos fazer um pequeno hiatus na vossa série favorita para garantir que a qualidade que merecem se mantém intocável.  A meio do nosso primeiro spin-off, "Coroa Vermelha: Uma História Stormere", reorganizámos as datas para que não percam pitada do que aí vem.

Próximas Estreias (sempre com episódios duplos)

A prequela regressa em força em junho com o lançamento dos quatro episódios restantes a 10 e 17 de junho

Em julho (uma vez mais com duplos como tanto gostam) chega finalmente a 2ª Temporada de "Stormere": podem esperar muitas e fortes emoções com 16 episódios!

Aproveitem esta pausa em maio para reler os capítulos anteriores e deixar o vosso feedback. Queremos saber todas as vossas teorias! Contamos convosco para continuar a escrever esta história :sleep:

Spoiler

@InesMig @ilovetv.2008 @Amorim @RMF_123 e outros que nos assistem

 

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