zeferovic14 Postado 29 de abril Autor Postado 29 de abril Coroa Vermelha: Uma História Stormere Episódio 2 - "O Estranho" EXT. VALENRITH – CAMPOS AGRÍCOLAS EXTERIORES – ANOITECER A câmara afasta-se, revelando campos dourados e estradas silenciosas. Uma caravana de mercadores segue em direção às torres vermelhas da capital ao longe. Um cavaleiro encapuzado viaja sozinho atrás deles mas nunca vemos o seu rosto. INT. ESTALAGEM À BEIRA DA ESTRADA – NOITE Entramos numa estalagem iluminada por uma luz quente. Ouvem-se gargalhadas de grupos de viajantes cansados. O ESTRANHO está sentado sozinho num canto, brincando com o seu copo de vinho. Observa e escuta tudo à sua volta. Um grupo de MERCADORES fala alto demais num recanto. MERCADOR #1: Os impostos voltaram a subir. É a terceira vez este ano. Continuam a cortar no que ganhamos e a aumentar os preços por todo o lado… MERCADOR #2: Pelos vistos, a Corte diz que é para “melhorar as nossas defesas no leste”. MERCADOR #1: Defesa de quê? Agricultores? Não há nada para além das regiões orientais… Risadas leves. O Estranho fala finalmente. Calmo. Educado. O ESTRANHO: A Corte Vermelha não tem medo de agricultores. Eles olham para ele. O ESTRANHO (CONT.): Mas tem medo do que toda a região fará quando descobrir a verdade… MERCADOR #2: E qual é essa, sabichão? O ESTRANHO (sorri sob o capuz): Que o fim da Corte Vermelha está a chegar… Ele levanta-se e deixa uma moeda. Dinheiro a mais para o que consumiu. EXT. PORTÕES DA CAPITAL – MANHÃ O Estranho chega com a multidão da manhã que se reúne na praça para os melhores produtos do mercado. A Capital Vermelha impõe-se. Magnífica. E, para ele, já morta. INT. PALÁCIO – PÁTIO DE TREINO – MANHÃ Aleric treina com outro cavaleiro. É rápido. Controlado. Preciso. Desarma o adversário com um golpe limpo. LARS, o CAPITÃO DA GUARDA, acena, impressionado. CAPITÃO LARS: Continua assim e ainda me tiras o lugar antes dos trinta. ALERIC: O trono que tanto proteges não é o meu horizonte. Enquanto tu lutas para manter o que tens eu já estou a construir o que o amanhã trará. Tenho outros planos para a minha existência e garanto-te que são muito mais interessantes. Os seus olhos sobem até à varanda acima. Scarlett está lá a observá-lo. Capitão Lars percebe algo entre eles mas não diz nada. INT. PALÁCIO – APOSENTOS DE SCARLETT – MAIS TARDE Scarlett está a ser vestida pelas criadas. Está completamente aborrecida. CRIADA: Sua Graça pediu que comparecesse ao jantar do conselho esta noite. Diz que é importante que esteja presente nesta reunião em particular. Scarlett suspira. SCARLETT: Claro que pediu. Aposto que vai tentar “impor” mais um marido. Como faz aliás todas as semanas… A criada ri-se. INT. ANTECÂMARA DO CONSELHO – DIA Os lordes discutem em pequenos grupos. LORDE MAERON repara em alguém novo entre os criados. Um homem com uma bandeja de vinho. O ESTRANHO. Os seus olhares cruzam-se por meio segundo. INT. ESCRITÓRIO DE LORDE MAERON – MAIS TARDE LORDE MAERON encontra um bilhete na sua mesa. Ninguém viu quem o deixou. Abre-o e lê. A sua expressão muda. Parece… preocupado. INT. PALÁCIO – GRANDE SALÃO – NOITE Chegamos ao jantar formal. Uma longa mesa iluminada por velas carmesim. SCARLETT senta-se ao lado do pai. ALERIC está de guarda, como sempre. O ESTRANHO move-se pela sala como parte do pessoal. Serve vinho. Escuta. Para atrás de LADY VELARA. Enche-lhe o copo. Sussurra, só para ela: O ESTRANHO (sussurrando): A dívida de jogo do seu filho em Karsin está prestes a tornar-se muito pública… a menos que… Sussurra algo que nem o público ouve. Ela fica imóvel. Ele segue para o próximo convidado, LORDE THESIN. Enquanto lhe serve vinho, sussurra: O ESTRANHO (baixo): O seu irmão não morreu de febre. Eu digo-lhe quem o matou, se… Mais uma vez, não ouvimos o resto. A mão de Thesin treme. INT. VARANDA – MAIS TARDE Scarlett escapa para apanhar ar. Aleric já lá está. SCARLETT: Juro que, se ouvir as palavras “aliança” ou “impostos” mais uma vez, atiro-me desta varanda. ALERIC: Porque é que o teu pai te pediu para vir a este jantar? SCARLETT: Não faço ideia… Nem uma palavra me disse a noite toda. ALERIC: De certeza que tinha uma razão… Um momento. Ela olha para ele. SCARLETT: Não sentes que algo está errado hoje? Ele pensa. ALERIC: Não notei nada de estranho... porquê? Viste alguma coisa? SCARLETT (Afastando-se da varanda, abraçando os seus próprios braços): Acho que não... talvez esteja só a ficar paranóica. ALERIC: A paranóia é o veneno desta corte, Scarlett. Mas tu nunca foste de imaginar fantasmas onde eles não existem. SCARLETT (Um riso seco, sem alegria): Talvez os fantasmas tenham finalmente decidido aparecer. Enquanto falam não veem o Estranho a observá-los do interior. INT. ESCRITÓRIO DE LORDE MAERON – NOITE Lorde Maeron volta a ler o bilhete. Batem à porta. LORDE MAERON: Entre. O Estranho entra. Capuz ainda colocado. LORDE MAERON (irritado): Quem é você? E o que está a fazer nesta parte do castelo? Esta é uma área restrita. Posso mandar prendê-lo e executá-lo por isto. O ESTRANHO: Pensei que quisesse falar depois de ler o meu bilhete… Maeron olha para o bilhete e depois para ele. LORDE MAERON: Quem é você? E como descobriu isto? Levanta o bilhete. O ESTRANHO: Digamos que sei muito sobre esta Corte e estou aqui para garantir que não seja destruída. Maeron observa-o. LORDE MAERON: E o que quer? O ESTRANHO: O seu apoio… Vai perceber tudo em breve. Silêncio e, depois, Maeron sorri. INT. APOSENTOS DO REI – MESMA NOITE O Rei Aldric está junto à janela. O Alto Sacerdote atrás dele. REI ALDRIC: Estavam nervosos. Toda a gente se comportou de forma estranha esta noite… ALTO SACERDOTE CAELUM: Conhece-os… estão apenas inquietos com tudo o que está a acontecer. REI ALDRIC: Não. Isto é diferente. Vira-se para ele. REI ALDRIC (CONT.): Algo está a aproximar-se. E não sei se vamos conseguir detê-lo… O Alto Sacerdote parece preocupado. EXT. TELHADO DA CIDADE – NOITE O Estranho está sozinho, a olhar para a capital. Remove uma luva. Na palma: marcas escuras, estranhas e ténues. Pulsa. Fecha a mão. O ESTRANHO (para si): A queda da Coroa Vermelha começa hoje… Um momento. O ESTRANHO (CONT.): E finalmente poderei roubar todo o poder deles para alcançar o trabalho de toda a minha vida. Já o consigo sentir… Olha para a mão. Vibra com magia sombria. Desaparece na noite. FIM DO EPISÓDIO 2 Spoiler @Lee @Luisão @InesMig @Amorim @ilovetv.2008 @Afonso @Diogo Marreiros @brunooo @Patiño @RMF_123 @Max30 1 2 Citar
ilovetv.2008 Postado 29 de abril Postado 29 de abril há 2 minutos, zeferovic14 disse: Coroa Vermelha: Uma História Stormere Episódio 2 - "O Estranho" EXT. VALENRITH – CAMPOS AGRÍCOLAS EXTERIORES – ANOITECER A câmara afasta-se, revelando campos dourados e estradas silenciosas. Uma caravana de mercadores segue em direção às torres vermelhas da capital ao longe. Um cavaleiro encapuzado viaja sozinho atrás deles mas nunca vemos o seu rosto. INT. ESTALAGEM À BEIRA DA ESTRADA – NOITE Entramos numa estalagem iluminada por uma luz quente. Ouvem-se gargalhadas de grupos de viajantes cansados. O ESTRANHO está sentado sozinho num canto, brincando com o seu copo de vinho. Observa e escuta tudo à sua volta. Um grupo de MERCADORES fala alto demais num recanto. MERCADOR #1: Os impostos voltaram a subir. É a terceira vez este ano. Continuam a cortar no que ganhamos e a aumentar os preços por todo o lado… MERCADOR #2: Pelos vistos, a Corte diz que é para “melhorar as nossas defesas no leste”. MERCADOR #1: Defesa de quê? Agricultores? Não há nada para além das regiões orientais… Risadas leves. O Estranho fala finalmente. Calmo. Educado. O ESTRANHO: A Corte Vermelha não tem medo de agricultores. Eles olham para ele. O ESTRANHO (CONT.): Mas tem medo do que toda a região fará quando descobrir a verdade… MERCADOR #2: E qual é essa, sabichão? O ESTRANHO (sorri sob o capuz): Que o fim da Corte Vermelha está a chegar… Ele levanta-se e deixa uma moeda. Dinheiro a mais para o que consumiu. EXT. PORTÕES DA CAPITAL – MANHÃ O Estranho chega com a multidão da manhã que se reúne na praça para os melhores produtos do mercado. A Capital Vermelha impõe-se. Magnífica. E, para ele, já morta. INT. PALÁCIO – PÁTIO DE TREINO – MANHÃ Aleric treina com outro cavaleiro. É rápido. Controlado. Preciso. Desarma o adversário com um golpe limpo. LARS, o CAPITÃO DA GUARDA, acena, impressionado. CAPITÃO LARS: Continua assim e ainda me tiras o lugar antes dos trinta. ALERIC: O trono que tanto proteges não é o meu horizonte. Enquanto tu lutas para manter o que tens eu já estou a construir o que o amanhã trará. Tenho outros planos para a minha existência e garanto-te que são muito mais interessantes. Os seus olhos sobem até à varanda acima. Scarlett está lá a observá-lo. Capitão Lars percebe algo entre eles mas não diz nada. INT. PALÁCIO – APOSENTOS DE SCARLETT – MAIS TARDE Scarlett está a ser vestida pelas criadas. Está completamente aborrecida. CRIADA: Sua Graça pediu que comparecesse ao jantar do conselho esta noite. Diz que é importante que esteja presente nesta reunião em particular. Scarlett suspira. SCARLETT: Claro que pediu. Aposto que vai tentar “impor” mais um marido. Como faz aliás todas as semanas… A criada ri-se. INT. ANTECÂMARA DO CONSELHO – DIA Os lordes discutem em pequenos grupos. LORDE MAERON repara em alguém novo entre os criados. Um homem com uma bandeja de vinho. O ESTRANHO. Os seus olhares cruzam-se por meio segundo. INT. ESCRITÓRIO DE LORDE MAERON – MAIS TARDE LORDE MAERON encontra um bilhete na sua mesa. Ninguém viu quem o deixou. Abre-o e lê. A sua expressão muda. Parece… preocupado. INT. PALÁCIO – GRANDE SALÃO – NOITE Chegamos ao jantar formal. Uma longa mesa iluminada por velas carmesim. SCARLETT senta-se ao lado do pai. ALERIC está de guarda, como sempre. O ESTRANHO move-se pela sala como parte do pessoal. Serve vinho. Escuta. Para atrás de LADY VELARA. Enche-lhe o copo. Sussurra, só para ela: O ESTRANHO (sussurrando): A dívida de jogo do seu filho em Karsin está prestes a tornar-se muito pública… a menos que… Sussurra algo que nem o público ouve. Ela fica imóvel. Ele segue para o próximo convidado, LORDE THESIN. Enquanto lhe serve vinho, sussurra: O ESTRANHO (baixo): O seu irmão não morreu de febre. Eu digo-lhe quem o matou, se… Mais uma vez, não ouvimos o resto. A mão de Thesin treme. INT. VARANDA – MAIS TARDE Scarlett escapa para apanhar ar. Aleric já lá está. SCARLETT: Juro que, se ouvir as palavras “aliança” ou “impostos” mais uma vez, atiro-me desta varanda. ALERIC: Porque é que o teu pai te pediu para vir a este jantar? SCARLETT: Não faço ideia… Nem uma palavra me disse a noite toda. ALERIC: De certeza que tinha uma razão… Um momento. Ela olha para ele. SCARLETT: Não sentes que algo está errado hoje? Ele pensa. ALERIC: Não notei nada de estranho... porquê? Viste alguma coisa? SCARLETT (Afastando-se da varanda, abraçando os seus próprios braços): Acho que não... talvez esteja só a ficar paranóica. ALERIC: A paranóia é o veneno desta corte, Scarlett. Mas tu nunca foste de imaginar fantasmas onde eles não existem. SCARLETT (Um riso seco, sem alegria): Talvez os fantasmas tenham finalmente decidido aparecer. Enquanto falam não veem o Estranho a observá-los do interior. INT. ESCRITÓRIO DE LORDE MAERON – NOITE Lorde Maeron volta a ler o bilhete. Batem à porta. LORDE MAERON: Entre. O Estranho entra. Capuz ainda colocado. LORDE MAERON (irritado): Quem é você? E o que está a fazer nesta parte do castelo? Esta é uma área restrita. Posso mandar prendê-lo e executá-lo por isto. O ESTRANHO: Pensei que quisesse falar depois de ler o meu bilhete… Maeron olha para o bilhete e depois para ele. LORDE MAERON: Quem é você? E como descobriu isto? Levanta o bilhete. O ESTRANHO: Digamos que sei muito sobre esta Corte e estou aqui para garantir que não seja destruída. Maeron observa-o. LORDE MAERON: E o que quer? O ESTRANHO: O seu apoio… Vai perceber tudo em breve. Silêncio e, depois, Maeron sorri. INT. APOSENTOS DO REI – MESMA NOITE O Rei Aldric está junto à janela. O Alto Sacerdote atrás dele. REI ALDRIC: Estavam nervosos. Toda a gente se comportou de forma estranha esta noite… ALTO SACERDOTE CAELUM: Conhece-os… estão apenas inquietos com tudo o que está a acontecer. REI ALDRIC: Não. Isto é diferente. Vira-se para ele. REI ALDRIC (CONT.): Algo está a aproximar-se. E não sei se vamos conseguir detê-lo… O Alto Sacerdote parece preocupado. EXT. TELHADO DA CIDADE – NOITE O Estranho está sozinho, a olhar para a capital. Remove uma luva. Na palma: marcas escuras, estranhas e ténues. Pulsa. Fecha a mão. O ESTRANHO (para si): A queda da Coroa Vermelha começa hoje… Um momento. O ESTRANHO (CONT.): E finalmente poderei roubar todo o poder deles para alcançar o trabalho de toda a minha vida. Já o consigo sentir… Olha para a mão. Vibra com magia sombria. Desaparece na noite. FIM DO EPISÓDIO 2 Spoiler - mostrar conteúdo oculto @Lee @Luisão @InesMig @Amorim @ilovetv.2008 @Afonso @Diogo Marreiros @brunooo @Patiño @RMF_123 @Max30 Que rápido que chegaram os 2 episódios. Agora, o meu foco está no SS, mas certamente temos o novo hit da ficção do fórum. PARABÉNS, GUARDIÕES @Angel-O E @zeferovic14, OU DEVO DIZER NESTE CONTEXTO, CO-AUTORES! 1 1 Citar
Amorim Postado 29 de abril Postado 29 de abril Ainda nem acabei a outra e já vamos na temporada nova Citar
zeferovic14 Postado 29 de abril Autor Postado 29 de abril agora mesmo, Amorim disse: Ainda nem acabei a outra e já vamos na temporada nova Na verdade, é um spin-off mas sim Citar
Amorim Postado 29 de abril Postado 29 de abril agora mesmo, zeferovic14 disse: Na verdade, é um spin-off mas sim Vou tentar ler neste fim de semana prolongado 1 Citar
ilovetv.2008 Postado 6 de maio Postado 6 de maio há 2 minutos, InesMig disse: Estou em falta Somos dois, mas também não é fácil estar em tudo ao mesmo tempo. Certamente, quando voltarmos em pleno a isto, surpreender-nos-emos pela grandeza e qualidade do spin off que está a ser lançado por aqui. 1 Citar
zeferovic14 Postado 6 de maio Autor Postado 6 de maio Devido a uns imprevistos, os episódios de hoje serão lançados amanhã! 1 Citar
zeferovic14 Postado 7 de maio Autor Postado 7 de maio Coroa Vermelha: Uma História Stormere Episódio 3 - "O Estranho" EXT. VALENRITH – BAIRROS BAIXOS – MANHÃ O submundo da capital. As ruas eram um labirinto asfixiante, um emaranhado de vozes onde os gritos dos vendedores de rua cortavam o ar pesado. O brilho do mármore lá no alto não chegava aqui em baixo; na sarjeta, as escamas e vísceras de peixe apodreciam sob o sol, misturando o cheiro do mar com a humidade da pedra. Crianças esguias passavam como sombras, serpenteando por entre carroças de madeira enquanto o vapor espesso subia das grelhas de metal carregado com o aroma da gordura e do carvão. Uma carruagem modesta avança por ali, deliberadamente sem marcas. Lá dentro, SCARLETT, com o capuz puxado para baixo. Sem joias. Sem insígnias. Dois guardas seguem a seu lado; protetores e inquietos. Scarlett olha para as ruas como alguém que não sai muito. Uma mulher discute por causa de pão. Um rapaz saca uma moeda e foge. Um homem tosse para um pano já escurecido pelo sangue. SCARLETT (em voz baixa): Não sabia que tudo estava assim tão mal... O guarda ao seu lado não parece, de todo, surpreendido com a afirmação que acabara de ouvir. GUARDA: Está assim faz muitos meses… já lhes perdi a conta. Scarlett observa uma mãe a dividir uma maçã em três partes. Sente tristeza mas também uma profunda raiva. INT. PEQUENA CASA DE CURANDEIRO – MANHÃ Escura. Sobrelotada. O ar cheira a ervas fervidas e doença. Uma criança doente está deitada, a transpirar sob cobertores finos. A mãe ajoelha-se ao lado da cama, exausta para além das lágrimas. Scarlett pressiona um saco de moedas nas suas mãos. A mulher fica a olhar, depois solta um suspiro de espanto. MULHER: Vossa Alteza, eu... eu não posso... Tenta inclinar-se em reverência. Quase desaba. Scarlett ampara-a. SCARLETT: Não. Por favor. E aceite. Precisa mais disto do que eu. A gratidão é crua. Desesperada. Agarrada àquilo com todas as forças. Scarlett não está habituada a isto. Liberta-lhe as mãos com delicadeza. Sai. EXT. CASA DO CURANDEIRO – CONTÍNUO ALERIC está encostado à parede de pedra, de braços cruzados. Endireita-se quando ela sai. ALERIC: Se o teu pai descobre que estiveste aqui... SCARLETT: Não vai descobrir... ALERIC: Estás a brincar com o fogo, Scarlett. SCARLETT: Não. Estou só cansada de ver este reino apodrecer. Começam a andar. INT. PALÁCIO – SALA DO CONSELHO – DIA A corte está unida. O que, normalmente, é muito mais perigoso do que estar dividida. Lordes e damas falam com uma calma medida... LADY VELARA: Temos de aumentar as tarifas sobre os cereais. SCARLETT: Outra vez? Literalmente aumentámos as tarifas na semana passada... LORDE THESIN: E também precisamos de reforçar as guarnições do leste. Desta vez, publicamente. SCARLETT: Vocês enlouqueceram? É a terceira vez este mês que pedem isso. Não podemos continuar assim... vamos arruinar famílias inteiras. LORDE MAERON: Não há muito que possamos fazer, princesa. Temos de aprovar estes pedidos... REI ALDRIC está sentado à cabeceira. Mais velho do que aparenta. Mais cansado do que admite. REI ALDRIC: Se aprovarmos isto, vamos deixar, pelo menos, três províncias à fome. Uma breve pausa. LORDE MAERON: Vão sobreviver. Mas temos de fazer isto... por segurança. SCARLETT: Contra o quê? Continuam a falar em segurança como se estivéssemos em guerra. Outra pausa. Ninguém responde. REI ALDRIC: Vou aprovar isto. Mas que fique bem claro: esta é a última vez que aumentamos tarifas e desviamos tropas. Ninguém vacila. Ao fundo, entre escribas, criados e funcionários de dedos manchados de tinta... O ESTRANHO escuta. Imóvel. Observador. A sorrir levemente. INT. PALÁCIO – APOSENTOS DE SCARLETT – FIM DE TARDE Os criados retiram as joias de Scarlett, peça por peça. Cada objeto cai sobre a mesa com um pequeno som metálico. A sua armadura, ao ser retirada, faz um estrondo pesado. Ela dispensa as criadas. Silêncio absoluto diante do espelho. Parece uma princesa. Polida. Composta. Decorativa. Toca no seu reflexo. SCARLETT (entre dentes): De que serve seres uma princesa se não consegues salvar o povo do teu próprio reino? Batem à porta. SCARLETT: Entre. Entra um criado. CRIADO: Uma mensagem, Vossa Alteza. Foi deixada nos portões. Scarlett pega na nota selada. O criado sai. Scarlett quebra o selo. Lá dentro: "Podes salvar o teu reino. Mas vais precisar de ajuda... Encontra-te comigo no Solário, esta noite." O maxilar dela contrai-se. INT. PALÁCIO – ANTIGA ALA OESTE – NOITE Corredores abandonados há muito. Partículas de pó flutuam sob a luz pálida da lua. Tapeçarias apodrecem nas paredes. Aqui, o palácio parece mais antigo. Scarlett chega ao velho Solário. Leva a mão à porta. Hesita, mas abre-a. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – CONTÍNUO Um teto de vidro estilhaçado. A luz da lua entra como chuva prateada. Plantas partidas. Trepadeiras mortas. E um homem. O ESTRANHO, junto à janela. Sem capuz, mas de alguma forma ainda com o rosto coberto de sombra. Não se vira de imediato. SCARLETT: Ou é muito corajoso ou muito estúpido para contactar um membro da realeza por cartas anónimas... O ESTRANHO (sorri levemente): Já me chamaram as duas coisas. Mas resultou, não foi? Ela não se aproxima. SCARLETT: Foste tu que enviaste a carta? O ESTRANHO: Sim. SCARLETT: Então fala... antes que o mande prender. Ele vira-se por fim. O ESTRANHO : A minha carta dizia tudo... E, se está aqui... é porque já pensou no que eu disse. Silêncio. Ela sabe que ele tem razão. Ele gesticula na direção da cidade. O ESTRANHO (CONT.): O seu reino está a morrer. E sabe disso. SCARLETT: Sei. O ESTRANHO: E sabe que o seu pai também sabe. Uma pausa. O ESTRANHO (CONT.): Ele está cansado. E percebe-se que está a sofrer com tudo isto. Mais uma vez, ela sabe que ele tem razão. SCARLETT: Então veio aqui só para me dizer o óbvio ou vai dizer-me o que quer? Agora ele observa-a a sério. O ESTRANHO: Quero ajudá-la a consertar este reino. Moldá-lo de novo em algo... notável. Uma respiração. SCARLETT: E o que terei de pagar por isso? Ele sorri, seguro de si. O ESTRANHO: Eventualmente? Tudo. INT. PALÁCIO – PÁTIO DE TREINO – DIA SEGUINTE O aço choca violentamente. Aleric luta como se estivesse cheio de raiva. CAPITÃO LARS bloqueia um golpe. CAPITÃO LARS: Estás bem, Aleric? Pareces... tenso. ALERIC: Só cansado. CAPITÃO LARS: Tens a certeza? Sabes que podes falar comigo, certo? Aleric não responde logo. ALERIC: Eu sei. Mas não é nada... O Capitão Lars não acredita, mas não insiste. INT. APOSENTOS DE SCARLETT – DIA Scarlett relê a nota dada pelo Estranho. Os seus dedos seguem a tinta. Aproxima-a de uma vela. A chama enrola o papel. Escurece. Desfaz-se em cinza. EXT. JARDINS REAIS – NOITE Chegamos a um jardim coberto de sebes iluminadas pela lua e fontes esculpidas. Scarlett caminha sozinha. O Estranho está sentado casualmente num banco de pedra, como se aquilo lhe pertencesse. SCARLETT: Disse que eu tinha tempo para pensar. O ESTRANHO: E tem... estou só aqui para ver se ainda tinha dúvidas. Ela senta-se, rígida, zangada consigo própria por estar ali. SCARLETT: Faça a sua proposta. Claramente. Diga-me exatamente o que quer. Ele inclina-se para a frente. O ESTRANHO: Posso pô-la no trono. Amanhã. Ela ri-se. SCARLETT (a rir): E eu posso voar e fazer bolos do nada. O ESTRANHO: Não estou a brincar. O reinado do seu pai está a chegar ao fim. E sabe disso... Seja por doença... traição... ou inevitabilidade. Ela deixa de rir. O ESTRANHO (CONT.): E quando isso acontecer, a corte vai devorar-se a si mesma. Eu posso garantir que seja você a tomar o trono. SCARLETT: Os membros do conselho nunca votariam a meu favor. O ESTRANHO: Votariam, acredite em mim. SCARLETT: E você? O que ganharia com isso? O ESTRANHO: Ganharia poder ajudá-la. Poderia tornar-me o seu conselheiro real. Isso é mais do que suficiente para mim. O silêncio prolonga-se. SCARLETT: Está a pedir-me que traia a minha família. O ESTRANHO: Estou a pedir-lhe que escolha qual família importa mais. A que tem o seu nome... ou a que está a passar fome do lado de fora dos seus portões. INT. GABINETE DO REI – MESMA NOITE O Rei Aldric tosse violentamente para um pano. Sangue. O Alto Sacerdote finge não ver. ALTO SACERDOTE CAELUM: O conselho está a ficar impaciente, Sua Graça. Acho que tinha razão... REI ALDRIC: Que fiquem. Não há muito mais que possamos fazer, Caelum. Só saiba... se me acontecer alguma coisa, proteja a Scarlett. Por favor. O Alto Sacerdote acena. Outra tosse do Rei. Mais sangue. EXT. VARANDA – MAIS TARDE A cidade estende-se lá em baixo. Nuvens de tempestade juntam-se ao longe. Scarlett e Aleric estão lado a lado. ALERIC: Tens estado calada estes últimos dias. Estás bem? SCARLETT: Hum, sim. Está tudo bem. Não te preocupes. Silêncio. SCARLETT (CONT.): Achas que eu seria uma grande rainha? Aleric observa-a com atenção. ALERIC: Não preciso de pensar. Sei que farias um trabalho extraordinário. Mas porque estás a pensar nisso? Não é como se isso fosse acontecer tão cedo. O teu pai ainda está vivo e bem. Ela não responde. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE Scarlett está à porta. O Estranho espera. Sem sorriso desta vez. SCARLETT: Ainda não estou a dizer que sim. O ESTRANHO: Claro que não. SCARLETT: Mas estou a ouvir. Um sorriso lento surge no rosto do Estranho. EXT. VALENRITH – NOITE A cidade dorme, uma sesta, inquieta, onde o silêncio das ruas é demasiado denso para ser paz. Ao longe um trovão ressoa como um tambor de guerra esquecido Por cima do palácio juntam-se nuvens da tempestade. FIM DO EPISÓDIO 3 Episódio 4 - "Os Dois Lados do Problema" EXT. VALENRITH – TELHADOS – AMANHECER Bandeiras vermelhas ondulam por toda a capital. A cidade desperta lentamente. Sinos. Carroças de mercado. Fumo. Scarlett está numa varanda alta, de braços cruzados contra o frio e parece cansada. INT. PALÁCIO – SALA DO CONSELHO – MANHÃ O ruído habitual. LADY VELARA: Estamos a perder dinheiro a um ritmo alarmante no leste. Nunca vi nada assim acontecer antes... LORDE MAERON: Então devemos começar a considerar cortar completamente o leste. REI ALDRIC: Estão loucos? São pessoas. Não são gado… LORDE THESIN: Não há mesmo mais nada que possamos fazer! LORDE MAERON: Se continuarmos a enviar estes carregamentos de ajuda, a este ritmo... REI ALDRIC (interrompendo): Não me importa. Não vou abandonar ninguém! LADY VELARA: Eu pensaria melhor, Sua Alteza. Não fazer isto vai começar a afetar outras regiões… LORDE MAERON: Já não há alternativa. Scarlett observa-os a todos. Não diz nada. Está em choque. Não consegue acreditar no que está a ouvir. INT. PALÁCIO – CORREDOR – MAIS TARDE Scarlett caminha depressa. Aleric acompanha-a. SCARLETT: Não consigo acreditar que aqueles abutres queiram condenar à morte uma região inteira só para não perderem mais algum dinheiro... ALERIC: O teu pai não vai deixar que isso aconteça... tenho a certeza. Ela expira. SCARLETT: Acho que ele não vai ter escolha. O conselho vai acabar por forçá-lo. ALERIC (desiludido): Eu sei. (pausa) Mas tenho a certeza de que vai fazer o possível para evitar que isso aconteça. Pelo menos, durante algum tempo. SCARLETT: O que está a acontecer a esta corte... ALERIC: Não o digas. (pausa) Eu sei. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE O Estranho está junto ao teto de vidro partido. A chuva tamborila suavemente lá em cima. Não se vira quando ela entra. O ESTRANHO: Estás atrasada. SCARLETT: Esqueceu-se de quem eu sou? Não tenho tempo para estes encontros clandestinos... O ESTRANHO: Seguindo em frente... Ela revira os olhos. SCARLETT: Diga porque me trouxe aqui. Ele observa-a por um momento. O ESTRANHO: O seu conselho vota amanhã. Chamam-lhe o “Ato de Ajuda ao Leste”. SCARLETT: Não vai passar. Eles querem cortar a região. O ESTRANHO: Tem razão, não vai passar... (pausa) Não sem ajuda. Ela cruza os braços. SCARLETT: Que tipo de ajuda? O ESTRANHO: Digamos apenas que... mexi alguns cordelinhos. Ela semicerrra os olhos. SCARLETT: Isso é vago. E eu não gosto de coisas vagas. O ESTRANHO: Lady Velara anda a desviar fundos há anos. Em silêncio. Com eficiência. Para pagar as dívidas de jogo do filho em Karsin. Ela fica a olhar para ele. SCARLETT: Se está a mentir... O ESTRANHO: Não estou. (pausa) O que ganharia eu em mentir? Uma pausa. SCARLETT: Então... quer que eu revele isto a toda a gente? Não vão acreditar em mim sem provas. O ESTRANHO: E se eu lhe disser... que as provas já estão no mundo? Agora ela observa-o com atenção. SCARLETT: Já pôs isto em marcha. Ele não responde. O que já é resposta suficiente. EXT. PROPRIEDADE DE LADY VELARA – NOITE A chuva cai, constante e fria. Scarlett está sob um capuz, afastada dos portões. SCARLETT: Se isto não resultar... O ESTRANHO: Vai resultar. Como se fosse deixado por uma deixa, um CRIADO sai com um estojo de couro. Uma sombra interceta-o discretamente num beco. Sem luta. Sem gritos. O estojo muda de mãos. O criado afasta-se, confuso, mas ileso. Scarlett expira. SCARLETT: Planeou isto muito bem. O ESTRANHO: Digamos apenas que... quando tenho a minha oportunidade, não falho. INT. PALÁCIO – DIA SEGUINTE Sussurros percorrem os corredores. Membros do conselho agrupam-se em círculos apertados. LADY VELARA está de rosto vermelho na sala do conselho. LADY VELARA: Isto é absurdo. Fabricado. LORDE MAERON: Será? Papéis são lidos em voz alta. Números. Transferências. Assinaturas. LADY VELARA: Sirvo esta coroa há trinta anos... REI ALDRIC: E, ao que parece, também a si própria. Os guardas avançam. Lady Velara olha em volta à procura de aliados. Não encontra nenhum. É escoltada para fora. Scarlett observa. Isto devia saber a vitória. Mas não sabe. INT. GABINETE DO REI – DIA O Rei Aldric esfrega as têmporas. Parece mais velho do que ontem. REI ALDRIC: Alguém está por trás disto. Isto não teria vindo a público assim, do nada... (pausa) E não gosto de não saber quem. Scarlett permanece imóvel. SCARLETT: Não devia estar satisfeito? Descobriu que alguém da sua corte estava a roubar o reino. Ele olha para ela. Acena levemente. INT. PALÁCIO – CORREDOR – DIA Aleric alcança-a. ALERIC: Diz-me que não sabias daquilo. Foste tu que... Scarlett continua a andar. SCARLETT: Toda a gente sabia que havia algo de errado. Não é assim tão surpreendente. ALERIC: Não foi isso que eu perguntei. Ela para. SCARLETT: O que queres que eu diga? ALERIC: Quero saber que não estás a ser arrastada para alguma coisa. Isto não és tu. SCARLETT: Isto sempre fui eu. Talvez nunca me tenhas realmente conhecido. Ele procura algo no rosto dela. Não gosta do que vê. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE Scarlett entra furiosa. SCARLETT: Isso foi rápido. O ESTRANHO: Queria que fosse feito. Está feito. SCARLETT: Eu queria provas. Não uma execução pública da reputação dela. O ESTRANHO: Ela roubou províncias que estavam a morrer à fome. SCARLETT: Humilhou-a. Podíamos ter feito isto de forma mais discreta. O ESTRANHO: Eu expus a verdade. Ela abana a cabeça. SCARLETT: Pelo menos, o dinheiro está a voltar para o reino. O ESTRANHO: Está a ver? Há sempre um lado positivo. (pausa) Sem sangue. Apenas justiça. SCARLETT: Justiça, mas no momento de maior estrago possível. Um pequeno silêncio. O ESTRANHO: Sim. E há mais... sobre os outros. Ela desvia o olhar. SCARLETT: E se estiver enganado em relação aos outros? O ESTRANHO: Então saberemos em breve. (pausa suave) Mas se eu tiver razão... acabou de salvar milhares de vidas e de limpar o seu caminho até ao trono. Aquelas palavras atingem-na como um golpe físico. Scarlett estaca, a respiração presa na garganta enquanto o peso da verdade a ancora ao chão. Ela odeia o facto de ele ter razão. INT. PROVÍNCIA ORIENTAL – ALDEIA – ALGUNS DIAS DEPOIS Carroças de ajuda entram na aldeia. Sacos de comida. Caixas de medicamentos. As pessoas choram abertamente. A esperança regressou às regiões orientais. Scarlett observa do alto do cavalo, de capuz posto. Uma criança agarra um pão como se fosse o primeiro que alguma vez viu. Desta vez... sente alegria. Foi ela que fez isto. EXT. COLINA COM VISTA SOBRE A ALDEIA – PÔR DO SOL O céu arde em laranja. Scarlett está afastada. O Estranho aproxima-se, mas sem invadir o seu espaço. SCARLETT: Resultou. O ESTRANHO: Sim. O pacote de ajuda foi aprovado há uns dias. Suponho que ter dinheiro extra ajudou. Ela não olha para ele. SCARLETT: Estou a começar a perceber o seu ponto de vista. O ESTRANHO: Não precisa de acreditar em mim. (pausa) Não resultou? Olhe para isto. Ela observa os aldeões a descarregar as caixas. SCARLETT: Sim. O ESTRANHO: Isto é o que poderíamos fazer. Este será o seu legado… Ela sorri. INT. PALÁCIO – APOSENTOS DE SCARLETT – NOITE Scarlett estuda novamente o seu reflexo. Desta vez... há algo mais duro por detrás dos seus olhos. Menos dúvida. Mais cálculo. Isso perturba-a. EXT. PALÁCIO – VARANDA – NOITE Aleric coloca-se ao seu lado. Ao início, não olha para ela. ALERIC: Seja lá no que estiveres metida... (pausa) está a mudar-te. Ela quase lhe conta tudo. Quase. Mas não conta. SCARLETT: Talvez eu precisasse de mudar pelo reino. ALERIC: Talvez. Mas não tinhas de mudar por mim. Já eras perfeita. Essas palavras quase a destroem. INT. VARANDA DO SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE O Estranho observa a cidade lá em baixo. Luzes vacilam nas janelas e as nuvens de tempestade voltam a juntar-se, tingindo o céu de um cinzento metálico. Ele sorri. FIM DO EPISÓDIO 4 Spoiler @brunooo @ilovetv.2008 @Afonso @Diogo Marreiros @Pinto @Amorim @InesMig @Luisão @Patiño @João_O @Angel-O @RMF_123 1 2 Citar
Angel-O Postado 7 de maio Postado 7 de maio @zeferovic14 o nosso spin-off a passar despercebido Citar
ilovetv.2008 Postado 7 de maio Postado 7 de maio há 4 minutos, Angel-O disse: @zeferovic14 o nosso spin-off a passar despercebido Normal, agora o foco está no SS! 1 Citar
Angel-O Postado 12 de maio Postado 12 de maio Comunicado: Atualização do Calendário do Universo Stormere Olá a todos! Devido ao elevado volume de projetos que temos assumido atualmente no A Televisão, eu e o @zeferovic14 decidimos fazer um pequeno hiatus na vossa série favorita para garantir que a qualidade que merecem se mantém intocável. A meio do nosso primeiro spin-off, "Coroa Vermelha: Uma História Stormere", reorganizámos as datas para que não percam pitada do que aí vem. Próximas Estreias (sempre com episódios duplos) A prequela regressa em força em junho com o lançamento dos quatro episódios restantes a 10 e 17 de junho Em julho (uma vez mais com duplos como tanto gostam) chega finalmente a 2ª Temporada de "Stormere": podem esperar muitas e fortes emoções com 16 episódios! Aproveitem esta pausa em maio para reler os capítulos anteriores e deixar o vosso feedback. Queremos saber todas as vossas teorias! Contamos convosco para continuar a escrever esta história Spoiler @InesMig @ilovetv.2008 @Amorim @RMF_123 e outros que nos assistem 3 Citar
zeferovic14 Postado 31 de maio Autor Postado 31 de maio (editado) ESTAMOS DE VOLTA! Já a partir desta quarta-feira (dia 3 de Junho), voltamos com os novos episódios de Coroa Vermelha, adiantando assim o seu regresso uma semana mais cedo! Assim, os últimos quatro episódios da temporada sairão nos dias 3 e 10 de Junho, encerrando assim o spin-off de Stormere! Depois, teremos a estreia da 2a Temporada de Stormere, com 16 episódios imperdíveis, que estreará na 2a metade de Junho! Por isso, hora de colocarem a série em dia e de estarem prontos para novas emoções! Spoiler @ilovetv.2008 @InesMig @Amorim @Afonso @Pinto @brunooo @RMF_123 @João_O @Patiño @AndreRob @Angel-O @Lee Editado 31 de maio por zeferovic14 1 3 1 Citar
zeferovic14 Postado 3 de junho Autor Postado 3 de junho (editado) COROA VERMELHA: UMA HISTÓRIA STORMERE Episódio 5 - "Um Futuro Notável" EXT. VALENRITH – BAIRRO BAIXO – MANHÃ A cidade pulsa antes mesmo de o sol se firmar. Os mercados já fervilham e crianças ágeis serpenteiam por entre as carroças de mantimentos. Nestas, o selo da Coroa Vermelha destaca-se nos sacos de cereais que são descarregados sem descanso. Há sorrisos nos rostos de quem passa. Scarlett atravessa a multidão a cavalo, camuflada sob uma capa simples que lhe garante o anonimato. Observa uma mãe a agradecer a um soldado; vê um padeiro deslizar, num gesto cúmplice, pão extra para as mãos de um rapaz. Pela primeira vez em muito tempo, a cidade não exala o odor da decadência, mas sim o vigor de quem renasce. Scarlett observa tudo em silêncio, permitindo-se, finalmente, sentir a vida que transborda. INT. PALÁCIO – SALA DO CONSELHO – DIA O tom hoje é diferente. Todos parecem... felizes. LORDE MAERON: As províncias orientais estão a registar uma recuperação total… LORDE THESIN: O comércio está a estabilizar. Devagar mas a estabilizar num bom sentido. Acho que finalmente saímos desta crise! REI ALDRIC: Ainda bem, eu quase me tinha esquecido de como isso soa. Soa a Paz. INT. PALÁCIO – CORREDOR – MAIS TARDE Aleric caminha ao lado dela. ALERIC: Tens andado ocupada. O reino está finalmente a ganhar forma outra vez. SCARLETT: Não fiz isto sozinha. Toda a gente ajudou. ALERIC: Andas a insistir nisto há imenso tempo. Foste tu que o fizeste. Ela encolhe os ombros, como se não fosse nada. ALERIC: A cidade parece diferente. Parece casa outra vez. SCARLETT: Parece. ALERIC: Isso assusta algumas pessoas. Normalmente, a paz vem com um preço. Ela olha para ele de relance. SCARLETT: Não devia. O reino está finalmente de volta ao rumo certo. Vamos aproveitar. ALERIC: Sim. Vamos aproveitar. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE O Estranho espera, mãos atrás das costas. O ESTRANHO: Está a tornar-se popular. Está a tornar-se uma rainha aos olhos do povo. SCARLETT: Isso não é o que importa. O ESTRANHO: Em política? É. Estende um mapa sobre a mesa. Rotas assinaladas. Linhas comerciais reabertas. Notas sobre fronteiras. O ESTRANHO: Estabilidade. Foi isto que criou. SCARLETT: Ainda bem. Precisávamos disto. Já vinha tarde... O ESTRANHO: Exatamente... e isso é perigoso. Ela levanta o olhar. SCARLETT: Como é que isso é perigoso? O ESTRANHO: Porque agora as pessoas conseguem ver que isto sempre foi possível. (pausa) E agora perguntam-se... porque é que não aconteceu mais cedo? INT. PALÁCIO – SALA DE GUERRA – DIA Os generais discutem sobre a colocação das tropas. GENERAL ROG: Não podemos retirar tropas do norte, porque isso ia perturbar as festividades que se aproximam. SCARLETT: Porque é que isto sequer é um problema? Tenho a certeza de que há muita gente pronta para ir ajudar a cobrir as fronteiras... A sala fica em silêncio. GENERAL ROG: Vossa Alteza... SCARLETT: Se estamos com falta de recursos, digam-no. O meu pai precisa de saber disto. Os generais trocam olhares. Ela não recua. Eles não estão habituados a isso. INT. GABINETE DO REI – NOITE Scarlett está em frente ao pai. SCARLETT: Podíamos reformar o conselho. Reduzir a sua autoridade. Dar mais autonomia às províncias. Pelos vistos, estamos demasiado sobrecarregados com tudo o que tem acontecido. O Rei recosta-se. E até sorri levemente. REI ALDRIC: Fazes com que isso pareça simples. SCARLETT: Não precisa de ser complicado. REI ALDRIC: É sempre complicado. (pausa) Não estás errada, Scarlett. Mas não tenho a certeza de que consigamos fazer isso. Ela abranda ligeiramente. REI ALDRIC: Não acho que estejamos numa posição para uma mudança de poder política. Isto pesa mais do que uma simples recusa. EXT. PÁTIO DE TREINO – DIA O aço choca. Aleric termina um treino e tira as luvas. Scarlett observa. Começam a andar. SCARLETT: Achas que te podem chamar para a patrulha de fronteira? ALERIC: O Capitão Lars disse que está a tentar manter-me aqui. SCARLETT: Não foi isso que eu perguntei. Ele para. ALERIC: Mas acho que sim. Pelos vistos, precisam de gente lá. (pausa) Mas não vou, a menos que seja uma emergência. Não te preocupes. Ela não responde. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE Scarlett anda de um lado para o outro. SCARLETT: Podíamos mesmo consertar este lugar. Se ao menos o meu pai aceitasse a minha sugestão de dissolver o conselho... O ESTRANHO: Paciência. Não vamos precipitar-nos. SCARLETT: Porquê? Podíamos fazer a diferença já. Salvaríamos este reino. O ESTRANHO: Eu sei disso... mas eles não. Ela para. SCARLETT: Acha mesmo que conseguíamos fazê-lo? O ESTRANHO: Acho. SCARLETT: Então vou fazê-lo... amanhã, vou avançar com o “Ato de Reforma da Coroa”! INT. PALÁCIO – SALA DO CONSELHO – DIA O Ato de Reforma da Coroa é apresentado. Os sussurros começam imediatamente. LORDE THESIN: Isto retiraria os poderes ao conselho. LORDE MAERON: Isto é imprudente. Não podemos dar autonomia a estas regiões. LORDE THESIN: Não o devemos fazer. SCARLETT: Pelo contrário. Devemos e podemos. LORDE MAERON: É ingénuo pensar assim. Isto iria arruinar-nos. Enfraquecer-nos. Os argumentos acumulam-se. As vozes sobem de tom. É chamada uma votação. As mãos ficam em baixo. Falha e por muito. Scarlett não se move. INT. PALÁCIO – CORREDOR – DIA Ela caminha depressa e Aleric alcança-a. ALERIC: O que foi aquilo? O teu pai não te disse para esperar antes de propor isso? SCARLETT: Mas eu não quero esperar. O reino precisa de ajuda AGORA! ALERIC (chocado): O que te está a acontecer, Scarlett? SCARLETT: Nada, é esse o nosso problema. Ele não responde. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE Scarlett já não finge estar calma. Está furiosa. Cheia de raiva. SCARLETT: Eles nunca vão deixar que isso aconteça. Nunca vamos conseguir aprovar esta reforma. O ESTRANHO: Tem razão. SCARLETT: Então o que é suposto eu fazer? Continuar a pedir até que alguma coisa mude? O ESTRANHO: Hoje aprendeu algo valioso. Ela olha para ele, frustrada. SCARLETT: E o que é? O ESTRANHO: Agora já sabe quem tem de cair. (pausa) Agora já sabe onde pressionar. Ele aproxima-se. O ESTRANHO: Não se reconstrói um reino pedindo autorização às pessoas. É preciso derrubar algumas paredes. Ela não discute. Porque uma parte dela concorda. EXT. VALENRITH – VARANDA – NOITE Scarlett está sozinha. A cidade brilha suavemente lá em baixo. Parece pacífica. INT. APOSENTOS DE SCARLETT – NOITE Planos cobrem a sua secretária. Revisões. Nomes riscados. Novas estruturas. Ela já não está apenas a imaginar o seu reino. Está a preparar-se para o futuro. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE O Estranho observa através de um orbe o que Scarlett está a fazer. Ele sabe que ela está mesmo ali, mesmo ao seu alcance. FIM DO EPISÓDIO Episódio 6 sai dentro de momentos! Spoiler @Amorim @Afonso @InesMig @Pinto @ilovetv.2008 @brunooo @Lee @Angel-O Editado 3 de junho por zeferovic14 4 Citar
zeferovic14 Postado 3 de junho Autor Postado 3 de junho COROA VERMELHA: UMA HISTÓRIA STORMERE Episódio 6 - "Quebrado, Para Sempre" EXT. VALENRITH – DISTRITOS EXTERIORES – AMANHECER Fumo ergue-se sobre os telhados. Motins. Barricadas feitas de carroças e portas partidas. Soldados formam linhas de escudos. Pessoas gritam sobre comida, impostos, corrupção. Uma carroça de mantimentos arde ao longe. A paz não durou muito. INT. PALÁCIO – SALA DO CONSELHO – MANHÃ Caos. LORDE THESIN: Os bairros baixos estão em revolta aberta! LORDE MAERON: Três comboios queimados antes do nascer do sol! GENERAL ROG: Temos de declarar lei marcial! REI ALDRIC: Alguém sabe onde começou? Ninguém responde diretamente. GENERAL ROG: Não importa onde começou. Está a espalhar-se. É uma guerra civil! Scarlett está ao fundo. Preocupada. INT. PALÁCIO – CORREDOR – DIA Aleric avança rapidamente pelo corredor. Scarlett intercepta-o. ALERIC: Isto não é espontâneo. Alguém fez isto acontecer. SCARLETT: Eu sei. ALERIC: Temos de descobrir quem foi. Vou falar com o Capitão Lars. Ela vê-o ir embora. Suspeita do que aconteceu. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – DIA Fumo visível através do vidro partido. O Estranho está junto à janela. Scarlett entra furiosa. SCARLETT: Diz-me que não foste tu que fizeste isto. O ESTRANHO: Tinha de acontecer. SCARLETT: As pessoas estão a morrer. Estamos a matá-las, não a salvá-las. O ESTRANHO: Já estavam a morrer antes. Temos de queimar tudo para renascer das cinzas. SCARLETT: Mentiste-me... usaste-me para criar uma guerra civil. O ESTRANHO: Não. Nunca te menti. Ela treme. SCARLETT: Isto não era o que eu queria. O ESTRANHO: Sabíamos que alguém teria de pagar para o reino se erguer. (pausa) Sabias disso. Por isso não tentes agora fazer-te de vítima. Ela não responde. Porque sabia. EXT. PRAÇA DO MERCADO – DIA O motim intensifica-se. Aleric comanda uma linha defensiva. ALERIC: Escudos ao alto! Mantenham a linha! Uma pedra acerta no capacete de um soldado. Outra segue-se. Um jovem soldado em pânico, REX, puxa da espada. ALERIC: Nada de lâminas! Baixa isso! Estamos aqui para conter, não para atacar! Tarde demais. Alguém na multidão grita. Sangue. Sangue. Sangue. REX (a chorar): Eu não queria... ALERIC: Corre. Não deixes ninguém ver-te aqui. Eu resolvo isto. Rex foge sem olhar para trás. Aleric observa o massacre. Sabe o que vai acontecer. INT. GABINETE DO REI – DIA O conselho cerca o Rei. GENERAL ROG: Temos de dar o exemplo. Não podemos ter guardas reais a matar civis! LORDE THESIN: O povo tem de ver que o controlo foi restaurado. E que estamos do lado deles... REI ALDRIC: A que custo? GENERAL ROG: Neste momento? A qualquer custo. Scarlett entra a meio da discussão. SCARLETT: Isto não é culpa do Aleric. Ele não fez isto. A sala fica em silêncio. GENERAL ROG: Ele estava no local onde ocorreu o derramamento de sangue. Tem de pagar pelo que fez. SCARLETT: Pai, por favor. Conhece o Aleric. REI ALDRIC: Eu... Hesita. Não diz nada. INT. SALA DO CONSELHO – MAIS TARDE Aleric está diante deles. Ferido. Exausto. Mas firme. REI ALDRIC: Aleric, foste visto a atacar um grupo de civis, desobedecendo à ordem de conter e não atacar! ALERIC: Eu... GENERAL ROG: Negas? ALERIC: Eu... não. O Rei Aldric parece desapontado. Scarlett mal consegue olhar para ambos. Lágrimas escorem-lhe pelo rosto. INT. SALA DO CONSELHO – CONTÍNUO LORDE THESIN: Este crime exige punição. Ele tem de pagar pelo que fez. O silêncio prolonga-se. Olhares viram-se para Aleric. SCARLETT: Não. Eu não permito. Dá um passo em frente. SCARLETT: Não podem punir a única pessoa que tentou proteger esta família vezes sem conta. Por favor, pai... GENERAL ROG: Ele não está acima da lei. REI ALDRIC: Aleric de Valenrith. (pausa, custa-lhe dizer) Ficas destituído do teu cargo. Scarlett fica pálida. Não consegue parar de chorar. REI ALDRIC: És exilado de Valenrith. Efeito imediato à meia-noite. Se voltares a pôr os pés neste reino, serás executado! O ar sai dos pulmões de Scarlett. Ela grita, correndo para Aleric. SCARLETT: NÃO! POR FAVOR, PAI. NÃO! Não faças isto… Aleric não discute. Os guardas seguram Scarlett enquanto Aleric é levado. INT. CORREDOR DE DETENÇÃO – NOITE Aleric está atrás de grades de ferro. À espera da hora do exílio. Scarlett corre até ele. Os guardas hesitam. SCARLETT (cheia de raiva): NEM TENTEM! Eles afastam-se. SCARLETT (para Aleric): Eu tentei... ALERIC: Eu sei. Não é culpa tua. Ela agarra as grades. SCARLETT: Isto não era suposto... Não consegue terminar. ALERIC: Não. Já está feito. (pausa) Não deixes que o arrependimento te consuma... Ela engole em seco. SCARLETT: Não te atrevas a esquecer-me. Vou encontrar uma maneira. De revogar este exílio. Por favor. Mesmo que demore décadas... ALERIC: Sabes que nunca te poderia esquecer. Se alguma vez te voltar a ver.… prometo que farei tudo para voltar para ti. Um beijo silencioso através do ferro. Um amor eterno finalmente liberto. EXT. VALENRITH – PORTÕES – NOITE A chuva cai constantemente. Aleric atravessa os portões, escoltado. Scarlett observa da muralha. Ele não olha para trás. Não consegue. Ela chora. Está a ver a sua humanidade partir para sempre. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE Escuro. Scarlett está imóvel. Furiosa. O Estranho emerge das sombras. O ESTRANHO: Agora tu… Ela vira-se lentamente. SCARLETT: COMO TE ATREVES A FALAR COMIGO DEPOIS DO QUE FIZESTE!? O ESTRANHO: Foi uma... complicação. Lamento. SCARLETT (a chorar): Ele foi-se embora. Por tua causa. O ESTRANHO: Lamento. Nunca quis que isto lhe acontecesse. SCARLETT: Nunca te vou perdoar... e a única razão pela qual não te mando prender é porque acredito no que estamos a fazer. Mas nunca te vou perdoar. Ficas em dívida comigo para sempre. O ESTRANHO: Concordo. E agradeço por confiares em mim. Silêncio. INT. APOSENTOS DE SCARLETT – NOITE Papéis de reforma espalhados pela secretária. Ela olha para eles. Depois atira-os para o fogo. Um a um. Acabou. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE O Estranho observa-a através do orbe e cada passo parece continuar, apesar de tudo o que seria expectável, a ser dado exatamente como previsto. FIM DO EPISÓDIO Spoiler @Amorim @Lee @Afonso @InesMig @Pinto @ilovetv.2008 @brunooo 2 3 Citar
zeferovic14 Postado 10 de junho Autor Postado 10 de junho (editado) COROA VERMELHA: UMA HISTÓRIA STORMERE Episódio 7 - "Destino" EXT. VALENRITH – BAIRROS BAIXOS – MANHÃ A cidade está silenciosa. Não pacífica. Exausta. Madeira queimada. Janelas tapadas com tábuas. Soldados em cada cruzamento. INT. APOSENTOS DE SCARLETT – MANHÃ Scarlett está sentada diante do espelho. Não dormiu. Uma criada aproxima-se com a sua coroa. Scarlett pega nela suavemente. SCARLETT: Eu trato disso. Obrigada. A criada sai. Scarlett coloca a coroa na própria cabeça. INT. SALA DO CONSELHO – DIA Tudo soa ordeiro outra vez. GENERAL ROG: Finalmente, os motins foram contidos. LORDE THESIN: O comércio deve estabilizar dentro de um mês. REI ALDRIC: Ainda bem. Esperemos que esta seja a última crise deste ano. Scarlett observa-os. Falam como se nada tivesse acontecido. Como se tudo estivesse bem agora. SCARLETT: Então não mudamos nada? Os motins pararam porque as pessoas estão cansadas. Isto vai voltar. Não fazemos nada pelas razões deles? Uma pausa. LORDE THESIN: Razões? SCARLETT: A fome. Os impostos. Estávamos a resolver tudo e, mais uma vez, começaram a cortar custos e a aumentar impostos. (pausa) Vamos tratar disso? Ninguém responde diretamente. GENERAL ROG: A ordem vem primeiro. Temos de punir os motins antes de pensar em mais alguma coisa. Scarlett acena uma vez. Agora percebe. Eles não querem mudança. INT. CORREDOR LONGO – DIA Scarlett caminha sozinha. Passa pelo quarto onde Aleric vivia. Lágrimas escorrem-lhe pelo rosto. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – FIM DE TARDE O Estranho espera. SCARLETT: Estamos a voltar ao mesmo… nada está a resultar. O ESTRANHO: Pensei que a pressão forçasse algo. Parece que temos de mudar de estratégia. SCARLETT: Então o Aleric pagou o preço por uma causa inútil? O ESTRANHO: A corte precisava de um sacrifício. Acalmaram depois de ele partir. Ela sustenta-lhe o olhar. SCARLETT: Estás muito tranquilo com isso. Como se não tivesses destruído a vida de alguém de quem eu gostava. O ESTRANHO: Estás muito zangada. SCARLETT: CLARO QUE ESTOU ZANGADA! PERDI A MELHOR PESSOA DA MINHA VIDA E PARA QUÊ? NADA! Silêncio. INT. GABINETE DO REI – NOITE SCARLETT: Exilaste o único homem honesto desta corte. Nunca te vou perdoar, pai. Eu implorei-te. REI ALDRIC: Evitei uma guerra civil, Scarlett. Por muito que me importe com o Aleric, não havia nada que pudesse fazer. Alguém tinha de pagar pelo que aconteceu. SCARLETT: Se tivesses aceitado a minha reforma do conselho… nada disto teria acontecido. REI ALDRIC: Talvez, mas… isso já ficou para trás. Ela observa-o atentamente. SCARLETT: É só isso para ti? Não sentes remorsos por o teres exilado? REI ALDRIC: Sabes que sinto mas um dia vais perceber porque fiz aquilo que fiz. Ela sai. INT. APOSENTOS DE SCARLETT – NOITE Scarlett abre uma gaveta escondida. Lá dentro guarda um objeto: o símbolo de Aleric. Segura-o. Mais tempo do que devia. Depois volta a colocá-lo e fecha a gaveta. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE Scarlett está diferente agora. SCARLETT: Se eu avançar com isto… não há volta atrás. O ESTRANHO: Não. Não há. SCARLETT: E não vais hesitar? O ESTRANHO: Nunca. Uma pausa. SCARLETT: Ótimo. Isso significa que da próxima vez que te vir, vou finalmente saber o teu nome? O ESTRANHO: Sim. Finalmente poderei revelar quem sou. Ela acena. MONTAGEM Scarlett intercepta discretamente propostas do conselho. Negocia acordos entre lordes rivais. Expõe pequenos escândalos, de forma estratégica, afastando membros do conselho. Recompensa lealdade. Publicamente. Peticionários começam a pedir audiências primeiro com ela. “A Rainha Vermelha” espalha-se em sussurros. O Rei repara. Demasiado tarde. INT. SALA DO CONSELHO – NOITE Scarlett está sentada à cabeceira da mesa. Sem anúncio. Sem cerimónia. Simplesmente… acontece. Agora é ela a rainha. O Rei fala, mas as pessoas olham para ela quando respondem. Ele perdeu o poder. Ela tomou-o. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE Scarlett e o Estranho observam a cidade. SCARLETT: Isto vai resolver tudo? O ESTRANHO: Não. (pausa) Mas é um começo. Ela absorve isso. SCARLETT: Então começamos de novo. (longa pausa) Prazer em conhecer-te. Sou Scarlett, rainha da Corte Vermelha de Valenrith… O Estranho observa-a. Sorri. O ESTRANHO: Prazer em conhecê-la, Vossa Alteza. O meu nome é… Kael. Ela aperta-lhe a mão. Sorriem. INT. APOSENTOS DE SCARLETT – NOITE Scarlett está sozinha. A coroa firme. O rosto indecifrável. A rapariga que queria reformar o reino desapareceu. A mulher que tem o controlo permanece. FIM DO EPISÓDIO GRANDE FINAL, ESTA NOITE! Spoiler @InesMig @ilovetv.2008 @Amorim @Lee @brunooo @Diogo O. @Angel-O @Throne @Luisão @AndreRob @Pinto Editado 10 de junho por zeferovic14 1 3 Citar
Angel-O Postado 10 de junho Postado 10 de junho Queremos tudo e todos a parabenizar o @ilovetv.2008 2 Citar
zeferovic14 Postado 10 de junho Autor Postado 10 de junho há 5 minutos, Angel-O disse: Queremos tudo e todos a parabenizar o @ilovetv.2008 Parabéns @ilovetv.2008! Que bela prenda de aniversário vais ter: a grande final de Coroa Vermelha! 2 Citar
InesMig Postado 10 de junho Postado 10 de junho Parabéns @ilovetv.2008 Um resto de dia muito feliz 1 Citar
ilovetv.2008 Postado 11 de junho Postado 11 de junho Obrigado a todos pelas mensagens de parabéns e obrigado em especial aos autores pelo belíssimo novo episódio. 2 Citar
zeferovic14 Postado 11 de junho Autor Postado 11 de junho Desculpem, tive um imprevisto e não consegui lançar o episódio final hoje. Amanhã, será lançado 2 Citar
zeferovic14 Postado 11 de junho Autor Postado 11 de junho COROA VERMELHA: UMA HISTÓRIA STORMERE Episódio 8 - "Um Reino Destruído" (Último Episódio) EXT. VALENRITH – AMANHECER A cidade desperta. Mas não parece manhã. Soldados em todas as ruas. Bandeiras vermelhas pendem rígidas e pesadas. Ninguém fala. As pessoas sussurram. INT. SALA DO TRONO – MANHÃ Scarlett está sentada no trono. O “Rei” está atrás dela. LORDE THESIN: O povo está inquieto. O que devemos fazer? GENERAL ROG: Vão acalmar. Como sempre. SCARLETT: Não vão. Não desta vez. Silêncio. GENERAL ROG:: Nós... (corrige-se) Vossa Alteza restaurou a ordem. SCARLETT: Sim. E agora precisamos de reconstruir. E recuperar o controlo. INT. APOSENTOS PRIVADOS DO REI – DIA O Rei Aldric parece mais pequeno, de alguma forma. Observa o fumo ao longe. Scarlett entra. REI ALDRIC: Apertaste o controlo demasiado depressa. Estás a tornar-te uma tirana. SCARLETT: Nada disto teria acontecido se me tivesses ouvido. REI ALDRIC: O tempo vai provar que estás errada. SCARLETT: Não. (pausa) Acho que não vai. Ele observa-a. REI ALDRIC: Queria que fosses melhor do que eu. Onde falhei contigo? SCARLETT: Sabes onde. Ela sai. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – DIA KAEL: Agora têm medo de ti. SCARLETT: Ainda bem. Se ser gentil não resultou… talvez tenha de ser um pouco mais dura. KAEL: Cuidado, o medo espalha-se depressa. Não ponhas o mundo contra ti. SCARLETT: Não vão ter medo de mim. Finalmente, vão respeitar-me. Ele observa-a com atenção. KAEL: Sabes o que vem a seguir? SCARLETT: Sei. Sem hesitação. EXT. BAIRROS BAIXOS – NOITE Forma-se um protesto. Raiva. Soldados mantêm formação. Um empurrão. Uma lâmina. Um grito. Depois… O fogo espalha-se. Começou. MONTAGEM – A QUEDA Confrontos em ruas estreitas. Pessoas a morrer, sangue por todo o lado. Propriedades nobres saqueadas. Membros do conselho a fugir de Valenrith para outras regiões. Bandeiras carmesim arrancadas. Fumo a engolir o horizonte. Isto não é uma revolução. É a queda de Valenrith e da Coroa Vermelha. INT. SALA DE GUERRA – NOITE GENERAL ROG:: Ainda podemos tentar manter os distritos centrais. SCARLETT: Não. Todos se viram para ela. LORDE THESIN: Como assim, não? SCARLETT: Ouviram-me. Não. (pausa) Deixem arder. Vamos reconstruir das cinzas. A sala enche-se de um silêncio gelado. Todos a olham. Aterrorizados. INT. APOSENTOS DO REI – NOITE O Rei não está a fazer malas. Não quer partir. Está sentado. REI ALDRIC: Ainda podes parar isto. SCARLETT: Podia mas não quero. REI ALDRIC: Estás disposta a perder tudo… Para quê? Ela olha para ele. SCARLETT: Nós perdemos tudo isto há muito tempo. EXT. PORTÕES DO PALÁCIO – NOITE Os portões caem. A multidão invade. Os guardas recuam. O Rei é levado discretamente. Scarlett não se move. Apenas observa o seu reino cair. INT. SALA DO TRONO – MAIS TARDE O salão está destruído. Scarlett aproxima-se do trono. Observa-o. Passa a mão pelo apoio. Depois… Afasta-se e deixa-o ali. INT. SOLÁRIO ABANDONADO – NOITE KAEL: Está feito. Conseguiste. SCARLETT: Sim. KAEL: E não sentes nada? Ela pensa. SCARLETT: Pela primeira vez, sinto-me livre. EXT. RUÍNAS DE VALENRITH – AMANHECER O fumo cobre o horizonte. A Coroa Carmesim jaz partida entre os escombros. INT. ANTIGOS APOSENTOS DE SCARLETT – MANHÃ Scarlett abre a gaveta. O símbolo de Aleric. Segura-o. Durante muito tempo. Depois pousa-o novamente. Fecha a gaveta. Deixa-o lá. Para sempre. INT. PASSAGEM SECRETA – MANHÃ Kael espera. KAEL: Não resta nada aqui. Acabou. SCARLETT: Nunca houve. E agora, o que fazemos? Ela não olha para trás. KAEL: Tenho uma ideia. E tudo o que preciso… é de um desejo. Caminham para a sombra. EXT. RUÍNAS DE VALENRITH – PLANO FINAL A cidade arde. O fim da Coroa Vermelha. O fim de Valenrith. CENA PÓS-CRÉDITOS – EXT. COSTA EXTREMA DO NORTE – ANOITECER Uma terra nada parecida com Valenrith. Falésias vermelhas. Mar violento. Um vento constante. ALERIC está num penhasco, a observar as ondas. Mais velho. Diferente. Treina sozinho. Não para a guerra. Para disciplina. Uma pequena povoação costeira brilha ao longe. Passos aproximam-se. Um VIAJANTE, marcado pelo tempo, sotaque estrangeiro, com sacos manchados de sal. VIAJANTE: Não és daqui, pois não? Aleric não para de afiar a lâmina. ALERIC: Nem tu. Nota-se pelo sotaque. O viajante ri-se. VIAJANTE: Justo. (pausa) Ouviste o que aconteceu lá no sul? Isso faz Aleric parar. Só um pouco. ALERIC: Não. O que aconteceu? O viajante observa-o. VIAJANTE: Em Valenrith. Ardeu. Acabou. A mão de Aleric treme. VIAJANTE (CONT.): A coroa partiu-se. Nobres mortos ou dispersos. Dizem que agora são só ruínas. Um longo silêncio. ALERIC: A corte inteira caiu? O viajante inclina a cabeça. VIAJANTE: Depende do que queres dizer. A antiga princesa enlouqueceu. Dizem que foi ela que causou a queda. Agora chamam-lhe Rainha de Sangue. Como é que ainda não ouviste falar disto? Ele fica sem palavras. ALERIC: …O quê? Isso não é possível. VIAJANTE: É assim que a chamam agora. Dizem que deixou tudo cair. Alguns dizem que foi ela que queimou tudo. (pausa) Depois desapareceu. Sem corpo. Sem trono. Nada. Ninguém sabe o que lhe aconteceu. O mar embate lá em baixo. Aleric fixa o horizonte. ALERIC: Não era assim que ela era. VIAJANTE: Talvez não. Mas como saberias? (pausa) Conheceste-a? ALERIC: Pensei que sim. VIAJANTE: Bem… só vim trazer-te peixe salgado. Vi-te aqui o dia todo, pensei que tivesses fome. O viajante deixa o peixe e afasta-se. Deixa Aleric sozinho com o vento. Ele olha para o símbolo antigo pendurado ao pescoço. Sempre o carregou. Passos outra vez. Mais leves. Uma jovem está na beira do penhasco. Olhos atentos. Cabelo branco. Observadora. Analisa-o sem medo. JOVEM: Estás bem? Estava a passar e vi-te aqui. Não parecias muito bem. Aleric não se vira logo. ALERIC: Estou bem, obrigado. JOVEM: Sem problema. (pausa) Não queres falar. Tudo bem. Isso faz com que ele olhe para ela. Há algo diferente nela. JOVEM (CONT.): Não és daqui. Esse símbolo é de um reino do sul, certo? Não sei qual, mas… ALERIC: Sim, venho do sul. Tu também não és daqui. Vais para algum lado? Ela estende a mão. ARIADNE: Ariadne. Aleric hesita. Depois aperta-a. ALERIC: Aleric. ARIADNE: Vou para leste ao amanhecer. Quero ir buscar uns livros à capital, Verita. (pausa) Queres vir? Aleric olha mais uma vez para o mar infinito. Depois para terra. ALERIC: Então, para leste. Ariadne acena e descem o penhasco juntos. Longe de Valenrith. Mas não longe do destino. Esse não se entregava por completo, permanecia ali, a uma distância íntima e dolorosamente bela. FIM DA SÉRIE Esperamos que tenham gostado deste pequeno "desvio" da nossa história de Stormere! Voltamos para a próxima semana, dia 17 de Junho, para a Grande Estreia da 2a Temporada de Stormere! Vai ser um GRANDE VERÃO! Spoiler @InesMig @ilovetv.2008 @Amorim @Lee @brunooo @Diogo O. @Angel-O @Throne @Luisão @AndreRob @Pinto 1 3 Citar
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