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STORMERE

 

Temporada 2, Episódio 5 - "Pesadelos"

 

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – NOITE
A praça está agora vazia.
As lanternas tremeluzem sob a imponente estátua de NOX.
A longa sombra continua a cortar a pedra.

SOREN está na base da estátua, com a espada de Hunter na mão.
Atrás dele, LYRA, ARIADNE e RONIN observam em silêncio.

Ninguém se mexe.
Ninguém fala.

Um vento frio atravessa a praça.
As bandeiras ondulam.

Por um breve segundo, a estátua parece mais alta.
Mais vigilante.

Soren é o primeiro a desviar o olhar.

SOREN: Amanhã.

Passa por eles.

Ronin observa-o.

RONIN: Sim. Amanhã.

O grupo segue-o.

CORTE BRUSCO PARA O TÍTULO: STORMFALL

INT. THORNE & IRONWORKS – QUARTO NO ANDAR DE CIMA – ALTA NOITE
Um sótão apertado por cima da forja.
Luz da lua através de cortinas finas.

Lyra está deitada, acordada, numa cama estreita, a olhar para o teto.
Ariadne está sentada de pernas cruzadas junto à janela, com um diário aberto no colo, sem escrever.
Do outro lado da divisão, Soren está deitado numa enxerga, virado para a parede.

Ainda vestido.
A espada de Hunter ao seu lado.

Ninguém fala.

Lá em baixo, ao longe, a forja acomoda-se na escuridão.

Um longo silêncio.

Depois…

LYRA: Estás acordada.

Ariadne não levanta os olhos.

ARIADNE: Tu também.

Lyra olha para Soren.
Ele não se mexeu.

LYRA: Ele está a dormir?

Ariadne segue-lhe o olhar.

ARIADNE: Não sei.

LYRA: Devíamos descansar um pouco.

Sem resposta.

O quarto volta a mergulhar no silêncio.

INT. SONHO DE SOREN – DESCONHECIDO
Escuridão.

Depois…

Uma forja.
Mais quente. Mais brilhante. Mais ruidosa.

O som de marteladas ecoa de todo o lado e de lado nenhum.

Soren está no meio.
Sozinho.

Vira-se.

A bancada está coberta de coisas partidas:
• uma caneca estilhaçada
• um pano manchado de sangue
• a carta dobrada de Hunter
• uma lâmina rachada

As marteladas tornam-se mais altas.

Depois param.

Uma voz atrás dele…

HUNTER (O.S.): Estás atrasado.

Soren fica imóvel.
Vira-se devagar.

Hunter está junto à forja.
Vivo.
Inteiro.
Calmo.
Exatamente como era.

A respiração de Soren prende-se.

SOREN: Hunter…?

Hunter limpa as mãos a um pano.
Olha para ele como se nada estivesse errado.

HUNTER: O quê?

Soren dá um passo na direção dele.
Devagar.
Com medo de que desapareça.

SOREN: Tu morreste.

Hunter inclina a cabeça.

HUNTER: É uma maneira de o dizer.

Soren para.

A forja atrás de Hunter brilha mais intensamente.
O calor torna-se opressivo.

SOREN: Eu não queria que…

HUNTER: Eu sei… mas deixaste na mesma que acontecesse.

A divisão escurece ligeiramente.
A caneca partida sobre a mesa cai e estilhaça-se outra vez.

Soren estremece.

SOREN: Eu tentei…

HUNTER: Tentaste mesmo?

O fogo da forja torna-se negro.
O rosto de Hunter não muda.
É isso que torna tudo pior.

HUNTER (CONT.): Querias um mundo maior do que casa. Maior do que eu. Maior do que tudo isto.

As paredes da forja começam a rachar.
Areia escura entra por elas.

O Deserto de Cristal.
O campo de batalha.

HUNTER (CONT.): E olha onde isso nos trouxe.

Soren recua.

SOREN: Para.

Hunter dá um passo em frente.

HUNTER: Foste tu que me fizeste seguir-te.

Outro passo.

HUNTER (CONT.): E eu morri por tua causa.

Soren acorda com um sobressalto.

INT. THORNE & IRONWORKS – QUARTO NO ANDAR DE CIMA – NOITE
Senta-se de repente.
A suar. A respirar com dificuldade.

Lyra e Ariadne despertam imediatamente.

LYRA: Soren…

SOREN: Estou bem.

Demasiado depressa.
Demasiado brusco.

Atira as pernas para fora da enxerga e levanta-se.

Ariadne ergue-se devagar.

ARIADNE: Estavas a sonhar.

SOREN: Não, estava a dormir.

Pega na espada de Hunter.
Vai em direção às escadas.

Lyra levanta-se.

LYRA: Onde vais?

SOREN: Lá para fora.

Sai antes que o consigam impedir.

Ariadne e Lyra trocam um olhar.
Depois seguem-no.

EXT. RUAS DE WILLOWFORD – NOITE
A vila está quase em silêncio sob o recolher obrigatório.
As ruas vazias.
A estátua visível de quase todos os ângulos.

Soren anda depressa pela escuridão.

Lyra alcança-o primeiro.

LYRA: Não podes continuar a fazer isto.

Ele não abranda.

SOREN: Fazer o quê?

LYRA: A afastar-nos.

Soren para.
Vira-se.

O rosto está pálido à luz da lua.

SOREN: Eu não estou a afastar ninguém. Só preciso de espaço!

Lyra suaviza.
Mas só por um segundo.

LYRA: Não.

Ariadne alcança-os por trás.
Ronin não vem longe dela.

ARIADNE: Com o que sonhaste?

Soren ri-se uma vez.
Seco. Oco.

SOREN: O que achas que vi?

Ninguém responde.
Porque sabem.

Ele desvia o olhar deles.
Na direção da estrada vazia.

SOREN (CONT.): Vi-o.

Uma pausa.

LYRA: O Hunter?

Soren acena uma vez.
Mal se nota.

SOREN: Disse exatamente aquilo que eu já sabia. Que a culpa de ele estar morto é minha.

Ronin aproxima-se.

RONIN: Soren…

Soren olha para ele.

SOREN: PAREM! Preciso de estar sozinho, por favor.

Isso cala toda a gente.

Um sino toca algures na vila.
Um toque grave.

Os quatro olham instintivamente para a praça.
Começam a voltar para casa.

EXT. CASA DOS THORNE – MAIS TARDE
A varanda outra vez.

Soren está sentado nos degraus.
Desta vez, Lyra ao lado dele.
Ariadne encostada à vedação.
Ronin junto ao portão.

Nenhum deles quer deixá-lo sozinho agora.

A noite aprofunda-se.

LYRA: O que é que ele disse?

Soren não responde logo.
Depois…

SOREN: Que fui eu que o fiz seguir-me.

Uma pausa.

SOREN (CONT.): Que ele morreu por causa disso.

Lyra baixa o olhar.
Também há dor nos seus olhos.

LYRA: Isso não foi culpa tua.

SOREN: Para de dizer isso.

Ela vira-se para ele.

LYRA: Porquê?

SOREN: Porque foi culpa minha.

Silêncio.

Ariadne observa-o com atenção.

ARIADNE: A culpa que estás a sentir é normal, Soren.

SOREN: Nada nisto é normal e estou farto de toda a gente fingir que eu não sou a razão de ele ter desaparecido…

Lyra levanta-se.
Agora zangada.

LYRA: Ninguém está a fingir!

Soren também se levanta.

SOREN: Então diz-me!

Uma pausa.

SOREN (CONT.): Diz-me que a culpa é minha.

Lyra encara-o.
Magoada. Furiosa. Devastada.

LYRA: Queres tanto que eu te culpe porque isso é mais fácil do que culpar o homem que realmente fez isto. Todos nós perdemos alguém naquele dia, Soren.

A expressão de Soren vacila.

Lyra aproxima-se.

LYRA (CONT.): Se te fizeres de vilão, então pelo menos podes castigar alguém. Pelo menos a dor tem para onde ir.

A voz falha-lhe.

LYRA (CONT.): Mas essa não é a verdade. E, lá no fundo, tu sabes disso.

Soren desvia o olhar.
Não consegue aguentar o dela.

Ronin não diz nada.
Porque ela tem razão.

EXT. ARREDORES DE WILLOWFORD – ANTES DO AMANHECER
O grupo caminha até à margem dos campos.
Ninguém quis voltar a dormir, por isso saíram para andar.

Névoa baixa sobre a erva.

Ariadne para de repente.
Sente alguma coisa.

ARIADNE: Esperem.

Outra vez.

Desta vez, Soren para mesmo.

Um pulso sob a terra.
Fraco.
Depois outro.

Como um batimento cardíaco debaixo das raízes.

Ronin recua um passo.

RONIN: Vocês também sentiram isso?

Ariadne ajoelha-se.
Pousa a palma da mão na terra.

Os seus olhos brilham de azul muito ténue.

ARIADNE: Há magia debaixo da vila.

Lyra olha para Willowford.
Para as casas silenciosas.
Para a estátua.

LYRA: Quanta?

Ariadne levanta-se devagar.
Abalada.

ARIADNE: Demasiada.

O vento muda.

Por um segundo, ténues fios de luz pálida movem-se sob o solo como veias.
Depois desaparecem.

Soren também os vê.

O luto dele suspende-se.
Só por um segundo.
Substituído por outra coisa.

Medo.

INT. THORNE & IRONWORKS – FORJA – MANHÃ
A forja está acesa outra vez.

Ronin trabalha em silêncio.
Lyra está sentada à bancada, a afiar uma lâmina que não precisa de ser afiada.
Ariadne escreve notas no diário, páginas cheias de símbolos e observações.

Soren está junto à janela.
A ver a vila acordar.
Outra vez como se nada estivesse errado.

ARIADNE: Há uma corrente de magia instável debaixo de Willowford. Talvez debaixo de toda a Stormere.

Ronin levanta os olhos da bigorna.

RONIN: Dá para travar isso?

Ariadne hesita.

ARIADNE: Não sei.

Lyra solta uma risada sem humor.

LYRA: Isso está a tornar-se um padrão. Temos um problema e não fazemos ideia de como o resolver.

Ariadne fecha o diário.

ARIADNE: Seja o que for que o Nox fez ao mundo… não mudou só as pessoas. Mudou a forma como a magia se move.

Soren afasta-se finalmente da janela.
Ainda pálido. Ainda cansado.
Mas mais presente do que antes.

SOREN: Então começamos aqui.

Lyra observa-o.

LYRA: Queres dizer a vila?

Soren acena.

SOREN: Se há magia aqui, descobrimos porquê.

Ronin pousa o martelo.

RONIN: E se os guardas não gostarem disso?

Soren olha para a espada de Hunter encostada à parede.
Depois volta-se para eles.

SOREN: Então que tentem impedir-me.

Uma pausa.

Lyra quase sorri.
Quase.

Ariadne não.
Continua a pensar.

ARIADNE: O sonho que tiveste…

Os três olham para ela.

ARIADNE (CONT.): Se a magia está instável, pode estar a alimentar-se do medo. Do luto. Do arrependimento. Pode estar a piorar o que já está dentro de nós.

A expressão de Soren endurece.

SOREN: Bom saber que o mundo também me quer morto.

LYRA: Não quer.

Uma pausa.

LYRA (CONT.): Mas pode querer partir-nos.

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – MAIS TARDE
A atividade da manhã outra vez.
Os mesmos sinos. Os mesmos registos. O mesmo silêncio oco.

Mas agora o grupo vê tudo de outra forma.

Soren vai à frente.
Já não entorpecido.
Tenso.
Atento.

A ordem da praça parece uma máscara por cima de algo podre lá por baixo.

Uma criança ri-se alto demais.
A mãe cala-a imediatamente.

Um padeiro entrega pão sem olhar nos olhos.
Um guardião marca nomes num livro de registo.

Tudo limpo.
Tudo errado.

Soren pára no meio da praça.
Olha para a estátua de Nox.

Desta vez, não parece pequeno debaixo dela.
Não exatamente.
Mas também não parece impotente.

Lyra, Ariadne e Ronin colocam-se ao lado dele.

Um longo silêncio.

Depois…

SOREN: Chega de esperar.

Ronin cruza os braços.

RONIN: Então, qual é o plano?

Soren continua a olhar para a estátua.

SOREN: Não dormi. Vi o meu irmão. E, tenha sido um sonho, a magia, ou a minha própria culpa a tentar rasgar-me por dentro… já não vou deixar isto ficar cá dentro.

Lyra observa-o com cuidado.
Isto não é paz.
Mas é outra coisa.

SOREN (CONT.): Esta noite, vou voltar para lá.

Ariadne franze o sobrolho.

ARIADNE: Para onde?

Soren vira-se.

Pela primeira vez em muito tempo, há fogo verdadeiro nele outra vez.
Fogo negro.
Fogo instável.

SOREN: Vou tomar o controlo desta vila.

Ronin e Lyra trocam um olhar.
Ambos sabem o que isto significa.

Ele não está a curar.
Ainda não.
Está a caçar.

O sino toca sobre eles.
Toda a praça muda em volta deles numa obediência treinada.

E Soren fica imóvel no meio de tudo aquilo. Vemos algo nos seus olhos… pura raiva.

FIM DO EPISÓDIO 5

Temporada 2, Episódio 6 – “Raiva”

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – NOITE
O sino toca.
Uma vez.
Duas vezes.

Recolher obrigatório.

A praça esvazia-se em segundos.
Portas fecham-se. Janelas encerram-se. Luzes apagam-se.

Só uma figura permanece.

SOREN.

De pé sob a estátua de NOX.
A espada de Hunter na mão.
Imóvel.
Sem se mexer.

O vento uiva levemente pelas ruas vazias.

Atrás dele… LYRA, ARIADNE e RONIN estão a alguma distância.
A observar.
À espera.

Soren não se vira.

SOREN: Isto acaba esta noite.

CORTE BRUSCO PARA O TÍTULO: STORMFALL

EXT. RUAS DE WILLOWFORD – NOITE
A vila dorme.
Ou finge que dorme.

Soren atravessa-a como uma tempestade prestes a acontecer.

Lyra alcança-o e fica ao seu lado.

LYRA: Não achas que estás um bocadinho… zangado demais para fazer isto hoje?

Ele continua a andar.

SOREN: Oh, estou muito zangado. É exatamente isso que eu quero.

Ariadne e Ronin seguem atrás.

ARIADNE: Soren, seja o que for que estejas a planear…

SOREN (interrompendo-a): Eu não estou a planear nada. Estou a fazê-lo.

Para na extremidade da praça.
Olha para um grupo de GUARDAS em patrulha.

Calmos. Controlados. Desarmados… mas perigosos.

Soren aperta a espada.

RONIN: Isto é uma má ideia.

SOREN: Pois. É.

Dá um passo em frente.

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – CONTÍNUO
Os guardiões reparam nele imediatamente.

Não puxam armas.
Não entram em pânico.

Limitam-se a formar posição.

Um deles, o GUARDIÃO PRINCIPAL, avança.

GUARDIÃO: O recolher obrigatório está em vigor. Volte para a residência que lhe foi atribuída.

Soren não abranda.

SOREN: Não.

Uma pausa.

Os guardiões ajustam-se.
Ainda calmos.
Ainda controlados.

GUARDIÃO: O incumprimento será registado.

Soren para a centímetros dele.
Olhos em chamas.

SOREN: Ótimo.

Uma pausa.

Depois…

Soren ataca.

Rápido.
Violento.

O guardião é atirado para trás sobre a pedra.

A formação quebra-se de imediato.
Avançam sobre ele.

Lyra corre para a frente.

LYRA: Soren, PÁRA!

Tarde demais.

Soren luta como um homem que já não tem nada a perder.
Brutal. Imprudente. Descontrolado.

Não se defende.
Não hesita.

Só destrói.

Ronin junta-se à luta, com mais controlo, tentando impedir Soren de ir longe demais.

Ariadne levanta as mãos.
A magia irrompe.

Mas instável.
Oscila erradamente.

Uma rajada atinge o chão.
A pedra estala.
Com violência excessiva.

ARIADNE: Eu não consigo…

Outro pulso.
Mais forte.

O chão debaixo da praça brilha de forma ténue.

Os guardiões hesitam.

Pela primeira vez… algo quebra o ritmo deles.

Soren não repara.

Agarra um guardião…
Esmaga-o contra a base da estátua de Nox.

Outra vez.
Outra vez.

LYRA (a gritar): SOREN!

Ele não para.

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – CONTÍNUO
O chão pulsa outra vez.

Mais forte agora.

O brilho sob a pedra espalha-se como veias.
Um zumbido grave enche o ar.

Os olhos de Ariadne abrem-se mais.

ARIADNE: Soren, PARA!

Ele não para.

Levanta a espada.
Prestes a atacar outra vez.

Lyra mete-se entre ele e o guardião caído.

LYRA: CHEGA!

A espada para a centímetros dela.

Uma longa pausa.

Soren respira com força.
A tremer.

Aperta mais a empunhadura.
Por um segundo.

Parece que vai atacar na mesma.

O silêncio cai sobre tudo.

Depois.

O chão IRROMPE.

Uma vaga de magia bruta explode debaixo da praça.
Atirando todos para trás.

Soren embate com força no chão.

A estátua de Nox racha ligeiramente.
Uma fratura a percorrer a base.

O brilho sob a vila pulsa descontroladamente.
Instável.

Ariadne põe-se de pé à pressa.

ARIADNE: A magia está a reagir!

Ronin ajuda Lyra a levantar-se.

RONIN: A quê?!

Ariadne olha para Soren.
Depois para o chão.
Depois de volta para ele.

Percebe.

ARIADNE: A ele. À raiva dele.

Soren levanta-se.
Atordoado.
Ainda zangado.

Mas agora…
Com medo.

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – CONTÍNUO
Os guardiões reorganizam-se.

Não atacam.
Observam. Registam.
Mesmo agora.

O guardião principal ergue-se lentamente.
Sangue no canto da boca.

Mas calmo.
Ainda calmo.

GUARDIÃO: Incidente… registado.

Soren fica a olhar para ele.
Incrédulo.

SOREN: É só isso?

O guardião sustenta-lhe o olhar.

GUARDIÃO: A ordem será restaurada.

Soren dá outro passo em frente.

Mas Lyra agarra-o.
Com força.

LYRA: Olha à tua volta! Olha para o que estás a fazer à tua terra.

E ele olha.

A praça rachada.
O chão a brilhar.
As pessoas aterrorizadas a observar das sombras.
O sistema quebrado.

Por causa dele.

EXT. MARGEM DA PRAÇA – NOITE
O grupo está junto.
A respirar com dificuldade.

Silêncio.

Depois.

LYRA: Que raio foi aquilo?

Ninguém responde.

Ariadne parece abalada.
Mais do que antes.

ARIADNE: A magia… está instável. É como se… não tivesse outro lugar para onde ir.

Uma pausa.

ARIADNE (CONT.): E reagiu a ti.

Soren olha para ela.

SOREN: O que é que isso significa?

Ariadne hesita.

ARIADNE: Significa… que as tuas emoções podem estar a afetá-la.

Aquilo cai com força.

Ronin expira.

RONIN: Portanto, quanto mais zangado ficas…

ARIADNE: Pior fica.

Silêncio.

Lyra olha para Soren.
Olha mesmo.

LYRA: Não podes continuar assim. Isto não és tu, Soren.

Soren não responde.

Porque, pela primeira vez…
Não tem nada para dizer.

EXT. CASA DOS THORNE – ALTA NOITE
Soren está outra vez sentado na varanda.
No mesmo sítio.

A espada de Hunter ao lado dele.
Intocada.

Lyra aproxima-se devagar.
Senta-se ao lado dele.

Um longo silêncio.

SOREN: Eu quase te atingi.

Lyra acena.

LYRA: Sim. Quase atingiste.

Uma pausa.

SOREN: Nem sequer hesitei.

É isso que o assusta.

Lyra olha em frente.

LYRA: Tu não estás bem.

SOREN: Eu sei.

Uma longa pausa.

SOREN (CONT.): Não sei como consertar isto.

Lyra não lhe dá uma resposta.
Porque não a tem.

Mas fica ali.

Por agora, isso basta.

EXT. PRAÇA DE WILLOWFORD – MESMA NOITE
A estátua de Nox ergue-se na escuridão.
Uma racha visível agora atravessa a base.

O vento sopra com mais força.
As bandeiras ondulam violentamente.

E debaixo da terra…
Um pulso ténue.

Ainda ali.
Ainda à espera.

EXT. CASA DOS THORNE – NOITE
De volta a Soren.
Sentado.
Em silêncio.

Mas já não vazio.

Há outra coisa ali agora.

Levanta-se e começa a sair da vila. Para algures. Sozinho. Para se encontrar.

FIM DO EPISÓDIO 6

 

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