zeferovic14 Posted March 17 Author Posted March 17 Daqui a pouco, temos notícias. GRANDES notícias! Deixem palpites 2 Quote
zeferovic14 Posted March 17 Author Posted March 17 STORMERE (NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA) Temos notícias para partilhar convosco. E vamos já começar a contar-vos TUDO (ou quase tudo) A partir de amanhã, todas as semanas serão semanas de episódio duplo! E que não haverá pausa entre a 1a e a 2a parte da temporada! Aqui vai o calendário dos restantes episódios: Dia 18/03 - Episódio 7 - "Aquilo Que Carregamos" e Episódio 8 - "Dois Irmãos" Dia 25/03 - Episódio 9 - "Dawnhollow" e Episódio 10 - "Ajuste de Contas" Dia 01/04 - Episódio 11 - "??? (Título é Segredo)" e Episódio 12 - "??? (Título é Segredo)" Dia 08/04 - Episódio 13 - "A Calma" e Episódio 14 - "??? (Título é Segredo)" Dia 15/04 - Episódio 15 - "??? (Título é Segredo)" e Episódio 16 - "Luz do Dia" (Final de Temporada) E acho que não vamos ficar por aqui... porque estamos aqui também para OFICIALMENTE confirmar a renovação para uma SEGUNDA TEMPORADA DE 16 EPISÓDIOS! E quando é que a 2a Temporada estreia? Dizemos só que é mais breve do que pensam e que não é "segredo" nenhum. Viemos para ficar! Spoiler @Lee@Romy@brunooo@ilovetv.2008@Angel-O@Patiño@AndreRob@InesMig@Messi@João_O@srcbica@Throne@Dimitri@HAIRSPRAY@Pinto@D23@D91@RMF_123@Luisão@Diogo O.@Talu@Afonso@Amorim@Fernando 1 5 Quote
ilovetv.2008 Posted March 17 Posted March 17 há 1 hora, zeferovic14 disse: Daqui a pouco, temos notícias. GRANDES notícias! Deixem palpites Vem aí duplo episódio ou então o episódio dos flashbacks? Quote
zeferovic14 Posted March 17 Author Posted March 17 há 1 minuto, ilovetv.2008 disse: Vem aí duplo episódio ou então o episódio dos flashbacks? É só leres em baixo que já foi revelado 1 Quote
ilovetv.2008 Posted March 17 Posted March 17 há 33 minutos, zeferovic14 disse: É só leres em baixo que já foi revelado Pois não caiu a tempo a minha mensagem há 1 hora, zeferovic14 disse: STORMERE (NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA) Temos notícias para partilhar convosco. E vamos já começar a contar-vos TUDO (ou quase tudo) A partir de amanhã, todas as semanas serão semanas de episódio duplo! E que não haverá pausa entre a 1a e a 2a parte da temporada! Aqui vai o calendário dos restantes episódios: Dia 18/03 - Episódio 7 - "Aquilo Que Carregamos" e Episódio 8 - "Dois Irmãos" Dia 25/03 - Episódio 9 - "Dawnhollow" e Episódio 10 - "Ajuste de Contas" Dia 01/04 - Episódio 11 - "??? (Título é Segredo)" e Episódio 12 - "??? (Título é Segredo)" Dia 08/04 - Episódio 13 - "A Calma" e Episódio 14 - "??? (Título é Segredo)" Dia 15/04 - Episódio 15 - "??? (Título é Segredo)" e Episódio 16 - "Luz do Dia" (Final de Temporada) E acho que não vamos ficar por aqui... porque estamos aqui também para OFICIALMENTE confirmar a renovação para uma SEGUNDA TEMPORADA DE 16 EPISÓDIOS! E quando é que a 2a Temporada estreia? Dizemos só que é mais breve do que pensam e que não é "segredo" nenhum. Viemos para ficar! Spoiler - mostrar conteúdo oculto @Lee@Romy@brunooo@ilovetv.2008@Angel-O@Patiño@AndreRob@InesMig@Messi@João_O@srcbica@Throne@Dimitri@HAIRSPRAY@Pinto@D23@D91@RMF_123@Luisão@Diogo O.@Talu@Afonso@Amorim@Fernando Ansioso para saber os nomes dos episódios cujo título é segredo... cheira-me que serão mega spoileiros do que aí vem. 1 Quote
zeferovic14 Posted March 18 Author Posted March 18 STORMERE Temporada 1, Episódio 7 - "Aquilo Que Carregamos" EXT. VERITA – RUELA – NOITE O céu vertia uma humidade fúnebre enquanto abafava os sons de uma metrópole que celebrava a sua própria ignorância. Entre o tilintar dos copos e o burburinho de vidas intocadas, o beco guardava o seu segredo hidrófobo. Kael regressou, movendo-se com a lentidão de quem carrega o peso de um mundo morto, e caiu de joelhos no chão. O vermelho nas suas mãos brilhava e, à distância de um fôlego, o grupo observava, paralisado por uma cumplicidade negra. O rosto de Soren era uma máscara de fúria contida, a mandíbula rígida como se mordesse o próprio grito, enquanto Hunter oscilava, com os olhos dilatados, tentando distinguir se o que via era um assassinato ou uma necessidade terrível. O ar pesava, saturado por uma pergunta que ninguém tinha coragem de formular. LYRA (num tom baixinho): O que aconteceu aqui? Foi… foi um acidente… certo? Kael não responde. A respiração treme-lhe. Fixa as mãos como se tentasse lavar algo mais profundo do que sangue. ALERIC: Não podemos ficar aqui. Os guardas vão aparecer e aí seremos todos presos. Não haverá hipótese para nós. Nem para ninguém. HUNTER (para Kael): Vamos que depois resolvemos isto. Temos de sair daqui AGORA. Kael levanta-se lentamente, ainda atordoado. O grupo desaparece nas sombras. EXT. VERITA – BAIRRO ANTIGO – AMANHECER Uma luz fria atravessa as nuvens. O grupo caminha em silêncio. Kael fica para trás, olhar vazio. A tensão pesa no ar. Passam por estátuas em ruínas e mosaicos cobertos de vegetação: vestígios de uma Verita mais antiga. Entalhes desbotados de tempestades, ondas e estrelas cadentes marcam as paredes de pedra. LYRA (em voz baixa, para Ariadne): Achas que estamos amaldiçoados? Em cada paragem que fizemos, aconteceu alguma coisa de mau. ARIADNE: Amaldiçoados? Não. Acho apenas que algo está a acontecer. Sinto tantas mudanças no plano astral, mas não consigo perceber o que tentam dizer. SOREN (bruto): Vamos é sair desta maldita cidade antes que sejamos nós os mortos. Hunter lança-lhe um olhar, firme, mas não hostil. HUNTER: Nem sempre tens de transformar a tua dor em raiva, Soren. SOREN: E tu nem sempre tens de transformar a tua raiva em discursos motivacionais. Uma pausa. Apesar de si mesmos, ambos esboçam um leve sorriso. Uma trégua frágil. EXT. VERITA – GRANDE BIBLIOTECA – MAIS TARDE Uma estrutura imponente de mármore rachado e hera. O grupo entra em silêncio: os sons da cidade desaparecem, substituídos por sussurros de papel e pó. No interior, estantes elevam-se como catedrais. Os olhos de Ariadne iluminam-se. ARIADNE: Este lugar é o edifício mais antigo de Verita. A Grande Biblioteca. ALERIC (suavemente): Talvez seja aqui que finalmente descubramos para onde devemos ir. Kael senta-se afastado, olhar perdido. Hunter repara, mas não insiste. Em vez disso, Lyra aproxima-se dele, hesitante. LYRA: Fizeste o que pudeste. Não te culpes. Foi um acidente. KAEL: Matei um homem e o resto não importa. LYRA: Talvez. Mas não é bem assim. Isso não deixa de ser um acidente. Já aconteceu. Agora… agora só tens de, de tentar seguir em frente… KAEL: É fácil falar… Ela olha para ele. Do outro lado da biblioteca, Ariadne e Aleric analisam pergaminhos antigos. Um deles, frágil e marcado com sigilos oceânicos, chama a atenção de Ariadne. ARIADNE (a ler): “Onde as areias se tornam cristal e o mar reflete o céu, ali a tempestade caiu na terra pela primeira vez.” Ergue o olhar, a compreensão a surgir. ALERIC: Estás a dizer que Stormfall fica junto à costa? ARIADNE: Não apenas junto à costa. Fica no Deserto de Cristal. Estas palavras descrevem perfeitamente a geografia. Já as estudei antes. Soren solta um assobio baixo. SOREN: Parece que já temos o próximo destino. HUNTER (baixinho): Pelo menos desta vez sabemos para onde vamos. EXT. VERITA – COLINA SOBRANCEIRA – PÔR DO SOL O grupo está numa colina acima da capital. A cidade brilha em dourado lá em baixo. O mundo além estende-se vasto: possibilidades infinitas e perigos que ainda não compreendem. Kael permanece à parte, a luz alaranjada a pintar-lhe o rosto. HUNTER (para Kael): Todos cometemos erros. O que importa é o que fazemos depois deles. Kael não lhe devolve o olhar. KAEL: E se o que vier depois for pior? Hunter não responde. Apenas pousa a mão no ombro dele. À margem de tudo, Lyra vigiava com o seu fixo e impenetrável olhar. Ela sentia a traição dos próprios músculos, a incompreensão de um júbilo que não tinha nome, enquanto a frieza do que via se misturava com aquele calor súbito e inexplicável que lhe subia pelo peito. FIM DO EPISÓDIO Spoiler @Lee@Romy@brunooo@ilovetv.2008@Angel-O@InesMig@Luisão@D23@D91@Patiño@AndreRob@Messi@joni@João_O@srcbica@Max30@Throne@Dimitri@HAIRSPRAY@Pinto@Talu@Afonso@Fernando@Amorim 3 Quote
Angel-O Posted March 18 Posted March 18 Ansioso pelos comentários e teorias (de todos) mas em especial do sempre atento @ilovetv.2008 2 Quote
ilovetv.2008 Posted March 18 Posted March 18 há 25 minutos, zeferovic14 disse: STORMERE Temporada 1, Episódio 7 - "Aquilo Que Carregamos" EXT. VERITA – RUELA – NOITE O céu vertia uma humidade fúnebre enquanto abafava os sons de uma metrópole que celebrava a sua própria ignorância. Entre o tilintar dos copos e o burburinho de vidas intocadas, o beco guardava o seu segredo hidrófobo. Kael regressou, movendo-se com a lentidão de quem carrega o peso de um mundo morto, e caiu de joelhos no chão. O vermelho nas suas mãos brilhava e, à distância de um fôlego, o grupo observava, paralisado por uma cumplicidade negra. O rosto de Soren era uma máscara de fúria contida, a mandíbula rígida como se mordesse o próprio grito, enquanto Hunter oscilava, com os olhos dilatados, tentando distinguir se o que via era um assassinato ou uma necessidade terrível. O ar pesava, saturado por uma pergunta que ninguém tinha coragem de formular. LYRA (num tom baixinho): O que aconteceu aqui? Foi… foi um acidente… certo? Kael não responde. A respiração treme-lhe. Fixa as mãos como se tentasse lavar algo mais profundo do que sangue. ALERIC: Não podemos ficar aqui. Os guardas vão aparecer e aí seremos todos presos. Não haverá hipótese para nós. Nem para ninguém. HUNTER (para Kael): Vamos que depois resolvemos isto. Temos de sair daqui AGORA. Kael levanta-se lentamente, ainda atordoado. O grupo desaparece nas sombras. EXT. VERITA – BAIRRO ANTIGO – AMANHECER Uma luz fria atravessa as nuvens. O grupo caminha em silêncio. Kael fica para trás, olhar vazio. A tensão pesa no ar. Passam por estátuas em ruínas e mosaicos cobertos de vegetação: vestígios de uma Verita mais antiga. Entalhes desbotados de tempestades, ondas e estrelas cadentes marcam as paredes de pedra. LYRA (em voz baixa, para Ariadne): Achas que estamos amaldiçoados? Em cada paragem que fizemos, aconteceu alguma coisa de mau. ARIADNE: Amaldiçoados? Não. Acho apenas que algo está a acontecer. Sinto tantas mudanças no plano astral, mas não consigo perceber o que tentam dizer. SOREN (bruto): Vamos é sair desta maldita cidade antes que sejamos nós os mortos. Hunter lança-lhe um olhar, firme, mas não hostil. HUNTER: Nem sempre tens de transformar a tua dor em raiva, Soren. SOREN: E tu nem sempre tens de transformar a tua raiva em discursos motivacionais. Uma pausa. Apesar de si mesmos, ambos esboçam um leve sorriso. Uma trégua frágil. EXT. VERITA – GRANDE BIBLIOTECA – MAIS TARDE Uma estrutura imponente de mármore rachado e hera. O grupo entra em silêncio: os sons da cidade desaparecem, substituídos por sussurros de papel e pó. No interior, estantes elevam-se como catedrais. Os olhos de Ariadne iluminam-se. ARIADNE: Este lugar é o edifício mais antigo de Verita. A Grande Biblioteca. ALERIC (suavemente): Talvez seja aqui que finalmente descubramos para onde devemos ir. Kael senta-se afastado, olhar perdido. Hunter repara, mas não insiste. Em vez disso, Lyra aproxima-se dele, hesitante. LYRA: Fizeste o que pudeste. Não te culpes. Foi um acidente. KAEL: Matei um homem e o resto não importa. LYRA: Talvez. Mas não é bem assim. Isso não deixa de ser um acidente. Já aconteceu. Agora… agora só tens de, de tentar seguir em frente… KAEL: É fácil falar… Ela olha para ele. Do outro lado da biblioteca, Ariadne e Aleric analisam pergaminhos antigos. Um deles, frágil e marcado com sigilos oceânicos, chama a atenção de Ariadne. ARIADNE (a ler): “Onde as areias se tornam cristal e o mar reflete o céu, ali a tempestade caiu na terra pela primeira vez.” Ergue o olhar, a compreensão a surgir. ALERIC: Estás a dizer que Stormfall fica junto à costa? ARIADNE: Não apenas junto à costa. Fica no Deserto de Cristal. Estas palavras descrevem perfeitamente a geografia. Já as estudei antes. Soren solta um assobio baixo. SOREN: Parece que já temos o próximo destino. HUNTER (baixinho): Pelo menos desta vez sabemos para onde vamos. EXT. VERITA – COLINA SOBRANCEIRA – PÔR DO SOL O grupo está numa colina acima da capital. A cidade brilha em dourado lá em baixo. O mundo além estende-se vasto: possibilidades infinitas e perigos que ainda não compreendem. Kael permanece à parte, a luz alaranjada a pintar-lhe o rosto. HUNTER (para Kael): Todos cometemos erros. O que importa é o que fazemos depois deles. Kael não lhe devolve o olhar. KAEL: E se o que vier depois for pior? Hunter não responde. Apenas pousa a mão no ombro dele. À margem de tudo, Lyra vigiava com o seu fixo e impenetrável olhar. Ela sentia a traição dos próprios músculos, a incompreensão de um júbilo que não tinha nome, enquanto a frieza do que via se misturava com aquele calor súbito e inexplicável que lhe subia pelo peito. FIM DO EPISÓDIO Spoiler - mostrar conteúdo oculto @Lee@Romy@brunooo@ilovetv.2008@Angel-O@InesMig@Luisão@D23@D91@Patiño@AndreRob@Messi@joni@João_O@srcbica@Max30@Throne@Dimitri@HAIRSPRAY@Pinto@Talu@Afonso@Fernando@Amorim Aquilo que o @Angel-O e o @zeferovic14 carregaram foi um grande episódio. Gostei muito! há 7 minutos, Angel-O disse: Ansioso pelos comentários e teorias (de todos) mas em especial do sempre atento @ilovetv.2008 É caso para dizer que agora sou eu quem está ansioso para perceber qual será o próximo capítulo desta história. 1 Quote
zeferovic14 Posted March 18 Author Posted March 18 há 12 minutos, ilovetv.2008 disse: É caso para dizer que agora sou eu quem está ansioso para perceber qual será o próximo capítulo desta história. Lembras-te do episódio de flashbacks que te prometi... 1 Quote
ilovetv.2008 Posted March 18 Posted March 18 agora mesmo, zeferovic14 disse: Lembras-te do episódio de flashbacks que te prometi... 'Bora lá: venham daí os Dois Irmãos e os seus flashbacks com paisagens pelo meio à la Daniel de Oliveira. 1 Quote
Angel-O Posted March 18 Posted March 18 há 9 minutos, ilovetv.2008 disse: 'Bora lá: venham daí os Dois Irmãos e os seus flashbacks com paisagens pelo meio à la Daniel de Oliveira. Quote
zeferovic14 Posted March 18 Author Posted March 18 STORMERE Temporada 1, Episódio 8 - "Dois Irmãos" EXT. FALCREST – ARREDORES – MANHÃ A névoa cobre o vale. Um jovem Hunter e Soren correm pelos campos de trigo, as gargalhadas ecoam. Soren segura uma maçã, claramente roubada; Hunter agarra o estômago de tanto rir. HUNTER (a rir): Um dia ainda nos vão enforcar! SOREN (sorriso malandro): Para isso têm de me apanhar. Caem debaixo de uma árvore, sem fôlego. O sol atravessa a névoa como uma promessa. Hunter atira uma pedrinha, fingindo repreendê-lo. HUNTER: Um dia vais ter de parar de roubar. Eu sei que a comida não é assim tanta em casa, mas… havemos de arranjar solução. Roubar não é a resposta. SOREN: Um dia vais ter de parar de te preocupar e deixar-me ir, sabes? Mas sim… percebo o que queres dizer. Sorriem. Irmãos. Opostos. Inquebráveis. MONTAGEM – OS ANOS A PASSAREM Nas escarpas fustigadas pelo Atlântico, Soren desafiava a gravidade com os dedos cravados na rocha gélida e porosa enquanto a espuma do mar lhe fustigava os calcanhares. Lá em baixo, minúsculo perante a imensidão do precipício, Hunter mantinha os pés fincados na areia húmida e os braços estendidos, uma âncora de desespero pronta para amortecer uma queda que parecia inevitável. Era um pacto silencioso: um testava os limites da morte, o outro oferecia o seu próprio corpo como último reduto de vida. O som seco da madeira contra a madeira ecoava no pátio, um ritmo imperfeito ditado pela persistência de Hunter. Soren observava, encostado a um muro em ruínas, lançando insultos mordazes e gargalhadas trocistas sobre a postura rígida do irmão. No entanto, por trás da máscara de escárnio, os olhos de Soren brilhavam com um reconhecimento sombrio e uma admiração que ele se recusava a verbalizar. Encurralados no calor sufocante da forja, Soren, Hunter e o seu pai martelavam o metal incandescente num coro de batidas metálicas que selava o destino da família. Ali, entre o fumo e a brasa, forjavam mais do que uma arma; forjavam uma unidade que o tempo se encarregaria de estilhaçar. O tão esperado dia chegou sob a forma de estandartes que fustigavam o ar como chicotes, anunciando a chegada da contenda. Os soldados, figuras de ferro e poeira, traziam consigo o recrutamento forçado e o cheiro a terra queimada. O pai, com o olhar perdido no horizonte de uma guerra que não era sua, hesitou mas o dever era uma corrente de ferro; com os ombros descaídos e o rosto subitamente envelhecido, partiu, deixando para trás o eco dos seus passos e o peso de um adeus que nunca chegou a ser dito. EXT. FALCREST – COLINA MEMORIAL – CREPÚSCULO Uma fila de cruzes de madeira balança ao vento. Hunter, agora mais velho, está junto a uma delas. Soren permanece atrás, segurando uma garrafa. SOREN: Foi lutar na guerra e morreu! Devia ter ficado connosco. Mas… (faz aspas no ar) tinha de fazer o que era certo. HUNTER: Morreu a proteger quem não se podia proteger sozinho. Foi nobre. Não guardes rancor. Ele não merecia isso. SOREN: E eu também não merecia crescer sem pai. Soren começa a afastar-se. Hunter cerra o maxilar. A discussão fervilha, não é nova. Mas desta vez, algo no olhar de Hunter endurece. Ele agarra-lhe o braço. HUNTER (nervoso): Alistei-me na guarda. Vou partir para a Guerra daqui a uns dias. SOREN (surpreendido): Claro que sim. Alguém tem de manter o legado do pai vivo, certo? Qual é o pior que pode acontecer? Perder um irmão? Isso não é nada, suponho. Hunter vira-se para ele, zangado, desapontado, desesperado. HUNTER: Podes julgar-me à vontade. Mas pelo menos estou a tentar garantir que o que nos aconteceu não acontece a mais nenhuma família. SOREN (emocionado, a gritar): E eu estou a tentar garantir que ainda tenho família amanhã! Soren afasta-se. Hunter fica preso àquelas palavras. INT. FALCREST – TABERNA – NOITE Anos depois. O lugar fervilha de vozes ruidosas. Hunter, com o casaco da guarda, está sozinho a limpar uma faca. Soren entra de rompante, com nódoas negras, mas a sorrir, algumas moedas na mão. SOREN (ligeiramente bêbedo): Ganhei umas moedas lá fora. Hoje pago eu! HUNTER: Acho que está na altura de parares de beber. Já estás podre de bêbado. SOREN: E que… raio… te importa? Vai lutar contra… coisas. Deixa-me em paz. A paciência de Hunter esgota-se. HUNTER (a gritar): Estás a destruir-te! Tu podias mesmo ter sido… SOREN (a gritar, interrompendo-o): O quê? Igual a ti? A lutar pela “boa” causa só para fingires que vales alguma coisa? Era isso que eu podia ter sido? E eu queria? Tu sabes isso? A taberna silencia-se. HUNTER (baixo): Tudo o que tu fizeste foi fugir! SOREN: E tu só sabes desperdiçar a tua vida… Quem fugiu de mim foste tu… nunca fui eu. Encaram-se, dilacerados. Soren sai antes que piore. INT. CELEIRO ANTIGO – NOITE A chuva martela o telhado. Hunter entra de rompante, encharcado e furioso. Soren está lá dentro, a fazer a mala. HUNTER: Vais embora outra vez? SOREN: Sim. Antes que me voltes a insultar e continues a tomar o partido de toda a gente menos o do teu próprio irmão. HUNTER: Isto não é sobre lados! É sobre fazer o que é certo! SOREN (explodindo): O “certo” matou o nosso pai! E vai-te matar a ti! Hunter congela. HUNTER (nervoso): Achas que eu não sei isso? SOREN (com dor na voz): Então para de tentar ser como ele. Não estás a salvar ninguém, Hunter. Estás só… a agarrar-te a ele para não aceitares que ele morreu. E, no processo, estás a perder-me. As mãos de Hunter tremem. HUNTER: Então vai embora. Se é isso que queres. Soren coloca a mala ao ombro, os olhos suavizam. SOREN: Para o que vale… nunca deixei de olhar para ti como exemplo. Só não consigo ver-te desperdiçar a vida como o pai fez. Sai. A porta bate. A chuva abafa tudo. EXT. FALCREST – COLINA – NOITE Hunter está sentado sob uma árvore. Ao longe, os estandartes de guerra ondulam. Relâmpagos rasgam o céu. Ele tira um pergaminho. A mão treme. A tinta mistura-se com a chuva. HUNTER (a escrever): “Irmão. Se encontrares isto, significa que falhei em te dizer o que devia ter dito mais cedo. Nunca foste uma desilusão para mim. Foste a razão pela qual continuei a lutar todos os dias. Vamos sempre lutar esta guerra de forma diferente. Mas lutaria ao teu lado outra vez, sem hesitar. Se o mundo e esta guerra continuar a arder, espero que arda connosco, juntos, não separados. Mantém-te vivo, Soren. Serás sempre meu irmão.” Dobra-o. Guarda-o. Olha para a tempestade. HUNTER (em lágrimas): Desculpa. CORTE PARA O PRESENTE EXT. VERITA – ACAMPAMENTO – NOITE O grupo dorme. A fogueira crepita. Hunter permanece acordado, a mesma carta nas mãos, gasta pelo tempo. Lyra mexe-se, meio acordada. LYRA (suavemente): Não consegues dormir? HUNTER: Nem por isso… só a pensar em algumas coisas. Guarda a carta, força um pequeno sorriso. HUNTER (baixinho): Só alguns arrependimentos do passado… nada de importante. Lyra sorri levemente e volta a dormir. Hunter deita-se, olhando para Soren ao lado. HUNTER (em voz baixa): Não te vou voltar a falhar, Soren. Adormece lentamente. A câmara desliza até ao rosto de Soren. Ele abre os olhos por um instante e sorri. SOREN (baixinho): Eu sei… FIM DO EPISÓDIO Spoiler @Lee@Romy@ilovetv.2008@brunooo@Angel-O@InesMig@Luisão@D23@D91@Patiño@AndreRob@Messi@joni@João_O@srcbica @Max30@Throne@Dimitri@HAIRSPRAY@Amorim@Talu@Pinto@Afonso@Fernando 5 Quote
zeferovic14 Posted March 18 Author Posted March 18 há 1 minuto, Amorim disse: Isto está mais emocionante que Terra Forte Também não é difícil 3 Quote
Amorim Posted March 18 Posted March 18 há 14 minutos, zeferovic14 disse: Também não é difícil Eu estou a ficar atrasado na história Ainda bem que tenho tudo nas "gravações" para ler mais tarde 2 2 Quote
Angel-O Posted March 18 Posted March 18 há 1 hora, zeferovic14 disse: Também não é difícil Não seja modesto! Quote
ilovetv.2008 Posted March 18 Posted March 18 há 1 hora, zeferovic14 disse: Também não é difícil Tiraste-me as palavras da boca há 1 hora, zeferovic14 disse: STORMERE Temporada 1, Episódio 8 - "Dois Irmãos" EXT. FALCREST – ARREDORES – MANHÃ A névoa cobre o vale. Um jovem Hunter e Soren correm pelos campos de trigo, as gargalhadas ecoam. Soren segura uma maçã, claramente roubada; Hunter agarra o estômago de tanto rir. HUNTER (a rir): Um dia ainda nos vão enforcar! SOREN (sorriso malandro): Para isso têm de me apanhar. Caem debaixo de uma árvore, sem fôlego. O sol atravessa a névoa como uma promessa. Hunter atira uma pedrinha, fingindo repreendê-lo. HUNTER: Um dia vais ter de parar de roubar. Eu sei que a comida não é assim tanta em casa, mas… havemos de arranjar solução. Roubar não é a resposta. SOREN: Um dia vais ter de parar de te preocupar e deixar-me ir, sabes? Mas sim… percebo o que queres dizer. Sorriem. Irmãos. Opostos. Inquebráveis. MONTAGEM – OS ANOS A PASSAREM Nas escarpas fustigadas pelo Atlântico, Soren desafiava a gravidade com os dedos cravados na rocha gélida e porosa enquanto a espuma do mar lhe fustigava os calcanhares. Lá em baixo, minúsculo perante a imensidão do precipício, Hunter mantinha os pés fincados na areia húmida e os braços estendidos, uma âncora de desespero pronta para amortecer uma queda que parecia inevitável. Era um pacto silencioso: um testava os limites da morte, o outro oferecia o seu próprio corpo como último reduto de vida. O som seco da madeira contra a madeira ecoava no pátio, um ritmo imperfeito ditado pela persistência de Hunter. Soren observava, encostado a um muro em ruínas, lançando insultos mordazes e gargalhadas trocistas sobre a postura rígida do irmão. No entanto, por trás da máscara de escárnio, os olhos de Soren brilhavam com um reconhecimento sombrio e uma admiração que ele se recusava a verbalizar. Encurralados no calor sufocante da forja, Soren, Hunter e o seu pai martelavam o metal incandescente num coro de batidas metálicas que selava o destino da família. Ali, entre o fumo e a brasa, forjavam mais do que uma arma; forjavam uma unidade que o tempo se encarregaria de estilhaçar. O tão esperado dia chegou sob a forma de estandartes que fustigavam o ar como chicotes, anunciando a chegada da contenda. Os soldados, figuras de ferro e poeira, traziam consigo o recrutamento forçado e o cheiro a terra queimada. O pai, com o olhar perdido no horizonte de uma guerra que não era sua, hesitou mas o dever era uma corrente de ferro; com os ombros descaídos e o rosto subitamente envelhecido, partiu, deixando para trás o eco dos seus passos e o peso de um adeus que nunca chegou a ser dito. EXT. FALCREST – COLINA MEMORIAL – CREPÚSCULO Uma fila de cruzes de madeira balança ao vento. Hunter, agora mais velho, está junto a uma delas. Soren permanece atrás, segurando uma garrafa. SOREN: Foi lutar na guerra e morreu! Devia ter ficado connosco. Mas… (faz aspas no ar) tinha de fazer o que era certo. HUNTER: Morreu a proteger quem não se podia proteger sozinho. Foi nobre. Não guardes rancor. Ele não merecia isso. SOREN: E eu também não merecia crescer sem pai. Soren começa a afastar-se. Hunter cerra o maxilar. A discussão fervilha, não é nova. Mas desta vez, algo no olhar de Hunter endurece. Ele agarra-lhe o braço. HUNTER (nervoso): Alistei-me na guarda. Vou partir para a Guerra daqui a uns dias. SOREN (surpreendido): Claro que sim. Alguém tem de manter o legado do pai vivo, certo? Qual é o pior que pode acontecer? Perder um irmão? Isso não é nada, suponho. Hunter vira-se para ele, zangado, desapontado, desesperado. HUNTER: Podes julgar-me à vontade. Mas pelo menos estou a tentar garantir que o que nos aconteceu não acontece a mais nenhuma família. SOREN (emocionado, a gritar): E eu estou a tentar garantir que ainda tenho família amanhã! Soren afasta-se. Hunter fica preso àquelas palavras. INT. FALCREST – TABERNA – NOITE Anos depois. O lugar fervilha de vozes ruidosas. Hunter, com o casaco da guarda, está sozinho a limpar uma faca. Soren entra de rompante, com nódoas negras, mas a sorrir, algumas moedas na mão. SOREN (ligeiramente bêbedo): Ganhei umas moedas lá fora. Hoje pago eu! HUNTER: Acho que está na altura de parares de beber. Já estás podre de bêbado. SOREN: E que… raio… te importa? Vai lutar contra… coisas. Deixa-me em paz. A paciência de Hunter esgota-se. HUNTER (a gritar): Estás a destruir-te! Tu podias mesmo ter sido… SOREN (a gritar, interrompendo-o): O quê? Igual a ti? A lutar pela “boa” causa só para fingires que vales alguma coisa? Era isso que eu podia ter sido? E eu queria? Tu sabes isso? A taberna silencia-se. HUNTER (baixo): Tudo o que tu fizeste foi fugir! SOREN: E tu só sabes desperdiçar a tua vida… Quem fugiu de mim foste tu… nunca fui eu. Encaram-se, dilacerados. Soren sai antes que piore. INT. CELEIRO ANTIGO – NOITE A chuva martela o telhado. Hunter entra de rompante, encharcado e furioso. Soren está lá dentro, a fazer a mala. HUNTER: Vais embora outra vez? SOREN: Sim. Antes que me voltes a insultar e continues a tomar o partido de toda a gente menos o do teu próprio irmão. HUNTER: Isto não é sobre lados! É sobre fazer o que é certo! SOREN (explodindo): O “certo” matou o nosso pai! E vai-te matar a ti! Hunter congela. HUNTER (nervoso): Achas que eu não sei isso? SOREN (com dor na voz): Então para de tentar ser como ele. Não estás a salvar ninguém, Hunter. Estás só… a agarrar-te a ele para não aceitares que ele morreu. E, no processo, estás a perder-me. As mãos de Hunter tremem. HUNTER: Então vai embora. Se é isso que queres. Soren coloca a mala ao ombro, os olhos suavizam. SOREN: Para o que vale… nunca deixei de olhar para ti como exemplo. Só não consigo ver-te desperdiçar a vida como o pai fez. Sai. A porta bate. A chuva abafa tudo. EXT. FALCREST – COLINA – NOITE Hunter está sentado sob uma árvore. Ao longe, os estandartes de guerra ondulam. Relâmpagos rasgam o céu. Ele tira um pergaminho. A mão treme. A tinta mistura-se com a chuva. HUNTER (a escrever): “Irmão. Se encontrares isto, significa que falhei em te dizer o que devia ter dito mais cedo. Nunca foste uma desilusão para mim. Foste a razão pela qual continuei a lutar todos os dias. Vamos sempre lutar esta guerra de forma diferente. Mas lutaria ao teu lado outra vez, sem hesitar. Se o mundo e esta guerra continuar a arder, espero que arda connosco, juntos, não separados. Mantém-te vivo, Soren. Serás sempre meu irmão.” Dobra-o. Guarda-o. Olha para a tempestade. HUNTER (em lágrimas): Desculpa. CORTE PARA O PRESENTE EXT. VERITA – ACAMPAMENTO – NOITE O grupo dorme. A fogueira crepita. Hunter permanece acordado, a mesma carta nas mãos, gasta pelo tempo. Lyra mexe-se, meio acordada. LYRA (suavemente): Não consegues dormir? HUNTER: Nem por isso… só a pensar em algumas coisas. Guarda a carta, força um pequeno sorriso. HUNTER (baixinho): Só alguns arrependimentos do passado… nada de importante. Lyra sorri levemente e volta a dormir. Hunter deita-se, olhando para Soren ao lado. HUNTER (em voz baixa): Não te vou voltar a falhar, Soren. Adormece lentamente. A câmara desliza até ao rosto de Soren. Ele abre os olhos por um instante e sorri. SOREN (baixinho): Eu sei… FIM DO EPISÓDIO Spoiler - mostrar conteúdo oculto @Lee@Romy@ilovetv.2008@brunooo@Angel-O@InesMig@Luisão@D23@D91@Patiño@AndreRob@Messi@joni@João_O@srcbica @Max30@Throne@Dimitri@HAIRSPRAY@Amorim@Talu@Pinto@Afonso@Fernando Gostei muito e acho que os flashbacks disseram presente da forma certa. Parabéns por esta dose dupla tão bonita e emotiva. JÁ VEM, QUARTA, VEM... 2 Quote
zeferovic14 Posted March 18 Author Posted March 18 (edited) há 1 hora, ilovetv.2008 disse: Tiraste-me as palavras da boca Gostei muito e acho que os flashbacks disseram presente da forma certa. Parabéns por esta dose dupla tão bonita e emotiva. JÁ VEM, QUARTA, VEM... A próxima semana, especialmente o episódio 10, serão um dos dois momentos mais explosivos desta temporada! Por alguma razão, ia ser nesse episódio que iríamos deixar o "grande gancho" para a 2a metade da temporada! O @Angel-O pode confirmar! Quero ouvir as vossas teorias todas. Especialmente as dos nossos fãs mais atentos @InesMig, @Amorim e @ilovetv.2008. Edited March 18 by zeferovic14 1 3 Quote
ilovetv.2008 Posted March 18 Posted March 18 há 21 minutos, zeferovic14 disse: A próxima semana, especialmente o episódio 10, serão um dos dois momentos mais explosivos desta temporada! Por alguma razão, ia ser nesse episódio que iríamos deixar o "grande gancho" para a 2a metade da temporada! O @Angel-O pode confirmar! Quero ouvir as vossas teorias todas. Especialmente as dos nossos fãs mais atentos @InesMig, @Amorim e @ilovetv.2008. Tanto que, depois do episódio 10, os títulos são secretos (e quem sabe, entrelaçados). Penso que vai haver ou uma morte ou uma revelação daquelas mesmo bombásticas, até porque, neste momento, a história está a querer aquecer, mas à espera do momento certo para rebentar. 1 Quote
InesMig Posted March 18 Posted March 18 Vou ler os epis de hoje PS: Já sinto saudades de giffar 3 Quote
Amorim Posted March 18 Posted March 18 Isto já parece novela da SIC com tanta promoção e especial Só falta o rodapé louco a promover a velocidade de cruzeiro 1 Quote
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