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STORMERE (NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA)

Temos notícias para partilhar convosco.

E vamos já começar a contar-vos TUDO (ou quase tudo)

A partir de amanhã, todas as semanas serão semanas de episódio duplo! E que não haverá pausa entre a 1a e a 2a parte da temporada!

Aqui vai o calendário dos restantes episódios:

Dia 18/03 - Episódio 7 - "Aquilo Que Carregamos" e Episódio 8 - "Dois Irmãos"

Dia 25/03 - Episódio 9 - "Dawnhollow" e Episódio 10 - "Ajuste de Contas"

Dia 01/04 - Episódio 11 - "??? (Título é Segredo)" e Episódio 12 - "??? (Título é Segredo)"

Dia 08/04 - Episódio 13 - "A Calma" e Episódio 14 - "??? (Título é Segredo)"

Dia 15/04 - Episódio 15 - "??? (Título é Segredo)" e Episódio 16 - "Luz do Dia" (Final de Temporada)

E acho que não vamos ficar por aqui... porque estamos aqui também para OFICIALMENTE confirmar a renovação para uma SEGUNDA TEMPORADA DE 16 EPISÓDIOS! E quando é que a 2a Temporada estreia? Dizemos só que é mais breve do que pensam e que não é "segredo" nenhum.

Viemos para ficar! :adoro:

 

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há 33 minutos, zeferovic14 disse:

É só leres em baixo que já foi revelado :riso:

Pois não caiu a tempo a minha mensagem :desastre2:

há 1 hora, zeferovic14 disse:

STORMERE (NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA)

Temos notícias para partilhar convosco.

E vamos já começar a contar-vos TUDO (ou quase tudo)

A partir de amanhã, todas as semanas serão semanas de episódio duplo! E que não haverá pausa entre a 1a e a 2a parte da temporada!

Aqui vai o calendário dos restantes episódios:

Dia 18/03 - Episódio 7 - "Aquilo Que Carregamos" e Episódio 8 - "Dois Irmãos"

Dia 25/03 - Episódio 9 - "Dawnhollow" e Episódio 10 - "Ajuste de Contas"

Dia 01/04 - Episódio 11 - "??? (Título é Segredo)" e Episódio 12 - "??? (Título é Segredo)"

Dia 08/04 - Episódio 13 - "A Calma" e Episódio 14 - "??? (Título é Segredo)"

Dia 15/04 - Episódio 15 - "??? (Título é Segredo)" e Episódio 16 - "Luz do Dia" (Final de Temporada)

E acho que não vamos ficar por aqui... porque estamos aqui também para OFICIALMENTE confirmar a renovação para uma SEGUNDA TEMPORADA DE 16 EPISÓDIOS! E quando é que a 2a Temporada estreia? Dizemos só que é mais breve do que pensam e que não é "segredo" nenhum.

Viemos para ficar! :adoro:

 

Ansioso para saber os nomes dos episódios cujo título é segredo... cheira-me que serão mega spoileiros do que aí vem.

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STORMERE

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Temporada 1, Episódio 7 - "Aquilo Que Carregamos"

EXT. VERITA – RUELA – NOITE

O céu vertia uma humidade fúnebre enquanto abafava os sons de uma metrópole que celebrava a sua própria ignorância. Entre o tilintar dos copos e o burburinho de vidas intocadas, o beco guardava o seu segredo hidrófobo. Kael regressou, movendo-se com a lentidão de quem carrega o peso de um mundo morto, e caiu de joelhos no chão.

O vermelho nas suas mãos brilhava e, à distância de um fôlego, o grupo observava, paralisado por uma cumplicidade negra. O rosto de Soren era uma máscara de fúria contida, a mandíbula rígida como se mordesse o próprio grito, enquanto Hunter oscilava, com os olhos dilatados, tentando distinguir se o que via era um assassinato ou uma necessidade terrível. O ar pesava, saturado por uma pergunta que ninguém tinha coragem de formular.

     LYRA (num tom baixinho): O que aconteceu aqui? Foi… foi um acidente… certo?

Kael não responde. A respiração treme-lhe. Fixa as mãos como se tentasse lavar algo mais profundo do que sangue.

     ALERIC: Não podemos ficar aqui. Os guardas vão aparecer e aí seremos todos presos. Não haverá hipótese para nós. Nem para ninguém.

     HUNTER (para Kael): Vamos que depois resolvemos isto. Temos de sair daqui AGORA.

Kael levanta-se lentamente, ainda atordoado. O grupo desaparece nas sombras.

EXT. VERITA – BAIRRO ANTIGO – AMANHECER

Uma luz fria atravessa as nuvens. O grupo caminha em silêncio. Kael fica para trás, olhar vazio. A tensão pesa no ar.

Passam por estátuas em ruínas e mosaicos cobertos de vegetação: vestígios de uma Verita mais antiga. Entalhes desbotados de tempestades, ondas e estrelas cadentes marcam as paredes de pedra.

     LYRA (em voz baixa, para Ariadne): Achas que estamos amaldiçoados? Em cada paragem que fizemos, aconteceu alguma coisa de mau.

     ARIADNE: Amaldiçoados? Não. Acho apenas que algo está a acontecer. Sinto tantas mudanças no plano astral, mas não consigo perceber o que tentam dizer.

     SOREN (bruto): Vamos é sair desta maldita cidade antes que sejamos nós os mortos.

Hunter lança-lhe um olhar, firme, mas não hostil.

     HUNTER: Nem sempre tens de transformar a tua dor em raiva, Soren.

     SOREN: E tu nem sempre tens de transformar a tua raiva em discursos motivacionais.

Uma pausa. Apesar de si mesmos, ambos esboçam um leve sorriso. Uma trégua frágil.

EXT. VERITA – GRANDE BIBLIOTECA – MAIS TARDE

Uma estrutura imponente de mármore rachado e hera. O grupo entra em silêncio: os sons da cidade desaparecem, substituídos por sussurros de papel e pó.

No interior, estantes elevam-se como catedrais. Os olhos de Ariadne iluminam-se.

     ARIADNE: Este lugar é o edifício mais antigo de Verita. A Grande Biblioteca.

     ALERIC (suavemente): Talvez seja aqui que finalmente descubramos para onde devemos ir.

Kael senta-se afastado, olhar perdido. Hunter repara, mas não insiste. Em vez disso, Lyra aproxima-se dele, hesitante.

     LYRA: Fizeste o que pudeste. Não te culpes. Foi um acidente.

     KAEL: Matei um homem e o resto não importa.

     LYRA: Talvez. Mas não é bem assim. Isso não deixa de ser um acidente. Já aconteceu. Agora… agora só tens de, de tentar seguir em frente…

     KAEL: É fácil falar…

Ela olha para ele. Do outro lado da biblioteca, Ariadne e Aleric analisam pergaminhos antigos. Um deles, frágil e marcado com sigilos oceânicos, chama a atenção de Ariadne.

     ARIADNE (a ler): “Onde as areias se tornam cristal e o mar reflete o céu, ali a tempestade caiu na terra pela primeira vez.”

Ergue o olhar, a compreensão a surgir.

     ALERIC: Estás a dizer que Stormfall fica junto à costa?

     ARIADNE: Não apenas junto à costa. Fica no Deserto de Cristal. Estas palavras descrevem perfeitamente a geografia. Já as estudei antes.

Soren solta um assobio baixo.

     SOREN: Parece que já temos o próximo destino.

     HUNTER (baixinho): Pelo menos desta vez sabemos para onde vamos.

EXT. VERITA – COLINA SOBRANCEIRA – PÔR DO SOL

O grupo está numa colina acima da capital. A cidade brilha em dourado lá em baixo. O mundo além estende-se vasto: possibilidades infinitas e perigos que ainda não compreendem.

Kael permanece à parte, a luz alaranjada a pintar-lhe o rosto.

     HUNTER (para Kael): Todos cometemos erros. O que importa é o que fazemos depois deles.

Kael não lhe devolve o olhar.

     KAEL: E se o que vier depois for pior?

Hunter não responde. Apenas pousa a mão no ombro dele.

À margem de tudo, Lyra vigiava com o seu fixo e impenetrável olhar. Ela sentia a traição dos próprios músculos, a incompreensão de um júbilo que não tinha nome, enquanto a frieza do que via se misturava com aquele calor súbito e inexplicável que lhe subia pelo peito.

FIM DO EPISÓDIO

 

  • Love 3
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há 25 minutos, zeferovic14 disse:

STORMERE

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Temporada 1, Episódio 7 - "Aquilo Que Carregamos"

EXT. VERITA – RUELA – NOITE

O céu vertia uma humidade fúnebre enquanto abafava os sons de uma metrópole que celebrava a sua própria ignorância. Entre o tilintar dos copos e o burburinho de vidas intocadas, o beco guardava o seu segredo hidrófobo. Kael regressou, movendo-se com a lentidão de quem carrega o peso de um mundo morto, e caiu de joelhos no chão.

O vermelho nas suas mãos brilhava e, à distância de um fôlego, o grupo observava, paralisado por uma cumplicidade negra. O rosto de Soren era uma máscara de fúria contida, a mandíbula rígida como se mordesse o próprio grito, enquanto Hunter oscilava, com os olhos dilatados, tentando distinguir se o que via era um assassinato ou uma necessidade terrível. O ar pesava, saturado por uma pergunta que ninguém tinha coragem de formular.

     LYRA (num tom baixinho): O que aconteceu aqui? Foi… foi um acidente… certo?

Kael não responde. A respiração treme-lhe. Fixa as mãos como se tentasse lavar algo mais profundo do que sangue.

     ALERIC: Não podemos ficar aqui. Os guardas vão aparecer e aí seremos todos presos. Não haverá hipótese para nós. Nem para ninguém.

     HUNTER (para Kael): Vamos que depois resolvemos isto. Temos de sair daqui AGORA.

Kael levanta-se lentamente, ainda atordoado. O grupo desaparece nas sombras.

 

EXT. VERITA – BAIRRO ANTIGO – AMANHECER

Uma luz fria atravessa as nuvens. O grupo caminha em silêncio. Kael fica para trás, olhar vazio. A tensão pesa no ar.

Passam por estátuas em ruínas e mosaicos cobertos de vegetação: vestígios de uma Verita mais antiga. Entalhes desbotados de tempestades, ondas e estrelas cadentes marcam as paredes de pedra.

     LYRA (em voz baixa, para Ariadne): Achas que estamos amaldiçoados? Em cada paragem que fizemos, aconteceu alguma coisa de mau.

     ARIADNE: Amaldiçoados? Não. Acho apenas que algo está a acontecer. Sinto tantas mudanças no plano astral, mas não consigo perceber o que tentam dizer.

     SOREN (bruto): Vamos é sair desta maldita cidade antes que sejamos nós os mortos.

Hunter lança-lhe um olhar, firme, mas não hostil.

     HUNTER: Nem sempre tens de transformar a tua dor em raiva, Soren.

     SOREN: E tu nem sempre tens de transformar a tua raiva em discursos motivacionais.

Uma pausa. Apesar de si mesmos, ambos esboçam um leve sorriso. Uma trégua frágil.

 

EXT. VERITA – GRANDE BIBLIOTECA – MAIS TARDE

Uma estrutura imponente de mármore rachado e hera. O grupo entra em silêncio: os sons da cidade desaparecem, substituídos por sussurros de papel e pó.

No interior, estantes elevam-se como catedrais. Os olhos de Ariadne iluminam-se.

     ARIADNE: Este lugar é o edifício mais antigo de Verita. A Grande Biblioteca.

     ALERIC (suavemente): Talvez seja aqui que finalmente descubramos para onde devemos ir.

Kael senta-se afastado, olhar perdido. Hunter repara, mas não insiste. Em vez disso, Lyra aproxima-se dele, hesitante.

     LYRA: Fizeste o que pudeste. Não te culpes. Foi um acidente.

     KAEL: Matei um homem e o resto não importa.

     LYRA: Talvez. Mas não é bem assim. Isso não deixa de ser um acidente. Já aconteceu. Agora… agora só tens de, de tentar seguir em frente…

     KAEL: É fácil falar…

Ela olha para ele. Do outro lado da biblioteca, Ariadne e Aleric analisam pergaminhos antigos. Um deles, frágil e marcado com sigilos oceânicos, chama a atenção de Ariadne.

     ARIADNE (a ler): “Onde as areias se tornam cristal e o mar reflete o céu, ali a tempestade caiu na terra pela primeira vez.”

Ergue o olhar, a compreensão a surgir.

     ALERIC: Estás a dizer que Stormfall fica junto à costa?

     ARIADNE: Não apenas junto à costa. Fica no Deserto de Cristal. Estas palavras descrevem perfeitamente a geografia. Já as estudei antes.

Soren solta um assobio baixo.

     SOREN: Parece que já temos o próximo destino.

     HUNTER (baixinho): Pelo menos desta vez sabemos para onde vamos.

 

EXT. VERITA – COLINA SOBRANCEIRA – PÔR DO SOL

O grupo está numa colina acima da capital. A cidade brilha em dourado lá em baixo. O mundo além estende-se vasto: possibilidades infinitas e perigos que ainda não compreendem.

Kael permanece à parte, a luz alaranjada a pintar-lhe o rosto.

     HUNTER (para Kael): Todos cometemos erros. O que importa é o que fazemos depois deles.

Kael não lhe devolve o olhar.

     KAEL: E se o que vier depois for pior?

Hunter não responde. Apenas pousa a mão no ombro dele.

À margem de tudo, Lyra vigiava com o seu fixo e impenetrável olhar. Ela sentia a traição dos próprios músculos, a incompreensão de um júbilo que não tinha nome, enquanto a frieza do que via se misturava com aquele calor súbito e inexplicável que lhe subia pelo peito.

FIM DO EPISÓDIO

 

Aquilo que o @Angel-O e o @zeferovic14 carregaram foi um grande episódio. Gostei muito!

há 7 minutos, Angel-O disse:

Ansioso pelos comentários e teorias (de todos) mas em especial do sempre atento @ilovetv.2008 :yes:

É caso para dizer que agora sou eu quem está ansioso para perceber qual será o próximo capítulo desta história. 

  • Like 1
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há 12 minutos, ilovetv.2008 disse:

É caso para dizer que agora sou eu quem está ansioso para perceber qual será o próximo capítulo desta história. 

Lembras-te do episódio de flashbacks que te prometi... :abismado4:

  • LOL 1
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agora mesmo, zeferovic14 disse:

Lembras-te do episódio de flashbacks que te prometi... :abismado4:

'Bora lá: venham daí os Dois Irmãos e os seus flashbacks com paisagens pelo meio à la Daniel de Oliveira. :adoro:

  • LOL 1
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há 9 minutos, ilovetv.2008 disse:

'Bora lá: venham daí os Dois Irmãos e os seus flashbacks com paisagens pelo meio à la Daniel de Oliveira. :adoro:

:fancy:

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STORMERE

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Temporada 1, Episódio 8 - "Dois Irmãos"

EXT. FALCREST – ARREDORES – MANHÃ

A névoa cobre o vale. Um jovem Hunter e Soren correm pelos campos de trigo, as gargalhadas ecoam. Soren segura uma maçã, claramente roubada; Hunter agarra o estômago de tanto rir.

     HUNTER (a rir): Um dia ainda nos vão enforcar!

     SOREN (sorriso malandro): Para isso têm de me apanhar.

Caem debaixo de uma árvore, sem fôlego. O sol atravessa a névoa como uma promessa. Hunter atira uma pedrinha, fingindo repreendê-lo.

     HUNTER: Um dia vais ter de parar de roubar. Eu sei que a comida não é assim tanta em casa, mas… havemos de arranjar solução. Roubar não é a resposta.

     SOREN: Um dia vais ter de parar de te preocupar e deixar-me ir, sabes? Mas sim… percebo o que queres dizer.

Sorriem. Irmãos. Opostos. Inquebráveis.

MONTAGEM – OS ANOS A PASSAREM

  • Nas escarpas fustigadas pelo Atlântico, Soren desafiava a gravidade com os dedos cravados na rocha gélida e porosa enquanto a espuma do mar lhe fustigava os calcanhares. Lá em baixo, minúsculo perante a imensidão do precipício, Hunter mantinha os pés fincados na areia húmida e os braços estendidos, uma âncora de desespero pronta para amortecer uma queda que parecia inevitável. Era um pacto silencioso: um testava os limites da morte, o outro oferecia o seu próprio corpo como último reduto de vida.
  • O som seco da madeira contra a madeira ecoava no pátio, um ritmo imperfeito ditado pela persistência de Hunter. Soren observava, encostado a um muro em ruínas, lançando insultos mordazes e gargalhadas trocistas sobre a postura rígida do irmão. No entanto, por trás da máscara de escárnio, os olhos de Soren brilhavam com um reconhecimento sombrio e uma admiração que ele se recusava a verbalizar.
  • Encurralados no calor sufocante da forja, Soren, Hunter e o seu pai martelavam o metal incandescente num coro de batidas metálicas que selava o destino da família. Ali, entre o fumo e a brasa, forjavam mais do que uma arma; forjavam uma unidade que o tempo se encarregaria de estilhaçar.
  • O tão esperado dia chegou sob a forma de estandartes que fustigavam o ar como chicotes, anunciando a chegada da contenda. Os soldados, figuras de ferro e poeira, traziam consigo o recrutamento forçado e o cheiro a terra queimada. O pai, com o olhar perdido no horizonte de uma guerra que não era sua, hesitou mas o dever era uma corrente de ferro; com os ombros descaídos e o rosto subitamente envelhecido, partiu, deixando para trás o eco dos seus passos e o peso de um adeus que nunca chegou a ser dito.

EXT. FALCREST – COLINA MEMORIAL – CREPÚSCULO

Uma fila de cruzes de madeira balança ao vento. Hunter, agora mais velho, está junto a uma delas. Soren permanece atrás, segurando uma garrafa.

     SOREN: Foi lutar na guerra e morreu! Devia ter ficado connosco. Mas… (faz aspas no ar) tinha de fazer o que era certo.

    HUNTER: Morreu a proteger quem não se podia proteger sozinho. Foi nobre. Não guardes rancor. Ele não merecia isso.

     SOREN: E eu também não merecia crescer sem pai.

Soren começa a afastar-se. Hunter cerra o maxilar. A discussão fervilha, não é nova. Mas desta vez, algo no olhar de Hunter endurece. Ele agarra-lhe o braço.

     HUNTER (nervoso): Alistei-me na guarda. Vou partir para a Guerra daqui a uns dias.

    SOREN (surpreendido): Claro que sim. Alguém tem de manter o legado do pai vivo, certo? Qual é o pior que pode acontecer? Perder um irmão? Isso não é nada, suponho.

Hunter vira-se para ele, zangado, desapontado, desesperado.

     HUNTER: Podes julgar-me à vontade. Mas pelo menos estou a tentar garantir que o que nos aconteceu não acontece a mais nenhuma família.

     SOREN (emocionado, a gritar): E eu estou a tentar garantir que ainda tenho família amanhã!

Soren afasta-se. Hunter fica preso àquelas palavras.

INT. FALCREST – TABERNA – NOITE

Anos depois. O lugar fervilha de vozes ruidosas. Hunter, com o casaco da guarda, está sozinho a limpar uma faca. Soren entra de rompante, com nódoas negras, mas a sorrir, algumas moedas na mão.

     SOREN (ligeiramente bêbedo): Ganhei umas moedas lá fora. Hoje pago eu!

     HUNTER: Acho que está na altura de parares de beber. Já estás podre de bêbado.

     SOREN: E que… raio… te importa? Vai lutar contra… coisas. Deixa-me em paz.

A paciência de Hunter esgota-se.

     HUNTER (a gritar): Estás a destruir-te! Tu podias mesmo ter sido…

     SOREN (a gritar, interrompendo-o): O quê? Igual a ti? A lutar pela “boa” causa só para fingires que vales alguma coisa? Era isso que eu podia ter sido? E eu queria? Tu sabes isso?

A taberna silencia-se.

     HUNTER (baixo): Tudo o que tu fizeste foi fugir!

     SOREN: E tu só sabes desperdiçar a tua vida… Quem fugiu de mim foste tu… nunca fui eu.

Encaram-se, dilacerados. Soren sai antes que piore.

INT. CELEIRO ANTIGO – NOITE

A chuva martela o telhado. Hunter entra de rompante, encharcado e furioso. Soren está lá dentro, a fazer a mala.

     HUNTER: Vais embora outra vez?

     SOREN: Sim. Antes que me voltes a insultar e continues a tomar o partido de toda a gente menos o do teu próprio irmão.

     HUNTER: Isto não é sobre lados! É sobre fazer o que é certo!

     SOREN (explodindo): O “certo” matou o nosso pai! E vai-te matar a ti!

Hunter congela.

     HUNTER (nervoso): Achas que eu não sei isso?

     SOREN (com dor na voz): Então para de tentar ser como ele. Não estás a salvar ninguém, Hunter. Estás só… a agarrar-te a ele para não aceitares que ele morreu. E, no processo, estás a perder-me.

As mãos de Hunter tremem.

     HUNTER: Então vai embora. Se é isso que queres.

Soren coloca a mala ao ombro, os olhos suavizam.

     SOREN: Para o que vale… nunca deixei de olhar para ti como exemplo. Só não consigo ver-te desperdiçar a vida como o pai fez.

Sai. A porta bate. A chuva abafa tudo.

EXT. FALCREST – COLINA – NOITE

Hunter está sentado sob uma árvore. Ao longe, os estandartes de guerra ondulam. Relâmpagos rasgam o céu.

Ele tira um pergaminho. A mão treme. A tinta mistura-se com a chuva.

     HUNTER (a escrever): “Irmão. Se encontrares isto, significa que falhei em te dizer o que devia ter dito mais cedo. Nunca foste uma desilusão para mim. Foste a razão pela qual continuei a lutar todos os dias. Vamos sempre lutar esta guerra de forma diferente. Mas lutaria ao teu lado outra vez, sem hesitar. Se o mundo e esta guerra continuar a arder, espero que arda connosco, juntos, não separados. Mantém-te vivo, Soren. Serás sempre meu irmão.”

Dobra-o. Guarda-o. Olha para a tempestade.

     HUNTER (em lágrimas): Desculpa.

CORTE PARA O PRESENTE

EXT. VERITA – ACAMPAMENTO – NOITE

O grupo dorme. A fogueira crepita. Hunter permanece acordado, a mesma carta nas mãos, gasta pelo tempo.

Lyra mexe-se, meio acordada.

     LYRA (suavemente): Não consegues dormir?

     HUNTER: Nem por isso… só a pensar em algumas coisas.

Guarda a carta, força um pequeno sorriso.

     HUNTER (baixinho): Só alguns arrependimentos do passado… nada de importante.

Lyra sorri levemente e volta a dormir. Hunter deita-se, olhando para Soren ao lado.

     HUNTER (em voz baixa): Não te vou voltar a falhar, Soren.

Adormece lentamente. A câmara desliza até ao rosto de Soren. Ele abre os olhos por um instante e sorri.

     SOREN (baixinho): Eu sei…

FIM DO EPISÓDIO

  • Love 5
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há 14 minutos, zeferovic14 disse:

Também não é difícil :riso:

Eu estou a ficar atrasado na história :maquinadaverdade:

Ainda bem que tenho tudo nas "gravações" para ler mais tarde :adoro:

  • Love 2
  • LOL 2
Posted
há 1 hora, zeferovic14 disse:

Também não é difícil :riso:

Tiraste-me as palavras da boca

há 1 hora, zeferovic14 disse:

STORMERE

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Temporada 1, Episódio 8 - "Dois Irmãos"

EXT. FALCREST – ARREDORES – MANHÃ

A névoa cobre o vale. Um jovem Hunter e Soren correm pelos campos de trigo, as gargalhadas ecoam. Soren segura uma maçã, claramente roubada; Hunter agarra o estômago de tanto rir.

     HUNTER (a rir): Um dia ainda nos vão enforcar!

     SOREN (sorriso malandro): Para isso têm de me apanhar.

Caem debaixo de uma árvore, sem fôlego. O sol atravessa a névoa como uma promessa. Hunter atira uma pedrinha, fingindo repreendê-lo.

     HUNTER: Um dia vais ter de parar de roubar. Eu sei que a comida não é assim tanta em casa, mas… havemos de arranjar solução. Roubar não é a resposta.

     SOREN: Um dia vais ter de parar de te preocupar e deixar-me ir, sabes? Mas sim… percebo o que queres dizer.

Sorriem. Irmãos. Opostos. Inquebráveis.

 

MONTAGEM – OS ANOS A PASSAREM

  • Nas escarpas fustigadas pelo Atlântico, Soren desafiava a gravidade com os dedos cravados na rocha gélida e porosa enquanto a espuma do mar lhe fustigava os calcanhares. Lá em baixo, minúsculo perante a imensidão do precipício, Hunter mantinha os pés fincados na areia húmida e os braços estendidos, uma âncora de desespero pronta para amortecer uma queda que parecia inevitável. Era um pacto silencioso: um testava os limites da morte, o outro oferecia o seu próprio corpo como último reduto de vida.
  • O som seco da madeira contra a madeira ecoava no pátio, um ritmo imperfeito ditado pela persistência de Hunter. Soren observava, encostado a um muro em ruínas, lançando insultos mordazes e gargalhadas trocistas sobre a postura rígida do irmão. No entanto, por trás da máscara de escárnio, os olhos de Soren brilhavam com um reconhecimento sombrio e uma admiração que ele se recusava a verbalizar.
  • Encurralados no calor sufocante da forja, Soren, Hunter e o seu pai martelavam o metal incandescente num coro de batidas metálicas que selava o destino da família. Ali, entre o fumo e a brasa, forjavam mais do que uma arma; forjavam uma unidade que o tempo se encarregaria de estilhaçar.
  • O tão esperado dia chegou sob a forma de estandartes que fustigavam o ar como chicotes, anunciando a chegada da contenda. Os soldados, figuras de ferro e poeira, traziam consigo o recrutamento forçado e o cheiro a terra queimada. O pai, com o olhar perdido no horizonte de uma guerra que não era sua, hesitou mas o dever era uma corrente de ferro; com os ombros descaídos e o rosto subitamente envelhecido, partiu, deixando para trás o eco dos seus passos e o peso de um adeus que nunca chegou a ser dito.

 

EXT. FALCREST – COLINA MEMORIAL – CREPÚSCULO

Uma fila de cruzes de madeira balança ao vento. Hunter, agora mais velho, está junto a uma delas. Soren permanece atrás, segurando uma garrafa.

     SOREN: Foi lutar na guerra e morreu! Devia ter ficado connosco. Mas… (faz aspas no ar) tinha de fazer o que era certo.

    HUNTER: Morreu a proteger quem não se podia proteger sozinho. Foi nobre. Não guardes rancor. Ele não merecia isso.

     SOREN: E eu também não merecia crescer sem pai.

Soren começa a afastar-se. Hunter cerra o maxilar. A discussão fervilha, não é nova. Mas desta vez, algo no olhar de Hunter endurece. Ele agarra-lhe o braço.

     HUNTER (nervoso): Alistei-me na guarda. Vou partir para a Guerra daqui a uns dias.

    SOREN (surpreendido): Claro que sim. Alguém tem de manter o legado do pai vivo, certo? Qual é o pior que pode acontecer? Perder um irmão? Isso não é nada, suponho.

Hunter vira-se para ele, zangado, desapontado, desesperado.

     HUNTER: Podes julgar-me à vontade. Mas pelo menos estou a tentar garantir que o que nos aconteceu não acontece a mais nenhuma família.

     SOREN (emocionado, a gritar): E eu estou a tentar garantir que ainda tenho família amanhã!

Soren afasta-se. Hunter fica preso àquelas palavras.

 

INT. FALCREST – TABERNA – NOITE

Anos depois. O lugar fervilha de vozes ruidosas. Hunter, com o casaco da guarda, está sozinho a limpar uma faca. Soren entra de rompante, com nódoas negras, mas a sorrir, algumas moedas na mão.

     SOREN (ligeiramente bêbedo): Ganhei umas moedas lá fora. Hoje pago eu!

     HUNTER: Acho que está na altura de parares de beber. Já estás podre de bêbado.

     SOREN: E que… raio… te importa? Vai lutar contra… coisas. Deixa-me em paz.

A paciência de Hunter esgota-se.

     HUNTER (a gritar): Estás a destruir-te! Tu podias mesmo ter sido…

     SOREN (a gritar, interrompendo-o): O quê? Igual a ti? A lutar pela “boa” causa só para fingires que vales alguma coisa? Era isso que eu podia ter sido? E eu queria? Tu sabes isso?

A taberna silencia-se.

     HUNTER (baixo): Tudo o que tu fizeste foi fugir!

     SOREN: E tu só sabes desperdiçar a tua vida… Quem fugiu de mim foste tu… nunca fui eu.

Encaram-se, dilacerados. Soren sai antes que piore.

 

INT. CELEIRO ANTIGO – NOITE

A chuva martela o telhado. Hunter entra de rompante, encharcado e furioso. Soren está lá dentro, a fazer a mala.

     HUNTER: Vais embora outra vez?

     SOREN: Sim. Antes que me voltes a insultar e continues a tomar o partido de toda a gente menos o do teu próprio irmão.

     HUNTER: Isto não é sobre lados! É sobre fazer o que é certo!

     SOREN (explodindo): O “certo” matou o nosso pai! E vai-te matar a ti!

Hunter congela.

     HUNTER (nervoso): Achas que eu não sei isso?

     SOREN (com dor na voz): Então para de tentar ser como ele. Não estás a salvar ninguém, Hunter. Estás só… a agarrar-te a ele para não aceitares que ele morreu. E, no processo, estás a perder-me.

As mãos de Hunter tremem.

     HUNTER: Então vai embora. Se é isso que queres.

Soren coloca a mala ao ombro, os olhos suavizam.

     SOREN: Para o que vale… nunca deixei de olhar para ti como exemplo. Só não consigo ver-te desperdiçar a vida como o pai fez.

Sai. A porta bate. A chuva abafa tudo.

 

EXT. FALCREST – COLINA – NOITE

Hunter está sentado sob uma árvore. Ao longe, os estandartes de guerra ondulam. Relâmpagos rasgam o céu.

Ele tira um pergaminho. A mão treme. A tinta mistura-se com a chuva.

     HUNTER (a escrever): “Irmão. Se encontrares isto, significa que falhei em te dizer o que devia ter dito mais cedo. Nunca foste uma desilusão para mim. Foste a razão pela qual continuei a lutar todos os dias. Vamos sempre lutar esta guerra de forma diferente. Mas lutaria ao teu lado outra vez, sem hesitar. Se o mundo e esta guerra continuar a arder, espero que arda connosco, juntos, não separados. Mantém-te vivo, Soren. Serás sempre meu irmão.”

Dobra-o. Guarda-o. Olha para a tempestade.

     HUNTER (em lágrimas): Desculpa.

 

CORTE PARA O PRESENTE

EXT. VERITA – ACAMPAMENTO – NOITE

O grupo dorme. A fogueira crepita. Hunter permanece acordado, a mesma carta nas mãos, gasta pelo tempo.

Lyra mexe-se, meio acordada.

     LYRA (suavemente): Não consegues dormir?

     HUNTER: Nem por isso… só a pensar em algumas coisas.

Guarda a carta, força um pequeno sorriso.

     HUNTER (baixinho): Só alguns arrependimentos do passado… nada de importante.

Lyra sorri levemente e volta a dormir. Hunter deita-se, olhando para Soren ao lado.

     HUNTER (em voz baixa): Não te vou voltar a falhar, Soren.

Adormece lentamente. A câmara desliza até ao rosto de Soren. Ele abre os olhos por um instante e sorri.

     SOREN (baixinho): Eu sei…

FIM DO EPISÓDIO

Gostei muito e acho que os flashbacks disseram presente da forma certa. Parabéns por esta dose dupla tão bonita e emotiva.

JÁ VEM, QUARTA, VEM... :dog:

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Posted (edited)
há 1 hora, ilovetv.2008 disse:

Tiraste-me as palavras da boca

Gostei muito e acho que os flashbacks disseram presente da forma certa. Parabéns por esta dose dupla tão bonita e emotiva.

JÁ VEM, QUARTA, VEM... :dog:

A próxima semana, especialmente o episódio 10, serão um dos dois momentos mais explosivos desta temporada! Por alguma razão, ia ser nesse episódio que iríamos deixar o "grande gancho" para a 2a metade da temporada! O @Angel-O pode confirmar!

Quero ouvir as vossas teorias todas. Especialmente as dos nossos fãs mais atentos @InesMig, @Amorim e @ilovetv.2008.

Edited by zeferovic14
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Posted
há 21 minutos, zeferovic14 disse:

A próxima semana, especialmente o episódio 10, serão um dos dois momentos mais explosivos desta temporada! Por alguma razão, ia ser nesse episódio que iríamos deixar o "grande gancho" para a 2a metade da temporada! O @Angel-O pode confirmar!

Quero ouvir as vossas teorias todas. Especialmente as dos nossos fãs mais atentos @InesMig, @Amorim e @ilovetv.2008.

Tanto que, depois do episódio 10, os títulos são secretos (e quem sabe, entrelaçados). :adoro:

Penso que vai haver ou uma morte ou uma revelação daquelas mesmo bombásticas, até porque, neste momento, a história está a querer aquecer, mas à espera do momento certo para rebentar. :clink:

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