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há 21 minutos, zeferovic14 disse:

Então, quais as vossas opiniões sobre os primeiros três episódios?

Muito bons. Consigo imaginar isto a dar num canal temático de séries, estilo AXN, AMC ou mesmo STAR! :adoro:

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STORMERE

PfU58PI.png

Temporada 1, Episódio 4 - "O Cavaleiro, A Feiticeira & A Ladra"

EXT. ENCOSTA DA MONTANHA – NOITE

Está uma noite de chuva. Uma fogueira, que mal se aguenta acesa, luta contra o vento. O grupo está sentado em silêncio, ainda marcado pelo confronto com o culto do Véu Cinzento. Sem palavras. Apenas exaustão.

Hunter remexe nas brasas, enquanto o Kael afia uma lâmina. Ninguém olha para ninguém.

A mão de Aleric, outrora firme como a rocha, traía-o agora com um tremor convulso e rítmico. Ao baixar o olhar para o aço frio da lâmina, não viu apenas uma arma; viu o seu próprio reflexo fragmentado. Naquela superfície polida o peso da arma tornava-se, a cada segundo, o peso de uma condenação eterna.

CORTE BRUSCO PARA O TÍTULO: STORMERE

Capítulo I: O CAVALEIRO

EXT. PÁTIO DO CASTELO – ANOS ANTES – DIA

A luz do sol pinta de dourado as armaduras reluzentes dos cavaleiros. Aleric está entre outros cavaleiros. O estandarte da Coroa Vermelha abana ao vento sobre eles.

     CAPITÃO LARS (voz poderosa): Vocês juraram servir o reino de Valenrith! Protegê-lo, até de vocês próprios! É bom que me deixem orgulhoso agora que são… Cavaleiros da Corte Vermelha!

Aleric olha para o capitão com orgulho, mas depois lança um olhar para uma varanda acima do pátio, onde uma jovem princesa o observa com confiança e admiração.

INT. SALA DO TRONO – MAIS TARDE

Aleric ajoelha-se perante o Rei Aldric, rei da Coroa Vermelha. A armadura de Aleric ainda está com marcas de uma batalha recente.

      REI ALDRIC: Aleric, tu foste visto a atacar um grupo de civis, desafiando a minha ordem de apenas conter a multidão e não de atacar!

Aleric ergue o olhar.

     ALERIC: Eu...

     REI ALDRIC: Negas estas acusações?

     ALERIC: Não… não nego.

Uma pausa. O Rei Aldric parece magoado a dizer as próximas palavras.

     REI ALDRIC: Aleric Redart. Estás expulso da Ordem dos Cavaleiros da Corte Vermelha. E… estás banido do reino de Valenrith. Tens até a meia-noite para sair do reino. E se algum dia voltares… serás executado!

A espada é-lhe retirada. O selo real é arrancado da armadura.

A princesa tenta correr para ele, mas os guardas seguram-na.

Aleric olha para ela com o olhar coberto em lágrimas e sai da sala.

REGRESSO AO PRESENTE

A fogueira tenta se manter viva. Aleric pisca os olhos, de volta ao presente. Limpa a lâmina. Uma lágrima escorre-lhe pelo rosto mas ninguém repara.

O silêncio mantém-se entre o grupo.

Ariadne está a olhar para as suas mãos e foca-se numa cicatriz que têm na mão direita.

Capítulo II: A FEITICEIRA

EXT. TORRE ABANDONADA – ANOS ANTES – CREPÚSCULO

Ariadne está diante de um círculo mágico. As mãos brilham com magia violeta. Livros flutuam à sua volta. A magia vibra no ar.

Uma voz interrompe-a.

     VOZ: Já sabes que não devias a andar a praticar magia à vista de todos…

Ela vira-se. Um velho mago, o seu mentor, emerge das sombras.

     ARIADNE: Eu garanti que não havia aqui ninguém por perto.

      MENTOR (amargo): É demasiado arriscado. Anda, vamos para dentro. Agora.

INT. PRAÇA DA ALDEIA – NOITE

Tochas iluminam a noite escura. Gritos ouvem-se pela praça inteira. Ariadne enfrenta um grupo de aldeões enfurecidos. O mestre de Ariadne está amarrado a uma estaca.

     ALDEÃO: Estes dois são leitores das estrelas. Vão-nos matar a todos. QUEIMEM AMBOS O QUANTO ANTES!

O mentor olha para ela, sem raiva alguma, apenas resignação.

     MENTOR (suave): Foge, Ariadne. Vive.

Ariadne não se mexe. As chamas sobem e vão em direção às suas mãos. Magia violeta começa a acumular-se nas suas palmas até que a magia explode, uma onda de energia incontrolável e tudo fica branco. Quando a luz desaparece os aldeões estão imóveis. Pávidos e serenos… mas mortos. O fogo apagou-se. A praça inteira desapareceu e só restam cinzas.

Ela olha para as próprias mãos. Massacrou uma aldeia inteira, incluindo o seu próprio mentor.

REGRESSO AO PRESENTE

Ariadne está sentada sozinha. Os dedos seguem o brilho violeta nas suas palmas. Uma lágrima desliza-lhe pelo rosto.

Lyra observa-a, com um olhar suave. Não se aproxima.

Lyra desvia o olhar e foca-se num medalhão preso na cintura.

Capítulo III: A LADRA

EXT. TELHADOS DA CIDADE – ANOS ANTES – NOITE

Lyra corre pelos telhados de uma cidade, a rir, enquanto um grupo de guardas grita nas ruas abaixo. Um saco de moedas roubadas abana no cinto de Lyra.

Ela salta para o último telhado da rua, aterrando junto de uma criança escondida atrás de uma chaminé.

     CRIANÇA: Conseguiste o saco?

     LYRA (sorriso largo): É claro que consegui. Vamos ter jantar para uma semana. Talvez duas.

Atira-lhe as moedas. A criança sorri, radiante.

INT. BECO – MAIS TARDE

Lyra entra numa cabana abandonada. A criança dorme à luz de uma vela. Lyra cobre-a com um cobertor… e repara num cartaz de procurada amarrotado na parede.

É a sua cara que está no cartaz.

E em baixo da sua foto escrito… Recompensa: Morta ou viva.

O sorriso desaparece.

EXT. PORTÕES DA CIDADE – AMANHECER

Uma muralha de ferro e desprezo erguia-se à frente de Lyra. Os guardas, figuras escondidas por elmos gélidos, selavam a única saída com uma finalidade absoluta. O som do aço contra o chão de pedra ecoou como o bater da tampa de um caixão. Quando Lyra se virou, o fôlego fugiu-lhe dos pulmões: do outro lado daquele bloqueio intransponível, a criança estendia as mãos, o rosto lavado num pranto silencioso e terrível. Estavam separados não apenas por homens, mas por um abismo de crueldade que nenhuma súplica poderia atravessar.

              GUARDA: Ela entregou-te, ladra. Acabou e não vale a pena negares.

Lyra encara a criança, com uma cara de choque e corre.

Ela tenta lutar contra os guardas, rápida, precisa, desesperada. Mas são demasiados.

Derrubam-na. Algemas fecham-se nos pulsos. A criança desvia o olhar.

INT. CELA – NOITE

Lyra senta-se na escuridão, ferida, a olhar a luz da lua através das grades.

Tira um medalhão do bolso. Um pequeno desenho dela e da criança.

Rasgado ao meio.

Ri-se em silêncio.

     LYRA (sussurro): Acho que não a posso culpar. Eu teria feito o mesmo.

REGRESSO AO PRESENTE

A fogueira arde baixo. A chuva parou, mas a noite ainda agora começou.

Aleric, Ariadne e Lyra permanecem em silêncio, os seus “fantasmas” sentados ao lado deles.

Kael afia a sua lâmina. Hunter observa o céu. Soren, pela primeira vez, não tem uma piada preparada.

     SOREN (baixo): …Estas últimas noites foram loucas para ser sincero. Não contava com um culto desvairado nos nossos primeiros dias de caminho nem com nada do que temos enfrentado.

Um pequeno momento de quase-riso entre eles sucede.

     ARIADNE (enquanto observava, de forma pensativa, as estrelas): Talvez seja isto que o Stormfall realmente é. Não um lugar. Não um tesouro. Apenas a esperança de que estas jornadas possam unir pessoas como nós.

     KAEL (murmurando): Então é melhor rezarmos para que o Nox nunca nos encontre. Porque tenho a certeza que ele vai querer devorar-te toda essa esperança.

Um vento frio atravessa o acampamento. As chamas oscilam. Por um segundo, o fumo forma um rosto a observar.

FIM DO EPISÓDIO

 

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Acabei de ler agora

Gostei, porque 

Spoiler

falou do passado de algumas personagens. É bom para perceber o motivo das suas personalidades e o porquê de irem atrás do Stormfall

Custa-me é que apenas um epi por semana

Por isso é que as séries da TV eu apenas vejo quando todos os epi são disponibilizados

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há 2 horas, InesMig disse:

Acabei de ler agora

Gostei, porque 

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falou do passado de algumas personagens. É bom para perceber o motivo das suas personalidades e o porquê de irem atrás do Stormfall

Custa-me é que apenas um epi por semana

Por isso é que as séries da TV eu apenas vejo quando todos os epi são disponibilizados

@zeferovic14 não podemos ter ep. duplo? :suspeito:

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há 35 minutos, zeferovic14 disse:

Amanhã, TEMOS EPISÓDIO DUPLO! Episódio 5 "Destino" e Episódio 6 "A Capital" vão estar disponíveis amanhã.

E será que ficamos por aqui? :pinderica:
Fiquem atentos :clink:

:adoro:

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há 52 minutos, zeferovic14 disse:

Amanhã, TEMOS EPISÓDIO DUPLO! Episódio 5 "Destino" e Episódio 6 "A Capital" vão estar disponíveis amanhã.

E será que ficamos por aqui? :pinderica:
Fiquem atentos :clink:

Ui... vem best off ou plot twist plus episódio duplo (e sem flashbacks)! :adoro:

Vocês estão mesmo umas mãos largas e nós agardecemos por isso. :clap:

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há 9 minutos, ilovetv.2008 disse:

Ui... vem best off ou plot twist plus episódio duplo (e sem flashbacks)! :adoro:

Vocês estão mesmo umas mãos largas e nós agardecemos por isso. :clap:

Posso confirmar que ainda teremos um episódio de flashback até ao final da 1a Parte da Temporada :mico:

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agora mesmo, zeferovic14 disse:

Posso confirmar que ainda teremos um episódio de flashback até ao final da 1a Parte da Temporada :mico:

Sai, Daniel Oliveira, sai e não faças barulho... :dog:

Queremos o @zeferovic14 imparcial, pleno e enérgico do BB aTV e do lançamento da Stormere, mas sem quaisquer flashbacks... :rezando:

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há 1 minuto, ilovetv.2008 disse:

Sai, Daniel Oliveira, sai e não faças barulho... :dog:

Queremos o @zeferovic14 imparcial, pleno e enérgico do BB aTV e do lançamento da Stormere, mas sem quaisquer flashbacks... :rezando:

Mas são flashbacks importantes para a história. Não vamos andar a repetir cenas de episódios antigos tipo Daniel Oliveira. Todas as personagens irão ter o seu "momento flashback"!

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agora mesmo, zeferovic14 disse:

Mas são flashbacks importantes para a história. Não vamos andar a repetir cenas de episódios antigos tipo Daniel Oliveira. Todas as personagens irão ter o seu "momento flashback"!

Ah ok, fico mais descansado... tenham, ao menos, cuidado para não meter o Soren a recordar de cenas que lhe são completamente alheias. :mosking:

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há 1 minuto, ilovetv.2008 disse:

Ah ok, fico mais descansado... tenham, ao menos, cuidado para não meter o Soren a recordar de cenas que lhe são completamente alheias. :mosking:

Só vos digo isto: muita atenção ao Episódio 5, é um dos episódios mais importantes de toda a série! :adoro:
 

E pensem positivo, depois de amanhã, ainda temos mais 10 episódios desta 1a Temporada para encher as vossas cabeças de teorias. Espero bem que amanhã estejam prontos para lançar 1001 teorias novas!

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agora mesmo, zeferovic14 disse:

Só vos digo isto: muita atenção ao Episódio 5, é um dos episódios mais importantes de toda a série! :adoro:
 

E pensem positivo, depois de amanhã, ainda temos mais 10 episódios desta 1a Temporada para encher as vossas cabeças de teorias. Espero bem que amanhã estejam prontos para lançar 1001 teorias novas!

Então, não estamos? :abismado4:

Mais que prontos, prontíssimos! :clap:

Venha daí a dose dupla de Stormere e os próximos 10 capítulos e todos os que seguir-se-ão a estes! :adoro:

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agora mesmo, ilovetv.2008 disse:

Então, não estamos? :abismado4:

Mais que prontos, prontíssimos! :clap:

Venha daí a dose dupla de Stormere e os próximos 10 capítulos e todos os que seguir-se-ão a estes! :adoro:

:adoro:

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STORMERE

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Temporada 1, Episódio 5 - "Destino"

EXT. ARREDORES DE VERITA (CAPITAL DE STORMERE) – ANOITECER

O nevoeiro espalha-se pelo vale. Ao longe, a silhueta ténue das altas torres de Verita, a capital do reino, com luzes douradas a cintilar através do pesado nevoeiro.

O grupo avança lentamente por um trilho coberto de lama. Os corpos estão mais pesados que outrora, pesados pela fadiga mas não o suficiente para parar. Os seus olhos estão firmes num propósito que ultrapassa o cansaço e onde cada passo é uma luta contra o peso da terra e o desalento.

      SOREN (com um meio sorriso): Quase lá. Civilização. Finalmente vamos comer comida que não sabe a terra. Nem acredito!

     LYRA (de forma irónica): Não gostaste do “guisado magicamente melhorado” da Ariadne?

     ARIADNE (seca): Meh… Era mais ou menos comestível…

     HUNTER (mais baixo): Calma que ainda não chegamos lá. Nada foi fácil desde que saímos de casa. Não celebrem antes do momento certo.

Kael para de repente a observar o horizonte. Os olhos fixam-se numa cabana torta, meio escondida no nevoeiro cerrado.

     KAEL: Aquela cabana pode ter comida ou água. Vale a pena pararmos e perguntar, ou não?

     ALERIC: Deve ser um posto de vigia. De certeza que têm rações para partilhar. Vamos lá!

EXT. CABANA – NOITE

A cabana parece esquecida, quase engolida por musgo e ervas. Uma luz ténue de uma vela brilha através das janelas deformadas.

A porta range e abre-se antes que alguém bata.

     VOZ: Vieram de longe, mas o caminho que vos espera exigirá mais do que força. Entrem. Vejam o que o futuro vos reserva.

     ALERIC: Okay… afinal não é um posto de vigia. Parece uma daquelas casas de adivinhação.

O grupo troca olhares desconfiados.

     SOREN: Vamos entrar. Qual é o pior que pode acontecer?

Entram.

INT. CABANA – CONTÍNUO

O pó dança à luz das velas. Prateleiras repletas de frascos com ervas, ossos e mapas estelares.

Uma mulher senta-se atrás de uma mesa coberta com pano prateado, a VIDENTE. Os olhos estão esbranquiçados. A expressão dela é calma.

     VIDENTE: Sentem-se. Todos. Os fios do destino já esperaram tempo suficiente.

O grupo hesita… depois forma um círculo. Ela passa as mãos sobre cartas e pedras diante de si.

     VIDENTE (para Soren): Escondes o coração atrás do riso, jovem. Mas o sonho e a aventura que persegues custar-te-á tudo.

O sorriso de Soren vacila.

     VIDENTE (para Lyra): Roubas o que precisas para sobreviver. Mas o amor verdadeiro será roubado de ti em troca.

Lyra mexe-se, desconfortável. Hunter olha para ela.

     VIDENTE (para Hunter): A tua bondade é a tua maior qualidade, mas será a tua maldição. A mão que estendes será a primeira a sangrar.

O maxilar de Hunter endurece.

     VIDENTE (para Ariadne): Os mortos sussurram o teu nome, feiticeira. Em breve, falarão mais alto e exigirão respostas.

Os olhos de Ariadne arregalam-se, quase impercetivelmente.

     VIDENTE (para Aleric): Carregas fantasmas enrolados nessa espada de aço. O passado de que foges vai erguer-se e quando isso acontecer, vais trair tudo o que amas.

Aleric não reage, mas a mão aperta o punho da espada.

     VIDENTE (para Kael): E tu, alma perdida. O teu destino está envolto em nevoeiro. Mas no fim de tudo conseguirás o que queres. Cada mentira. Cada ferida. Cada morte. Tudo valerá a pena.

A expressão de Kael escurece.

A vidente expira, exausta, como se a própria profecia lhe tivesse tirado a força.

     VIDENTE (fraca): Agora vão. As estrelas estão a mudar. A capital espera por vocês… e o vosso destino também.

EXT. CABANA – MAIS TARDE

O grupo sai em silêncio. Apenas ouve-se o vento.

Lyra caminha ao lado de Hunter. Trocam olhares furtivos.

     LYRA (suave, provocadora): Parece que estás condenado a morrer por seres demasiado simpático. Que trágico.

     HUNTER (meio sorriso): Há formas piores de morrer. Ajudar-te a ti, ao Soren e ao resto do grupo… não me parece uma má maneira de morrer.

Ela olha para ele, surpreendida pela sinceridade… e desvia o olhar.

     SOREN (à frente, a chamar): Parem de namoriscar e mexam-se! Ainda temos uma cidade para alcançar se queremos chegar lá hoje. E prefiro não voltar a ver o meu irmão a tentar “flirtar”. Foi doloroso de se ver.

Todos se riem e avançam lentamente pelo espesso nevoeiro. Ao longe as torres de Verita erguem-se como miragens de luz. Belas na sua imponência mas carregadas de um mistério que inquieta até os corações mais firmes. À medida que as suas figuras se desfazem na bruma, as luzes da cabana extinguem-se, uma após outra, como se o próprio lugar respirasse o fim de um presságio. Lá dentro, a cadeira da vidente continua vazia.

Apenas a voz permanece, ténue, quase levada pelo vento:

     VIDENTE: O destino não mente e ele está a chegar.

FIM DO EPISÓDIO

O 6º Episódio ainda sai HOJE! Até lá, deixem as vossas teorias deste episódio!

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STORMERE

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Temporada 1, Episódio 6 - "A Capital"

EXT. VERITA – MANHÃ

A luz do sol corta o nevoeiro. A cidade estende-se lá em baixo, torres de mármore pálido, ruas que serpenteiam como veias, estandartes a ondular nas muralhas altas. Verita vibra com vida: vendedores a gritar, sinos a tocar, fumo a erguer-se de padarias e forjas.

O grupo está num vale a observar tudo atentamente.

     SOREN (a sorrir): Bem, isto não parece um culto da morte. Já estou impressionado.

     LYRA (com um meio sorriso): Dá-lhe tempo. As cidades têm os seus próprios tipos de cultos.

     HUNTER: E, parecendo que não, isto sempre é melhor do que dormir na rua…

     KAEL (em voz baixa): Não fales cedo demais porque a experiência diz-me que não é tudo tão linear quanto nos parece.

A equipa segue em direção aos portões.

INT. VERITA – DISTRITO DO MERCADO – DIA

Agitação. Música. O cheiro a fruta assada e metal quente.

Lyra desliza pela multidão com facilidade, apanhando uma maçã de um carrinho sem que ninguém repare. Atira-a a Hunter.

     LYRA: Não te preocupes, Senhor Sempre Correto. Estou só a pedir “emprestada”. Um dia volto e deixo o dinheiro. Eu aponto tudo o que alguma vez roubei.

     HUNTER (a sorrir): Agora roubas maçãs? Isso é um novo nível, mesmo para ti.

     LYRA: Não consigo proteger os meus amigos de estômago vazio.

Caminham lado a lado, a rir, mais próximos do que nunca. Ariadne observa atrás, escondendo um pequeno sorriso.

EXT. VERITA – PRAÇA DA FONTE – TARDE

O grupo para junto a uma fonte enorme, esculpida com símbolos dos deuses. A água brilha como prata.

     ARIADNE (a estudá-la): Estas inscrições… são anteriores à fundação do Reino. Esta cidade é mais antiga do que a maioria das coisas nesta região.

     ALERIC (seco): Uau, que informação interessante.

      SOREN (recostando-se): Palavras dignas de um verdadeiro filósofo. Experimenta sorrir de vez em quando, Aleric.

     ALERIC (sem olhar): Experimenta ser útil de vez em quando, Soren.

Kael solta uma gargalhada baixa, quase surpresa. Os outros olham para ele; é a primeira vez que o ouvem rir.

     LYRA (a provocar): Tu acabaste de te… rir?

     KAEL: Não te habitues. Mas essa foi boa demais para deixar passar.

Todos se riem.

INT. VERITA – TAVERNA – NOITE

Luz quente, gargalhadas, canecas a tilintar. Finalmente, o grupo relaxa.

Lyra e Hunter estão sentados junto ao balcão envolvidos numa luz morna que suaviza o tempo à sua volta. Ela, com um brilho leve nos olhos e um sorriso que nasce sem esforço, ergue a caneca e toca na dele num gesto espontâneo… quase infantil. Há algo na forma como o riso dela ecoa.

     LYRA: Já pensaste no que vais fazer depois disto?

     HUNTER: Depois de?

     LYRA: Depois de chegarmos a Stormfall é claro!

     HUNTER (bebe um gole de cerveja): Talvez abra uma forja. Vida simples. Não estou nisto por riqueza ou fama, só quero ajudar o meu irmão.

     LYRA (suave): Isso soa… muito bem. Mas solitário.

     HUNTER: Mas há sempre espaço para mais uma pessoa, sabes?

     LYRA: Acho que gostava dessa ideia.

Trocam um olhar. Do outro lado da sala Soren e Aleric discutem sobre quem paga a conta, enquanto Ariadne estuda, atentamente, um mapa em silêncio.

Kael está sozinho numa mesa ao canto. O olhar distante, assombrado. A taberna fervilha à sua volta, gargalhadas, canecas a bater, um bardo a dedilhar suavemente, mas tudo parece distante, abafado. Os dedos de Kael contraem-se perto do punho da lâmina. Um reflexo que não consegue evitar.

Ele levanta-se e sai pela porta.

EXT. VERITA – RUA TRASEIRA – MAIS TARDE

A chuva torna as pedras da calçada escorregadias.

Kael caminha sozinho, cabeça baixa. Um GRITO ecoa de uma banca próxima: dois homens a discutir, bêbados a cambalear. Ele mal olha.

Uma mão agarra-lhe o ombro.

     DESCONHECIDO (embriagado): À procura de problemas, viajante?

     KAEL (cansado): Hoje não.

O homem ri-se, feio e estridente, e aproxima-se. Kael repara numa tatuagem ténue no pulso dele: a marca do Véu Cinzento.

A respiração falha-lhe. A mão move-se instintivamente para a faca.

     KAEL: Onde conseguiste essa marca?

      DESCONHECIDO (a sorrir): Não pensavas que vocês, ratos, tivessem escapado de nós, pois não?

O pulso de Kael dispara. Ele agarra o braço do homem, não para o atacar, apenas para o afastar. O homem empurra com mais força. Tropeçam, um estrondo, e a lâmina de Kael solta-se.

Um movimento brusco. De repente, os olhos do homem arregalam-se. Kael paralisa, percebendo que a faca está cravada fundo. Larga-o. O homem cai na lama.

     KAEL (num sussurro): Não… não, não, não…

Ajoelha-se ao lado dele, pressionando as mãos sobre a ferida. O sangue escorre-lhe pelos dedos. O homem solta um último suspiro… e fica imóvel.

A chuva começa a cair com mais força, lavando a rua em sangue.

Kael olha para as próprias mãos trémulas.

     KAEL (rouco): Não era suposto… Eu não queria.

Uma lanterna acende-se ao longe. Passos. Vozes. Kael recua para as sombras, a tremer, olhos selvagens.

INT. VERITA – TAVERNA – CONTÍNUO

As gargalhadas continuam. Lyra encosta-se ao ombro de Hunter. Soren atira um amendoim a Aleric, falha.

Por um momento, parecem felizes. Um momento de paz.

EXT. VERITA – RUA – CONTÍNUO

Kael levanta-se, encharcado, a faca ainda na mão. Observa-a como se fosse a primeira vez que a vê realmente.

Com mãos trémulas, limpa-a no manto e guarda-a. O rosto endurece, não cruel, apenas frio, assustado. Volta-se em direção ao brilho da taberna.

     KAEL (baixo, para si): Foi um acidente…

Desaparece debaixo da chuva que cai sem pressa. Em poucos segundos só o silêncio ficou.

FIM DO EPISÓDIO

 

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