Duarte com D Posted March 29, 2024 Author Posted March 29, 2024 há 10 minutos, Diogo Marreiros disse: @Duarte com D Só esse instrumental épico, e essa fotografia linda, que luxo, que luxo. Só queria esquecer tudo, para ver tudo de novo como se fosse a primeira vez. 1 Quote
Maya Posted March 31, 2024 Posted March 31, 2024 On 29/03/2024 at 14:57, Diogo Marreiros disse: @Duarte com D A nossa querida Giovanna Antonelli Poucas são as atrizes que se podem vangloriar de ter no currículo a eterna "Heroína dos Dois Mundos", que interpretou logo a seguir a ter dado vida à igualmente extraordinária e inesquecível Jade 1 Quote
AndreRob Posted June 19, 2024 Posted June 19, 2024 (edited) Esta série, ou melhor o livro que lhe deu origem vai ter um remake com a portuguesa SPI https://www.estantedovini.com.br/post/a-casa-das-sete-mulheres https://www.instagram.com/p/C8ZQA6uMiMD/?utm_source=ig_web_copy_link Desta vez mais focado no proprio livro e com 8 episódios. Edited June 19, 2024 by AndreRob 2 Quote
Rui Melo Posted June 19, 2024 Posted June 19, 2024 há 1 hora, AndreRob disse: Esta série, ou melhor o livro que lhe deu origem vai ter um remake com a portuguesa SPI https://www.estantedovini.com.br/post/a-casa-das-sete-mulheres https://www.instagram.com/p/C8ZQA6uMiMD/?utm_source=ig_web_copy_link Desta vez mais focado no proprio livro e com 8 episódios. Adorooooo! Quote
Diogo Marreiros Posted September 2, 2024 Posted September 2, 2024 Estava aqui a fazer um edit da Anita e fez-me viajar novamente à magia inexplicável desta maravilhosa série. Muito especial mesmo. Quote
Duarte com D Posted September 11, 2024 Author Posted September 11, 2024 On 03/09/2024 at 00:07, Diogo Marreiros disse: Estava aqui a fazer um edit da Anita e fez-me viajar novamente à magia inexplicável desta maravilhosa série. Muito especial mesmo. Chama-se banda sonora, textos primorosos, paisagens lindíssimas e atores carismáticos. Quote
DanielNunes Posted May 12 Posted May 12 (edited) Estou amar ao rever A Casa das Sete Mulheres. Minissérie muito bem ágil e muito bem escrito. Nivea Maria é um grande destaque destes primeiros capítulos. Edited May 12 by DanielNunes 1 Quote
AndreRob Posted May 12 Posted May 12 há 5 minutos, DanielNunes disse: Estou amar ao rever A Casa das Sete Mulheres. Minissérie muito bem ágil e muito bem escrito. Nivea Maria é um grande destaque destes primeiros capítulos. Eles usaram essa nomenclatura mas uma série de 51 capitulos em formato novela é tudo menos uma mini série... quanto muito uma serie longa, novela curta ou apenas uma série. 1 Quote
Afonso Posted May 12 Posted May 12 há 12 minutos, AndreRob disse: Eles usaram essa nomenclatura mas uma série de 51 capitulos em formato novela é tudo menos uma mini série... quanto muito uma serie longa, novela curta ou apenas uma série. Há um nome para isso e chama-se "telessérie". Quote
DanielNunes Posted May 12 Posted May 12 há 4 minutos, AndreRob disse: Eles usaram essa nomenclatura mas uma série de 51 capitulos em formato novela é tudo menos uma mini série... quanto muito uma serie longa, novela curta ou apenas uma série. Usaram minisséries para colocar algo grandioso, o que não deixa de ser. Quis imitar as grandes minisséries da HBO, naqueles anos em que as TVs tinham mais ambição. Com o sucesso de Aquarela do Brasil que tinha 60 capítulos, e com o Big Brother Brasil para preencher espaços naqueles anos com as férias das séries como A Grnde Família, Os Normais e Casseta e Planeta, Urgente!. Estas minisséries serviram como um tapa buraco, e de fato serviram e aguentaram muito bem, até a chegada de Queridos Amigos que foi a ultima minissérie um pouco mais longa, na qual foi um grande fracasso. A partir dai os remakes curtos deram lugar de misséries para novelas curtas com O Astro. Quote
AndreRob Posted May 12 Posted May 12 (edited) há 4 minutos, DanielNunes disse: Usaram minisséries para colocar algo grandioso, o que não deixa de ser. Quis imitar as grandes minisséries da HBO, naqueles anos em que as TVs tinham mais ambição. Com o sucesso de Aquarela do Brasil que tinha 60 capítulos, e com o Big Brother Brasil para preencher espaços naqueles anos com as férias das séries como A Grnde Família, Os Normais e Casseta e Planeta, Urgente!. Estas minisséries serviram como um tapa buraco, e de fato serviram e aguentaram muito bem, até a chegada de Queridos Amigos que foi a ultima minissérie um pouco mais longa, na qual foi um grande fracasso. A partir dai os remakes curtos deram lugar de misséries para novelas curtas com O Astro. as miniseries da hbo não tinham 50 capitulos tinham no maximo 10... se nao tivessem depois mais temporadas. Acho que a globo sempre aldrabou um bocado os conceitos, mas em lado nenhum isto é uma mini serie é uma série, uma teleserie, uma novela curta... mas mini nao é. Edited May 12 by AndreRob Quote
DanielNunes Posted May 12 Posted May 12 (edited) há 20 minutos, AndreRob disse: as miniseries da hbo não tinham 50 capitulos tinham no maximo 10... se nao tivessem depois mais temporadas. Acho que a globo sempre aldrabou um bocado os conceitos, mas em lado nenhum isto é uma mini serie é uma série, uma teleserie, uma novela curta... mas mini nao é. Concordo, e por um lado é uma novela curta. Porém, para a época esta descrição levava um apuro de estética mais apurado e mais ousado. Mesmo que ''Os Maias'' por exemplo tenha 42 capítulos, não consigo descrever esta produção como novela, nem mesmo A Casa das Sete Mulheres, muito pela estética muito hibrida de novela, cinema e série. São narrativas muito próximas a de uma minissérie sem querer deixar uma visão novelesca da narração, sem também qualquer intervenção do público e da Globo. Um exemplo é a história de Manuela e Garibaldi, o público mais torceu para este casal do que com a Anita. Se fosse uma novela, e mesmo sabendo da história real, talvez, Manuela terminasse com Garibaldi. Edited May 12 by DanielNunes Quote
DanielNunes Posted May 27 Posted May 27 (edited) Entrando na reta final de A Casa das Sete Mulheres. Como as histórias prendem. Incrível como a minissérie (novela para aqueles que desejam) não tem barriga nenhuma. As histórias fluem como devem ser. As tramas das sete, quer dizer a das jovens Manuela, Rosário, Perpétua e Mariana são muito bem amarradas. E perpassam com os anos de guerra. Como os amores destas jovens são trágicas, mas, ao mesmo tempo as tornam maduras, adultas, mulheres fortes. Foi preciso saber que Giuseppe Garibaldi estava a ter romances com Anita para Manuela sair do seu casulo para se aventurar num romance e amadurecer como pessoa. As três filhas de Maria caso de Manuela, Rosário e Mariana tiveram as mesmas atitudes da mãe, só que a mãe não teve a mesma sorte das filhas. Amarga, invejosa, e o medo de infligir as regras da família e da religião, acabou por ser uma mulher infeliz. Nivea Maria pra mim é o destaque desta minissérie, dando escada para Camila Morgado se destacar como a verdadeira protagonista da minissérie. Se não fosse os fatos reais, diria que Manuela deveria ficar com o Giuseppe Garibaldi. Mesmo achando a Anita de Giovanna Antonelli bem defendida, Anita fica muito apagada quando Manuela assume as rédeas da história. Camila Morgado mostrou força cênica para o seu primeiro personagem em televisão. Continuo achar a melhor minissérie que a Globo de sempre. Vai ser difícil eu me despedir da minissérie daqui alguns dias. Edited May 27 by DanielNunes 1 Quote
Maya Posted June 7 Posted June 7 Também é a minha "minissérie" favorita da Globo. Obra-prima insuperável mesmo! @DanielNunes É fascinante a forma como esta produção transforma a brutalidade de um dos episódios mais marcantes da história do Brasil - a Revolução Farroupilha - num ato de poesia, num cenário onde a memória não é só contada pelos livros, mas sentida através do tempo. O pulsar da guerra caminha lado a lado com o bater inquietante dos corações de todas aquelas mulheres confinadas na estância. Para mim, o aspeto mais interessante de 'A Casa das Sete Mulheres' reside precisamente na dualidade poética entre a Manuela e a Anita. A Manuela representa a espera, a melancolia da juventude que amadurece na solidão, transformando a dor da ausência numa força silenciosa e eterna. Já a Anita, por sua vez, é a própria personificação da tempestade, a paixão que cavalga livre, a emancipação feminina e "o fogo que a guerra acendeu". São duas faces da mesma moeda histórica: uma guardou o amor na memória e nas páginas do seu livro; a outra viveu-o na linha de frente, imortalizada pelo mito. Duas personagens absolutamente extraordinárias. Acho que não é de todo exagero da minha parte afirmar que a Camila Morgado e a Giovanna Antonelli "ganharam o Euromilhões" quando foram escaladas para interpretar estas mulheres incríveis. Poucas atrizes têm o imenso privilégio de dar vida a figuras tão fascinantes quanto uma Manuela ou Anita Garibaldi. 1 Quote
DanielNunes Posted June 8 Posted June 8 há 15 horas, Maya disse: Também é a minha "minissérie" favorita da Globo. Obra-prima insuperável mesmo! @DanielNunes É fascinante a forma como esta produção transforma a brutalidade de um dos episódios mais marcantes da história do Brasil - a Revolução Farroupilha - num ato de poesia, num cenário onde a memória não é só contada pelos livros, mas sentida através do tempo. O pulsar da guerra caminha lado a lado com o bater inquietante dos corações de todas aquelas mulheres confinadas na estância. Para mim, o aspeto mais interessante de 'A Casa das Sete Mulheres' reside precisamente na dualidade poética entre a Manuela e a Anita. A Manuela representa a espera, a melancolia da juventude que amadurece na solidão, transformando a dor da ausência numa força silenciosa e eterna. Já a Anita, por sua vez, é a própria personificação da tempestade, a paixão que cavalga livre, a emancipação feminina e "o fogo que a guerra acendeu". São duas faces da mesma moeda histórica: uma guardou o amor na memória e nas páginas do seu livro; a outra viveu-o na linha de frente, imortalizada pelo mito. Duas personagens absolutamente extraordinárias. Acho que não é de todo exagero da minha parte afirmar que a Camila Morgado e a Giovanna Antonelli "ganharam o Euromilhões" quando foram escaladas para interpretar estas mulheres incríveis. Poucas atrizes têm o imenso privilégio de dar vida a figuras tão fascinantes quanto uma Manuela ou Anita Garibaldi. Eu terminei de ver o último capítulo da "minissérie" na sexta. Me senti vazio e órfão ao mesmo tempo em que os nomes da equipe técnica passavam na tela. A Casa das Sete Mulheres é um importante histórico dessa guerra que foi mesmo brutal se fosse contar somente a guerra interna dentro do Brasil, é a mais sangrenta. Sofro que escravos não tiveram a sorte ao se alistar em nome da ilusão da liberdade. Cada história de cada núcleo foi bem desenvolvido. A carpintaria de Maria Adelaide Amaral junto com Wather Negrão foi muito bem desenhada. Não li o livro que inspirou a minissérie, e descobri, que os autores foram livres em adaptar o romance de Manuela e Garibaldi, os dois nunca tiveram uma relação sexualmente dizendo. Manuela nunca saiu daquela casa. Não me frustrei com estas realidades. A mensagem que os autores quiseram mandar foi até positivo, talvez, era da imaginação da Manuela ter aquela rebeldia de largar tudo por um amor. Já que pela história da mãe, Maria, não buscou a felicidade com seu verdadeiro amor. Amei cada personagem. A guerra tomou força de cada uma das sete mulheres. O medo as tornaram mais fortes e resilientes a espera da guerra se findar e trazer os homens de volta a casa. Gostei de como as filhas de Maria, tinham uma conexão com a mãe. Os mesmos sentimentos e quase os mesmos destinos. Maria amava Simão, um índigina mestiço, esperava um filho deste, que por sua vez o pai de Maria a obrigou a abortar, e ainda em segredo o pai matou o grande amor de Maria. Esta característica está em Manuela que abdicou de compromissos matrimoniais em nome de seu grande amor por Garibaldi. Rosário sucumbiu de amor ao morrer para estar ao lado de Estêvão, e, Mariana que tem a mesma história de Maria, se apaixona por um indígena mestiço, e tem um filho com este. Só que o final para as três é diferente o da mãe. Cada qual seguindo os desejos destas e a serem felizes do jeito delas. Como demonstrassem a mãe que elas têm as rédeas de seus proprios destinos. Texto muito bem escrito. Percebo que quando uma história é focada no sul do Brasil, a Globo sempre abdica dos sotaques gaúchos. Preferem sempre uma forma neutra de usar a prosódia e falas menos perceptíveis do sotaque da região. Ao contrário do nordestino, que é presente e muitas vezes é estereotipada. O texto de Maria Adelaide Amaral por vezes tem sensibilidade em trazer a emoção de forma mais natural. A junção da direção de Jayme Monjardim trouxeram mais vivacidade para conflitos da guerra e conflitos emocionais. Jayme trouxe um olhar mais naturalista, o que aproximou o público a simpatizar no mundo das personagens. Criou uma torcida. Porém, devo concordar com a crítica da época em detrimento da guerra que muitas vezes se criou ali que os Farrapos eram os bonzinhos e o lado Caramuru (Império) eram os vilões. Acredito que os autores possam ter colocado os Farrapos como a liberdade de conquistar algo para aquela região que não estava assistida. Elenco muito bem escalado e defendido. Não teve ninguém que eu possa dizer que não esteve bem. Todos tiveram sua importância. Pra mim olhando com mais atenção, Nivea Maria foi a grande catalisadora dentro daquela casa, a gerar conflitos e ações para a história. Maria, era um personagem difícil. E Nivea Maria foi de uma interpretação brutal. Mas, a minissérie é de Camila Morgado. Manuela foi grande para a história, a narradora e a grande protagonista da minissérie. Obra prima que merece sempre ser revisitada. 1 Quote
Maya Posted June 8 Posted June 8 há 2 horas, DanielNunes disse: Eu terminei de ver o último capítulo da "minissérie" na sexta. Me senti vazio e órfão ao mesmo tempo em que os nomes da equipe técnica passavam na tela. A Casa das Sete Mulheres é um importante histórico dessa guerra que foi mesmo brutal se fosse contar somente a guerra interna dentro do Brasil, é a mais sangrenta. Sofro que escravos não tiveram a sorte ao se alistar em nome da ilusão da liberdade. Cada história de cada núcleo foi bem desenvolvido. A carpintaria de Maria Adelaide Amaral junto com Wather Negrão foi muito bem desenhada. Não li o livro que inspirou a minissérie, e descobri, que os autores foram livres em adaptar o romance de Manuela e Garibaldi, os dois nunca tiveram uma relação sexualmente dizendo. Manuela nunca saiu daquela casa. Não me frustrei com estas realidades. A mensagem que os autores quiseram mandar foi até positivo, talvez, era da imaginação da Manuela ter aquela rebeldia de largar tudo por um amor. Já que pela história da mãe, Maria, não buscou a felicidade com seu verdadeiro amor. Amei cada personagem. A guerra tomou força de cada uma das sete mulheres. O medo as tornaram mais fortes e resilientes a espera da guerra se findar e trazer os homens de volta a casa. Gostei de como as filhas de Maria, tinham uma conexão com a mãe. Os mesmos sentimentos e quase os mesmos destinos. Maria amava Simão, um índigina mestiço, esperava um filho deste, que por sua vez o pai de Maria a obrigou a abortar, e ainda em segredo o pai matou o grande amor de Maria. Esta característica está em Manuela que abdicou de compromissos matrimoniais em nome de seu grande amor por Garibaldi. Rosário sucumbiu de amor ao morrer para estar ao lado de Estêvão, e, Mariana que tem a mesma história de Maria, se apaixona por um indígena mestiço, e tem um filho com este. Só que o final para as três é diferente o da mãe. Cada qual seguindo os desejos destas e a serem felizes do jeito delas. Como demonstrassem a mãe que elas têm as rédeas de seus proprios destinos. Texto muito bem escrito. Percebo que quando uma história é focada no sul do Brasil, a Globo sempre abdica dos sotaques gaúchos. Preferem sempre uma forma neutra de usar a prosódia e falas menos perceptíveis do sotaque da região. Ao contrário do nordestino, que é presente e muitas vezes é estereotipada. O texto de Maria Adelaide Amaral por vezes tem sensibilidade em trazer a emoção de forma mais natural. A junção da direção de Jayme Monjardim trouxeram mais vivacidade para conflitos da guerra e conflitos emocionais. Jayme trouxe um olhar mais naturalista, o que aproximou o público a simpatizar no mundo das personagens. Criou uma torcida. Porém, devo concordar com a crítica da época em detrimento da guerra que muitas vezes se criou ali que os Farrapos eram os bonzinhos e o lado Caramuru (Império) eram os vilões. Acredito que os autores possam ter colocado os Farrapos como a liberdade de conquistar algo para aquela região que não estava assistida. Elenco muito bem escalado e defendido. Não teve ninguém que eu possa dizer que não esteve bem. Todos tiveram sua importância. Pra mim olhando com mais atenção, Nivea Maria foi a grande catalisadora dentro daquela casa, a gerar conflitos e ações para a história. Maria, era um personagem difícil. E Nivea Maria foi de uma interpretação brutal. Mas, a minissérie é de Camila Morgado. Manuela foi grande para a história, a narradora e a grande protagonista da minissérie. Obra prima que merece sempre ser revisitada. A última cena foi um murro no estômago e ficou-me gravada na memória para sempre. Foi muito angustiante ver a Manuela envelhecer sozinha por ter esperado toda uma vida por um amor não correspondido. Mais triste ainda é assimilares que este detalhe não foi de todo romanceado, é um facto histórico. Aquela mulher existiu mesmo e sustentou até ao fim dos seus dias a crença de que um dia voltaria a estar nos braços do homem da sua vida. Tocaste num ponto crucial que também me chamou particularmente à atenção nesta minissérie. A liberdade criativa da Maria Adelaide Amaral e do Walther Negrão na forma como desenharam o arco da Manuela foi de uma genialidade magistral! Na realidade histórica, a Manuela permaneceu presa àquela estância, mas na ficção, os autores deram-lhe asas. Permitir que ela saísse do casulo, fosse atrás do seu grande amor e ficasse cara a cara com a Anita - a sua antítese e rival - foi para mim uma espécie de "golpe de mestre" dessa carpintaria dramática de que falas. Essa "rebeldia romanceada" não diminui a História. Bem pelo contrário, enaltece ainda mais a Manuela como personagem, transformando o que poderia ser apenas uma espera passiva numa jornada heroica, dolorosa e profundamente humana. Isto, de resto, rendeu algumas das melhores cenas da minissérie e arrisco mesmo em dizer da história da teledramaturgia. De uma beleza arrebatadora, indubitavelmente. Esse "espelho transgeracional" entre a Maria e as filhas também é um dos aspetos mais interessantes da história. É triste, mas ao mesmo tempo fascinante, ver como o passado da mãe ecoa como uma espécie de profecia na vida daquelas três pobres raparigas que tanto sofreram nas mãos daquela mãe amargurada e profundamente infeliz. A herança do amor proibido e da tragédia está lá, mas a grande reviravolta poética da história está precisamente na ruptura desse ciclo de submissão à intransigência da mãe e aos costumes da época. Ao contrário da Maria - que se deixou dominar pela frustração e o rancor por não ter tido um casamento feliz - as filhas recusaram-se a seguir o seu exemplo tendo, por conseguinte, a coragem de seguir os seus próprios instintos e tomar as rédeas dos seus respetivos destinos. Essa libertação manifesta-se na solidão compenetrada da Manuela, na alienação trágica mas ao mesmo tempo encantadora da Rosário, e na coragem vanguardista da Mariana. Nem todas terminaram como desejavam (ou como nós gostaríamos, no caso da Manuela e da Rosário), mas ao menos chegaram ao fim dos seus trajetos com a certeza inabalável de que o seu desfecho foi fruto das suas próprias escolhas. Há também um contraste luminoso que merece ser destacado: a forma como o casamento feliz do Bento Gonçalves com a Caetana se reproduziu no destino da filha. Ainda que tenha conhecido o homem da sua vida em circunstâncias adversas (ele era um homem casado), a Perpétua acaba por herdar essa harmonia familiar que se refletiu de forma triunfal no seu próprio percurso. É o contraponto perfeito à tragédia da Maria: enquanto a amargura de uma mãe gerou dor e ruptura, o amor sólido e estruturado dos líderes da estância serviu de porto seguro e exemplo para que a Perpétua desse continuidade a um legado de felicidade. Enfim. Nem tenho mais palavras para te descrever o quanto amei esta personagem, Daniel. 1 Quote
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