Duarte com D Postado 29 de março 2024 Autor Postado 29 de março 2024 há 10 minutos, Diogo Marreiros disse: @Duarte com D Só esse instrumental épico, e essa fotografia linda, que luxo, que luxo. Só queria esquecer tudo, para ver tudo de novo como se fosse a primeira vez. 1 Citar
Maya Postado 31 de março 2024 Postado 31 de março 2024 On 29/03/2024 at 14:57, Diogo Marreiros disse: @Duarte com D A nossa querida Giovanna Antonelli Poucas são as atrizes que se podem vangloriar de ter no currículo a eterna "Heroína dos Dois Mundos", que interpretou logo a seguir a ter dado vida à igualmente extraordinária e inesquecível Jade 1 Citar
AndreRob Postado 19 de junho 2024 Postado 19 de junho 2024 (editado) Esta série, ou melhor o livro que lhe deu origem vai ter um remake com a portuguesa SPI https://www.estantedovini.com.br/post/a-casa-das-sete-mulheres https://www.instagram.com/p/C8ZQA6uMiMD/?utm_source=ig_web_copy_link Desta vez mais focado no proprio livro e com 8 episódios. Editado 19 de junho 2024 por AndreRob 2 Citar
Rui Melo Postado 19 de junho 2024 Postado 19 de junho 2024 há 1 hora, AndreRob disse: Esta série, ou melhor o livro que lhe deu origem vai ter um remake com a portuguesa SPI https://www.estantedovini.com.br/post/a-casa-das-sete-mulheres https://www.instagram.com/p/C8ZQA6uMiMD/?utm_source=ig_web_copy_link Desta vez mais focado no proprio livro e com 8 episódios. Adorooooo! Citar
Diogo Marreiros Postado 2 de setembro 2024 Postado 2 de setembro 2024 Estava aqui a fazer um edit da Anita e fez-me viajar novamente à magia inexplicável desta maravilhosa série. Muito especial mesmo. Citar
Duarte com D Postado 11 de setembro 2024 Autor Postado 11 de setembro 2024 On 03/09/2024 at 00:07, Diogo Marreiros disse: Estava aqui a fazer um edit da Anita e fez-me viajar novamente à magia inexplicável desta maravilhosa série. Muito especial mesmo. Chama-se banda sonora, textos primorosos, paisagens lindíssimas e atores carismáticos. Citar
DanielNunes Postado 12 de maio Postado 12 de maio (editado) Estou amar ao rever A Casa das Sete Mulheres. Minissérie muito bem ágil e muito bem escrito. Nivea Maria é um grande destaque destes primeiros capítulos. Editado 12 de maio por DanielNunes 1 1 Citar
AndreRob Postado 12 de maio Postado 12 de maio há 5 minutos, DanielNunes disse: Estou amar ao rever A Casa das Sete Mulheres. Minissérie muito bem ágil e muito bem escrito. Nivea Maria é um grande destaque destes primeiros capítulos. Eles usaram essa nomenclatura mas uma série de 51 capitulos em formato novela é tudo menos uma mini série... quanto muito uma serie longa, novela curta ou apenas uma série. 1 Citar
Afonso Postado 12 de maio Postado 12 de maio há 12 minutos, AndreRob disse: Eles usaram essa nomenclatura mas uma série de 51 capitulos em formato novela é tudo menos uma mini série... quanto muito uma serie longa, novela curta ou apenas uma série. Há um nome para isso e chama-se "telessérie". Citar
DanielNunes Postado 12 de maio Postado 12 de maio há 4 minutos, AndreRob disse: Eles usaram essa nomenclatura mas uma série de 51 capitulos em formato novela é tudo menos uma mini série... quanto muito uma serie longa, novela curta ou apenas uma série. Usaram minisséries para colocar algo grandioso, o que não deixa de ser. Quis imitar as grandes minisséries da HBO, naqueles anos em que as TVs tinham mais ambição. Com o sucesso de Aquarela do Brasil que tinha 60 capítulos, e com o Big Brother Brasil para preencher espaços naqueles anos com as férias das séries como A Grnde Família, Os Normais e Casseta e Planeta, Urgente!. Estas minisséries serviram como um tapa buraco, e de fato serviram e aguentaram muito bem, até a chegada de Queridos Amigos que foi a ultima minissérie um pouco mais longa, na qual foi um grande fracasso. A partir dai os remakes curtos deram lugar de misséries para novelas curtas com O Astro. Citar
AndreRob Postado 12 de maio Postado 12 de maio (editado) há 4 minutos, DanielNunes disse: Usaram minisséries para colocar algo grandioso, o que não deixa de ser. Quis imitar as grandes minisséries da HBO, naqueles anos em que as TVs tinham mais ambição. Com o sucesso de Aquarela do Brasil que tinha 60 capítulos, e com o Big Brother Brasil para preencher espaços naqueles anos com as férias das séries como A Grnde Família, Os Normais e Casseta e Planeta, Urgente!. Estas minisséries serviram como um tapa buraco, e de fato serviram e aguentaram muito bem, até a chegada de Queridos Amigos que foi a ultima minissérie um pouco mais longa, na qual foi um grande fracasso. A partir dai os remakes curtos deram lugar de misséries para novelas curtas com O Astro. as miniseries da hbo não tinham 50 capitulos tinham no maximo 10... se nao tivessem depois mais temporadas. Acho que a globo sempre aldrabou um bocado os conceitos, mas em lado nenhum isto é uma mini serie é uma série, uma teleserie, uma novela curta... mas mini nao é. Editado 12 de maio por AndreRob Citar
DanielNunes Postado 12 de maio Postado 12 de maio (editado) há 20 minutos, AndreRob disse: as miniseries da hbo não tinham 50 capitulos tinham no maximo 10... se nao tivessem depois mais temporadas. Acho que a globo sempre aldrabou um bocado os conceitos, mas em lado nenhum isto é uma mini serie é uma série, uma teleserie, uma novela curta... mas mini nao é. Concordo, e por um lado é uma novela curta. Porém, para a época esta descrição levava um apuro de estética mais apurado e mais ousado. Mesmo que ''Os Maias'' por exemplo tenha 42 capítulos, não consigo descrever esta produção como novela, nem mesmo A Casa das Sete Mulheres, muito pela estética muito hibrida de novela, cinema e série. São narrativas muito próximas a de uma minissérie sem querer deixar uma visão novelesca da narração, sem também qualquer intervenção do público e da Globo. Um exemplo é a história de Manuela e Garibaldi, o público mais torceu para este casal do que com a Anita. Se fosse uma novela, e mesmo sabendo da história real, talvez, Manuela terminasse com Garibaldi. Editado 12 de maio por DanielNunes Citar
DanielNunes Postado 27 de maio Postado 27 de maio (editado) Entrando na reta final de A Casa das Sete Mulheres. Como as histórias prendem. Incrível como a minissérie (novela para aqueles que desejam) não tem barriga nenhuma. As histórias fluem como devem ser. As tramas das sete, quer dizer a das jovens Manuela, Rosário, Perpétua e Mariana são muito bem amarradas. E perpassam com os anos de guerra. Como os amores destas jovens são trágicas, mas, ao mesmo tempo as tornam maduras, adultas, mulheres fortes. Foi preciso saber que Giuseppe Garibaldi estava a ter romances com Anita para Manuela sair do seu casulo para se aventurar num romance e amadurecer como pessoa. As três filhas de Maria caso de Manuela, Rosário e Mariana tiveram as mesmas atitudes da mãe, só que a mãe não teve a mesma sorte das filhas. Amarga, invejosa, e o medo de infligir as regras da família e da religião, acabou por ser uma mulher infeliz. Nivea Maria pra mim é o destaque desta minissérie, dando escada para Camila Morgado se destacar como a verdadeira protagonista da minissérie. Se não fosse os fatos reais, diria que Manuela deveria ficar com o Giuseppe Garibaldi. Mesmo achando a Anita de Giovanna Antonelli bem defendida, Anita fica muito apagada quando Manuela assume as rédeas da história. Camila Morgado mostrou força cênica para o seu primeiro personagem em televisão. Continuo achar a melhor minissérie que a Globo de sempre. Vai ser difícil eu me despedir da minissérie daqui alguns dias. Editado 27 de maio por DanielNunes 1 1 Citar
Maya Postado 7 de junho Postado 7 de junho Também é a minha "minissérie" favorita da Globo. Obra-prima insuperável mesmo! @DanielNunes É fascinante a forma como esta produção transforma a brutalidade de um dos episódios mais marcantes da história do Brasil - a Revolução Farroupilha - num ato de poesia, num cenário onde a memória não é só contada pelos livros, mas sentida através do tempo. O pulsar da guerra caminha lado a lado com o bater inquietante dos corações de todas aquelas mulheres confinadas na estância. Para mim, o aspeto mais interessante de 'A Casa das Sete Mulheres' reside precisamente na dualidade poética entre a Manuela e a Anita. A Manuela representa a espera, a melancolia da juventude que amadurece na solidão, transformando a dor da ausência numa força silenciosa e eterna. Já a Anita, por sua vez, é a própria personificação da tempestade, a paixão que cavalga livre, a emancipação feminina e "o fogo que a guerra acendeu". São duas faces da mesma moeda histórica: uma guardou o amor na memória e nas páginas do seu livro; a outra viveu-o na linha de frente, imortalizada pelo mito. Duas personagens absolutamente extraordinárias. Acho que não é de todo exagero da minha parte afirmar que a Camila Morgado e a Giovanna Antonelli "ganharam o Euromilhões" quando foram escaladas para interpretar estas mulheres incríveis. Poucas atrizes têm o imenso privilégio de dar vida a figuras tão fascinantes quanto uma Manuela ou Anita Garibaldi. 1 Citar
DanielNunes Postado 8 de junho Postado 8 de junho há 15 horas, Maya disse: Também é a minha "minissérie" favorita da Globo. Obra-prima insuperável mesmo! @DanielNunes É fascinante a forma como esta produção transforma a brutalidade de um dos episódios mais marcantes da história do Brasil - a Revolução Farroupilha - num ato de poesia, num cenário onde a memória não é só contada pelos livros, mas sentida através do tempo. O pulsar da guerra caminha lado a lado com o bater inquietante dos corações de todas aquelas mulheres confinadas na estância. Para mim, o aspeto mais interessante de 'A Casa das Sete Mulheres' reside precisamente na dualidade poética entre a Manuela e a Anita. A Manuela representa a espera, a melancolia da juventude que amadurece na solidão, transformando a dor da ausência numa força silenciosa e eterna. Já a Anita, por sua vez, é a própria personificação da tempestade, a paixão que cavalga livre, a emancipação feminina e "o fogo que a guerra acendeu". São duas faces da mesma moeda histórica: uma guardou o amor na memória e nas páginas do seu livro; a outra viveu-o na linha de frente, imortalizada pelo mito. Duas personagens absolutamente extraordinárias. Acho que não é de todo exagero da minha parte afirmar que a Camila Morgado e a Giovanna Antonelli "ganharam o Euromilhões" quando foram escaladas para interpretar estas mulheres incríveis. Poucas atrizes têm o imenso privilégio de dar vida a figuras tão fascinantes quanto uma Manuela ou Anita Garibaldi. Eu terminei de ver o último capítulo da "minissérie" na sexta. Me senti vazio e órfão ao mesmo tempo em que os nomes da equipe técnica passavam na tela. A Casa das Sete Mulheres é um importante histórico dessa guerra que foi mesmo brutal se fosse contar somente a guerra interna dentro do Brasil, é a mais sangrenta. Sofro que escravos não tiveram a sorte ao se alistar em nome da ilusão da liberdade. Cada história de cada núcleo foi bem desenvolvido. A carpintaria de Maria Adelaide Amaral junto com Wather Negrão foi muito bem desenhada. Não li o livro que inspirou a minissérie, e descobri, que os autores foram livres em adaptar o romance de Manuela e Garibaldi, os dois nunca tiveram uma relação sexualmente dizendo. Manuela nunca saiu daquela casa. Não me frustrei com estas realidades. A mensagem que os autores quiseram mandar foi até positivo, talvez, era da imaginação da Manuela ter aquela rebeldia de largar tudo por um amor. Já que pela história da mãe, Maria, não buscou a felicidade com seu verdadeiro amor. Amei cada personagem. A guerra tomou força de cada uma das sete mulheres. O medo as tornaram mais fortes e resilientes a espera da guerra se findar e trazer os homens de volta a casa. Gostei de como as filhas de Maria, tinham uma conexão com a mãe. Os mesmos sentimentos e quase os mesmos destinos. Maria amava Simão, um índigina mestiço, esperava um filho deste, que por sua vez o pai de Maria a obrigou a abortar, e ainda em segredo o pai matou o grande amor de Maria. Esta característica está em Manuela que abdicou de compromissos matrimoniais em nome de seu grande amor por Garibaldi. Rosário sucumbiu de amor ao morrer para estar ao lado de Estêvão, e, Mariana que tem a mesma história de Maria, se apaixona por um indígena mestiço, e tem um filho com este. Só que o final para as três é diferente o da mãe. Cada qual seguindo os desejos destas e a serem felizes do jeito delas. Como demonstrassem a mãe que elas têm as rédeas de seus proprios destinos. Texto muito bem escrito. Percebo que quando uma história é focada no sul do Brasil, a Globo sempre abdica dos sotaques gaúchos. Preferem sempre uma forma neutra de usar a prosódia e falas menos perceptíveis do sotaque da região. Ao contrário do nordestino, que é presente e muitas vezes é estereotipada. O texto de Maria Adelaide Amaral por vezes tem sensibilidade em trazer a emoção de forma mais natural. A junção da direção de Jayme Monjardim trouxeram mais vivacidade para conflitos da guerra e conflitos emocionais. Jayme trouxe um olhar mais naturalista, o que aproximou o público a simpatizar no mundo das personagens. Criou uma torcida. Porém, devo concordar com a crítica da época em detrimento da guerra que muitas vezes se criou ali que os Farrapos eram os bonzinhos e o lado Caramuru (Império) eram os vilões. Acredito que os autores possam ter colocado os Farrapos como a liberdade de conquistar algo para aquela região que não estava assistida. Elenco muito bem escalado e defendido. Não teve ninguém que eu possa dizer que não esteve bem. Todos tiveram sua importância. Pra mim olhando com mais atenção, Nivea Maria foi a grande catalisadora dentro daquela casa, a gerar conflitos e ações para a história. Maria, era um personagem difícil. E Nivea Maria foi de uma interpretação brutal. Mas, a minissérie é de Camila Morgado. Manuela foi grande para a história, a narradora e a grande protagonista da minissérie. Obra prima que merece sempre ser revisitada. 2 Citar
Maya Postado 8 de junho Postado 8 de junho há 2 horas, DanielNunes disse: Eu terminei de ver o último capítulo da "minissérie" na sexta. Me senti vazio e órfão ao mesmo tempo em que os nomes da equipe técnica passavam na tela. A Casa das Sete Mulheres é um importante histórico dessa guerra que foi mesmo brutal se fosse contar somente a guerra interna dentro do Brasil, é a mais sangrenta. Sofro que escravos não tiveram a sorte ao se alistar em nome da ilusão da liberdade. Cada história de cada núcleo foi bem desenvolvido. A carpintaria de Maria Adelaide Amaral junto com Wather Negrão foi muito bem desenhada. Não li o livro que inspirou a minissérie, e descobri, que os autores foram livres em adaptar o romance de Manuela e Garibaldi, os dois nunca tiveram uma relação sexualmente dizendo. Manuela nunca saiu daquela casa. Não me frustrei com estas realidades. A mensagem que os autores quiseram mandar foi até positivo, talvez, era da imaginação da Manuela ter aquela rebeldia de largar tudo por um amor. Já que pela história da mãe, Maria, não buscou a felicidade com seu verdadeiro amor. Amei cada personagem. A guerra tomou força de cada uma das sete mulheres. O medo as tornaram mais fortes e resilientes a espera da guerra se findar e trazer os homens de volta a casa. Gostei de como as filhas de Maria, tinham uma conexão com a mãe. Os mesmos sentimentos e quase os mesmos destinos. Maria amava Simão, um índigina mestiço, esperava um filho deste, que por sua vez o pai de Maria a obrigou a abortar, e ainda em segredo o pai matou o grande amor de Maria. Esta característica está em Manuela que abdicou de compromissos matrimoniais em nome de seu grande amor por Garibaldi. Rosário sucumbiu de amor ao morrer para estar ao lado de Estêvão, e, Mariana que tem a mesma história de Maria, se apaixona por um indígena mestiço, e tem um filho com este. Só que o final para as três é diferente o da mãe. Cada qual seguindo os desejos destas e a serem felizes do jeito delas. Como demonstrassem a mãe que elas têm as rédeas de seus proprios destinos. Texto muito bem escrito. Percebo que quando uma história é focada no sul do Brasil, a Globo sempre abdica dos sotaques gaúchos. Preferem sempre uma forma neutra de usar a prosódia e falas menos perceptíveis do sotaque da região. Ao contrário do nordestino, que é presente e muitas vezes é estereotipada. O texto de Maria Adelaide Amaral por vezes tem sensibilidade em trazer a emoção de forma mais natural. A junção da direção de Jayme Monjardim trouxeram mais vivacidade para conflitos da guerra e conflitos emocionais. Jayme trouxe um olhar mais naturalista, o que aproximou o público a simpatizar no mundo das personagens. Criou uma torcida. Porém, devo concordar com a crítica da época em detrimento da guerra que muitas vezes se criou ali que os Farrapos eram os bonzinhos e o lado Caramuru (Império) eram os vilões. Acredito que os autores possam ter colocado os Farrapos como a liberdade de conquistar algo para aquela região que não estava assistida. Elenco muito bem escalado e defendido. Não teve ninguém que eu possa dizer que não esteve bem. Todos tiveram sua importância. Pra mim olhando com mais atenção, Nivea Maria foi a grande catalisadora dentro daquela casa, a gerar conflitos e ações para a história. Maria, era um personagem difícil. E Nivea Maria foi de uma interpretação brutal. Mas, a minissérie é de Camila Morgado. Manuela foi grande para a história, a narradora e a grande protagonista da minissérie. Obra prima que merece sempre ser revisitada. A última cena foi um murro no estômago e ficou-me gravada na memória para sempre. Foi muito angustiante ver a Manuela envelhecer sozinha por ter esperado toda uma vida por um amor não correspondido. Mais triste ainda é assimilares que este detalhe não foi de todo romanceado, é um facto histórico. Aquela mulher existiu mesmo e sustentou até ao fim dos seus dias a crença de que um dia voltaria a estar nos braços do homem da sua vida. Tocaste num ponto crucial que também me chamou particularmente à atenção nesta minissérie. A liberdade criativa da Maria Adelaide Amaral e do Walther Negrão na forma como desenharam o arco da Manuela foi de uma genialidade magistral! Na realidade histórica, a Manuela permaneceu presa àquela estância, mas na ficção, os autores deram-lhe asas. Permitir que ela saísse do casulo, fosse atrás do seu grande amor e ficasse cara a cara com a Anita - a sua antítese e rival - foi para mim uma espécie de "golpe de mestre" dessa carpintaria dramática de que falas. Essa "rebeldia romanceada" não diminui a História. Bem pelo contrário, enaltece ainda mais a Manuela como personagem, transformando o que poderia ser apenas uma espera passiva numa jornada heroica, dolorosa e profundamente humana. Isto, de resto, rendeu algumas das melhores cenas da minissérie e arrisco mesmo em dizer da história da teledramaturgia. De uma beleza arrebatadora, indubitavelmente. Esse "espelho transgeracional" entre a Maria e as filhas também é um dos aspetos mais interessantes da história. É triste, mas ao mesmo tempo fascinante, ver como o passado da mãe ecoa como uma espécie de profecia na vida daquelas três pobres raparigas que tanto sofreram nas mãos daquela mãe amargurada e profundamente infeliz. A herança do amor proibido e da tragédia está lá, mas a grande reviravolta poética da história está precisamente na ruptura desse ciclo de submissão à intransigência da mãe e aos costumes da época. Ao contrário da Maria - que se deixou dominar pela frustração e o rancor por não ter tido um casamento feliz - as filhas recusaram-se a seguir o seu exemplo tendo, por conseguinte, a coragem de seguir os seus próprios instintos e tomar as rédeas dos seus respetivos destinos. Essa libertação manifesta-se na solidão compenetrada da Manuela, na alienação trágica mas ao mesmo tempo encantadora da Rosário, e na coragem vanguardista da Mariana. Nem todas terminaram como desejavam (ou como nós gostaríamos, no caso da Manuela e da Rosário), mas ao menos chegaram ao fim dos seus trajetos com a certeza inabalável de que o seu desfecho foi fruto das suas próprias escolhas. Há também um contraste luminoso que merece ser destacado: a forma como o casamento feliz do Bento Gonçalves com a Caetana se reproduziu no destino da filha. Ainda que tenha conhecido o homem da sua vida em circunstâncias adversas (ele era um homem casado), a Perpétua acaba por herdar essa harmonia familiar que se refletiu de forma triunfal no seu próprio percurso. É o contraponto perfeito à tragédia da Maria: enquanto a amargura de uma mãe gerou dor e ruptura, o amor sólido e estruturado dos líderes da estância serviu de porto seguro e exemplo para que a Perpétua desse continuidade a um legado de felicidade. Enfim. Nem tenho mais palavras para te descrever o quanto amei esta personagem, Daniel. 1 Citar
Diogo Marreiros Postado 14 de agosto Postado 14 de agosto On 08/06/2026 at 16:20, DanielNunes disse: Eu terminei de ver o último capítulo da "minissérie" na sexta. Me senti vazio e órfão ao mesmo tempo em que os nomes da equipe técnica passavam na tela. A Casa das Sete Mulheres é um importante histórico dessa guerra que foi mesmo brutal se fosse contar somente a guerra interna dentro do Brasil, é a mais sangrenta. Sofro que escravos não tiveram a sorte ao se alistar em nome da ilusão da liberdade. Cada história de cada núcleo foi bem desenvolvido. A carpintaria de Maria Adelaide Amaral junto com Wather Negrão foi muito bem desenhada. Não li o livro que inspirou a minissérie, e descobri, que os autores foram livres em adaptar o romance de Manuela e Garibaldi, os dois nunca tiveram uma relação sexualmente dizendo. Manuela nunca saiu daquela casa. Não me frustrei com estas realidades. A mensagem que os autores quiseram mandar foi até positivo, talvez, era da imaginação da Manuela ter aquela rebeldia de largar tudo por um amor. Já que pela história da mãe, Maria, não buscou a felicidade com seu verdadeiro amor. Amei cada personagem. A guerra tomou força de cada uma das sete mulheres. O medo as tornaram mais fortes e resilientes a espera da guerra se findar e trazer os homens de volta a casa. Gostei de como as filhas de Maria, tinham uma conexão com a mãe. Os mesmos sentimentos e quase os mesmos destinos. Maria amava Simão, um índigina mestiço, esperava um filho deste, que por sua vez o pai de Maria a obrigou a abortar, e ainda em segredo o pai matou o grande amor de Maria. Esta característica está em Manuela que abdicou de compromissos matrimoniais em nome de seu grande amor por Garibaldi. Rosário sucumbiu de amor ao morrer para estar ao lado de Estêvão, e, Mariana que tem a mesma história de Maria, se apaixona por um indígena mestiço, e tem um filho com este. Só que o final para as três é diferente o da mãe. Cada qual seguindo os desejos destas e a serem felizes do jeito delas. Como demonstrassem a mãe que elas têm as rédeas de seus proprios destinos. Texto muito bem escrito. Percebo que quando uma história é focada no sul do Brasil, a Globo sempre abdica dos sotaques gaúchos. Preferem sempre uma forma neutra de usar a prosódia e falas menos perceptíveis do sotaque da região. Ao contrário do nordestino, que é presente e muitas vezes é estereotipada. O texto de Maria Adelaide Amaral por vezes tem sensibilidade em trazer a emoção de forma mais natural. A junção da direção de Jayme Monjardim trouxeram mais vivacidade para conflitos da guerra e conflitos emocionais. Jayme trouxe um olhar mais naturalista, o que aproximou o público a simpatizar no mundo das personagens. Criou uma torcida. Porém, devo concordar com a crítica da época em detrimento da guerra que muitas vezes se criou ali que os Farrapos eram os bonzinhos e o lado Caramuru (Império) eram os vilões. Acredito que os autores possam ter colocado os Farrapos como a liberdade de conquistar algo para aquela região que não estava assistida. Elenco muito bem escalado e defendido. Não teve ninguém que eu possa dizer que não esteve bem. Todos tiveram sua importância. Pra mim olhando com mais atenção, Nivea Maria foi a grande catalisadora dentro daquela casa, a gerar conflitos e ações para a história. Maria, era um personagem difícil. E Nivea Maria foi de uma interpretação brutal. Mas, a minissérie é de Camila Morgado. Manuela foi grande para a história, a narradora e a grande protagonista da minissérie. Obra prima que merece sempre ser revisitada. Acho a Maria uma das personagens mais subvalorizadas da Nívea Maria. Subvalorizada no sentido em que acho que não se lhe dá a devida importância quando se revisita a carreira dela. Aí e no geral quando se olha para a teledramaturgia brasileira. Citar
DanielNunes Postado 14 de agosto Postado 14 de agosto há 6 horas, Diogo Marreiros disse: Acho a Maria uma das personagens mais subvalorizadas da Nívea Maria. Subvalorizada no sentido em que acho que não se lhe dá a devida importância quando se revisita a carreira dela. Aí e no geral quando se olha para a teledramaturgia brasileira. Eu assisti várias vezes esta minissérie e nunca dei a devida atenção a interpretação de Nívea Maria. Maria não era a vilã, a vida amargou o coração dela. De um jeito que não importando com mais ninguém. Ela ataca, manipula, é dominadora e envenena com suas opiniões contrárias aos dela. É uma personagem rica em meio a muitos personagens. Ela dá ação a história daquele núcleo da casa/estância. É difícil fazer uma produção com vários personagens em destaque e carismáticos. O Clone também foi assim, a Edna tinha sua importância e uma interpretação exemplar da a atriz. Mas, em meio ao destaque dos demais atores foi engolida. 1 Citar
Maya Postado 15 de agosto Postado 15 de agosto 'A Casa das Sete Mulheres' permanece aos dias de hoje no imaginário popular, mas não noto que seja "tão celebrada" na Globo como outras produções. Alguém por aqui subscreve esta minha percepção? Citar
DanielNunes Postado 15 de agosto Postado 15 de agosto (editado) há 1 hora, Maya disse: 'A Casa das Sete Mulheres' permanece aos dias de hoje no imaginário popular, mas não noto que seja "tão celebrada" na Globo como outras produções. Alguém por aqui subscreve esta minha percepção? Acho que houveram muitas produções também marcantes. E não tem mais o Vídeo Show como este termômetro. O antigo Viva chegou a exibir duas ou três vezes a minissérie. Tem uma influenciadora americana que começou a ler livros em ordem alfabética por países, e quando chegou na letra B do Brasil ela leu 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', ela se apaixonou pela literatura brasileira. Esta influenciadora cresceu tanto muito pela curiosidaade do público brasileiro que ela começou a ver produções brasileiras. Esta influenciadora já assistiu e amou as novelas Avenida Brasil e Chocolate com Pimenta. Ela então, pediu para indicarem minisséries para os brasileiros, e uma delas unânimes foi A Casa das Sete Mulheres. Atualmente ela está a assistir esta obra prima. E até ela se espantou com a quantidade de capítulos que a minissérie tem. Ela vem postando frequentemente as suas reações a minissérie. O nome da influenciadora é Courtney Henning Novak. Pelas indicações do público brasileiro, A Casa das Sete Mulheres se tornou ainda querida no imaginário do público. Infelizmente, minisséries não são lembradas na Globo nem por reprises. Ficou nichado para um seleto público apenas no Globoplay. Editado 15 de agosto por DanielNunes 1 Citar
Maya Postado 16 de agosto Postado 16 de agosto há 20 horas, DanielNunes disse: Acho que houveram muitas produções também marcantes. E não tem mais o Vídeo Show como este termômetro. O antigo Viva chegou a exibir duas ou três vezes a minissérie. Tem uma influenciadora americana que começou a ler livros em ordem alfabética por países, e quando chegou na letra B do Brasil ela leu 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', ela se apaixonou pela literatura brasileira. Esta influenciadora cresceu tanto muito pela curiosidaade do público brasileiro que ela começou a ver produções brasileiras. Esta influenciadora já assistiu e amou as novelas Avenida Brasil e Chocolate com Pimenta. Ela então, pediu para indicarem minisséries para os brasileiros, e uma delas unânimes foi A Casa das Sete Mulheres. Atualmente ela está a assistir esta obra prima. E até ela se espantou com a quantidade de capítulos que a minissérie tem. Ela vem postando frequentemente as suas reações a minissérie. O nome da influenciadora é Courtney Henning Novak. Pelas indicações do público brasileiro, A Casa das Sete Mulheres se tornou ainda querida no imaginário do público. Infelizmente, minisséries não são lembradas na Globo nem por reprises. Ficou nichado para um seleto público apenas no Globoplay. Não percebo o porquê da Globo ter desistido das minisséries. As que faziam antigamente tinham imensa qualidade, textos e cenários magníficos. Interpretações idem. Citar
DanielNunes Postado 16 de agosto Postado 16 de agosto há 12 minutos, Maya disse: Não percebo o porquê da Globo ter desistido das minisséries. As que faziam antigamente tinham imensa qualidade, textos e cenários magníficos. Interpretações idem. As minisséries foram substituídas pelos remakes das novelas das onze e do Globoplay. Hoje é mais fácil passar uma versão de filme como minissérie que é mais barata do que fazer uma superprodução. A última minissérie que se pode dizer que foi criada para a TV aberta foi há 10 anos atrás com "Justiça". De lá pra cá as minisséries foram sucateadas de minisséries e séries do Globoplay, versões de filmes e séries estrangeiras. 1 Citar
Maya Postado 16 de agosto Postado 16 de agosto há 17 minutos, DanielNunes disse: As minisséries foram substituídas pelos remakes das novelas das onze e do Globoplay. Hoje é mais fácil passar uma versão de filme como minissérie que é mais barata do que fazer uma superprodução. A última minissérie que se pode dizer que foi criada para a TV aberta foi há 10 anos atrás com "Justiça". De lá pra cá as minisséries foram sucateadas de minisséries e séries do Globoplay, versões de filmes e séries estrangeiras. Verdade, Daniel. Mas não posso deixar de lamentar que tenham desistido do modelo tradicional das minisséries que vigorava nos anos 2000. Há espaço suficiente para que todos os géneros possam coexistir, dramaturgicamente falando. Não deve é haver meios financeiros para isso, infelizmente. Citar
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