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Ruben Fonseca

Depressão

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Já tinha lido o 1º episódio e acabei de ler o 2º e o 3º e tenho gostado muito, boa história  :) Aquela Jéssica é fina, chamem-lhe esperta  :rolleyes:  :haha:

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Absolutamente brilhante, que história deliciosa,que escrita maravilhosa.

Parabéns.

Tudo Perfeito!

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“O MUNDO EM QUE VIVEMOS”

EPISÓDIO 4

 

Após umas horas de condução, Jéssica chega finalmente a casa, deixando Susana ainda com mais questões.

 

- Mas tu obrigas-me a ir no teu carro, estamos a viajar há horas seguidas e ainda nem me explicaste o que raio queres de mim? – disse Susana, enervada.

- Tenho uma proposta para ti… – disse Jéssica.

- Que proposta? – estranhou.

- Eu sei perfeitamente que o Sebastião é teu amante.

- Como te atreves a dizer tais barbaridades?

- Não te faças de sonsa e poupa essas frases baratas para quando o teu marido descobrir. Mas não te preocupes, eu não lhe irei contar nada.

 

Susana sentiu um alívio por saber que Jéssica não iria contar nada ao seu marido, mas permanecia confusa com toda aquela situação.

 

- Há algo que tu não sabes… Eu também sou amante do Sebastião, tal como tu. A única diferença é que eu não tenho marido.

 

Foi um choque para Susana saber que Sebastião andava com duas ao mesmo tempo. Foi como se a tivesse traído, uma vez que ela gostava mais dele que do próprio marido. Um sentimento de raiva rapidamente cresceu dentro dela…

 

- Aquele filho da mãe! – murmurou

- Já sabia que ias ficar dessa maneira, eu própria também fiquei assim quando descobri. É por isso que te vou propor isto: o que achas de sugarmos todo o dinheiro do Sebastião?

 

Susana lembrou-se do dinheiro que o seu amante procurava e rapidamente percebeu que tinha sido ela quem o tinha roubado.

 

- Foste tu, não foste?

- Fui. E posso, quer dizer, podemos fazer exatamente o mesmo, uma e outra vez, até ficarmos com cada cêntimo dele. Basta tu aceitares…

 

Susana hesitou, mas a raiva que ela tinha de Sebastião era demasiada para poder recusar tal oferta.

 

- Está na altura de uma pequena vingança, não é? – disse para Jéssica.

- Sem dúvida alguma. E o melhor, é que no meio disto tudo, só há vantagens. Nós ficamos a ganhar e aquele tolo vai ficar mais pobre que um sem-abrigo.

 

As duas soltam uma gargalhada… Jéssica tinha agora a vida facilitada para realizar o seu sonho, mesmo que fosse à custa de outros.

Entretanto, na casa de Bárbara e Luís, enquanto jantavam, falava-se da festa de casamento que Susana tinha planeado.

 

- Amanhã temos aquela festa da Susana. – disse Bárbara.

- Parece que sim… Já me tinha esquecido da existência dessa festa. Aliás, a que propósito é que ela vai fazer aquilo? – perguntou Luís.

- Penso que é para comemorarem anos de casamento. Por falar em casamento, quando é que começamos a pensar no nosso? Há meses que vivemos juntos, mas nunca falas no assunto.

- Temos tempo para casar. Qual é a diferença entre estar casado e não? Trata-se apenas de um pedaço de papel que assinamos numa igreja qualquer.

- É mais do que isso! Trata-se de um juramento de fidelidade eterna. Uma prova de amor para toda a vida!

- Quem te ouvir falar até parece que não te amo.

- Não, não é nada disso.

- Então se não é nada disso, também não importa se estamos casados ou não. Um dia casar-nos-emos. Não será hoje, nem amanhã, um dia destes…

 

Irritada com a resposta, Bárbara levanta-se da cadeira e começa a gritar.

 

- Mas é assim tão difícil planearmos a porcaria do casamento, porra?! Começo a ficar farta de te ver dizer sempre o mesmo. Estamos juntos há meses, namoramos há anos, acho que é a altura perfeita para darmos mais um passo.

- Sabes Bárbara, quando tu fazes esse escândalo todo, só me fazes pensar que casar contigo seria um erro.

 

Luís sai de casa, deixando Bárbara ainda mais desesperada. Ela começa-se a aperceber que o seu casamento parecia cada vez mais uma miragem que já nem ao seu alcance parecia estar…

No dia seguinte, a festa de Susana continuava na ordem do dia.

 

- Não quero ir aquela festa… Vai ser tão aborrecido, mãe. – disse Frederico.

- Há certos aborrecimentos pelos quais não podemos escapar. Temos que levar com eles… Este é um deles.

- As pessoas olham para mim com uma cara estranha por causa da minha doença. Eu não gosto disso, não tenho culpa de ser assim…

- Eu sei que não, querido. Mas às vezes, as pessoas são demasiado rancorosas e egocêntricas para aceitar pessoas como tu. Julgam os outros por aquilo que vêm, pelas doenças que têm, e não pelo interior de alguém. É o mundo em que vivemos…

- Um mundo injusto.

- Pois é. Mas pensa assim, tu não és igual a eles, és superior a eles. Eles não passam de uns simples parvos que apenas vêm dinheiro à frente.

 

Frederico sorriu com as palavras de ternura da mãe. Natacha era a pessoa que mais se preocupava com o filho e Frederico notava isso. Ele sabia que a mãe era a única pessoa em quem poderia confiar e recorrer em caso de ajuda.

 

- Bem, agora vais tomar banho e depois vais-te vestir, para nos prepararmos para a festa. Só os vais aturar durante umas horas, não fiques assim. – continuou, passando a mão pela cabeça do filho.

 

Também a preparar-se para a festa, Susana chama uma equipa de decoração para que tudo fique perfeito. Paulo, que acabara de chegar do bar, depara-se com a equipa a remexer em todos os cantos da sua casa.

 

- Que confusão é esta? – perguntou Paulo.

- Amor, chegaste! Esta é a decoração para a festa! – respondeu Susana.

- Para quê tantos objetos, adornos e tudo isso? É só um aniversário, não é propriamente uma festa de um casamento em si.

- Não importa. Esta festa tem de estar perfeita a todos os níveis! Quero que isto seja mítico!

- Pronto, tu lá sabes…

 

Entretanto, Susana recebe uma mensagem de Sebastião, pedindo desculpa por aquilo que se passara no dia anterior. Para começar o plano que ela e Jéssica tinham falado, Susana perdoa-o, mas a raiva que sentia dele permanecia.

A noite caíra… Duarte, Natacha e Frederico estavam prontos para comparecer à festa. Antes de saírem, Duarte dirigiu-se ao seu filho com um tom arrogante.

 

- Não faças porcaria durante a festa! Quero que te comportes de maneira exemplar!

 

Para Frederico, aquilo soava mais a uma ameaça que propriamente a um aviso. Natacha, que se encontrava perto dos dois, percebeu aquilo que o pai do pequeno lhe dissera. Não respondeu, mas por dentro, o seu corpo gritava. Gritava pelo facto de ele odiar o seu filho, gritava pelo facto de não poder fazer nada e gritava por saber que, nem ela, nem o seu filho pertenciam aquele lugar. Um lugar de pessoas abastadas, que não se preocupavam muito com os outros e que menosprezavam o seu filho pelo simples facto de ter leucemia. Natacha sabia, que se fosse hoje, não teria casado com Duarte, o homem que a encantou com “falinhas mansas” e com promessas de fidelidade eterna… Mentiras, nada mais que mentiras, e agora, já era tarde de mais para voltar atrás no tempo.

A festa tinha começado. Tudo estava vestido a rigor e todos se davam bem uns com os outros, uma fachada.

 

- Obrigado a todos por terem vindo! É com enorme prazer que anuncio que eu e o meu querido marido comemoramos os nossos oito anos de casados! – disse Susana, para todos os que estava na sala.

- Oito anos! Quem diria! Eu sempre pensei que isto nem um mês sobrevivia… – murmurou Bárbara.

- Tenho que dizer que sem ti, meu amor, a minha vida não seria a mesma. Casar-me contigo foi o melhor que me podia ter acontecido em toda a minha vida. Obrigado por tudo! – disse Paulo.

 

Os convidados batem palmas ao ouvir as palavras de Paulo, uns de forma calorosa, outros de forma sarcástica, como se soubessem perfeitamente que a mulher o traía regularmente, embora não tivessem provas concretas que a acusassem… A festa prosseguia, com os mesmos sorrisos, as mesmas palavras, os mesmos atos do costume. O pequeno Frederico não via a hora em que se fosse embora daquele mundo de ricos, um mundo pelo qual nunca se iria adaptar, um mundo que não queria viver.

 

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- Luís, preciso de falar contigo. Tenho que te pedir desculpa por aquilo que aconteceu ontem. Eu exagerei…
- Pois exageraste, Bárbara. E eu espero que aquilo que se passou ontem não se volte a repetir. Para o bem da nossa relação.
- Acredita que não se vai voltar a repetir. Desculpa amor.

 

"Lugares Inóspitos", o 5º episódio de "Depressão", será publicado no próximo Sábado, dia 14 de Setembro, às 21:30.

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Aiiii eu amo a Jéssica! :cool: :cool: Esta tipa vai chupar o amante até ao tutano :party:

 

Natacha, mulher, está na altura de te impores!!

 

Rúben, isto merecia um destaque televisivo, estou a gostar bastante e já começo a perceber bem o Mundo das personagens :) Keep it up :D

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 “LUGARES INÓSPITOS”

EPISÓDIO 5

 

À medida que a festa continuava, Natacha reparou no estado de Luís e foi falar com ele.

 

- Pareces tenso, Luís… O que se passa?

- Problemas lá em casa, nada de grande relevância.

- Tem a ver com a Bárbara?

 

Luís hesita, mas acaba por responder.

 

- Tem… Sinto que a minha relação com ela está cada vez pior. Ela simplesmente já não é aquilo que era, já não é a Bárbara que conhecia.

- Podes sempre contar comigo se precisares de algo.

- Eu sei… Obrigado.

 

Durante a conversa, Bárbara interrompe-os, para falar com o seu namorado.

 

- Natacha! Há quanto tempo não te via! Tudo bem lá em casa? – perguntou.

- Vão bem, dentro do possível… – responde Natacha.

- E o Frederico? Tudo bem com ele também?

- Vai andando, mas continua à espera de um dador de medula óssea que seja compatível.

- Pois… – disse, desinteressada. – Luís, preciso de falar contigo.

- Bem, melhor eu ir andando. – disse Natacha.

- Sim, querida. As melhoras para o teu filho.

 

Natacha despede-se dos dois e afasta-se, para que Luís possa falar com Bárbara.

 

- Tenho que te pedir desculpa por aquilo que aconteceu ontem. Eu exagerei…

- Pois exageraste, Bárbara. E eu espero que aquilo que se passou ontem não se volte a repetir. Para o bem da nossa relação.

- Acredita que não se vai voltar a repetir. Desculpa amor.

 

Luís aceita as desculpas de Bárbara. Ela abraça-o e, de seguida, beija-o, voltando depois para a sala de estar, onde decorria a festa.

 

- Isto ainda vai demorar muito? – perguntou Frederico para Natacha.

- Mais uma hora, hora e meia, talvez… – respondeu.

 

De repente, Frederico começa a ficar quente e tenta libertar-se da roupa que tem vestida. Natacha repara que o seu filho não está bem, e num espaço de segundos, o seu filho desmaia, provocando o pânico na sala inteira.

 

- Frederico?! Filho?! – gritou Natacha, em pânico.

- O que se passou? – disse Duarte.

- O que se passou foi que o teu filho desmaiou por tua causa!

- Acho que esta não é a altura apropriada para fazeres um escândalo, ainda para mais sem qualquer fundamento! – sussurra para Natacha

- Chamem uma ambulância, por amor de Deus! – disse Susana.

 

Paul pega no telefone e liga para as emergências, aflito.

Uma ambulância chega em poucos minutos… Frederico começa a recuperar os sentidos e a voltar à normalidade. Natacha, que o acompanha na ambulância, sabe perfeitamente que aquilo que aconteceu na festa fora um sintoma da doença do seu filho e, por isso, sabe que o tempo para a recuperação do mesmo é escasso. Já Duarte acompanha a ambulância no seu carro, depois de se ter recusado a entrar.

Ao chegar ao hospital, Frederico é examinado e por fim, levado para um quarto. Enquanto Duarte se encontra na sala de espera, Natacha fala com o médico responsável pela examinação do seu filho.

 

- Febre elevada. – disse – Foi essa a causa para o desmaio do seu filho.

- Mas ele estava bem ainda há cerca de umas horas! – disse Natacha.

- É normal… – respondeu o médico – Estas febres aparecem do nada, não há uma causa específica para o aparecimento deste sintoma. – continuou.

- Ele vai ficar bem? – perguntou.

- Vai, mas, no entanto, o melhor é ele ficar aqui até melhorar. Assim que acharmos que ele já está apto para ir para casa, ele vai.

 

Natacha sai e dirige-se para o quarto onde se encontrava Frederico. Ao abrir a porta, vê Duarte, sentado numa cadeira, olhando para o filho, que se encontrava a dormir… Os olhares do marido viram-se rapidamente para ela. Apesar de parecer calmo, os olhos azuis do mesmo encheram-se de raiva, irados das palavras que Natacha lhe dissera na festa.

 

- O nosso filho está bem, não te preocupes… – disse Duarte.

- Eu falei com o médico – disse, amedrontada pelo olhar do marido – e ele vai ter de ficar aqui uns dias.

- Sendo assim, acho que me vou embora.

- Eu prefiro passar a noite com ele.

- Está bem…

 

Duarte levanta-se, aproxima-se de Natacha e sussurra-lhe ao ouvido.

 

- Ah! E sugiro-te que tenhas mais cuidado com as palavras, principalmente aquelas que são ditas em público.

 

Duarte saiu do quarto. De seguida, Natacha sentou-se, ainda a pensar nas palavras que o marido lhe dissera, e aquilo que poderiam significar.

A festa acabara, um novo dia havia começado, e para os restantes convidados, a vida retomava à normalidade, até mesmo para Duarte.

À medida que o pai de Frederico seguia para o seu escritório, Luís ficara chocado com tamanha despreocupação… De certa forma indignado, bateu à porta do escritório dele e entrou.

 

- O teu filho já está melhor?

- Ele anda com febre, nada de mais.

- Mas já saiu do hospital?

- Não, acho que o médico preferiu que ele ficasse lá mais uns dias, só enquanto recupera e não.

- Desculpa a pergunta, mas sendo assim, o que estás aqui a fazer? Não devias estar com o teu filho?

 

Duarte parecia ter ficado incomodado com a pergunta, mas mesmo assim, decidiu responder.

 

- A Natacha ficou lá, portanto a minha presença também não é necessária… Não estou lá a fazer nada.

 

Luís fica perplexo com aquilo que Duarte lhe dissera. Embora soubesse que Duarte nunca se preocupou em demasia com o filho, talvez pelo facto de ter leucemia, nunca pensou que ele estivesse tão despreocupado com a atual situação do mesmo.

 

- Olha, queres que te adiante algum trabalho para ires ao hospital mais cedo? Eu não me importo…

- Como já te tinha dito a minha presença lá não é necessária. – disse, rudemente – Faz o teu trabalho que eu faço o meu. Agora se não te importas, sai, por favor.

 

Ao sair do escritório de Duarte, Luís lembrou-se das palavras que Natacha havia dito na festa, quando Frederico desmaiou. De repente, várias perguntas começaram a surgir na cabeça de Luís. Perguntas que precisavam de respostas…

No hospital, Frederico acordou, para alegria de Natacha, que não tinha fechado os olhos durante a noite toda, sempre preocupada com o estado de saúde do filho.

 

- Mãe, tenho frio.

- Vou chamar o médico, filho… Deves ter febre, é normal que tenhas frio.

 

Cerca de um minuto depois, o médico chega ao quarto de Frederico. Após ter verificado o estado de saúde do miúdo, o médico reparou que o filho de Natacha apresentava cerca de quarenta graus de febre e que pouco tinha melhorado desde ontem. Depois de o examinar, o médico pede a Natacha que se afaste um pouco da cama onde se encontrava Frederico, para que pudessem falar, sem que o filho os pudesse ouvir.

 

- O seu filho não apresenta grandes melhorias no seu estado de saúde. Continua com febre elevada e com calafrios.

 

Natacha começa a chorar… No meio de tantos infortúnios, parece que o seu mundo começava a desabar. Sentia-se sozinha, como se todos lhe virassem as costas, como se tudo estivesse perdido. Pela primeira vez pensou na possibilidade do filho, a razão de viver dela, morrer. E pela primeira vez pensou em pôr termo à sua vida.

 

- Não fique assim – disse o médico, com pena de Natacha – O seu filho vai ficar bem, ele vai recuperar. Pode demorar alguns dias, mas ele vai recuperar. Aproveite e vá para casa, está com cara de quem precisa de um descanso.

 

Natacha olhou para o filho, que conseguiu perceber que a mãe esteve a chorar e que a razão para tal era o seu estado de saúde.

 

- Sim, acho que é melhor… – disse Natacha.

- Ele vai ficar bem, não se preocupe. – consolou-a.

 

Natasha sai do hospital. Quando chegou a casa, adormeceu por umas horas. Enquanto dormia tudo parecia tão calmo, tão distante… Mas quando acordava, quando voltava a abrir os olhos, o pesadelo voltava. Um pesadelo do qual não podia fugir. 

 

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- Fico feliz por teres vindo, Luís. – disse Natacha.
- Decidi aparecer para ver como é que está o teu filho e também para te fazer umas perguntas.
- Que perguntas são essas?
- Ontem, na festa, disseste que o teu filho desmaiou por causa do Duarte. O que se passa?

 

O próximo episódio de "Depressão" será publicado no próximo Sábado, dia 21 de Setembro, às 21:30.

 

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Esse Duarte está a precisar de um apertão...pai não é o termo certo para essa criatura.

 

Um episódio bem dramático, bem conseguido. Queremos mais Rúben, ou entramos todos em Depressão :):smoke::cool:

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que história dramática :crying:  :cray:

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“TORMENTAS DO PRESENTE”

EPISÓDIO 6

 

Entretanto, na casa de Sebastião, Susana chegava, furiosa com o resultado da festa de ontem.

 

- Então, como correu a festa ontem? – perguntou Sebastião.

- Não correu! – respondeu Susana, indignada – O filho de uma amiga minha lembrou-se de desmaiar durante a festa, arruinando com ela.

- A sério? Coitado…

- Coitado foi do dinheiro que gastei nos preparativos da festa!

- Mas será que tu não és capaz de gostar de nenhuma das tuas amigas?

- Eu até gosto da Natacha, mas o filho bem que podia ter desmaiado noutra altura!

- Não sejas assim, sabes perfeitamente que ele não teve culpa.

- Eu sei, mas aquela festa, se é que lhe posso chamar festa, era para ser uma obra-prima e virou um desastre.

 

Sebastião aproxima-se de Susana e agarra-a.

 

- Talvez eu possa tentar recompensar o desastre de ontem... – disse, beijando-a. – Que me dizes?

- Ai Sebastião, Sebastião, o que seria de mim sem as tuas ótimas ideias. – respondeu.

 

Horas depois, Natacha regressa ao hospital. Por muito cansaço que tivesse, a preocupação que tinha pelo seu filho era maior.

Ao final da tarde, Luís foi ao hospital visitar Frederico… Esteve com aquelas perguntas na cabeça o dia todo e tinha quase a certeza que algo de estranho se passava dentro daquelas paredes. Dirigiu-se à porta, bateu e entrou…

 

- Fico feliz por teres vindo, Luís. – disse Natacha.

- Decidi aparecer para ver como é que está o teu filho e também para te fazer umas perguntas. Ele – disse, apontando com a cabeça para Frederico – já está melhor?

- Nem por isso, mas o médico disse que era normal. Estavas a dizer que me querias fazer umas perguntas, que perguntas são essas?

- Ontem, na festa, disseste que o teu filho desmaiou por causa do Duarte. O que se passa?

- Não se passa nada, eu devo ter dito aquilo porque estava aflita. – disse, nervosa com a pergunta.

- Culpaste o Duarte porque estavas aflita?

- Sim, acho que estava tão abalada que já nem sabia o que dizia.

- Natacha, achas que eu sou burro para acreditar nisso?

- Mas não há nada para acreditar! Esquece o que disse ontem, a sério…

- Não, não esqueço. E não saio daqui enquanto não me contares a verdade.

 

Entretanto, enquanto espiava Susana, Bárbara encontra-a a sair de casa de Sebastião. Decidiu parar e esconder-se atrás de uma árvore, de modo a que não fosse vista… Eis que surge Sebastião, à porta da casa do jovem.

 

- Fica aqui mais um pouco! – disse Sebastião para Susana.

- Sabes perfeitamente que não posso, tenho de voltar para casa, senão o meu marido começa a desconfiar.

- O teu marido é um totó, achas que ele desconfia de alguma coisa?

- Mesmo assim, não posso arriscar. Adeus.

 

Os dois beijam-se e Bárbara, que assistira a tudo, tirou a sua câmara da carteira e começou a tirar fotos. De seguida, saiu do seu esconderijo e regressou a casa, onde pôde visualizar as fotos que tirara com mais calma. Sabia agora que tinha Susana na mão e ia usar essa vantagem para tramá-la mais tarde.

Já Natacha continuava a responder às dúvidas de Luís.

 

- Qual verdade, Luís? Já te disse que eu não tenho nada para te dizer! Não insistas! – disse.

- Então como é que explicas o facto do Duarte não se preocupar nem um pouco com o Frederico? – perguntou Luís.

- Achas que eu sei? Porque não lhe fazes essa pergunta a ele?

- Natacha, eu sei que se passa algo entre vocês os dois. Enquanto tu andas triste e deprimida, o Duarte anda descontraído. Eu sei que aquilo tu disseste ontem não aconteceu por acaso.

 

De um momento para o outro, Natacha começa a chorar. Não conseguia aguentar mais, tinha de desabar.

 

- Eu estou tão desesperada! O Frederico nunca mais melhora, precisa de um transplante que nunca mais chega e o Duarte não quer saber dele, está sempre a implicar com ele, a implicar comigo! Eu bem tento confrontá-lo mas ele fica ainda mais irado!

- Pronto, – disse, consolando-a e abraçando-a ao mesmo tempo – não chores mais.

- Eu começo a ficar sem forças para lutar, Luís! A cada dia que passa, o Frederico vai piorando, o Duarte está a ficar cada vez mais insuportável! Eu já não aguento mais!

- Tem calma, vais ver que tudo se vai resolver.

- Todos me pedem para ter calma, mas como é que eu posso estar calma à medida que vejo o meu filho, e até mesmo eu, a definhar aos poucos. Não consigo ter calma, estou farta e cansada de estar calma!

- Natacha, terás sempre um ombro amigo ao teu lado. Cada vez que precisares de ajuda, podes sempre desabar comigo. – consolou-a.

- Obrigado por tudo Luís. – disse, limpando as lágrimas da cara.

- Um dia, vais ver que todos os teus pesadelos irão desaparecer. E disso, tenho certeza absoluta. – disse, dando as mãos a Natacha.

 

A porta do quarto de Frederico abre-se e eis que surge Duarte. Os dois afastam-se imediatamente, com uma sensação de que aquilo que estavam a fazer não era correto. Duarte apercebeu-se da cumplicidade entre os dois, embora não tivesse notado que estavam de mãos dadas.

 

- Luís, não esperava ver-te aqui. – disse Duarte.

- Decidi aparecer para ver como estava o teu filho. Mas já estou de saída, portanto resta-me apenas despedir-me de ti e da Natacha.

 

Após despedir-se dos dois, Luís abandona o quarto.

 

- Como está o Frederico? – perguntou Duarte.

- Está na mesma, pouco ou nada melhorou desde ontem. – respondeu Natacha.

- Hoje quero-te ver dormir em casa.

- Desculpa?

- Ouviste bem, quero que durmas lá em casa hoje e nos próximos dias também.

- E o Frederico? Deixo-o aqui sozinho?!

- Ele não morre, não te preocupes. Há médicos neste hospital bem capazes de cuidar dele. Não precisas de empatar caminho…

- Será que tu não tens nem um pouco de pena por ele? É assim tão difícil, porra!

- Acalma o tom de voz, Natacha! Além disso, já te disse para teres cuidado com aquilo que dizes, principalmente em locais públicos.

- Senão o quê? Bates-me?

 

Duarte dá um estalo a Natacha.

 

- Acho que isto serve como resposta. Quero ver-te em casa hoje à noite, estás avisada!

 

Duarte sai do quarto do hospital e Natacha desatou a chorar novamente. Para ela, pesadelo perdura e é cada vez maior…

Já de noite, e depois de mais um belo dia passado com Sebastião, Susana chega finalmente a casa.

 

- Por onde andaste o dia todo? – perguntou Paulo, preocupado.

- Fui passear, espairecer um pouco, tendo em conta o desaire de ontem. – respondeu Susana.

- O garoto não tem culpa, não insistas no assunto.

- Também não vale de nada agora.

- Quando vais ao hospital visitá-lo?

- Quando me apetecer lá ir. E agora vou tomar um bom e relaxante banho, amor!

 

Susana sai da sala de estar e vai ao quarto primeiro. Eis que recebe uma chamada de Bárbara.

 

- Mas o que é que esta quer agora? – disse para si mesma.

 

Ela atende o telefone e faz uma voz cínica.

 

- Diz linda! – disse cinicamente.

- Olá Susana! Olha, já há algum tempo que não nos encontramos. Que tal irmos ao spa amanhã, para pormos a conversa em dia?

- Sabes, não tenho tido muito tempo, nem sei se é uma boa altura. – hesitou.

- Acredita que vais querer ir ao spa amanhã. – disse, olhando para as fotos que tirara anteriormente – Bem, fica combinado então… Adeus!

 

Bárbara desliga o telemóvel e Susana volta mais uma vez a falar para si mesma.

 

- Era só o que me faltava agora ter de aturar esta. Porquê é que isto só me acontece a mim?! – disse, com as mãos apontadas para o teto.

 

Após desligar, Bárbara continua a olhar para as fotos.

 

- Vais-te arrepender tanto de te teres metido comigo há uns anos, Susaninha. – disse, com um tom ameaçador.

 

Bárbara começa a rir. Agora quem dita as regras do jogo é ela.

 

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- Onde vais? – disse Duarte, num tom impiedoso.
- À cozinha. – respondeu Natacha, com um tom de voz e cabeça baixa.
- Daqui a uma semana começas a trabalhar na minha empresa.
- Desculpa?
- É isso mesmo que ouviste
.

 

O próximo episódio de "Depressão" será publicado no próximo Sábado, dia 28 de Setembro, às 21:30.

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It's Bárbara, bitch :cool: Vamos ter luta de "galinhas" :smoke: Mas uma luta chique, que elas frequentam SPAs :mosking:

 

Quanto à Natacha, coitada, é um mero objecto nas mãos do marido! Impõe-te! Espero que ela se torne uma Alison Hendrix :cool:

 

Queremos mais episódios, Rúben! Quero saber como está a minha Jéssiquinha :smoke::rolleyes: Parabéns pelo episódio, mais uma vez, a corresponder e a entregar algo palpável! :)

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Esta Bárbara é tão bitch, mas tou curioso para saber o que aconteceu no passado entre ela e a Susana  :)

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“INVASÃO DE TERRITÓRIO”

EPISÓDIO 7

 

Após a visita do seu marido ao hospital, Natacha regressa a casa, tal como Duarte lhe dissera.

 

- Finalmente chegaste. – disse Duarte, com um ar sério mas ao mesmo tempo perigoso.

- Vou-me deitar, preciso de descansar. – disse Natacha.

- Eu acompanho-te.

 

Duarte larga o livro que estava a ler e, juntos, dirigem-se ao quarto. De repente, Duarte começa a tocar em Natacha.

 

- Duarte, o que estás a fazer?

- Agora vais fazer aquilo que eu quero!

- Duarte! – gritou aflita – Para! – continuou.

 

Duarte atira Natacha para a cama, baixa as calças e a roupa interior que tem vestido e faz o mesmo com a mulher. Como que uma faca a penetrar um coração, Natacha deixa de reagir, a alma fora-lhe roubada, era apenas o corpo e até esse estava a compadecer. O que restava das forças que ela tinha perderam-se.

Na manhã seguinte, Natacha estava devastada, sem reação. Aquilo que se passara na noite anterior foi um misto de humilhação, com impotência e raiva, como que se tudo e todos a abandonassem. Levantou-se da cama e, ao sair do quarto, encarou com Duarte, que estava de saída.

 

- Onde vais? – disse Duarte, num tom impiedoso.

- À cozinha. – respondeu Natacha, com um tom de voz e cabeça baixa.

- Daqui a uma semana começas a trabalhar na minha empresa.

- Desculpa?

 

Duarte aproxima-se de Natacha, com um ar ameaçador.

 

- É isso mesmo que ouviste. Daqui a uma semana vais começar a trabalhar na minha empresa. És advogada, já lá trabalhaste e a doença do nosso filho não é desculpa para tudo. Além disso, assim posso controlar aquilo que fazes o dia todo.

- E achas que as pessoas não vão desconfiar? O nosso filho doente e eu a trabalhar?! Eu não vou!

- Sim vais! – gritou.

- E quem vai cuidar do nosso filho?

- Uma ama.

- Uma ama quando a mãe pode estar em casa?

- Sim, uma ama! E chega de fazeres perguntas, já está tudo combinado!

 

Natacha nem respondeu, estava sem palavras. Já Duarte pegou na sua pasta e foi-se embora. Mal a porta fechou, Natacha ajoelha-se e começa a chorar desesperadamente.

No spa, meia hora antes do encontro com Susana, Bárbara dirige-se à receção para deixar um envelope, que continha as fotos que tirou na tarde anterior.

 

- Bom dia. – disse Bárbara para a rececionista.

- Bom dia. – respondeu – Que deseja?

- Será que me pode guardar e entregar este envelope? É que eu vou ter de me ir embora para tratar de um assunto e não dá muito jeito ficar com ele.

- Com certeza.

- Ótimo! Faça então assim: quando vier uma senhora chamada Susana Mendes, que tem uma sessão marcada dentro de meia hora, entregue-lhe este envelope e diga-lhe que foi a Bárbara, que ela perceberá. Bem, eu vou ter mesmo de ir, mas muito obrigado, a sua ajuda vai ser preciosa.

 

E com um sorriso cínico Bárbara abandona o spa. A sua vingança estava apenas a começar.

Na empresa de Duarte, Luís recebe um telefonema inesperado…

 

- Sim? – disse, ao atender o telemóvel.

- Luís, eu não aguento mais.

- Natacha, o que se passa? Por favor, não cometas nenhuma loucura!

- É impossível não cometer loucuras, quando todos os que te rodeiam te matam por dentro.

 

Natacha desliga o telemóvel… Luís, aflito, sai imediatamente do seu escritório para ir ter com ela. Tinha de impedir qualquer loucura que pudesse cometer.

Entretanto, Susana acabara de chegar ao spa…

 

- Bom dia, eu tenho aqui uma sessão marcada para esta hora. – disse Susana para a rececionista.

- E pode-me dizer o seu nome?

- Susana Mendes.

- Sim, tem aqui uma sessão marcada. Tem também aqui um envelope que uma senhora chamada Bárbara me pediu para lhe entregar.

 

A rececionista entrega o envelope a Susana. Intrigada, abre-o e vê as fotos em que se encontra a beijar Sebastião.

 

- “Nada dura para sempre”. – leu a nota que estava colada a uma das fotas, estupefacta – Cabra! – disse de seguida.

 

Susana sai apressadamente do spa. Ao chegar ao carro, pega na carteira e tira de lá o seu telemóvel. De seguida, liga a Bárbara e reza para que as mesmas fotos não estivessem também em sua casa.

 

- Olá Susana! Então, tudo bem? – disse Bárbara, cinicamente.

- Deixa-te de rodeios, minha cabra. Que fotos são estas?!

- Não sei, diz-me tu. Que fotos são essas, Susana? Pelos vistos, andas muito animada. Já agora, como se chama o teu amante? Fiquei curiosa!

- Estás a divertir-te, não estás?

- Muito! E isto é só o começo! Só gostava de ser mosca para ver a reação do Paulo ao ver essas fotos.

- Isto tudo para quê, Bárbara? Para te vingares de mim?

- Estás a ver que tu quando queres consegues ser inteligente! Tu pensavas que eu não sabia? Pensavas que eu não sabia que tu, há uns anos atrás, me tentaste matar, porque era uma concorrência demasiado forte para ti? Pois bem, agora vais ver o que é ter concorrência a sério. Prepara-te Susaninha, isto é só o começo!

 

Bárbara desliga o telemóvel e Susana entra em pânico. Entrou no carro e acelerou, rumo a sua casa. Se Paulo descobrisse as fotos, a vida que conhecia, todos os luxos e extravagâncias acabariam naquele momento. E isso era impensável.

Também em pânico, ia Luís. Quando chegou a casa de Natacha, tocou à campainha. Ninguém atendeu. De seguida, bateu à porta, olhou para as janelas e continuava a não ver ninguém. Tinha de arrombar a porta ou partir uma janela. Começou pela porta, mas ao ver que não conseguia, procurou uma pedra e partiu uma das janelas da casa.

Ao entrar, começou imediatamente a procurá-la. Entrou no quarto de Natacha e de Duarte, e encontrou-a, deitada na cama, com uma caixa de comprimidos ao lado. Ligou rapidamente para as emergências e verificou-lhe a pulsação. Para seu alívio, Natacha estava viva. Pouco tempo depois, uma ambulância também chegara. Agora, quer mãe, quer filho, estavam no hospital.

Na casa de Susana, Paulo acaba de acordar... Ao dirigir-se para a sala, encontra um envelope, debaixo da porta. Tal como Susana, ficou intrigado com o conteúdo que poderia ter aquele envelope. Dirige-se para a porta, apanha-o e abre-o. E para sua grande surpresa, acabara de descobrir que estava a ser traído pela mulher. Mulher essa, que acabara de chegar, na esperança de encontrar o envelope primeiro que ele. Em vez disso, encontra-o mesmo em cima das mãos do marido.

 

- O que é isto, Susana? – perguntou Paulo, chocado.

- Eu posso explicar. – respondeu Susana, num grande nervosismo.

- Será que podes mesmo?

- Ouve, foi um momento de fraqueza, nada de mais.

- Para uma prostituta, um momento de fraqueza é sempre uma coisa sem importância.

- Eu não te admito que me chames isso!

- E eu não te admito que me traias! – gritou – Depois destes anos todos, tu continuas a mesma rameira que eras!

- Eu não sou nenhuma rameira!

- Ai não? Já não te lembras onde nos conhecemos?

 

Em 2003, Susana era uma prostituta, das mais requisitadas, num bordel local. Numa noite quente de Verão, Paulo visitou o bordel para procurar uma mulher que lhe pudesse proporcionar umas horas de prazer.

 

- Nunca vi aquele pedaço por estas bandas. – disse Susana para outra prostituta que se encontrava num balcão.

- Nem eu…

- Ele é novo por aqui. – disse Bárbara, que estava de passagem. Tal como Susana, também ela era uma prostituta.

- Então se é novo, temos de lhe dar uma boa impressão do estabelecimento. E Bárbara, este é meu. – disse para Susana, rudemente.

- Querida, esse tipo de homens não faz muito o meu género. Além disso, tenho muitos por onde escolher. Mas, se fosse a ti, eu ia já, não vá alguma faminta de pilas roubar-te a caça.

 

Susana vai ter com Paulo, para uma primeira apresentação.

 

Temos carne nova por aqui! Então, o que te traz a este estabelecimento? – perguntou a Paulo.

Bem, posso dizer que vim para procurar alguns divertimentos. – respondeu.

- Se quiseres, eu posso ser a resposta para a tua procura. – disse, enquanto colocava uma mão numa perna de Paulo. – O meu nome é Susana. – apresentou-se.

- Paulo. – apresentou-se também, mas com os olhares virados para a mão de Susana. – Bem, como não sou pessoa de recusar uma oportunidade destas, acho que é melhor aproveitar a oferta. – disse, colocando também a sua mão em cima da mão dela.

 

Paulo e Susana dirigiram-se assim para um quarto. Encantado com ela, Paulo voltou uma e outra vez àquele bordel até que dois anos mais tarde lhe pediu em casamento e Susana foi morar com ele.

                                     

- És um objeto, não serves para mais nada a não ser para levares aí em baixo! Quanto é que ele te pagava? – perguntou ele.

 

Susana dá um estalo a Paulo. Este responde da mesma forma, deixando-a caída no chão.

 

Quero-te ver fora da minha casa, já! – gritou. Era o fim da linha para Susana.

 

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- Sr. Duarte, tem aqui um telefonema do Sr. Luís. – disse Raquel, a sua secretária.

- O que se passa, Luís?

- A tua mulher tentou suicidar-se. Estou agora no hospital com ela.

- O quê?! Vou já para aí!

 

O que acontecerá a Susana e a Natacha?

Descubram no oitavo episódio de "Depressão", que será publicado no próximo Sábado, dia 5 de Outubro, às 21:30.

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Faminta de pilas :rofl: :Rofl: :mosking: :mosking:

 

Excelente reviravolta, parece que aqui temos o verdadeiro Mundo ao Contrário :rolleyes: Será que Natacha vai mesmo trabalhar com o seu "marido" ? O que é que Bárbara ganhou com esta chantagem? :D

 

Mais um excelente episódio, cá esperamos pelo próximo ! :D

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Bem Ruben, acabei de acompanhar todos os episódios agora, e a partir de agora tens mais um seguidor nesta fantástica história.
Aspectos a destacar:
Escrita acessível, coerente, cuidada, fluída!
As personagens são todas interessantes, não há nenhuma a encher chouriços, e cada uma tem o seu momento :)
Gosto da personagem da Natacha! Mulher sofredora, com a vida complicada, filho doente, marido violento....coitadinha :(
É uma história bastante atual, ou pelo menos consigo denotar bastantes aspetos do quotidiano :)
Gosto também da personagem da Jéssica haha grande bitch! :P
Espero continuar a ler mais, porque isto já me prendeu e estou bastante interessado em continuar a ler :)
Força nisso Ruben!!!! Tens aqui história :)
 

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Obrigado a todos pelos comentários. :)

 

Entretanto, no final do texto, detetei um pequeno erro nesta frase:

 

- Então se é novo, temos de lhe dar uma boa impressão do estabelecimento. E Bárbara, este é meu. – disse para Susana, rudemente.

 

Não é "para Susana" mas sim apenas "Susana", ou seja, como está na quote em cima. Peço desculpa.

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“SENTIMENTOS”

EPISÓDIO 8

 

Na empresa, Duarte recebe a notícia de que a sua mulher se tentou suicidar.

 

- Sr. Duarte, tem aqui um telefonema do Sr. Luís. – disse Raquel, a sua secretária.

- Do Luís? Passe o telefonema para o meu escritório.

- Estou? Duarte? – disse Luís.

- O que se passa, Luís? – respondeu Duarte.

- A tua mulher tentou suicidar-se. Estou agora no hospital com ela.

- O quê?! Vou já para aí!

 

Duarte saiu apressado rumo ao hospital.

Não tão apressada, ia Susana, de malas feitas e com uma lágrima ao canto do olho, pronta para sair de casa.

 

- Estou pronta. – disse Susana.

- Ótimo. A porta está aberta, podes sair.

- Por favor, dá-me outra oportunidade! – implorou.

- Não há novas oportunidades para rameiras como tu. Sai, estou a perder demasiado tempo com pessoas que nem merecem!

 

A chorar, Susana dirige-se para a porta. Mas antes de fechá-la deixa umas últimas palavras ao que era seu marido.

 

- Espero que sejas feliz no futuro. E que não caias nos mesmos erros que eu cometi.

- Fica descansada, não irei.

 

Susana fecha a porta lentamente. Oito anos da sua vida foram agora deitados para ao lixo em apenas uns minutos. A sua única solução era Sebastião e era para casa dele que se dirigia.

 

- Devíamos viver juntos. – disse Jéssica, enquanto estava na cama mais Sebastião.

- Achas?

- Não vejo porque não.

- Não sou fã de partilhar a minha casa com outras pessoas. Não gosto nada de chegar à casa de banho e encontrar esses cremes, outra escova de dentes, tampões e tudo mais o que vocês utilizam.

 

De repente, a campainha toca.

 

- Estás à espera de alguma visita? – perguntou Jéssica.

- Não. – respondeu Sebastião, intrigado.

 

Sebastião levanta-se da cama e abre a porta. Para sua surpresa, era Susana, lavada em lágrimas, daquilo que acontecera.

 

- O que estás aqui a fazer a esta hora? – perguntou espantado.

- O Paulo descobriu tudo. Ele expulsou-me de casa. – disse, à medida em que entrou porta adentro.

- Mas como?

- Parece que alguém se lembrou de andar a vigiar-me e tirou fotos enquanto nos beijávamos. O Paulo viu-as e expulsou-me de casa. Sebastião, tu és a minha única esperança neste momento. Deixa-me ficar aqui uns dias. – pediu-lhe.

- Mas já hoje?

- Claro que é já hoje! Sem dinheiro, querias que fosse para onde? Pedir esmola aos velhinhos ali do parque? Então, posso?

- Podes.

- Vou pôr a mala no quarto.

 

Aflito que Susana descobrisse Jéssica no quarto, tentou bloquear-lhe o caminho, metendo-se à sua frente.

 

- Queres que te vá pôr as malas ao quarto?

- Deixa-me passar Sebastião.

- Tens a certeza? – insistiu.

- Sim! Agora deixa-me passar, por favor! – exclamou, irritada.

 

Felizmente para Sebastião, Jéssica já se tinha escondido e não havia quaisquer vestígios de que esteve ali.

 

- Agora deixa-me sozinha, Sebastião, preciso de pensar nalguns assuntos.

- Está bem.

 

Sebastião sai e deixa Susana a sós. A sós, bem, com Jéssica a ouvir tudo debaixo da cama.

 

- Eu hei de me vingar daquela cabra! E desta vez, não vou cometer os mesmos erros do passado! – disse Susana para si mesma.

 

Ainda surpreendido com a tentativa de suicídio de Natacha, Duarte chegara ao hospital. Na sala de espera, encontrou Luís, sentado numa cadeira e com um ar preocupado.

 

- Primeiro o filho, agora a mulher. – disse para Duarte.

- Ela está bem? – perguntou, enquanto se sentava.

- Os médicos disseram que lhe estão a fazer uma desintoxicação, portanto, sim, acho que ela vai ficar bem.

- Não percebo o porquê de ela ter-se tentado suicidar.

- Talvez tenha sido a pressão exercida por algumas pessoas sobre ela.

 

Duarte percebera que aquele comentário era dirigido para ele. Rapidamente estranhou e começou a pensar que o seu companheiro sabia mais que aquilo que devia.

 

- Pois, talvez…

 

O marido de Natacha levanta-se e, após uns momentos de silêncio, volta a fazer uma pergunta a Luís.

 

- Luís, como é que soubeste antes de mim que ela se tinha tentado suicidar?

- Nem eu sei, Duarte.

 

Semanas passaram... Natacha e Frederico recuperaram e Duarte havia desistido da ideia de mandar Natacha trabalhar, pois apercebeu-se que a sua mulher podia falar mais que aquilo que devia.

Já Luís aproveitou a situação para se aproximar mais de Natacha. A amizade entre os dois era cada vez mais forte e ambos queriam que se mantivesse assim.

Numa tarde, decidiu passar por casa de Natacha e convidá-la para um passeio à beira-mar. Ela aceita e Luís aproveita o momento para lhe perguntar o porquê da sua tentativa de suicídio semanas antes.

 

- Porquê eu? – perguntou para Natacha, enquanto caminhavam.

- Desculpa, não percebi.

- Porque é que me ligaste na manhã em que te tentaste suicidar? Porquê eu?

- Luís… – suspirou. – Aquilo que se passou naquela manhã foi um ato de desespero, de fraqueza. Nem eu sei a razão concreta para eu te ligar.

 

Antes de dar a Luís a possibilidade de responder, Natacha muda de assunto.

 

- Bem, e que tal irmos ali à esplanada para comermos um gelado?

- Parece-me uma boa ideia.

 

Os dois avançam em direção à esplanada, compram o gelado e continuam com a conversa, sentados numa mesa.

 

- Então e o Frederico? – perguntou Luís – Há alguma novidade quanto à operação?

- Ele está melhor, aliás, agora até voltou à escola por uns tempos, mas não, infelizmente ainda não há nenhum dador compatível.

- E o Duarte? Menos arrogante em casa? É que ele na empresa tem andado melhor humorado.

- Desde que ninguém o chateie, ele lá vive a sua vida. Então e tu? É que há semanas que nos vamos vendo e nem me lembro de perguntar como andas.

- Eu vou andando.

- A tua relação com a Bárbara ainda se mantém?

- Nem sei. Ela continua a insistir num casamento pelo qual ainda não estou preparado. Sinceramente, acho que ainda está pior que a tua relação com o Duarte.

- A nossa felicidade está sempre condicionada por algo.

- Pois, parece que sim. Mas, para quê inventar obstáculos, quando tudo o que adoramos está em nosso redor?

 

E com estas palavras Luís beijou Natacha. Para ambos, este beijo apaixonante, que desejavam há bastante tempo, marcava o início de uma nova etapa, o fim dos medos e dos obstáculos pelo qual ainda vivem. Estava na altura de o coração falar mais alto…

 

eb53bs.jpg

 

- Por onde andaste este tempo todo? Ligaram-me da escola a dizer que ainda ninguém tinha ido buscar o Frederico!
- Desculpa Duarte, fui dar um passeio e perdi a noção do tempo.
- Um passeio com quem?

 

"Surpresas", o nono episódio de "Depressão", será publicado na próxima Quarta, dia 9 de Outubro, às 21:30.

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Que episódio magnifico, Rúben. Muitos Parabéns.  :)  :happy: 

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Episódio do cliché amoroso :D Mas neste caso já não era sem tempo, uma pausa no drama que assombra as personagens de Depressão.

 

Pobre Jéssica, espero que o chão da casa do Sebastião seja alcatifado :mosking::rolleyes:

 

Excelente, venha o próximo! :D

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Ai o Luís e a Natacha!! Quando o Duarte souber que o seu amigo anda envolvido com a mulher dele.......vai dar bomba!
Gostei!! :P Um episódio mais romântico vá :P

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