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Mensagem adicionada por Ruben,

Temas a abordar neste tópico:

- Posts, stories, reels de celebridades associados ao canal, nas redes sociais, que não abordem projetos profissionais do canal onde trabalham;
- Vídeos ou artigos de opinião referentes a comentários ou posts dessas celebridades;
- Outros projetos de celebridades, que não relacionados com o canal onde trabalham;
- Nascimento de relativos, anúncios de casamentos, divórcios, separações ou outras situações relativas apenas à vida das celebridades.

Posts Recomendados

Postado
há 7 minutos, D91 disse:

Figura incontornável da televisão, Alexandra Lencastre protagonizou algumas das maiores produções da TVI, sendo lembrada por papéis marcantes em novelas como “Anjo Selvagem”, “Ninguém como Tu”, “Ouro Verde” ou “Na Corda Bamba”.

https://tvi.iol.pt/novelas/alexandra-lencastre/atriz/todos-a-conhecem-por-alexandra-lencastre-mas-o-seu-nome-verdadeiro-podera-ser-uma-surpresa-para-os-fas?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=ed-tvi&fbclid=IwY2xjawMws9pleHRuA2FlbQIxMQABHrf9UkONCgZGXHWBGCch23RauM7E1lKWIeqps73wE-CRxwOSa6SNUZzJEQ34_aem_mezCD2pfgS26jJM27rNQDw

A Alexandra Lencastre entrou no Anjo Selvagem?:maquinadaverdade:

Anjo Selvagem e Ouro Verde :confusa_cristina:

  • Haha 3
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há 2 minutos, Max30 disse:

Anjo Selvagem e também em Ouro Verde. Papéis tão marcantes que nem nunca a vi nessas novelas :mico: -q

E não é um site qualquer a escrever isto. É o site da TVI.:riso_fatima:

  • Haha 1
Postado
há 19 minutos, D91 disse:

Figura incontornável da televisão, Alexandra Lencastre protagonizou algumas das maiores produções da TVI, sendo lembrada por papéis marcantes em novelas como “Anjo Selvagem”, “Ninguém como Tu”, “Ouro Verde” ou “Na Corda Bamba”.

https://tvi.iol.pt/novelas/alexandra-lencastre/atriz/todos-a-conhecem-por-alexandra-lencastre-mas-o-seu-nome-verdadeiro-podera-ser-uma-surpresa-para-os-fas?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=ed-tvi&fbclid=IwY2xjawMws9pleHRuA2FlbQIxMQABHrf9UkONCgZGXHWBGCch23RauM7E1lKWIeqps73wE-CRxwOSa6SNUZzJEQ34_aem_mezCD2pfgS26jJM27rNQDw

A Alexandra Lencastre entrou no Anjo Selvagem?:maquinadaverdade:

Esqueceram-se da floribela e do Batatoon :manas::riso:

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Postado (editado)
há 24 minutos, D91 disse:

E não é um site qualquer a escrever isto. É o site da TVI.:riso_fatima:

Mais um bocado e poderiam ter dito que entrou em "Telhados de Vidro" :abismado4:

E também vão referir "Na Corda Bamba" que era uma personagem coadjuvante quando ela teve papéis de muito mais destaque em outras novelas da TVI como em Fascínios, Tempo de Viver, A Única Mulher, Anjo Meu, Destinos Cruzados e por aí fora.

 

Também lembro-me que no aniversário da TVI deste ano (penso que a Alice Alves) a dizer que o Diogo Infante tinha estado em Anjo Selvagem e que esta tinha dado nos anos 90, se ainda fosse alguém que não ligue muito a televisão ainda se dava o desconto mas estes erros vindos de pessoas que trabalham no próprio canal e tendo até já trabalhado na área da ficção do canal é grave :manas:

Editado por Max30
  • Obrigado 1
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É claramente algo feito por inteligência artificial... não sei se se aperceberam. É impossível que ponham pessoas assim a trabalhar: gente que nem se dá ao trabalho de verificar as informações. Limitam-se a copiar e colar.

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Postado
há 1 hora, jt9 disse:

É claramente algo feito por inteligência artificial... não sei se se aperceberam. É impossível que ponham pessoas assim a trabalhar: gente que nem se dá ao trabalho de verificar as informações. Limitam-se a copiar e colar.

Eu acho que essa “jornalista” Joana Sequeira que assina o artigo é tão nova que não viu Anjo Selvagem para saber que a Alexandra não estou nela. 🤣

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há 37 minutos, RodrigoMarquês. disse:

Eu acho que essa “jornalista” Joana Sequeira que assina o artigo é tão nova que não viu Anjo Selvagem para saber que a Alexandra não estou nela. 🤣

Mas tem a obrigação de pesquisar nem que seja na Wikipédia. Comigo não passava no estágio ou levava uma reprimenda valente. Que incompetência! 

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Postado
há 1 hora, D91 disse:

Mas tem a obrigação de pesquisar nem que seja na Wikipédia. Comigo não passava no estágio ou levava uma reprimenda valente. Que incompetência! 

 

há 34 minutos, Manu Tenry disse:

Isso deve ter sido escrito com chatgpt não?

Não saber os principais trabalhos da Alexandra Lencastre é ignorância pura!!

Não me surpreende num estagiário… 

lol

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Um artigo do Público sobre o António Capelo com um testemunho na primeira pessoa. Curioso dizerem que estavam a investigar o caso há quase um ano, mas só publicaram algo quando o caso se tornou público nas redes sociais...
 

Spoiler

“Só com terapia pude verbalizar que o que tinha sofrido com António Capelo era abuso sexual”

Mia Filipa, educadora e ex-aluna da Academia Contemporânea do Espectáculo (ACE) do Porto, é a autora da denúncia de abuso sexual contra António Capelo que chegou à direcção do Bloco de Esquerda (BE). Na terça-feira, o partido manifestou em comunicado o seu repúdio pelas práticas de assédio atribuídas ao actor, encenador e fundador da ACE, de 69 anos, que nos últimos dias tem sido acusado, nas redes sociais, de assédio sexual e moral por ex-alunos e jovens, muitos deles menores na altura em que terão acontecido as situações relatadas. Na sequência da divulgação destas denúncias, quase todas anónimas, António Capelo desvinculou-se da ACE; esta quinta-feira, a direcção da escola apresentou a sua demissão.

A educadora de 43 anos, candidata pelas listas do BE à Câmara do Porto nestas autárquicas, era um rapaz de 16 anos quando terá sido vítima de abuso sexual por António Capelo. Mia Filipa está agora em processo de transição de género, identificando-se como uma pessoa trans feminina, pelo que são usados pronomes femininos.

Este é o primeiro testemunho não anónimo recolhido pelo PÚBLICO, que está há quase um ano a trabalhar neste caso relacionado com António Capelo e a ACE, entre outros alegados episódios de assédio noutras escolas de ensino artístico do país, tendo reunido quase uma dezena de depoimentos até ao momento. Todos sob anonimato e maioritariamente de homens que à época dos alegados acontecimentos eram menores.

O PÚBLICO contactou António Capelo, que nega “terminantemente alguma vez” ter tido “relações” com Mia Filipa. “Nego que essa história esteja bem contada. Talvez as coisas se tenham passado exactamente de outra maneira”, acrescenta o actor. “Mas a acusação é grave e mentirosa e, portanto, merece o devido esclarecimento.” António Capelo nega também ter tido "qualquer acto sexual com alunos, sejam eles quais forem".

Mia Filipa é um dos elementos da Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto, plataforma que está a convocar uma manifestação à porta da ACE para a próxima segunda-feira, às 18h, em parceria com a página de Instagram “Não Tenhas Medo”, onde têm sido expostas as queixas contra António Capelo. “Vamos com uma lista de reivindicações, com o objectivo de parar o abuso no espaço escolar. É algo mais lato do que o caso do António Capelo: a ACE é o símbolo desta tragédia, mas é um problema estrutural, que acontece em outras escolas do país”, diz ao PÚBLICO Mia Filipa.

“Pressionar o Ministério Público a abrir uma linha de denúncias segura, em conjunto com a Direcção-Geral da Saúde e a Câmara do Porto — porque as instituições da cidade têm também de tomar responsabilidade relativamente a uma escola com financiamentos públicos —, exigir apoio jurídico e psicológico para as vítimas, bem como indemnizações”, são algumas das reivindicações em carteira.

“Isto é também um incentivo às vítimas: quantas mais pessoas estiverem nesta manifestação, menos sozinhas estaremos." Mia Filipa assinala ainda a “importância de as vítimas formalizarem queixa” na justiça, criticando, contudo, os prazos em vigor. As queixas relativamente a crimes semipúblicos têm de ser feitas no prazo de seis meses. Se os menores de 16 anos, ou quem os representa, não apresentarem queixa no momento, podem fazê-lo até meio ano depois depois da chegada à maioridade. Segue o depoimento de Mia Filipa, em discurso directo.

“Entrei para a Academia em 1998. Tinha 16 anos acabados de fazer. Foi dos primeiros anos em que a Academia abriu portas a pessoas menores. A pessoa mais velha da minha turma tinha 28 anos, havia uma diferença de idades. Entrei no curso de Interpretação. Era um sonho meu, ser uma grande actriz.

Em criança sofri sempre de bullying homofóbico na escola. Era uma criança muito efeminada, então era uma luta constante, porque eu não me identificava com nada relacionado com rapazes. E quando chego à Academia vejo um espaço em que comecei a encontrar-me, a descobrir-me. Sentia-me uma pessoa muito sozinha, e foi na Academia que conheci o primeiro homem gay assumido, um colega de turma. Fiquei ‘uau, há pessoas que se assumem!’. Mas rapidamente as coisas se tornaram um pesadelo, porque foi logo no primeiro ano que comecei a ser circundada pelo António Capelo.

Primeiro eram umas piadinhas, a dar-me a entender que sabia perfeitamente que eu gostava de rapazes. Chamava-me de periquito. Eu era uma pessoa muito franzina, até parecia mais novo do que os meus 16 anos. Ele tinha 42 anos. Às vezes não tinha tanto a ver com o que era dito, mas com a forma como era dito. E os olhares, também. Isto acontecia nos corredores da escola quando o Capelo se cruzava comigo. Às vezes, quando passava por mim num sítio mais apertado, punha-me a mão no rabo. Era tipo ‘ah, desculpa!’, como se tivesse sido sem querer. Aquilo para mim era muito estranho, porque era o director da escola, uma figura pública. Eu já tinha ouvido falar que ele poderia ser homossexual, mas a leitura social dele, a forma como se apresentava como pessoa, era de um homem heterossexual, que até fazia muito sucesso com mulheres.

Estas situações pareciam uma coisa mais simpática do que o abuso, mas claro que, olhando trás, tudo isto é violência. No entanto, naquele momento não era assim que me faziam sentir. Aliás, este é o modus operandi dos abusadores: criar uma espécie de cerco e esse cerco vai-se apertando. E esse apertando começou por ser oferecer-me presentes, livros. O Capelo dizia que eu devia ler mais porque, se queria ser actor, tinha de ser uma pessoa leitora. Eu já era, mas não lia, obviamente, o mesmo tipo de literatura, e foi toda uma descoberta para mim, também.

Depois convidou-me para a casa dele, isto ainda no primeiro ano. Usou como estratégia dizer que havia uma novela da RTP que estava a precisar de alguém com as minhas características. Fiquei super empolgada, mas foi uma mentira que ele usou como estratégia de aproximação e manipulação.

Fui a casa dele, a do Porto. Julguei que estava a criar uma relação de proximidade, mas, ao mesmo tempo, sentia que tinha de fazer aquilo porque se não ia contrariar o Capelo. Deixei-me seduzir. Lembro-me que estávamos no sofá e ele começou a aproximar-se. Pegou na minha mão, meteu-a em cima do pénis dele e começou a esfregar. Ele estava com as calças vestidas, ainda, e estava excitado. Eu fiquei sem reacção. Como se reage a isto, com 16 anos?

Entretanto, puxou-me para me beijar. Babou-me e eu afastei-me. Depois abriu as calças e começou a masturbar-se à minha frente, a dizer que nós podíamos ser muito amigos e não sei o quê. Pediu-me para lhe fazer sexo oral. Quando se veio, despachou-me.

Lembro-me de saber que aquilo não estava correcto, lembro-me de achar que ele não era uma pessoa atraente para mim, que eu estava um bocadinho a fazer o frete para lhe agradar. Tinha mentido à minha mãe para estar fora de casa, à noite. Tinha 16 anos, tive de inventar uma desculpa, não é? Depois, na escola, fazíamos de conta que nada se passava. Nas aulas ele escolhia-me sempre para a demonstração de massagens, vinha estalar-me o pescoço, era sempre ‘periquito, anda cá’. E era sempre quando envolvia toque, não era noutras matérias.

O Capelo chamou-me várias vezes a casa dele, talvez umas cinco. Chamava-me ‘tenrinho’, entre outras coisas. Isto prolongou-se até ao segundo ano. Houve penetração. Eu não queria, mas ele insistia muito. Eu sentia que tinha de satisfazer as necessidades dele para continuar na escola, e a escola era muito importante para mim naquele momento.

Uma vez passámos num corredor, ele agarrou-me e aquilo assustou-me. Comecei também a perceber que as oportunidades de entrar nas novelas e nas séries não iam acontecer. Houve um afastamento, até porque eu também me apercebi de que alguma coisa não estava bem... Acho que o Pedro Aparício, na altura o companheiro do Capelo [e até esta quinta-feira co-director da ACE], começou a perceber que algo se passava, porque mudou o comportamento para comigo. Ele nunca estava em casa quando eu lá ia, e o Capelo dizia que eu não podia contar nada a ninguém, que tinha de ser tudo secreto. Só ouvi falar de casos com outros rapazes depois, não ao mesmo tempo que eu.

Durante esse afastamento, ele começou a humilhar-me nas aulas. Isso deixou-me numa grande confusão, porque no primeiro ano ele quase me levava ao colo, depois a meio do segundo ano virou completamente. Começou a dizer-me coisas muito feias durante as aulas e em privado — que eu nunca ia ser actor com o corpo que tinha, que tinha corpo de menina, que tinha de ter um corpo ‘que se visse’, que não era um corpo de teatro. O Capelo é uma das pessoas que contribuíram para eu estar a fazer este processo de transição de género tão tardiamente e que me fizeram ter vergonha da minha feminilidade.

Tornou-se tão desagradável estar na escola que deixei de ir às aulas. A minha mãe fazia um grande esforço para pagar a mensalidade, ela queria que eu estivesse lá. Como é que eu ia explicar em casa o que estava a acontecer? Eu saía de casa, fingia que ia à escola, e passava o dia todo fora. Claro que a minha mãe descobriu no final do segundo ano que eu andava a faltar às aulas. Repeti um ano. Passei a sentir-me a fruta podre da família, eu que tinha tido sempre um percurso escolar tão bom, com boas notas. De repente tornei-me na pessoa que desiste, tudo isto quando estava a assumir-me como homossexual. Como é que se sai disto? Não se sai. Voltei à escola para repetir o ano, mas acabei por desistir e nunca terminei. Comecei a trabalhar aos 17 anos.

O Capelo voltou a mandar-me mensagens passados uns dez anos, no Facebook. Perguntou se eu queria combinar alguma coisa, e eu aí disse-lhe mesmo: ‘Tu tens noção do que fizeste?’ Ele não disse mais nada. Volta e meia ainda me cruzo com ele, no meio artístico, mas nunca o cumprimento.

Só tomei consciência do que me aconteceu aos 39 anos, quando comecei a fazer terapia. Durante muitos anos, não via esta situação como abuso. Até me sentia culpada, sentia que eu é que tinha provocado aquilo. Comecei a fazer terapia porque sabia que algo estava errado, desde a identidade de género a toda esta violência pela qual eu tinha passado e que ninguém sabia. Só com terapia pude verbalizar que aquilo que eu tinha sofrido era assédio e abuso sexual.

Esta situação com o Capelo condicionou muita coisa na minha vida. Abriu a porta a outros homens com o mesmo tipo de atitude violenta. A forma de eu me relacionar tinha a ver com a necessidade de agradar, de me submeter.

Eu só falei sobre este assunto à minha família há dois anos. Foi importante para esclarecer o porquê do meu mau comportamento na altura. Para mim é totalmente compreensível que as denúncias cheguem mais tarde porque, além de em muitos casos se ser menor, a verdade é que as vítimas não se sentem apoiadas nem seguras para falar junto das autoridades competentes. Nos casos de abuso, muitas vezes a vítima é a primeira a ser culpada. É a história do ‘puseste-te a jeito’.

O comunicado da Academia sobre as denúncias foi absolutamente execrável. É um comunicado que silencia as vítimas, que serão muitas mais do que aquelas que já falaram anonimamente. Eu sou de 1998, passaram quase 30 anos. Haverá muitas pessoas com histórias semelhantes à minha, algumas talvez até piores. Nós, as vítimas, não temos de ter vergonha daquilo por que passámos. Quem tem de ser exposto e envergonhado são os predadores, são estas pessoas que vivem de uma imagem impoluta na sociedade, mas que por trás de todas as câmaras e palcos cometem este tipo de atrocidades. Este é o momento para nós agirmos.”

https://www.publico.pt/2025/09/12/culturaipsilon/noticia/so-terapia-verbalizar-sofrido-antonio-capelo-abuso-sexual-2146968

 

  • Surpresa 4
Postado
há 11 minutos, zent disse:

Um artigo do Público sobre o António Capelo com um testemunho na primeira pessoa. Curioso dizerem que estavam a investigar o caso há quase um ano, mas só publicaram algo quando o caso se tornou público nas redes sociais...
 

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“Só com terapia pude verbalizar que o que tinha sofrido com António Capelo era abuso sexual”

Mia Filipa, educadora e ex-aluna da Academia Contemporânea do Espectáculo (ACE) do Porto, é a autora da denúncia de abuso sexual contra António Capelo que chegou à direcção do Bloco de Esquerda (BE). Na terça-feira, o partido manifestou em comunicado o seu repúdio pelas práticas de assédio atribuídas ao actor, encenador e fundador da ACE, de 69 anos, que nos últimos dias tem sido acusado, nas redes sociais, de assédio sexual e moral por ex-alunos e jovens, muitos deles menores na altura em que terão acontecido as situações relatadas. Na sequência da divulgação destas denúncias, quase todas anónimas, António Capelo desvinculou-se da ACE; esta quinta-feira, a direcção da escola apresentou a sua demissão.

A educadora de 43 anos, candidata pelas listas do BE à Câmara do Porto nestas autárquicas, era um rapaz de 16 anos quando terá sido vítima de abuso sexual por António Capelo. Mia Filipa está agora em processo de transição de género, identificando-se como uma pessoa trans feminina, pelo que são usados pronomes femininos.

Este é o primeiro testemunho não anónimo recolhido pelo PÚBLICO, que está há quase um ano a trabalhar neste caso relacionado com António Capelo e a ACE, entre outros alegados episódios de assédio noutras escolas de ensino artístico do país, tendo reunido quase uma dezena de depoimentos até ao momento. Todos sob anonimato e maioritariamente de homens que à época dos alegados acontecimentos eram menores.

O PÚBLICO contactou António Capelo, que nega “terminantemente alguma vez” ter tido “relações” com Mia Filipa. “Nego que essa história esteja bem contada. Talvez as coisas se tenham passado exactamente de outra maneira”, acrescenta o actor. “Mas a acusação é grave e mentirosa e, portanto, merece o devido esclarecimento.” António Capelo nega também ter tido "qualquer acto sexual com alunos, sejam eles quais forem".

Mia Filipa é um dos elementos da Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto, plataforma que está a convocar uma manifestação à porta da ACE para a próxima segunda-feira, às 18h, em parceria com a página de Instagram “Não Tenhas Medo”, onde têm sido expostas as queixas contra António Capelo. “Vamos com uma lista de reivindicações, com o objectivo de parar o abuso no espaço escolar. É algo mais lato do que o caso do António Capelo: a ACE é o símbolo desta tragédia, mas é um problema estrutural, que acontece em outras escolas do país”, diz ao PÚBLICO Mia Filipa.

“Pressionar o Ministério Público a abrir uma linha de denúncias segura, em conjunto com a Direcção-Geral da Saúde e a Câmara do Porto — porque as instituições da cidade têm também de tomar responsabilidade relativamente a uma escola com financiamentos públicos —, exigir apoio jurídico e psicológico para as vítimas, bem como indemnizações”, são algumas das reivindicações em carteira.

“Isto é também um incentivo às vítimas: quantas mais pessoas estiverem nesta manifestação, menos sozinhas estaremos." Mia Filipa assinala ainda a “importância de as vítimas formalizarem queixa” na justiça, criticando, contudo, os prazos em vigor. As queixas relativamente a crimes semipúblicos têm de ser feitas no prazo de seis meses. Se os menores de 16 anos, ou quem os representa, não apresentarem queixa no momento, podem fazê-lo até meio ano depois depois da chegada à maioridade. Segue o depoimento de Mia Filipa, em discurso directo.

“Entrei para a Academia em 1998. Tinha 16 anos acabados de fazer. Foi dos primeiros anos em que a Academia abriu portas a pessoas menores. A pessoa mais velha da minha turma tinha 28 anos, havia uma diferença de idades. Entrei no curso de Interpretação. Era um sonho meu, ser uma grande actriz.

Em criança sofri sempre de bullying homofóbico na escola. Era uma criança muito efeminada, então era uma luta constante, porque eu não me identificava com nada relacionado com rapazes. E quando chego à Academia vejo um espaço em que comecei a encontrar-me, a descobrir-me. Sentia-me uma pessoa muito sozinha, e foi na Academia que conheci o primeiro homem gay assumido, um colega de turma. Fiquei ‘uau, há pessoas que se assumem!’. Mas rapidamente as coisas se tornaram um pesadelo, porque foi logo no primeiro ano que comecei a ser circundada pelo António Capelo.

Primeiro eram umas piadinhas, a dar-me a entender que sabia perfeitamente que eu gostava de rapazes. Chamava-me de periquito. Eu era uma pessoa muito franzina, até parecia mais novo do que os meus 16 anos. Ele tinha 42 anos. Às vezes não tinha tanto a ver com o que era dito, mas com a forma como era dito. E os olhares, também. Isto acontecia nos corredores da escola quando o Capelo se cruzava comigo. Às vezes, quando passava por mim num sítio mais apertado, punha-me a mão no rabo. Era tipo ‘ah, desculpa!’, como se tivesse sido sem querer. Aquilo para mim era muito estranho, porque era o director da escola, uma figura pública. Eu já tinha ouvido falar que ele poderia ser homossexual, mas a leitura social dele, a forma como se apresentava como pessoa, era de um homem heterossexual, que até fazia muito sucesso com mulheres.

Estas situações pareciam uma coisa mais simpática do que o abuso, mas claro que, olhando trás, tudo isto é violência. No entanto, naquele momento não era assim que me faziam sentir. Aliás, este é o modus operandi dos abusadores: criar uma espécie de cerco e esse cerco vai-se apertando. E esse apertando começou por ser oferecer-me presentes, livros. O Capelo dizia que eu devia ler mais porque, se queria ser actor, tinha de ser uma pessoa leitora. Eu já era, mas não lia, obviamente, o mesmo tipo de literatura, e foi toda uma descoberta para mim, também.

Depois convidou-me para a casa dele, isto ainda no primeiro ano. Usou como estratégia dizer que havia uma novela da RTP que estava a precisar de alguém com as minhas características. Fiquei super empolgada, mas foi uma mentira que ele usou como estratégia de aproximação e manipulação.

Fui a casa dele, a do Porto. Julguei que estava a criar uma relação de proximidade, mas, ao mesmo tempo, sentia que tinha de fazer aquilo porque se não ia contrariar o Capelo. Deixei-me seduzir. Lembro-me que estávamos no sofá e ele começou a aproximar-se. Pegou na minha mão, meteu-a em cima do pénis dele e começou a esfregar. Ele estava com as calças vestidas, ainda, e estava excitado. Eu fiquei sem reacção. Como se reage a isto, com 16 anos?

Entretanto, puxou-me para me beijar. Babou-me e eu afastei-me. Depois abriu as calças e começou a masturbar-se à minha frente, a dizer que nós podíamos ser muito amigos e não sei o quê. Pediu-me para lhe fazer sexo oral. Quando se veio, despachou-me.

Lembro-me de saber que aquilo não estava correcto, lembro-me de achar que ele não era uma pessoa atraente para mim, que eu estava um bocadinho a fazer o frete para lhe agradar. Tinha mentido à minha mãe para estar fora de casa, à noite. Tinha 16 anos, tive de inventar uma desculpa, não é? Depois, na escola, fazíamos de conta que nada se passava. Nas aulas ele escolhia-me sempre para a demonstração de massagens, vinha estalar-me o pescoço, era sempre ‘periquito, anda cá’. E era sempre quando envolvia toque, não era noutras matérias.

O Capelo chamou-me várias vezes a casa dele, talvez umas cinco. Chamava-me ‘tenrinho’, entre outras coisas. Isto prolongou-se até ao segundo ano. Houve penetração. Eu não queria, mas ele insistia muito. Eu sentia que tinha de satisfazer as necessidades dele para continuar na escola, e a escola era muito importante para mim naquele momento.

Uma vez passámos num corredor, ele agarrou-me e aquilo assustou-me. Comecei também a perceber que as oportunidades de entrar nas novelas e nas séries não iam acontecer. Houve um afastamento, até porque eu também me apercebi de que alguma coisa não estava bem... Acho que o Pedro Aparício, na altura o companheiro do Capelo [e até esta quinta-feira co-director da ACE], começou a perceber que algo se passava, porque mudou o comportamento para comigo. Ele nunca estava em casa quando eu lá ia, e o Capelo dizia que eu não podia contar nada a ninguém, que tinha de ser tudo secreto. Só ouvi falar de casos com outros rapazes depois, não ao mesmo tempo que eu.

Durante esse afastamento, ele começou a humilhar-me nas aulas. Isso deixou-me numa grande confusão, porque no primeiro ano ele quase me levava ao colo, depois a meio do segundo ano virou completamente. Começou a dizer-me coisas muito feias durante as aulas e em privado — que eu nunca ia ser actor com o corpo que tinha, que tinha corpo de menina, que tinha de ter um corpo ‘que se visse’, que não era um corpo de teatro. O Capelo é uma das pessoas que contribuíram para eu estar a fazer este processo de transição de género tão tardiamente e que me fizeram ter vergonha da minha feminilidade.

Tornou-se tão desagradável estar na escola que deixei de ir às aulas. A minha mãe fazia um grande esforço para pagar a mensalidade, ela queria que eu estivesse lá. Como é que eu ia explicar em casa o que estava a acontecer? Eu saía de casa, fingia que ia à escola, e passava o dia todo fora. Claro que a minha mãe descobriu no final do segundo ano que eu andava a faltar às aulas. Repeti um ano. Passei a sentir-me a fruta podre da família, eu que tinha tido sempre um percurso escolar tão bom, com boas notas. De repente tornei-me na pessoa que desiste, tudo isto quando estava a assumir-me como homossexual. Como é que se sai disto? Não se sai. Voltei à escola para repetir o ano, mas acabei por desistir e nunca terminei. Comecei a trabalhar aos 17 anos.

O Capelo voltou a mandar-me mensagens passados uns dez anos, no Facebook. Perguntou se eu queria combinar alguma coisa, e eu aí disse-lhe mesmo: ‘Tu tens noção do que fizeste?’ Ele não disse mais nada. Volta e meia ainda me cruzo com ele, no meio artístico, mas nunca o cumprimento.

Só tomei consciência do que me aconteceu aos 39 anos, quando comecei a fazer terapia. Durante muitos anos, não via esta situação como abuso. Até me sentia culpada, sentia que eu é que tinha provocado aquilo. Comecei a fazer terapia porque sabia que algo estava errado, desde a identidade de género a toda esta violência pela qual eu tinha passado e que ninguém sabia. Só com terapia pude verbalizar que aquilo que eu tinha sofrido era assédio e abuso sexual.

Esta situação com o Capelo condicionou muita coisa na minha vida. Abriu a porta a outros homens com o mesmo tipo de atitude violenta. A forma de eu me relacionar tinha a ver com a necessidade de agradar, de me submeter.

Eu só falei sobre este assunto à minha família há dois anos. Foi importante para esclarecer o porquê do meu mau comportamento na altura. Para mim é totalmente compreensível que as denúncias cheguem mais tarde porque, além de em muitos casos se ser menor, a verdade é que as vítimas não se sentem apoiadas nem seguras para falar junto das autoridades competentes. Nos casos de abuso, muitas vezes a vítima é a primeira a ser culpada. É a história do ‘puseste-te a jeito’.

O comunicado da Academia sobre as denúncias foi absolutamente execrável. É um comunicado que silencia as vítimas, que serão muitas mais do que aquelas que já falaram anonimamente. Eu sou de 1998, passaram quase 30 anos. Haverá muitas pessoas com histórias semelhantes à minha, algumas talvez até piores. Nós, as vítimas, não temos de ter vergonha daquilo por que passámos. Quem tem de ser exposto e envergonhado são os predadores, são estas pessoas que vivem de uma imagem impoluta na sociedade, mas que por trás de todas as câmaras e palcos cometem este tipo de atrocidades. Este é o momento para nós agirmos.”

https://www.publico.pt/2025/09/12/culturaipsilon/noticia/so-terapia-verbalizar-sofrido-antonio-capelo-abuso-sexual-2146968

 

"Entretanto, puxou-me para me beijar. Babou-me e eu afastei-me." :triste_teresa: até eu senti nojo só de imaginar estar nessa situação com esse senhor kk

  • Haha 7
Postado
há 9 minutos, Loverboy disse:

Estava a demorar para esse velho execrável ser desmascarado em todo lado. Nojento. Espero nunca mais vê-lo em nenhuma novela, seria mau demais. 

Amigo vais vê lo agora todas as noites em Terra Forte :apaga:

  • Haha 2
Postado (editado)
há 3 minutos, EFMR disse:

Amigo vais vê lo agora todas as noites em Terra Forte :apaga:

Não é bem assim, porque 

Spoiler

É suposto a personagem dele morrer. Creio que é no inicio da trama, mas posso estar enganado.

Editado por afonso ツ
Postado
há 2 minutos, afonso ツ disse:

Não é bem assim, porque 

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É suposto a personagem dele morrer. Creio que é no inicio da trama, mas posso estar enganado.

É? 

Spoiler

Ele está anunciado no elenco principal. 

Quem deve morrer é a Filomena Gonçalves, a mãe do Sammy. Não aparece na lista divulgada.

 

Postado
há 2 minutos, EFMR disse:

É? 

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Ele está anunciado no elenco principal. 

Quem deve morrer é a Filomena Gonçalves, a mãe do Sammy. Não aparece na lista divulgada.

 

Lembro-me de falarem disso no tópico de Terra Forte, mas se calhar deve ser lá para o meio da novela.

Postado

Infelizmente isto é mais comum do que se pensa, há muitos homens gays em cargos com um certo poder que se aproveitam dos sonhos de miúdos novos para tentarem envolver-se com eles. Sejam eles atores mais velhos, realizadores, agentes, guionistas… 

  • Surpresa 2
Postado
há 16 minutos, rvben disse:

Infelizmente isto é mais comum do que se pensa, há muitos homens gays em cargos com um certo poder que se aproveitam dos sonhos de miúdos novos para tentarem envolver-se com eles. Sejam eles atores mais velhos, realizadores, agentes, guionistas… 

Eu tenho algum poder no meu emprego, no sentido em que contrato e tenho uma equipa a meu cargo, e nunca me passou isso pela cabeça. :really_bb:

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há 4 horas, rvben disse:

Infelizmente isto é mais comum do que se pensa, há muitos homens gays em cargos com um certo poder que se aproveitam dos sonhos de miúdos novos para tentarem envolver-se com eles. Sejam eles atores mais velhos, realizadores, agentes, guionistas… 

É o pão nosso de cada dia, na Globo então era um fartote…e uns quantos aproveitavam as oportunidades para subir na horizontal mesmo.

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