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123: Um, Dois, Três


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Há muito, muito tempo, entre a morte de Salazar e o 25 de Abril, nascia em Espanha um formato que mudou a forma de fazer televisão em Espanha. Era o Un, Dos, Tres. Criado por Narciso Ibánez Serrador, o programa foi emitido por cinco períodos - Portugal também padecia do mesmo problema. O conceito, idealizado por Narciso, combinava:

  • a cultura, apresentada na primeira parte, perguntas e respostas;
  • as actividades físicas, apresentadas na segunda parte, a eliminatória;
  • a sorte, intuição, habilidade social, e alguma psicologia, decisivas na terceira parte do programa, o leilão.

A TVE produziu (infelizmente interruptamente) 411 sessões do programa, num período de 32 anos, atingindo o auge da popularidade nos anos 80. O programa foi adaptado a outros países, sendo o primeiro a adaptar foi o Reino Unido, onde teve uma popularidade esmagadora, na ITV (produzido pela Yorkshire Television), onde esteve no ar entre 1978 e 1988. Foi também adaptado para a Alemanha, Bélgica e Holanda, mas nenhuma das versões atingiu o sucesso da portuguesa, emitida pela RTP 1 em quatro períodos, que nem em Espanha.

Foi ao ar pela primeira vez a 19 de Março de 1984 e teve oitenta sessões na sua primeira versão. Quando o programa chegou a Portugal, adoptou a mascote que substituiu a primeira espanhola, a abóbora Ruperta.

Bastidores do concurso, foi ao ar antes da última sessão do primeiro Um Dois Três.

As primeiras versões do concurso eram apresentadas por António Sala, que também apresentou outros programas na RTP, como o concurso Palavra Puxa Palavra no início dos anos 90. O concurso era uma superprodução gravada nos estúdios da Tóbis em Lisboa, mas ao que consta também chegou a ter sessões gravadas noutros sítios como o Coliseu dos Recreios, ocasionalmente.

Tal como nos Jogos sem Fronteiras, cada sessão tinha o seu próprio tema. O primeiro programa tinha como tema "as mil e uma noites".

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No auge do programa surgiu merchandising alusivo à Bota Botilde. Em Braga (mais concretamente no Fujacal) há uma loja cujo nome me esqueci (prometo fotografar um dia) que usa uma foto da Botilde na entrada, e sem pagar um cêntimo por direitos de autor!

Numa pequena altura em que a RTP 1 não tinha nenhuma mascote (We All Stand Together não conta) para mandar as crianças para a cama, não era invulgar ver as crianças deitadas até tarde para ver o concurso.

No auge da primeira versão, a congénere espanhola falou sobre a portuguesa. Os espanhóis viram excertos de um programa alusivo à culinária.

Em 1994 (e não 1993 ao contrário do título) o concurso volta à RTP 1 com a apresentação de António Sala.

Mais uma versão foi ao ar entre 1997 e 1998. Não sei se as versões posteriores chegaram a ter metade do sucesso da primeira, mesmo com o aumento da concorrência. O último sketch da Herman Enciclopédia, a acabar o episódio das religiões, era uma sátira ao concurso, cujo tema (aparentemente) era sobre o budismo.

Em Outubro de 2004 surge a última versão, a única da qual me lembro. Era apresentada por Teresa Guilherme e foi uma tentativa algo caótica de retomar o concurso. Em Espanha regressou como um concurso para incentivar a leitura nos jovens, em Portugal tal não era o caso, pelo que me lembro.

Como o concurso era licenciado de um formato espanhol, que dificilmente se produz hoje em dia, nunca aparecerá na RTP Memória nem nos arquivos da RTP.

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Lembro-me da última versão, com a Teresa Guilherme.

Na última versão já não havia a Bota Botilde mas sim uma abóbora.

Lembro-me que a última versão era transmitida em horário nobre e repetia no dia seguinte à tarde. Eu via sempre a repetição porque não podia ver à noite porque via as novelas.

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agora mesmo, D91 disse:

Na última versão já não havia a Bota Botilde mas sim uma abóbora.

Tinha nome em Portugal? Era a Ruperta em Espanha, parecia uma tentativa (falhada) de recomeçar da estaca zero.

Não me lembro qual era o tema que vi, acho que era algo a ver com a União Europeia, posso estar enganado.

Em Espanha a Ruperta foi reposta em 1991.

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há 4 minutos, ATVTQsV disse:

Tinha nome em Portugal? Era a Ruperta em Espanha, parecia uma tentativa (falhada) de recomeçar da estaca zero.

Não me lembro qual era o tema que vi, acho que era algo a ver com a União Europeia, posso estar enganado.

Em Espanha a Ruperta foi reposta em 1991.

Não me lembro do nome em Portugal. Mas devia ter nome.

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Ainda na primeira fase havia uma outra mascote, creio que eclipsada pela omnipotente Botilde, que tinha um trevo, conforme a última revista que analisei:

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Mas como aparece o copyright da RTC é bem provável que tenha sido uma nacional. Meses depois da entrada do concurso a Portugal, a Botilde tinha sido substituída por uma pera rosa (o Chollo):

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A Ruperta (Zita) coincidia com a mascote em uso em Espanha, não sei se tal foi o caso nos anos 90 em Portugal.

No Reino Unido a mascote era um caixote do lixo:

 

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@LAboy 456 parte do artigo foi escrito recorrendo a fontes como a Infopédia e o NIT, que se limitou a fazer um mero "copia e cola" daquilo que já estava publicado. Por outro lado é de menosprezar o facto do omnipotente Brinca Brincando ainda não ter nenhum artigo sobre o concurso, o que mostra a falta de informações.

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Há uma crónica da Teresa Guilherme sobre o "Um Dois Três" incluída nos seus livros "Isso Agora Não Interessa Nada" e "O Avesso Do Direto" em que ela conta que os concorrentes que ganhavam os prémios "fail" mesmo assim queriam levar esses prémios. Primeiro foi um par concorrente que ganhou 40 campainhas de porta e que quis levá-las mesmo assim e a Teresa pensou: "Coitados, perderam tudo e querem levar ao menos uma lembrança do programa." Depois foi outro que só ganhou 5 máscaras  de gás e Teresa diz que este par teve muito mau perder e saiu sem se despedirem, por isso não se espantou quando dias depois contactaram a exigir as máscaras. Depois foi o caso de um par que ganhou um automóvel mas outro dos prémios anunciados foi para aí uns 20 ambientadores daqueles em forma de árvore: e quando foram levantar o carro os concorrentes ficaram decepcionados por não estarem lá também os ambientadores. Por fim, no especial infantil de Natal, o jovem par acabou por ganhar todos os prémios que tinham sido revelados ao longo do programa (viagens, consolas, bicicletas, jogos...), menos aqueles que eram os prémios fail: um monte de meias sem par e dez pratos de sopa de hortaliça. Qual não foi o espanto da Teresa que enquanto recolhiam os prémios, os pais das crianças insistiram também em levar as meias e a sopa. "Espantada, explico que as meias são mesmo desirmanadas e não servem para nada, e que os pratos ou os levavam para casa ou os comiam ali no estúdio." TG termina a crónica a dizer que, por aquele andar, até pensou que um dia algum concorrente iria exigir uma das assistentes como prémio.  

Edited by FraisesSucrées
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On 02/02/2021 at 12:49, Rangel disse:

As edições com o António Sala (1993-1995) tiveram bons resultados ainda.

O regresso do 1,2,3 com o Carlos Cruz em 1997-1998 deve ter 'flopado' à grande, tal como a versão da Teresa Guilherme em 2004-2005.

Isso ñ é bem verdade!

Para já o António Sala apresentou uma edição (entre 1994 e 1995). Tudo o que está na net ou vídeos no youtube que dizem que são de 1993 está errado. Essa edição teve bons resultados também porque nessa altura, sobretudo quando estreou o Canal 1 ainda liderava as audiências. A título de curiosidade os primeiros programas dessa temporada fizeram 16,9/48,9 (20 outubro); 18,3/52,9 (27 outubro); 16,6/46,9 (3 novembro); 21,5/53,2 (10 novembro).

Em relação à edição de 1997 com o Carlos Cruz não se pode dizer que foi um flop de audiências. Há que ter em conta o contexto que se vivia nessa altura: tinhas a SIC praticamente com a maioria absoluta do share diário (valores que ultrapassavam muitas vezes os 60% no HN). Este número de estreia da ressuscitada Tele Semana fala disso mesmo (não fotografei o conteúdo, mas lembro-me de ler).

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A estreia do 1,2,3 na RTP1 provocou um "terramoto" na SIC porque segundo a revista, essa mesma mordeu os calcanhares à SIC. Aliás a estreia fez 15,1% de rating (o 2º programa mais visto da RTP1 dessa semana) e ficou mais semanas no top 20 das audiências semanais.

O Carlos Cruz ainda apresentou mais uma temporada (97-98) essa sim, já com resultados mais fracos.

A temporada apresentada pela Teresa Guilherme (que levantou algumas ondas a transferência dela para a RTP1) foi um flop audiométrico total. Lembro-me até de a TV7 Dias no seu balanço do ano de 2004 classificar o 123 de flop do ano (e até ter sido comentado isso na tertúlia cor de rosa).

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há 4 horas, thass_hot disse:

Isso ñ é bem verdade!

Para já o António Sala apresentou uma edição (entre 1994 e 1995). Tudo o que está na net ou vídeos no youtube que dizem que são de 1993 está errado. Essa edição teve bons resultados também porque nessa altura, sobretudo quando estreou o Canal 1 ainda liderava as audiências. A título de curiosidade os primeiros programas dessa temporada fizeram 16,9/48,9 (20 outubro); 18,3/52,9 (27 outubro); 16,6/46,9 (3 novembro); 21,5/53,2 (10 novembro).

Em relação à edição de 1997 com o Carlos Cruz não se pode dizer que foi um flop de audiências. Há que ter em conta o contexto que se vivia nessa altura: tinhas a SIC praticamente com a maioria absoluta do share diário (valores que ultrapassavam muitas vezes os 60% no HN). Este número de estreia da ressuscitada Tele Semana fala disso mesmo (não fotografei o conteúdo, mas lembro-me de ler).

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A estreia do 1,2,3 na RTP1 provocou um "terramoto" na SIC porque segundo a revista, essa mesma mordeu os calcanhares à SIC. Aliás a estreia fez 15,1% de rating (o 2º programa mais visto da RTP1 dessa semana) e ficou mais semanas no top 20 das audiências semanais.

O Carlos Cruz ainda apresentou mais uma temporada (97-98) essa sim, já com resultados mais fracos.

A temporada apresentada pela Teresa Guilherme (que levantou algumas ondas a transferência dela para a RTP1) foi um flop audiométrico total. Lembro-me até de a TV7 Dias no seu balanço do ano de 2004 classificar o 123 de flop do ano (e até ter sido comentado isso na tertúlia cor de rosa).

Eu lembro-me de ver em revistas o "1,2,3" do Carlos Cruz em 1998 ser emitido às segundas-feiras no mesmo horário da "Roda dos Milhões" da SIC que tinha acabado de estrear.

Edited by D91
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há 21 minutos, D91 disse:

Eu lembro-me de ver em revistas o "1,2,3" do Carlos Cruz em 1998 ser emitido às segundas-feiras no mesmo horário da "Roda dos Milhões" da SIC que tinha acabado de estrear.

A temporada de 1997 era exibida à 5ªfeira a seguir à novela que a RTP1 exibia na altura: "Filhos do Vento"

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8 hours ago, thass_hot said:

Isso ñ é bem verdade!

Para já o António Sala apresentou uma edição (entre 1994 e 1995). Tudo o que está na net ou vídeos no youtube que dizem que são de 1993 está errado. Essa edição teve bons resultados também porque nessa altura, sobretudo quando estreou o Canal 1 ainda liderava as audiências. A título de curiosidade os primeiros programas dessa temporada fizeram 16,9/48,9 (20 outubro); 18,3/52,9 (27 outubro); 16,6/46,9 (3 novembro); 21,5/53,2 (10 novembro).

Em relação à edição de 1997 com o Carlos Cruz não se pode dizer que foi um flop de audiências. Há que ter em conta o contexto que se vivia nessa altura: tinhas a SIC praticamente com a maioria absoluta do share diário (valores que ultrapassavam muitas vezes os 60% no HN). Este número de estreia da ressuscitada Tele Semana fala disso mesmo (não fotografei o conteúdo, mas lembro-me de ler).

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A estreia do 1,2,3 na RTP1 provocou um "terramoto" na SIC porque segundo a revista, essa mesma mordeu os calcanhares à SIC. Aliás a estreia fez 15,1% de rating (o 2º programa mais visto da RTP1 dessa semana) e ficou mais semanas no top 20 das audiências semanais.

O Carlos Cruz ainda apresentou mais uma temporada (97-98) essa sim, já com resultados mais fracos.

A temporada apresentada pela Teresa Guilherme (que levantou algumas ondas a transferência dela para a RTP1) foi um flop audiométrico total. Lembro-me até de a TV7 Dias no seu balanço do ano de 2004 classificar o 123 de flop do ano (e até ter sido comentado isso na tertúlia cor de rosa).

Obrigado pelos esclarecimentos. Era bastante miúdo nessa altura, daí haver alguma confusão. Mas não tinha a noção do 1,2,3 de 97 ter tido sucesso, naquele contexto esteve muito bem. No caso da versão do Sala estive para referir isso, fez bons resultados porque o Canal 1 ainda era líder aquando da exibição dessa temporada.

Então suponho que o Sala tenha apresentado o 1,2,3 após o Palavra Puxa Palavra, que acabou no Verão de 94. É isso? Para além do mais o Sala também por essas alturas apresentava o Você Decide.

Edited by Rangel
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há 6 horas, Rangel disse:

Obrigado pelos esclarecimentos. Era bastante miúdo nessa altura, daí haver alguma confusão. Mas não tinha a noção do 1,2,3 de 97 ter tido sucesso, naquele contexto esteve muito bem. No caso da versão do Sala estive para referir isso, fez bons resultados porque o Canal 1 ainda era líder aquando da exibição dessa temporada.

Então suponho que o Sala tenha apresentado o 1,2,3 após o Palavra Puxa Palavra, que acabou no Verão de 94. É isso? Para além do mais o Sala também por essas alturas apresentava o Você Decide.

Sim. O Palavra Puxa Palavra acabou em junho de 94 e essa temporada do 123 começou em outubro desse ano e terminou em julho de 95.

Na reentré televisiva de 95 voltou com outro concurso: Quem é o Quê!

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