Ruben Postado 24 de setembro 2017 Postado 24 de setembro 2017 A CDU/CSU de Merkel vencem as eleições (têm 33% neste momento), mas perdem lugares no Parlamento. O partido mais deverá alcançar 218 lugares no Bundestag. O SPD de Schulz tem o seu pior resultado de sempre, e deverá alcançar uns meros 138 lugares (o número mais baixo desde 1949) no Bundestag, alcançando neste momento 20.8% dos votos. O partido já disse que não irá fazer uma nova coligação com Merkel, pelo que chegou ao fim a grande coligação que governou a Alemanha nos últimos 4 anos. Merkel deverá agora seguir com a chamada Coligação Jamaica, isto é, uma coligação com o FDP (que deverá obter cerca de 70 lugares), o 4º partido mais votado com 10.5% dos votos, e com os Verdes, que obtiveram um resultado acima do esperado com 8.9% (cerca de 60 lugares). A extrema-esquerda do Die Linke também tem neste momento 8.9% dos votos. O claro destaque vai para a extrema-direita da AfD, com 87 lugares (13.1% dos votos até ao momento). há 5 minutos, Forbidden disse: A Merkel deve ser das chefe de estado que está no poder há mais tempo, não? Não, é a 5ª pessoa com mais anos no poder na história da Alemanha - 4ª se excluirmos Hitler. Com estes 4 anos, deverá ser a terceira, relativamente atrás de Helmut Kohl (16 anos no poder) e de Otto von Bismark, que foi chanceler durante 22 anos ainda na altura do Império Alemão. Vai poder passar Konrad Adenauer, com 15 anos no poder (entre 1949 e 1963) e Hitler, que governou durante pouco mais de 12 anos. 4 Citar
Ambrósio Postado 24 de setembro 2017 Postado 24 de setembro 2017 Incêndio no centro de Coimbra faz dois feridos Fogo destruiu parte substancial de um edifício de três andares em frente à sede da Associação Académica de Coimbra, deixando cinco pessoas desalojadas http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/incendio-coimbra/incendio-no-centro-de-coimbra-faz-dois-feridos Citar
Maya Postado 25 de setembro 2017 Postado 25 de setembro 2017 Eu ainda estou em choque com o resultado obtido pela extrema-direita! Esperemos que a Merkel consiga abrandar este perigo e que este não cresça ainda mais nos próximos anos. O SPD foi o grande derrotado, disso não dúvidas! 21 hours ago, Ruben Fonseca said: A CDU/CSU de Merkel vencem as eleições (têm 33% neste momento), mas perdem lugares no Parlamento. O partido mais deverá alcançar 218 lugares no Bundestag. O SPD de Schulz tem o seu pior resultado de sempre, e deverá alcançar uns meros 138 lugares (o número mais baixo desde 1949) no Bundestag, alcançando neste momento 20.8% dos votos. O partido já disse que não irá fazer uma nova coligação com Merkel, pelo que chegou ao fim a grande coligação que governou a Alemanha nos últimos 4 anos. Merkel deverá agora seguir com a chamada Coligação Jamaica, isto é, uma coligação com o FDP (que deverá obter cerca de 70 lugares), o 4º partido mais votado com 10.5% dos votos, e com os Verdes, que obtiveram um resultado acima do esperado com 8.9% (cerca de 60 lugares). A extrema-esquerda do Die Linke também tem neste momento 8.9% dos votos. O claro destaque vai para a extrema-direita da AfD, com 87 lugares (13.1% dos votos até ao momento). Não, é a 5ª pessoa com mais anos no poder na história da Alemanha - 4ª se excluirmos Hitler. Com estes 4 anos, deverá ser a terceira, relativamente atrás de Helmut Kohl (16 anos no poder) e de Otto von Bismark, que foi chanceler durante 22 anos ainda na altura do Império Alemão. Vai poder passar Konrad Adenauer, com 15 anos no poder (entre 1949 e 1963) e Hitler, que governou durante pouco mais de 12 anos. Ruben não achas que o facto de Schutz ter rejeitado nova Coligação com a CDU será uma estratégia para impedir que a extrema-direita se torne na maior força de oposição em todo o país?! Como "lês" estes resultados da AfD?! Citar
srcbica Postado 26 de setembro 2017 Postado 26 de setembro 2017 https://www.dn.pt/lusa/interior/suicos-rejeitam-em-referendo-alteracoes-a-lei-da-reforma-8794876.html http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/tiramos-o-pais-da-recessao-e-brasil-comeca-a-responder-diz-temer-213345 On 25/09/2017 at 16:52, Maya disse: Ruben não achas que o facto de Schutz ter rejeitado nova Coligação com a CDU será uma estratégia para impedir que a extrema-direita se torne na maior força de oposição em todo o país?! Como "lês" estes resultados da AfD?! Eu acho, sim, que o Schulz rejeitou continuar a coligação por isso, mas também porque, quando a Merkel sair, pelo menos, como faz parte do Status Quo, terá mais chances de chegar a Chanceler. Eu leio de uma forma simples: 13% da população é contra o acolhimento de refugiados. Citar
Manuel Silva Postado 27 de setembro 2017 Postado 27 de setembro 2017 On 13/09/2017 at 15:16, JoanaSantos disse: O que acham da existência de partidos políticos ecologistas (ou supostamente) com os Verdes ou o PAN? Acho que são partidos desnecessários. Os partidos tradicionais podiam e deviam ter a ecologia como bandeira. O líder do PAN é uma verdadeira nulidade: http://expresso.sapo.pt/politica/2015-10-17-Andre-Silva-Ha-caracteristicas-mais-humanas-num-chimpanze-ou-num-cao-do-que-numa-pessoa-em-coma isto são afirmações que embora tenham algum fundo de verdade estão na realidade a desprezar uma raça (humana) a que ele pertence. On 20/09/2017 at 12:08, srcbica disse: No mundo: https://ionline.sapo.pt/artigo/581104/sondagem-lula-ganha-a-todos-na-corrida-as-presidenciais-de-2018?seccao=Mundo_i No país: O BE avançou com uma proposta de lei que permitirá os maiores de 16 com disforia de género processarem os pais que não aceitem o processo de mudança de género. Os brasileiros são como os portugueses: quanto mais me bates mais gosto de ti. O homem é corrupto mas eles gostam. Aposto que por cá se o Sócrates fundasse um partido novo conseguia ser eleito com um numero razoável de votos. Em relação ao BE nada de novo vindo de um partido que até se indigna com o nome do cartão de cidadão. On 24/09/2017 at 19:09, Ruben Fonseca disse: A CDU/CSU de Merkel vencem as eleições (têm 33% neste momento), mas perdem lugares no Parlamento. O partido mais deverá alcançar 218 lugares no Bundestag. O SPD de Schulz tem o seu pior resultado de sempre, e deverá alcançar uns meros 138 lugares (o número mais baixo desde 1949) no Bundestag, alcançando neste momento 20.8% dos votos. O partido já disse que não irá fazer uma nova coligação com Merkel, pelo que chegou ao fim a grande coligação que governou a Alemanha nos últimos 4 anos. Merkel deverá agora seguir com a chamada Coligação Jamaica, isto é, uma coligação com o FDP (que deverá obter cerca de 70 lugares), o 4º partido mais votado com 10.5% dos votos, e com os Verdes, que obtiveram um resultado acima do esperado com 8.9% (cerca de 60 lugares). A extrema-esquerda do Die Linke também tem neste momento 8.9% dos votos. O claro destaque vai para a extrema-direita da AfD, com 87 lugares (13.1% dos votos até ao momento). Não, é a 5ª pessoa com mais anos no poder na história da Alemanha - 4ª se excluirmos Hitler. Com estes 4 anos, deverá ser a terceira, relativamente atrás de Helmut Kohl (16 anos no poder) e de Otto von Bismark, que foi chanceler durante 22 anos ainda na altura do Império Alemão. Vai poder passar Konrad Adenauer, com 15 anos no poder (entre 1949 e 1963) e Hitler, que governou durante pouco mais de 12 anos. Isto foi uma lição bem dada à Merkel a ver se ela aprende a "fechar as pernas". Espero é que ela ganhe consciência do mal que tem feito, expulse quem faça porcarias de imediato para não terem tempo de se vingar. Se ela não mudar de politicas arrisca-se a perder as próximas eleições. há 22 horas, srcbica disse: Eu leio de uma forma simples: 13% da população é contra o acolhimento de refugiados. Eu acho que a percentagem é bem maior. Muita gente não vota nesses partidos por causa do medo irracional que os media colocam nas pessoas. Eu se fosse alemão e visse o meu país invadido por tantos refugiados e com atentados terroristas também votaria na AfD sem dúvidas. Citar
srcbica Postado 28 de setembro 2017 Postado 28 de setembro 2017 (editado) https://www.soescola.com/2017/04/agora-e-lei-familia-de-aluno-que-agredir-professor-sera-resposabilizada.html há 18 horas, Manuel Silva disse: Eu acho que a percentagem é bem maior. Muita gente não vota nesses partidos por causa do medo irracional que os media colocam nas pessoas. Eu se fosse alemão e visse o meu país invadido por tantos refugiados e com atentados terroristas também votaria na AfD sem dúvidas. Não, não é. Os alemães não votam em massa nos partidos extremos, porque a Alemanha sofreu ambos os males das piores ideologias que podiam ter sido inventadas, por isso enquanto houver memória do que foi a alemanha nazi e o bloco oriental, a divisão fascismo-comunismo que havia antes da eleição de Hitler no país continuará sendo isso mesmo: uma memória. Editado 28 de setembro 2017 por srcbica 1 Citar
André Postado 29 de setembro 2017 Postado 29 de setembro 2017 Ninguém tem cartazes engraçados das autárquicas na sua localidade? Isto não é bem um cartaz, mas é bastante engraçado 1 Citar
Ruben Postado 29 de setembro 2017 Postado 29 de setembro 2017 On 25/09/2017 at 16:52, Maya disse: Eu ainda estou em choque com o resultado obtido pela extrema-direita! Esperemos que a Merkel consiga abrandar este perigo e que este não cresça ainda mais nos próximos anos. O SPD foi o grande derrotado, disso não dúvidas! Ruben não achas que o facto de Schutz ter rejeitado nova Coligação com a CDU será uma estratégia para impedir que a extrema-direita se torne na maior força de oposição em todo o país?! Como "lês" estes resultados da AfD?! Sim, essa foi a principal razão. Sendo a AfD a 3ª força política, caso houvesse uma grande coligação outra vez, eles seriam o maior partido da oposição. No entanto, mesmo que fosse o FDP em vez da AfD, eu não sei se o SPD voltava a coligar-se com a Merkel. Eles tiveram o pior resultado de sempre, a distância em relação à CDU/CSU é enorme há anos, sempre acima dos 10% (salvo raros momentos como há uns meses com a eleição de Schulz), a nível de estados continuam a perder poder também, etc. O SPD precisa de mudar radicalmente, tal como muitos partidos da esquerda tradicional precisam (PSOE, PS francês, etc) para voltar a ser competitivo e essa grande coligação impedir-lhes-ia de fazer isso com a mesma eficácia. Os resultados da AfD foram acima do esperado, apesar de o partido ter subido nas sondagens nos dias anteriores à eleição. Ganhou votos de todos os partidos, da direita conservadora à extrema-esquerda, e tem agora a possibilidade de conseguirem uma estratégia concisa a nível nacional para maiores ganhos no futuro (visto que agora recebem fundos federais). Haverão imensos desafios, no entanto. A AfD, tal como o UKIP, tal como a FN, etc, são partidos de protesto. O UKIP defendia a saída da UE e das suas políticas migratórias e, após o Brexit, desapareceu do mapa político britânico. Nestes próximos tempos, vai ser difícil para o partido organizar-se e ter uma estratégia clara, pois a prioridade sempre foi capitalizar votos através do discurso anti-imigratório. Se o tema dos refugiados daqui a 4 anos for muito menos importante do que é hoje e se a AfD não tiver passado uma mensagem clara para com os seus eleitores, eles poderão muito bem colapsar da mesma forma que o FDP colapsou em 2013, saíndo pela primeira vez do Bundestag desde das primeiras eleições pós-WW2 em 1949. Além disso, a CSU (irmão da CDU, só que na Bavária - mais conservadores também), já disse que, exatamente por terem perdido uma fatia bem considerável dos eleitores para a AfD (a CDU/CSU perdeu mais de um milhão de eleitores para a AfD), o foco será não esquecer os eleitores mais conservadores e focarem-se também na direita, ou seja, estes resultados mostram que a Merkel terá de deixar de ser relativamente liberal nestes aspetos para evitar uma divisão interna no partido e, por isso, adotar medidas mais em sintonia com a AfD e os ex-eleitores da CDU/CSU que agora votaram na AfD. Spoiler Ganhos da AfD por partido: Mais de um milhão de pessoas que votaram na CDU/CSU em 2013 votaram agora na AfD. Segue-se o SPD com 500 mil e a extrema-esquerda do Die Linke com 430 mil. Aliás, uma das razões pelo qual o Die Linke não se deu tão bem como esperado foi exatamente porque na antiga Alemanha de Leste, que é base do partido, foi onde se votou mais na AfD (mesmo que seja a zona que menos imigrantes recebeu), sendo que o partido foi mesmo o mais votado no estado da Saxónia. Na antiga Alemanha de Leste em si, a CDU/CSU foi o partido mais votado, seguido da AfD, e em 3º lugar o Die Linke (SPD em 4º). Partido mais votado: 2º partido mais votado: On 27/09/2017 at 20:28, Manuel Silva disse: Isto foi uma lição bem dada à Merkel a ver se ela aprende a "fechar as pernas". Espero é que ela ganhe consciência do mal que tem feito, expulse quem faça porcarias de imediato para não terem tempo de se vingar. Se ela não mudar de politicas arrisca-se a perder as próximas eleições. Eu acho que a percentagem é bem maior. Muita gente não vota nesses partidos por causa do medo irracional que os media colocam nas pessoas. Eu se fosse alemão e visse o meu país invadido por tantos refugiados e com atentados terroristas também votaria na AfD sem dúvidas. Ela ganhou com uma vantagem de 12.5% em relação ao SPD, que é e sempre foi o principal rival da CDU/CSU e uma vantagem acima de 20% em relação à AfD. Arrisca-se a perder eleições para quem, sendo assim? Ninguém vai negociar com a AfD, isso está mais que claro. Portanto, a não ser que de repente a AfD ganhe 20% dos votos num país onde há uma latente sensação de culpa pelos erros do passado (e que se nota até pelo simples facto de raramente veres bandeiras alemãs na rua, exceto durante Mundiais e EURO - e mesmo isso é um fenómeno recente que começou a ser mais visível em 2006 com o Mundial na Alemanha) e que vê o status quo como algo positivo e a ser mantido, no final acabas por ter duas opções para maior partido e, consequentemente, partido do Chanceler: a direita CDU/CSU ou o centro-esquerda SPD. Acho que não preciso de dizer que as políticas do SPD em relação à imigração não diferem das de CDU/CSU de Merkel. Aliás, uma coligação entre as políticas da CDU/CSU e do SPD convergem mais do que na chamada Coligação Jamaica, portanto dizer que ela se arrisca a perder as próximas eleições com uma taxa de aprovação ainda intocável é desconhecer a realidade. 2 Citar
Maya Postado 29 de setembro 2017 Postado 29 de setembro 2017 29 minutes ago, Ruben Fonseca said: Sim, essa foi a principal razão. Sendo a AfD a 3ª força política, caso houvesse uma grande coligação outra vez, eles seriam o maior partido da oposição. No entanto, mesmo que fosse o FDP em vez da AfD, eu não sei se o SPD voltava a coligar-se com a Merkel. Eles tiveram o pior resultado de sempre, a distância em relação à CDU/CSU é enorme há anos, sempre acima dos 10% (salvo raros momentos como há uns meses com a eleição de Schulz), a nível de estados continuam a perder poder também, etc. O SPD precisa de mudar radicalmente, tal como muitos partidos da esquerda tradicional precisam (PSOE, PS francês, etc) para voltar a ser competitivo e essa grande coligação impedir-lhes-ia de fazer isso com a mesma eficácia. Os resultados da AfD foram acima do esperado, apesar de o partido ter subido nas sondagens nos dias anteriores à eleição. Ganhou votos de todos os partidos, da direita conservadora à extrema-esquerda, e tem agora a possibilidade de conseguirem uma estratégia concisa a nível nacional para maiores ganhos no futuro (visto que agora recebem fundos federais). Haverão imensos desafios, no entanto. A AfD, tal como o UKIP, tal como a FN, etc, são partidos de protesto. O UKIP defendia a saída da UE e das suas políticas migratórias e, após o Brexit, desapareceu do mapa político britânico. Nestes próximos tempos, vai ser difícil para o partido organizar-se e ter uma estratégia clara, pois a prioridade sempre foi capitalizar votos através do discurso anti-imigratório. Se o tema dos refugiados daqui a 4 anos for muito menos importante do que é hoje e se a AfD não tiver passado uma mensagem clara para com os seus eleitores, eles poderão muito bem colapsar da mesma forma que o FDP colapsou em 2013, saíndo pela primeira vez do Bundestag desde das primeiras eleições pós-WW2 em 1949. Além disso, a CSU (irmão da CDU, só que na Bavária - mais conservadores também), já disse que, exatamente por terem perdido uma fatia bem considerável dos eleitores para a AfD (a CDU/CSU perdeu mais de um milhão de eleitores para a AfD), o foco será não esquecer os eleitores mais conservadores e focarem-se também na direita, ou seja, estes resultados mostram que a Merkel terá de deixar de ser relativamente liberal nestes aspetos para evitar uma divisão interna no partido e, por isso, adotar medidas mais em sintonia com a AfD e os ex-eleitores da CDU/CSU que agora votaram na AfD. Reveal hidden contents Ganhos da AfD por partido: Mais de um milhão de pessoas que votaram na CDU/CSU em 2013 votaram agora na AfD. Segue-se o SPD com 500 mil e a extrema-esquerda do Die Linke com 430 mil. Aliás, uma das razões pelo qual o Die Linke não se deu tão bem como esperado foi exatamente porque na antiga Alemanha de Leste, que é base do partido, foi onde se votou mais na AfD (mesmo que seja a zona que menos imigrantes recebeu), sendo que o partido foi mesmo o mais votado no estado da Saxónia. Na antiga Alemanha de Leste em si, a CDU/CSU foi o partido mais votado, seguido da AfD, e em 3º lugar o Die Linke (SPD em 4º). Partido mais votado: 2º partido mais votado: Ela ganhou com uma vantagem de 12.5% em relação ao SPD, que é e sempre foi o principal rival da CDU/CSU e uma vantagem acima de 20% em relação à AfD. Arrisca-se a perder eleições para quem, sendo assim? Ninguém vai negociar com a AfD, isso está mais que claro. Portanto, a não ser que de repente a AfD ganhe 20% dos votos num país onde há uma latente sensação de culpa pelos erros do passado (e que se nota até pelo simples facto de raramente veres bandeiras alemãs na rua, exceto durante Mundiais e EURO - e mesmo isso é um fenómeno recente que começou a ser mais visível em 2006 com o Mundial na Alemanha) e que vê o status quo como algo positivo e a ser mantido, no final acabas por ter duas opções para maior partido e, consequentemente, partido do Chanceler: a direita CDU/CSU ou o centro-esquerda SPD. Acho que não preciso de dizer que as políticas do SPD em relação à imigração não diferem das de CDU/CSU de Merkel. Aliás, uma coligação entre as políticas da CDU/CSU e do SPD convergem mais do que na chamada Coligação Jamaica, portanto dizer que ela se arrisca a perder as próximas eleições com uma taxa de aprovação ainda intocável é desconhecer a realidade. Não deixa de ser um grande feito por parte da AfD, que se torna agora o primeiro partido de extrema-direita desde o final da Seginda Guerra Mundial a entrar no Parlamento. Não sei se sabes mas parece que estão a haver imensas crises internas dentro do Partido, sendo a mais notória a demissão de Frauke Petry, uma das suas líderes. Frauke Petry abandona a Alternativa para a Alemanha https://www.publico.pt/2017/09/26/mundo/noticia/frauke-petry-abandona-a-alternativa-para-a-alemanha-1786788 Eu acho que, apesar de ter perdido tantos votos para AfD, a Merkel saiu.se claramente beneficiada nestas eleições precisamente pela enorme diferença que a separa do seu principal opositor. Só não consigo perceber se essa tão comentada "Coligação Jamaica" será suficiente para a Merkel conseguir governar com maioria absoluta no Parlamento?! O Schutz tomou a decisão mais acertada ao recusar uma nova coligação com a CDU, pois o contrário poderia provocar não um crescimento mais consistente da AfD, como também provocar uma onda de revolta ainda maior junto a muitos dos eleitores do Partido. Citar
Ruben Postado 30 de setembro 2017 Postado 30 de setembro 2017 há 49 minutos, Maya disse: Não deixa de ser um grande feito por parte da AfD, que se torna agora o primeiro partido de extrema-direita desde o final da Seginda Guerra Mundial a entrar no Parlamento. Não sei se sabes mas parece que estão a haver imensas crises internas dentro do Partido, sendo a mais notória a demissão de Frauke Petry, uma das suas líderes. Frauke Petry abandona a Alternativa para a Alemanha https://www.publico.pt/2017/09/26/mundo/noticia/frauke-petry-abandona-a-alternativa-para-a-alemanha-1786788 Eu acho que, apesar de ter perdido tantos votos para AfD, a Merkel saiu.se claramente beneficiada nestas eleições precisamente pela enorme diferença que a separa do seu principal opositor. Só não consigo perceber se essa tão comentada "Coligação Jamaica" será suficiente para a Merkel conseguir governar com maioria absoluta no Parlamento?! O Schutz tomou a decisão mais acertada ao recusar uma nova coligação com a CDU, pois o contrário poderia provocar não um crescimento mais consistente da AfD, como também provocar uma onda de revolta ainda maior junto a muitos dos eleitores do Partido. Sim, uma dos grandes desafios da AfD passa exatamente por resolver as suas crises internas para evitar parecer um partido fraturado na próxima legislatura. Se as rivalidades na bancada da AfD persistirem deixa de haver um esforço comum para capitalizar os ganhos nestas eleições. Uma coisa é colocar outdoors a dizer "Burkas? Nós preferimos biquinis" para apelar ao voto, outra é tornar essas mensagens populistas em algo realmente credível e exequível. Sim, a Coligação Jamaica é suficiente para uma maioria absoluta. São precisos 355 deputados para uma maioria. CDU/CSU+SPD = 399 deputados CDU/CSU+FDP+Verdes (Coligação Jamaica) = 393 deputados CDU/CSU+FDP = 326 deputados CDU/CSU+Verdes = 313 deputados SPD+FDP+Verdes = 302 deputados SPD+Verdes+Die Linke = 289 deputados Ou seja, o SPD estará na oposição sem uma grande coligação. Não consegue formar nenhum governo de esquerda com o Die Linke e os Verdes, além de que uma aliança entre o Die Linke e o SPD seria como uma relação entre o nosso PCP e o PS: não é impossível, mas é sempre bastante complicado. Se juntássemos o FDP a essa coligação das esquerdas haveria uma maioria, mas o FDP é pró-negócios, é a favor de baixar os impostos aos mais ricos, às grandes companhias, ou seja, é o extremo oposto da extrema-esquerda do Die Linke, pelo que é impossível. Isso quer dizer que a CDU/CSU tem de formar governo. Os Verdes partiram para a campanha a dizer que tanto se podem aliar à esquerda como à direita e o FDP sempre foi próximo aliado da CDU/CSU, estando mesmo em coligação com eles no 2º mandato de Merkel (2009-2013). Como nenhum outro partido irá negociar com a AfD, qualquer cenário que inclua o partido está fora de questão. Por isso, ou não há coligação, ou a única hipótese com maioria é a Coligação Jamaica. Quanto à Merkel, ela não saiu beneficiada, pelo contrário. Perdeu 9% em relação às ultimas eleições e este não deixou de ser um dos piores resultados do partido, abaixo das sondagens. Mais de um milhão deixou de votar na CDU/CSU para votar na AfD, o que quer dizer que a sua estratégia de imigração falhou e isso vai dar voz à ala mais conservadora do partido, que embora a apoie nunca foi grande fã dela. Claro que ela não vai sair, mas se não mudar a sua estratégia para cobrir aqueles que acham que a Alemanha está a ser invadida (isto é, que apoie a retórica da direita populista), vai estar mais fragilizada dentro do partido. Schulz e o SPD precisam de adotar novas táticas, provavelmente mais à esquerda. Embora seja um partido conservador, a CDU/CSU soube cobrir vários aspetos que antes pertenciam a partidos de centro-esquerda/esquerda como o SPD e os Verdes (energias renováveis, voto no casamento gay, etc), pelo que aqueles que alguns que votavam naqueles partidos por causa desses e outros aspetos, deixaram de o fazer com o tempo e migraram para a CDU/CSU ao longo dos últimos anos. Estando num governo com Merkel, o SPD terá mais dificuldades em atrair a sua base. É preciso repensar a sua estratégia e voltar a atrair eleitores, até porque se em 2005, ano em que Merkel foi eleita pela primeira vez, o SPD obteve apenas menos 1% que a CDU/CSU, esse 1% passou a 10% em 2009, a 16% em 2013 e agora a 12% nestas últimas eleições. Para o 2º maior partido do país, que já não governa precisamente desde 2005, não deixam de ser resultados péssimos. Citar
Dinis F. Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 (editado) Qual a vossa opinião sobre o governo de Madrid, em relação ao referendo da independência da Catalunha? Eu não percebo muito de política, mas acho que o que estão a fazer é desumano, parece que voltamos há ditadura. Editado 1 de outubro 2017 por iBoy Citar
Froholdt Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 (editado) há 3 minutos, iBoy disse: Qual a vossa opinião sobre o governo de Madrid, em relação ao referendo da independência da Catalunha? Eu não percebo muito de político, mas acho que o que estão a fazer é desumano, parece que voltamos há ditadura. O que se tá a passar na Catalunha é uma vergonha autêntica, confrontos com a polícia e até locais de urnas foram encerrados para os Catalães não poderem votar, acho que governo de Madrid não quer a independência da Catalunha. Editado 1 de outubro 2017 por Corey Taylor 1 Citar
Forbidden Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 (editado) Eu só não entendo porque e que o Reino Unido permitiu o referendo na Escócia mas a Espanha não quer fazer o mesmo na Catalunha?!! Editado 1 de outubro 2017 por Forbidden Citar
Dinis F. Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 há 6 minutos, Corey Taylor disse: O que se tá a passar na Catalunha é uma vergonha autêntica, confrontos com a polícia e até locais de urnas foram encerrados para os Catalães não poderem votar, acho que governo de Madrid não quer a independência da Catalunha. Achas?! Eu tenho a certeza. Citar
Froholdt Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 Agora mesmo, iBoy disse: Achas?! Eu tenho a certeza. Mas com ou sem independência da Catalunha as relações vão ficar muito más para aqueles lados. Citar
Ambrósio Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 há 9 minutos, iBoy disse: Qual a vossa opinião sobre o governo de Madrid, em relação ao referendo da independência da Catalunha? Eu não percebo muito de política, mas acho que o que estão a fazer é desumano, parece que voltamos há ditadura. Acho um disparate. Se a Catalunha se tornar independente só vai ser pior para eles, por exemplo, acredito que as grandes empresas sairíam de lá. Já quanto à Escócia, aí já concordo mais com a independência, muito devido ao Brexit. 1 Citar
Forbidden Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 há 19 minutos, Ambrósio disse: Acho um disparate. Se a Catalunha se tornar independente só vai ser pior para eles, por exemplo, acredito que as grandes empresas sairíam de lá. Já quanto à Escócia, aí já concordo mais com a independência, muito devido ao Brexit. Mas se o povo da Catalunha quer ser independente, que direito tem Espanha de os forçar a não ser? Citar
Ana Maria Peres Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 (editado) Acho a gestão da situação da Catalunha péssima. Sinceramente. Primeiramente, ao contrário do que alguns têm afirmado, o referendo é ilegal. Não tem qualquer validade jurídica. Num Estado do Direito, isto é inadmissível. Então agora vamos fazer ali um referendo qualquer que vai contra a Constituição? Não pode ser, isto são ideias antidemocráticas. O referendo levanta muitas perguntas: quem vai votar? Será que quem organiza o referendo fez a contagem de todos os eleitores, ou só daqueles que lhes interessam e que apoiam a independência? Qual é a pergunta e como a mesma está formulada? Qual é o garante jurídico, ou seja, quem valida os resultados do referendo? Isto tem de ser discutido e não pode ser feito de forma impulsiva. Aliás, só o facto de este referendo ser organizado por um movimento independentista quer dizer muita coisa. Com efeito, vamos agora imaginar que eu e mais umas centenas aqui no Porto, queremos tornar a cidade independente. Pá, nós conseguimos ver-nos livres de Lisboa, não é problema. Faço um referendo qualquer, vota quem eu quero, ganha o Sim (mesmo que só tenha votado 20% dos portuenses) e pronto, adeus Lisboa e olá Porto - o novo país! Isto não pode ser assim, nem é constitucionalmente aceite. Há implicações bastantes graves. Também é verdade que Madrid poderia ter uma atitude diferente e avançar com um referendo legal, de facto organizado com pés e cabeça por uma comissão séria e independente, tal e qual como fez o Reino Unido para com a Escócia, que garantisse acima de tudo a verdade dos resultados (sim, porque nem todos os catalães querem ser independentes. Já tive contacto com alguns e não, eles querem permanecer em Espanha). É que isto só aumentará as ganas independentistas dos catalães e de uns indecisos. Uma Guerra Civil poderá estar à porta e há muitos fantasmas que ainda habitam em Espanha. :/ A escalada da violência - evitável, de verdade - é preocupante e deveria de ser travada. Mas isto não justifica a atuação dos independentistas, de forma alguma. Sou a favor de um referendo. Mas um referendo com validade jurídica. Editado 1 de outubro 2017 por Ana Maria Peres 6 Citar
Ambrósio Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 há 13 minutos, Forbidden disse: Mas se o povo da Catalunha quer ser independente, que direito tem Espanha de os forçar a não ser? A resposta está no post da @Ana Maria Peres. 1 Citar
Forbidden Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 há 14 minutos, Ana Maria Peres disse: Acho a gestão da situação da Catalunha péssima. Sinceramente. Primeiramente, ao contrário do que alguns têm afirmado, o referendo é ilegal. Não tem qualquer validade jurídica. Num Estado do Direito, isto é inadmissível. Então agora vamos fazer ali um referendo qualquer que vai contra a Constituição? Não pode ser, isto são ideias antidemocráticas. O referendo levanta muitas perguntas: quem vai votar? Será que quem organiza o referendo fez a contagem de todos os eleitores, ou só daqueles que lhes interessam e que apoiam a independência? Qual é a pergunta e como a mesma está formulada? Qual é o garante jurídico, ou seja, quem valida os resultados do referendo? Isto tem de ser discutido e não pode ser feito de forma impulsiva. Aliás, só o facto de esta referendo ser organizado por um movimento independentista quer dizer muita coisa. Com efeito, vamos agora imaginar que eu e mais umas centenas aqui no Porto, queremos tornar a cidade independente. Pá, nós conseguimos ver-nos livres de Lisboa, não é problema. Faço um referendo qualquer, vota quem eu quero, ganha o Sim (mesmo que só tenha votado 20% dos portuenses) e pronto, adeus Lisboa e olá Porto - o novo país! Isto não pode ser assim, nem é constitucionalmente aceite. Há implicações bastantes graves. Também é verdade que Madrid poderia ter uma atitude diferente e avançar com um referendo legal, de facto organizado com pés e cabeça por uma comissão séria e independente, tal e qual como fez o Reino Unido para com a Escócia, que garantisse acima de tudo a verdade dos resultados (sim, porque nem todos os catalães querem ser independentes. Já tive contacto com alguns e não, eles querem permanecer em Espanha). É que isto só aumentará as ganas independentistas dos catalães e de uns indecisos. Uma Guerra Civil poderá estar à porta e há muitos fantasmas que ainda habitam em Espanha. :/ A escalada da violência - evitável, de verdade - é preocupante e deveria de ser travada. Mas isto não justifica a atuação dos independentistas, de forma alguma. Sou a favor de um referendo. Mas um referendo com validade jurídica. Mas a Espanha é que não quer dar o referendo, porque tem medo do resultado... só pode ser isso. 1 Citar
Ana Maria Peres Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 há 2 minutos, Forbidden disse: Mas a Espanha é que não quer dar o referendo, porque tem medo do resultado... só pode ser isso. Não é só isso, mas também por outras razões, prendidas por razões financeiras. Sim, Espanha tem medo de desintegrar (e quem fala em Espanha, fala na contaminação que isto pode ter na Europa), mas, não sei se sabias, mas há questões financeiras a tratar. O governo da Catalunha tem uma dívida enorme para pagar à capital espanhola (sim, mesmo sendo a zona mais rica de Espanha). Esta problemática não foi tratada e havia opiniões distintas que não foram resolvidas e que deveriam de o ser, antes de fazer um referendo. 5 Citar
Ruben Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 há 45 minutos, Forbidden disse: Mas se o povo da Catalunha quer ser independente, que direito tem Espanha de os forçar a não ser? A questão é, quererá mesmo? É que se houvesse um referendo com validade jurídica, uma boa parte das sondagens indicariam para a vitória de um... não. Aliás, de acordo com o Centro de Estudos de Opinião, controlado pela Generalitat da Catalunha, quase 50% dos catalães mostram-se contra a independência, comparado com uns 41% que a apoiam. Logo, o povo da Catalunha não quer ser independente, pelo menos, não a sua maioria. Aqueles que dizem que querem ser independentes são as entidades que governam a Catalunha, mais alguns partidos políticos como a extrema-esquerda do Podemos. O povo da Catalunha quer votar, apenas isso. Mas não é a fazer pseudo-referendos quase todos os anos em que votam apenas uma quantidade reduzida de pessoas que é o caminho. Como a Ana disse, isso vai contra todos os processos democráticos de um país e seria o mesmo que um grupo de pessoas fazer um referendo numa rua e declarar-se independente porque 3 pessoas em 25 votaram a favor (logo, 100% a favor da independência). Há exageros de parte a parte. Madrid já devia ter avançado, ou pelo menos pensado, num modelo de estado federal igual à Alemanha (uma das coisas apoiadas por uma parte dos catalães) ou, tal como o Reino Unido ou o Canadá fizeram, iniciarem discussões sobre a possibilidade de um referendo legal. No entanto, por muito que se fale na Catalunha sobre independência, pouco se fala sobre as consequências desta. Até porque sair acarreta os seus custos. Há toda um sistema financeiro para resolver (que foi um dos tópicos que mais pesou na Escócia), há indemnizações para pagar, há a questão da UE e da ONU, do Euro, das fronteiras, entre várias outras coisas. Sair, tal como provado pelo Brexit, não é só "pronto, estamos fora". Acarreta consequências, e a Catalunha e as entidades que a governam ainda não pensaram nessas consequências, porque o que é realmente importante para eles é fazerem uns quantos referendos de vez em quando, onde apenas uma parte da população participa ou tem acesso, completamente fora da lei, independentemente se a maioria está ou não a favor da independência. 5 Citar
Ambrósio Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 Medidas anti-terrorismo vão ser alargadas às cidades mais turísticas A ministra da Administração Interna ordenou a criação de um grupo de trabalho para estudar medidas preventivas de atentados terroristas https://www.dn.pt/portugal/interior/medidas-anti-terrorismo-vao-ser-alargadas-as-cidades-mais-turisticas-8808618.html Depois de Lisboa, estas medidas serão agora aplicadas também no Porto, Coimbra e Évora. 1 Citar
srcbica Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 (editado) há 7 horas, Ana Maria Peres disse: Acho a gestão da situação da Catalunha péssima. Sinceramente. Primeiramente, ao contrário do que alguns têm afirmado, o referendo é ilegal. Não tem qualquer validade jurídica. Num Estado do Direito, isto é inadmissível. Então agora vamos fazer ali um referendo qualquer que vai contra a Constituição? Não pode ser, isto são ideias antidemocráticas. O referendo levanta muitas perguntas: quem vai votar? Será que quem organiza o referendo fez a contagem de todos os eleitores, ou só daqueles que lhes interessam e que apoiam a independência? Qual é a pergunta e como a mesma está formulada? Qual é o garante jurídico, ou seja, quem valida os resultados do referendo? Isto tem de ser discutido e não pode ser feito de forma impulsiva. Aliás, só o facto de este referendo ser organizado por um movimento independentista quer dizer muita coisa. Com efeito, vamos agora imaginar que eu e mais umas centenas aqui no Porto, queremos tornar a cidade independente. Pá, nós conseguimos ver-nos livres de Lisboa, não é problema. Faço um referendo qualquer, vota quem eu quero, ganha o Sim (mesmo que só tenha votado 20% dos portuenses) e pronto, adeus Lisboa e olá Porto - o novo país! Isto não pode ser assim, nem é constitucionalmente aceite. Há implicações bastantes graves. Também é verdade que Madrid poderia ter uma atitude diferente e avançar com um referendo legal, de facto organizado com pés e cabeça por uma comissão séria e independente, tal e qual como fez o Reino Unido para com a Escócia, que garantisse acima de tudo a verdade dos resultados (sim, porque nem todos os catalães querem ser independentes. Já tive contacto com alguns e não, eles querem permanecer em Espanha). É que isto só aumentará as ganas independentistas dos catalães e de uns indecisos. Uma Guerra Civil poderá estar à porta e há muitos fantasmas que ainda habitam em Espanha. :/ A escalada da violência - evitável, de verdade - é preocupante e deveria de ser travada. Mas isto não justifica a atuação dos independentistas, de forma alguma. Sou a favor de um referendo. Mas um referendo com validade jurídica. Não, Ana, por favor, façam antes um referendo pela independência de Portugal do Norte! E não se esqueçam de Leiria, não podemos deixar Fátima nas mãos dos sulistas! Uma guerra civil não acontecerá, porque Espanha existe dentro de uma União Europeia e, se tal acontecesse, a legitimidade da UE também seria colocada em causa. Escócia, diferentemente da Catalunha e historicamente é mais do que uma simples região autónoma. É um país, mesmo. E o Reino Unido é, como o nome indica, uma união de reinos. Aliás, por isto mesmo, para mim o parlamento inglês nem devia ter partidos escoceses e irlandeses. Cada reino devia ter o seu parlamento independente, todos encabeçados pela Rainha. Canadá, Austrália, Nova Zelândia e outros não têm partidos no parlamento inglês e continuam a ter a Rainha como chefe de estado, ainda que ela não apite nada. A Catalunha, não. Antes da unificação de Espanha, a Catalunha já era uma região que fazia parte de Aragão, mas que dizia que o seu rei era o de Castela, quando achasse necessário. Ora, a História da Europa está cheia de regiões que nem sempre se deram bem e muito menos fizeram parte do mesmo estado. Depois da Catalunha, podia vir Flandres, Bavária, a fragmentação de Itália... E o mais estúpido de tudo é que quem é a favor da independência de uns sítios não é a favor de outros, por conta dos motivos serem, dentro do espetro político, completamente diferentes. Enquanto na Catalunha a campanha da independência tem uma maioria de adeptos que quer fazer da região uma nova Venezuela, a Bavária ficaria entregue aos nazis, que não querem refugiados. Penso que esta seja a principal razão para a UE não querer igualmente um referendo na Catalunha. Porque é ilegal e, por isso, se todas os independentistas por essa Europa fora se lembram de convocar referendos onde só vão votar esses mesmos independentistas, mesmo que não haja nenhum efeito direto na criação de novas fronteiras, tem um efeito indireto na existência da União. A melhor leitura que se pode fazer neste caso é ver se a abstenção é maior dos que foram votar pelo sim e, mesmo assim, não é a leitura perfeita. Também pode haver uma meia dúzia de independentistas que não foram votar. https://www.dn.pt/mundo/interior/lula-da-silva-lidera-intencoes-de-voto-a-um-ano-das-presidenciais-no-brasil-8810805.html Vou lançar o boato de que o Rio de Janeiro tem saudades de ser a capital do país e vai propor um referendo pela independência do Brasil do Sul. #jáfaltoumais Editado 1 de outubro 2017 por srcbica 4 Citar
Forbidden Postado 1 de outubro 2017 Postado 1 de outubro 2017 há 3 horas, Ruben Fonseca disse: A questão é, quererá mesmo? É que se houvesse um referendo com validade jurídica, uma boa parte das sondagens indicariam para a vitória de um... não. Aliás, de acordo com o Centro de Estudos de Opinião, controlado pela Generalitat da Catalunha, quase 50% dos catalães mostram-se contra a independência, comparado com uns 41% que a apoiam. Logo, o povo da Catalunha não quer ser independente, pelo menos, não a sua maioria. Aqueles que dizem que querem ser independentes são as entidades que governam a Catalunha, mais alguns partidos políticos como a extrema-esquerda do Podemos. O povo da Catalunha quer votar, apenas isso. Mas não é a fazer pseudo-referendos quase todos os anos em que votam apenas uma quantidade reduzida de pessoas que é o caminho. Como a Ana disse, isso vai contra todos os processos democráticos de um país e seria o mesmo que um grupo de pessoas fazer um referendo numa rua e declarar-se independente porque 3 pessoas em 25 votaram a favor (logo, 100% a favor da independência). Há exageros de parte a parte. Madrid já devia ter avançado, ou pelo menos pensado, num modelo de estado federal igual à Alemanha (uma das coisas apoiadas por uma parte dos catalães) ou, tal como o Reino Unido ou o Canadá fizeram, iniciarem discussões sobre a possibilidade de um referendo legal. No entanto, por muito que se fale na Catalunha sobre independência, pouco se fala sobre as consequências desta. Até porque sair acarreta os seus custos. Há toda um sistema financeiro para resolver (que foi um dos tópicos que mais pesou na Escócia), há indemnizações para pagar, há a questão da UE e da ONU, do Euro, das fronteiras, entre várias outras coisas. Sair, tal como provado pelo Brexit, não é só "pronto, estamos fora". Acarreta consequências, e a Catalunha e as entidades que a governam ainda não pensaram nessas consequências, porque o que é realmente importante para eles é fazerem uns quantos referendos de vez em quando, onde apenas uma parte da população participa ou tem acesso, completamente fora da lei, independentemente se a maioria está ou não a favor da independência. Pronto, então que façam lá o referendo legal e arrumem o assunto de uma vez! Agora estarem a arrastar este assunto e a criar raiva nos catalães não me parece uma boa estratégia, de todo. Só vão piorar as coisas, independentemente do resultado do referendo. 3 Citar
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