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há 3 minutos, RenatoSimões disse:

Excelente ideia de programar um Especial Desporto para agora, enquanto está a jogar o Porto...

Hoje está tudo muito fora do normal, na rádio apenas a Antena 1 e a Observador estão a relatar. TSF e RR nada.

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há 1 hora, canal5 disse:

Hoje está tudo muito fora do normal, na rádio apenas a Antena 1 e a Observador estão a relatar. TSF e RR nada.

O horário também não é muito convidativo…

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Ontem, com a notícia do ataque dos EUA ao Irão a sair por volta das 0h50, não chegaram a dar a notícia dentro do 24 Horas, que fechou às 1h normalmente. Devem ter-se apercebido imediatamente após o fim do jornal, e após uns 10 minutos a encher chouriços com autopromoções, a emissão a partir do Porto voltou às 1h10 com um 3 à 1 que passou a Especial Informação, até às 3h35.

O início do Bom Dia foi ligeiramente antecipado, para as 7h34.

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Acho que a RTP 3 precisava era de passar alguns noticiários estrangeiros dependendo das parcerias que tem, vá que seja de madrugada e só no canal nacional, e principalmente de membros da UER.

Com isto já pareço o Televisão 21, BBC News na RTP 3 quando, vá que seja uma vez por dia?

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há 10 minutos, ATVTQsV disse:

Acho que a RTP 3 precisava era de passar alguns noticiários estrangeiros dependendo das parcerias que tem, vá que seja de madrugada e só no canal nacional, e principalmente de membros da UER.

Com isto já pareço o Televisão 21, BBC News na RTP 3 quando, vá que seja uma vez por dia?

Tu às vezes tens cada ideia... porque raio a rtp3 iria passar noticiarios estrangeiros... isso nem faz qualquer sentido. Um ou outro programa de reportagem ainda vá agora noticiários serve que proposito mesmo?

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agora mesmo, AndreRob disse:

Tu às vezes tens cada ideia... porque raio a rtp3 iria passar noticiarios estrangeiros... isso nem faz qualquer sentido. Um ou outro programa de reportagem ainda vá agora noticiários serve que proposito mesmo?

Diversificar as fontes de informação, só que tais noticiários não iriam passar na RTP Play

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há 11 minutos, ATVTQsV disse:

Diversificar as fontes de informação, só que tais noticiários não iriam passar na RTP Play

isso não é diversificar é perguiça informativa de tratarem os assuntos e optarem por dar blocos estrangeiros... ninguém o faz por cá e acho que não faz sentido na atualidade em que rapidamente tens o feed de noticias no ar. não estamos nos anos 90 À espera do satélite...

Postado (editado)
há 5 horas, AndreRob disse:

Tu às vezes tens cada ideia... porque raio a rtp3 iria passar noticiarios estrangeiros... isso nem faz qualquer sentido. Um ou outro programa de reportagem ainda vá agora noticiários serve que proposito mesmo?

A proposta apresentada por ele tem um fundamento: o facto de vários canais terem feito isso. Até a própria BBC News chegou a exibir o ABC World News nas madrugadas. Só que isso já não é mais feito porque não é mais necessário. Talvez há uns anos atrás seria uma ideia interessante, agora não. Mais facilmente sugeria um modelo idêntico ao da France TV: às vezes no último jornal do dia da FranceInfo eles exibem um pequeno espaço chamado EuroZapping aonde eles exibem a notícia destaque de alguns países).

Editado por User3468
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agora mesmo, User3468 disse:

A proposta apresentada por ele tem um fundamento: o facto de vários canais terem feito isso. Até a própria BBC News chegou a exibir o ABC World News nas madrugadas. Só que isso já não é mais feito porque não é mais necessário. Talvez há uns anos atrás seria uma ideia interessante, agora não. Mais facilmente sugeria um modelo idêntico ao da France TV: às vezes no último jornal do dia da FranceInfo eles exibem um pequeno espaço (cujo nome já não me recordo) aonde eles exibem a notícia destaque de alguns países).

Em Portugal nunca se fez nada disso (a Euronews não conta quando a RTP tinha participação no canal e antes do fim dos anos 2000 tinhas o Perspectivas, que só tinha pequenas rubricas). Sei que antes de 2018 a BBC News (antes da fusão com a BBC World News) passou a ter o CBS Evening News porque o contrato com a ABC tinha sido expirado.

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há 1 minuto, User3468 disse:

A proposta apresentada por ele tem um fundamento: o facto de vários canais terem feito isso, até a própria BBC News que exibia o ABC World News nas madrugadas. Só que isso já não é mais feito porque não é mais necessário. Talvez há uns anos atrás seria uma ideia interessante, agora não. Mais facilmente sugeria um modelo idêntico ao da France TV: às vezes no último jornal do dia da FranceInfo eles exibem um pequeno espaço (cujo nome já não me recordo) aonde eles exibem a notícia destaque de alguns países).

Sim exato isso faria sentido há alguns anos, hoje em dia com a rapidez com que se mete um jornalista no ar ja com imagens e informações torna-se descessário andar a usar feeds estrangeiros. Sim obviamente que conteudos especificos do pais ate podem ter um apontamento mas nao na forma de 'transmitir noticiarios estrangeiros' como tapa buracos.

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há 1 minuto, AndreRob disse:

Sim exato isso faria sentido há alguns anos, hoje em dia com a rapidez com que se mete um jornalista no ar ja com imagens e informações torna-se descessário andar a usar feeds estrangeiros. Sim obviamente que conteudos especificos do pais ate podem ter um apontamento mas nao na forma de 'transmitir noticiarios estrangeiros' como tapa buracos.

E eu estava a falar em contratos fixos para emitir, no mínimo, pelo menos um noticiário, no máximo da BBC, TVE (podia ser um dos do canal 24 Horas) e da France 24 (serviço em francês) ou uma das edições do noticiário próprio da TV5MONDE. Também aumentava a presença de imagens destes canais nos noticiários da RTP 3 e com sorte no Telejornal. Ir pedir à América seria caro demais.

Só que ao fim de alguns dias iria acabar por falta de interesse.

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https://www.cmjornal.pt/tv-media/detalhe/mau-desempenho-da-rtp-3-levou-a-demissao-de-antonio-jose-teixeira
 

Mau desempenho da RTP 3 levou a demissão de António José Teixeira

Cobertura do ataque dos Estados Unidos ao Irão pela estação público deixou muito a desejar.

A falta de comparência da RTP 3 na noite do ataque dos Estados Unidos ao Irão foi a gota de água que fez transbordar o copo da administração da empresa e levou à demissão de António José Teixeira do cargo de diretor de Informação. 

Domingo (dia 22 de junho) de manhã, após uma noite inteira de informação relacionada com o raide norte-americano com os bombardeiros B2, a RTP 3 (e a RTP 1, que emite em simultâneo) só arrancou o noticiário às 07h34, quando todos os concorrentes estiveram madrugada fora a acompanhar a situação, e arrancaram os seus noticiários em direto logo de madrugada.
 

Segundo apurou o CM, a juntar a vários avisos sobre as fracas audiências e o mau desempenho da RTP 3, feitos ao longo dos últimos meses pelo presidente da estação pública, Nicolau Santos, esta falta de comparência terá sido o fator que forçou à mudança da direção.

António José Teixeira, de 64 anos, foi apanhado de surpresa e não pensava sair. Foi substituído por Vítor Gonçalves, que constituirá equipa nos próximos dias, já que os restantes elementos da direção de Informação - Adília Godinho, Hulgo Gilberto, Joana Garcia (adjuntos), Luísa Bastos e Paulo Cardoso (subdiretores), também foram demitidos.

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há 2 horas, Brainwash disse:

https://www.cmjornal.pt/tv-media/detalhe/mau-desempenho-da-rtp-3-levou-a-demissao-de-antonio-jose-teixeira
 

Mau desempenho da RTP 3 levou a demissão de António José Teixeira

Cobertura do ataque dos Estados Unidos ao Irão pela estação público deixou muito a desejar.

A falta de comparência da RTP 3 na noite do ataque dos Estados Unidos ao Irão foi a gota de água que fez transbordar o copo da administração da empresa e levou à demissão de António José Teixeira do cargo de diretor de Informação. 

Domingo (dia 22 de junho) de manhã, após uma noite inteira de informação relacionada com o raide norte-americano com os bombardeiros B2, a RTP 3 (e a RTP 1, que emite em simultâneo) só arrancou o noticiário às 07h34, quando todos os concorrentes estiveram madrugada fora a acompanhar a situação, e arrancaram os seus noticiários em direto logo de madrugada.
 

Segundo apurou o CM, a juntar a vários avisos sobre as fracas audiências e o mau desempenho da RTP 3, feitos ao longo dos últimos meses pelo presidente da estação pública, Nicolau Santos, esta falta de comparência terá sido o fator que forçou à mudança da direção.

António José Teixeira, de 64 anos, foi apanhado de surpresa e não pensava sair. Foi substituído por Vítor Gonçalves, que constituirá equipa nos próximos dias, já que os restantes elementos da direção de Informação - Adília Godinho, Hulgo Gilberto, Joana Garcia (adjuntos), Luísa Bastos e Paulo Cardoso (subdiretores), também foram demitidos.

Não deixa de ser verdade que a RTP 3 demonstra, várias vezes, um atraso face aos concorrentes em relação a conteúdos de última hora.

No caso, no entanto, houve informação de madrugada, pelo que aqui referiram.

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On 6/27/2025 at 1:31 PM, User3468 said:

Alguém consegue colocar aqui o texto completo?

Spoiler

"A RTP3 continua a afundar nas audiências, é um problema que temos de resolver"

Reestruturação da RTP avança com a saída de 97 trabalhadores, a que se podem juntar em breve mais 41. Mexidas na direção de informação foram ditadas pela necessidade de dar novo impulso à RTP3, cujas audiências têm afundado, explica Nicolau Santos, que afasta quaisquer interferências políticas quer deste quer dos anteriores governos desde que tomou posse como presidente da empresa pública de rádio e televisão, em 2021

O presidente da RTP explicou ao Expresso os objetivos da reestruturação em curso na empresa e os próximos passos que poderão ser dados. Para já vai solicitar autorização e verbas ao governo para avançar com mais saídas voluntárias no grupo.

Que balanço faz do processo de reestruturação da RTP?

Este processo, de reorganização, digamos assim, estava contemplado no plano estratégico, que foi apresentado e ao Conselho Geral Independente (CGI) e aprovado. Um dos grandes objetivos era termos uma estrutura mais enxuta, mais capaz de responder aos desafios que temos pela frente, que todo o sector dos media tem, de avançar claramente na transição digital, tentando que as várias áreas da RTP, nomeadamente a televisão e a rádio, trabalhem cada vez mais em conjunto em projetos que possam ser comuns aos dois, mantendo obviamente cada um a sua própria identidade e cada um desenvolvendo o seu próprio trabalho. Isto contemplava também a renovação humana e material da RTP. Humana porque a média etária da RTP anda na casa dos 53, 54 anos. A permanência dos trabalhadores na RTP é na casa dos 30 anos e portanto a empresa precisa de se renovar. E havia muitos quadros que estavam a chegar à idade da reforma, poder-se-ia encontrar uma solução que fosse boa para as pessoas, mas que fosse boa também para a empresa. E por isso apresentámos um plano de saídas voluntárias ao anterior Governo.

Está a referir-se ao anterior governo do PSD?

Começou por ser falado com os dois últimos governos PS, foi derrapando, derrapando e foi finalmente com o primeiro governo do PSD e com o doutor Pedro Duarte [anterior ministro dos Assuntos Parlamentares que teve a tutela da comunicação social] e o doutor Carlos Abreu Amorim [ex-secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares] que efetivamente isto teve um avanço significativo e foi possível concretizar esse plano de saídas voluntárias que está agora em cima da mesa. Nós tínhamos um orçamento para essas saídas que foi autorizado pela tutela, de 5,5 milhões de euros, tínhamos dinheiro para isso, já tinhamos provisionado esse valor em 2024, pudemos fazer esse plano de saídas que deveria envolver à volta de 80 pessoas. O plano foi um sucesso. Tivemos mais adesões, claramente, do que estávamos à espera, 138 no total. Como apareceram mais pessoas do que o previsto, surgiu um problema que é o facto de nós só termos a possibilidade de chegar a acordo com um número limitado de trabalhadores, que serão 97, que não ultrapassam os 5,5 milhões. Mas como temos mais 41 trabalhadores que manifestaram a intenção de sair, o que fizemos foi pedir autorização ao anterior Governo - e que vamos reafirmar agora junto deste -, para podermos estender este plano de saídas voluntárias a mais essas 41 pessoas, nas mesmas condições. Só que aí a RTP já não tem dinheiro, necessita que o aumento de capital de 14,29 milhões de euros previsto, correspondente a uma dívida reconhecida do Estado para com a RTP, seja pago, pelo menos parte dele, 2,4 milhões de euros, que é quanto custa para pagar às 41 pessoas que manifestaram interesse em sair. Depois há a parte do equipamento.

Mas no plano de Ação para a Comunicação Social apresentado pelo governo em outubro era apontada a potencial saída de 250 pessoas da RTP.

O anterior governo desafiou-nos a pensar se não quereríamos ter mais pessoas a sair. Porque é que há esta primeira fase? É que esta primeira fase permite que até 80 pessoas saiam com o apoio dos serviços sociais, do subsídio de desemprego, sem que a empresa tenha de ser declarada em reestruturação. Para uma empresa ser declarada em reestruturação tem de haver muitos meses de preparação e o processo ficaria parado muito tempo. E, portanto, decidimos partir o processo em dois, avançámos com esta parte para a qual tínhamos dinheiro e tínhamos autorização, e agora, se tivermos dinheiro, avançaremos então para a outra fase.

Essa outra fase poderá então chegar aos 250 trabalhadores.

Sim. Nesta fase para já estão 97. A única coisa segura que temos são 97. Vamos ver se estes mais 41 são autorizados.

Foi estimado para este programa de saídas voluntárias um custo de 19,9 milhões de euros. Era então para o total das 250 pessoas identificadas?

Sim, nesse lote estão incluídas também pessoas que estão com idades mais distantes da reforma portanto, o apoio à indemnização será superior a estas pessoas que estão a sair agora nesta primeira fase. Precisamos por isso de autorização do governo para avançar, com financiamento bancário, o pagamento dos tais 14,29 milhões de euros para que seja possível avançar mais. Mas para já estamos focados nisto, esta parte foi um sucesso, correu muito bem e se pudéssemos pagar a mais estes 41 trabalhadores acho que era um grande sinal para a empresa.

Reduziram o número de direções, passaram de 39 para 28, são eliminadas 11 direções. Com ganhos financeiros mas também a nível de funcionamento?

Sim, a ideia é tornar a organização mais flexível, aproximar mais as pessoas, que possam compartilhar projetos, a ideia é claramente essa.

Estão também a renovar equipamentos.

Sim, a RTP ao mesmo tempo considera que precisava de renovar muitas das suas infraestruturas, sobretudo no Centro de Produção do Norte e na sede, em Lisboa. Nos últimos anos tem havido mudanças claras quer no Centro Regional dos Açores quer no Centro Regional da Madeira, continuam a precisar obviamente de investimentos mas houve investimentos importantes. Como se vê aqui, o prédio da RTP está todo em obras mas essencialmente estamos a remodelar o estúdio principal de informação da RTP e estamos a reorganizar o sítio onde as redações se sentam, a redação da televisão e a redação de rádio. Nós queremos que as redações falem mais uma com a outra, estejam mais próximas. Hoje em dia a redação da televisão está numa parte do edifício e a redação da rádio está noutro e há colegas que não se conhecem pura e simplesmente. Queremos que cada vez mais pessoas que são da rádio possam vir à televisão comentar notícias e pessoas da televisão possam ir à rádio também comentar, fazer programas, etc.

Há uma separação muito grande dessas duas realidades?

Sim, eram duas empresas, existia a RDP e existia a televisão. Aliás, a RDP é bastante mais antiga do que a televisão e vai agora fazer, no dia 4 de agosto, 90 anos. Eram duas casas separadas, depois houve a fusão. Mas digamos que em termos culturais ainda é preciso trabalhar muito para que nos identifiquemos todos como grupo RTP. Tem havido progressos, claramente, hoje já se vê muitos trabalhos que são feitos em conjunto por profissionais da rádio e da televisão, mas temos de trabalhar mais nisso e ganhar mais sinergias nessa matéria. Estamos a fazer investimentos nos estúdios em Lisboa e no Porto, no Centro de Produção do Norte, que está bastante avançado e isto obviamente vai a par com equipamentos de que necessitamos. Há um conjunto de equipamentos cada vez mais automatizados, que são necessários para fazer determinados projetos, desde as coisas mais elementares, que são as máquinas que os operadores levam às costas, até outro tipo de equipamentos mais pesados, nós precisamos de fazer investimentos aí e a televisão é um meio onde praticamente todos os dias surgem inovações e nós precisamos de acompanhá-las.

Estavam muito atrasados em relação aos outros canais?

Nós tínhamos problemas na imagem da RTP, na imagem que os espectadores veem nos ecrãs, que decorriam de múltiplas situações, desde questões de iluminação, até questões de maquilhagem das pessoas, até questões de som eventualmente, questões comezinhas que todas juntas depois, quando resolvidas, contribuem para uma outra imagem. Mas nós tínhamos problemas aí complicados e que temos vindo a resolver pouco a pouco. Este tipo de situações obriga também a que haja uma uniformização ou pelo menos alguma disciplina na operação que se faz nos estúdios ou mesmo fora dos estúdios. A nossa imagem aparecia com regularidade mais opaca, mais baça do que a dos nossos concorrentes. Estamos a trabalhar nessa mudança e suponho que pouco a pouco se vai notar essa diferença.

“Estamos a renovar a RTP”

No plano estratégico para o período 2024-2026 falavam de mudança de imagem, é isso que está em curso?

A mudança imagem é muito lata. Um dos aspetos tem a ver, como referi, com coisas tão triviais como os cabeleireiros que vinham aqui tratar das nossas apresentadoras, a maquilhagem, esse tipo de coisas que têm a ver com imagem, mas obviamente depois as coisas mais importantes são a iluminação, as máquinas, as pessoas que as operam, etc. A outra área é o facto de termos muitas marcas que estão espalhadas quer pela parte da televisão, quer pela parte da rádio. Estamos a trabalhar com uma empresa no sentido de tentar dar uma outra consistência à imagem da RTP, em que o essencial é que tudo contribua para fortalecer a ideia de grupo RTP. Temos muitas declinações da nossa marca e o que estamos a tentar fazer agora é concentrar isso, é um projeto que penso que eventualmente até ao final do ano conseguiremos terminar. A ideia destas mudanças todas é tentar encontrar aqui uma nova dinâmica, estamos a entrar numa nova fase e essa nova dinâmica exige pessoas com outro tipo de capacidades, de aptidões, de interesses, algumas das quais nós não temos e das quais precisamos desesperadamente, nem sequer ainda estão contempladas no nosso acordo de empresa, portanto mesmo aí nós vamos ter de intervir para chegar a essas pessoas e portanto o que tentamos é, quer do ponto de vista etário, quer do ponto de vista de competências, renovar a RTP, dar-lhe um novo rosto.

Já tinha sido anunciada a intenção de contratarem trabalhadores com novas competências, com o princípio de que entraria uma pessoa nova por cada duas que saem. Isso está a avançar?

São duas coisas. Neste momento nós tivemos a aprovação para o plano de saídas, e agora temos de ter a aprovação para contratar, da parte do ministério que nos tutela, que agora passou a ser o Ministério da Presidência. Esse pedido de contratação tem de levar em conta o perfil das pessoas, ou seja, nós não vamos poder contratar indiscriminadamente quem nós quisermos, vamos ter de apresentar à tutela um pedido, destacar claramente o perfil da pessoa que queremos contratar, justificando para que áreas as queremos. Esperamos ter a possibilidade de contratar pessoas com valências ligadas muito mais ao digital, às multiplataformas, etc.

No plano estratégico diziam, em 2024, que o que se está a fazer é trocar as rodas da bicicleta com ela em andamento, diziam que estavam a meio da ponte e que falta a outra metade. Continuam ainda a meio da ponte?

Eu diria que ainda estamos a meio da ponte. As peças essenciais são o plano de saídas voluntárias, que está a concretizar-se, o plano de investimentos que se vai estender até 2027, a mudança de imagem que deverá ocorrer até ao final do ano, a renovação da equipa que está neste momento em curso, portanto há várias peças que estão a começar a encaixar mas digamos que temos trabalho ainda para dois anos até chegarmos àquilo que consideramos importante.

Isto é um trabalho que mexe com uma estrutura implantada há muito tempo. Hesitou de alguma forma em avançar para um processo tão pesado como este?

Estou na RTP desde 2021, são quatro anos deste conselho de administração, foi um tempo de analisar a empresa, de compreender que esta empresa não pode ser sujeita a mudanças bruscas, porque isso não conduz a bons resultados, esta mudança tem de ser feita com os recursos internos, com o apoio das pessoas, com a compreensão das pessoas, e também obviamente com entidades exteriores que nos possam aconselhar em determinadas áreas. O que fomos percebendo ao longo deste tempo é que, nomeadamente na rádio e na televisão, há resultados muito interessantes. Na rádio, na Antena 1, há cerca de ano e meio mudámos o diretor de informação. Obviamente não teve grande impacto mediático. A partir daí, o que tem acontecido é que as audiências na Antena 1 têm vindo a subir de forma consistente. Na área dos podcasts, por exemplo, e do visual radio, temos vindo a avançar de forma consistente. Ou seja, a mudança resultou na rádio claramente. Agora o que estamos a fazer é mudanças na área da televisão e vamos ver se as coisas obtêm os mesmos resultados.

Essas mudanças na televisão passam pela saída de António José Teixeira do cargo de diretor de informação. Porque é que ele foi demitido?

Bom, há ciclos na vida das empresas e na vida das pessoas. O António José Teixeira estava há 10 anos na direção, primeiro como diretor adjunto e depois como diretor de informação da RTP durante 5 anos. É um ciclo longo, este cargo é um cargo pesado, é exigente, tem muitas solicitações, tem um dia-a-dia muito esgotante, digamos assim, e por vezes não permite às pessoas que estão mergulhadas no dia-a-dia pensarem para lá desse dia-a-dia. O que nós entendemos é que tínhamos chegado a uma fase em que era necessário dar um novo impulso, trazer novas ideias, trazer uma nova energia para relançar a empresa também na área da informação. A informação da RTP foi considerada pelo oitavo ano consecutivo a informação de maior confiança pelos portugueses, segundo a Reuters. Nós queremos obviamente manter isso, não queremos perder isso, mas queremos dar passos em frente, de algum modo renovar a empresa, dar-lhe novos estímulos. É algo que não põe em causa, seguramente, as competências do António José Teixeira. Esperamos que ele continue a trabalhar na RTP, que tenha eventualmente um programa como o 60 Minutes e continue como comentador na RTP.

Então ele não vai sair?

Não. Além disso, há que esclarecer que o Conselho de Administração exonera os diretores e não as equipas. Ou seja, o diretor que está indigitado agora [Vitor Gonçalves] pode ficar com algumas das pessoas que estão na equipa do António José Teixeira sem nenhum problema. Aliás, na rádio aconteceu isso. Saiu o João Paulo Baltazar e depois o Mário Galego ficou com algumas pessoas da equipa que estavam com o João Paulo Baltazar. Portanto, não houve nenhuma exoneração da equipa, ao contrário do que foi noticiado, houve apenas a exoneração do diretor. Nós temos de olhar também para os resultados. Ninguém ignora que há um problema em termos de audiências para a generalidade das televisões. Todas elas têm vindo a perder audiência, a perder share e a reduzir significativamente a sua penetração no mercado. Dito isto, se no caso da RTP1, estando nós em terceiro lugar, normalmente andamos perto daqueles que estão à frente, na RTP3, que é o canal de informação do grupo, isso não acontece. Ora, eu disse, não uma, não duas, mas três vezes publicamente, que tínhamos de fazer alguma coisa na RTP3. Disse na primeira vez, em janeiro ou fevereiro de 2024, quando fui à Assembleia da República, interrogado por um deputado, disse depois no Congresso da APDC, em meados de 2024, e disse agora no encontro da APIT [Associação de Produtores Independentes de Televisão] em maio, a mesma coisa sistematicamente. Bom, não vou revelar conversas internas que também, obviamente, terei tido com as direções mas o que eu tive foi a constatação de que a RTP3 continua a afundar nas audiências. Recentemente teve meio ponto de audiência. Meio ponto de audiência é algo que não existe porque está na margem de erro e que pode não estar ninguém a ver e por isso devemos interrogar-nos se temos dinheiro para sustentar aquele canal e pensarmos se ele é importante para o serviço público de media ou se desistimos dele.

Admite fechá-lo?

Não, não é para fechar, eu não desisto daquele canal, penso que tem muito potencial, desde que, enfim, se faça algo para melhorar a sua atratividade. Tem de ser olhado como uma peça importante do grupo RTP, é o único canal de informação que temos no Serviço Público de media, acho que um Serviço Público de media sem um canal de informação diário não existe, é algo que perde significado. Não vamos desistir da RTP3, vamos tentar dar a volta e não podemos aceitar que todos os outros três canais por cabo que concorrem diretamente connosco estejam claramente à nossa frente [SIC Notícias, CNN Portugal e Now] e nós cada vez estejamos mais para trás. Na avaliação que fizemos à direção de informação, verificámos que foi algo que infelizmente não correu bem.

O que está a dizer é que se basearam em dados objetivos, das audiências, para chegar a essa decisão. Mas há dúvidas de que tenha havido outros motivos por trás deste afastamento. Na RTP ao longo do tempo foram sempre levantadas dúvidas quanto a tentativas de interferências políticas. Como é que tem sido a sua experiência na RTP a na relação com o acionista, que é neste caso o Governo? Conversa muito com o acionista, sente muita pressão?

A minha experiência aqui é que não tivemos, nem dos anteriores governos, nem deste, até agora nenhuma pressão para fazer alguma coisa, sobretudo fazer alguma coisa do ponto de vista editorial. Não tivemos uma única pressão. Devo dizer que tivemos experiências de trabalhar com os últimos dois governos socialistas, tivemos experiência de trabalhar com o primeiro governo do PSD. E nesse ano que trabalhámos com o Governo PSD, com o Dr. Pedro Duarte e o Dr. Carlos Abreu Amorim, foi possível resolver uma série de situações importantes que estavam emperradas há uma série de tempo e era porque a tutela não desbloqueava essas situações, foi possível avançar claramente e o exemplo mais claro é o plano de saídas voluntárias que estava preso há dois anos para que pudesse ser concretizado. O contrato de concessão, que é outra peça fundamental, estava há muito tempo para ser aprovado e foi possível avançar. Dito isto, enfim, o que houve, mas não considero isso uma pressão, foi a questão do governo anterior ter admitido a hipótese de restringir a publicidade na RTP, mas isso caiu na Assembleia da República, eu disse na altura ao doutor Pedro Duarte que nós, enquanto Conselho de Administração, não tínhamos sustentação para, num contrato de concessão, aprovarmos um corte de publicidade quando a Assembleia da República, que é o órgão mais soberano de todos, tinha limitado essa possibilidade.

Houve também queixas feitas em público do primeiro-ministro em relação ao tratamento noticioso que foi dado ao caso Spinunviva. Recebeu diretamente alguma queixa?

Nunca. Nunca me chegou nenhuma queixa de alguém do Governo, deste ou do anterior, por causa da linha editorial da RTP.

Mas o que é que sentiu quando ouviu o primeiro-ministro queixar-se das perguntas insistentes que eram feitas sobre o caso Spinumviva?

Eu penso que é daquelas coisas que fazem parte do jogo mediático, os jornalistas fazem perguntas e os políticos respondem ou não respondem, sentem-se incomodados ou não. Não fomos só nós que fizemos perguntas a propósito do caso Spinumviva, quer dizer, todos os partidos políticos fizeram, os jornalistas também fizeram, os jornalistas da RTP também fizeram, fazendo o seu trabalho, obviamente, e portanto quem se sentiu incomodado ter-se-á manifestado incomodado, mas volto a dizer, e tanto quando sei por parte do Diretor de Informação até agora, António José Teixeira, não houve qualquer pressão no sentido de deixarmos de cobrir alguma coisa.

Houve também notícias de que a saída de António José Teixeira teve a ver com o facto de José Rodrigues dos Santos não ter estado na noite das eleições ou também com o tratamento noticioso que foi dado aos ataques dos Estados Unidos ao Irão. Alguma destas situações pesou na vossa decisão ou era algo que já estava decidido há mais tempo?

De todo, de todo. Como já disse, nós pensamos que estamos numa nova fase, que precisamos de injetar uma nova energia na empresa e esse é o papel fundamental desta mudança. Ou seja, estamos num novo ciclo, um novo ciclo que tem desafios diferentes do ciclo até agora. A mim dói-me particularmente a questão da RTP3, quero que, quando houver um acontecimento nacional ou internacional relevante, os portugueses pensem que é na RTP3 que está a informação, em vez de pensarem noutros canais. E isso, efetivamente, eu acho que nós não conseguimos fazer até agora. E eu espero que consigamos fazer com esta direção que está indigitada.

Porque é que anunciaram a saída agora?

Anunciámos a saída agora porque vão sair outros diretores, não fazia sentido estar a anunciar noutra altura. Não foi uma coisa para atingir a direção de informação da televisão. isto envolveu várias áreas de atividade, envolveu a direção de informação da televisão, sim, mas envolveu a direção da RTP2, sai a Teresa Paixão, que também estava há 10 anos, como envolveu a direção das rádios, passamos a ter um diretor para todas as rádios na área da programação, que é o Nuno Reis, portanto não houve aqui uma coisa para uma pessoa específica, é num quadro de mudança global. Para além de que nas outras áreas de atividade, nas áreas administrativas e financeiras, houve diretores que saíram, como houve áreas que foram fundidas, juntaram-se algumas áreas também, e portanto isto é um movimento global que não tem a ver especificamente com a direção de informação. E quanto à avaliação que o Conselho de Administração fez do desempenho desta Direção de Informação quero dizer que têm um alto nível de profissionalismo, de dedicação, de competência à casa, fora de causa isso, que retiraram a RTP da comunicação social em geral pelos maus motivos, ou seja, nós não somos acusados de estar a favor deste ou daquele, falhamos, obviamente, mas não somos acusados de estar a fazer o jogo deste ou daquele, foi um trabalho meritório mas estamos num novo ciclo, estamos a dar um salto, estamos a entrar numa mudança, é uma coisa diferente do que fizemos até agora. Temos um problema na RTP3 e temos de o resolver. Não me dou por vencido e mais, dentro do caderno de encargos que apresentei ao diretor indigitado, um deles está lá claramente é recuperar a RTP3 e colocá-la num patamar mais condigno.

O Conselho de Redação da RTP queixou-se de que deveria ter sido ouvido na mudança de diretor de informação e que por isso a decisão pode estar ferida de ilegalidade.

Não está ferida de ilegalidade, o Conselho de Redação será ouvido, segundo a lei o Conselho de Redação é ouvido depois de a ERC se pronunciar sobre os nomes que são apresentados. Porque se os nomes não forem aprovados, o Conselho de Redação vai-se pronunciar sobre o quê? Sobre nada. Os nomes foram enviados, já sabemos que o Vítor Gonçalves vai ser ouvido na ERC no dia 2 de julho e, portanto, a partir daí, então, o Conselho de Redação será consultado.

Há um jornalista da RTP que está nas listas de Pedro Duarte. O que é que acha dessa situação?

Em primeiro lugar, esse jornalista só faz desporto. Não é um jornalista da área política. Eu já tive conversas com ele, tive conversas com os órgãos aqui dentro da RTP e o que me disseram é que se ele assumir efetivamente o cargo, vai ter de suspender. Até lá, como ele não faz política, disseram-me que é possível ele acumular, estar nessa situação.

Somando as saídas previstas com os investimentos em curso, quanto é que isso representa em termos financeiros?

Os investimentos físicos que temos a decorrer andam na casa dos 15 a 16 milhões de euros, sendo que destes, 7 milhões vêm pelo PRR (programa de recuperação e resiliência) para a eficiência energética. Depois há os 5,5 milhões de euros das saídas voluntárias. Se houver outro plano, esse plano será mais caro, como já referi.

De onde vem o dinheiro para os investimentos em equipamentos?

Nós pedimos, e isso já foi autorizado, um financiamento de 40 milhões de euros. Mas esse financiamento de 40 milhões de euros não chega para tudo aquilo que pretendemos fazer e que estamos a fazer, as obras que estamos a fazer, a compra de equipamento e o plano de saídas voluntárias, não chega para tudo. Para além disso, nós vamos precisar, efetivamente, que a tutela considere que aqueles 14,29 milhões que são devidos, que foram reconhecidos como subfinanciamento desde há alguns anos da RTP, que todo, ou pelo menos em parte, nos seja pago nos próximos anos.

Disse já algumas vezes que é difícil cumprir as pesadas obrigações de serviço público se não houver mais financiamento da RTP, nomeadamente através de um aumento da contribuição audiovisual. Agora, com o novo contrato de serviço público que finalmente foi assinado, como é que está esta relação dos deveres que vocês têm e dos recursos que têm para os cumprir? Já está mais equilibrada, já se sente mais confortável?

Eu diria que um dos traços essenciais do contrato de concessão foi a maior flexibilidade que foi dada à gestão para analisar uma série de questões que pesam no nosso orçamento. Mas há algumas que são questões que ultrapassam claramente a RTP e não podem ser resolvidas por uma mera decisão da gestão. Exemplos: nós temos delegações da RTP África nos cinco países africanos de língua oficial portuguesa. E temos presença em mais de 80 países, somos vistos em mais de 80 países junto das nossas comunidades de imigrantes. Nós temos investimentos para sustentar esse tipo de situações. A pergunta é... nós podemos tomar alguma decisão nessa matéria de cortes sem que o governo dê o seu aval? Não, de todo, porque obviamente isso afeta as nossas comunidades de imigrantes, afeta os nacionais e mesmo as populações africanas que vivem nos países de língua oficial portuguesa. Portanto, aí temos um encargo que é suportado pela RTP, de que não beneficiam os contribuintes portugueses, as pessoas pagam a fatura da RTP na eletricidade, que é vista por outras pessoas, por cidadãos que não estão no continente e nas ilhas, mas nós, obviamente, não podemos tomar aí uma decisão unilateral sem que tenhamos um forte suporte político, e isso causará, obviamente, turbulência, quer junto das nossas comunidades, quer junto dos países africanos de língua oficial portuguesa. Este é um pequeno exemplo. Segundo exemplo: ainda no tempo do Dr. Nuno Artur Silva como Secretário de Estado dos Media, foi esboçado um novo contrato de concessão e, nesse contrato de concessão, a nossa obrigação de contribuir para a produção independente de Portugal passou de 8% para 10% com a garantia de que a contribuição audiovisual aumentaria no primeiro ano 10 cêntimos, no segundo 15 cêntimos e no terceiro também 15 cêntimos. O que é que aconteceu? Ficou plasmado esse aumento da nossa contribuição para a produção independente, mas não veio o aumento da contribuição audiovisual. O que quer dizer que nós, neste momento, temos o encargo anual para apoiar a produção independente, de que nos orgulhemos muito, sem dúvida, mas é um encargo anual que ronda os 18 milhões de euros quando antes andava nos 13 milhões. Portanto, mais uma coisa que está plasmada no contrato de concessão. É algo que é fundamental para o ecossistema do audiovisual em Portugal para que nós possamos ter filmes, documentários, séries que contem a nossa história, de grande qualidade, que fiquem para a memória, nós temos avançado nas colaborações internacionais, com coproduções quer com Espanha, quer com o Brasil, através da Globo Play. Temos colocado produtos nas grandes plataformas internacionais, como a Netflix, Amazon Prime e HBO Max, isso é muito importante para nós, mas isso é um encargo que a RTP tem, se calhar devia haver um fundo de risco público que apoiasse esse tipo de atividade e não apenas a RTP e o ICA, o Instituto do Cinema e Audiovisual, porque nós, quando abrimos o período de candidaturas, recebemos cerca de 500 projetos entre séries, filmes, animação, documentários... Contratámos 46 no conjunto destas consultas de conteúdos, das quais 14 séries. Nós não conseguimos responder às solicitações que temos, não temos capacidade financeira.

RTP Memória vai tornar-se mais cara

O contrato de concessão trouxe mais flexibilidade à administração, que passa a poder decidir se lança ou encerra programas e canais. Porque é que isto é importante?

Há alguns canais que são incontornáveis e que estão no contrato de serviço público, nos quais não podemos mexer, há outros em que eventualmente podemos fazer isso. Vou falar num muito específico, que é a RTP Memória, é um projeto muito importante que utiliza os arquivos que são fundamentais nesta casa e são a memória do país, mas está a chegar a um ponto em que a utilização desse material vai, dentro de pouco tempo, ter de começar a pagar direitos. Até agora, muitas dessas produções que temos podiam ser transmitidas sem nenhum problema, sem encargos, digamos assim, e agora acaba o período em que as poderíamos utilizar, os produtores, os artistas, vão poder começar a cobrar sobre isso. E isso levanta-nos um problema. Se quisermos voltar a usar essas produções vamos ter de começar a pagar.

Isso encarece então a RTP Memória.

Começa a encarecer a RTP Memória.

Então isso significa que podem fechar a RTP Memória?

Não, não significa nada disso, o que estou a dizer é que é algo com que nos temos de debater. Nos últimos anos o que aconteceu foi, em particular quando houve picos recentes de inflação, que tudo o que foram fornecimentos para a RTP de serviços, de equipamento, de material, etc., bem como os aumentos salariais levaram a que tivéssemos de fazer um exercício difícil de tentar acomodar esses aumentos sem termos aumentos de receitas. Este é um caminho que tem um limite porque nós passamos a disponibilizar menos conteúdos de qualidade, menos projetos que queremos fazer. Uma ideia é que a contribuição audiovisual comece pelo menos a ser atualizada pela inflação. Não seria seguramente o ideal, mas já seria alguma coisa.

Tem alguma indicação de que isso possa avançar?

Não, não temos nenhuma indicação, vamo-nos encontrar proximamente pela primeira vez com o atual ministro da tutela, o Dr. Leitão Amaro, e vamos levar este conjunto de questões.

Com a reestruturação em curso a RTP fica mais forte financeiramente mas ainda assim isso é insuficiente para cumprir com os deveres de serviço público, é assim?

É evidente que haverá uma redução de custos com a folha salarial mas não podemos esquecer que em seguida temos de ir contratar pessoas ao mercado. Eu não diria que fica mais forte, fica talvez mais folgada financeiramente, mas como nós temos em curso o plano de saídas voluntárias, para a qual temos, obviamente, de disponibilizar o financiamento, como temos em curso fortíssimos investimentos, é algo que vai pesar. Este é o maior investimento da RTP faz no século XXI, seguramente, desde há muitos anos, penso que é claramente o maior investimento.

Na legislatura passada o Parlamento deu uma boa notícia à RTP, ao travar o fim da publicidade na RTP que o governo tinha decidido. Isso deixou-o tranquilo?

Bom, penso que o plano para os media que o Governo apresentou tem um conjunto de medidas que são muito interessantes para o sector dos media em geral mas ao colocar-se nesse plano o eventual corte de publicidade na RTP ficou tudo contaminado e essas medidas importantes acabaram por passar um pouco despercebidas. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto, penso que o corte de publicidade não é algo que não deva ser encarado, porque noutros países existe essa situação. O que eu posso dizer da minha experiência na Lusa é que é muito mais complicado gerir estando dependente do orçamento do Estado do que estando dependente de uma taxa, a contribuição audiovisual, que neste caso é cobrada na eletricidade. Porquê? Porque qualquer empresa que dependa do Orçamento do Estado precisa que o Orçamento do Estado seja aprovado, precisa que a Lei de Execução Orçamental seja aprovada, depois disso tudo tem de haver uma Assembleia Geral de Acionistas para se poder receber o dinheiro e só depois disso é que o dinheiro entra. A minha experiência na Lusa é que houve anos em que o financiamento do Estado chegava só em setembro, quase um ano após a apresentação do orçamento. Ora, em setembro não se consegue executar nenhum plano de investimentos. Aqui, mal ou bem, nós sabemos que todos os meses temos uma soma importante que recebemos e que serve para pagar todos os compromissos que temos. Quando o primeiro-ministro colocou a questão, dialogámos com a tutela e começámos a tentar encontrar soluções. Essas soluções passavam por estender mais no tempo o corte de publicidade e ao mesmo tempo haver como contrapartida um aumento da contribuição do audiovisual. Foi isso que fomos tentando negociar com o Governo, mas depois apareceram as decisões do Parlamento e essa medida caiu, não ficou no contrato de concessão, fala-se lá tendencialmente num corte de publicidade, mas não está lá nenhuma data, mas, como se sabe, quando houver um novo orçamento, a lei do orçamento sobrepõe-se a todas as outras leis. Portanto, nós não sabemos se em 2026 essa lei não poderá ser de novo apresentada no sentido de reduzir a publicidade ou acabar mesmo com a publicidade na RTP.

Mas aí o Parlamento pode voltar a dizer que não.

O Parlamento pode voltar a dizer que não ou pode dizer que sim. Houve eleições, o quadro parlamentar mudou…

Todos os partidos da oposição votaram contra a intenção de retirar a publicidade da RTP, apenas o PSD e o CDS, que suportam o governo, votaram a favor, e neste governo continuam a não ter maioria absoluta... o Chega também votou contra.

É verdade, mas não sei qual é agora a posição do Chega.

Teme então que a proposta volte a estar em cima da mesa.

Eu acho que a partir do momento que esta ideia ficou colocada em cima da mesa, eventualmente pode aparecer de novo. Não sei quais são as intenções. Desconheço as intenções. Não é algo que nós, Conselho de Administração, devamos considerar que nunca mais vai voltar. Penso que pode haver contrapartidas, pode haver, por exemplo, a possibilidade de as nossas operações em África e nas comunidades imigrantes serem suportadas por uma indemnização compensatória que venha do Ministério dos Negócios Estrangeiros ou do Orçamento de Estado, há uma série de hipóteses que nos poderão aliviar dessa situação.

O novo contrato de concessão previa que passassem a poder ter 12 minutos de publicidade repartidos por duas horas, em vez de seis minutos numa hora, isso é muito relevante para vocês?

Isso é muito relevante, mas depois na lei do Orçamento de Estado não ficou assim, ficou que apenas podemos ter 6 minutos por hora. Isso era outra hipótese. Obviamente os privados estarão contra essa situação.

Há a questão de como chegar ao público infantil e jovem numa altura em que há tanta informação a circular por todo o lado. Já disse que não fará sentido pensar em canais de televisão no sentido tradicional para este público e sim em conteúdos especificamente. O que é que a RTP tenciona fazer nesta área? Em que tipo de conteúdos poderão vir a apostar?

Nós estamos a trabalhar com a Eurovision Broadcast Union em várias matérias e essa é uma delas. A questão que hoje se coloca é que conteúdos é que os mais jovens estão dispostos a ver e onde é que estão dispostos a vê-los. Através de inquéritos de opinião em vários países, a generalidade desta camada mais jovem da população não vê televisão nos meios tradicionais e não vê os chamados programas tradicionais também. Nós não queremos deixar cair conteúdos lineares para esta faixa mas pensamos que os conteúdos digitais serão provavelmente aqueles onde haverá mais hipóteses de chegar a estes públicos mais jovens. É algo que temos de experimentar. As experiências nos outros países apontam para este meio de chegar aos mais jovens. Vamos ver se as coisas correm bem. É um caminho difícil, este segmento de espectadores é muito pouco fiel. Rapidamente muda consoante as modas, não é fácil conseguir captar este público. Por exemplo, uma das áreas fundamentais, e que a mim me deixou muito surpreendido, é a dos chamados eSports. Eu vi o Altice Arena em Lisboa cheio de miúdos, para aí dos 10 aos 15 anos, a assistir a uma final entre a Ucrânia e a França, que no fundo eram dois grupos a jogarem com o ecrã à frente, uns apoiavam uma equipa e outros apoiavam outra e aquilo era uma alegria quando marcavam golo, estava o pavilhão cheio portanto é algo que para nós é dificilmente compreensível, mas existe, estava lá a RTP, é uma forma de habituar as pessoas a saber que a RTP tem têm estes conteúdos também. Temos também séries específicas para jovens. Temos também uma RTP Lab, de laboratório, em que nós damos um pequeno financiamento a pessoas que queiram fazer um filme, um documentário, uma história, primeiras obras, sem experiência, e temos tido algumas que depois, quando são exibidas, têm adesão das pessoas. Eu suponho que andamos todos nós, em toda a Europa e provavelmente no mundo, a tatear como é que conseguimos chegar a este público jovem. Temos tido alguns bons resultados, alguns bons indícios, outros nem por isso, mas vamos tentando.

Na questão relativa ao encerramento de programas ou canais, como é que se garante que não haverá arbitrariedade nas decisões?

O CGI tem de ter uma palavra sobre isso. Nenhum conselho de administração que esteja aqui pode, de um momento para o outro, decidir que vai encerrar um canal independente. E depois a própria ERC também tem de dar um parecer desde que o canal esteja plasmado na lei da televisão e da rádio. E o Conselho de Opinião também dará um parecer não vinculativo. Os outros dois, do CGI e da ERC são vinculativos. Ou seja, a margem de manobra aumentou, mas não é discricionária.

Está previsto terem prejuízos de 18,2 milhões de euros este ano, isso tem a ver com o programa de saídas e com os investimentos?

Sim. Isto interrompe um ciclo de 15 anos de lucros da RTP. As pessoas acham que a RTP só dá prejuízo mas foram 15 anos em que a RTP deu sempre resultados positivos, alguns deles significativos, devo dizer. A RTP não existe para dar lucro, existe para ser uma empresa equilibrada, mas não existe para dar lucro, não é esse o objetivo, o objetivo é cumprir o serviço público pelo qual recebe dos contribuintes uma determinada quantia. Orgulhamo-nos muito do que fizemos até agora nessa matéria. Agora, perante um ciclo de investimento que é importante, que é pesado, obviamente que teremos dois anos difíceis do ponto de vista de resultados, mas esperamos que estas medidas tenham um retorno rápido, esperamos em 2027 já estar de novo no positivo.

Uma das medidas do plano dos media tinha a ver com um mecanismo de verificação de factos na RTP. Avançaram nesse sentido?

Essa é a missão dos jornalistas, verificar os factos, ver se as informações são falsas. Devemos estar muito atentos ao combate à desinformação. Podemos criar algo como a SIC tem, o Polígrafo, mas o jornalista tem sempre a obrigação de fazer isso.

 

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Muito preocupante só falar da RTP3 como problema e que "meio ponto de audiência é algo que não existe porque está na margem de erro e que pode não estar ninguém a ver" quando a RTP2 está como está, espero bem que o Gonçalo Madaíl tenha mais noção do que o Sr. Presidente.

Editado por canal5
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há 4 minutos, canal5 disse:

Muito preocupante só falar da RTP3 como problema e com uma "margem de erro que pode querer dizer que ninguém a vê" quando a RTP2 está como está, espero bem que o Gonçalo Madaíl tenha mais noção do que o Sr. Presidente.

Mas a rtp2 tem um tom muito mais de nicho , no fundo é muito mais preocupante o canal informativo ter audiencias fracas que a rtp2... mas eles n ignoraram isso tanto que mudaram a direção. O investimento maior tem de ser a informação... 

Editado por AndreRob
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A verdade é que este canal precisa de várias mudanças e principalmente voltar a ganhar identidade:

  • Passar a ter a designação RTP Notícias.
  • Informação mais ágil, pois muitas vezes é a última a dar as notícias de última hora.
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há 10 minutos, canal5 disse:

Muito preocupante só falar da RTP3 como problema e que "meio ponto de audiência é algo que não existe porque está na margem de erro e que pode não estar ninguém a ver" quando a RTP2 está como está, espero bem que o Gonçalo Madaíl tenha mais noção do que o Sr. Presidente.

A questão é que a RTP 2 não dá para comparar com outros canais como a RTP 3. Além disso, se estivessem contentes com o trabalho da Teresa Paixão na RTP 2, não a teriam afastado da direção do canal.

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