ATVTQsV Posted May 26 Posted May 26 Vou repetir o que fiz em 2022, só que com uma nova abordagem. Muitos dos países que terão a sua ficha receberão uma descrição sobre os últimos desenvolvimentos da televisão daquele país, enquanto que alguns países receberão uma ficha sobre a sua história. Esta será a ordem: Estados Unidos Canadá México Japão Nova Zelândia Irão Argentina Uzbequistão Jordânia Coreia do Sul Austrália Brasil Equador Paraguai Uruguai Colômbia Marrocos Tunísia Egipto Argélia Gana Cabo Verde Catar Arábia Saudita Senegal África do Sul Costa do Marfim Inglaterra França Croácia Portugal Noruega Alemanha Holanda Suíça Espanha Áustria Bélgica Panamá Curaçao Haiti Bósnia e Herzegovina Suécia Turquia República Checa República Democrática do Congo Iraque Algumas das fichas serão pequenas. A primeira virá ainda esta semana Quote
ATVTQsV Posted May 27 Author Posted May 27 Um dos anfitriões do Mundial, os Estados Unidos estão a viver uma das suas fases mais tensas da sua história. Isto também se reflecte a nível mediático, depois da reeleição de Donald Trump. Recentemente vimos o fim do Late Show na CBS, canal que passou a ser alvo de uma operação para alinhar a cadeia aos interesses do presidente, numa altura em que poderá haver a prometida (e temida) fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery. Tal fusão irá alterar o cenário audiovisual americano (e internacional) e aumentar a concentração mediática. Também o Jimmy Kimmel esteve na mira do presidente, mas o programa não acabou. Até a FCC quer acabar com a concessão das oito estações próprias da ABC. Não tenho muito por falar, é só isso Quote
ATVTQsV Posted May 28 Author Posted May 28 Não sei como anda o Hockey Night in Canada, se passou ao streaming, mas a televisão do Canadá esteve a vivenciar graves alterações desde o último Mundial, onde até canais inteiros (e um grupo inteiro) desapareceram de vez por causa do streaming. A Corus Entertainment, detentora do canal Global e de dezenas de canais a cabo, ganhou os direitos das marcas Discovery, sendo que a Bell (dona da CTV) decidiu compensar as concessões com marcas da NBCUniversal/Versant. O antigo Discovery Channel (da Bell) passou a se chamar USA Network e o antigo Investigation Discovery passou a ser um Oxygen. A Corus abriu uma nova versão do ID do zero. O sector infantil vivenciou uma quebra enorme, mais para lá da crise dos conteúdos e da falta de vontade de lançar títulos para a faixa 8-15 (problema internacional que até afecta os canais e plataformas de streaming nos Estados Unidos). A Corus perdeu os direitos do catálogo da Paramount e foi tudo ao streaming (a YTV dependia da Nickelodeon durante anos e perdeu o seu conteúdo enlatado base). Juntamente com o fim do Nickelodeon, também reduziram os direitos da Disney e fecharam alguns canais da sua marca. A Wildbrain anunciou em Agosto de 2025 que iria sair do mercado televisivo linear e que, ao não encontrar vendedor, teve que encerrar os seus canais, entre os quais estava o canal Family, que esteve no ar durante 37 anos. Mas desenganem-se que a crise do linear é exclusiva do cabo, também afectou afiliadas pequenas dos canais privados. A Stingray Media teve que fechar duas televisões numa cidade da província de Alberta (CITL - afiliada à CityTV e CKSA - afiliada à CTV) porque achavam o modelo de negócio insustentável para cidades de pequeno porte. Só isso para o "fantasma" da desertificação da informação atingir algumas localidades em força, mas isso não é nada de novo, só neste século já fecharam 25 televisões locais, incluindo algumas afiliadas privadas da CBC. Quote
JDaman Posted May 29 Posted May 29 há 3 horas, ATVTQsV disse: Não sei como anda o Hockey Night in Canada, se passou ao streaming,... A época 2025-2026 é a última do sub-licenciamento que a Rogers fez à CBC para esta ter jogos da NHL por troca dos direitos do uso da marca "Hockey Night in Canada". A Rogers renovou com a NHL, mas ainda não há notícias acerca de algum tipo de renovação com a CBC para o novo acordo. 1 Quote
ATVTQsV Posted May 29 Author Posted May 29 Não vejam a TV Azteca. Foi o que disse a presidente Cláudia Sheinbaum há uns dias porque achava que Ricardo Salinas, dono da cadeia, estava a difundir falácias "descaradas". Dificilmente verias o nosso presidente ou primeiro-ministro a dizer algo tipo "não vejam a SIC porque os donos dizem falácias". Supostamente estaria em causa a transparência financeira deles, mas era descartável a intenção de que perdessem a concessão. Recentemente, a FOX Corporation (a nova, o que resta das mãos do Murdoch) comprou a Caliente TV e relançou a FOX (FOX Sports não, só FOX). E este ano aumentou a sua cobertura para a América Central, ao comprar a Tigo Sports na região e lançar o canal na sua principal concorrente, a Claro, com cobertura do Mundial. Desde o último Mundial, a IURD lançou a versão mexicana da Unife, com uma programação muito mais variada do que a matriz argentina, até chegaram a comprar filmes, séries e novelas de um certo calibre, até uma parte do catálogo da Caracol da Colômbia. Inicialmente disponível exclusivamente na capital, o canal entrou para outras regiões do país ao comprar um subcanal no multiplex do Canal 13 (pertencente a Ángel González, o fantasma) que emite em vários estados do país. E no ano passado, surgiu no multiplex da Imagen o canal Maussan Televisión, a boa televisão? Com uma programação à base de programas paranormais, pseudociências e suplementos naturais, bem como um programa da manhã mais para temas da vida. Duvido que seja boa televisão, nem sequer é a oitava maravilha do mundo. Por último, recentemente o canal Foro TV passou a ser chamado de N+ Foro ao usar a marca N+ que é terceirizada. Quote
ATVTQsV Posted June 1 Author Posted June 1 A NHK estava com uma dívida e teve que mudar a estrutura dos seus canais por satélite. A NHK BS1, canal de notícias e deportes, passou a ser NHK BS; a BS Premium fundiu-se com a BS4K e passou a designar-se NHK BS Premium 4K (BSP4K) e o canal em 8K permaneceu inalterado. Desde Outubro de 2025, os indicativos na NHK E foram abolidos porque os desdobramentos regionais eram residuais. No início de 2025 houve um susto na televisão privada japonesa, onde, na sequência de um escândalo de assédio envolvendo Masai Nakahiro, a Fuji TV perdeu anunciantes e acabou com programas. Até o anime Sazae-san, série associada à depressão de domingo, perdeu quase todos os anunciantes e recorreu a anúncios da AC Japan para preencher vagas. Voltemos ao satélite; no verão passado houve um par de mudanças nos canais privados: a Japanet, empresa de televendas (OK, tem aqueles programas de televendas, mas tem também outros negócios como a equipa de futebol V-Varen Nagasaki) comprou a STAR Channel (que não é da Disney; por consequência a antiga FOX mudou o nome para Dlife, retomando o nome de um antigo canal por satélite que tinham) à Tohokushinsha e, passado algum tempo, mudou o nome para BS10 Premium (posição 10 = canal 200. O BS10 Premium é o canal 201). A BS10 passa os (inevitáveis) programas de televendas da Japanet, umas cinco vezes por dia. Já viram aquelas televendas da Galeria com o Ricardo Couto? As da Japanet são isto vezes mil. A J:COM, principal operadora de cabo do país, salvou a BS Shochiku Tokyu do fecho, a um ponto que mudou o seu nome para J:COM BS. A Shochiku, para tal, tinha de vender as acções. Este canal (e a BS10) emite uma quantidade considerável de telenovelas coreanas, que, ao que sei, na rede terrestre passam na Tokyo MX e na TV Tokyo (também esta última passou algumas produções chinesas de época pelo que vi). As televisões pertencentes à JAITS emitem muitos programas de televendas porque as situações financeiras destes canais estão na lama já há bastante tempo. Quote
logofan2011 Posted June 1 Posted June 1 @ATVTQsV, Porque não tu mencionaste a TV Asahi?, eles tem uma afiliada de Osaka muito boa (a Asahi Broadcasting Corporation, ou ABC Television), eles produzem o anime Pedicure Pretty Cure do genro das raparigas mágicas, que já existe desde 2004. A série da franquia deste ano é "Star Detective Pretty Cure", com o tema dos detetives. Cada série do Pretty Cure é focado em um grupo de raparigas (3 ou 4 no mínimo), e com temas diferentes (como Wonderful Pretty Cure de 2024, o tema era de animais, e You and Idol Pretty Cure de 2025, o tema era de música). Quote
ATVTQsV Posted June 1 Author Posted June 1 A Nova Zelândia regressa ao Mundial pela primeira vez desde 2010. Com 50 anos, a bolha linear da televisão daquele país estava em alta. Passado pouco tempo, rebentou. A televisão chega a 1 de Junho de 1960 (hoje faz 66 anos desde que foi feita a primeira emissão em Auckland) através de uma rede estatal de quatro emissores completa em 1962 (se não contarmos com os retransmissores). Durante 29 anos, a televisão era controlada pelo estado. A NZBC foi dissolvida em 1975 com a criação do segundo canal, mas, ainda assim, os dois canais pertenciam à mesma holding, mas os dois canais eram empresas independentes. A South Pacific Television foi criada para explorar o segundo canal, mas só foi em 1977 que fora utilizado como nome do canal, porque, supostamente, havia uma sucessão de TV2 à volta do mundo e só mudar o nome implicava acabar com a confusão. Foi nesta fase que tentou entregar ao mundo que sabiam fazer séries (principalmente de época) para crianças, bem como outras séries para exportação. Até que aperceberam-se de que o "esquema" para controlar os dois canais era para fazer concorrência; depois em 1980 a SPTV foi desmontada e a TVNZ foi criada para gerir os dois canais. O mercado aumentou em 1989 quando (finalmente!) chega a televisão privada ao país com a TV3; ao mesmo tempo houve a SKY que trouxe a televisão paga. A TV3 foi uma verdadeira recarga, graças aos seus novos estímulos, o terceiro canal dava informação independente, mais entretenimento, concorrência a sério e uma estética meio "americanizada": "calcaram" um tema à NBC, que foi um investidor, para compor o hino do canal. Imaginavam a SIC a ter um jingle assim? Mas a TV3 nasceu já com problemas, teve que fechar várias unidades de produção e reduzir as horas de emissão já em 1990, para depois ser entregue aos estrangeiros, sendo a Canwest a que teve mais envolvimento no negócio. A meados dos anos 90, à medida que víamos o mercado a aumentar, surgiu uma série de canais novos, grande parte deles regionais. A TVNZ caiu na tentação e abriu uma cadeia de canais regionais em 1995, mas teve que fechar em 1997 por causa do "bichinho" da falta de dinheiro. Em 1997, a TV3 lança um canal para uma audiência mais jovem, a TV4. O canal fazia concorrência à TV2 (e a TV One era o único canal para "velhos" na altura). Surgiu até um canal maori, mas esta primeira tentativa foi marcada pela compra de um par de cuecas numa loja cara de Auckland (logo a única cidade que tinha cobertura) com dinheiro público. A TVNZ usou as frequências dos canais regionais para trazer a MTV ao país, ao retransmitir grande parte da MTV Europe mais alguns programas locais. Só que houve uma zanga com a TV4 que queria os direitos de algumas séries do canal, houve até um recurso. Ao fim de um ano, a MTV saiu da rede terrestre. Em 1998, a Prime TV, da Austrália, monta um canal privado na Nova Zelândia mas com programação própria, ou seja, nada de clonar a Seven, por causa dos direitos de transmissão. A Prime era um canal minúsculo durante anos a fio e não tinha o alcance dos quatro canais já existentes. No início dos anos 2000, a TV4 sofre um desgaste e foi reformulado como C4 em 2003, com largas horas de música e algumas horas de programas de entretenimento, como se uma SIC Radical de lá se tratasse. Em 2004 a Māori Television foi criada e com cobertura nacional, como o sexto canal nacional terrestre. Entre as suas obrigações estavam a emissão de programas inteiramente falados na língua, como o seu noticiário (por razões de concessão) mas tinha que ter um horário nobre em inglês, para atingir o máximo de telespectadores possível. O canal também apostou por conteúdos meio comerciais como a emissão de filmes comerciais familiares ou filmes internacionais de baixa divulgação. A TDT começou em 2007, precisamente no auge da bolha linear. A TVNZ lançou a TVNZ 6, canal familiar com grelha low-cost quase inteiramente à base de produtos nacionais, e mais tarde, em 2008, a TVNZ 7, canal de notícias. A MediaWorks (TV3) decide lançar uma cisão da C4 só com música, sendo que a C4 original começaria a ter um giro mais generalista, ao passo que, no final de 2010, a TV3 anunciou um novo plano para alcançar as mesmas audiências da TV One, deixando os jovens para uma nova versão, a Four, que iria também incluir programação infantil. A TVNZ apercebeu-se de que, com a mudança do governo em 2010, o facto de ter dois canais sem publicidade na TDT não era rentável, sendo que nesta fase iria lançar dois canais: TVNZ Heartland (com uma fórmula à base de repetição de conteúdo antigo produzido pela TVNZ) e Kidzone, pré-escolar, em 2010 e 2011. A TVNZ 6 foi encerrada e a programação infantil foi para a TVNZ 7 (deixando a programação de notícias para a noite), e a U foi criada. Um canal juvenil com alguma produção própria, mas bastantes programas lixo (reality) para preencher a grelha para tentar ser rentável. Logo, o canal fechou em 2013. A TVNZ 7 fechou em 2012 e muita gente criticou a decisão. Desde então, nunca mais voltou a haver um canal de notícias neozelandês. Quando estalou um tiroteio alguns anos mais tarde, a TVNZ 1 e a Three passaram a emitir um serviço contínuo nos primeiros dias, e assim testaram ao limite os seus recursos sem terem canais de notícias próprios. A Four fou encerrada em 2016 e substituída pelo canal Bravo (licenciado), porque as audiências eram desoladores, e pior ainda, a MediaWorks perdeu o acesso a certos enlatados que foram para a TVNZ. Foi mais ou menos nesta altura que a televisão começou a perder peso e os canais perderam qualidade, sendo que considero a Nova Zelândia como o exemplo mor da queda da televisão linear, atingindo este ponto ainda na primeira metade dos anos 2010. Mais recentemente, a televisão local perdeu o rumo e chegou à conclusão de que o mercado é pequeno (para cinco milhões de habitantes) e chegou a um desespero tal que tiveram que cortar alguns noticiários. Até o canal dos maoris perdeu o seu noticiário por causa disto! Em 2026, há quatro noticiários na televisão neozelandesa: três na TVNZ 1 (dois em inglês e um em maori) e um na Three (antiga TV3, eles aperceberam-se de que ter TV no nome é irrelevante em 2017). A Three, quando ainda era do ecossistema Warner Bros. Discovery, acabou com o seu próprio noticiário e foi substituído por um terceirizado em 2024. No ano passado foi comprado pela SKY, dona já da SKY Open (antiga Prime) num daqueles acordos de um dólar. Spoiler À laia de epílogo: Ilhas Chatham: território com o seu próprio fuso horário, mais 45 minutos do que no continente. Tinha uma televisão própria de 1991 a 2002, gerida por voluntários e que retransmitia programas neozelandeses vindos de fitas. O único programa em directo era o noticiário das 18 (18:45) emitido via satélite. O canal fez notícias internacionais por causa de uma agência de publicidade ter a proeza de ter o primeiro anúncio do novo milénio por causa do fuso horário (sendo 10:15 em Portugal, meia-noite nas ilhas) com muitos primeiros feitos dos séculos XIX e XX. Fechou em 2002 por causa da chegada dos dois canais da TVNZ à SKY, e daí a New Zealand On Air acabou com o financiamento. Tokelau: não tem televisão, só rádio e jornais, a única televisão aceitável é o pacote da SKY Pacific. Niue: primeiro país de ultramar da Nova Zelândia a ter televisão, em 1988, como a população é de cerca de três mil, só há um canal local, a TV Niue, que fora um dos primeiros beneficiários do projecto da TVNZ para o Pacífico, que engloba uma dúzia de países independentes (os mercados mais lucrativos são os da Papua-Nova Guiné e Fiji). Ilhas Cook: a televisão chegou a 25 de Dezembro de 1989 com a Cook Islands Television, de pertença do governo até 1997, quando foi privatizada. A CITV é recebível em Rarotonga, onde se situa a capital, mas as outras ilhas possuem canais próprios. Existe a Vaka TV na capital, são três canais, retransmitem conteúdo da Pasifika TV (da Nova Zelândia) e da PacificAus TV (da Austrália). A pirataria é recorrente nas televisões do país, sendo um desenvolvimento recente, a um ponto que a Vaka emitia (por volta de 2024) séries do tempo em que nem havia televisão lá, normalmente depois do noticiário da TVNZ, passam filmes. O desporto vem das fontes oficiais da Austrália e Nova Zelândia. New Zealand On Air e Te Māngai Pāho: agências de financiamento de programas, músicas e filmes. A primeira é a mais geral, a segunda abrange exclusivamente os programas maori. Saudades de ver bro'Town, acabava sempre com aquele separador da NZOA com o logotipo bilingue numas samambaias, planta nacional do país Quote
ATVTQsV Posted June 2 Author Posted June 2 há 14 horas, logofan2011 disse: @ATVTQsV, Porque não tu mencionaste a TV Asahi?, eles tem uma afiliada de Osaka muito boa (a Asahi Broadcasting Corporation, ou ABC Television), eles produzem o anime Pedicure Pretty Cure do genro das raparigas mágicas, que já existe desde 2004. A série da franquia deste ano é "Star Detective Pretty Cure", com o tema dos detetives. Cada série do Pretty Cure é focado em um grupo de raparigas (3 ou 4 no mínimo), e com temas diferentes (como Wonderful Pretty Cure de 2024, o tema era de animais, e You and Idol Pretty Cure de 2025, o tema era de música). Não houve uma mudança significativa na sua cadeia. Sei que eles decidiram acabar com a série Super Sentai, só não sei porquê (falta de rentabilidade? problemas demográficos?) Nem sequer falei da NTV e da TBS, fora o facto de uma novela da NTV (Woman) ter sido emitida pela SIC Mulher depois de ser adaptada na Turquia Quote
ATVTQsV Posted June 2 Author Posted June 2 Quase nada mudou na televisão iraniana desde o último Mundial. Entre Janeiro e Março estávamos todos à espera que houvesse a derrocada definitiva do regime dos aiatolas, mas até agora não houve nada. A IRIB continua a ser o monopólio televisivo do país, ainda assim, no ano passado sofreu um par de ataques vindos de Israel que danificaram os estúdios. As imagens da IRINN correram o mundo e, no manual da falta de democracia iraniana, como sempre, culparam os sionistas pelo sucedido. Ora, a televisão iraniana continua a ter as mesmas maleitas de sempre: um sistema de censura "maravilhoso", enlatados comprados ilegalmente que iam ao encontro dos códigos morais de censura iraniana, e demasiada religião. Não tenho vontade de continuar a falar sobre a televisão da IRIB, sempre achei meio desinteressante. Por outro lado, o mercado dos canais da oposição continua firme e forte, apesar dos desafios das parabólicas, que, regra geral, são ilegais no Irão. É tal como era desde os anos 90, quando canais por satélite vindos da Europa, e mais tarde de países como os Emirados Árabes Unidos, passaram a aparecer nas casas dos iranianos, bem como na diáspora. A televisão da diáspora iraniana nos Estados Unidos tem ganho mais relevância desde praticamente o fim do regime dos xás, e há ainda muitos iranianos, principalmente na diáspora, que querem o regresso do regime. Mas continuem nos sonhos, dificilmente os vossos sonhos comandarão a vida. Quote
ATVTQsV Posted June 2 Author Posted June 2 Há vencedores e há vencidos na Argentina depois da vitória em 2022. Para já, as audiências continuam no binómio Telefe-El Trece. Por outro, a TVP, de pertença do estado, esteve quase à beira da privatização depois da vitória do Milei. A privatização foi evitada, mas, como tem sido nos últimos anos independentemente de governos de esquerda, direita e libertários (como é o caso do Milei, de direita), as audiências continuam residuais. Passado algum tempo a TVP começou a emitir (aproveitando-se do facto que tinha que voltar a encerrar as emissões de madrugada e emitir uma câmara com uma vista do Obelisco para preencher a faixa) os programas claramente irreais da Leiva Joyas, El valor de tus joyas. São estes que também dão nos grandes canais privados e costumam durar cerca de uma hora. A TVP vai emitir parte do Mundial, bem como a TyC Sports. Esta última foi comprada inteiramente pelo grupo Werthein. A TVP é um canal irrelevante fora do Mundial, esteve cientificamente comprovado que, no dia 18 de Dezembro de 2022, o canal atingiu o pico nas audiências com a final do Mundial para depois voltar à irrelevância. Com ou sem Milei, a TVP perdeu o seu rumo há pouco mais de uma década, fruto (eu acho) das divisões sociais causadas pelo kircherismo. Kirchnerismo esse que foi responsável pela criação de vários canais temáticos que, embora começasse pelo cabo com o canal Encuentro em 2007, iria visar a chegada da TDT em 2010. Grande parte das televisões privadas do interior (fora de Buenos Aires) conseguiu fazer a conversão para a TDT. O apagão analógico, infelizmente, teima em chegar. Só em 2022 (pelo que me lembro) o canal 10 da Universidade de Córdoba, que não emite conteúdos dos canais privados desde os anos 2000, encerrou o seu emissor analógico, estando já disponível na TDT. A ARTEAR, dona do canal El Trece, teve que acabar com alguns contratos nas operadoras de cabo na Argentina (e não só) porque, pelo que entendi, pagaram caro com os direitos de distribuição. Praticamente todos os canais de notícias do país, menos a TN, do grupo aqui citado, estão na TDT. A A24 (do grupo América) recentemente começou a ter um tom oficialista libertário. Quote
logofan2011 Posted June 3 Posted June 3 (edited) @ATVTQsV, sabes aquela afiliada da Telefe de Santa Fe, que é a "Telefe Santa Fe", eles transmite os sorteios do Quini 6, que é da Lotería de Santa Fe (o Jogos Santa Casa deles). Os sorteios do Quini 6 acontece às quartas e aos domingos, às 21:15 (hora Argentino), em direto na sede da Lotería de Santa Fe. Eis um sorteio mais recente (este é de 31 de maio): Edited June 3 by logofan2011 Quote
ATVTQsV Posted June 3 Author Posted June 3 Temos estreante no Mundial, o Uzbequistão passa a ser o terceiro país da ex-URSS a qualificar para uma fase final, depois da Ucrânia (2006) e da Rússia. E foi também o primeiro país da Ásia Central (embora ainda não como país independente) em 1956 (acho que em Novembro). Até à data, só havia televisão nalgumas cidades da Rússia, da Ucrânia (1951), da Letónia (1954), da Estónia (1955) do Azerbeijão (1955) e da Arménia (1956). Foram sensivelmente 35 anos de televisão sob o controlo soviético. As primeiras emissões arrancaram a 5 de Novembro daquele ano, sendo que em 1960, já emitia cerca de três horas e meia todos os dias. Aos domingos, havia uma faixa adicional de duas horas, com programas infantis. No início dos anos 60, já Tashkent tinha três canais de televisão (segundo a minha pesquisa). No entanto, não sei quando é que a televisão passou a ser praticamente nacional: foram criados centros de produção regional nalguns pontos do país em 1964, até no Caracalpaquistão ("país" autónomo no extremo oeste com língua própria). Não sei à perfeição como era a estrutura da televisão uzbeque na era soviética, só sei com clareza quando o país foi independente e Tashkent tinha quatro canais, mas já tinha canais de televisão privados a aparecerem uns aos outros, que traziam informações contrárias ao governo. Só que a TV do estado continuava e continua a ser um objecto de escrutínio estatal. Durante os anos 90, os quatro canais do estado foram reorganizados. Os nomes prosaicos (TV1, TV2, TV3, TV4) gradualmente desapareceram. A TV1 acabaria por assumir a designação Oʻzbekiston (Uzbequistão) já nos anos 2000. A TV2 passou a ser a Yoshlar (Juventude) com um formato mais juvenil, e apoiado (como não podia deixar de ser) pelo presidente (Islam Karimov). A TV3 passou a ser a Toshkent, canal da cidade, e a TV4 ainda era o canal internacional (segundo as minhas pesquisas, e de acordo com um site russo chamado TVP que agrega grelhas de programação, o formato do canal internacional era da TV3). Só que em vez de ser "canal internacional para a diáspora, era mais um "canal de retransmissão internacional", da BBC, da televisão estatal da Turquia TRT (que nos anos 90 já visava os países de línguas túrquicas - é assim que se escreve? - na Ásia Central e no Azerbaijão, e até canais russos. Só que em 2004 tiveram de substituir pelo canal desportivo Sport (inicialmente SporTV). A TV privada é "independente" até surgirem conspirações do governo. Dois casos chamaram a minha atenção quando fiz pesquisa para a Wikipédia inglesa: a primeira é da STV de Samarcanda, que foi fundada em 1991 nos últimos meses do Uzbequistão soviético e fechou em 2018. O motivo? Não foi nada de ordem política, e sim a emissão de dois filmes: o filme Salsicha Party que foi visto como "pornográfico" pelas autoridade e o filme Eu Sou a Lenda que era violento. A emissão destes dois filmes (e filmes com extrema violência eram tabus nos canais do estado) custou a concessão e fechou definitivamente, salvo a página web e a rádio. O caso mais célebre de uma televisão privada trucidada pelo governo não era local, e sim nacional. Era a NTT, que agrupava umas vinte televisões que emitiam vastos blocos de programação, e foi fechado em 2013 por causa de uma "caça às bruxas" aos negócios da Gulnara Karimova. Ela também tinha outros canais, a TV Markaz, a Forum TV e a SofTS. A NTT era supostamente o canal principal de entre os quatro e tinha uma boa audiência por causa dos noticiários que fugiam ao filtro do governo. A TV Markaz era um canal de entretenimento. Valorizava principalmente o cenário musical uzbeque mas também abria mão a Bollywood. A Forum TV era um canal aparentemente cultural. Pertencia ao Fundo Forum que também foi investigado pelas autoridades. A SofTS era a versão uzbeque do canal russo STS. Todos estes canais desapareceram em Outubro de 2013 sem rasto por causa das investigações. Sabe-se que a TVM era uma plataforma para as actividades da Gulnara, como as suas empresas. A televisão de estado uzbeque, que teve a proeza de lançar um canal HD em 2011, bem como mais dois canais temáticos em 2012 e um infantil já em 2013, aproveitou-se da situação para lançar novos canais. No entanto, o sector privado não parou e novos canais surgiram. Entre os novos canais estão a MY5, a Zo'r TV e a Milliy TV. A programação informativa é quase inexistente e produzem muitas telenovelas. Recentemente, uma novela desta última teve uma cena que se viralizou, mais tarde foi descontextualizada e chegou até ao Polígrafo da SIC. Calhou-nos ter uma selecção estreante no nosso grupo, e cuja diáspora é reduzida no nosso país. Quote
ATVTQsV Posted June 4 Author Posted June 4 Mais uma estreante. A televisão chegou à Jordânia em Abril de 1968, pouco antes das primeiras emissões regulares em Israel (depois de dois anos só com emissões da televisão educativa). Ambas as televisões (jordaniana e israelita) eram criadas com apoios de directores americanos, e a partir daqui, havia algumas semelhanças em termos de conteúdo enlatado. Ainda nos anos 70 foi criado o segundo canal, que até certa hora emitia o primeiro, e depois tinha programação própria até à hora do fecho. A Jordânia é parte integrante da Área Europeia de Radiodifusão, e por conseguinte, membro da UER. No entanto, a Eurovisão de 1978 foi emitida incompleta (pelo que li, no segundo canal), onde a actuação do israelita Izhar Cohen não foi emitida, tendo a emissão suspendida por um breve período. Mais tarde, quando se sabia de que Irsael iria ganhar o certame, a emissão acabou prematuramente, tudo porque a Jordânia não reconhece Israel. (Em Israel, como a votação foi prolongada, e dependiam de um satélite alugado, fontes israelitas dizem que o sinal foi cortado ainda antes de Izhar Cohen ser declarado o vencedor, sendo que os israelitas só souberam na manhã seguinte.) Não conheço à perfeição a televisão jordaniana, fora a JRTV, logo não tenho muito que falar. Há muitos canais privados, todos a emitirem por satélite (lógico, quase todos os árabes tem parabólicas e há uma carrada de canais FTA) e no início da década passada, alguns destes canais foram palco de brigas no estúdio, como é nestes casos: Quote
ATVTQsV Posted June 5 Author Posted June 5 Desde o fim dos anos 2000 que as televisões terrestres (KBS, SBS, MBC) perderam terreno na lucrativa indústria televisiva nacional aos canais de cabo. Agora nesta década é mais à base das plataformas de streaming. A KBS 2, um dos grandes canais produtores de novelas coreanas, agora passou para segundo plano: ou é TVN, ou é OCN, ou é para alguma plataforma de streaming como a Netflix ou a local TVING. Em Novembro haverá a Eurovisão Ásia, mas na Tailândia. Os organizadores não escolheram nenhum canal terrestre, nem menos um canal a cabo já estabelecido. É a ENA (leia-se letra a letra), canal pertencente à KT, e que, quando assumiu a designação em 2022, queria lançar um novo formato capaz de ir ao cimo da tabela na televisão paga. O canal tem atraído grandes audiências com as suas séries originais. A TDT coreana seria como a nossa, mas o contexto de ter novos canais é diferente. Só a KBS e a EBS é que habilitaram o uso dos canais secundários nos seus multiplexes. A KBS tem um canal de notícias e a EBS, que foi a primeira, tem um canal puramente educativo. Quote
ATVTQsV Posted June 5 Author Posted June 5 A 16 de Setembro, a televisão australiana completa 70 anos num misto de crise de identidade e quebra parcial da indústria. O sector mais afectado foi o infantil. A salvação da indústria foi a Bluey, série animada cujos direitos de distribuição fora da Austrália pertencem à BBC Studios, logo os britânicos exploram a personagem em quase todo o mundo. Embora a série foi vista como um alívio para uma indústria afectada por enlatados americanos que vinham para invadir com os seus sotaques, em países como os Estados Unidos, causou uma total mudança no vocabulário de muitas crianças, como foi com a Peppa com o vocabulário britânico. No tempo da série H2O (série juvenil) isso do sotaque não era um problema, problema é se a série for para um público-alvo principalmente pré-escolar. Lembro-me de ver vídeos em 2019 de pessoas a tentarem imitar a série H2O, até os sotaques. Como não vejo a série Bluey (e estou ciente de ter as suas qualidades), deve haver uma série de TIkToks sobre crianças que magicamente ganharam sotaques e terminologia australiana estando noutros países anglófonos e sem nunca terem pisado os pés lá. O criador da série é o principal culpado, pois queria que a série tivesse a sua identidade australiana assente em todo o mundo, sem ser adulterado para o inglês britânico ou americano. Fugindo do "canil" (se é que me entendem), a TV dos crescidos tem apresentado novidades. A ABC decidiu mudar o formato da ABC ME para incluir mais faixas etárias sob o pretexto de que "crianças entre 7 a 12 anos já não sabem ver TV direito". É neste contexto que nasce a ABC Entertains, enquanto que a ABC Family veio para substituir a ABC Plus. Canal esse que só emite a partir das 19:30 por partilhar tempo de emissão com o canal ABC Kids. Canal esse que em 2022 foi a causa da raiva de muitos pais porque decidiram encerrar a emissão às 18:00 e a ABC ouviu as críticas negativas, o que levou ao reestabelecimento do horário antigo (que coincidia com a hora em que, supostamente, crianças iam para a cama na Austrália, para assim começarem os programas mais puxadotes). Um canal infantil a menos, meio canal infantil a mais. Ou, em troca, o mesmo canal com um novo nome. Antes da ABC começar a preencher o seu segundo canal infantil com entulho variado, a 10 decidiu relançar o canal 10 Shake como Nickelodeon, com programação infantil das 6 às 18, sendo que o antigo formato adulto viria a ser o Nick@Nite, das 18 às 6. O motivo? A FOXTEL decidiu não renovar o contrato que tinha com a Paramount, e como a Paramount é a dona da 10 desde há uns dez anos, decidiram salvaguardar a marca como um canal terrestre. Sentimento oposto teve a área de Mildura, onde o sinal do multiplex da 10 foi retirado por pressões económicas (era uma joint-venture entre a Prime - entretanto comida pela Seven - e da WIN, que representa a Nine). "Ah, a culpa é o fantasma do streaming, é caro demais manter um sinal destes" A Austrália recentemente começou a fornecer às ilhas do Pacífico um pseudocanal com conteúdo fornecido pelos canais terrestres. Chama-se PacificAus TV e tem membros numa dúzia de países. Desde Março deste ano, é possível acompanhar as emissões em Timor-Leste, alternativa que parece ser bem válida para reduzir a dependência na RTP Internacional RTP Mundo. A Nova Zelândia tem um serviço parecido (esqueci de mencionar na ficha do país) e ambos funcionam deste modo: a televisão paga pelo sinal (codificado) no satélite para inserir os programas (no caso australiano, tem até vídeos produzidos pela equipa do "canal" sobre perigos, segurança etc.). O da Nova Zelândia privilegia a escassa produção nacional que ainda tem, mais alguns programas produzidos por parceiros no Pacífico, mas no caso australiano, só emite programas produzidos na Austrália, principalmente aqueles programas de horário nobre tipo Casados, The Block entre outros, e alguns eventos desportivos (também é o caso na Nova Zelândia). Antigamente, muito antes da Austrália ter um serviço próprio e a Nova Zelândia estava em todo o lado, a ABC enviava alguns dos seus programas, principalmente os noticiários, para as televisões das ilhas Cook ou da Samoa. Quote
ATVTQsV Posted June 6 Author Posted June 6 Continua a agravar a crise do linear e o progresso do streaming. A grande revelação do último Mundial foi a CazéTV que agora exportou o seu saber-fazer (porque "know-how" tem tradução) a Portugal. A Globo continua a enfrentar uma crise de audiências e de credibilidade. A Record tem andado mais conservadora. O SBT perdeu o seu fundador em 2024 e agora rompeu relações com a Televisa (eu acho, porque não saiu nada oficial). A Band tem reerguido para depois cair. A RedeTV! continua na lama. A Cultura continua a ser rentável e até trouxe alguns animes (animes a sério, tipo a Sakura). No entanto, quem sofreu mais foram as afiliadas. No ano passado vimos o fim da afiliação da Globo com a TV Fronteira de Presidente Prudente e o fim do Caso TV Gazeta de Alagoas (também antiga afiliada da Globo), numa decisão que favoreceu a TV Asa Branca (de Caruaru) em finalmente abrir a filial local. O Grupo Norte construiu um império de afiliadas na metade norte do país ao comprar várias filiais do SBT dos seus antigos donos. E, mais recentemente, tivémos o Grupo Zahran do Mato Grosso a comprar as televisões pertencentes ao Grupo Jaime Câmara, da TV Anhanguera, o que fez com que o império matogrossense dominasse praticamente todo o Centro-Oeste (Deus queira que não comprem a TV Globo Brasília e mudem o nome para TV Anhanguera Brasília, até porque, para a Globo, ter um posto próprio em Brasília até chega a ser útil para cobrir temas de política sem depender aos grupos de afiliadas) Em 2024 tivemos o spam massivo da Igreja Cristã Maranata a promover o seu evento Trombetas e Festas como se fosse a oitava maravilha do mundo. Promoveram até na Globo Portugal. Eu por curiosidade vi pouco daquilo e parecia decepcionante, tanto trabalho para nada :P Quote
ATVTQsV Posted June 6 Author Posted June 6 Não sei que grandes mudanças houve na televisão do Equador desde o último mundial. Só sei que a Gamavisión, um antigo canal privado que passou para a esfera do governo em 2009, piorou a sua crise administrativa e de conteúdos. Também não sei como anda a conversão à TDT no país. Entendo que grande parte dos emissores já fez a conversão. Tenho a ideia de que a Ecuavisa está a enfrentar uma crise de audiências, mas não é tão grave como a crise da Gama. A Teleamazonas é o canal que aparentemente domina o mercado, sendo que este canal obteve os direitos do pacote FTA do Mundial. Quote
ATVTQsV Posted June 7 Author Posted June 7 O Paraguai fechou os sinais analógicos - pelo menos só em Asunción, numa primeira fase - na passagem de ano 2024/2025. O país teve TDT bastante cedo para os padrões da região, estando quase ao nível do Brasil, da Argentina, da Colômbia, do Chile e do Peru, só que inicialmente trazia o canal de estado que foi criado para este fim. Os privados não aderiram à TDT até 2017/2018, e num processo gradual. Recentemente, o canal SNT (pertencente ao "fantasma" Ángel González, dono de muitas televisões) estreou uma versão paraguaia do formato MasterChef, que não é novidade. O formato tinha sido emitido anteriormente no canal Telefuturo, mas por alguma estranha razão mudou para um canal daquele grupo maquiavélico de roubo de concessões e enlatados baratos, porque achavam que tinha um melhor contrato. Isso eu não sei explicar. O canal de estado Paraguay TV não tem um peso significativo no mercado nacional. A Albavisión, empresa do fantasma, bem como os grupos JBB e AJ Vierci, dominam o mercado televisivo. A Albavisión teve uma ideia de génio em 2013 ao separar duas retransmissoras do SNT (com programação local) em canais 100% independentes, um deles hoje é um canal de notícias (C9N) e outro a fazer gazeta só com enlatados e baixa produção local (SUR TV Itapúa). O Grupo Vierci comprou a Red Guarani em meados dos anos 2010 e purgou a programação religiosa que tinha na altura. Depois teve a ideia de fechar o canal afim do canal Noticias PY ter cobertura em sinal aberto, isto em Janeiro de 2019. A Albavisión estava à frente com o canal C9N en 2017, que surgiu na mesma altura do NPY no cabo. O Grupo JBB é a dona do canal Trece, bem como do Unicanal, que antigamente era exclusivo do cabo. Quote
ATVTQsV Posted June 7 Author Posted June 7 Continua igual a televisão no Uruguai, sei que o Canal 5 mudou, mas o Canal 10, nem tanto, porque há tantos canais que já mudaram de grafismo, enquanto que o Canal 10 está preso com o mesmo grafismo há quase 10 anos (e logotipo há 20): Não acho que irão mudar por causa dos 70 anos em Outubro. Lembram-se da série Dance, única novela uruguaia a ser exportada para cá, numa tentativa e erro de entregar ao mundo de que o Uruguai sabe fazer ficção? É deste canal. Mas como a população é pequena (mais pequena do que a do Paraguai), nem sabe produzir MUITA ficção. Até a Teledoce tentou vender algumas novelas para mercados internacionais, mas é o que digo: o que o Uruguai tem em falta em termos de ficção, compensa com exportações de carne. A televisão a cores só chegou em 1981, ou seja, o Mundialito de 1980 foi emitido a cores só para técnicos. O início das emissões a cores ditou o início da La Red, composta pelos três canais privados (a SAETA TV, dona do Canal 10, saiu em 2016). Os três canais privados de Montevidéu operam as suas operadoras de televisão por cabo, por isso é que partilham alguma infraestrutura. Quote
ATVTQsV Posted Monday at 11:22 AM Author Posted Monday at 11:22 AM Ataque nostálgico ou necessidade? O governo de Gustavo Petro trouxe de volta uma marca histórica da televisão colombiana: a RTVC passou a ser a Inravisión. Longe do tempo das famosas programadoras (a RCN e a Caracol hoje são canais mas eram programadoras antes de 1998), a nova Inravisión é uma mera continuação da RTVC, entendo que tinha algo a ver com antigos trabalhadores da pré-RTVC que se sentiram lesados nos últimos 20 anos. A televisão começou em 1954, sendo a Colômbia o quarto país da América do Sul a começar a televisão (depois da Venezuela em 1952, Argentina em 1951 e Brasil em 1950). Pouco depois do início da televisão, uma queda no preço do café levou o único canal a instaurar um sistema de programadoras, que resultou durante mais de 40 anos. Mas quando a RCN e a Caracol venceram a licitação para os canais privados, tal sistema começou a ruir. Recentemente a RCN pôs para licenciar Yo soy Betty, la fea (a original) para várias televisões da América Latina. É uma pena que nós nunca vimos o original, só duas adaptações americanas, porque veio na altura onde as novelas latinas desapareceram praticamente das grelhas das nossas televisões (quando a TVI estava em ascensão). Quote
ATVTQsV Posted Monday at 03:34 PM Author Posted Monday at 03:34 PM Eu ainda tenho a ideia de que a televisão em Marrocos continua igual. Não sei, a minha óptica limita-se ao somatório dos canais terrestres com as versões internacionais no multiplex que tem lá no satélite. Só sei que o canal 2M tem sido o canal mais visto, ouvi dizer que tem produção nacional forte. A televisão chegou em 1954 limitado a uma elite francófona, mas a independência e conspirações contra a França levou ao fim da primeira experiência. Em 1962, surgiu a televisão a sério como um país independente. A 2M veio em 1989, como canal de elites, parcialmente codificado, mas ao fim de uma década passou a ser um canal inteiramente de livre acesso na rede terrestre. A TDT começou em 2005, a SNRT começou a explorar novos canais, a um ponto que controla sete canais nacionals, mais um canal para o Saara Ocidental com sede em Laayoune, bem como uma versão internacional do canal principal. O canal 2M trouxe novos estímulos: nos temos da TV única de estado, só podiam falar os políticos. Com a vinda do novo canal, qualquer um podia falar e dar a sua opinião. A partir do reinado de Mohamed VI, notaram-se mudanças graduais na sociedade, visando dar mais atenção ao papel das mulheres. Tenho a ideia de que a penetração da TDT, graças às influências do passado colonial francês, no Magrebe, é mais elevado do que no resto da Arábia, mas aqui ainda se nota a influência das parabólicas na sociedade. Tanto que no próprio Médio Oriente, a TDT é quase nula. Que eu saiba, os únicos países da região que contam com tal serviço operacional incluem Israel (T2), Palestina (sem ter feito a migração para o T2, pelo que entendi, só há seis canais, quase todos eles da estatal PBC), o Irão e com alguma sorte, algum Iraque. Outro país do Magrebe da qual vou falar aqui também tem TDT, mas só com canais da mesma empresa de estado. Quote
ATVTQsV Posted Monday at 09:25 PM Author Posted Monday at 09:25 PM A televisão chegou à Tunísia em 1965 graças à RTT. Em 1983 lançou o segundo canal, mas este foi encerrado em 1989 para dar lugar à Antenne 2. Em 1992, foi o único país do outro lado do Mediterrâneo a participar nos Jogos Sem Fronteiras, mas a RTT só enviou as equipas e produziu os vídeos dos postais da cidade participante. Como consequência da retransmissão da Antenne 2 (que mudou o nome para France 2 durante a edição de 1992), os apresentadores franceses serviam também como apresentadores tunisinos. No entanto, daqui para a frente começou o descalabro, com o início da censura ao canal e da reconstrução do segundo canal estatal. Existe TDT na Tunísia, ao contrário de Marrocos, há mais canais privados. Os telespectadores recebem doze canais, os dois canais de estado, um canal educativo e nove canais privados, como a Nessma e a Hannibal. A Rai 1 antigamente estava presente na rede terrestre, tendo sido retirada a 31 de Dezembro de 2010 (mas voltou na TDT em 2012), durante muitos anos era tão ou mais popular como a televisão local, sendo que a France 2 teve o mesmo efeito. Não sei quando é que a Rai 1 saiu da TDT. Grande parte da programação tem sido mais e mais falada em árabe nos canais locais. A Tunísia não tem nenhum canal religioso na TDT ao contrário de Marrocos e Argélia. Efeitos do secularismo para ter tantos canais privados na TDT local? Não sei. Quote
ATVTQsV Posted Tuesday at 10:16 AM Author Posted Tuesday at 10:16 AM O Egipto tem televisão desde 1960, sendo o terceiro país africano a lançar um canal, depois da Nigéria em 1959 e da Argélia sob controlo francês em 1956 (Marrocos em 1954-1955 não conta). O país sempre teve uma alta penetração de televisão terrestre, ora analógica ora digital, mas a implementação da TDT tem sido difícil de descrever, ouvi dizer que fizeram uns testes prévios à Taça Africana das Nações, em 2019, cuja sede foi o próprio Egipto. A rede terrestre está restrita aos canais da Autoridade Nacional de Meios, sendo que as televisões privadas são todas disponíveis por satélite, e o Egipto está bem mais próximo do epicentro das parabólicas no mundo árabe. O Egipto é um dos principais produtores audiovisuais do mundo árabe, já era assim no cinema, também é assim na televisão. A cidade do Cairo é tida como a Hollywood árabe, também dada a sua posição estratégica (um lugar mais central) no mundo árabe como um todo. O Ramadão é a altura do ano mais competitiva para os canais, que emitem séries locais de luxo. Para aumentar a concorrência, a televisão local tem começado a emitir novelas da Índia e da Turquia, tudo dobrado em árabe. Para tentar concorrer, as produtoras locais aumentaram os orçamentos para produzir séries. A Autoridade Nacional de Meios tem lançado televisões regionais nos anos 80 e 90, com seis canais, e estão disponíveis via satélite. Porém, tais canais são vistos como os parentes pobres da televisão estatal egípcia, pela falta de variedade. A televisão nacional não fugiu ilesa às críticas: em 2018, o Canal do Canal (do Suez) recebeu críticas de telespectadores porque as roupas da apresentadora de um programa de música egípcia antiga revelavam demasiada pele e usava uma t-shirt com palavras em inglês; em 2016, o programa Aparência do Canal 2 (nacional) recebeu fortes críticas por causa do peso das apresentadoras, tema esse que correu mundo. Além dos canais terrestres, o Egipto possui a frota Nilesat, que em 2016 emitia mais de 500 canais, entre canais egípcios e estrangeiros. O canal Nile News, estatal, tem a sua sede na cidade de 6 de Outubro em Gizé. Existem também alguns canais fajutos, daqueles que só emitem conteúdo na pirataria. Lembro-me que há uns anos, havia uns canais a usar o símbolo da Apple sem autorização. Assim parece o Paquistão que tem uma centena de canais fajutos, a quererem imitar canais de países como a Índia, para chamar a atenção dos telespectadores. Quote
ATVTQsV Posted Tuesday at 12:29 PM Author Posted Tuesday at 12:29 PM A televisão do Gana parece mais uma daquelas televisões onde quase nada mudou desde 2022. Alguns factos que apanhei foram: -Há uma tal de TV Africa, mas este canal foi criado oficialmente depois da queda de uma TVAfrica (sim, tudo junto). Quando fiz a pesquisa em 2023-2024, houve uma treta entre a antiga detentora dos direitos (a Metro TV) e a empresa sul-africana que fazia as emissões e enviava para os países que tinham um canal filiado. Depois a TV3 conseguiu os direitos -A TV3 foi fundada pelos malaios (da TV3 malaia) en 1997, tanto que eles tentaram replicar o modelo do canal original. Passado alguns anos tiveram que vender; os malaios também queriam trazer a televisão ao Maláui, em parceria com o governo, mas é outra história -Ainda existe o programa The Real News, longe do tempo em que se viralizou. Sei quem é o apresentador, porque lembra-me a fase em que estava viciado aos filmes do Gana. As produções deles são o cúmulo do "com muito pouco, faz-se muito" -Existem televisões regionais, mas não há muita informação. É como Moçambique, onde a única televisão local privada fora de Maputo que sei que existe é a de Tete Quote
Recommended Posts
Join the conversation
You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.
Note: Your post will require moderator approval before it will be visible.