Duarte com D Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 (editado) há 48 minutos, Guida disse: Eu não estou a dizer que as novelas não têm qualidade. Têm qualidade, sim, mas não têm a magia de outrora. Para mim, não têm... Também não sigo audiências atentamente nem "comentários em manada" - até porque não os leio. Tentei ver esta, Pantanal, Vai na Fé, aquela recente com a Lília Cabral (não me lembro do nome), Terra e Paixão... não me prendem, não me agradam, não me chamam... são frias, secas e sem sal. Quando vejo uma novela antiga, parece diferente. E não é nostalgia! Há pouco, vi os primeiros episódios de Filhas da Mãe, que nunca tinha visto, e é uma sensação completamente diferente. As novelas antigas tinham um "je-ne-sais-quoi" que não te sei explicar. Era diferente. Realização, banda sonora, diálogos, figurinos, história, cenários... havia um ambiente mágico que se perdeu. Claro que havia, e faz falta, sim senhor, essa magia. Ainda se escrevem boas histórias? Sim, mas nem é esse o problema. A realização era mais colorida e saturada. Podia ser mais escura nalguns momentos, mas era real, sem aqueles filtros exagerados que hoje estragam tudo. A banda sonora também era melhor, porque era melhor trabalhada. Havia temas adaptados das músicas originais para cada personagem e para cada situação em que se encontravam. Hoje em dia, as músicas são escolhidas apenas para combinar com a situação. Por exemplo, uma música mais sensual como "Cry Me a River", da Iza, em a "Garota do Momento", é usada para qualquer vilão: seja a Zélia, a Maristela com o motorista, ou o Juliano com a secretária. E quem diz esta diz outras. É sempre a mesma música, em vez de se fazerem adaptações pensadas para os momentos específicos de cada personagem, cada personagem ou casal uma música/instrumental específica que só a eles pertence. A Cristina de Alma Gémea, por exemplo, tinha o tema "Diz Nos Meus Olhos" em várias versões: a versão cantada, para os momentos em que ela estava mais em baixo e melancólica, e um instrumental muito mais agressivo, usado quando assumia o lado de vilã. Basta procurar no YouTube por "Cristina Alma Gémea Instrumental" e percebe-se logo que o tema é dela e isso cria identidade. Sem falar no trabalho que se fazia entre banda sonora nacional e internacional. No início da novela, usava-se a música nacional; depois, a meio, chegavam os temas internacionais. Um casal, por exemplo, começava com o seu tema nacional, e, à medida que a relação evoluía, ganhava um tema internacional. Isto ajudava a marcar a passagem do tempo: já não eram apenas dois apaixonados cheios de borboletas na barriga, eram um amor consolidado, com história. Já quase não eram os mesmos personagens do início da novela e a música refletia isso. Quanto aos novos atores... cumprem, mas não têm o talento de antigamente. O canal Virou Festa fez recentemente um comparativo da cena do aniversário da Maria de Fátima, entre o original e a nova versão. No original, a câmara passeava pelo cenário, mostrando toda a casa: cada par de atores com o seu diálogo, tudo a entrar no tempo certo. Uns no quarto, outros na cozinha, depois na sala... Hoje em dia não se pode fazer isso. Correm o risco de os novos atores, ao chegar ao final da sequência, cometerem um erro e estragarem toda a cena. Nota-se pela realização que tudo mudou: agora é tudo muito fechado, focado na cara do ator, para evitar que um movimento errado com o corpo ou ficarem como estatuas estrague a cena. Editado 5 de abril 2025 por Duarte com D 1 1 Citar
Guida Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 há 16 minutos, Duarte com D disse: Claro que havia, e faz falta, sim senhor, essa magia. Ainda se escrevem boas histórias? Sim, mas nem é esse o problema. A realização era mais colorida e saturada. Podia ser mais escura nalguns momentos, mas era real, sem aqueles filtros exagerados que hoje estragam tudo. A banda sonora também era melhor, porque era melhor trabalhada. Havia temas adaptados das músicas originais para cada personagem e para cada situação em que se encontravam. Hoje em dia, as músicas são escolhidas apenas para combinar com a situação. Por exemplo, uma música mais sensual como "Cry Me a River", da Iza, em a "Garota do Momento", é usada para qualquer vilão: seja a Zélia, a Maristela com o motorista, ou o Juliano com a secretária. E quem diz esta diz outras. É sempre a mesma música, em vez de se fazerem adaptações pensadas para os momentos específicos de cada personagem, cada personagem ou casal uma música/instrumental específica que só a eles pertence. A Cristina de Alma Gémea, por exemplo, tinha o tema "Diz Nos Meus Olhos" em várias versões: a versão cantada, para os momentos em que ela estava mais em baixo e melancólica, e um instrumental muito mais agressivo, usado quando assumia o lado de vilã. Basta procurar no YouTube por "Cristina Alma Gémea Instrumental" e percebe-se logo que o tema é dela e isso cria identidade. Sem falar no trabalho que se fazia entre banda sonora nacional e internacional. No início da novela, usava-se a música nacional; depois, a meio, chegavam os temas internacionais. Um casal, por exemplo, começava com o seu tema nacional, e, à medida que a relação evoluía, ganhava um tema internacional. Isto ajudava a marcar a passagem do tempo: já não eram apenas dois apaixonados cheios de borboletas na barriga, eram um amor consolidado, com história. Já quase não eram os mesmos personagens do início da novela e a música refletia isso. Quanto aos novos atores... cumprem, mas não têm o talento de antigamente. O canal Virou Festa fez recentemente um comparativo da cena do aniversário da Maria de Fátima, entre o original e a nova versão. No original, a câmara passeava pelo cenário, mostrando toda a casa: cada par de atores com o seu diálogo, tudo a entrar no tempo certo. Uns no quarto, outros na cozinha, depois na sala... Hoje em dia não se pode fazer isso. Correm o risco de os novos atores, ao chegar ao final da sequência, cometerem um erro e estragarem toda a cena. Nota-se pela realização que tudo mudou: agora é tudo muito fechado, focado na cara do ator, para evitar que um movimento errado com o corpo ou ficarem como estatuas estrague a cena. É exatamente isto!! Obrigado, Duarte. Não consegui expressar-me tão bem como tu, mas era isso que queria dizer. Antigamente, por mais enfadonhas ou mal estruturadas que estivessem as novelas (e não tem que ver com isso, @DanielNunes), havia uma articulação perfeita entre autor, colaboradores, realizadores, restante equipa técnica, atores... e depois havia essa harmonia do detalhe: a canção que combinava não só a personagem em si, mas com a sua essência e vivência, os figurinos ajustados a cada ator, valorizando a sua performance... às vezes, até reparava (mais nas novelas do Manoel Carlos) que se moldavam os timings e as deixas de cada personagem para combinarem com a música, para se criar uma cadência melódica. A realização, sim, era mais colorida, mais vivaça, mais real, diria. Era essa a "magia" de que falava. Havia uma conjugação de fatores única, que se perdeu. 3 Citar
Laurindinha Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 Sinto que talvez o filtro na câmara nesta novela seja o errado, está demasiado claro/colorido. É claro que na original a escuridão da novela era mesmo pela falta de qualidade das câmaras nos anos 80, mas combinou super bem, sinto que faz falta aqui uma vibe mais dark na filmografia. Citar
Vitória Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 há 2 horas, Guida disse: Eu não estou a dizer que as novelas não têm qualidade. Têm qualidade, sim, mas não têm a magia de outrora. Para mim, não têm... Também não sigo audiências atentamente nem "comentários em manada" - até porque não os leio. Tentei ver esta, Pantanal, Vai na Fé, aquela recente com a Lília Cabral (não me lembro do nome), Terra e Paixão... não me prendem, não me agradam, não me chamam... são frias, secas e sem sal. Quando vejo uma novela antiga, parece diferente. E não é nostalgia! Há pouco, vi os primeiros episódios de Filhas da Mãe, que nunca tinha visto, e é uma sensação completamente diferente. As novelas antigas tinham um "je-ne-sais-quoi" que não te sei explicar. Era diferente. Realização, banda sonora, diálogos, figurinos, história, cenários... havia um ambiente mágico que se perdeu. Ou seja, nostalgia. 1 Citar
DanielNunes Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 Acho que a magia até tem. Sobre as bandas sonoras, a coisa muda, pois o gosto mudou. No Brasil a moda é de apenas dois gêneros sertanejo e funk, dois gêneros nichados. Não se dá tempo de trabalhar nos dois gêneros para uma divulgação de uma novela. Outra, funk e sertanejo não é todo brasileiro que gosta. Na minha opinião, os artistas considerados primordiais para uma boa canção é justamente MPB, Pop e Pop Rock, até músicas internacionais estão com dificuldade para ter músicas em novelas. O público nichou tanto, que um artista internacional não é tão popular no Brasil. Antes casavam muito bem ao gênero da novela. Porém, estes artistas destes gêneros estão em decadência no Brasil. Grupos e artistas como Skank (que nem existe mais), Jota Quest, Roupa Nova, Ivete Sangalo, Marisa Monte (até esteve na banda sonora de Fuzuê), Jorge Vercilio, não emplacam mais como antes. A Globo até tenta, mas, não consegue trazer bons artistas para uma banda sonora. E também acabou as vendagens de CD que era um dos pontos positivos para a novela cair no gosto do povo. Sem isso, a novela não é lembrada. São as mesmas músicas e repetições em novelas que não dão conta de revelar cantores em novelas, que antes era palco para o artista brilhar. O consumo da TV mudou. Hoje o YouTube é a vitrine para artistas brasileiros emplacar suas músicas, antes era a TV ou a novela. Acho também que com os filtros em imagens se criou um ar mais de superprodução e seriada. As novelas deste tempo estão mais seriadas. Muito pelo engajamento de jovens adultos se identificarem com as séries do momento. Para alinhar e trazer este público para as novelas estes elementos tem que estar nas novelas. 2 Citar
Maya Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 há 3 horas, Guida disse: É exatamente isto!! Obrigado, Duarte. Não consegui expressar-me tão bem como tu, mas era isso que queria dizer. Antigamente, por mais enfadonhas ou mal estruturadas que estivessem as novelas (e não tem que ver com isso, @DanielNunes), havia uma articulação perfeita entre autor, colaboradores, realizadores, restante equipa técnica, atores... e depois havia essa harmonia do detalhe: a canção que combinava não só a personagem em si, mas com a sua essência e vivência, os figurinos ajustados a cada ator, valorizando a dia performance... às vezes, até reparava (mais nas novelas do Manoel Carlos) que se moldavam os timings e as deixas de cada personagem para combinarem com a música, para se criar uma cadência melódica. A realização, sim, era mais colorida, mais vivaça, mais real, diria. Era essa a "magia" de que falava. Havia uma conjugação de fatores única, que se perdeu. "Já não se fazem novelas como antigamente". Esta frase, por mais redundante que se tenha tornado, não deixa de ser a que melhor se aplica ao atual estado do formato, tanto em Portugal como no Brasil. Na minha opinião, 'Beleza Fatal' e, até agora, 'Vale Tudo' (2025) vão sendo das poucas exceções a uma regra que se está a tornar cada vez mais "castradora" e que muito dificilmente cessará de existir nos próximos anos na televisão aberta. 2 1 Citar
Vitória Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 há 18 minutos, Maya disse: "Já não se fazem novelas como antigamente". Esta frase, por mais redundante que se tenha tornado, não deixa de ser a que melhor se aplica ao atual estado do formato, tanto em Portugal como no Brasil. Na minha opinião, 'Beleza Fatal' e, até agora, 'Vale Tudo' (2025) vão sendo das poucas exceções a uma regra que se está a tornar cada vez mais "castradora" e que muito dificilmente cessará de existir nos próximos anos na televisão aberta. Houve várias boas novelas nesta década no Brasil. Em Portugal, idem. Talvez a frase "já não se fazem novelas como antigamente" devia ser "já não se vêem novelas como antigamente". Sim, porque só pode ser isso. Andam a vê-las com um olhar mais exigente ou extremamente saudosista, isto se as vêem mesmo. Desta década vi da Globo: Além da Ilusão, Mar do Sertão, Elas Por Elas, Garota do Momento, Salve-se Quem Puder, Quanto Mais Vida Melhor, Cara e Coragem, Vai na Fé, Fuzuê, Família é Tudo, Volta Por Cima, Um Lugar ao Sol, Pantanal, Renascer, Mania de Você, Verdades Secretas 2 e Todas as Flores. Desta lista, só três foram de facto más, de resto só boas novelas, com destaque para Além da Ilusão, Volta Por Cima e Pantanal (muito boas). Em Portugal, segundo se lê aqui e das cenas que vou apanhando tivemos estas: Senhora do Mar, A Promessa, A Herança, Quer o Destino, Amar Demais, Para Sempre, Cacau,... E enquanto acompanhei as inéditas da globo, vi inúmeros clássicos da teledramaturgia brasileira, da década de 70 até à 2010. Portanto, a conclusão que chego é que a nostalgia das pessoas torna a percepção das coisas muito deturpada. 3 1 Citar
AndreRob Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 Eu acho que as historias são as mesmas, não diferem das mais antigas, estão é batidas, são muitos anos de novelas e as formulas como em tudo repetem-se constantemente, chegamos ao ponto de perceber facilmente onde uma historia vai parar. É muito dificil hoje em dia fazer algo surpreendente, no cinema é o que é, imaginem nas novelas que precisam de estar sempre a usar os mesmos recursos para manter a historia viva. Temos autores muito velhos a fazer novelas, já sem ideias e novidade, é dado pouco espaço aos novos e quando se dá levamos com coisas como Fuzuê ou Familia é Tudo, que são chachadas sem carisma nenhum... Fartam-se de falar de Beleza Fatal... mas olhem para os numeros que faz na band... se tivesse o hype gigante que lhe querem dar no minimo aquilo teria uns 5 ou 6 pontos , para não exagerar. Essa novela feita na globo era um fracasso redondo, primeiro porque nunca poderia ter so 40 episodios, teria 180... imaginam aquela bagunça narrativa durar 180 capitulos? E depois os temas abordados não são feitos para o publico em geral, donas de casa, idosas e familias... são feitos para quem consome o streaming, que não são os 60\70 milhoes de espetadores (deve ser bem mais) que a globo tem numa novela. Existe é um obvio cansaço do formato pela quantidade de novelas e por estar tudo martelado para ser sempre a mesma coisa, porque o que resulta é aquela narrativa classica e não coisas manhosas como mania de voce que não tem pés nem cabeça... porque é que o publico anda a consumir novelas turcas? porque aquilo são as novela que a globo fazia há 30 ou 40 anos... 4 1 Citar
Rui Melo Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 (editado) Acabei de ver os dois primeiros capítulos e estou a adorar! Óbvio que a original sera sempre a original, mas esta releitura caiu muito bem. Eu ate estou a gostar do decalque da original. A Tais Araujo esta mesmo muito bem, imprime na perfeição o carácter sofrido da Raquel. A Bella Campos também não esta assim tao mal quanto isso. Óbvio que a Glória Pires era iconica ou nao fosse uma das melhores atrizes do Brasil, mas a Bella até convence. E o Cesar e a cara do Cauã só podia ser para ele o papel. Adoro a Aldeide a roubar guardanapos quando em 88 era o papel higiénico ahahaha. E amei os congelamentos com os personagens em quadradinhos no final. A abertura ja tinha comentado mas realço que está muito bem conseguida! Para já so tenho coisas boas a dizer. Acho que temos ícone, faça sucesso ou não. Sobre a conversa das novelas desta década gostava de ver Um Lugar ao Sol e Alem da Ilusão também. A seu tempo verei. Editado 5 de abril 2025 por Rui Melo 1 3 Citar
CarlosTeixeira Postado 5 de abril 2025 Postado 5 de abril 2025 https://vm.tiktok.com/ZNdLgNwjs/ Até dá vontade de ver xd O Pedro Waddington é a porra da cara da mãe Citar
DanielNunes Postado 6 de abril 2025 Postado 6 de abril 2025 Primeira semana de "Vale Tudo" muito bem. Muito promissora. Acredito que desta vez Manuela Dias conseguirá sua prova de fogo. Se Amor de Mãe, ela não conseguiu mostrar sua carpintaria, nesta mesmo que de uma forma sutil de adaptação de uma novela feita, está conseguindo equilibrar do seu modo a atualização de um clássico. Manuela Dias é boa em adaptação, se "Ligações Perigosas" ela arrasou para uma primeira semana de novela ela passou com louvor. Sobre as atuações de longe é a novela da Taís Araújo, se a novela cativar em audiência, será o ano dela. Ela passa verdade e sua interpretação está muito boa. Nunca vi em um remake uma atriz chegar no registro certo da versão anterior. O registro da Taís está igual a da Regina Duarte, ou até melhor. É impossível ser a Raquel da versão anterior, mas, Taís conseguiu imprimir desde a primeira cena quem era Raquel. Bella Campos está boa. O registro dela com a de Glória Pires é bem diferente. A de Bella Campos é mais sensual, provocativo. Enquanto a de Glória Pires era mais de manipulação. Outro ponto é o casal protagonista. Renato Góes e Taís Araújo tem muita química, convencem em cena. Sobre a audiência, nesta primeira semana não houve uma fuga significativa, porque Vale Tudo manteve as mesmas audiências de "Mania de Você". Claro que com as chamadas bem promovidas, deveria ter aumentado. Contudo, a novela não derrubou muita audiência, teve um equilíbrio entre 23 e 22 pontos. É baixa é baixa. Mas, pegou um horário em queda. Demorará para engrenar. A Força do Querer foi a mesma coisa. Vale Tudo é promissora. É assistivel, tem um elenco bom, uma direção segura e com texto bom. É envolvente. Espero não me arrepender por esta animação. Mas, estou gostando, mais do que eu imaginava que iria gostar. Ultimamente as novelas da Globo não estão me fisgando, para uma primeira semana Vale Tudo me fisgou. 2 2 Citar
Rui Melo Postado 6 de abril 2025 Postado 6 de abril 2025 há 12 horas, DanielNunes disse: Primeira semana de "Vale Tudo" muito bem. Muito promissora. Acredito que desta vez Manuela Dias conseguirá sua prova de fogo. Se Amor de Mãe, ela não conseguiu mostrar sua carpintaria, nesta mesmo que de uma forma sutil de adaptação de uma novela feita, está conseguindo equilibrar do seu modo a atualização de um clássico. Manuela Dias é boa em adaptação, se "Ligações Perigosas" ela arrasou para uma primeira semana de novela ela passou com louvor. Sobre as atuações de longe é a novela da Taís Araújo, se a novela cativar em audiência, será o ano dela. Ela passa verdade e sua interpretação está muito boa. Nunca vi em um remake uma atriz chegar no registro certo da versão anterior. O registro da Taís está igual a da Regina Duarte, ou até melhor. É impossível ser a Raquel da versão anterior, mas, Taís conseguiu imprimir desde a primeira cena quem era Raquel. Bella Campos está boa. O registro dela com a de Glória Pires é bem diferente. A de Bella Campos é mais sensual, provocativo. Enquanto a de Glória Pires era mais de manipulação. Outro ponto é o casal protagonista. Renato Góes e Taís Araújo tem muita química, convencem em cena. Sobre a audiência, nesta primeira semana não houve uma fuga significativa, porque Vale Tudo manteve as mesmas audiências de "Mania de Você". Claro que com as chamadas bem promovidas, deveria ter aumentado. Contudo, a novela não derrubou muita audiência, teve um equilíbrio entre 23 e 22 pontos. É baixa é baixa. Mas, pegou um horário em queda. Demorará para engrenar. A Força do Querer foi a mesma coisa. Vale Tudo é promissora. É assistivel, tem um elenco bom, uma direção segura e com texto bom. É envolvente. Espero não me arrepender por esta animação. Mas, estou gostando, mais do que eu imaginava que iria gostar. Ultimamente as novelas da Globo não estão me fisgando, para uma primeira semana Vale Tudo me fisgou. Uma coisa que nesta novela não esta tão presente é a crítica social que Gilberto Braga tanto imprimiu. Mas gosto das melhorias que Manuela Dias implementou - o facto de Tais devolver o tapa no Rubinho, existir maior diversidade racial entre as personagens, as lésbicas serem verdadeiramente um casal assumido. Entre outras questões que hão de aparecer. Eu estou a adorar, merece muito subir os resultados audiometricos e acho que vai conseguir. Também gostei de Solange manter o “cherry” a toda a hora 2 1 Citar
Maya Postado 6 de abril 2025 Postado 6 de abril 2025 Primeira semana concluída com êxito. Há muito tempo que não seguia os primeiros episódios de uma novela da Globo com a satisfação com que tenho acompanhado esta. Sendo que esta nova versão de 'Vale Tudo' trouxe em particular aquela sensação única de deixar o público expectante com a concretização de alguns eventos chave da trama, desde o reencontro entre a Raquel e a Maria de Fátima ao tão esperado regresso da Odete Roitman ao Brasil, que ainda não se realizou. O episódio de ontem foi arrebatador. A Taís Araújo esteve mais uma vez sublime no tão aguardado frente-a-frente que nos entregou tudo aquilo que queríamos ver, sobretudo no aftermath. Nunca pensei vir a dizer isto, mas confesso que até me está a dar um certo "gozo" ver a máscara do César a cair aos poucos. A Maria de Fátima merece muito ser enganada precisamente por também ela andar a passar a perna em todos os que estão à sua volta, ainda que por vezes denote nela uma certa humanidade e até "preocupação" para com a mãe que, corrijam-me se estiver errada, não estava tão patente na Maria de Fátima da versão original e era totalmente inexistente na Maria Laurinda de 'Tempo de Viver'. A Heleninha foi outro dos destaques do episódio 6 por toda aquela sequência deveras perturbadora e um tanto ou quanto inesperada, pelo menos para muita gente, despoletada pela revelação do Marco Aurélio na festa em casa da Laurita Vargas. A Paolla Oliveira tem estado para lá de extraordinária nesta novela. Por vezes a sensação que me dá é que a tristeza, a fragilidade e aquela insegurança intrínsecas da personagem estão impregnadas na pele da própria atriz! Não posso claro está concluir este post sem falar da Solange e do Afonso. Adorei a cena do passeio romântico de barco, a fazer lembrar um pouco as escapadinhas românticas luxuosas que antigamente eram o "pão nosso de cada dia" nas novelas brasileiras. A Alice Wegmann e o Humberto Carrão têm imensa química juntos, assim como a Taís Araújo e o Renato Goes! 3 Citar
Lee Postado 6 de abril 2025 Postado 6 de abril 2025 há 2 minutos, Maya disse: A Heleninha foi outro dos destaques do episódio 6 por toda aquela sequência deveras perturbadora e um tanto ou quanto inesperada, pelo menos para muita gente, despoletada pela revelação do Marco Aurélio na festa em casa da Laurita Vargas. A Paolla Oliveira tem estado para lá de extraordinária nesta novela. Por vezes a sensação que me dá é que a tristeza, a fragilidade e aquela insegurança intrínsecas da personagem estão impregnadas na pele da própria atriz! Tenho a impressão de que o Marco Aurélio já tinha mencionado a morte do irmão da Heleninha numa conversa com o Renato. Estarei fazer confusão? Posto isto, terminei esta manhã a primeira semana de episódios. Inicialmente, não tencionava acompanhar este remake, mas as críticas muito positivas que fui lendo ao longo da semana e algumas cenas que fui espreitando despertaram o meu interesse. Ontem acabei por ver os cinco primeiros capítulos e hoje assisti ao episódio de ontem. Não há muito mais a acrescentar ao que já foi escrito por aqui. Estou a gostar bastante da novela. A Taís Araújo e a Paolla Oliveira têm estado exímias - para mim, são os grandes destaques até agora. Quanto à Bella Campos, ainda não me convenceu totalmente. Há cenas em que está muito bem, mas noutras fica aquém. Na cena do incêndio, por exemplo, a entoação dela estava horrível. Aliás, penso que esse é precisamente o maior ponto fraco dela enquanto atriz: a entoação, que por vezes soa algo forçada e pouco natural. A Aldeíde é um ícone, mds! Primeiro, rouba o papel da empresa, com medo de ser despedida. Depois, baba-se pelo Ivan. Lenda representativa! 2 Citar
Maya Postado 6 de abril 2025 Postado 6 de abril 2025 há 1 hora, Lee disse: Tenho a impressão de que o Marco Aurélio já tinha mencionado a morte do irmão da Heleninha numa conversa com o Renato. Estarei fazer confusão? Posto isto, terminei esta manhã a primeira semana de episódios. Inicialmente, não tencionava acompanhar este remake, mas as críticas muito positivas que fui lendo ao longo da semana e algumas cenas que fui espreitando despertaram o meu interesse. Ontem acabei por ver os cinco primeiros capítulos e hoje assisti ao episódio de ontem. Não há muito mais a acrescentar ao que já foi escrito por aqui. Estou a gostar bastante da novela. A Taís Araújo e a Paolla Oliveira têm estado exímias - para mim, são os grandes destaques até agora. Quanto à Bella Campos, ainda não me convenceu totalmente. Há cenas em que está muito bem, mas noutras fica aquém. Na cena do incêndio, por exemplo, a entoação dela estava horrível. Aliás, penso que esse é precisamente o maior ponto fraco dela enquanto atriz: a entoação, que por vezes soa algo forçada e pouco natural. A Aldeíde é um ícone, mds! Primeiro, rouba o papel da empresa, com medo de ser despedida. Depois, baba-se pelo Ivan. Lenda representativa! Ele já tinha comentado essa história com o Renato. Esse é um dos plots com os quais eu já estava familiarizada derivado a algumas cenas (cenões diga-se de passagem) da versão original que tive a oportunidade de ver há pouco tempo atrás. Ao escrever as palavras "perturbadora" e "inesperada" falava mais de uma perspetiva do público que está a acompanhar o remake sem nunca ter visto o original, que "believe it or not" são muitas mais pessoas que aquilo que se pensa, ou não estivesse a versão de 2025 a ser um sucesso estrondoso nas redes sociais junto aos jovens, um pouco à semelhança de 'Beleza Fatal'. Confesso que aquele "medo" inicial que tinha da Bella Campos e que tanto me inquietou por conta das promos se dissipou quase por completo desde a estreia da novela. Ela não está, nem de perto nem de longe, ao nível da interpretação memorável da Glória Pires na versão original, mas também não se está a sair nada mal e até tem dado boas contracenas à Taís e a outros atores bem mais talentosos, como a Alice Wegmann por exemplo. Os núcleos secundários da novela por sua vez ainda não me conquistaram Lee. Até tenho gostado de algumas cenas na "Tomorrow" e reconheço carisma em alguns personagens como a Leila, a Aldeide ou o Poliana. Mas a verdade é que estes pouco ou nada acrescentaram à novela nesta primeira semana, tirando o facto de (no caso dos irmãos) terem acolhido a Raquel na casa onde vivem. 1 1 Citar
R.M Postado 6 de abril 2025 Postado 6 de abril 2025 há 4 horas, Rui Melo disse: Uma coisa que nesta novela não esta tão presente é a crítica social que Gilberto Braga tanto imprimiu. E então vamos lá, embora o Brasil de 37 anos atrás pouco tenha mudado em relação a nossa época atual, ainda sim Vale Tudo original era um produto do seu tempo, de um Brasil que estava saindo da ditadura e redescobrindo a democracia e todas as suas crises que vieram naquele período. Ainda que o texto continue atual, a crítica social que na versão original era o carro chefe da trama, aqui não soaria muito contemporâneo, mas ele ainda está lá, porém em doses mais amenas. A proposito, conclui a primeira semana hoje pela manhã, e gostei muito desses seis capítulos iniciais, não tava dando nada por esse remake mas já me cativou, destaco aqui claro a magistral atuação da Taís Araújo que mostra que não deve nada a Regina Duarte da versão original, e vou destacar também o Alexandre Nero que deu o Marco Aurélio a mesma áurea prepotente que o Reginaldo Faria construiu em 1988. A Bella Campos até que tá bem, mas ainda precisa achar o tom certo, mas pelo que mostrou nessa primeira semana vai dar certo no decorrer da história. 2 Citar
Lee Postado 6 de abril 2025 Postado 6 de abril 2025 há 7 minutos, Maya disse: Ele já tinha comentado essa história com o Renato. Esse é um dos plots com os quais eu já estava familiarizada derivado a algumas cenas (cenões diga-se de passagem) da versão original que tive a oportunidade de ver há pouco tempo atrás. Ao escrever as palavras "perturbadora" e "inesperada" falava mais de uma perspetiva do público que está a acompanhar o remake sem nunca ter visto o original, que "believe it or not" são muitas mais pessoas que aquilo que se pensa, ou não estivesse a versão de 2025 a ser um sucesso estrondoso nas redes sociais junto aos jovens, um pouco à semelhança de 'Beleza Fatal'. Confesso que aquele "medo" inicial que tinha da Bella Campos e que tanto me inquietou por conta das promos se dissipou quase por completo desde a estreia da novela. Ela não está, nem de perto nem de longe, ao nível da interpretação memorável da Glória Pires na versão original, mas também não se está a sair nada mal e até tem dado boas contracenas à Taís e a outros atores bem mais talentosos, como a Alice Wegmann por exemplo. Os núcleos secundários da novela por sua vez ainda não me conquistaram Lee. Até tenho gostado de algumas cenas na "Tomorrow" e reconheço carisma em alguns personagens como a Leila, a Aldeide ou o Poliana. Mas a verdade é que estes pouco ou nada acrescentaram à novela nesta primeira semana, tirando o facto de (no caso dos irmãos) terem acolhido a Raquel na casa onde vivem. Verdade seja dita, os espectadores mais distraídos podem muito bem ter deixado passar ao lado a referência na conversa do Marco Aurélio e do Renato. Curiosamente - e um pouco como tu - também reparei, precisamente por ter bem presente o tal cenão a que te referes. Aliás, deixo-o em spoiler, porque merece. Sem dúvida, uma das cenas mais marcantes e bem construídas que já assisti. Spoiler "Fala desgraçada!" Arrepiante No que toca aos núcleos secundários, sim, concordo contigo mais uma vez. Ainda assim, parece-me que a Manuela Dias está, de forma intencional, a concentrar a narrativa nos núcleos principais, com o objetivo de fidelizar o público. Provavelmente, os núcleos secundários terão um maior desenvolvimento mais adiante. Curiosamente, em Portugal, aconteceu algo semelhante com A Promessa: nos primeiros episódios, os núcleos secundários mal apareciam; o episódio era centrado quase exclusivamente no núcleo principal. 1 1 Citar
Maya Postado 6 de abril 2025 Postado 6 de abril 2025 há 2 horas, Lee disse: Verdade seja dita, os espectadores mais distraídos podem muito bem ter deixado passar ao lado a referência na conversa do Marco Aurélio e do Renato. Curiosamente - e um pouco como tu - também reparei, precisamente por ter bem presente o tal cenão a que te referes. Aliás, deixo-o em spoiler, porque merece. Sem dúvida, uma das cenas mais marcantes e bem construídas que já assisti. Spoiler - mostrar conteúdo oculto "Fala desgraçada!" Arrepiante No que toca aos núcleos secundários, sim, concordo contigo mais uma vez. Ainda assim, parece-me que a Manuela Dias está, de forma intencional, a concentrar a narrativa nos núcleos principais, com o objetivo de fidelizar o público. Provavelmente, os núcleos secundários terão um maior desenvolvimento mais adiante. Curiosamente, em Portugal, aconteceu algo semelhante com A Promessa: nos primeiros episódios, os núcleos secundários mal apareciam; o episódio era centrado quase exclusivamente no núcleo principal. Era justamente a esse cenão que puseste em spoiler que me estava a referir. O texto, a realização, a escolha do instrumental (Adagio in G Minor de Albinoni) que fez toda a diferença no resultado final, e sobretudo a mestria das interpretações da Renata Sorrah e da Beatriz Segall. Os astros alinharam-se de forma triunfante na concepção desta verdadeira obra prima que dá pelo nome de 'Vale Tudo', que por sua vez viria a inspirar aquela que se tornaria mais tarde a grande jóia da coroa da ficção nacional, pelo menos para mim: 'Tempo de Viver'. E a avaliar pelo desempenho da Paolla até agora, que não tem devido nada à performance da Renata na versão original, algo me diz que vamos ter cenas quase (ou mesmo) tão sublimes quanto essa. 1 2 Citar
Rui Melo Postado 8 de abril 2025 Postado 8 de abril 2025 Episódio muito bem conseguido o de ontem. Embate entre Raquel e Fatima no ponto! Devo dizer que estou a gostar muito da Aldeide e da Consuelo nesta versão. Estão muito bem caracterizadas. E gosto de ver a Lucimar com um filho desta vez. Citar
AndreRob Postado 8 de abril 2025 Postado 8 de abril 2025 Sem dúvida que o Marco Aurélio é uma personagem altamente detestável como na primeira versão... aquilo é tudo o que um bolsominion representa... azedume, homofobia, machismo, etc... aquela boca sobre a morte do irmão da Heleninha mesmo para ela quebrar. 1 Citar
Rui Melo Postado 8 de abril 2025 Postado 8 de abril 2025 há 12 minutos, AndreRob disse: Sem dúvida que o Marco Aurélio é uma personagem altamente detestável como na primeira versão... aquilo é tudo o que um bolsominion representa... azedume, homofobia, machismo, etc... aquela boca sobre a morte do irmão da Heleninha mesmo para ela quebrar. Na original ele tinha um urinol na casa de banho dele. Tanto que as personagens perguntavam “quem e que tem um urinol em casa?” Precisamente para ilustrar esse machismo. Citar
Maciel Postado 9 de abril 2025 Postado 9 de abril 2025 Tenho visto cenas soltas nas redes sociais e a Taís está um arraso completo. Nem acho a Bela Campos muito mal. Citar
R.M Postado 9 de abril 2025 Postado 9 de abril 2025 há 10 minutos, Maciel disse: Nem acho a Bela Campos muito mal. A menina tá mandando bem até, o problema de boa parte do público é achar que a garota vá achar o mesmo tom da Glória Pires logo de cara. Nunca é demais lembrar, a Bella Campos começou um dia desses, é um desafio e tanto para ela, mas válido a escalação, enquanto a Glória Pires lá em 88 já tinha uma carreira consolidada. Citar
Lee Postado 9 de abril 2025 Postado 9 de abril 2025 Ar blasé de Maria de Fátima em Vale Tudo é genialidade ou limitação de Bella Campos? Desde que assumiu o papel de Maria de Fátima no remake de “Vale Tudo”, Bella Campos tem dividido opiniões — e não sem motivo. A atriz, revelada ao grande público em “Pantanal”, entrega uma performance segura, com presença, timing e uma postura que comunica muita coisa mesmo nos silêncios. A nova Fátima é egocêntrica, entojada e vive num eterno estado de superioridade blasé. Até aí, tudo impecável. O problema — ou talvez a questão — começa quando a personagem experimenta emoções distintas e a expressão continua basicamente a mesma. Se está triste, raivosa ou satisfeita, Maria de Fátima responde com o mesmo olhar de desdém. Isso levanta uma dúvida legítima: estamos diante de uma limitação de registro ou de uma escolha artística bem amarrada? A resposta talvez esteja no contexto. A nova Maria de Fátima parece moldada por uma geração que reage ao mundo com uma certa apatia estética. Jovens que performam o desinteresse como defesa e estilo de vida. Nesse cenário, a expressão constante de “saco cheio” não seria um erro, mas uma leitura atualizada de personalidade. E isso não seria nada simples de executar — manter uma postura blasé sem cair na monotonia exige controle e afinação. Por outro lado, “Vale Tudo” é uma novela sobre contrastes morais e transformações internas. Se Fátima permanecer o tempo todo dentro da mesma faixa emocional, por mais elegante que seja a construção, sua jornada corre o risco de não emocionar. É aí que entra a dúvida: Bella Campos vai conseguir dar à personagem outras camadas quando o roteiro pedir? Consegue mostrar, sem deixar de ser a Fátima que ela criou, quando a personagem de fato racha por dentro? Até agora, Bella demonstra técnica e personalidade. Sua Maria de Fátima não imita a versão clássica de Glória Pires — o que já é um mérito por si só. A expectativa agora é ver se, à medida que os conflitos aumentam, ela amplia o leque de emoções sem abrir mão da essência dessa nova Fátima. E talvez seja aí que a atriz nos conquiste de vez — ou nos deixe querendo mais. https://portalleodias.com/colunas/carla-bittencourt/opiniao-ar-blase-de-maria-de-fatima-em-vale-tudo-e-genialidade-ou-limitacao-de-bella-campos 1 Citar
Duarte com D Postado 9 de abril 2025 Postado 9 de abril 2025 há 1 hora, Lee disse: Ar blasé de Maria de Fátima em Vale Tudo é genialidade ou limitação de Bella Campos? Desde que assumiu o papel de Maria de Fátima no remake de “Vale Tudo”, Bella Campos tem dividido opiniões — e não sem motivo. A atriz, revelada ao grande público em “Pantanal”, entrega uma performance segura, com presença, timing e uma postura que comunica muita coisa mesmo nos silêncios. A nova Fátima é egocêntrica, entojada e vive num eterno estado de superioridade blasé. Até aí, tudo impecável. O problema — ou talvez a questão — começa quando a personagem experimenta emoções distintas e a expressão continua basicamente a mesma. Se está triste, raivosa ou satisfeita, Maria de Fátima responde com o mesmo olhar de desdém. Isso levanta uma dúvida legítima: estamos diante de uma limitação de registro ou de uma escolha artística bem amarrada? A resposta talvez esteja no contexto. A nova Maria de Fátima parece moldada por uma geração que reage ao mundo com uma certa apatia estética. Jovens que performam o desinteresse como defesa e estilo de vida. Nesse cenário, a expressão constante de “saco cheio” não seria um erro, mas uma leitura atualizada de personalidade. E isso não seria nada simples de executar — manter uma postura blasé sem cair na monotonia exige controle e afinação. Por outro lado, “Vale Tudo” é uma novela sobre contrastes morais e transformações internas. Se Fátima permanecer o tempo todo dentro da mesma faixa emocional, por mais elegante que seja a construção, sua jornada corre o risco de não emocionar. É aí que entra a dúvida: Bella Campos vai conseguir dar à personagem outras camadas quando o roteiro pedir? Consegue mostrar, sem deixar de ser a Fátima que ela criou, quando a personagem de fato racha por dentro? Até agora, Bella demonstra técnica e personalidade. Sua Maria de Fátima não imita a versão clássica de Glória Pires — o que já é um mérito por si só. A expectativa agora é ver se, à medida que os conflitos aumentam, ela amplia o leque de emoções sem abrir mão da essência dessa nova Fátima. E talvez seja aí que a atriz nos conquiste de vez — ou nos deixe querendo mais. https://portalleodias.com/colunas/carla-bittencourt/opiniao-ar-blase-de-maria-de-fatima-em-vale-tudo-e-genialidade-ou-limitacao-de-bella-campos O texto e a volta que dão para justificar a mediocridade da Bella Campos. Ela deve conhecer as pessoas certas, nos meios certos. 1 2 Citar
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