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O Clone [Globo Portugal]


Maya
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há 26 minutos, DanielNunes disse:

Hoje eu vejo que o Rapozão e Legeirinho são personagens sem sentido dentro da novela. Eles não tem função. Até os golpes ultimamente pararam. A Odete tem muita graça, mas do que Dona Jura. Hoje tenho uma outra visão de Dona Jura. Ela é carrancuda. Mas adoro quando tiram ela do sério. 

 

Não sabia e nem lembrava que Maysa chegava a este ponto de fazer vilanias e muitas vezes nem é com a Jade e sim da filha. Maysa parece que tem inveja e raiva de Mel, ou talvez, a inveja amorosa da filha. No fundo ela queria aquela história de amor entre Mel e Xandy. É uma mulher amarga e frustada por não ter conseguido o amor de Lucas. Pelo que li Said também será outro, que prejudicará a vida de Jade. 

No fundo nem do Lucas ela gostava, ela gostava mesmo era do Diogo. Mas nem do substituto dele ela consegue receber amor. É uma pessoa muito frustrada, mas eu gosto que nem é uma vilã assumida, é uma pessoa mais real como existem várias por aí. Uma personagem fantástica, mas que me irritava profundamente nessa fase.

há 13 minutos, Maya disse:

E a Jade, com a maior das elegâncias, ainda se riu na cara dela no final! :rofl:

Foi das cenas mais triunfais que já vi em toda a minha vida. A Maysa não é palho pra Jade! <3

Sim, eu não sei qual era a ideia dela mas saiu o tiro pela culatra!

_________________________________________________________________

@Maya, não abras este spoiler que ainda não chegaste a essa fase.

 

SPOILER

 

Spoiler

@DanielNunes Curiosamente, devo dizer que a partir daí começo a sentir empatia por ela. É impossível não ficar tocado com as cenas em que ela anda à pancada com a filha no casamento do Leônidas ou quando tem de a ir buscar ao morro porque ela não tinha como pagar a droga que consumiu. Acho que a vida acaba por redimí-la e ela percebe que não foi boa mãe. Apesar de tudo, ninguém merece passar por aquilo. A interpretação fantástica da atriz também ajudou muito.

 

Edited by Free Live
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11 hours ago, DanielNunes said:

Hoje eu vejo que o Rapozão e Legeirinho são personagens sem sentido dentro da novela. Eles não tem função. Até os golpes ultimamente pararam. A Odete tem muita graça, mas do que Dona Jura. Hoje tenho uma outra visão de Dona Jura. Ela é carrancuda. Mas adoro quando tiram ela do sério.

Não sabia e nem lembrava que Maysa chegava a este ponto de fazer vilanias e muitas vezes nem é com a Jade e sim da filha. Maysa parece que tem inveja e raiva de Mel, ou talvez, a inveja amorosa da filha. No fundo ela queria aquela história de amor entre Mel e Xandy. É uma mulher amarga e frustada por não ter conseguido o amor de Lucas. Pelo que li Said também será outro, que prejudicará a vida de Jade. 

Eu ao inicio estranhei um pouco a dona Jura, mas agora já consigo gostar dela e daquela maneira de ser muito peculiar - "popularuxa" seria o termo mais correto para a definir - dela. Ela enche bastante o nosso pequeno ecrã com a sua simples presença em cena.

No entanto, acho a Odete uma personagem muito mais carismática e genuína do que a dona Jura. Ela pode não ser a mais virtuosa das mulheres, mas pelo menos não é dissimulada nem deixa nada por dizer. A dona Jura também tem todas estas qualidades, mas a atriz que a interpreta - que desempenhou muito bem o seu papel atenção - ás vezes torna-se tão irritante! Faz transparecer um mau humor e uma impaciência constantes que a personagem não tem de ter!

Esses personagens da oficina são mesmo o "calcanhar de Aquiles" da novela. O núcleo do Tavinho, embora continue bem fraquinho, ultimamente até tem vivido algumas peripécias engraçadas, mas os outros dois são mesmo dois verbos de encher que não têm qualquer serventia na trama.

Edited by Maya
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há 5 minutos, Free Live disse:

No fundo nem do Lucas ela gostava, ela gostava mesmo era do Diogo. Mas nem do substituto dele ela consegue receber amor. É uma pessoa muito frustrada, mas eu gosto que nem é uma vilã assumida, é uma pessoa mais real como existem várias por aí. Uma personagem fantástica, mas que me irritava profundamente nessa fase.

Sim, eu não sei qual era a ideia dela mas saiu o tiro pela culatra!

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@Maya, não abras este spoiler que ainda não chegaste a essa fase.

 

SPOILER

 

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@DanielNunes Curiosamente, devo dizer que a partir daí começo a sentir empatia por ela. É impossível não ficar tocado com as cenas em que ela anda à pancada com a filha no casamento do Leônidas ou quando tem de a ir buscar ao morro porque ela não tinha como pagar a droga que consumiu. Acho que a vida acaba por redimí-la e ela percebe que não foi boa mãe. Apesar de tudo, ninguém merece passar por aquilo. A interpretação fantástica da atriz também ajudou muito.

 

Spoiler

A Maysa para mim se torna mais humana do que Said. Apesar que orgulho ferido de homem muçulmano o fez se vingar de Jade, a jogando para Zein. Já que ele prefere que ela fique com qualquer um do que Lucas. Voltando, se Maysa não fosse tão birrenta nada do que Mel passará haveria. Acho que o estopim da revolta de Mel, foi Maysa incriminar Xandy por roubo da joia que ela mesma infiltrou no carro de Miro, e neste momento, Mel de um jeito já discreto começa usar drogas. Não podemos negligenciar apenas Maysa, Lucas foi outro que não dará suporte a ela, por estar envolvido nos casos de Jade. Lucas como Maysa não foram bons pais para ela, e tendo tambem influência de Leônidas e Dalva, sufocaram tanto Mel que ela não teve a liberdade de si própria. No final de contas todos foram culpados e até a própria Mel por estes descasos de não observar as vidas individuais um no outro.

 

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11 hours ago, Free Live said:

No fundo nem do Lucas ela gostava, ela gostava mesmo era do Diogo. Mas nem do substituto dele ela consegue receber amor. É uma pessoa muito frustrada, mas eu gosto que nem é uma vilã assumida, é uma pessoa mais real como existem várias por aí. Uma personagem fantástica, mas que me irritava profundamente nessa fase.

Sim, eu não sei qual era a ideia dela mas saiu o tiro pela culatra!

Eu e o Daniel já tínhamos discutido esse assunto aqui. A Maysa, no fundo, nunca parou para enxergar o Lucas tal e qual como ele é. Ela ao fim ao cabo casou-se com o "reflexo no espelho" do Diogo e andou anos a fio a tentar encontra-lo no Lucas, em vão. A única coisa que o Diogo e o Lucas tinham em comum era basicamente o facto de serem irmãos gémeos.

É curioso constatar que o Léo, mesmo sendo um clone do Lucas, tem muitas semelhanças de personalidade tanto com este último como com o próprio Diogo. Aguardo com grande expectativa para ver as reacções tanto da Jade como da Maysa quando se der o encontro de ambas com o Léo!

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  • 1 month later...
1 hour ago, Luíza Albuquerque said:

A Jade e o Leo encontraram-se ontem. Cena maravilhosa.

Vinha falar sobre isso agora. Estava há pouco a fazer zapping e acabei por apanhar essa cena arrepiante de tão linda e mágica que foi! :giveheart:

Viste o episódio anterior? É quando o tio Ali se encontra com o Léo nas ruínas. Toda aquela sequência, que culminou com um diálogo brilhante entre o Ali e o Albieri, foi simplesmente magistral! <3

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há 1 hora, Maya disse:

Vinha falar sobre isso agora. Estava há pouco a fazer zapping e acabei por apanhar essa cena arrepiante de tão linda e mágica que foi! :giveheart:

Viste o episódio anterior? É quando o tio Ali se encontra com o Léo nas ruínas. Toda aquela sequência, que culminou com um diálogo brilhante entre o Ali e o Albieri, foi simplesmente magistral! <3

Sim, vi tudo <3

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3 hours ago, Elizabeth said:

Acho que Esta Semana vai ser uma semana de descobertas em O Clone porque ontem a Yvete e o Leo já chegaram ao Brasil, e a Yvete já foi ontem a empresa do Leonidas discutir com ele, acho que esta semana vai ferver 

 

Ainda não aconteceu?! O encontro do Leónidas com o Léo acontece passados pouquíssimos episódios do encontro deste último com a Jade. Se não aconteceu no decorrer desta última semana, vai acontecer na próxima de certeza absoluta. <3

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  • 4 weeks later...
  • 3 weeks later...
  • 1 month later...

Vou publicar aqui a análise final que escrevi sobre a novela no tópico da mesma quando a terminei há já mais de dois meses, com algumas coisinhas editadas claro. Para quem se quiser "dar ao trabalho" de ler, aqui vai:

 

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Acabou. Encerrei esta semana um dos capítulos mais bonitos da minha vida enquanto apreciadora e consumidora de novelas! Cheguei ao fim desta que foi sem dúvida uma das “viagens” mais mágicas e alucinantes que experienciei até agora. ‘O Clone’ foi irrefutavelmente a novela mais intensa, complexa e bem escrita que eu já vi em toda a minha vida. É difícil transpor por palavras tudo aquilo que fui sentindo à medida que fui acompanhando o desenrolar desta verdadeira obra prima. Tudo o que vos posso dizer é que, mesmo tendo acompanhado a novela por um período de tempo relativamente alargado, não consigo esconder ou negar o enorme vazio que estou a sentir neste momento por não poder mais continuar a "viver" com estas "pessoas", de não poder observar os seus respectivos quotidianos, ou de me compadecer com os seus dramas e as suas questões. A envolvência e o domínio com que esta história e (quase) todos estes personagens me conquistaram e passaram a exercer sobre mim ao longo destes últimos meses atingiram uma dimensão tal, que eu própria ainda hoje não as consigo assimilar a 100%. O carinho que sinto por esta novela é tão forte e tão singular, que posso afirmar-vos com toda a convicção do mundo que é incomparável a tudo aquilo que senti (e sinto) por todas as outras que já tive a oportunidade de ver ao longo desta minha "mera existência".

'O Clone' foi um projeto extremamente ambicioso, cujo incrível trabalho de equipa resultou num dos conjuntos de obra mais extraordinários já alguma vez vistos em televisão. Escrita, realização, elenco, banda sonora, direcção de arte, guarda-roupa, maquilhagem... tudo e todos nesta novela conseguiram brilhar em uníssono! 

Começo desde já por parabenizar esta mulher incrível e extremamente inspiradora:

 

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A magnífica Glória Perez! Que trabalho de pesquisa espantoso este que ela conseguiu desenvolver enquanto construía os núcleos de 'O Clone'. Ela sempre foi uma autora exímia, mas neste projeto em concreto creio que seja praticamente unânime entre a crítica especializada brasileira (e não só) que ela estava particularmente inspirada. A autora merece de facto toda a aclamação do mundo, já que foi capaz de criar uma história surpreendente, ousada e particularmente inovadora, que navegava em narrativas tão complexas tais como o embate visceral entre a religião e a ciência, ou o retrato da modalidade do vício bioquímico do ponto de vista da psicanálise, todos eles inseridos num enredo assumidamente folhetinesco, que teve como pano de fundo uma história de amor que perdurou no tempo e continua até hoje presente no imaginário dos fãs da novela. Acho mesmo que 'O Clone' é a novela mais próxima que existe da perfeição, tendo conseguido atingi-la em vários momentos no decorrer da história, não só do ponto de vista do processo criativo, mas também na forma inventiva e verossímil com que a Glória Perez conseguiu criar esta co-existência brilhante entre ambos os pontos fulcrais da história - cultura muçulmana e clonagem humana - na sua própria narrativa. Mais uma vez tiro o meu chapéu à autora, que com uma gestão contundente e devidamente cuidadosa, conseguiu evitar que a sua obra se transformasse num campo de batalha ideológico entre "Médio Oriente vs Ocidente". Este paradoxo dramatúrgico entre a cultura muçulmana, completamente submissa à figura de Deus, e a clonagem humana, proveniente da visão secular de que "Deus é uma invenção do homem" e que pode ser substituído de alguma forma pela ciência e pela medicina, resultou numa inserção extremamente primorosa e pedagógica da doutrina religiosa e do discurso científico dentro do universo da novela. Foi assim que a Gloria conseguiu transformar toda esta discussão, tão intrigante e fascinante ao mesmo tempo. numa novela. O resultado final não podia ter sido mais positivo!

A representatividade da cultura e dos costumes muçulmanos na história foi muito bem conseguida. Cheguei a ler em várias plataformas que 'O Clone' estreou no Brasil poucas semanas depois do atentado às "Torres Gémeas",  uma coincidência um pouco "macabra" que, segundo li, acabou por condicionar um bocadinho a liberdade criativa da autora, mas que acabou por funcionar como uma espécie de instrumento didático para que o público entendesse o quão injusto era responsabilizar toda uma classe pelos erros de grupos terroristas muito específicos,  num momento muito particular em que a religião islâmica era sistematicamente estigmatizada por tudo e por todos. A novela ofereceu representações muito positivas - e ocultou de uma forma, diria eu, algo "propositada" muitos dos aspectos negativos referentes a esta cultura - e concretizou uma leitura mais humanizada do povo muçulmano da que estamos habituados a ver noutras produções e na própria comunicação social, de uma forma generalizada.  A novela tinha cenas tão simples, e ao mesmo tempo tão sublimes relacionadas com esta temática. Desde mostrarem os muçulmanos a fazerem as suas orações nas ruas da cidade de Fez, aos temas apaixonadamente discutidos pelos personagens inseridos nos núcleos em questão. Tudo feito com um primor incrível, e uma atenção espantosa ao mais ínfimo detalhe.

Em contrapartida, a questão da "clonagem humana" deve ter sido a mais controversa que eu já vi retratada numa novela. Pesquisei imenso sobre este assunto e descobri que a discussão em torno do mesmo estava a ter uma repercussão sem precedentes nesta altura - e mesmo antes da novela ter estreado - em tudo o que eram meios de comunicação social derivado à clonagem da ovelha Dolly, ocorrida em 1997 (se não estou em erro). O mais curioso no meio disto tudo foi quando, numa altura em que a novela já caminhava a passos largos para a sua recta final, apareceu o tal médico italiano - Severino Antinori - a afirmar que tinha feito os tais "três clones humanos". Este feito acabou naturalmente por ser referenciado na novela. Ou seja, ao fim ao cabo a Glória Perez acabou por ser uma espécie de "visionária" em todo este processo, na medida em que conseguiu "antecipar-se" de certa forma ao médico italiano ao retratar este procedimento, até então tido por muitos como sendo pura "ficção científica", muito antes dele ter anunciado ao mundo que fora bem sucedido nas suas experiências. Realmente conseguir criar um enredo com este dinamismo, que envolvia muçulmanos e clonagem, e ainda conseguir suscitar o interesse do público pelo mesmo, não é para qualquer um. Mais "um milhao de aplausos" para a extraordinária Glória Perez!

O recurso utilizado pela autora - que segundo li, até então era pouco (ou nada) recorrente - de por os personagens a narrarem os seus próprios pensamentos foi um dos aspectos mais interessantes desta novela, já que através deste método conseguíamos estabelecer um contacto mais intímo e profundo com todos eles, que ia muito além da tradicional "superficialidade" patente na maior parte das novelas. Poder penetrar aquelas almas e/ou antever quais poderiam vir a ser os seus próximos passos foi sem dúvida das melhores coisas que esta novela proporcionou ao seu público.
E que mais se pode dizer relativamente aquele texto maravilhoso?! Era um deleite acompanhar aqueles belíssimos diálogos inseridos no universo islâmico, com uma linguagem poética e instrutiva que conseguiam arrepiar a espinha dorsal a qualquer um!

Outro aspecto que considerei extremamente interessante nesta novela foi o "testar" constante (psicologicamente falando) aos nossos limites enquanto espectadores. A capacidade com que a autora conseguia surpreender o público à medida que ia desenvolvendo a sua própria história também foi digna de registo. Eu pelo menos falo por mim, já que nunca senti em momento algum que a novela se tivesse tornado "previsível". A Glória pode ter enrolado um bocadinho em algumas partes, e embora também seja obrigada a reconhecer que a novela perdeu uma fatia relativamente considerável daquele encanto e autenticidade que estavam tão patentes na primeira fase da mesma, também não posso deixar de louvar a autora por nunca se ter perdido na sua própria lógica. Ela sabia muito bem a onde é que queria, e como é queria lá chegar. Já para não falar que o “lento”, que de vez em quando se verificava nesta novela, conseguia por vezes tornar-se tão aprazível! Permitia-nos saborear melhor a história e criar com estes personagens uma relação muito mais dinâmica e pessoal, sem aquela azáfama constante que hoje em dia impera na maior parte das novelas.

 

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O trio de protagonistas masculinos da novela - Diogo, Lucas e Léo - proporcionou-nos uma das histórias mais fascinantes e revolucionárias da história da teledramaturgia brasileira, cuja gestão minuciosa e surpreendente da autora rendeu à trama algumas das cenas mais extraordinárias e complexas de que há memória. Deixo aqui a minha singela ovação ao Murilo Benício, pelo trabalho magistral que ele desenvolveu aqui. Não é qualquer ator que consegue construir três personagens completamente distintos, destacando desde o principio diferenças entre eles que se foram mantendo extraordinariamente perceptíveis ao longo dos seus respectivos trajetos enquanto seres únicos e individuais na história. Gostei muito dos três, mas o Léo foi sem sombra de dúvida o meu favorito, muito derivado a toda a discussão brilhantemente desenvolvida em que ele estava inserido. Eu ficava fascinada ao constatar que, mesmo ele sendo um clone do Lucas, conseguia assemelhar-se muito mais ao Diogo em termos de personalidade, embora pussuísse características intrinsecas de ambos os gémeos, que eram o oposto um do outro. O Diogo por sua vez era, na minha perspectiva, um personagem muito mais interessante do que o Lucas! Acho que a autora errou um bocadinho no gémeo que optou por "matar", visto que o Diogo era muito mais dinâmico e dava uma vivaçidade incrível à trama! Já o Lucas, enquanto personagem, era extremamente frio e apático. Não me transmitia qualquer tipo de emoção em cenas que não envolvessem um número consideravelmente restrito de personagens.

Ainda assim aplaudo esta capacidade da Glória de ter conseguido, de certa forma, manter o Diogo vivo no prosseguimento da história, não só no colectivo de memórias afetivas de algumas personagens, mas sobretudo através do Léo, que possuindo algumas características semelhantes às dele, acabava por ser o reflexo mais fiel e autêntico da sua própria existência.

 

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Amei tanto a Jade! Ela é inequivocamente uma das melhores protagonistas femininas de sempre da ficção brasileira, isto se não for a melhor! Uma personagem tão carismática e rica em termos narrativos! O que mais me fascinava nela era o facto de não ser uma "mocinha" propriamente linear. Mesmo sendo dotada de um espírito de sacrifício notável e ter uma aura genuinamente boa, ela também possuía algumas características dúbias que, por norma, vemos sempre mais associadas às vilãs na maior parte das novelas, que se sobressaíam em vários momentos da novela, sobretudo quando a víamos desafiar as tradições do seu povo ou a proceder única e exclusivamente de acordo com os seus próprios interesses. Nestas situações em concreto ela conseguia ser engenhosa, manipuladora, cínica, chegando mesmo a agir com algum egoísmo e até com uma certa perversidade em ocasiões muito específicas. Ela conseguiu deixar-me absolutamente boquiaberta com algumas atitudes que foi tendo ao longo da novela. O momento em que ela se encontra com o Lucas numa praia qualquer do Rio de Janeiro, que culminou com aquela cena idílica e repleta de poesia no quarto de hotel, foi para mim o mais surpreendente de todos! Não é de todo o tipo de conduta que se espera de uma mulher muçulmana, casada e mãe de uma filha pequena, e que por todas estas razões devia (ou era suposto) ser mais submissa aos ensinamentos do Islão e ter um sentido de família tão ou mais apurado que ao da esmagadora maioria dos comuns mortais, o que não se verificou em cenas como esta, de todo!

Ela também transbordava um dinamismo incrível, na medida em que conseguia movimentar a sua própria história sem que para isso fosse necessário haver uma vilã a andar atrás dela durante toda a novela. Neste caso em concreto, a grande antagonista da Jade foi a vida, cuja implacabilidade e imprevisibilidade acabaram por se sobrepor aos seus desejos mais ardentes e profundos, e a todas as metas que foi definindo para si ao longo desta jornada. É precisamente o facto dela ter todos estes traços de personalidade, tão inerentes à condição humana, que a torna tão única e fascinante enquanto personagem e ser individual.

Faço uma vénia à maravilhosa Giovanna Antonelli! Aplaudo-a de pé pela mestria com que conseguiu dominar esta personagem, tão rica mas ao mesmo tempo tão complexa. Cheguei a ler algures num site qualquer que ela tinha sido a última escolha da Glória e do Jayme Monjardim para protagonizar 'O Clone', papel que acabou por conseguir graças ao seu brilhante desempenho na saudosa ‘Laços de Família”. Acredito que a autora e o realizador tenham ficado embevecidos com o belíssimo trabalho desenvolvido por ela enquanto construía a sua Jade.  O resultado final está a vista de todos.

 

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O Albieri foi talvez o personagem do sexo masculino mais complexo e cheio de nuances da história da ficção brasileira! Ele foi, ao fim ao cabo, um "vilão  sem querer" dentro da narrativa da novela, embora também se possa dizer que ele tenha sido vítima da tal "cilada da vaidade" que tanto o assustava. Uma personagem cuja irracionalidade e personalidade megalómana contrastavam basicamente em tudo com o ofício para o qual vivia. Um cientista exímio e admirado por muitos, mas ao mesmo tempo um homem muito amargurado e de mal com a vida, que vivia num verdadeiro frenesim de sentimentos internos, e que nunca se conformou com a ideia de que "a morte é a única certeza que temos na vida". Ao analisar o comportamento do Albieri ao longo da novela, e tendo já lido inúmeros artigos relacionados com este assunto, a impressão com que fiquei é que ele sofria da síndrome de "tanatofobia", que significa medo e aversão (ou negação) patológico/a à morte. Infelizmente isto nunca chegou a ser referido na novela, e tenho imensa pena que a Glória Perez não tenha explorado melhor esta questão, porque tornava-se evidente em todas as intervenções do Albieri relacionadas com a temática da clonagem - e nas suas próprias reflexões - que ele padecia desse transtorno. Um homem deveras estranho, mas ao mesmo tempo tão fascinante!

O embate entre a "ciência e a religião" ganhava forma nas conversas do Albieri com o Ali, em que a discussão sobre a temática da "clonagem humana" personificada pelo Albieri tinha o contraponto da visão ortodoxa aqui representada pelo Ali. Toda a discussão em torno destes dois temas tão antagónicos rendeu algumas das cenas mais extraordinárias da novela. Eu adorava sempre que eles discutiam apaixonadamente sobre todos estes temas relacionados com os contrastes sócio-culturais entre o ocidente e o médio oriente. De um lado tínhamos um homem com uma visão completamente secular do mundo que o rodeia, e um cientista completamente fascinado pela ideia de recriar um ser humano geneticamente idêntico ao afilhado que morreu. Do outro tínhamos um homem conservador ao extremo, assumidamente fiel ás tradições e aos ensinamentos do Alcorão.

A última cena do Albieri com o Léo, na qual "criador" e "criação" caminhavam no deserto lado a lado e rumo ao desconhecido, foi das mais bonitas e simbólicas de toda a novela e um dos momentos mais inesquecíveis que a teledramaturgia brasileira já nos proporcionou.

 

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Não podia escrever uma análise final sobre 'O Clone' sem prestar aqui a minha singela homenagem ao maravilhoso tio Ali! Ele passou por uma das evoluções psicológicas mais bonitas dentro do universo desta novela, e de longe a mais positiva de todas elas! Um homem que ao inicio nos foi apresentado como um muçulmano apegado ao extremo aos ensinamentos do Alcorão, e um patriarca super autoritário que comandava com mãos de ferro os destinos das sobrinhas e das restantes mulheres da sua família. O Ali queria, no fundo, endurecer o coração da Jade. Queria à força toda que a sobrinha se reconciliasse com as tradições árabes e que esta perdesse aquela visão do "amor à primeira vista" muito romantizada pelas mulheres ocidentais, mas que não se coadunava de todo com o olhar do Islão relativamente a este sentimento tão forte e visceral. Ele quis que a sobrinha se torna-se na típica esposa obediente e submissa aos mandos e desmandos do marido desta última, porém, e sem desmerecer o processo evolutivo da Jade enquanto personagem, foi o Ali que acabou por sofrer a transformação mais interessante no decorrer de todo este processo. Aquele homem rígido, muito conservador e fiel às suas próprias convicções do inicio contrastava bastante com o homem sensível, tolerante e compreensivo em que ele se transformou à medida que a história se ia desenvolvendo. A determinada altura até já se tinha tornado comum ver algumas discussões pontuais entre ele e o tio Abdul derivado à mentalidade ultra-retrógrada deste último! O Ali, que tanto lutou para que a Jade se transformasse numa versão completamente diferente de si própria em nome dos costumes, acabou por aprender a amar e a aceitar a sobrinha tal e qual como ela era, tendo conseguido adquirir a paciência e humildade necessárias que lhe permitiram ver muito além daquele "poço de imperfeições" que tantas dores de cabeça lhe foi dando no decorrer da trama.

O casamento dele com a Zoraide, e a subsequente cena da lua-de-mel entre ambos os personagens, renderam alguns dos momentos mais ternurentos desta recta final!

Também amei a ideia da autora de colocar o Ali a narrar todos os desfechos dos personagens da novela no último episódio. Quem melhor do que ele, com toda aquela sabedoria e eloquência que lhe eram tão características, para o fazer?!

 

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A Deusa também foi uma das minhas personagens favoritas. Ela, como já aqui foi dito e bem, foi sem sombra de dúvida a personagem mais prejudicada pelos feitos e desfeitos do Albieri. O maior sonho da vida desta pobre rapariga era ser mãe, e quando finalmente pensa que pode estar prestes a concretizá-lo, aparece-lhe "um Albieri" pelo caminho que transforma o realizar desse sonho num verdadeiro pesadelo "sem fim". A relação da Deusa com o Léo foi particularmente complexa. As cenas em que ele rejeitava peremptoriamente a mãe quando era pequenino eram mesmo desconcertantes! O tempo felizmente acabou por se revelar o principal aliado da Deusa, e foi tão gratificante ver como ela acabou por conseguir ser bem sucedida nesta missão de construir com o Léo uma relação entre "mãe e filho" tão genuína e bem enraizada! Claro que tudo isto só se tornou possível graças ao facto dela o ter conseguido criar longe de toda aquela influência devastadora que o Albieri vinha a exercer sobre ele.

Fiquei tão feliz pela Deusa quando a advogada conseguiu fazer com que o seu apelido continuasse a constar no bilhete de identidade do Léo! Acho que nunca me vou esquecer daquela última cena dela na novela, cuja narração enigmática do tio Ali resumiu sublimemente aquela que foi a sua trajetória na história: "O destino da Deusa é esperar pelo filho. Esperou por ele antes dele nascer, e continua à espera dele mesmo depois de nascido...".   Não teria dito melhor!

 

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As "minhas" adoradas Dalva e Zoraide!

Duas mulheres tão sábias, mesmo não sendo propriamente cultivadas em termos académicos, e tão enérgicas dentro das suas respectivas esferas monótonas. A Zoraide amava a Jade e a Lattifa como se fossem suas filhas. O mesmo se verificava com a Dalva, que foi uma verdadeira mãe para o Diogo, para o Lucas e para a Mel. Incrível como elas tinham sempre uma palavra amiga, e estavam sempre lá para reconfortarem os seus meninos nos momentos mais complicados. Com tais gestos, elas conseguiam transmitir uma sensação de segurança incrível, não só aos seus respectivos "filhotes do coração", mas também a nós "público", que de tanto que torcíamos pela felicidade deles, acabávamos também nós por absorver toda aquela serenidade e tranquilidade que tanto a Zoraide como a Dalva irradiavam.

Destaco as cenas da borra do café, nas quais a Zoraide exercia os seus dotes de clarividência, como as minhas favoritas desta personagem. Cenas tão mágicas,  sempre com um texto muito bem aprimorado!

 

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A Maysa foi inequivocamente uma das personagens mais interessantes do universo desta novela. Uma mulher extremamente fútil, mesquinha e supérflua, "dotada" de um complexo de superioridade absolutamente intragável, e que conseguia irritar um morto cada vez que se punha com todos aqueles ataques provenientes de um egocentrismo para lá de intrínseco! Apesar de tudo, e mesmo tendo sido um poço de defeitos durante praticamente toda a novela, nunca a considerei propriamente uma vilã no sentido figurativo, mas sim a personificação perfeita de uma personagem excepcionalmente humana. Destaco as cenas dela com a Mel como as mais impactantes da novela no campo emocional. Por muito mesquinha que a Maysa tenha sido ao longo da história, nenhuma mãe merece passar por tudo aquilo que ela passou. No fundo, a Maysa acabou por funcionar na narrativa da novela como uma espécie de "algoz" da própria filha, já que andava sistematicamente a criticá-la por tudo e por nada, ou a pressioná-la para que ela fosse mais "feminina", "elegante" e "sofisticada" como ela. exatamente o oposto daquela que era a verdadeira essência da Mel. A Maysa criou a filha à sua imagem e semelhança, mas o resultado final não podia ter sido mais indesejável!

Outro aspecto do qual chegámos a falar aqui mas que nunca é demais lembrar foi o facto da Maysa nunca ter amado verdadeiramente o Lucas. O que a fez ficar encantada por ele foi precisamente o facto deste último ter o mesmo semblante do Diogo, o homem por quem ela se tinha apaixonado primeiramente. Ela ficou desolada com a morte do namorado e encontrou na imagem do Lucas uma espécie de "prémio de consolação" como se diz no Brasil, ou uma forma de "fingir" ou "fazer de conta" que ele ainda continuava vivo. Uma mal amada, que não se conseguia harmonizar nem com a filha nem consigo própria, porque não conseguia lidar com a culpa e a frustração que sentiu dentro de si ao longo de todos aqueles anos por ter falhado redondamente nessa busca incessante pelas características do Diogo na pessoa do Lucas. Deu-se mal, claro, mas procurou negá-lo durante anos a fio, preferindo viver naquele casamento infrutífero que a empurrou para um conflito interior constante que a fez perder um pouco da noção da realidade. Quando deu por ela, viu-se envolvida num "molho de brócolos" sem precedentes.

A palavra "frustração" ganha forma humana na figura da Maysa. Nada mais tenho a dizer relativamente a esta personagem que, muito sinceramente, marcou-me mais pela negativa do que pela positiva.

 

 

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"Pobre coração o dos apaixonados
Que cruzam o deserto
Em busca de um oásis em flor
..."

O meu coração bate a uma velocidade desproporcional sempre que ouço esta canção! A Jade e o Lucas viveram uma história de amor tão ou mais tumultuada do que as areias do deserto que tantas vezes serviram como pano de fundo deste que foi indubitavelmente um dos melhores pares românticos de sempre da ficção da Globo. Foram muitos os momentos protagonizados por ambos que me marcaram, mas destaco as cenas nas ruínas, que imprimiam ao enredo da novela aquele toque "shakespeariano" que tanto aprecio numa boa história, e que tanta falta faz às novelas nos tempos que correm! Os tais conflitos culturais e religiosos estavam sobretudo patentes na história deste casal, já que ela era muçulmana e ele ocidental. Escusado será dizer que fiquei felicíssima com o final que lhes foi destinado pela autora, embora tenha achado que toda aquela sequência de ambos nas ruínas no último episódio tenha sido feita um bocadinho "à pressa". Já a última cena deles no deserto foi simplesmente magnífica! Tal como a Zoraide o tinha previsto há muitos anos: "O passado e o futuro cruzaram-se à frente da Jade na figura de um homem, como um encontro entre dois rios, e ai ela pode finalmente escolher se queria seguir em frente, ou voltar para trás". A Jade preferiu seguir em frente, ao escolher ficar com o "seu" Lucas, aquele por quem se apaixonou e continuou a amar toda uma vida. Ela preferiu agir de acordo com aquilo que o seu coração determinava ao invés de manter-se fiel ás tradições impostas pela religião muçulmana. Maktub! Já estava escrito que ia ser assim.

Devo confessar que, do inicio da recta final da novela até ao último episódio, fui ficando cada vez mais balançada com este triângulo amoroso "Lucas-Jade-Léo", já que tanto o "clone" como o "clonado" se mostraram, cada um à sua maneira, merecedores de terminarem a novela ao lado da nossa heroína. Secalhar o Léo merecia mais ficar com a Jade do que o Lucas, já que ao contrário deste último, nunca a fez sofrer com promessas e mais promessas que depois nunca conseguia cumprir. Mas o amor é um sentimento tão estranho, talvez por ser tão único e inexplicável! O amor, para o bem e para o mal, acaba sempre por vencer no final.

 

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Adorei o final da Yvete com o seu "Leãozinho"! A evolução da Yvete ao longo da novela também foi um processo muito interessante de acompanhar. Para vos dizer a verdade nem acho que tenha havido uma "evolução" propriamente dita. Ela cometeu aquele erro para lá de insensato no primeiro episódio, quando se envolveu com o Diogo, e confesso que desde então ganhei-lhe uma raiva tão grande que até já achava que ela fosse ser uma das grandes vilãs da novela, derivado a todos os problemas que aquele "episódio infeliz" estavam a causar na relação do Leónidas com o filho, que culminou com o acidente fatídico que ceifou a vida a este último. Bastaram-me apenas uns 10 ou 15 episódios de novela para me aperceber de que a Yvete era na verdade uma verdadeira força da natureza! Uma mulher extraordinária, super carismática, doce, sempre muito preocupada com o bem-estar dos amigos, que eram afinal de contas a sua verdadeira família... e o mais importante de tudo: A Yvete era genuinamente apaixonada pelo "seu" Leónidas! A relação de afeição e confidencialidade que ela foi construindo com o Lucas ao longo dos anos foi das coisas mais lindas que esta novela me proporcionou. Ela tornou-se um bocadinho "mãe" dele, tendo inclusive compactuado muitas vezes com os inúmeros "planos de fuga" que ele e a Jade foram engendrando ao longo da novela.

A Yvete, a  Odete, a Nazira e mesmo a dona Jura foram os principais "balões de oxigénio" da novela. Se não fossem elas, tornar-se-ia impossível conseguir respirar, nem que fosse só um bocadinho, no meio de tanto drama e de tantas tragédias que iam acontecendo nos outros núcleos. A Odete foi sem dúvida a minha personagem cómica favorita da novela. Uma personagem genuinamente engraçada, que bastava abrir a boca e proferir o seu "cada mergulho é um flash" para me sentir logo como nova. E no final ela e a filha conseguiram mesmo extorquir a pensão de alimentos ao pobre do Tavinho!

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O casal Lattifa e Mohammed também protagonizou momentos muito delicados na história. Adorei a Lattifa! Uma mulher tão determinada e convicta daquilo que queria para si e para os seus, e uma esposa e mãe extremamente dedicada e zeloza! O plot da Samira foi igualmente interessante de acompanhar, e muito bem desenvolvido pela autora como não podia deixar de ser. A Samira nunca se identificou muito com os ensinamentos do Alcorão, mas foi a partir do momento em que os pais lhe orquestraram aquele "casamento arranjado" com um miúdo que nem sequer conhecia que ela começou a entrar mais em conflito com os valores culturais estipulados pelo Islão. As conversas da Samira com a Latiffa eram particularmente aflitivas, porque a mãe começou a ver na filha a mesma impetuosidade e "desprezo" pelas normas que via na Jade, e percebeu desde logo que ela estava disposta a enfrentar o pai se preciso fosse para poder ser dona e senhora do seu próprio destino, o que acabou inevitavelmente por acontecer. Gostei muito da Samira! A dada altura da novela até já dava por mim a torcer mais por ela e pelo Zé Roberto do que pelo próprio casal protagonista, apesar deles ainda serem tão novinhos! Gostei muito do final destes dois, embora tenha achado desnecessário que ele tivesse que se converter ao islamismo para poder namorar com ela, mas pronto. 

 

Claro que não podia deixar de falar da banda sonora absolutamente incrível composta propositadamente para esta novela. O trabalho que o Marcus Viana desenvolveu neste projeto é um verdadeiro feito artístico!  Uma obra de arte intocável! Acho lamentável que a Globo nunca mais o tenha chamado para compor para às suas produções! Esta BS só por si dava logo uma atmosfera incrível à novela!

A dança do ventre e a música árabe também foram dois fatores determinantes que contribuíram para o enriquecer do enredo da novela'. As cenas das festas nos núcleos muçulmanos eram mesmo muito bonitas!

O Jayme Monjardim também merece todos os aplausos possíveis e imagináveis pelo trabalho magistral que desenvolveu enquanto realizador da novela! Não deve ter sido nada fácil assumir a direcção de um projeto tão exigente como este. No entanto ele conseguiu dirigir esta novela com "mãos de ferro" e ainda conseguiu proporcionar-nos paisagens únicas, verdadeiramente magníficas de tão idílicas que eram. As gravações em Marrocos foram uma autêntica "pedrada no charco" e renderam algumas das cenas mais extraordinárias e apoteóticas da novela. Muito bem realizadas mesmo!

Resolvi deixar para último aquele que considero ter sido o trajeto mais surpreendente, envolvente e dilacerante de uma personagem alguma vez visto em formato novela:

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O percurso da Mel na novela foi de uma intensidade sem precedentes! Por vezes chegava mesmo a ser insuportável ver alguns dos momentos mais impactantes em que ela se viu envolvida! Sofri horrores enquanto espectadora à medida que ia acompanhando todo este processo de auto-destruição e de sofrimento da personagem, que foi sem dúvida das que mais me comoveu e que manteve acesa dentro de mim aquela ânsia de querer saber o que ia acontecer a seguir.

A leitura que faço de todo este caminho que conduziu a Mel ao mundo da droga prende-se com o facto dela sempre ter sido uma menina muito insegura e extremamente carente em termos emocionais. A começar pelo próprio facto dela ter crescido com aquele peso terrível que lhe foi colocado nos ombros quando ainda nem sequer era nascida: O casamento de fachada dos pais. O Lucas, na "qualidade" de pai,  falhou redondamente com a filha no decorrer da história, penalizando-a gravemente com a sua ausência e falta de carinho. Ele sempre se esteve a marimbar para os sentimentos dela e nunca se empenhou verdadeiramente em criar uma relação de "pai e filha" com a Mel. É curioso que ele tenha optado por continuar casado com a Maysa com o intuito de proporcionar à Mel uma base familiar "tradicional" e sólida, quando na verdade acabou foi por expor a filha a um sem número de situações traumáticas provenientes dessa quase total ausência de comunicação e de complacência entre as duas pessoas que supostamente deviam ter sido as mais empenhadas na missão de proporcionarem à filha o tal bem estar de que ela sempre necessitou, mas que basicamente nunca teve à medida que foi crescendo. A Maysa pode até ter sido mais presente que o Lucas na vida da Mel, mas isso não faz dela menos responsável do que ele relativamente a todas as tragédias que se foram sucedendo nesta família derivado ao envolvimento da filha com a droga.  Já acompanhei alguns documentários e séries dedicados à questão da toxicodependência, mas nunca me tinha acontecido envolver-me com o drama de uma personagem inserida em tal contexto desta forma tão sincera e tão profunda como me aconteceu com a Mel. Já para não falar do facto deste ter sido de longe o retrato mais real e contundente da toxicodependência que eu já vi em toda à minha vida! Foi tão dilacerante acompanhar a luta travada pela Mel contra este maldito vício. E que inspirador que foi constatar como ela, mesmo sendo emocionalmente frágil e insegura, tentou em inúmeras ocasiões lutar com todas as forças que tinha e que não tinha para se livrar desta dependência. Foi tudo em vão, infelizmente.
A Glória Perez conseguiu tocar numa ferida muito profunda, que ainda hoje predomina na sociedade brasileira (e não só) quando decidiu mergulhar neste tema tão delicado e que muitos ainda insistem em desvalorizar ou ignorar por medo, por culpa, ou por terem vergonha daquilo que os outros possam dizer ou pensar. A genialidade com que a autora inseriu este tema na sua obra, com direito a testemunhos reais de pessoas que passaram por este suplício ou que tiveram parentes toxicodependentes, foi sem dúvida das coisas mais arrepiantes e perturbadoras que eu já vi em toda a minha vida! Aliás a última cena da Mel - para mim a mais marcante do último episódio e que me deixou a chorar compulsivamente - foi precisamente enquanto dava o seu testemunho numa daquelas reuniões no centro de apoio a pessoas toxicodependentes, num crossover esplêndido entre a ficção e a realidade!                         

A Glória retratou a dura realidade destas pessoas com uma sensibilidade e trabalho de pesquisa espantosos. Os toxicodependentes por norma tendem sempre a ser ultra estereotipados e demonizados por grande parte da comunicação social. Também achei particularmente interessante que a autora tenha enfatizando este paralelismo entre a toxicodependência - ou qualquer outro tipo de dependência - e a depressão. Ao longo destes últimos meses tenho lido alguns dados científicos relacionados com esta temática e encontrei um artigo muito interessante, embora um pouco sombrio, do dr. Alan Leshner em que este afirmava que: "Os avanços científicos dos últimos 20 anos têm revelado que a toxicodependência é uma doença crónica, reincidente (recaídas e deslizes) que resulta do efeito prolongado da droga no cérebro. Tal como muitas outras doenças cerebrais, a toxicodependência abrange aspectos comportamentais e de contexto social que são partes importantes do próprio distúrbio. Assim, as abordagens terapêuticas mais efectivas incluirão componentes biológicas, comportamentais e de contextualização social".

O que, trocado por miúdos, significa que a toxicodependência não tem cura! Estas pessoas têm de aprender a gerir as suas próprias emoções com uma tenacidade totalmente díspar das demais, por assim dizer. É viver um dia de cada vez, literalmente.
E no meio disto tudo a Mel ainda conseguiu viver uma das histórias de amor mais bonitas que eu me lembro de ter visto em formato novela. O Xande era a verdadeira definição do "príncipe encantado" dos tempos modernos. Torci fervorosamente por este casal e fiquei felicíssima com o final que a autora lhes reservou! Não desfazendo do Marcelo Novaes, que esteve fantástico durante toda a novela, é à Débora Falabella que vou endereçar todas as minhas vénias! Ela conseguiu despertar o interesse e a comiseração do público com o trabalho brilhante que desenvolveu aqui. Acredito que ela deva ter chegado ao fim deste projeto completamente arrasada psicologicamente. Também não é para menos: poder segui-la nesta jornada e ter a oportunidade de testemunhar a entrega visceral desta grande atriz a uma personagem tão densa e com tantas especificidades como esta, foi das sensações mais poderosas que eu já experienciei em toda a minha vida!
A Mel é sem sombra de dúvida uma das personagens mais desconcertantes e marcantes de sempre da ficção brasileira. Ganhou um lugar cativo no meu coração,

 

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A história do Lobato, cuja luta incessante contra a dependência química e o álcool resultou naquela que foi sem sombra de dúvida a sequência de cenas - que mostravam os depoimentos do personagem nas sessões de psicanálise intercalados com o horror em evidência no núcleo Mel-Nando-Regininha - mais brilhante da novela! A última semana da novela brindou-nas com as cenas mais emocionantes do Lobato na história. Por momentos pensei mesmo que ele fosse morrer naquela cama de hospital! O Osmar Prado esteve simplesmente arrebatador nesta novela. A naturalidade deste homem em cena era mesmo uma coisa incrível de acompanhar.

 

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Não posso encerrar este tema sem antes fazer menções honrosas aos igualmente sublimes Thiago Fragoso, Vivianne Victorette, e principalmente à maravilhosa Cissa Guimarães! Sofri tanto com a Clarisse durante todo este processo! Fiquei mesmo feliz por ela ter escolhido ficar com o Roger no final da novela. Esse sim verdadeiramente merecedor do coração desta mulher incrivelmente inspiradora.

A última cena da Regininha foi um verdadeiro murro no estômago! Foi de partir o coração vê-la a ser renegada pela mãe quando lhe implorava para que ela a ajuda-se a "salvar-se de si mesma". A mãe praticamente ignorou o pedido de socorro da própria filha, abandonando-a  à sua sorte. A Glória deixou no ar a possibilidade dela não ter sobrevivido. Chorei desalmadamente com a cena em que a Mel e o Nando inauguram a clínica para toxicodependentes com o nome dela... acho que isso deve querer dizer alguma coisa. Socorro malta!

E que mais se pode dizer sobre este elenco absolutamente fenomenal?! Giovanna Antonelli, Murilo Benício, Juca de Oliveira, Débora Falabella, Daniela Escobar (maravilhosa em todos os sentidos, foi para mim a grande surpresa desta novela), Sténio Garcia, Adriana Lessa, Vera Fischer, Reginaldo Faria, Osmar Prado, Dalton Vigh, Eliane Giardini, Letícia Sabatella, António Calloni, Marcelo Novaes, Thiago Fragoso, Cissa Guimarães, Cristiana Oliveira, Jandira Martini, Neuza Borges, Nivea Maria, Stephany Brito, Carla Diaz, Sebastião Vasconcellos, Solange Couto, Mara Manzan, Juliana Paes, Nivea Stelmann, Roberto Bonfim, Ruth de Souza, Beth Goulart, Thais Fersoza, Thalma de Freitas, Totia Meirelles, entre outros. Todos irrepreensíveis!

Para finalizar, deixo uma palavra de conforto a todos aqueles que, ao longo destes últimos anos, me têm tentado fazer ver, com alguma persistência, a realidade de que "hoje em dia já não se fazem novelas como antigamente". Se um dia cheguei a menosprezar ou a duvidar que tal afirmação pudesse ser fidedigna, hoje consigo entender melhor do que ninguém o real significado de cada uma destas palavras.

É tudo malta. Salamaleico. <3

Edited by Maya
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