ATVTQsV Postado 19 de fevereiro 2019 Postado 19 de fevereiro 2019 0: INTRODUÇÃO Num daqueles dias de Janeiro de 2004, ali por volta das 18 horas de um dia útil, a minha vida, a minha própria visão das coisas, mudou por completo. No Canal Panda eu via regularmente o Doraemon, em espanhol e com legendas. Mas tudo mudou quando os meus olhos depararam-se com esta obra-prima da animação americana que na altura chamava-se Os Meus Padrinhos são Mágicos. Para um telespectador do Cartoon Network, a animação foi um regalo para os olhos. Uma experiência sensorial que na altura tornava o Canal Panda num canal mais prazeiroso. A animação tinha trejeitos à Cartoon Network, falada em português mas com as canções em inglês (alguém teve falta de dinheiro para traduzir as canções todas). Portugal passou a contemplar uma série inteira onde as fadas conviviam com crianças pobres e incompreendidas como eu, com quase seis anos. Esta edição da tua história de subestação vai ser dividida em capítulos, com o tempo vão saber de que é que estou a falar. Não concedam os desejos, já que isto precisa do seu tempo.
ATVTQsV Postado 19 de fevereiro 2019 Autor Postado 19 de fevereiro 2019 1: DESENVOLVIMENTO O conceito por trás de Os (Meus) Padrinhos (são) Mágicos data de 1997. Na altura, Butch Hartman, criador da série, estava no Cartoon Network a trabalhar para séries do canal: O Laboratório do Dexter, Cow e Chicken, Eu Sou o Weasel e Johnny Bravo - séries que saíram do What-a-Cartoon!, que concedia novas séries ao canal que tinha acabado de diversificar a sua grelha com séries próprias. O conceito: um desenho de um rapaz de dez anos - inicialmente Mike mas que depois mudou para Timmy - tinha poderes mágicos (eram para ser científicos mas iria evitar um conflito com o Dexter). Para tal, bastavam só duas fadas e o conceito estava pronto em cerca de um quarto de hora. Inicialmente a série era para ser do Nickelodeon, mas depois de conflitos trouxe a ideia para a Hanna-Barbera e o Cartoon Network, mas rejeitaram à brava. Regressou ao Nickelodeon e aprovaram a ideia. A série foi colocada na antologia Oh Yeah! Cartoons, que era tipo a resposta do Nickelodeon ao What-a-Cartoon, mas num canal com um trajecto de animação mais desenvolvido do que o do Cartoon Network na altura. A 4 de Setembro de 1998, ia ao ar nos EUA o primeiro episódio piloto de dez que foram emitidos até 2001, com animação mais rasca comparado com a série que mais tarde nasceu a sério. As personagens tinham outra aparência, o Cosmo e a Wanda tinham as personalidades trocadas, etc. Estes pilotos nunca deram em Portugal pelo que sei, pois nem a SIC ousou emitir a antologia (com base nos meus dotes do que dava no Buéréré, pois os detalhes por volta de 1999/2000 estão mais limitados) e, como só os descobri em 2006 e criticava a qualidade da animação (eram só pilotos), considerei-me na altura com muita sorte, pois era muito bebé quando o Cartoon Network já tinha deixado de lado os pilotos mais inferiores das Powerpuff Girls para passar a série a sério. Outra coisa: o boné do Timmy era para ser azul mas havia um problema: coincidia com a cor do quarto dele. Mudaram para um rosa-roxo que era o da camisola. O Nickelodeon aceitou a série e optou por uma temporada de seis episódios mais um especial de Natal. Inicialmente a temporada reduzida serviria como maneira para testar a preferência dos telespectadores. Caso a temporada tivesse poucos telespectadores, a série iria ser cancelada. Porém, a série criou toda uma onda de popularidade que chegou a estar a par de outra série icónica do canal, SpongeBob SquarePants a um ponto que ultrapassou a audiência infantil pretendida. As audiências subiram entre 2002 e 2003 e chegou a ultrapassar o SpongeBob nas audiências e chegou até a ser a série infantil mais seguida nos EUA e na Austrália. Isto gerou alguns telefilmes: Abra-Catastrophe, Channel Chasers e School's Out!: The Musical, e à medida que os anos avançavam, a qualidade subiu. A série espalhou-se por toda a parte e gerou uma base de fãs bastante extensa no Brasil e na América Latina. A série foi cancelada em 2005, mas quem liga? Pois o conceito antes e depois de ser cancelado mudou, e isto vai ter o seu próprio post.
ATVTQsV Postado 20 de fevereiro 2019 Autor Postado 20 de fevereiro 2019 2: AMBIENTE E PERSONAGENS A série desenrolava-se em dois ambientes base: a cidade de Dimmsdale e o Mundo das Fadas. O lugar central da série é Dimmsdale, cidade imaginária localizada no norte da Califórnia (se bem que a geografia assemelhava-se a Los Angeles, com as montanhas e tal). Timmy Turner vive nesta cidade e é lugar de pontos de interesse como o Dimmsdale Dimmadome, o bode do presidente da câmara e a escola que o Timmy frequenta. Por outro lado, o Mundo das Fadas é um lugar distante onde vivem as fadas todas. Para manter equilíbrio, são forçadas a viverem com base no livro das regras. Timmy Turner tem dez anos e é "um miúdo normal que ninguém compreende". Os seus pais são desobedientes e tem de viver à mercê da babysitter malvada Vicky. É vítima de bullying na escola e acha a sua vida miserável. Tudo mudou quando uma bola de bilhar mágica revelou os seus padrinhos mágicos, o Cosmo e a Wanda, e tem de viver à custa deles para tentar melhorar a sua vida. O Cosmo é o padrinho do Timmy. Tem uma personalidade bastante cómica, a um ponto que chegou a gostar de uma moeda e que chorou quando a perdeu. A sua falta de inteligência já tem séculos, pois afundou a Atlântida nove vezes (como é que isto é possível?). A Wanda (que na nossa dobragem costuma ser Vanda) é a madrinha e é todo o oposto do Cosmo. Os desejos a ela concedidos são mais "consistentes" e é a mais inteligente das duas. O seu pai, mostrado num par de episódios, era da máfia das fadas. Os pais (desobedientes) do Timmy preferem passar os dias fora de casa. O pai trabalha na Lápis Nexus (nas temporadas mais recentes) e nem sequer estudou na escola por alguns anos. A mãe também é louca, uma altura chegou a fazer previsões malucas no noticiário do Chet Ubetcha que se tornaram em realidade. Já trabalhou como agente imobiliária. O elo de ligação entre os pais e o Timmy é a Vicky, uma baby-sitter adolescente com um comportamento cruel para o Timmy. A sua malvadez é mostrada em toda a sua falta de esplendor quando os pais do TImmy não estão em casa. O professor de Timmy Turner, Denzel Crocker, é um professor com instabilidade mental. Isto porque ele anda à procura das FADAS! e anda a encontrar provas suficientes de que o Timmy turner tem PADRINHOS MÁGICOS! e por causa da sua insistência, é uma das personagens mais sádicas. A fada mais poderosa do Mundo das Fadas é Jorgen Von Strangle, que foi inspirada em Arnold Schwarznegger (e se termos em conta algumas influências dos Simpsons, Rainier Wolfcastle do "filme que a série escondeu nos episódios" McBain). Não usa asas porque são coisas mais "femininas". O livro As Regras (sim, este é o nome) é dele, e quem desrespeitar as regras mais estranhas terá uma punição do próprio. A Trixie é a menina mais popular da escola e o suposto amor do Timmy. Apesar de ter a mesma idade do Timmy, é mais alta. O Timmy tenta namorá-la, mas sem sucesso. O Chester é pobre. Vive numa caravana (tal como as Irmãs Leal Kanker Sisters) e é pobre no baseball. Odeia actividades consideradas "educativas" e tem um pai pouco higiénico. O AJ é o contrário. É tipo um clone afro-americano do Dexter mas num laboratório minúsculo (que na verdade é mantido em segredo e que dá para mudar para o seu quarto) e vive numa mansão, pois os seus pais são ricos. Apesar da sua inteligência ainda partilha o interesse por BDs do Timmy e do Chester. O Elmer e o Sanjay eram personagens menos significativas. O Elmer era problemático pois tinha um furúnculo com personalidade própria e o Sanjay era tipo o AJ com etnia do sul da Ásia.
OTalAntiquado Postado 20 de fevereiro 2019 Postado 20 de fevereiro 2019 há 5 horas, ATVTQsV disse: "um miúdo normal que ninguém compreende". Ia jurar que ele era "um miúdo anormal que ninguém compreende". Anormal as in nerd, porque, por alguma razão em traduções portuguesas antigas, nerd/geek era traduzido para "parvo" ou "idiota". Mal posso esperar pelo resto da crónica, especialmente na dobragem. Por falar em dobragem, já reparaste que o misterioso dobrador do pai do Timmy é parecido ao locutor destes anúncios:
ATVTQsV Postado 20 de fevereiro 2019 Autor Postado 20 de fevereiro 2019 É outro, pois este locutor faleceu em 2000. O dobrador do pai do Timmy, cujo nome me escapa, não é o mesmo. Ainda vou falar da dobragem.
D91 Postado 30 de maio 2021 Postado 30 de maio 2021 Lembro-me de ver isto nas manhãs de fim de semana da TVI em 2003. Dobragem Versão Portuguesa TVI - Esom (2003): Personagem/ Voz Timmy Turner/ Ana Vieira Cosmo/ Tiago Caetano Wanda/ Sandra de Castro Pai do Timmy/ Tiago Teixeira Mãe do Timmy/ Rita Piçarra Vicky/ Sandra de Castro Jorgen von Strangle/ Tiago Caetano Chester/ Rita Piçarra A.J./ Luís Nascimento Fonte: https://wikidobragens.fandom.com/pt/wiki/Os_Padrinhos_Mágicos
Leonardo Rodrigues Postado 2 de fevereiro 2023 Postado 2 de fevereiro 2023 Voute já explicar poque os curtas de 1998 não tem animação melhor Porque ainda usavam animação feita de pincel numa época que isso já andava a cair em desuso
TV1_22 Postado 13 de fevereiro 2023 Postado 13 de fevereiro 2023 On 19/02/2019 at 22:46, ATVTQsV disse: Para um telespectador do Cartoon Network, a animação foi um regalo para os olhos. Uma experiência sensorial que na altura tornava o Canal Panda num canal mais prazeiroso. A animação tinha trejeitos à Cartoon Network, falada em português mas com as canções em inglês (alguém teve falta de dinheiro para traduzir as canções todas). Portugal passou a contemplar uma série inteira onde as fadas conviviam com crianças pobres e incompreendidas como eu, com quase seis anos. Por acaso tinha vagas memórias desta série....
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