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38: Hugo


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Hoje vivemos a tempestade Hugo (pelo menos na altura em que estou a escrever esta crónica). Há vinte anos, vivíamos a personagem Hugo, um troll que se popularizou em muitos países, entre os quais Portugal.

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Porém, como este fórum tem uns quantos utilizadores brasileiros, direi apenas que vou ter de falar sobre as duas versões lusófonas: o Hugo brasileiro e o Hugo português. Sem mais delongas, eis a história:

A ideia de um concurso interactivo remonta a 1987. O dinamarquês Ivan Sølvason concebeu uma ideia que viria a ser concretizada dois anos mais tarde quando decidiu fazer uma adaptação de um dos seus jogos (o OsWALD) para um programa televisivo dinamarquês, o Eleva2ren (impossível de traduzir, porque se fosse um programa português seria algo como "Eleva2", mas se tirássemos o trocadilho seria algo como "O Elevador") do canal TV2, fundado no ano anterior, tal como a empresa criadora da personagem, a Interactive Television Entertainment.

O Eleva2ren era um concurso emitido às sextas na TV2 entre 7 de Outubro de 1988 e 16 de Maio de 1996. O programa era uma mistura de entretenimento com música e convidados em estúdio - convidados que chegavam de elevador. Um ponto fixo era a emissão dos jogos interactivos que recorriam ao telefone, o Super OsWALD e o Hugo. Como supostamente não achavam piada a um daqueles jogos infinitos em que era preciso saltar até mais não (não encontro vídeos do Super OsWALD do Hugo, só dos jogos de computador a uma pessoa), o Sølvason e o Krogh Mortensen criaram a personagem Hugo, por si só criada por Mortensen depois de andar de bicicleta. Era para ser chamado de Max, mas o presidente da ITE quis mudar o nome (e os grafismos do jogo) para Hugo uma semana antes de estrear. O nome criou dissabores com a Hugo Boss e como a ITE só tinha escritórios na Dinamarca e cá em Portugal, preveniram que a Hugo Boss tivesse os seus produtos espalhados por ambos os países. Eventualmente houve um acordo de coexistência entre as duas marcas.

O concurso foi emitido na Dinamarca na primeira metade dos anos 90 e não tardou a ser um sucesso internacional, sendo vendido a mais de quarenta países.

A primeira das duas versões lusófonas foi a brasileira, emitida na CNT Gazeta e dava pelo nome de "Hugo Game". Foi o primeiro concurso interactivo emitido no país. A dobragem da personagem nos jogos era assegurado pelo icónico estúdio Herbert Richers. Algumas emissões, às 18:10, chegavam a ter altos níveis de audiência, algo insólito para um canal nacional de baixo visionamento. As frases ditas pela personagem no Brasil eram:

  • Subindo a montanha, sem fazer manha
  • Errei a mira, caí na China (alusão a uma piada clássica dos desenhos animados)
  • Pronto, passou. Uma vida acabou! (quando se perdia uma vida no jogo)
  • Se liga, é a última vida (já percebem o que é que esta frase quer dizer)
  • Não tem chororo, este jogo acabou (o equivalente brasileiro de uma frase que já conhecemos)
  • Agora eu quero ver a gente vencer!

Entre muitas outras, que rimavam ou não. Este programa ainda é recordado, o Canal 90 fez um vídeo inteiro sobre o dito.

Ora, vamos ver como eram os programas portugueses do Hugo. O primeiro programa surge em 1997, na RTP 2.

O Hugo é um troll de um metro de altura inspirado nos trolls escandinavos, com 220 anos de idade (idade bastante jovem para um duende) que vive com a sua mulher, Hugolina, com menos quarenta anos do que o próprio. Uma noite, a bruxa Scylla (ou em Portugal, Maldiva), que esteve contra os trolls durante séculos, rapta a mulher e os filhos e terá de passar por uma série de provas para reunir a sua família.

A mecânica do jogo consistia numa série de jogos que podiam ser jogados com certos telefones (os de disco não funcionavam). Os jogos emitidos na versão portuguesa eram:

  • O jogo do balão de ar quente: os concorrentes teriam de voar, caso contrário seria derrocado e caía. Na segunda fase, o balão cai e cabe ao concorrente controlar o balão em queda livre. (Temos de voar, toca a arrancar!)
  • O jogo do trenó: o Hugo tem de escapar de uma avalanche. (Ah, adoro o inverno. Só eu e o meu trenó.)
  • A última parte do jogo, que era repetido umas três vezes ao longo do programa, era o da Caverna das Caveiras. (Agora tens de escolher, e eu sei que vais perder!)

Enquanto dava na RTP 2, o programa dava pelo nome curto de Hugo e tinha este genérico:

Em 2000, o concurso muda para a RTP 1 onde foi juntado um outro jogo dos criadores: Castor e Cheiroso. Como consequência, o programa mudou o seu nome para "Hora H: Hugo e Amigos" (a parte "Hugo e Amigos" é opcional).

Em 2001, o Hugo regressou para uma última temporada na RTP 2, com o "sugestivo" nome de Hugo: O Regresso:

Porém, não resultou e o Hugo caiu no esquecimento em Portugal. Mas isto não impediu a criação de novos programas licenciados noutras paragens: por exemplo: na Polónia, a Polsat emitiu dois programas: o Hugo Express que era o Hugo convencional e o Hugo Family que era semanal. O Hugo na Polónia manteve-se heroicamente até 2009. Na Irlanda, o jogo era emitido no canal TG4, em gaélico, até meados da década de 2000. Mais recentemente, no ano passado, foi feito um programa na Argentina para a internet, a simular a versão argentina numa das emissões especiais de simulação do extinto canal infantil Magic Kids, sendo posteriormente enviado para alguns canais regionais.

(Esta crónica será actualizada com mais informação brevemente)

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