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Livro de Contos


Bloody
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  • 2 weeks later...

7 - A VISITA (Parte 1)

 

 

Era o fim de mais um dia quente de verão no bairro de Olívia e António. Arrumavam, os dois, várias coisas que estavam espalhadas pelo jardim. Partiam esta madrugada para o sul do país, a par com os seus vizinhos, que já tinham ido. Estavam impacientes para arrumarem tudo.

 

O bairro estava deserto. Nem parecia o bairro, sempre acolhedor, sempre friorento. As casas estavam completamente fechadas, num um único buraco nas persianas se notava, e não havia qualquer carro estacionado na rua, a não ser o do último casal a abandonar, por um mês, o bairro.

 

Deus sabe como é bom o mês no hotel ao pé da praia. Um mês de umas merecidas férias. O hotel era da propriedade do homem da Gabriela, uma simpática habitante do pequeno bairro, que fazia questão que todos os seus vizinhos fossem, com ela, para o Hotel, para assim passar férias. Era assim todos os anos. Este ano, Olívia e António decidiram ficar por mais tempo na sua casa. Problemas de trabalho, diziam. Seriam os últimos a chegar.

 

O sol descia freneticamente. Olívia olhava, com uma expressão vazia, para o seu, e de outros, bairro. Assustava-lhe a ideia de ser a última a sair. Devia ir, ao mesmo tempo, com Rita e Leandro. Mas já não o podia fazer, e estes já deviam ir muito longe. Nunca os apanhariam se fosse agora.

 

António chegou-se ao pé dela, abraçando-a. “Anda, amor, vamos para dentro. Está a ficar frio.” Um frio invulgar. Os dois foram para dentro de casa. E a noite, finalmente, caiu.

 

Já eram duas e meia da manhã. Ambos tinham combinado que só saíam de casa meia hora depois, mas Olívia já estava acordada, pois não conseguia dormir. No andar de baixo, verificava se não faltava nada, e desligava tudo o que era elétrico, quando um baque surdo ouviu-se do lado de fora da casa. Pensando ser um cão, coisa que não há naquele bairro, continuou a sua verificação, ignorando. Um novo baque se ouviu, e Olívia ficou estática a olhar para a sua porta. Um cão, desta vez, não seria, pois o baque soou demasiado elétrico.

 

Aproximou-se da sua janela, apenas com uma pequena luz da cozinha acesa. A noite, lá fora, estava escura, negra. Nenhuma luz no bairro estava acesa, para além de uma intermitente vermelha mesmo no centro da rotunda. Então, um súbito e ensurdecedor barulho disparou no meio da escuridão, assustando Olívia, que caiu no chão apavorada. O barulho era horrível e Olívia tapou freneticamente os seus ouvidos, cambaleando para o quarto onde António dormia. Surpreendentemente, este ainda dormia.

 

“António, a-acorda!” Disse Olívia, quase sem voz, abanando o marido. Este abriu um pouco os olhos, olhando para a sua amada com uma expressão confusa. “Já são ho... que barulho é este?” Disse, assustando-se e olhando para a janela tapada com a persiana, esfregando os olhos. “Está qualquer coisa lá fora.” Respondeu Olívia. “Só vi uma luz vermelha.”

 

O som não cessava um segundo e as luzes iluminavam todo o bairro, e Olívia e António nada podiam fazer senão sair do quarto. Indo para o andar de baixo, juntaram-se à janela, onde conseguiam espreitar o que realmente se passava lá fora.

 

O que se passava lá fora superava tudo o que era possível imaginar. Pousada, acima da grande rotunda do bairro, estava um avião repleto de luzes. Era um enorme avião, maior do que um das forças armadas. De lado, continua uma série de letras, umas do alfabeto normal, outras desconhecidas, e dois números:

 

 

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Todas as suas portas estavam fechadas, e o barulho que inicialmente tinha assustado Olívia, parou. Então, quatro pequenas portas foram abertas, e um novo barulho espalhou-se por todo o bairro, que rapidamente se mudou para um outro contínuo.

 

Olívia e António não sabiam o que reagir àquilo tudo. Tentaram decifrar o que seria aquelas letras estampadas no avião, mas foi uma tentativa em vão.

 

Alguém apareceu em cada porta do avião. Todos eles homens, vestiam a mesma roupa, e o barulho fora novamente modificado. Desta vez, uma voz humana fez-se ouvir, falando várias coisas. Era, novamente, uma língua desconhecida.

 

Russos!” Exclamou António, percebendo qual era a língua que estava a ser falada. “São Russos.” Concluiu. “Russos no nosso bairro?” Sussurrou Olívia, não acreditando. Nada mais falaram. Em cada porta, surgiram mais uma pessoa, com uma roupa diferente. Pouco tempo depois, uma nova voz surgiu do avião, e as quatro novas pessoas foram atiradas para fora do avião.

 

O pequeno monstro então desligou as luzes, e subiu, lentamente, para os céus. Olívia e António continuaram estáticos ao pé da janela, enquanto viam as quatro pessoas atiradas em pé, a falar entre si. “Vamos lá acabar com isto.” Disse António, pegando numa faca da cozinha e colocando no seu bolso. “Não!” Exclamou Olívia, “Não vás! Não sabes o que são.” “Não te preocupes, meu amor.” Disse António, saindo de casa.

 

Estava frio lá fora. As quatro pessoas, ao ouvirem o barulho da porta, viraram-se para António. Olharam-no durante segundos, e rapidamente começaram a correr em seu encontro. Começaram a gritar, com os braços no ar. António, assustado, voltou para dentro de casa, fechando a porta. Olívia encontrava-se em estado de choque. Subitamente, as quatro pessoas chocaram contra a parede de casa, caindo novamente no chão, sem algum sentido.

 

Olívia e António puderam ver, mais pormenorizadamente da janela, de quem se tratava aquela gente. Os quatro , como já tinham visto, tinham roupas iguais. Calças pretas e um grande casaco castanho com manchas azuis. Cada uma tinha na mão uma espécie de disco, com uma pequena luz azul a piscar de lado. Os seus rostos eram de cor clara, e o cabelo loiro. Seriam certamente russos.

 

Entretanto, uma das pessoas deu sinal de vida. Levantou-se, facilmente, e dirigiu-se para o meio da rotunda, cambaleando. Com rapidez, colocou o disco que tinha na mão no chão, e este pareceu ganhar uma nova luz para além da azul. Abriu o seu casaco, e de lá tirou uma arma. Sem preceito, apontou à sua própria cabeça, e atirou. Caiu morto no chão.

 

Os outros três continuavam no chão. António e Olívia não se atreviam a sair do lugar.

 

Quem seria aquela gente?

Edited by Bloody
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7 - A VISITA (Parte 2)

 

 

Olívia e António não sabiam o que fazer. As três pessoas que se mantinham no chão não se moviam. "O melhor é fugir." Disse António. "Mas o nosso carro está lá fora!" Exclamou Olívia. "Saímos pelas traseiras." Sussurrou o seu marido. E então o casal saiu de casa, entrando na penumbra da noite.

 

Um mês depois

 

Dimitri Metanov tinha chegado então à sua prisão. O julgamento não demorara muito tempo. As provas estavam postas na mesa, tudo estava descoberto. Poderia fazer Dimitri alguma coisa? Não. “Prisão perpétua”, dissera o júri, “Teve sorte não ser uma pena de morte.” Dimitri riu-se desta afirmação. Prisão perpétua era por si só uma pena de morte. Sacanas destas pessoas que pensam saber da lei.

 

A caminhar pelos corredores da prisão, ao ver cada olhar dos prisioneiros, Dimitri lembrava-se de tudo o que fez para chegar ali. Está preso, mas foi de facto, bom. Bastante bom.

 

Dimitri Metanov, russo, tem quarenta e dois anos. Desde dos catorze anos que ingressou a chamada ”espionagem”. Influências do seu pai ditaram o futuro do seu filho. Aos vinte e três anos casou com uma russa, e mudaram-se para o Bairro número cinquenta e três. Já Olívia e António viviam nesse bairro, mais dois casais. Rapidamente se deram bem, e Dimitri viu que era um bom local para expandir o seu negócio, a espionagem.

 

O negócio era simples: uma tripulação depositava um pequeno número de pessoas no Bairro, que facilmente fazia o seu trabalho. Ao colocar os discos que traziam na mão, era enviado um sinal para a Rússia, onde toda a grande equipa de Dimitri trabalhava para descodificar informações sobre o seu país rival, os Estados Unidos.

 

Como Dimitri conseguia fazer isto sem ninguém do Bairro saber? Convidava a todos os habitantes que fossem para o hotel dele, a sul do país, por um mês. Em um mês, a tripulação fazia o seu trabalho anual. E Dimitri ganhava dinheiro incalculável, do próprio governo russo.

 

Mas há um mês, tudo correra mal. Olívia e António decidiram ficar na noite onde as operações iniciaram. E ambos morreram. Os “agentes” que eram contratados eram ordenados a matar quem visse algo. Olívia e António viram. Ao sair de carro, dos três agentes que se mantinham vivos sem o casal saber, matou-os ao assaltar o carro na estrada, degolando-os.

 

Os outros casais, do Bairro, ao notarem o desaparecimento de Olívia e António, ligaram à polícia, e a polícia encontrou todo o esquema que era ano a ano feito exaustivamente, mesmo com os avisos de Dimitri. Este foi logo detido no dia seguinte, e então o julgamento foi feito duas semanas após. Dimitri disse apenas uma frase em russo, que foi traduzida como “Viva o povo da Rússia”.

 

Era, por outro lado, surpreendente. Foram feitas dezenas de visitas ao Bairro cinquenta e três, e bastou falhar uma para a vida de Dimitri ter ido abaixo. Bem ele sabia que merecia a pena de morte, mas o governo americano pensa que consegue recolher informações dele. Todo o país está em estado de choque, e até mesmo a Rússia, que não faz declarações. Dimitri fez parar meio mundo.

 

O funeral de Olívia e António foi feito com larga escala de atenção. Uma bandeira dos Estados Unidos foi colocada no meio das duas campas. Duas pessoas a morrerem por uma escolha.

 

Dimitri chegou então à sua cela, tendo consigo um qualquer companheiro de prisão. Ou talvez nem seja um qualquer companheiro. Nunca se saberá se Dimitri teria um plano caso fosse preso. Agora ao olhar para o seu companheiro, albino, olhos azuis como Dimitri, tinha a certeza de algo: a Rússia ainda não tinha finalizado o seu trabalho

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Adorei, Qual O Projeto a Seguuir?

 

Estava a pensar fazer uma segunda temporada aqui, escrever mais sete contos. Mas quem sabe escreva uma outra história mais "trabalhada" e publique aqui no Fórum.

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Cada vez menos gosto de russos :c

 

 

Parabéns Joel 

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 https://www.youtube.com/watch?v=f7HKBlAzN5I

 

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