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Vida por Vida


LuisFernandes
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Gostei! Trama bem pensada, bem pormenorizada e sobretudo está bem organizada as ideias! Vou ficar à espera de mais!

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Obrigado

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Também gostei. Não gosto muito de acompanhar histórias pelo computador mas esta deixou-me expectante. Espero que sigas com isto e não faças como muitos que deixam a meio ou nem começam. Estou muito curioso!

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  • 2 weeks later...

1º episódio - Clique em Show / Mostrar para ver as cenas (em sequência)

 

Cena 1 - Tasca do Sr. Joaquim - Noite - Maria Francisca / Sr. Joaquim

(Estamos em 19 de Outubro de 1994 em plena noite. Maria Francisca encontra-se na Tasca do Sr. Joaquim com o dono, arrumando o local que está prestes a fechar.)
 

Sr. Joaquim (que se prepara para sair.) – Maria, vê se acabas de arrumar isto e depois passa com a vassoura ali no balcão que eu vou andando.
 

Maria F. – Claro! É melhor que vá andando, o dia hoje também foi…

Sr. Joaquim (pega no casaco) – movimentado, muito movimentado!
 

Maria F. – Mas também é melhor que isto seja sempre assim, não é verdade?
 

Sr. Joaquim – Verdade. Bem, até amanhã! (Vai saindo.)
 

Maria F. – ‘’Atééé amanhãããã’’ (Sorriso cínico.)
 

(A porta fecha-se e permanece sozinha. Acaba de arrumar a loiça e pega no pano, que utiliza para passar por cima das mesas)

Maria F. – Velho idiota. Babão. Me**a de vida! Ter de aturar esses bêbados, todos os dias. Não limpo é po**a nenhuma. Limpa tu, idiota. (tira a bata e coloca-a com raiva no armário)
 

(Abandona o local, em direção a casa.)

 

 

Cena 2 - Sala da mansão dos Moniz - Noite - Suzana / Laura / Ang. Beatriz / Luís / Constância (empregada)

 

(Sentados no sofá perante a televisão, encontram-se Luís, Susana, Laura e Beatriz, adormecidos lado a lado depois de uma sessão de cinema. Pipocas espalhadas pelo chão que é coberto por um magnífico tapete de bouclê preto. Ouve-se então o som da televisão ligada.)
 

(Constância entra na sala e observa o cenário)
 

Constância – Dr. Luís?
 

Constância – Dr. Luís?
 

(Luís acorda)

Constância - Ponha as meninas na cama!
 

Luís – Que horas são?
 

Constância – 11:45, já se caminha para a meia-noite. Já é tarde.
 

Luís (que acorda as filhas) – Angélica, Laura; Angélica, cama, vá já é tarde. Não acredito que ficamos aqui a dormir. Constância leva-as, sozinhas ainda caem para o lado.
 

Constância – Vamos meninas (entretanto, preguiçosamente, as meninas meio-acordadas levantam-se e são levadas para o quarto. Luís espreguiça-se e de seguida observa a mulher.)
 

Luís (entrega vários beijos a Suzana que prossegue adormecida) – môr… môr…

(Suzana não acorda)
 

Luís – Já vi que só há um jeito… (carrega Suzana de forma romântica, que acorda aos risos quando se depara com a situação)
 

(A cena continua sem diálogo, com Luís a levar Suzana nos braços escadas acima partilhando gargalhadas.)    


 

Cena 3 - Casa de Maria Francisca - Noite - António / Maria Francisca

 

(Ouve-se o barulho da porta a abrir com dificuldade. António está deitado no sofá com uma das mãos por de dentro dos seus calções enquanto a televisão está ligada. Maria Francisca dirige-se a um dos sofás, sem cumprimentar o marido. A casa tem um aspeto robusto e negro.)
 

Maria F. – Estou morta!
 

António – Morta? Acredita mesmo.
 

Maria F. – Ham?
 

António – O idiota do Afonso foi preso.
 

Maria F. – O quê?
 

António – A bófia foi lá à casa do gajo, arrombaram-lhe a porta e aquele burro tinha 500g de coca escondido nas plantas da cozinha.
 

Maria F. – Não acredito. É possível que exista alguém ainda mais burro e idiota que esse otário?
 

António – Eu ainda não acabei… Ainda xibou pra polícia o esquema do Petras.
 

Maria F. – Ou seja, pegam o Petras, pegam o Conchas. Pegam o Conchas, pegam-nos a nós?
 

António – Não te preocupes. Já dei um jeito…
 

Maria F. – Epá a sério? Além de ter que aturar todos os dias aqueles bêbados imundos que vão para lá  babarem pra cima de mim e eu limpar a porcaria que fazem, agora também tenho que aturar esta gente burra? É isso?
 

António – Então princesa? Confia aqui no Big Guy. Já dei um jeito, eles não chegam a nós. Anda cá…
 

(Maria Francisca levanta-se em direção a António)
 

António (que vai acariciando Maria) – Relaxa… Temos tudo controlado… (Beijam-se)
 

Maria F. – Sabes no que tive a pensar?
 

António – Então?
 

Maria F. – Amanhã fazer uma surpresa ao meu irmãozinho.
 

António – Vais lá fazer o quê? Ele não te quer lá.
 

Maria F. – Vou lhe fazer uma surpresa. Vou ver como anda a linda família dele. Afinal, também sou uma Moniz, tou com saudades das minhas sobrinhas lindas e fofas.
 

António (que a continua a beijar e vai descendo carinhosamente) – Eu tou é com saudades de outra coisa…
 

Maria F. – Ai é? Então mata-as. (Tira a roupa) Mata saudades meu tigrão. Vem domar a tua tigresa. Vem.
 

António -  RAAAU!
 

(A cena continua com António e Maria enrolados, numa cena cada vez mais quente.)   
 

Amanhece – Novo dia
 

Cena 4 - Cozinha e Sala dos Moniz - Suzana / Laura / Luís / Ang. Beatriz

 

(A mãe e as filhas tomam o pequeno almoço na cozinha com alguma pressa. A 1ª dirigir-se-á para a empresa e as restantes irão para a escola. Na altura da saída, o pai interrompe-as à medida que vai descendo as escadas. As meninas comem enquanto a mãe prepara o comer do marido.)
 

Suzana – Angélica, como vai ser hoje com o Leonardo, hum? O pai dele leva, ou levamos nós?
 

Ang. Beatriz – Não sei mãe, mas acho que vai com o pai.
 

Suzana – Sabes filha, acho tão linda a vossa amizade. (Senta-se na mesa)
 

Ang. Beatriz – Oh mãe é normal, ele é o meu melhor amigo.
 

Suzana – Vocês confiam muito um no outro, não é verdade?
 

Ang. Beatriz – huhum
 

Suzana – Imagina se se apaixonassem?
 

Ang. Beatriz – Oh mãe, não digas isso.
 

Suzana – Então porquê? Vocês tão na flor da idade, é normal. Mas vá, estou a brincar.
 

Laura – Mãe, não quero mais.
 

Suzana – Não não. Falta pouco aí, vá acaba isso. Acabem as duas que já estamos atrasadas.
 

(Suzana levanta-se, deposita a loiça suja na pia. As filhas levantam-se também.)
 

Suzana – Bia, é capaz de eu chegar 5 a 10 minutos atrasada, para aí às 13:25. Se não tiver no portão da escola a essa hora, sobe, vai buscar a tua irmã e vem para casa está bem?
 

Ang. Beatriz – Tabém. (As filhas põem a mala às costas. Dirigem-se para a sala e posteriormente para a saída)

(Luís aparece, descendo as escadas)
 

Luís – Então o que é isso? Vão sair sem dar um abraço ao pai?
 

(As filhas então dão o respetivo abraço)
 

Luís – Môr, vê-mo-nos lá sim?
 

Suzana – Está bem. Mas vamos, vamos que já estamos atrasadas. (Beija o marido e sai)


 

Cena 5 - Tasca do Sr. Joaquim - De manhã - Sr. Joaquim / Sr. José / Maria Francisca

 

Maria F. – Bom dia Sr. Joaquim (sorri)
 

Sr. Joaquim – Bom dia Maria.
 

Maria F. – Dormiu bem? (Pergunta, sem interesse, enquanto pega e veste a bata de trabalho.)
 

Sr. Joaquim – Dormi sim senhora. Maria, eu ontem não te pedi para varrer por detrás do balcão?
 

Maria F. – Ah… Claro, é verdade. Mas tive mesmo de sair. Ligaram-me do hospital a dizer que o António tinha tido um pequeno acidente e tive mesmo de sair a correr. Mas eu limpo agora, antes que venha alguém, não se preocupe.
 

Sr. Joaquim – Ah, pronto. É que eu estranhei, isto está tudo como deixei ontem… Mas ele está melhor?
 

Maria F. (que se encontra a varrer o chão) – Está, está. Tropeçou nas escadas do prédio e teve um pequeno entorse, nada de mais.
 

Sr. Joaquim – Se precisares de sair para o ir ver, avisa-me está bem ?
 

Maria F. – Vinha mesmo a calhar. Por isso é que lhe ia pedir se posso sair meia hora mais cedo para a hora do almoço…
 

Sr. Joaquim – Tudo bem. A cerveja já está a acabar, vou ver se ligo ao Neves para me trazer mais.
 

(Um idoso entra com um aspeto pouco cuidado. Era o Sr. José, cliente habitual da casa.)
 

Sr. José – Bom dia.
 

Sr. Joaquim – José, já aqui?
 

Maria F. – Sente-se que já lhe sirvo. É o habitual, não é? (Permanece com o sorriso falso e cínico.)
 

Sr. José – Jááá. Ninguém em casa. É sim senhora.
 

Sr. Joaquim – Então ontem o Benfica perdeu…
 

Sr. José – Aqueles sacanas. Havia de lá estar eu, punha-os na ordem.

 

Cena 6 - Paragem do autocarro - De tarde - Leonardo / Ang. Beatriz / Laura

 

(As irmãs e o melhor amigo de Beatriz esperam pelo autocarro na paragem. Não há outras pessoas à espera, ou seja, estão sozinhos. Os 3 carregam então, cada um, uma mala às costas.)
 

Leonardo – Cheira-me que já deve ter passado.

Ang. Beatriz – Lindo. Porque é que não pediste ao teu pai para nos vir buscar? És mesmo tótó!
 

Leonardo – Oh duuh, ele também não podia vir.
 

Ang. Beatriz – Fogo, logo agora! Estou com bué fome!
 

Laura – Eu também!
 

Leonardo – Dá cá a tua mala, eu levo. (destinado à Laura)
 

(Laura dá-lhe a mala, pesada por sinal)
 

Leonardo – Eish… O que tens aqui? Tijolos?
 

Laura – Não, são os livros de matemática, português, estudo do meio, música…
 

Leonardo – Fogo!
 

Ang. Beatriz – Que horas são?
 

Laura – Olha, vem aí!
 

(O autocarro chega)
 

Ang. Beatriz – Entra logo!
 

 

Cena 7 - Rua do bairro 6 de maio - de tarde - António / Pitas - o drogado

 

(António espera por Pitas, um jovem bastante dependente de droga. O bairro 6 de maio é palco da situação, especificamente numa rua degradada. As casas à volta tem as paredes grafitadas e o lixo é presença certa no chão, em grandes quantidades. No seu estilo, não larga o cigarro que tem na boca.)
 

(António olha para o relógio. Avista finalmente o cliente, que vem a pé.)
 

António – Não querias demorar mais tempo, pois não?
 

Pitas – Epá desculpa. A bófia anda a rondar isto, tive que dar uma volta maior.
 

António – Epá não quero saber. Mostra aí.
 

(Pitas dira um pequeno pacote de dentro das calças.)
 

António – Tás a gozar ? Só isso?

 

Pitas – É isso que me deram. (Permanece com o tique de abanar a cabeça, desesperado pelo pagamento.)

 

António – Fodase, tás a gozar? Quanto é que achas que vou ganhar com isso?

 

Pitas – isso já não é comigo, eu só quero a recompensa. Foi isso que me deram pa trazer, e foi o que trouxe. Resolve com ele. A recompensa.

 

António – Epá, pó car***lho meu. Quem é que me vai comprar isto assim? Vocês só fazem é me**a meu. Dá vontade é de te dar um tiro na testa (retira a pistola e aponta a Pitas)

 

Pitas – Não faças isso, não fui, a culpa não é minha. É o meu trabalho, não faz isso.

 

António – Desaparece daqui! Anda miserável.

 

Pitas – Não posso, tenho que ganhar, eu preciso desse dinheiro, por favor!

 

António – Desaparece daqui antes que te dê um tiro na tromba. De mim não ganhas é nada, vai!

 

(Atira para o ar. Pitas foge.)

 

António – Pitas, volta seu burro.

 

(Pitas volta)

 

António – Toma. (Atira um pequeno maço de notas para o chão.) Vai lá. Vai-te entreter e vê se não morres. Um gajo precisa de ti.

 

Pitas – Epá obrigado, obrigado!

 

António – Agora desaparece.

 

(Pitas vai embora.)

 

António (enquanto tira os seus óculos de sol e eleva-os à face) – Palhaços.

 

(Segue o seu caminho a pé, andando estilosamente.)

 

Cena 8 - Sala dos Moniz - De tarde - Maria Francisca / Laura / Ang. Beatriz

 

(Laura e Beatriz estão no sofá a ver televisão. Interrompendo a sua conversa, é Maria Francisca que bate à porta. A sala é ampla, com uma porta de entrada para a casa tão alta quanto o teto. Elegante, o espaço é clean e com bastante iluminação, não só através do candeeiro como também pelo sol brilhante que atravessa as portas-janelas.)

 

Ang. Beatriz – Olha, este morre no fim. (aponta para a televisão)

 

Laura – Hum? (Laura encontra-se deitada, com a cabeça sobreposta nos joelhos da irmã.)

 

Ang. Beatriz – A Sheyla vai ficar sozinha, bem feita.

 

Laura – Cala-te, não digas o fim!

 

Ang. Beatriz – Haha.

 

Laura – Já comeste as pipocas todas, fogo!

 

Ang. Beatriz – Que queres que eu faça? Não comias, comi eu.

 

Laura – E agora não há mais! Fogo pá!

 

(Ouve-se um bater na porta. Não se toca à campainha, mas sim bate-se à porta.)

 

Ang. Beatriz – Espera aí, vou abrir. (Dirige-se à porta)

 

(Abre-a)

 

Maria Francisca – Olá sobrinha! (Sorriso falso e cínico)

 

Ang. Beatriz – Os meus pais não estão em casa, adeus. (Responde assustada, sabendo que a tia não devia ali estar. Tenta fechar a porta.)

 

(Maria Francisca põe o pé à frente, impedindo a porta de se fechar.)

 

Maria F. – Ah, ah, mas o que é isso? Que educação é essa? Com licença! (Empurra a porta brutalmente e entra.)

 

Ang. Beatriz – Eu vou ligar ao meu pai!

 

Maria F. – Não vais não. Não é necessário. Só vim fazer uma pequena visita. Estava com saudades vossas.

 

(Ang. Beatriz fica especada supervisionando o que a tia está a fazer.)

 

Maria F. – Incrível como a tua mãe é capaz de deixar tudo isto fantástico. (Dá meia volta em torno de si própria e caminha para a zona do sofá e da televisão.)

 

Maria F. – Sobrinha querida, lembraste da tia?

 

(Laura corre para os pés de Angélica.)

 

Maria F. – Sempre simpáticas vocês. Televisão nova? Fantástico. (Senta-se no sofá e estica os pés para cima da mesinha.) Empregadas, não há?

 

Laura – A Constância foi às compras.

 

Ang. Beatriz – Tire os pés de cima da mesa! Saia! O meu pai não lhe quer aqui!

 

Maria F. (Levanta-se do sofá e dirige-se para perto de Beatriz) – O teu pai não me quer aqui? O teu pai não me quer, aqui?! O teu pai é o culpado de tudo! Tudo o que aconteceu de mal na minha vida! (Lágrimas de raiva sobem-lhe para o canto do olho) Mas quem és tu? Não passas de uma pirralha. Aliás, as duas.

 

Ang. Beatriz – Então saia, simples! (Aponta para a porta, com prepotência.)

 

Maria F. – És igualzinha ao teu pai. Igualzinha! Eu volto, não te preocupes. (Com bastante raiva, pega na mala e dirige-se para a porta.)

 

Ang. Beatriz – Ah, tia, não se esqueça. A senhora não presta!

 

Maria F. – Olha aqui pirralha! Tu limpa a boca para falar de mim. Um dia tu, o teu pai e a tua irmã vão beijar os meus pés e pedir perdão por tudo!

 

(Maria F. bate com a porta)

 

Ang. Beatriz – Pronto, ela já foi! Calma mana. Vamos dizer ao pai e fica tudo bem!

 

 

Cena 9 - Parte de fora da mansão dos Moniz - De tarde - Maria Francisca / Constância

 

(Mais do que uma estátua, encontra-se parada em frente à porta de entrada da casa dos Moniz. A zona é repleta de relva, apenas com um caminho de pedras em direção à estrada. Desse ponto, somos capazes de ver outras mansões de cada lado da rua.)

 

Maria F. (Permanecendo com as lágrimas nos olhos de raiva) – Como se tivesse sido eu a culpada de tudo o que aconteceu. Graças a ti, tudo o que me restou foi esta vida miserável.

 

(Limpa a cara com força, esfregando os olhos.)

 

Maria F. – Eu odeio-te Luís! Odeio-te com todas as minhas forças!

 

(Constância chega. Os seus olhos e os de Maria Francisca cruzam-se, num momento de suspense total.)

 

(O episódio termina.)

 

Os episódios são relativamente pequenos, de forma a que sejam de fácil leitura e de fácil acompanhamento.

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Gostei do episódio, como tu já tinhas escrito, é facil de ler e de acompanhar. Também gostei especialmente da Maria Francisca e do António...

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Gostei do episódio, como tu já tinhas escrito, é facil de ler e de acompanhar. Também gostei especialmente da Maria Francisca e do António...

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Exacto, bem observado. No meio de tantas letras, acabei por me perder e cometi um erro crasso. Mas obrigado

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No episódio anterior, António descobre que Afonso - traficante - foi preso e que foi obrigado a denunciar Petras, levando a que o seu trabalho possa também ser denunciado e todo o negócio perdido. Por sua vez, Maria Francisca, fez uma pequena surpresa a casa do irmão, mesmo sabendo que ambos partilham uma relação de ódio, ameaçando as sobrinhas. Contudo, quem acaba por sair humilhada é ela, que no fim encontra Constância - a empregada de vários anos do irmão que conhece toda a sua história.

Episódio 2


 

Cena 1 - Tarde - Maria Francisca / Constância - Rua


(Dá-se o encontro de Maria Francisca se Constância. A 2ª está carregada de sacos de compras que não larga enquanto interpela a irmã de Luís. O dia permanece brilhante.)

Constância - O que a senhora faz aqui?
Mª Francisca - O que é que foi?
Constância - A senhora não devia estar aqui, sabe muito bem que está proibída de aqui vir!
Mª Francisca - A casa é do meu irmão. Mas quem és tu? Não passas de uma simples empregadazeca!
Constância - Empregada, mas com muito orgulho!
Mª Francisca - Orgulho de limpar sanitas?
Constância (interrompe a irmã do patrão) - Parece que já se esqueceu de tudo o que aconteceu, não é verdade?
Mª Francisca - O que é que tu sabes?
Constância - Sei o suficiente para lhe pôr novamente na cadeia.
Mª Francisca - Constância, Constância! Não brinques comigo! Não meças forças comigo!
Constância - Siga o seu caminho. Saia daqui! Não infeste mais a casa de pessoas humildes! (Aponta para a estrada)
Mª Francisca - Até tu Constância, até tu... Tu também um dia vais me pagar bem caro!
Constância - Saia daqui!

(Mª Francisca segue o seu caminho, enquanto Constancia permanece especada, observando-a com olhos de quem pouco acreditara no que acabara de acontecer.)


Cena 2 - Tarde - Constância / Angélica Beatriz / Laura - Sala da casa dos Moniz

(Constância entra com dificuldade. Do seu lado direito, nas escadas que dão acesso ao 1º andar, as irmãs sentadas - Angélica em cima e Laura por baixo. A televisão continua ligada, embora o volume esteja reduzido.)

Constância - Angélica, o que é que se passou aqui ? (pousa os sacos no chão)
Ang. Beatriz - Hum? (acorda dos seus pensamentos)
Constância - O que veio aquela senhora cá fazer? Não sabe que o seu pai não quer nem um pé dessa senhora nesta casa? (dialoga apressadamente)
Ang. Bea. - Eu sei... Eu sei disso... Mas a culpa não foi minha. Ela chegou aqui, entrou com pose de madame e pôs os pés no sofá como se fosse a dona!
Constância - Mas quem é que lhe abriu a porta?
Ang. Bea. - Fui eu, mas ela entrou logo de rajada! E ainda nos ameaçou!
Laura - Bruxa!
Constância - Ameaçou-vos?
Ang. Bea. - Ameaçou feita de parva!
Laura (levanta-se) - Mas a mana pôs a tia logo daqui para fora!
Constância - Foi?
Ang. Bea. - Foi... Mas a Constância sabe o que se passou entre a tia e o meu pai...
Constância - Eu? (disfarça) Eu não sei de nada menina. Aliás, venham, venham, venham ajudar-me com as compras e pare com essas coisas... (pega em alguns sacos)
Ang. Bea. - Eu uma vez ouvi os meus pais falarem de uma morte e o nome da tia estava para ali no meio...
Constância - Não diga disparates...
Laura - Eu vou dizer ao pai! Ele vai ficar chateado (entristece).
Ang. Bea. - Era bem feita que o pai fosse falar com ela e lhe desse nas trombas!
Constância - E ainda por cima, ameaçar-vos aqui sozinhas?! Essa mulher... Essa mulher nada, venham, tragam as sacolas...

(As meninas levantam-se e cada uma pega alguns sacos.)


Cena 3 - Tarde - António - Casa de Maria Francisca

(António não dispensa o seu sofá. Sobre a mesinha da sala, vários maços de nota. Ao lado, uma pistola e alguns pequenos pacotes castanhos suspeitos. O telefone que irá tocar, está na cozinha, que pode ser vista da sala.)

António (com algumas notas de 50€ na mão) - beleza... Vocês ficam aqui! (coloca-as em cima da mesa)

(Pega um pacote que se derrama no chão, desvendando o conteúdo)

António - Me*da! (Apanha arrastando com a mão e introduzindo-o novamente no pacote) 50€?! Será?! (Analisa o pacotinho)

(O telefone toca e dirige-se para a cozinha. Regressa.)

António - Tou?! Tás a gozar, apanharam? (ri sorrateiramente) Leva o gajo para lá, yh isso memo! Não não não, não te preocupes, eu trato disso, eu trato disso... Epá, já sabes que comigo nada falha, fica bem.

(Atira o telemóvel para cima do sofá)

António - (Olha para cima, agradecendo a Deus e ri) - É preciso ter muita sorte, é hoje... É hoje que acabo contigo palhaço de me*da. Vais perceber que comigo não brincas!

(Dirige-se para o quarto)

António - É hoje!


Cena 4 - Tarde - Maria Francisca - Autocarro

(Ainda não recuperada da humilhação que acabara de passar, Mª Francisca está num autocarro, a caminho de casa. O transporte que utiliza não está cheio e esta encontra-se sentada nos últimos lugares da fila com 2 pessoas ao seu redor e a mala sobreposta às suas pernas.)

Mª Francisca (com a mão na mala, retira o telemovel e leva-o ao ouvido) - Tou... (Recompõe-se, limpando as restantes lágrimas) Tou! Desculpe lá Sr. Joaquim, já devo estar a abusar... É o António, não consegue sair da cama e queixa-se de dores... Acho que tenho de ficar com ele e não vou poder ir mais hoje.... Não faz mal? Obrigada... Não, não se preocupe, eu amanhã recompenso. Adeus e mais uma vez obrigada.

(Coloca o telemovel na mala e permanece pensativa)


Cena 5 - Fim de tarde - António / Conchas / Pitas / 4 capangas - Armazém velho

(O dia aproxima-se do fim e o sol insiste em dar lugar à lua. O espaço de ação é um armazém velho, com várias caixas de madeira espalhadas pelo chão e apenas com algumas mesas e cadeiras. Não tem muita iluminação, mas recebe o suficiente para que haja contacto visual. Todos estão vestidos informalmente à exceção de Rodrigo.)

António (para um dos capangas na porta de entrada) - Eles estão lá dentro?
Capanga 1 - Sim.
António - Sim não, sim senhor chefe. (Analisa este de cima a baixo) Hum...

(Entra)

António - Elááá, que estamos todos catitas! (Dirige-se para Rodrigo) Fatinho, gravatinha... Ias-te casar?

(Rodrigo encontra-se amarrado e todo molhado, sentado numa cadeira de madeira rústica. Alguns metros atrás, Conchas e Pitas, lado a lado com mais 2 capangas.)

Rodrigo - O que é que tu queres? O que é que querem de mim?
Conchas (Avança para a frente) - Oh seu me*das(...)!
António (que interrompe o avanço de conchas) - Calma...

(António dá uma chapada dolorosa a Rodrigo)

António - OH meu cab*ãozinho de me*da! O que é que achavas, ham? Xibavas-nos a todos e bazavas, é isso?
Rodrigo - Mas eu...
António - Mas tu nada pá!
Pitas (que gagueja) - E ainda levou o gold todo do Afonso!
Conchas - És muita palhaço. Olha lá, porque é que xibaste o gajo?
Rodrigo - Mas eu não xibei ninguém poças! Acreditem em mim!
António - Acreditar em ti? (outra chapada) Ouve lá... A vontade que eu tenho é de te rebentar a cabeça!
Rodrigo - Não, por favor! Isso não!
Conchas - Então confessa! Porque é que foste dar pra Xisnove, ham? Ham meu filho da p*ta?!
Rodrigo - Eu...
António - Confessa pá! (Aponta uma arma, sinalizando também para um dos capangas fazer o mesmo)
Rodrigo - Eu prometo que devolvo tudo, mas não me façam nada, por favor!(Chora)
Conchas - Deixa-te de rodeios f*da*e!
António - Pá, se eu tiver que te matar, eu mato tás a ouvir? Arrebento com com a tua cachola em 2 segundos (aponta a arma)
Rodrigo - Não, por favor, eu digo!

 

(A cena reparte-se em 2 metade)


Cena 6 - Fim de tarde - Angélica / Laura / Constância - Quarto dos pais

(Curiosa, Angélica tenta descobrir algo que evidencie o que se passou no passado entre a tia e o pai. Assim, o quarto da mãe é onde tudo se ambienta, com boa iluminação e tudo 'moderno' - paredes brancas, cama branca, assim como os móveis.)

Angélica (remexe nas gavetas da cómoda) - Aqui não há nada, só roupa!
Laura (nas gavetas do guarda-roupa) - Nem aqui!
Angélica (senta-se em cima da cama) - E se a tia matou alguém?
Laura (senta-se no tapete ao lado da cama) - Não sei...

(Constância entra, carregada de roupa)

Constância - Mas o que é isto? Que desarrumação é esta?
Laura - Nós...
Angélica - Nós... É assim Constância, nós viemos a procura de alguma coisa que mostrasse o que é que se passou entre o pai e a tia...
Constância - Menina, se você continua com isso, eu vou falar com o seu pai!
Angélica - Não, não faças isso! Mas é sempre a mesma coisa, sempre ouvimos o pai a dizer para não falarmos com a tia, que ela era uma má pessoa e só nos faria mal, mas eu sei que se passou alguma coisa, eu sei!
Constância (coloca a roupa em cima da cama) - Se se passou alguma coisa ou deixou de passar, só tem de perguntar ao seu pai! Não tem que mexer assim nas coisas dele e desorganiza-las. Oh, oh para isto! Meninas!
Laura - Nós arrumamos!
Angélica - E eu sei que tu sabes de alguma coisa!
Constância - Já lhe disse para não dizer disparates!
Angélica - Mas quais disparates? Tu sabes muito bem que houve qualquer coisa aí... Uma vez ouvi o meu pai a falar de mortes com a mãe e o nome da tia tava pra ali no meio...
Constância - A... A... A menina anda é a ver televisão a mais! Mas o que é isso de ouvir as conversas dos pais, hum?
Angélica - Eu estava só a passar...
Constância - A passar, sei!


Cena 7 - Fim de tarde - António / Conchas / Pitas / 4 capangas - Armazém velho

Rodrigo - Ele pediu para eu fazer uma cena por ele e ... eu fiz... eu fiz! Juro que fiz! (transtornado)
Conchas - O que é que ele te pediu para fazer, ham?

(Rodrigo não responde)

António - Fala c*r*lho!

(Rodrigo não responde)

António (dá um tiro para o alto e grita) - Fala c*r*lho!!!
Conchas - Epá!

(Pega na pistola de António e atira em Rodrigo)

António - O que é que foi isso?! O que é tu foste fazer c*r*lho!!!
Pitas - Eish (tapa os olhos)
Conchas - A vida dele não vale o tempo que perdemos aqui! Quer dizer, não valia! Pena, era um bom rapaz!
António - És tão burro pá! E agora ham? O que é que fazemos com ele, ham? Epá és tão burro meu!
Conchas - Epá cala boca e tem calma rapaz! Tu (aponta para um dos capangas) Chama aí o outro, dêem conta disto!

(O capanga dirige-se à porta)

Pitas - Mas...
Conchas - E tu calas-te! Anda cá (faz um sinal para António e afastam-se, de forma a que conversem isoladamente)

Conchas - Calma mano!
António - Mas calma como? Tu mataste o gajo e ele ia contar tudo pá!
Conchas - Achas mesmo? Caga nele, agora é comida de rato, de rato! (ri-se)
António - E tu riste-te!
Conchas - Queres que eu faça o quê, hum? Como se não fosses fazer o mesmo.
António - O que é que eu digo à Maria?
Conchas - Eu falo com ela, tem calma!

(Voltam a aproximar-se do local)

Conchas - E tu meu rapazinho, abres a boca e acontece-te o mesmo! (Aponta a arma para a cara de Pitas, encostando-se nele)
António - Ele é tranquilo, é dos nossos.


Cena 8 - Fim de Tarde - Susana / Luís / Constância - Sala da casa dos Moniz

(A sala mantém-se como sempre - o enorme sofá frontal à televisão, com a mesinha de vidro pelo meio; o telefone do lado esquerdo e atrás de tudo isso, uma enorme parede coberta por uma enorme estante de cristais. Da sala é possível observar a porta de entrada, que dá acesso direto a este espaço onde se realizará a conversa.)

 
(Susana e Luís entram, abraçados e trocando beijos e gargalhadas.)
Susana - Para com isso! (ri-se)
(Luís prossegue com os beijos e abraços. Constância chega, calada.)
Luís - Constância! (ri-se)
Constância - Hm... Olá...
Luís - As meninas?
Constância - As meninas... As meninas estão (...) estão no quarto a ver televisão.
Luís - Agora não querem é outra coisa!
(Sentam-se no sofá)
Susana - Aaaahh! Finalmente! Estou cansada! Isto de tar sempre sentada o dia todo a desenhar brinquedos, não dá com nada!
Luís - Mesmo!
Susana - O que é o jantar Constância?
Constância - O jantar... Desculpem, mas, mas aconteceu uma coisa hoje aqui em casa...
Susana - O que é que se passou?
Constância - Eu estou aqui a matutar há horas se conto ou não, mas...
Luís - Constância - Então?
Susana - Desembucha mulher!
Constância - A Maria Francisca apareceu por aqui...
Susana - A Maria Francisca?
Luís - A minha irmã? Aqui, aqui em minha casa? Na minha casa?!
Constância - E não é só...
Luís - O que é que ela fez desta vez? 
(Constância fica alguns segundos sem falar)
Constância - A sua irmã ameaçou as meninas, mas não se preocupe (...) a Angélica pôs-lhe logo para fora!
 
(Susana fica calada, pensativa)
 
Luís - Veio nos provocar de certeza, já não basta tudo o que ela fez!
Constância - E...
Susana - Eu, já venho. (Pega na mala, em cima do sofá e sai lançada.)
Luís - Onde é que vais?
Susana (Regressa lentamente) - Eu vou resolver o assunto! Nas minhas filhas ninguém toca, ninguém ameaça nem sequer com um dedo! (Sai e fecha a porta)

 


Cena 9 - Fim de Tarde - Luís / Constância - Sala da casa dos Moniz

Luís - Susana!
Constância - Ai meu Deus (...) Eu não devia ter contado!
Luís - Vou ver se ela ainda está lá fora!
(Luís levanta-se em direção à porta)
Constância - Doutor... tenha cuidado! As meninas andam a perguntar muito sobre o que aconteceu...
Luís - Aconteceu ? O quê?
Constância - A... Aquilo que nós sabemos.
Luís - Eu falo com elas! Mas por favor, isto não sai daqui! Isto é só entre nós!

 

Cena 10 - Noite - Susana / Maria Francisca - Casa de Maria Francisca

(A cena começa com uma música triste, sobre uma Maria Francisca triste e humilhada que não pára de chorar ao pensar no seu passado e nas humilhações com que foi obrigada a se deparar hoje. Chora num canto da sala, pensativa)

 

M. F - O que é que fazes aqui?

Susana - Temos uma conversa pra ter assim oh, (estala os dedos) há muito tempo! 
M.F. - Nós não temos nada para conversar!
Susana - Ah temos temos! O que é que achavas, ham? Ias à minha casa e eu não ia fazer nada, é isso?
M.F. - Eu fui lá porque eu tinha saudades das minhas sobrinhas!
Susana - Tu?! Saudades delas? Oh Maria Francisca, tu mal te dás com elas! Aliás, quem é que se dá mesmo contigo?
M.F. - Pronto, é isto que tens para dizer não é? Então já podes sair!
Susana - Não, eu ainda não acabei! (Fecha a porta com força e avança para a frente, completo pelo recuo de Maria Francisca) Tu agora vais ouvir tudo o que eu tenho para te dizer há muito tempo!
M.F. - Ai ai ai, olha-me esta, põe-te daqui para fora! Mazé!
Susana - Ui que as garras agora saíram de fora!

 

Continua no 3º episódio

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Capítulo 3
 
No episódio anterior:
Ainda em 1994, no capítulo anterior dá-se o encontro momentâneo entre Maria e Constância, que depois de entrar em casa, acaba por pedir satisfações a Angélica e Laura.
Do outro lado, é Maria Francisca, que humilhada, inventa mais uma mentira para o patrão, não tendo que trabalhar à tarde, uma vez que se encontra bastante atormentada. Enquanto isso, António recebe a notícia de que o responsável pela captura do amigo Afonso foi apanhado por um dos seus capangas, cujo Conchas acaba por mata-lo. 
Entardecendo, Susana e Luís recebem a notícia da não desejada visita de Maria Francisca. A mulher resolve tirar satisfações com a cunhada que tanto odeia.
 

O genérico / Vinheta

 

 

Cena 1 - Maria Francisca / Susana - Sala da casa de Mª Francisca - Noite


Maria F. - O que é que fazes aqui?
Susana - Temos uma conversa pra ter assim oh, (Estala os dedos.) há muito tempo! 
Maria Francisca. - Nós não temos nada para conversar!
Susana - Ah temos temos! O que é que achavas, ham? Ias à minha casa e eu não ia fazer nada, é isso?
Maria Francisca - Eu fui lá porque eu tinha saudades das minhas sobrinhas!
Susana - Tu?! Saudades delas? Oh Maria Francisca, tu mal te dás com elas! Aliás, quem é que se dá mesmo contigo?
Maria Francisca - Pronto, é isto que tens para dizer não é? Então já podes sair!
Susana - Não, eu ainda não acabei! (Fecha a porta com força e avança para a frente, completo pelo recuo de Maria Francisca.) Tu agora vais ouvir tudo o que eu tenho para te dizer há muito tempo!
Maria Francisca - Ai ai ai, olha-me esta, põe-te daqui para fora! Mazé!
Susana - Ui que as garras agora saíram de fora!
Maria Francisca - Epá, não tens mesmo nada para dizer não é? Então sai, que já não suporto ver-te à minha frente!
Susana - (Senta-se no sofá e cruza as pernas.) - Sabes? Quando venho à tua casa, não sei... Vem-me à cabeça tudo o que nos fizeste. Tantas memórias... Tantas más recordações, tanta culpa! Como é que consegues mesmo viver neste pardieiro?
Maria Francisca - (Aproxima-se.) Mas tu estás a gozar com a minha cara? Olha para mim! O que é que queres? Humilhar-me, é isso?
Susana - Eu???!! (Cinicamente.) Vês-me capaz disso Maria Francisca?! (Levanta-se.) Eu só estou a ser tão falsa e tão c*bra como tu és com todas as pessoas que te rodeiam!

(Maria Francisca suspira, começando a ficar irritada.)

Susana - Aliás, quem é que se interessa por ti? O teu marido? (Ri-se.) Nem esse te deve suportar! Deve andar na cama com outra, outra não, outras, todos os dias e pôr-te um par de cornos!
Maria Francisca - (Aponta.) Tu limpa a boca para falares do António! Tu não sabes nada sobre a nossa vida, NADA! E tu, o que eras antes de tudo isto? Parabéns Susana Moniz! Conseguiste enganar o idiota do meu irmão! Palmas! Palmas! (Dialoga ironicamente e com um tom suave.)
Susana - Sabes? (Perambula pela sala.) eu pergunto a mim mesma, todos os dias, como é que alguém pode ser tão seca, mas tão reles ao ponto de fazer as coisas mais mórbidas e pôr as culpas todas em quem mais amas! Falsidade...!

(Maria Francisca revira os olhos com raiva, não suportando a afronta.)

 

Cena 2 - António / Conchas / Sr. Joaquim - Carrinha na rua que leva à casa de Mª - Noite

(António é trazido por Conchas numa carrinha branca, sendo deixado na rua em que leva para a casa de Mª Francisca e donde se pode ver a tasca de Joaquim. Quanto à iluminação, recebe o suporte dos enormes candeeiros de rua que se posicionam em frente aos prédios já velhos, numa noite escura.)

(A carrinha chega. António sai do carro.)

António - Tu cuidado com isso...
Conchas - Não te preocupes, confia em mim.

(Joaquim, que trata de fechar a porta do seu estabelecimento, fica chocado ao observar António, normal.)

Sr. Joaquim - Mas...
António - Para onde é que o vais levar?
Conchas - Eu trato disso. Chega de perguntas.
António - Passa para cá o dinheiro.

(Conchas tira do seu carro um maço de notas de 50 euros e entrega a António. / Sr. Joaquim dá uns passos e fica escondido atrás do prédio, onde consegue ter uma visão mais ampla do acontecimento.)

António - Isso... (folheia o dinheiro.) Dá conta disso.
Conchas - Fui! (Prossegue o seu caminho)

(António também segue, sendo perseguido pelo patrão da Mulher. Ao chegar no cruzamento de uma esquina, perde-o de vista e permanece especado e pensativo.)

(António surge na porta de um prédio, onde se reúnem uma carrada de pessoas com um mau aspecto. Recebe alguns pequenos pacotes e trilha um novo caminho, agora em direção a casa.)

 

Cena 3 - continuidade cena 1

Susana - Com tudo o que aconteceu, ganhaste alguma coisa? Diz-me lá? Deves ter ficado com alguns euros... Na... Não me parece. Com essa vida miserável que tu tens? Onde é que trabalhas mesmo? Aaah, lembrei-me! Na tasca (ri-se), na tasca do Sr. Joaquim. Coitado do homem! Por amor de Deus!
Maria Francisca - Cala boca! Só te estou a avisar!
Susana - Elááá, espera. O que é que fazes mais? Calma! Rodas a bolsinha? Não, não, pior! Tu... vendes... droga! Sim porque era isso o que te faltava!
Maria Francisca - Cala a boca!
Susana - Olha para ti. Vês no que deu? Ires a minha casa, tentar fazer uma tentativa, sim porque isso não foi nada, de ameaça, de afronta? Olha no que te tornaste Maria Francisca! Não passas de uma invejosa, e uma criminosa, uma R*-MEI-RA!

Maria Francisca - Cala a boca! (Grita e dá uma chapada à cunhada.)
Susana - Bate mais, bate! Bate! Mostra naquilo em que te transformaste, seu monstro! Vagabunda. Mas olha, quando me dâo, eu devolvo! (É a vez de Susana que dá uma chapada tão forte a MF,que esta acaba por cair no chão.)

(As duas envolvem-se numa luta acesa: Maria Francisca consegue então agarrar a visitante pelos cabelos e rastejá-la pelo chão, acabando por cair. Susana aproveita a situação e impede a irmã do marido de se mover, agarrando-lhe com força e entregando-lhe fortes chapadas.)

Susana - Esta é pelas minhas filhas! Esta, é pelo meu marido! Esta, é por tudo o que causaste na tua própria vida, sua idiota!

(Maria Francisca empurra Susana, que cai no chão.)

Maria Francisca - Sai daqui! Sai da minha casa! Sai!
Susana - (Levanta-se entretanto e ri-se.) Eu saio, eu saio. (Pega na bolsa.) Mas olha, só te aviso uma vez! Nunca mais ponhas os teus pés em minha casa e muito menos, chegues perto da Angélica ou da Laura a pelo menos 1km de distância!
Maria Francisca - Sai, sai daqui! Saaai! (Grita e atira os retratos em cima da mesa contra a porta)

(Susana bate com a porta.)

(Maria Francisca cai no chão, encosta-se ao sofá e chora, humilhada.)

Maria Francisca - Isto não fica assim! (Limpa as lágrimas forçosamente e levanta-se, desesperada) - Não fica! (Sorri , ainda que enlevada de raiva.) Não fica! (Anda pela sala, desfilando ironicamente.)

 
Cena 4 - Susana / António - Noite - Entrada do prédio de Mª Francisca

(Para surpresa de ambos, Susana e António esbarram-se na entrada do prédio de Mª Francisca. Não há porta de entrada.
)
 
António - Susana?!
Susana - Olá António. 
 
(António olha para a entrada.)
 
António - O que é que lhe fizeste?
Susana - Eu?!
 
(António corre para dentro, alarmado.)
 
Susana - Isso mesmo, corre. Vai ajudar a cabra da tua mulher, cambada de c*rnos! 

 
Cena 5 - Maria Francisca / António - Sala - Noite

(Ao entrar, António depara-se com metade da sala destruída. Retratos e enfeitos partidos e espalhados pelo chão, que retrata o caos que acabou por se gerar entre o confronto das 2 mulheres. Maria, sentada no sofá, pensativa.)
 
António - Maria?! O que é que se passou? Estás bem?
Maria Francisca - (levanta-se) Eu?! (leva os braços ao alto) Eu estou bem meu amor, eu estou muito bem! Mentira! (grita) Olha para tudo o que ela me obrigou a fazer. (chora) Olha o que ela me fez. (Dirige-se ao espelho) A minha cara...! A minha cara! (chora)
 
António - Eu avisei-te amor... Eles não te querem perto deles... Senta, anda (leva Mª Francisca ao sofá) Senta.
Maria Francisca - Hoje foi um dos piores dias da minha vida! Humilhações!Tudo veio à tona, (permanece a chorar) voltou tudo à minha cabeça! As mortes, o roubo, os meus pais!
António - Calma mor! Eu estou aqui contigo, não estou? Sempre do teu lado! Tu sabes que nada do que aconteceu foi culpa tua, mas...
Maria Francisca - Mas nada!! Mais uma vez, eles estiveram lá para me ver cair! Não fui eu, não fui eu! (Chora)
António - Eu sei princesa, eu sei... (Abraça-a) Essa não é a minha mulher. A Mª Francisca que conheço cai, mas volta. Volta rainha, volta e arrasa com todos.  Já foste ainda mais fundo e voltaste, voltamos! Limpa isso vá. (Este passa com a mão na cara da mulher)

 
Cena 6 - Susana / Luís / As filhas - Quarto de Angélica - Noite

(Susana entra no quarto de Ang. Beatriz, vendo as duas filhas adormecidas na mesma cama. Com as luzes apagadas, apenas um candeeiro - em forma de lua - ilumina o espaço, reflectindo-se no rosto de cada uma. Vagarosamente e com o maior amor, beija as filhas e aconchega-as suavemente, puxando o cobertor para cima.
 
Regressa à porta onde se encosta, pensativa, mas com um pequeno sorriso.)
 
(Luís surge por trás, sem que ela perceba.)
 
Luís - Adormeceram...
Susana - Ai... amor...
 
(Abraça a mulher.)
 
Luís - Lindas como a mãe.
Susana - As nossas meninas... Amo-te!
Luís - Também te amo... muito!
Susana - Eu sei! (Sorri.)
Luís - Vem, vamos para a cama...
 
(A porta fecha-se, anunciando o envolver da noite.)

 
Amanhece

Cena 7 - Susana / Constância / Angélica / Laura / Leonardo - Sala dos Moniz - De manhã

(A sala permanece tal e qual ela é. Contudo, pode-se ver as malas de Angélica e Laura no sofá, branco; assim como ninguém está presente no ambiente. Estão todos na cozinha à exceção de Luís, que como habitual, irá trabalhar mais tarde.)
 
(A campainha toca. Constância abre, vinda do espaço anterior. É Leonardo quem toca.)
 
Constância - Leonardo!
Leonardo - Bom dia Constância!
Constância - Entre!
 
(Leonardo entra e espera, perto do telefone.)
 
Constância - Vou chamar as meninas.
 
(Angélica e Laura chegam sorridentes da cozinha.)
 
Constância - Afinal não, já aqui estão!
 
(Laura dá um abraço ao amigo.)
 
Leonardo - Hum!! Quem bom!
Angélica - Hm ?! (Com a boca cheia de comida.) Ainda bem que chegaste!
Leonardo - Porquê?
Angélica - As coisas que aconteceram ontem e hoje... Se eu te contar, vais te passar!
Leonardo - Então?
(Susana desce das escadas.)
 
Susana - Leonardo?!
Angélica - (Sussura.) Já te conto!
Leonardo - Ah... Olá tia!
Susana - Tudo bem? Meninas, peguem nas coisas e vamos.
Leonardo - Tudo sim... Ah, o meu pai mandou dizer que chega mais tarde à empresa.
 
(As meninas acabam de comer o que trazem na mão e pegam nas malas, em cima dos sofás.)
 
Susana - Então?
Leonardo - Vai levar a minha mãe a um sítio, não sei...
Susana - Ah, está bem, eu depois falo com ele. Vamos?
Angélica - Sim.
 
(Seguem todos para a saída, sendo Susana a última a sair.)

 
Cena 8 - António / Mª Francisca - Casa de Mª - De manhã

(António levanta-se, em calções, e dirige-se à casa de banho. Vê a mulher que se arranja em frente ao espelho de um balneário pobre e pouco ornamentado, assim como a iluminação, que é básica.)
 
(Levanta-se e segue para o casa de banho. Encontra Mª a esticar o cabelo, frontal ao espelho.)
 
António - Então tigresa? (Abraça a mulher traseiramente.)
Maria Francisca - Olha aí... (Rejeita.)
António - Ainda não te passou aquilo de ontem? Para que é que vais trabalhar?
Maria Francisca - Achas mesmo que eu vou esquecer? Mas é como tu disseste. Eu estou aqui, de pé. 
António - Mas vais para quê?
Maria Francisca - Vou antes que o velho pense que já tou a abusar. E pode ser que traga mais algum para casa.
António - Deixa-te disso...
 
(Maria sai de frente do espelho e dirige-se à sala.)
 
Maria Francisca - O mal que me fizeram, todos pagarão um por um amor. Um por um! (Ri-se.)
António - Mas tu ontem...
Maria Francisca - Ontem nada, ontem ficou lá atrás. Já lutei muito na minha vida para voltar ao fundo.
António - Essa é a minha tigresa... Eu...
Maria Francisca (mexe na mala, em cima da mesa, e retira um gel que passa pelo cabelo) - Tu é que andas na vida boa, não é António?
António - Oh Maria, não vais começar com isso outra vez...
Maria Francisca - Vida boa mesmo... É sair, vender, vir a casa e mais nada, mentira?
António - Tu sabes muito bem que é muito mais do que isso, eu... (Senta-se no sofá.)
Maria Francisca - Ah António, sabes muito, sabes muito... E olha, quando voltar, quero ficar a par de tudo o que tem acontecido, Conchas, tudo isso.
António - Claro, claro amor... Vou me vestir... (Levanta-se.)
Maria Francisca - Ham? A esta hora? 
António - Sim... Vou...
Maria - Onde é que vais?
António - Tenho que... ir resolver uma cenas com o Conchas, o Ricardo, mas depois digo-te tudo.

 

Cena 9 - Luís / Constância - Cozinha dos Moniz - De manhã

(Na cozinha, apenas Constância, no seu serviço habitual de preparação do almoço. Os restos que Susana e as filhas deixaram, permanecem em cima da mesa, com jarras de sumo natural no meio. Luís aparece entretanto, de pijama aos quadrados e pantufas.)
 
Luís (Entra.) - Já foram?
Constância - Já sim doutor.
Luís (Corta um pedaço de um bolo e leva-o à boca.) - Huuum, tão bom! (Senta-se na cadeira.)
Constância - Doutor?! (Põe-se em frente à mesa.)
Luís - Diga.
Constância - Eu estou a meter-me onde não devia, eu sei, mas estou intrigada. A D. Susana saiu ontem e voltou de noite, eu sei que não devia estar a perguntar, mas ela foi ter com a Maria Francisca, não foi?
Luís - O pior é que foi Constância, o pior é que foi.
Constância - E então?
Luís - E então que elas andaram à chapada.
Constância - Temi isso!
Luís - Mas acho que ficou tudo dito. A Maria Francisca merece uma lição, aliás, mais uma, porque parece que não aprendeu.
Constância - Ela erra e volta a errar... A vossa relação já não tem solução pois não? Eram tão chegados, tão próximos doutor!
Luís - Não é fácil perdoar uma coisa que se fez intencionalmente. Constância, ela pôs as culpas todas em mim, ela fez... Ela   se transformou numa cobra. A vida dela tá estragada, não a quero perto das minhas filhas, nem de mim. 
Constância - A Maria Francisca de agora, não é a mesma de há anos atrás.
Luís - Não interessa Constância! Ela fez merda, pagou por isso! E pronto acabou! Ela não vale cada segundo que a minha mulher perdeu com ela, enterrou-se na miséria interior!
Constância - Desculpe... (Arrasta a mão pela mesa.)
Luís - Parece que ela não aprendeu nada durante tantos anos na cadeia! Mas é merecido, muito merecido! 
Constância - Eu sei que não tem perdão o que ela fez, mas...
Luís - Constância, acabou! Acabou! A próxima vez que ela puser os pés em minha casa, ou que fizer mais alguma treta, quem vai lá sou eu. Ela pode ser minha irmã, podemos ter o mesmo sangue, mas o passado fala muito mais alto! Aliás, o passado deve gritar todos os dias no seu ouvido, de manhã à noite.
Constância - Pois...
Luís - Incrível como toda a raiva que sinto dela, está aqui armazenado há tanto tempo. Está guardado, mas tem uma grande pedra por cima, porque para mim ela já não é nada, não vale o peso que tinha na minha vida, por isso não me preocupo com o que ela faz ou o que deixa de fazer. Interessa-me apenas as minhas filhas, a Aspas e a minha mulher. E tu, companheira de vários anos!
Constância - É sua irmã...
Luís - Constância, com licença. Tenho que ir me vestir. (Levanta-se, irado e sai.)

 

Cena 10 - Maria Francisca / Sr. Joaquim - Tasca - De manhã

 

(Ainda por abrir, Maria Francisca entra no estabelecimento - está vazio. As cadeiras estão arrumadas e apenas se pode ver os papeis das contas em cima do balcão. Nos braços, leva a sua mala.)
 
Maria Francisca - Ainda não veio...
 
(Aproxima-se do balcão e observa que os papeis aí presentes, são os relatórios de contas do dia anterior.)
 
Maria Francisca - Palhaço do velho que marca tudo. Só não marca a mãe dele, porque já está enterrada.
 
(Tira um lápis da mala habitual, já velha.)
 
Maria Francisca - Borracha... Borracha! (Procura pelas gavetas detrás do balcão. Encontra.)
 
(Começa por analisar as folhas e posteriormente, altera alguns números, apagando os antigos.)
 
Maria Francisca - F*das, antes que ele chegue!
 
(Guarda o lápis e a borracha, que não é sua, na mala. Dirige-se para a caixa e começa por retirar notas de 20, várias notas.)
 
(Entretanto, no momento em que fecha a caixa e conta o dinheiro adquirido, é o dono da tasca quem acaba por chegar no momento X.)
 
Sr. Joaquim - Maria? O que é isso?

 

 

Continua...

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  • 2 weeks later...
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Peço desculpa ainda não ter publicado o 4º episódio. É maior do que os outros e ando sem tempo para escrever. Mas este fim-de-semana, já estará aqui

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Então Luís.

Estou à espera

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  • 2 weeks later...

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No episódio anterior:
- Maria e Susana confrontam-se, deixando a 1º completamente humilhada

- Constância discute com Luís, pela paz entre os irmãos

- Maria Francisca tenta alterar os números das contas do dia anterior do trabalho, mas é apanhada.

 
 
Cena 1 - De manhã - Tasca do Sr. Joaquim - Maria Francisca / Sr. Joaquim.

(A tasca apresenta um ambiente escuro. A metros da porta, um balcão de mármore - com uma caixa registradora e cervejeira em cima - perpendicular à entrada do espaço. À frente, vários bancos sem partes traseiras, paralelas a 3 mesas verdes que se distribuem pela tasca. Ao fundo, duas portas: uma leva ao armazém, outra, ao quarto de mudanças de roupa e acessórios e etc. Maria Francisca sentada num dos bancos com as contas do dia anterior que pretendia editar. Entretanto, aparece o chefe.)

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Sr. Joaquim (Que entra de súbito.) - Maria, o que é isso?!

Maria - Ai credo!

Sr. Joaquim - Volto a perguntar, o que é isso? (Avança uns passos.)

Maria - Não, não é nada... São só uns trocos meus, nada mais... (Atrapalhada.)

Sr. Joaquim (que se aproxima da caixa) - As folhas, borracha... (Abre a caixa.) Maria, falta aqui dinheiro!

Maria - Ah!

Sr. Joaquim - Maria?!

Maria - Mas, mas o senhor está a afirmar que eu roubei alguma coisa?! Eu?!

Sr.Joaquim (Que acaba de contar o dinheiro na caixa.) - Roubou! Roubou! E estes números não são os que eu escrevi ontem, eu sei que não!

Maria - O senhor não está a dizer coisa com coisa! Você escreveu isso ontem! Vou-me vestir! (Levanta-se do banco.)

Sr. Joaquim (Agarra-a pelos braços.) - Não, você não sai daqui! Eu tenho a certeza do que digo, Maria!

Maria - Largue-me! Tantos meses aqui e duvida de mim! De mim?! (Empurra o velho.)

Sr. Joaquim - Deixe-me ver na sua mala! (Agarra na mala da empregada.)

Maria - Largue-me seu velho! Este dinheiro é meu! (Empurra o velho novamente.9

Sr. Joaquim - Que desilusão! Chega de mentiras! De um dia para o outro descubro que nem o seu marido está doente e que você me anda a roubar!

Maria - Ham?! Eu não digo?! É falta de sono, eu já disse, vou pôr a bata!

Sr. Joaquim - Vou chamar a polícia! (Dirige-se ao telefone da parede.)

Maria - Polícia?! (Fica um pouco pensativa.)

Sr. Joaquim - Estou?! (Ao telefone.)

(Maria dirige-se a Joaquim, retirando-lhe o telefone. Enconsta-o à parde.)

Maria (Fala-lhe ao ouvido.) - Chame a polícia. Chame. Chame para eu contar a história do velho tarado.

Sr. Joaquim - O que estás para aí a dizer?! Larga-me, as pessoas vem aí!

(Maria dirige-se à porta e tranca-a.)

Maria - As pessoas vão gostar de ouvir, não, as pessoas vão adorar ouvir a história do velho porco. Do velho que tinha aventuras com miudas. De quantos mesmo?! 14?! 15?!

Cena 2 - De manhã - Quarto de Luís - Luís / Constância

(Depois da discussão com a governanta, Luís prepara-se para ir trabalhar. As roupas em cima da cama e as grandes janelas do quarto estão abertas. Destaca-se as cortinas roxas.)

Constância (Entra no quarto.) Com a sua licença doutor...

Luís (Que veste as calças.) - Entra.

Constância - Amanhã...

Luís - Amanhã constância...

Constância (Senta-se no divã do quarto.) - Já se passaram 5 anos.

Luís (Sentado na cama, calçando os sapatos.) - 5 anos e continuam nos meus pensamentos, todos os dias!

Constância - Normal, são os seus pais. Doutor... Eu peço desculpa, eu sei que há pouco me ultrapassei, exagerei, mas...

Luís - Já passou. Pega num pano e limpa a nossa conversa. Tudo o que for sobre aquela rapariga, apaga. Mentaliza-te de que não há uma boa e uma má Maria Francisca. Conheço-a há 24 anos e custa-me dizer isso, mas é a verdade.

Constância - E amanhã, vai não vai?

Luís - Vou, foi como dissete, apesar de tudo, são os meus pais. Não ir, seria falhar com eles, comigo.

Constância - Não poderia faltar. Afinal, fomos amigos. Amigos durante vários anos!

Luís (Veste o casaco.) - Passam os anos e tu continuas aqui, como uma mãe para mim. Para mim e não só! Para as minhas filhas, para a minha mulher.

Constância (Sorri, tímida.) - Devo-lhes isso! Os meus meninos cresceram. O meu menino cresceu! Já é um homem! Tanto construiu, merece ser feliz. Estou velha, sozinha.

Luís (Senta-se em frente à ama.) - Não digas isso! Nunca! Tens-nos a nós, tens o teu filho que mesmo estando noutro país, olha por ti! Nós também somos a tua família, tu és como uma segunda mãe para mim!

Constância - O meu menino! (Abraça-o.)

Cena 3 - De manhã - Tasca - Sr. Joaquim / Maria Francisca

Sr. Joaquim - Não...! Como sabes isso? Não, não! (Enconsta-se ao balcão, desesperado.)

Maria - Sim sim patrãozinho, eu sei das suas aventuras. Que nojo! Com miúdas, com crianças?! O pior de tudo, foi quando foram para o beco. O beco?! Meu Deus?!

Sr. Joaquim - Cala-te! Não sabes o que dizes!

Maria - Não que não sei! A sua mulher não o serve em casa?! Bem, não interessa.

Sr. Joaquim - Não! Não! Não é possível!

Maria - Ai cale-se homem! Fazemos assim; este dinheiro (Fala lentamente.) fica para mim. Eu não chamo a polícia, nem digo nada a ninguém. Olhe, como se diz mesmo, faço da minha boca, um túmulo! (Ri-se.)

Sr. Joaquim - Combinado, combinado! Mas isto não sai daqui!

Maria - Calma. Vamos ser bons amigos, aliás, vamos continuar a ser! Fazer de conta que isto nunca aconteceu! (Sorri.)

(Caminha lentamente para a porta do armazém.)

Maria - Aaaah! (Espreguiça-se. O velho olha para ela.) Estou a precisar de folgas! Você não acredita, mas este trabalho cansa! Ah, é verdade. Amanhã, não devo vir. Aliás, amanhã não venho.

Sr. Joaquim - Não?! Porquê?

Maria - Fazem 5 anos da morte dos meus pais e sabe, é preciso fazer-lhes uma visita. Já lá não vou há algum tempo. (Parada e com um olhar pensativo.)

Sr. Joaquim - Tudo bem! Mas Maria, por favor, que isto não saia daqui!

Maria - Está bem, está bem! E depois podiamos falar do meu salário, mas como eu sou muito boa pessoa, vamos abrir. (Dirige-se primeiro à porta de entrada.)

Sr. Joaquim (Sussura.) - Vadia!

(Maria Francisca abre o estabelecimento.)

Maria (Dirige-se ao armazém.)

(No armazém.)

Maria - Ai, ai ai ai! Estes velhos de hoje em dia. Mal aguentam as gordas que estão em casa e querem miúdas, miúdas! Bem, este já está arrumado. Só eu sei como estar na frente, mais uma vez! 40 a 0 para Maria Francisca! (Ri-se e abre os braços.)

Cena 4 - Susana / Luís - Sala da casa - De manhã

(A sala está vazia. Susana surge e Luís desce as escadas.)

Susana (Que após entrar, dirige-se ao sofá. Olha para as ecadas.) - Ui, que sexy que estamos!

Luís - Então, já vieste?

Susana - Esqueci-me dos dossiers dos novos brinquedos no escritório!

Luís - Não amor, eu pú-los no meu carro.

Susana - Ãnn! Fiz todo este percurso pra nada! É de manhã e já estou cansada!

(Luís senta-se a seu lado no sofá, pondo o seu braço por de trás da mulher.)

Luís - Estamos a precisar de férias não estamos?

Susana - Era excelente!

Luís - Mas não dá amor, sabes disso!

Susana - A Aspas, mais uma vez!

Luís - É o nosso dia-a-dia môr, já devias estar habituada. O nosso pequeno bebé!

Susana - Por falar em bebé...

Luís - Ham?!

Susana - Não amor, nada disso! (Sorri.) Tens mesmo a certeza de que queres ir amanhã?

Luís - Se não podemos fazer férias, que tenhamos um dia de descanso. Eu quero a minha rainha amanhã, só para mim!

Susana - Bem longe daqui! Uma noite só nossa.

Luís - Um dia só nosso amor!

Susana - Mas amanhã...

Luís - Amanhã nada, é só mais um dia como os outros. É o dia em que fazem 5 anos da morte dos meus pais, mas não posso entristecer. É apenas mais um dia, aliás, é o nosso dia!

Susana - É, tens razão. Mas eu não te quero ver em baixo! As meninas também vão ficar bem, devem ver um filme. É o que fazem sempre! Mas vá, vamos que o trabalho espera!

Cena 5 - António / Conchas / Várias outras pessoas - Casa de Mª Francisca (Sala) - Meio-Dia

(Em casa de Maria Francisca, reúne-se uma quantidade de pessoas ligadas ao negócio. Entre elas, destacam-se António e Conchas. Quer na mesinha como na mesa grande, encontram-se pacotes maiores e menores, tesouras e maços de nota. Joalharias em ouro também se pode ver. António está no sofá, ao redor de um grupo de amigos e Conchas na mesa.)

António - 80 contos?! Isso é o preço de uma televisão. Mano, estamos em Portugal, não estamos no Brasil.

Ricardo - Era bom lá estar. Aquilo lá tem preço de ouro.

António - Quanto é que isto vale no Brasil?

Francisco - Uns bons reais.

António - Uns bons reais não é nada. Em dinheiro, verdes, notas!

Ricardo - Epá não sei, 3000 reais?! O Rodrigo é que sabia disso, ele é que contactava com o pessoal de lá.

(António e Conchas trocam olhares.)

António - O Rodrigo. O Rodrigo, ele tá cá? O Rodrigo é um c*brão, quase nos ia f*dendo a todos no bairro.

Pebas (Segue da mesa ao sofá.) - Xibou e fugiu o gajo;

Ricardo - O mais provável é estar morto!

Conchas (Dirige-se ao sofá) - Morto?! Porquê morto?

Ricardo - Epá não sei, ou secalhar a bófia lhe apanhou.

António - Se a polícia o tivesse ''pegado'' já sabiamos disso há muito tempo, ele vai aparecer por aqui. Tiago (O nome verdadeiro de Conchas.) anda comigo aí à cozinha pra servir o pessoal.

(Os 2 dirigem-se para a cozinha, sobre o olhar suspeito de Francisco.)

(Na cozinha.)

António - Vês a m*rda que fazes?

Conchas - Outra vez com essa conversa?

António - Epá o que é que queres que eu faça? Já estão todos a desconfiar!

Conchas - Calma mano! Ninguém nos viu, ninguém viu o gajo. Vai ficar sempre aquela dúvida se fugiu ou se foi ''pegado''.

António - Tou para vêr como é que vou contar as cenas à Francisca (Passa a mão na testa, preocupado.)

Conchas - Qual é a cena?

António - Qual é a cena? Qual é a cena? A cena é que matamos um gajo que a polícia tava atrás quando já tínhamos despistado a bófia

Conchas - Andas muito preocupado com isso... Nem é o 1º que nos livramos, tás assim porquê?

António - Não é o primeiro de que nos livramos, mas dos outros ela nunca soube.

(Francisco entra de súbito. António e Conchas desconfiam do outro.)

Francisco - Então pá?! Querem ajuda?1

António - Népia, népia. Estamos a ver o que levar.

Francisco - Deixa ver aqui no frigorífico. (Dirige-se ao frigorífico.)

Conchas (Sussura para o marido de Maria Francisca)- Ouviu...

(António abana a cabeça, sem pronunciar uma resposta.)

 

NOVO DIA

Cena 6 - Meio dia- Sala da casa dos Moniz - Constância / Susana / Luís

(Constância encontra-se sozinha na sala, pensativa. Passos à frente, Luís e Susana descem das escadas, calados, de mãos dadas e ambos com roupas adequadas: ela com um vestido preto e ele com um fato todo ele escuro. O silêncio reflete o medo de tocar no assunto.)

https://www.youtube.com/watch?v=iF7zdC3HqUg

(Luís e Susana descem das escadas, de mãos dadas e silenciosos. Constância aproxima-se.)

(Trocam olhares; alguém terá de quebrar o silêncio.)

Luís - É só mais um dia como os outros, não é preciso ficarem assim. (Emite um sorriso, falso e triste.) a Laura e a Beatriz já estão de pé?

(O silêncio permanece.)

Constância - Já... (Cruza as mãos, refletidas.)

Luis - Estão na cozinha?

(Constância abana a cabeça, que rapidamente baixa.)

Luís - Vou lá. Ao menos elas devem estar com um sorriso na cara.

(Luís solta a mão da mulher, dirigindo-se à cozinha. As restantes personagens permanecem.)

Susana (Senta-se no sofá.) - O tempo passa e eu não o entendo!

Constância - É o caminho que o doutor escolheu para não sofrer. Eu entendo.

Susana - Apesar de tudo, vejo na cara dele, o mesmo que vejo na Maria Francisca. Isso receia-me!

Constância - A mesma dor, o mesmo ódio. A mesma maneira de esconder os problemas, são irmãos. Espelham um ao outro.

Susana - Custa-me vê-lo abafar a dor.

Constância - Não apenas a si menina.

(O silêncio retorna.)

Susana (Volta a quebra-lo.) - Hoje à noite, fique com as meninas

Constância - Sim, já sei, já me foi dito.

Cena 7 - De manhã - Cozinha - Laura / Beatriz / Luís

(As filhas estão à mesa, a comer o seu pequeno almoço. Luís fica na entrada, sem se mover.)

Ang. Beatriz - Pai?!

(Laura corre e abraça o pai.)

Luís - Hum! Que bom este abraço!

Angélica - Estás bem?

Luís - Porque não estaria?

(Angélica fica sem resposta.)

Laura - Não fiques triste pai. O avô e a avó estão a olhar por ti, todos os dias. (Sorri ao pai.)

(Angélica fixa um olhar repressivo em Laura.)

Luís - Eu sei filha. Eu sei. O que é que se come por aqui?

Angélica - Pai, queres falar comigo?

Luís - Sobre?

Angélica - Oh pai...! Tu não estás bem!

Luís - Até tu? Mas será que hoje vou ser abatido por essas perguntas, é isso? Estou mal? Vêem-me mal? Eu não estou, estou bem! Muito bem!

(Constância e Susana aparecem à porta)

Luís - Morreram? E então? Já lá vão cinco anos!

Susana - Môr, calma!

Luís - E todos sabemos de quem é a culpa! Morreram os meus pais! (Chora, nervoso.) Meus!

(Laura assusta-se, correndo e abraçando a mãe.)

Luís - E quem devia ter pago, não pagou o suficiente! Não!

Constância - Doutor Luís, venha!

Luís - De que adianta a prisão, se eles já não voltam?! Morreram à minha frente, minha frente!

(Luís é levado por Constância e Susana para a sala.)

Cena 8 - Meio-Dia - Casa de banho - Maria Francisca / António

(Maria Francisca está de frente ao espelho, penteando-se, na casa de banho. O espaço é pequeno. No teto, apenas uma lâmpada, sem um candeeiro.)

(Maria Francisca penteia-se.)

Maria Francisca (Grita, assustada.) - Paaaai!!!! (Afasta-se do espelho, deixando o pente cair.) Paai!

(Sai da casa de banho e enconsta-se à parede do corredor. António acude.)

António - Maria o que é que se passa?

Maria Francisca (Numa respiração ofegante.) - Pai! Eu vi o meu pai!

António - Não amor, calma!  (Beija-a.) Calma!

(Maria acalma-se.)

António - Queres que vá contigo?

Maria Francisca - Larga-me! Achas?! Ele pode assombrar-me o quanto quiser! Eu vou, vou porque temos contas a ajustar!

António - Não achas que tudo isso devia ficar no passado?

(Maria levanta-se.)

Maria - Passado? Qual passado? O mesmo passado que me enfiou dentro de uma cadeia por uma coisa que eu não fiz? O mesmo passado que tirou a minha inocência, eu era tão nova para aquilo tudo!

António - Maria, todos nós sabemos...

Maria Francisca - Se eu lá vou, é porque preciso! Preciso todos os anos de me restabelecer, de perguntar porquê, frente a frente. Se não obtive resposta em vida, que tenha em morte! Eu é que passei anos na cadeia e tu sabes o quanto isso me assola todos os santos dias! De manhã ao acordar, no trabalho, à noite. Mas eu não vou viver com isto para sempre, porque eu quero vingança!

António - Vingança?!

Maria Francisca - Vingança António. Vingança por tudo aquilo que perdi, por tudo aquilo que não tive! Basta olhares para o meu irmão! Se é que somos mesmo irmãos, não é?!

António - Ham?!

Maria  Francisca - Esquece amor, esquece. Agora que venham todos os espíritos, todos os fantasmas, venha o demónio se for preciso, mas eu quero justiça!

António - Estás pronta?

Maria Francisca - Eu já estou pronta! (Lágrima no canto do olho, de raiva.) Vou pegar nas minhas coisas e ir, mais uma vez, sem medo!

Cena 9 - Tarde - Quarto de Constância - Constância

(Constância está no seu quarto, comparável aos restantes. É um quarto tão ornamento como o resto da casa, com uma cama enorme no meio. As cómodas e os armários castanhos, com uma cortina branca.)

(Na cama da governanta, várias cartas e algumas caixas abertas. Ela lê-os.)

Constância - «O tempo passa e o que sinto por ti cresce. Cresce descontroladamente ao ponto de dormir e não querer acordar. Sonho contigo todos os dias, sonhos que me fazem viver cada dia, para poder partilha-la contigo.»

(Constância chora, levando a carta que tinha na mão ao peito. Pega noutra.)

Constância - «Chegamos dia 23 a Angola. Aflijo-me por não estares cá, por não poderes ter vindo. Sinto saudades tuas, do teu corpo, do teu calor.»

Angélica - Constância!!! (Angélica grita por Constância.)

(Constância atrapalhada, arruma as cartas para dentro das caixas.)

Angélica - Posso entrar? (Bate.)

(Uma carta cai para debaixo da cama.)

Constância - Pode menina! Claro que sim!

Angélica (Entra e senta em cima da cama.) - Estive a pensar! Podiamos ir ao cinema, à noite! O que achas?

Constância - Ai Angélica, cinema?

Angélica - Por favor!

Constância - Está bem, está bem! Vamos ver o seu pai agora!

(Levantam-se em direção à porta. Angélica vira-se e vê a carta debaixo da cama, mas permanece calada e segue.)

Cena 10 - Tarde - Cemitério - Maria Francisca

(Maria Francisca chega ao cemitério de Taxi, que lhe deixa à entrada. O Cemitério de Benfica é ambiente para a cena.)

(Chega de taxi, que se estaciona à porta do local.)

(Abre a porta e dirige-se, a passos normais, para o cemitério, realçando-se o som do bater dos seus saltos no chão.)

(Chega à sepultura. Silência-se, quebrando posteriormente o mesmo silêncio.)

Maria Francisca - Morto, podre! Incrível como passam os anos e eu não me canso de dizer isto? Repetir e repetir de novo, é saudável para a minha alma, sabes? O que é que resta de ti agora senhor Henrique? (Sorri.) Hum? Não... Deves estar por inteiro! Deve ser difícil para os bichinhos aí em baixo (aponta com desprezo) roerem alguém tão sujo por dentro, mas sujo em alma, entendes? (Faz uma pausa e olha fixamente para o túmulo. Deixa de sorrir.) Eu até hoje me pergunto, o porquê. O porquê de tudo isto, pai. Ser uma criança e perder a sua inocência, pelo próprio pai?! E uma coisa que eu adoro ver, adoro, juro-te, são aquelas pessoas que me apontam o dedo, recreminam-me por tudo o que fiz, mas na verdade, não conhecem a p*ta da história que foi escrita para mim e fizeste acontecer. Ou aquelas que mesmo depois de saberem, continuam a achar-me culpada, (Começa a gritar.) quando o único culpado de toda esta história és tu! TU!

(Atira a mala contra a sepultura.)

Maria Francisca - TU! TU é que me obrigaste a tudo isto, aliás, tu e o teu filho tão querido, tão amado. Aliás, já nem sei quantos é que eles são. (Recompõe-se.) Mas bem. Ah não, espera!

(Sobe para o túmulo, pé ante pé, em modo de gozo.)

Maria Francisca - Falta isto! (Observa se ninguém está a ver.) Vazio! (Começa a dançar e assim continua por um bom bocado.)

(Desce.)

Maria Francisca - Que é?! (Ironiza, olhando para a sepultura.) Desculpa pai, eu tenho de inovar. Já viste o que era vir cá todos os anos e fazer sempre o mesmo? Não variaste comigo? Não fizeste de mim um brinquedo? Não tinha piada nenhuma pai.

https://www.youtube.com/watch?v=DgGHpJyTxxY

Maria Francisca - Porque é graças a ti que eu sou isto! (Chora.) É graças a ti e ao teu filho querido, ao filho que tanto amaste que eu sou assim! (Chora, abraçando-se a si mesma.) De ti nunca recebi amor, nem uma gota de qualquer carinho, porquê?! Eu era diferente, é isso?! Era pai? (Grita.) Bendita a hora em que morreste. (Limpa as lágrimas, forçosamente.) Não, tu não mereces qualquer lágrima minha, qualquer piedade. Nem tu, nem o Luís, nem ninguém.

Cena 11 - Tarde - Rua em frente ao cemitério - Luís / Susana

(Luís e Susana descem do seu carro, estacionado, vestidos de preto. O cemitério de Benfica continua a ser palco da ação. Em frente ao cemitério, uma avenida.)

https://www.youtube.com/watch?v=EqecQXH33ZU

(Ficam parados em frente ao carro.)

Susana - Estás preparado?

Luís (Silencia-se, mas depois de algum tempo responde.) - Os anos passam, mas nunca me deixou de custar vir aqui. De verdade.

Susana - Fazes-te de forte! Môr, podemos não ir, não é uma obrigação tua.

Luís - É, é uma obrigação. Não só por serem os meus pais, mas tu sabes muito bem porquê.

Susana - Já nada te prende aqui.

Luís - Não digas isso...

Susana - Não penses mais nisso, ela já pagou pelo que fez.

Luís - Ninguém nunca vai apagar o que aconteceu. Não posso estalar os dedos e fazer os meus pais reaparecerem.

Susana - Eu sei mas...

Luís - Mas vamos.

(Começam a andar,em direção à entrada.)

 
Continua... (Dentro de 2 dias - 100% de certeza - será postado o 5º episódio)
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