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Primeira crónica de 2025. Depois de no ano passado trazer o número recorde de uma crónica (as revistas não contam), trago de volta outra crónica de urgência.

Em vez de pegar em mais um canal nosso, vamos ao Brasil. Isto porque a Disney está a fazer uma purga geral que acabará amanhã. Só os canais desportivos da marca ESPN sairão ilesos.

Com isto, só resta um Disney Channel lusófono - o português.

 

Boa parte das informações vieram de relatos do site Tela Viva, da qual baseei os dados para a Wikipédia inglesa.

 

A história do Disney Channel brasileiro remonta a 1997, quando a Disney queria lançar o canal na América Latina, atirando as fichas para 1998. O canal estava à procura de conteúdo local, para continuar com a essência que tinha criado fora dos Estados Unidos, para criar localização.

Havia um porém. Naquele tempo a televisão paga, apesar de cara e com poucos assinantes, estava dividida em dois campos: o campo da Globo e o campo dos concorrentes. O campo da Globo envolvia a NET e a SKY. Os nomes sonantes da concorrência eram a TVA e a DIRECTV. Na altura havia uma guerra de exclusividades onde a SKY ganhou a finada PSN (engolida por uma crise argentina e pelo dinheiro que recebeu na moeda errada) e a concorrência ganhou o direito dos canais premium da HBO, bem como dos canais base representados pelo grupo. Havia a Disney Weekend, na DIRECTV, pelo que entendo era pay-per-view de sexta a domingo e não era suficientemente viável.

Em Fevereiro foi anunciado o início do canal no Brasil, com data marcada para o dia 5 de Abril, pouco depois do lançamento do canal em espanhol para o resto da América Latina, tendo sido posicionado como um canal familiar. Para obter conteúdo local, é assinado um acordo de reciprocidade com o SBT (a FOX, hoje STAR Channel, aliás também a versão brasileira vai de Vasco, assinou um contrato com eles para emitir a Ilha da Sedução - Ilha da Tentação brasileira - no dia a seguir à passagem em canal terrestre) que visava a criação de uma versão do Zapping Zone para o canal emitir aos domingos, bem como o contrário onde o Disney Channel passou uma extensão do Popstars - porém adaptado aos padrões da Disney - em exclusivo, com os materiais que não cabiam nos diários emitidos no SBT. Em Julho de 2002 entrou no ar o Playhouse Disney brasileiro, filmado em Buenos Aires (o nosso bem como outras versões foram filmados em Madrid na época) para optimizar recursos. Possuído pela Ragatanga, o Aserejé brasileiro, em Setembro daquele ano emitiu o concerto das Rouge, vencedoras do Popstars.

A crise da DIRECTV ditou a retirada temporária do canal da operadora em Março de 2003, precisamente quando o canal entrou numa renovação geral. Numa reunião para anunciantes dos canais ESPN na América Latina em Buenos Aires em Dezembro de 2003, foi determinado que, afim de acelerar o processo a canal base, o Disney Channel passaria a ter publicidade comercial para o Brasil em 2004. Foi nestes moldes que, a 15 de Janeiro, o canal regressa à DIRECTV, sem ser premium.

Foi em 2003 que o acordo com o SBT caiu por água abaixo, depois da Globo ter assinado um contrato com a Disney que visava preencher a oferta infantil. A Globo não se interessava em dar as suas produções infantis (escassas) a outros canais, nem mesmo dar extensões de programas deles, uma vez que a Globo actuava sozinha com os canais por cabo. A NET começou a ter o canal em 2005, com 800 mil assinantes a terem acesso, depois a 14 de Setembro de 2006, devido à fusão da DIRECTV com a SKY, entra na grelha desta última, num pacote de oito canais que eram da DIRECTV. Vieram novas produções, a Floribella da Band e Um Menino Muito Maluquinho (esta eu via no EPG da TV Brasil Internacional mas nunca vi). O sucesso audiométrico do filme High School Musical levou a um aumento de anunciantes, junto das negociações com a Globo para passar o filme a Record interessou-se pelo concerto no Morumbi, que deu em Junho de 2007.

Na virada dos anos 2000 para 2010, apesar de emitir novelas infantis argentinas (e de ter trazido a Violetta para a Europa), o Disney Channel na América Latina ainda estava preso entre duas águas. Tinha um pendor feminino-juvenil que era mais pronunciado nos Estados Unidos e principalmente em certos países da Europa, mas por outro lado ainda tinha o pendor familiar de outrora, como se uma hora estivesse em 2001 e noutra em 2011. Isto com base em grelhas que analisei na época. O Disney XD ajudou muito na mudança demográfica em 2009 (tinha substituído o Jetix, desgastado desde 2006, mas ainda herdou os altos e baixos que teve desde a compra da FOX Kids), mas isso não ajudava em nada. Digo que enquanto nós tínhamos o Disney Cinemagic como canal próprio (para depois cair no desgaste e encerrar em 2012), a América Latina ainda tinha uma carteira de filmes mais variada e acho que ainda tinha herdado as sessões diárias, que em Portugal acabaram em 2005.

A 7 de Dezembro de 2009 é lançada uma versão separada em HD na SKY, com a renovação de 2014 passou a se chamar Disney Channel+.

Ainda em meados dos anos 2010 conseguiu produzir mais ficção nacional só que sem pegar em formatos estrangeiros - basta ver o exemplo de séries como Que Talento e Juacas, ambas nunca emitidas no nosso país. Versões dobradas de produções latinas como Violetta (no Disney Channel) e Onze (no Disney XD) também foram ao ar.

Em Janeiro de 2022, a Disney iria perder canais graças ao Disney+, só que no Brasil a purga era ainda mais severa, onde o Disney Junior como canal linear foi condenado ao contrário do restante da região. O Disney XD também foi encerrado a 31 de Março. Na América Latina o bloco Disney Jr. continua no ar, mesmo com o canal independente a funcionar desde 2008, no Brasil o bloco era justificado pelo fecho do canal sabe-se o porquê.

No fim de 2024 foi anunciado o fim de vários canais no Brasil, contrariando o que se especulava para a América Latina inteira, onde em certas zonas há mais dificuldade de acesso à internet (e canais que pirateiam séries). Não sabemos o motivo sem ser o suspeito do costume (Disney+), sabe-se que é a queda da audiência e o estado deplorável das audiências de tudo o que é linear. Algumas pessoas achavam que o canal encerrou no dia 20, mas na verdade foi o dia em que os canais do grupo saíram de uma operadora chilena (Mundo), que erroneamente notificou que era o fim na América Latina.

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On 27/02/2025 at 19:19, ATVTQsV disse:

Primeira crónica de 2025. Depois de no ano passado trazer o número recorde de uma crónica (as revistas não contam), trago de volta outra crónica de urgência.

Em vez de pegar em mais um canal nosso, vamos ao Brasil. Isto porque a Disney está a fazer uma purga geral que acabará amanhã. Só os canais desportivos da marca ESPN sairão ilesos.

Com isto, só resta um Disney Channel lusófono - o português.

 

Boa parte das informações vieram de relatos do site Tela Viva, da qual baseei os dados para a Wikipédia inglesa.

 

A história do Disney Channel brasileiro remonta a 1997, quando a Disney queria lançar o canal na América Latina, atirando as fichas para 1998. O canal estava à procura de conteúdo local, para continuar com a essência que tinha criado fora dos Estados Unidos, para criar localização.

Havia um porém. Naquele tempo a televisão paga, apesar de cara e com poucos assinantes, estava dividida em dois campos: o campo da Globo e o campo dos concorrentes. O campo da Globo envolvia a NET e a SKY. Os nomes sonantes da concorrência eram a TVA e a DIRECTV. Na altura havia uma guerra de exclusividades onde a SKY ganhou a finada PSN (engolida por uma crise argentina e pelo dinheiro que recebeu na moeda errada) e a concorrência ganhou o direito dos canais premium da HBO, bem como dos canais base representados pelo grupo. Havia a Disney Weekend, na DIRECTV, pelo que entendo era pay-per-view de sexta a domingo e não era suficientemente viável.

Em Fevereiro foi anunciado o início do canal no Brasil, com data marcada para o dia 5 de Abril, pouco depois do lançamento do canal em espanhol para o resto da América Latina, tendo sido posicionado como um canal familiar. Para obter conteúdo local, é assinado um acordo de reciprocidade com o SBT (a FOX, hoje STAR Channel, aliás também a versão brasileira vai de Vasco, assinou um contrato com eles para emitir a Ilha da Sedução - Ilha da Tentação brasileira - no dia a seguir à passagem em canal terrestre) que visava a criação de uma versão do Zapping Zone para o canal emitir aos domingos, bem como o contrário onde o Disney Channel passou uma extensão do Popstars - porém adaptado aos padrões da Disney - em exclusivo, com os materiais que não cabiam nos diários emitidos no SBT. Em Julho de 2002 entrou no ar o Playhouse Disney brasileiro, filmado em Buenos Aires (o nosso bem como outras versões foram filmados em Madrid na época) para optimizar recursos. Possuído pela Ragatanga, o Aserejé brasileiro, em Setembro daquele ano emitiu o concerto das Rouge, vencedoras do Popstars.

A crise da DIRECTV ditou a retirada temporária do canal da operadora em Março de 2003, precisamente quando o canal entrou numa renovação geral. Numa reunião para anunciantes dos canais ESPN na América Latina em Buenos Aires em Dezembro de 2003, foi determinado que, afim de acelerar o processo a canal base, o Disney Channel passaria a ter publicidade comercial para o Brasil em 2004. Foi nestes moldes que, a 15 de Janeiro, o canal regressa à DIRECTV, sem ser premium.

Foi em 2003 que o acordo com o SBT caiu por água abaixo, depois da Globo ter assinado um contrato com a Disney que visava preencher a oferta infantil. A Globo não se interessava em dar as suas produções infantis (escassas) a outros canais, nem mesmo dar extensões de programas deles, uma vez que a Globo actuava sozinha com os canais por cabo. A NET começou a ter o canal em 2005, com 800 mil assinantes a terem acesso, depois a 14 de Setembro de 2006, devido à fusão da DIRECTV com a SKY, entra na grelha desta última, num pacote de oito canais que eram da DIRECTV. Vieram novas produções, a Floribella da Band e Um Menino Muito Maluquinho (esta eu via no EPG da TV Brasil Internacional mas nunca vi). O sucesso audiométrico do filme High School Musical levou a um aumento de anunciantes, junto das negociações com a Globo para passar o filme a Record interessou-se pelo concerto no Morumbi, que deu em Junho de 2007.

Na virada dos anos 2000 para 2010, apesar de emitir novelas infantis argentinas (e de ter trazido a Violetta para a Europa), o Disney Channel na América Latina ainda estava preso entre duas águas. Tinha um pendor feminino-juvenil que era mais pronunciado nos Estados Unidos e principalmente em certos países da Europa, mas por outro lado ainda tinha o pendor familiar de outrora, como se uma hora estivesse em 2001 e noutra em 2011. Isto com base em grelhas que analisei na época. O Disney XD ajudou muito na mudança demográfica em 2009 (tinha substituído o Jetix, desgastado desde 2006, mas ainda herdou os altos e baixos que teve desde a compra da FOX Kids), mas isso não ajudava em nada. Digo que enquanto nós tínhamos o Disney Cinemagic como canal próprio (para depois cair no desgaste e encerrar em 2012), a América Latina ainda tinha uma carteira de filmes mais variada e acho que ainda tinha herdado as sessões diárias, que em Portugal acabaram em 2005.

A 7 de Dezembro de 2009 é lançada uma versão separada em HD na SKY, com a renovação de 2014 passou a se chamar Disney Channel+.

Ainda em meados dos anos 2010 conseguiu produzir mais ficção nacional só que sem pegar em formatos estrangeiros - basta ver o exemplo de séries como Que Talento e Juacas, ambas nunca emitidas no nosso país. Versões dobradas de produções latinas como Violetta (no Disney Channel) e Onze (no Disney XD) também foram ao ar.

Em Janeiro de 2022, a Disney iria perder canais graças ao Disney+, só que no Brasil a purga era ainda mais severa, onde o Disney Junior como canal linear foi condenado ao contrário do restante da região. O Disney XD também foi encerrado a 31 de Março. Na América Latina o bloco Disney Jr. continua no ar, mesmo com o canal independente a funcionar desde 2008, no Brasil o bloco era justificado pelo fecho do canal sabe-se o porquê.

No fim de 2024 foi anunciado o fim de vários canais no Brasil, contrariando o que se especulava para a América Latina inteira, onde em certas zonas há mais dificuldade de acesso à internet (e canais que pirateiam séries). Não sabemos o motivo sem ser o suspeito do costume (Disney+), sabe-se que é a queda da audiência e o estado deplorável das audiências de tudo o que é linear. Algumas pessoas achavam que o canal encerrou no dia 20, mas na verdade foi o dia em que os canais do grupo saíram de uma operadora chilena (Mundo), que erroneamente notificou que era o fim na América Latina.

Na verdade, existiram 3 versões do Disney Channel no Brasil. A primeira foi o Disney Weekend, que emitia desde as 18h de sexta e tinha o fecho por volta de 0h de domingo para segunda. Era pay-per-view e você pagava cerca de 10 dólares americanos a cada fim de semana. Durou até 2001. Tem essa versão que você citou e ainda existiu uma terceira versão nas parabólicas chamado Club Disney, que emitia de 8h às 12h e de 15h às 19h de 2010 a 2018.

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há 12 minutos, PierreDumont disse:

Na verdade, existiram 3 versões do Disney Channel no Brasil. A primeira foi o Disney Weekend, que emitia desde as 18h de sexta e tinha o fecho por volta de 0h de domingo para segunda. Era pay-per-view e você pagava cerca de 10 dólares americanos a cada fim de semana. Durou até 2001. Tem essa versão que você citou e ainda existiu uma terceira versão nas parabólicas chamado Club Disney, que emitia de 8h às 12h e de 15h às 19h de 2010 a 2018.

Eu estou ciente da existência do canal Club Disney, em analógico, mas não incluí na história porque o canal tinha má fama pelas suas constantes repetições (também, o canal ocupava uma faixa de emissão dedicada a anúncios da Via Embratel/Claro TV)

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  • 2 weeks later...
Posted (edited)
On 21/11/2025 at 22:25, ATVTQsV disse:

Eu estou ciente da existência do canal Club Disney, em analógico, mas não incluí na história porque o canal tinha má fama pelas suas constantes repetições (também, o canal ocupava uma faixa de emissão dedicada a anúncios da Via Embratel/Claro TV)

Também na antiga operadora brasileira TVA (atual Vivo TV) dava os anúncios do Disney Channel do Brasil através do canal de programação brasileira entre 2005 e 2012.

Edited by AW Channel
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