D91 Postado 5 de janeiro 2023 Postado 5 de janeiro 2023 (editado) “Há sempre uma nuvem que paira sobre as grandes figuras que não falam da sua intimidade — e sobre a qual estão no direito total de não falar —, mas essa nuvem parte daquela máxima de que quem conta um conto, acrescenta um ponto”, reflete o realizador. “Por mais suspeitas que as pessoas tenham, ele não fala sobre isso. Eu não falei com ele sobre isso. Também me parece que mais ninguém chegou a essa questão porque não é confortável, sobretudo para uma pessoa que faz questão de não falar.“ Editado 5 de janeiro 2023 por D91 2 Citar
AndreRob Postado 5 de janeiro 2023 Postado 5 de janeiro 2023 há 32 minutos, D91 disse: “Há sempre uma nuvem que paira sobre as grandes figuras que não falam da sua intimidade — e sobre a qual estão no direito total de não falar —, mas essa nuvem parte daquela máxima de que quem conta um conto, acrescenta um ponto”, reflete o realizador. “Por mais suspeitas que as pessoas tenham, ele não fala sobre isso. Eu não falei com ele sobre isso. Também me parece que mais ninguém chegou a essa questão porque não é confortável, sobretudo para uma pessoa que faz questão de não falar.“ Sobretudo quando a pessoa ainda está viva... percebe-se que não há outra forma de contar isto senão a versão do próprio. Um dia quando ele morrer talvez se saiba muito mais... talvez façam uma versão 'directors cut' :P 3 1 Citar
D91 Postado 5 de janeiro 2023 Postado 5 de janeiro 2023 há 1 hora, AndreRob disse: Sobretudo quando a pessoa ainda está viva... percebe-se que não há outra forma de contar isto senão a versão do próprio. Um dia quando ele morrer talvez se saiba muito mais... talvez façam uma versão 'directors cut' :P Sim no artigo diz que o Marco Paulo teve muita influência no guião da minissérie e que foi por aí que se guiaram. Acho que só vamos conhecer a verdadeira história dele quando ele morrer.... e mesmo assim não sei... 2 Citar
Fernando Postado 5 de janeiro 2023 Postado 5 de janeiro 2023 Claro que se iam basear na própria pessoa para produzir série. Primeiro, porque assim há um maior grau de fiabilidade, mesmo que haja partes omitidas, é que outras pessoas contaram é muito engraçado e até podem dar revelações bombásticas, mas a melhor fonte para este assunto é o próprio, nenhum biopic é 100% realista. Segundo, porque se assim não fosse a pessoa teria todo o direito em não autorizar a produção da série 3 Citar
D91 Postado 6 de janeiro 2023 Postado 6 de janeiro 2023 há 10 horas, Fernando disse: Claro que se iam basear na própria pessoa para produzir série. Primeiro, porque assim há um maior grau de fiabilidade, mesmo que haja partes omitidas, é que outras pessoas contaram é muito engraçado e até podem dar revelações bombásticas, mas a melhor fonte para este assunto é o próprio, nenhum biopic é 100% realista. Segundo, porque se assim não fosse a pessoa teria todo o direito em não autorizar a produção da série Eu acho que o Marco Paulo tem todo o direito a não falar sobre certos assuntos se não se sentir confortável por algum motivo. Claro que isso depois leva a especulações, isso é inevitável. A verdade é que ele tem uma vida cheia de mistérios, e esta série só veio realçar isso ainda mais.... 2 Citar
Loverboy Postado 6 de janeiro 2023 Postado 6 de janeiro 2023 Mas também é curioso (que eu saiba!) que nunca ninguém se chegou à frente a dizer que teve um caso com ele. Homem ou mulher. Pois não? Quanto à parte do afilhado não percebi que misterio há ou porque ele não fala mas também ainda não tive tempo de ver a série. 2 Citar
D91 Postado 6 de janeiro 2023 Postado 6 de janeiro 2023 há 4 minutos, BlueScorpion disse: Mas também é curioso (que eu saiba!) que nunca ninguém se chegou à frente a dizer que teve um caso com ele. Homem ou mulher. Pois não? Quanto à parte do afilhado não percebi que misterio há ou porque ele não fala mas também ainda não tive tempo de ver a série. Ele deve ser das poucas figuras públicas das quais nada se sabe a esse respeito. Mas também não acredito que ele tenha tido muitas relações. Viveu a vida inteira centrado na carreira e pouco mais. Aquilo que nós sabemos, é o que ele quer que se saiba e o que ele idealizou que é a vida dele, a suposta vida perfeita de um cantor. Não nos esqueçamos que naquela altura em que ele começou a ter sucesso, era bem visto os cantores ficassem solteiros para que as fãs os continuassem a seguir e não perdessem popularidade. Quanto ao afilhado, na série também não aparece nada demais. A única coisa que eu acho estranha no afilhado é ser muito parecido fisicamente com ele (mas pode ser só coincidência) e o facto de ter sido criado na casa dele também é um pouco estranho, mas isso pode ter sido opção dele para combater a solidão (e esta questão até é referida na série). 3 Citar
áureo Postado 29 de março 2024 Postado 29 de março 2024 (editado) Ouvi o podcast 'Na Realidade é Ficção' com o realizador Manuel Pureza e o ator Diogo Martins. Decidi transcrever algumas falas interessantes, ainda assim, recomendo a audição completa do episódio. Curiosidades: gravaram em 12 dias; o Diogo Martins e o Fernando Luís não tiveram tempo de se juntar e pensar na interpretação; um único almoço com o Marco Paulo e os dois protagonistas; Marco Paulo chegou a estar no set. Manuel Pureza: "Estamos a dar dignidade a uma figura que é muito querida dos portugueses, da qual, temos muito poucas certezas. Ninguém sabe muito bem quem é o Marco Paulo, nem ele próprio sabe bem quem é que se tornou. Se perguntares ao Cristiano Ronaldo, quem é o Cristiano Ronaldo, ele vai-te fazer uma fábula. Vai-te dizer epá, sou um gajo de sucesso, nunca tem medo, nunca chora (...) Esse gajo não existe. O Cristiano Ronaldo não existe. É incrível para nós enquanto jogador. Enquanto espectador, olho para o Marco Paulo: o Marco Paulo tem uma voz incrível." Manuel Pureza: "Ele era um Deus. (...) Mas depois perguntas-lhe quem é que o gajo é, de facto, e ele vai-te contar a história que tu 'tás à espera: o menino pobre com a voz de oiro. Do que é que isso me interessa? Não me interessa absolutamente nada. Interessa-me o dia em que ele não teve voz. Isso é que me interessa contar e nós não conseguimos contar isso. (...) Porque não há essa abertura." Manuel Pureza: "Este processo desta série foi muito enriquecedor. Porque nós não estamos a contar a história que queremos contar, não podemos porque ninguém nos abre a porta para isso, o Marco Paulo não abre a porta para isso. Abre a porta para a história que já toda a gente conhece e portanto, ele quer manter essa ideia. Tens uma equipa de escrita maravilhosa que tentou, reuniu com ele, e escarafunchar, etc. Mas vai até à porta de vidro. (...) A equipa artística toda atrás da câmera tenta desesperadamente espreitar pra lá do vidro. Só que o vidro é muito grosso. É muito opaco. Sim, está digno. Os atores e atrizes deram tudo o que tinham para contar esta história, mas esta história é comparável à história do Bambi. (...) É bom que haja estas histórias, mas há tanto por escolher, tanta coisa a acontecer, que tu, enquanto público até aos 50, ninguém quer ver estas histórias. Isso é o grande desafio das televisões. Ninguém quer saber das histórias da Carochinha." Diogo Martins: "Vens de uma ditadura de 50 anos, ele não tem opinião política nenhuma (...) Qual é a personagem que consegues filmar se não tem opinião nenhuma sobre o que se está a passar à sua volta e só está concentrado na sua voz? Epá... é uma história muito polida. Tu não consegues ir lá." Diogo Martins: "O Marco não nos deu muito conteúdo. Lembro-me de lhe perguntar como foi a guerra para ele e, na minha perspetiva, teria sido um lado mais negro da vida dele e, não foi isso que passou. Passou-me até o contrário, que foi um sitio porreiro onde ele esteve, foi bem tratado, onde era idolatrado. E a mim chocou-me um pouco isso porque não estava à espera dessa resposta. (...) Queria ligar-me ao Fernando, mas também não houve esse tempo porque nós nunca gravámos no mesmo dia; ou gravámos no mesmo dia, mas não as mesmas cenas." É possível que não esteja transcrito palavra a palavra, relevem, por favor =) Editado 29 de março 2024 por aura 8 1 Citar
D91 Postado 30 de março 2024 Postado 30 de março 2024 (editado) On 29/03/2024 at 22:04, aura disse: Ouvi o podcast 'Na Realidade é Ficção' com o realizador Manuel Pureza e o ator Diogo Martins. Decidi transcrever algumas falas interessantes, ainda assim, recomendo a audição completa do episódio. Curiosidades: gravaram em 12 dias; o Diogo Martins e o Fernando Luís não tiveram tempo de se juntar e pensar na interpretação; um único almoço com o Marco Paulo e os dois protagonistas; Marco Paulo chegou a estar no set. Manuel Pureza: "Estamos a dar dignidade a uma figura que é muito querida dos portugueses, da qual, temos muito poucas certezas. Ninguém sabe muito bem quem é o Marco Paulo, nem ele próprio sabe bem quem é que se tornou. Se perguntares ao Cristiano Ronaldo, quem é o Cristiano Ronaldo, ele vai-te fazer uma fábula. Vai-te dizer epá, sou um gajo de sucesso, nunca tem medo, nunca chora (...) Esse gajo não existe. O Cristiano Ronaldo não existe. É incrível para nós enquanto jogador. Enquanto espectador, olho para o Marco Paulo: o Marco Paulo tem uma voz incrível." Manuel Pureza: "Ele era um Deus. (...) Mas depois perguntas-lhe quem é que o gajo é, de facto, e ele vai-te contar a história que tu 'tás à espera: o menino pobre com a voz de oiro. Do que é que isso me interessa? Não me interessa absolutamente nada. Interessa-me o dia em que ele não teve voz. Isso é que me interessa contar e nós não conseguimos contar isso. (...) Porque não há essa abertura." Manuel Pureza: "Este processo desta série foi muito enriquecedor. Porque nós não estamos a contar a história que queremos contar, não podemos porque ninguém nos abre a porta para isso, o Marco Paulo não abre a porta para isso. Abre a porta para a história que já toda a gente conhece e portanto, ele quer manter essa ideia. Tens uma equipa de escrita maravilhosa que tentou, reuniu com ele, e escarafunchar, etc. Mas vai até à porta de vidro. (...) A equipa artística toda atrás da câmera tenta desesperadamente espreitar pra lá do vidro. Só que o vidro é muito grosso. É muito opaco. Sim, está digno. Os atores e atrizes deram tudo o que tinham para contar esta história, mas esta história é comparável à história do Bambi. (...) É bom que haja estas histórias, mas há tanto por escolher, tanta coisa a acontecer, que tu, enquanto público até aos 50, ninguém quer ver estas histórias. Isso é o grande desafio das televisões. Ninguém quer saber das histórias da Carochinha." Diogo Martins: "Vens de uma ditadura de 50 anos, ele não tem opinião política nenhuma (...) Qual é a personagem que consegues filmar se não tem opinião nenhuma sobre o que se está a passar à sua volta e só está concentrado na sua voz? Epá... é uma história muito polida. Tu não consegues ir lá." Diogo Martins: "O Marco não nos deu muito conteúdo. Lembro-me de lhe perguntar como foi a guerra para ele e, na minha perspetiva, teria sido um lado mais negro da vida dele e, não foi isso que passou. Passou-me até o contrário, que foi um sitio porreiro onde ele esteve, foi bem tratado, onde era idolatrado. E a mim chocou-me um pouco isso porque não estava à espera dessa resposta. (...) Queria ligar-me ao Fernando, mas também não houve esse tempo porque nós nunca gravámos no mesmo dia; ou gravámos no mesmo dia, mas não as mesmas cenas." É possível que não esteja transcrito palavra a palavra, relevem, por favor =) Estas declarações mostram mesmo aquilo que o Marco Paulo é, uma pessoa que se centrou sempre nele e na sua carreira e que até certo ponto se acha mais do que é. Enquanto personagem por vezes é hilariante mas para lá disso ninguém ou quase ninguém o deve conhecer, até mesmo pessoas da sua família. Não acho que ele seja má pessoa, deve até ser muito solitário. Mas era interessante enquanto figura pública que tivesse mostrado mais um pouco da sua vida, em vez da história que criou para si próprio (talvez para se proteger) e nunca foi para lá disso. Editado 30 de março 2024 por D91 2 1 Citar
Patiño Postado 31 de março 2024 Postado 31 de março 2024 há 1 hora, D91 disse: Estas declarações mostram mesmo aquilo que o Marco Paulo é, uma pessoa que se centrou sempre nele e na sua carreira e que até certo ponto se acha mais do que é. Enquanto personagem por vezes é hilariante mas para lá disso ninguém ou quase ninguém o deve conhecer, até mesmo pessoas da sua família. Não acho que ele seja má pessoa, deve até ser muito solitário. Mas era interessante enquanto figura pública que tivesse mostrado mais um pouco da sua vida, em vez da história que criou para si próprio (talvez para se proteger) e nunca foi para lá disso. Devem ter sofrido para fazer esta série. É óbvio que o homem não tem opinião de absolutamente nada, é totalmente egocêntrico e obcecado por si próprio, o mundo gira à volta dele. Não sei se foi sempre assim, mas eu sempre o conheci assim. 2 Citar
D91 Postado 31 de março 2024 Postado 31 de março 2024 (editado) há 10 minutos, Patiño disse: Devem ter sofrido para fazer esta série. É óbvio que o homem não tem opinião de absolutamente nada, é totalmente egocêntrico e obcecado por si próprio, o mundo gira à volta dele. Não sei se foi sempre assim, mas eu sempre o conheci assim. Ele é de outra geração, tem quase 80 anos. Tu olhas para ele e não vês mais para além da carreira, porque ele não fala de mais nada nem nada se sabe. Eu não acredito que uma pessoa com a vida dele não tenha tido casos, mesmo que não fossem relações sérias. Há outras figuras públicas um pouco mais novas que ele ou até mais velhas e sabe-se coisas, mas ele deve-se ter protegido bem para nada se saber. Nem dos tempos da guerra contou grande coisa. Ou andou sempre no mundo da lua deslumbrado com o sucesso da carreira ou não sei. Ainda ele queria outro filme, para falarem do quê se neste já andaram a patinar para arranjar conteúdo e foi muito floreado. Editado 31 de março 2024 por D91 1 Citar
áureo Postado 31 de março 2024 Postado 31 de março 2024 há 1 hora, D91 disse: Mas era interessante enquanto figura pública que tivesse mostrado mais um pouco da sua vida Sem dúvida! Ficaram por abordar temas sobre a sexualidade, a solidão, etc. E tudo bem em não querer explorar a fundo, mas é aquilo que o Renato Godinho diz no podcast: se não queres, então não faças um filme sobre a tua vida... há 2 minutos, D91 disse: Ele é de outra geração, tem quase 80 anos. Tu olhas para ele e não vês mais para além da carreira, porque ele não fala de mais nada nem nada se sabe. Eu não acredito que uma pessoa com a vida dele não tenha tido casos, mesmo que não fossem relações sérias. Há outras figuras públicas um pouco mais novas que ele ou até mais velhas e sabe-se coisas, mas ele deve-se ter protegido bem para nada se saber. Nem dos tempos da guerra contou grande coisa. Ou andou sempre no mundo da lua deslumbrado com o sucesso da carreira ou não sei. Ainda ele queria outro filme, para falarem do quê se neste já andaram a patinar para arranjar conteúdo e foi muito floreado. Acho que é o Manuel que a certa altura diz que o Marco Paulo não tem literacia suficiente para compreender algumas decisões que a série acabou por tomar, que o género favorito dele são telenovelas e aqui, não percebeu alguns aspetos. Não querendo ser mau, mas diria que podemos alargar essa falta de literacia a outras áreas. 2 Citar
D91 Postado 31 de março 2024 Postado 31 de março 2024 há 10 minutos, aura disse: Sem dúvida! Ficaram por abordar temas sobre a sexualidade, a solidão, etc. E tudo bem em não querer explorar a fundo, mas é aquilo que o Renato Godinho diz no podcast: se não queres, então não faças um filme sobre a tua vida... Mas ele adorou e cria mais. O MP é ele e as suas circunstâncias. E claro que tem direito a não contar coisas da vida dele com as quais não está confortável. Ele quer manter uma determinada imagem. Para o bem e para o mal o MP é daquelas pessoas que vão ficar na história do país e que marcam uma era, tal como uma Eunice Muñoz, uma Simone, um Ruy de Carvalho ou um Herman José. Dificilmente ele vai quebrar aquelas barreiras da vida dele, e nem a Ana Marques deve ter conseguido saber determinadas coisas. Ele deve ser muito privado. há 24 minutos, aura disse: Acho que é o Manuel que a certa altura diz que o Marco Paulo não tem literacia suficiente para compreender algumas decisões que a série acabou por tomar, que o género favorito dele são telenovelas e aqui, não percebeu alguns aspetos. Não querendo ser mau, mas diria que podemos alargar essa falta de literacia a outras áreas. Completamente, isso diz tudo. 2 Citar
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