Maya Postado 23 de junho Postado 23 de junho Com o passar do tempo, nem sequer me lembrei de dar o meu parecer sobre os últimos episódios da novela, que terminou há pouco tempo na Globo Portugal. Não gostei nada que as autoras tivessem deixado a reconciliação definitiva entre o Gustavo e o Alcino para o fim, ainda para mais no leito de morte deste último. Apesar disso, foi uma cena muito emocionante. O Alcino foi um dos protagonistas masculinos que mais sofreu na história das telenovelas. Perdeu uma filha, o melhor amigo "virou-lhe as costas", foi acusado injustamente de o tentar matar no deserto, foi preso... Enfim. Triste sina a deste pobre homem! Contudo, o que mais me comoveu nestes episódios finais foi, sem dúvida, a transformação da Verónica. Sendo eu pouco ou nada apologista da ideia de redimir vilões, devo confessar que achei a redenção desta personagem particularmente credível e bem construída. Esta evolução não se concretizou do nada. Resultou de um processo muito bonito que teve como catalisador a descoberta do sentimento mais poderoso do mundo: o amor materno. Foi a partir daqui que a personagem ganhou uma nova dimensão, despindo-se dos "requintes de crueldade" que tão bem a caracterizavam para dar lugar a uma vulnerabilidade que até ali parecia praticamente inatingível nela. A cena em que ela entrega a menina à Rose foi quase insuportável de acompanhar. Vilãs como a Verónica são a prova viva de que até a mente mais fria e perversa pode ser moldada pelo instinto de proteção de um filho. Não acho nada que a sua rendição final tenha representado uma fraqueza ou uma espécie de "passo em falso" na narrativa. Para mim, nada mais foi do que o culminar lógico de uma personagem que encontrou na maternidade a sua única réstia de humanidade. O final da Rose deixou-me um bocadinho frustrada, embora soubesse de antemão que não poderia ter sido diferente. Acho que, tirando a cena da morte do Alcino e a da conversa definitiva que ele teve com a "VV" (na qual assume não ter sido um bom marido), nunca consegui simpatizar com ele em nenhum outro momento da trama. A Mari e todos os seus fãs que me desculpem, mas se não fosse pelo plot da doença terminal do Alcino, acho que teria feito mais sentido ele e a Rose ficarem juntos no fim. Deste modo, o final feliz para o casal Rose e Gustavo acabou por ser expectável e coerente com o curso da história até ao seu desfecho. Mas que tive pena, lá isso tive. A Rose merecia infinitamente mais e melhor do que um Gustavo! Ainda assim, as autoras redimiram-se ao fechar a trama com chave de ouro através daquela belíssima homenagem à enorme Glória Menezes e ao saudoso Tarcísio Meira. Ver a Rose encerrar a sua história ao lado dos atores que inspiraram os nomes dos filhos foi um momento de pura ternura e uma vénia perfeita à própria história da teledramaturgia. 2 Citar
Maya Postado 25 de junho Postado 25 de junho On 23/06/2026 at 16:01, Maya disse: Com o passar do tempo, nem sequer me lembrei de dar o meu parecer sobre os últimos episódios da novela, que terminou há pouco tempo na Globo Portugal. Não gostei nada que as autoras tivessem deixado a reconciliação definitiva entre o Gustavo e o Alcino para o fim, ainda para mais no leito de morte deste último. Apesar disso, foi uma cena muito emocionante. O Alcino foi um dos protagonistas masculinos que mais sofreu na história das telenovelas. Perdeu uma filha, o melhor amigo "virou-lhe as costas", foi acusado injustamente de o tentar matar no deserto, foi preso... Enfim. Triste sina a deste pobre homem! Contudo, o que mais me comoveu nestes episódios finais foi, sem dúvida, a transformação da Verónica. Sendo eu pouco ou nada apologista da ideia de redimir vilões, devo confessar que achei a redenção desta personagem particularmente credível e bem construída. Esta evolução não se concretizou do nada. Resultou de um processo muito bonito que teve como catalisador a descoberta do sentimento mais poderoso do mundo: o amor materno. Foi a partir daqui que a personagem ganhou uma nova dimensão, despindo-se dos "requintes de crueldade" que tão bem a caracterizavam para dar lugar a uma vulnerabilidade que até ali parecia praticamente inatingível nela. A cena em que ela entrega a menina à Rose foi quase insuportável de acompanhar. Vilãs como a Verónica são a prova viva de que até a mente mais fria e perversa pode ser moldada pelo instinto de proteção de um filho. Não acho nada que a sua rendição final tenha representado uma fraqueza ou uma espécie de "passo em falso" na narrativa. Para mim, nada mais foi do que o culminar lógico de uma personagem que encontrou na maternidade a sua única réstia de humanidade. O final da Rose deixou-me um bocadinho frustrada, embora soubesse de antemão que não poderia ter sido diferente. Acho que, tirando a cena da morte do Alcino e a da conversa definitiva que ele teve com a "VV" (na qual assume não ter sido um bom marido), nunca consegui simpatizar com ele em nenhum outro momento da trama. A Mari e todos os seus fãs que me desculpem, mas se não fosse pelo plot da doença terminal do Alcino, acho que teria feito mais sentido ele e a Rose ficarem juntos no fim. Deste modo, o final feliz para o casal Rose e Gustavo acabou por ser expectável e coerente com o curso da história até ao seu desfecho. Mas que tive pena, lá isso tive. A Rose merecia infinitamente mais e melhor do que um Gustavo! Ainda assim, as autoras redimiram-se ao fechar a trama com chave de ouro através daquela belíssima homenagem à enorme Glória Menezes e ao saudoso Tarcísio Meira. Ver a Rose encerrar a sua história ao lado dos atores que inspiraram os nomes dos filhos foi um momento de pura ternura e uma vénia perfeita à própria história da teledramaturgia. o Gustavo * Citar
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