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90: Jogos Sem Fronteiras

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Bon soir. Bienvenue dans cette édition speciale de ta histoire de substation consacrée aux Jeux Sans Frontières. It is my great honor to start this edition of your substation story in great, retro Eurovision style - por qué tu historia de subestación merece tener atención internacional e io inizio la tua storia di sottostazione in omaggio ai Giochi Senza Frontiere, non solo ai nostri "telespettatori" di RTP Memoria ma anche a tutti vuoi chi prestigiano serie europee su RTP 2 :D

Mas fora a galhofa multilingue, comecemos.

A ideia dos Jogos Sem Fronteiras é um pouco mais antiga que os próprios Jogos Sem Fronteiras. Na génese deles estão dois programas, um na Itália e outro na França. O italiano era o Campanile Sera, Estreou a 5 de Novembro de 1959 no então Programa Nacional da Rai (actual Rai 1) e durou até 1962. O formato consistia numa equipa do norte de Itália e noutra do sul, num misto de perguntas de cultura geral com provas atléticas. O sucesso foi tal que em 1962, a RTF (que passou por 1001 mudanças, agora é basicamente a France TV) estreava o Intervilles, com um formato parecido. E eis que, em 1965, Charles de Gaulle disse a não menos mítica frase "Espera aí, e se eu criasse uma versão internacional deste programa para estreitar os laços entre França e Alemanha, ao juntar também a pioneira (a Itália) e mais um país?". E assim nasceram os Jogos sem Fronteiras.

Como diria Peter Gabriel: "Games without frontiers, war without tears". Os Jogos Sem Fronteiras eram, durante anos, a solução televisiva para esquecer os problemas políticos que assolavam uma Europa que já estava muito bem desenvolvida - depois do sucesso do Festival Eurovisão da Canção, que no ano de estreia, ia na sua décima edição. O concurso mais caro da televisão europeia, teve trinta edições, repartidas entre dois ciclos. Esta parte vai falar sobre o primeiro, que foi o mais comprido, que durou de 1965 a 1982.

A estética do programa herdava traços do pai Campanile Sera e da mãe Intervilles - concorrentes de diversos países europeus, representador por uma cor, participavam em provas loucas. Cada edição era subordinada a um tema e invariavelmente, em qualquer um dos ciclos, haviam sempre pessoas a cairem à água. Maravilhoso.

A primeira série dos Jogos Sem Fronteiras foi ao ar a 26 de Maio de 1965, depois de experiências de inverno entre França e Suíça.

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Inicialmente os jogos eram a dois - na primeira partida, haviam três jogos em Warendorf e outros três em Dax, ao contrário de edições posteriores onde a edição era feita na mesma cidade. O sétimo e último jogo da noite era uma ronda de perguntas, uma das componentes chaves do Campanile Sera. Encontrar emissões dos JSF de 1965 é meio complicado, fora tentar pedir aos alemães para darem os seus preciosos arquivos. Quatro países participaram na edição - França, Alemanha Ocidental, Bélgica e Itália, com emissão também na Suíça, que não participava. Estes países eram pioneiros numa série de coisas ligadas à Eurovisão, pois já participaram no primeiro Festival em 1956. Ainda, na altura, não havia o tema célebre do primeiro ciclo dos Jogos. Os Jogos de 1966 tinham a mesma estética - jogos em duas cidades com os mesmos quatro países a participar.

Em 1967, chegaram a haver mudanças pela primeira vez: os Jogos passaram a ser disputados na mesma cidade. Tal como no Festival da Eurovisão, havia a necessidade de alargar - aqui para seis países, com a chegada da Suíça e do Reino Unido. A principal mudança nas regras era a introdução do joker, que duplicava a pontuação de um dos países caso tivesse melhorado a sua performance. Todos os países integrantes passaram a participar na mesma edição.

A política afectou os Jogos Sem Fronteiras pela primeira vez em 1968. À custa dos acontecimentos de Maio, os Jogos por completo não foram emitidos na então ORTF, e uma das edições não foi organizada em França. Na sequência, a França retirou-se do ano seguinte, e os Jogos passaram a ter seis edições.

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Em 1968, os scoreboards tinham também símbolos alusivos aos seus países - uma maneira mais eficiente de representar os países quando ainda não havia cor na televisão. Isto devido ao suposto tema animal do genérico daquele ano.

Os Jogos Sem Fronteiras acompanhavam também a evolução da televisão e da sua técnica. Em 1970, a cor chega ao concurso com o regresso da França e como prenda, a estreia de um sétimo país, a Holanda.

Num genérico meio estereotipado, dá para perceber que só Ticino participou pela Suíça - e em vez de ser a NOS - que traz o Festival da Eurovisão (para o ano vai ser a AVROTROS juntamente com o regresso da NOS ao certame), que achava que não era "sério demais", trouxeram uma das "empresas" responsáveis pelo entretenimento na televisão holandesa, a NCRV. Haviam oito jogos por emissão, uma subida dos sete do ano anterior, e o fil rouge a meio. Por volta desta altura surgiram os árbitros mais icónicos da primeira fase, Gennaro Olivieri e Guido Pancaldi, ambos da Suíça.

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A pontuação ainda não tinha meios suficientes para estar com as cores dos países - a técnica, mesmo a cores, ainda era limitada. Aqui, cada país não participava num jogo, e se pretendesse jogar o seu joker no fim, tinha uma vantagem de duplicar 7 pontos e não 6 como era nas edições anteriores.

Passado algum tempo, o genérico (podem ver no primeiro vídeo) passou a ser "apresentado" por figuras rectangulares. Havia sempre o mapa do país com a localização do jogo, que no fim dos anos 70 passou a ser no fim. O tema chegou a ser remixado em 1980.

No início dos anos 70 falava-se nos Jogos chegarem a Espanha, onde a TVE chegou a fazer um programa para escolher as cidades participantes, Un pueblo por Europa, mas sem sucesso. Em 1975, a RTP começa a emitir os Jogos, mas na RTP 2. Foi um sucesso, apesar da não participação portuguesa inicialmente. Para tentar emular os Jogos, a RTP estreava um programa local, Jogos Sem Barreiras, que era tipo uns Jogos low-budget. Muito provavelmente não existem resquícios nos arquivos da RTP - qual Visita da Cornélia - provavelmente devido a políticas muito BBC de apagarem fitas valiosas. Hoje, "Jogos Sem Barreiras" é a designação dada a eventos desta índole organizados por freguesias. A Majora chegou a editar um jogo de tabuleiro dos Jogos sem Fronteiras (outros países já fizeram o mesmo quando estiveram a participar) com uma quantidade de países parecida a uma edição dos Jogos mas com Portugal no lugar do Reino Unido. Era o sonho para a participação lusitana.

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E foi um sonho tornado realidade - Portugal começou a participar em 1979 e já com oito países. No ano anterior, a Jugoslávia entrou nos Jogos em troca da Holanda, que decidiu deixar a sua participação. Foi a primeira "baixa". Ainda antes, em 1976, a Suíça fez-se de Liechtenstein numa edição - apesar do pequeníssimo país não ter uma organização na UER. Em 2008 surgiu a televisão deles, mas que age como uma televisão local teutónica (do jeito dos países vizinhos) de quinta categoria.

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O Reino Unido, com Bury, ganhou os primeiros Jogos feitos em Portugal, no Casino do Estoril, subordinado ao tema da tauromaquia.

Em 1980 houve zaragata com a Alemanha. Os Jogos passaram a ser emitidos à tarde - que nem quando a RTP Memória tinha repetições à tarde - o que afectava as audiências da dita. No ano seguinte, os Jogos ficaram a sete. Com um número ímpar de países, o fil rouge teve de ser alterado: as equipas participavam todas nas quatro rondas e a pontuação mais alta ficou retida para a atribuição dos pontos no fim do programa.

Em 1982, os Jogos chegam à Madeira, mas acabaria por ser o seu último ano. Em dezoito edições, participaram 9 países, 799 equipas e 17870 atletas vindos de 148 cidades que disputaram 1408 jogos vistos por uma média de 65 milhões de telespectadores. Na grande final, a RAI enviou o genérico de 1979, que ainda mencionava a Alemanha (que falha). Ainda com erros ortográficos nalguns dos títulos que apareciam - "Its's a Knockout", "Giochi Sensa Frontiere". A UER precisava de poupar dinheiro para mais festivais e licenciamento de provas desportivas para os seus membros.

Era o fim dos Jogos sem Fronteiras - ou talvez não? Pois ainda existiam produtos derivados, sem ser Intervilles, e que foram emitidos antes ou durante o interregno.

Nos anos 70, a televisão alemã realizava edições domésticas dos Jogos Sem Fronteiras com o mesmo nome alemão dado à prova internacional - "Spiel ohne Grenzen". Para consumo internacional, o programa mudou de nome para Telematch. 43 dos programas foram distribuidos pela Transtel - que dava o seu catálogo sobretudo para países que na altura eram "pobres demais". Por exemplo, a Televisão Popular de Angola dava a série policial O Velho (Der Alte) e a Doordarshan indiana dava Didi's Comedy Show (Nonstop Nonsens). O Telematch foi um sucesso na América Latina, Arábia e sudeste asiático. A Transtel foi extinta e a Deutsche Welle ficou com o seu catálogo. Hoje o Telematch é, pelo menos na América Latina, usado por canais comunitários que não podem pagar por programas mais caros, e recorrem ao catálogo dos clássicos da Transtel para emitir. Porém, no seu auge, tinha um certo impacto cultural, a um ponto que a primeira consola de jogos vendida no país, um clone da Magnavox Oddysey, foi baptizado de Telematch. Na América Latina, há telespectadores que sabem contar até dez em alemão e sabem um pouco da sua história e cultura graças a este programa (que tal como os Jogos Sem Fronteiras tinha os seus postais). Também, a narração espanhola captava pouco da essência dos jogos.

Em 1966, a BBC estreava os seus Jogos, It's a Knockout. No ano seguinte, o título foi usado para os Jogos internacionais, em vez de "Games Without Frontiers". Boa parte dos jogos foram apresentador por Stuart Hall (um apresentador que - com muita pena minha - foi vítima de um escândalo de assédio sexual e que foi a julgamento - tipo o Carlos Cruz mas houveram mais escândalos parecidos). Aqui também havia joker.

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Até os Jogos (mais à custa do Intervilles) chegaram aos EUA com o Almost Anything Goes na ABC em 1975, que durou uma temporada. Pouco sobrevive do concurso e foi substituído por um programa de "venda livre" (como os programas da Ellen ou, no passado, Marés Vivas) onde os concorrentes locais eram  substituídos por actores das séries.

Entre 1976 e 1990, a TVNZ tinha a sua própria versão, o Top Town, com a mesma mecânica de três cidades a concorrerem entre si. Consegui encontrar pouco, o máximo que existem são promos. Esta aqui é de 1988 quando foi patrocinado directamente pelo fabricante de bolachas Griffin's. Deu na TV2, onde em 2009 houve uma nova edição, mas sem sucesso.

Em 1985, a Austrália aposta numa versão dos Jogos, com o mesmo nome do "colonizador". O It's a Knockout australiano foi uma produção da Grundy - actualmente Fremantle - que também produzia Neighbours (que passou da Seven para a Ten durante a produção deste concurso) e que também produziu outras adaptações de concursos para as televisões privadas australianas. Foram feitos mais de cem programas até 1987. Equipas de quatro estados - Nova Gales do Sul, Victoria, Queensland e South Australia - a Austrália Ocidental estava fora porque Perth não tinha Ten até 1988 - competiam entre si nuns jogos mais para o lado do formato europeu. Esta versão foi sucesso em partes da América Latina. Em 2011 foi feita uma nova versão, mas sem sucesso, e ainda por cima gravada longe - em Kuala Lumpur, na Malásia.

E quem julgava que o formato dos Jogos morreu? Pois bem, a UER decidiu voltar com o formato no verão de 1988. Será que o regresso vai valer a pena?

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Adorei esse resumo, @ATVTQsV  :D 

Esse programa é um clássico !

Antes da internet e das opções que temos hoje em dia, era convidativo estar em casa e ver os "Jogos Sem Fronteiras", a ver qual o país do nosso continente que ia ganhar a competição. E todas as quedas e situações caricatas que aconteciam.

Hoje em dia, acho que um regresso até poderia funcionar, se fosse num mês de Verão, tipo Julho ou Agosto, e se vários países Europeus se comprometessem a competir e a exibir o programa.

Mas penso que a maioria dos países já não estão interessados, porque gastar dinheiro num formato desses, com toda a logística que envolve, certamente não seria bom a nível financeiro, quando podem exibir outro programa por menor custo e obter a mesma audiência. :)  

Para a época, foi um programa muito giro. Eu lembro-me em criança pequena de celebrar quando Portugal finalmente ganhou uma das emissões :6:   (Coisa rara!)

 

 

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Ainda não fiz a parte 2, que fala sobre o pós-interregno, mas obrigado na mesma. Vai chegar amanhã.

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1987
Escritórios da UER

Director de programas: Acho que já encontrámos fonte sustentável de dinheiro para fazer novos Jogos Sem Fronteiras.
Chefe: Eu acho que não. Há cinco anos que acabaram. Eram caros demais.
Director de programas: Não, senhor. O que refiro é o seguinte: aos poucos vamos ter de retomar com os Jogos a todo o vapor.
Chefe: Como?
Director de programas: Começamos com um número de países abaixo da média, que costumava ser de seis. Depois mudamos a estética do programa para não ser demodé. Se tal for vão olhar aos Jogos como um programa mal-feito e decadente.
Chefe: Ora eis uma boa ideia! Quando é que arrancamos?
Director de programas: Para o ano. Ainda temos de encontrar países e verba.

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Em 1965, nascia uma lenda da televisão europeia. Inicialmente, com influências do Intervilles, cresceu, ganhou força e teve sucedâneos espalhados pela Europa, América e até na Austrália. A falta de verba em 1982 ditou o fim dos Jogos. Mas em 1988, tudo acabaria por dar a volta.

Executivo chefe: Faz uma nova música para os Jogos, se faz favor.
Executivo 1: Mas eu até gostava da antiga. Dava para fazer um novo remix?
Executivo chefe: É tão antiga que dá azar. Faz uma nova, muito europeia, muito enérgica, muito aberta para os anos 90.

Uma das novidades dos Jogos Sem Fronteiras no seu segundo ciclo era a introdução de um novo tema, que se permaneceu durante dez anos e foi remixada nos dois anos seguintes. Também, a introdução da UER deixou de ser só com o país anfitrião da noite e sim com os membros todos à volta do símbolo da UER, qual equipa reunida à volta do treinador antes da segunda parte do jogo. Este indicativo foi modificado em 1990 (novo genérico), 1991 (novo genérico, também para ficar mais elegante) e 1994 (mudança do símbolo da UER e passagem a um proto-Powerpoint rasca). Com um simples genérico animado, não havia símbolo definido para os Jogos.

Os jogos voltaram a cinco - França, Itália, Bélgica, Portugal e a debutante do ano, Espanha. A Espanha tentou entrar sem sucesso nos Jogos mas agora conseguiu. Também modernizaram os postais - que eram a vertente didáctica do programa - pois incitava as pessoas a verem belas e deslumbrantes cidades e aldeias com população inferior a 10.000 ou 5.000 habitantes. Davam antes de quase todos os jogos (depende do número de países que participava) e no início havia a localidade da casa.  Em cima podem ver um exemplar com Viana do Castelo e o seu respectivo postal.

Esta versão tinha a falta de Gennaro Olivieri devido a uma doença. Pouco tempo antes, ele era o árbitro no Intercontinents, spin-off do Intervilles que recebia cidades de vinte países. Guido Pancaldi continou por dois anos, mas também já estava a ficar idoso. Porém, um novo árbitro, que já tinha experiência no ciclo anterior, viria a tornar-se na nova revelação da Europa nos anos 90 - Denis Pettiaux.

Nesta edição foram introduzidos os jogos de surpresa (que não era revelado aos concorrentes até à noite da gravação) e de amizade (onde membros de quatro equipas iriam arranjar um elemento da "quinta" equipa). Este ano, para variar, o último jogo era invariavelmente o mesmo: calcular até 1000.

Este ciclo é marcado pela excelente apresentação portuguesa de Eládio Clímaco, normalmente acompanhado por Ana do Carmo. Eládio Clímaco celebrizou frases tipo "Força, Felgueiras!", "Força, Figueira da Foz!", etc; e também chegou a "interagir" com Denis ("Attention, Denis, s'il vous plait?") antes dos jogos.

Em 1989, apesar do genérico ser igual ao ano anterior (preguiça), um membro surpresa substituiu a Espanha. Era um país muito pequeno que fazia a sua estreia nos Jogos. Choque dos choques, era São Marino. Actualmente São Marino é um microestado que leva canções rasca para a Eurovisão - escusado será dizer que este foi o ano de "Say Na Na Na" que lhes deu uma segunda final no certame - mas na altura em que São Marino participava - que era considerada pelos jogos como "a mais velha república europeia" com todo o orgulho que tinha - era sempre um país com má performance, como também havia outro problema: São Marino participava sem ter uma empresa de radiodifusão. O país enclausurado na Itália teve a sua empresa em 1993 (onde a Rai tem 50% do capital) e entrou na Eurovisão com as semi-finais, numa altura em que a Itália se recusava em participar. As regras eram basicamente as mesmas do ano anterior. Em cima: a final de 1989, onde os Jogos regressam à Madeira.

Em 1990, a Bélgica sai dos Jogos e regressam a Espanha e a Jugoslávia - que tinha ganho a Eurovisão no ano anterior e que no ano seguinte estava em processo de dissolução. Os Jogos ganharam um símbolo definitivo, usado até 1999. Este ano, o número de jogos foi reduzido de doze a dez. Pela primeira - e ÚNICA vez - os Jogos tiveram direito a serem patrocinados - nomeadamente pela produtora de electrodomésticos japonesa JVC e pela McDonald's, que só abririra em Portugal em Março de 1991 (ao menos ainda tinha um restaurante em Macau antes).

Por falar em Macau - em Novembro os Jogos foram para lá para um especial de Natal - ou pelo menos um especial "oriental" pois foi emitido em Macau ainda em Novembro, dias depois da gravação. O especial, com temática macaense, teve seis equipas - trocas França por Macau e pronto, especial feito.

Em 1991, os Jogos ganham uma nova imagem, novo genérico, novos quadros de pontuação - já não eram físicos, eram agora a computador, o que permitia também a facilidade de ver os dados do jogo - como o tempo que cada equipa demorou a completar. Com a saída da Jugoslávia, o Reino Unido regressa, mas não como um todo. Regressa com o País de Gales e com o aval da S4C.

OFF: A S4C (Sianel Pedwar Cymru = Canal Quatro Gales) é um canal público galês criado em 1982, depois de pessoas a protestarem a precariedade da língua galesa na televisão deles. Uns até tiveram a ousadia de deixar de pagar a taxa e atacar fisicamente emissores. O canal era bilingue devido ao espectro limitado - coisa que foi resolvida em 1998 com a Channel 4 na plataforma On Digital e a criação de uma versão digital inteiramente em galês. Um dos seus programas mais prestigiados, a novela Pobol y Cwm, está no ar desde 1974, quando dava na BBC One, em regime de desdobramento local.

ON: As participações galesas trouxeram também a afamada língua galesa para o concurso, que para muita gente era uma incógnita. Os apresentadores - notavelmente Iestyn Garlick - tinham, por obrigação do canal - de falar numa enigmática língua que para muitos era indecifrável, mas ao menos trouxe cultura a sério. Isto porque, se fores ao norte do País de Gales e ires a uma aldeia, se falares inglês, vão te perseguir.

No ano seguinte São Marino acabaria por sair. A Suíça voltaria com o aval da TSR (e só da TSR, se enviassem a alemã iriam achar os jogos como "decadentes" como na Alemanha) e dois países inéditos: a Tunísia, dentro da zona da UER, que cerca de quinze anos antes tentou entrar no festival da Eurovisão mas foi expulsa, e a Checoslováquia, antes da dissolução, mas sem ser membro pleno da UER. Muitos dos países de leste (Polónia, República Checa, Hungria, Rússia, etc.) só entrariam a 1 de Janeiro de 1993, data da fusão da UER com a OIRT (Intervisão), que era a UER comunista. A Tunísia só participou uma vez e em 1993, fruto das mudanças na organização, o epicentro começa-se a deslocar mais para este: a saída de Espanha e França deu-nos jogos a sete, com a entrada da Hungria e da Grécia e a permanecência da República Checa nos Jogos.

Se achavam que os Jogos iriam ficar estáveis, em 1994 foi atingido o climax de participantes - nove países. NOVE países. Sim, leu bem, NOVE países. Logo a começar no indicativo, renovado para a nova cara da UER, apareciam dois países "minúsculos", a televisão maltesa e a não tão minúscula televisão eslovena cujo símbolo é uma escultura de um jovem flautista. Jogos a nove era um bacanal, mas ainda assim trouxe-nos, pela primeira vez, a uma cidade a ultrapassar os 100 pontos.

Bacanal era também a escolha de países, que parecia mudar a cada ano. Em 1992, por exemplo, a Tunísia participou por uma vez e nunca mais voltou. A estreante Eslovénia saiu dos jogos juntamente com Gales. Ficámos com uns jogos mais estáveis, a sete. Porém, no ano seguinte, as regras do jogo iriam mudar.

Devido a problemas orçamentais, a UER decidiu que, a partir de 1996, os Jogos passariam a ser disputados numa cidade. No mesmo ano, seis países participaram, com a saída da República Checa e de Malta e o regresso da Eslovénia. Os jogos todos eram realizados em Turim. Numa das edições, uma equipa de Ticino (nesta altura era a TSI que participava pela Suíça) sofreu um acidente e recusou a se participar.

1997 marca o regresso da França e - espanto dos espantos - Holanda - desta vez representada pela TROS (actual AVROTROS - actualmente responsável pela Eurovisão na Holanda). Os Jogos mudaram-se para Budapeste, mas a final foi em Lisboa.

Em 1998, os Jogos ganham um novo genérico, e agora o tema é um DANCE REMIX! É verdade, os Jogos tinham de fazer tudo para se actualizarem. Regresso à Itália com a saída da Eslovénia. As emissões na Rai Uno eram antecedidas por anúncios a promoverem a moeda única, com personalidades italianas (uma antes de cada edição) e o slogan "Euro - a moeda sem fronteiras". Apesar de na final prometerem um regresso para 1999, Portugal distanciou-se de vez dos Jogos por causa de problemas com o dinheiro.

Os Jogos de 1999 eram mais rascas, logo desde o indicativo da Eurovisão feito em Powerpoint e seis países a participarem - Itália, França, Suíça, Hungria, Eslovénia e Grécia. A RTP recusou a emissão dos Jogos ao contrário das edições anteriores a 1979 (que não devem estar nos arquivos simplesmente porque nós não participámos).

E em 2000? Direi apenas que havia falta de verba. Os Jogos Sem Fronteiras paravam aqui. Mas e se regressassem? Os Jogos Sem Fronteiras tinham sido modernizados, acompanhavam também a evolução técnica da televisão, juntamente com o Festival da Eurovisão, onde gastam dinheiro numa semana em Maio - sobretudo com o crescimento do número de países e a criação das semi-finais.

A UER anunciou uma nova versão para 2007, com oito países - Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal, Itália (que participou sem falta em todas as edições), Eslovénia, Grécia e, como estreia como país independente, Croácia. Porém esta edição acabaria por ser adiada a um ponto que a UER desistiu da ideia, por ser caro. Nem que seja para enfiarem as edições todas no mesmo lugar, como tem sido desde 1996.

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Fiz um mapa em 2015 com todos os países que já participaram, a azul estão os países que entraram em pleno direito, a verde em parte (não pintei a Romandia na altura) que são País de Gales pelo Reino Unido e Ticino pela Suíça, a roxo países que já entraram como parte integrante doutro antes da sua dissolução (Checoslováquia e Jugoslávia; há também o território da Alemanha Oriental que nunca participou nos Jogos como reunificado) e a rosa a Croácia que nunca entrou nos Jogos depois da dissolução do país. São Marino está numa cor parecida porque quando participou, a RTV San Marino ainda não existia e participava pela Rai.

Em 2017 tentaram fazer os Eurovision Super Games, mas nunca se concretizou porque era apertado demais ter doze países, o que era um bacanal superior ao de 1994. Este ano vão surgir dois novos programas - a UER diz que o formato foi vendido à Banijay e uma versão vai estrear na France 2 no outono. Porém o Canale 5 da Mediaset respondeu com os Eurogames, onde a Itália vai defrontar a Suíça, a Espanha, a Alemanha e a Polónia (que até dava bom participante se os Jogos continuassem nos anos 2000). Os produtores do Eurogames disseram que não vão ser os Jogos Sem Fronteiras clássicos mas sim "algo completamente novo". Vamos ver se estes formatos serão bem sucedidos.

Entretanto, nos anos 2000, criou-se uma onda de Jogos Sem Fronteiras virtuais (os FantaJSF) onde a Itália costumava ser o centro destes jogos. Não sei exactamente como é que funcionavam, mas envolviam chats e fóruns da especialidade e cada utilizador tinha de representar um país. Os FantaJSF acabaram provavelmente por falta de tempo, mas acho que aqui no fórum dava uma boa experiência.

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