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41: Rádio e Televisão no Japão


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Encontrar uma maneira decente de começar esta crónica é difícil. Concentremo-nos naquilo que importa.

No Japão, os meios de comunicação (rádio, televisão, jornais) não são homogéneos. Sim, eu inclui os jornais mas a rádio e a televisão, sobretudo no sector privado, são ambas marcadas por uma espécie de "autonomia" entre as várias regiões do país.

No Japão, há o sector público (NHK) e o sector privado (todos aqueles canais de televisão com centenas de mirabolantes programas que juro que em Portugal resultaria no colapso de um executivo qualquer). Isto na rádio também é válido, e é na rádio onde começaremos a nossa viagem.

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A NHK opera três rádios: duas na banda AM e uma na banda FM. No Japão, a rádio AM ainda tem muitos adeptos, porém existem algumas restrições no formato, restrições com base em leis já antigas que vou falar mais logo. As rádios da NHK são as seguintes:
NHK Radio 1: uma rádio generalista, tipo uma Antena 1 do Japão que privilegia a informação.
NHK Radio 2: uma rádio educativa, do tipo que não existe em Portugal. Muitos dos programas emitidos nesta rádio são cursos de línguas.
NHK FM: uma rádio de música, sobretudo clássica. Emite também alguns noticiários da NHK R1.

No Japão, a rádio pública tem desdobramentos a partir de vários centros de emissão. Os mais importantes são os de Sapporo, Sendai, Tóquio, Nagoya, Osaka, Hiroshima, Matsuyama e Fukuoka.

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A NHK segue a estrutura basilar das operações regionais privadas mas cria as suas próprias regras. Ao contrário do sector privado, a NHK tem sete escritórios na província de Hokkaido e por isso os noticiários e derivados são locais, ao contrário das rádios e televisões privadas cuja informação dá para a província inteira. As rádios AM emitem para as tais "zonas amplas" de Kanto, Tokai e Kansai. Antigamente (até 2015) a NHK Radio 1 tinha uma estação em Quioto mas teve de ser fechada por uma razão: Quioto estava demasiado próximo de Osaka e podia-se apanhar o sinal da NHK R1 da cidade, que serve como a divisão para a região de Kansai inteira. Até 1973 havia uma estação da NHK R2 em Tokushima mas esta fechou devido, claro está, à potência da sua congénere em Osaka. Dado o carácter educativo da NHK R2, não entra em grandes histerias por fazer programas de âmbito regional.

A concorrência da NHK no campo do AM é por via de duas cadeias de rádio: a Japan Radio Network e a National Radio Network.

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A JRN é encabeçada pela TBS Radio and Communications. Tem 35 membros, basicamente um por região, excepto em Kansai, onde está dividido entre a Mainichi Broadcasting System, a Asahi Broadcasting Corporation e a Wakayama Broadcasting System. No Japão há uma série de restrições postas há já tantos anos: o número de rádios AM tem de ser limitado, onde duas são atribuídas à NHK e pelo menos uma a privados. Algumas regiões têm mais do que uma rádio privada: Hokkaido tem duas, Kanto tem três para a região e três de nível provincial, Tokai tem duas mais uma provincial, Kansai tem três mais três ou quatro provinciais, Fukuoka tem duas e Okinawa também tem duas.

Quase todos os membros da JRN estão ligados a um canal de televisão, que pode ou não ser filial de uma outra cadeia de televisão. A HBC, RAB, IBC, TBC, TBS, SBS, SBC, BSN, MRO, CBC, MBS, RSK, RCC, BSS, RKB, NBC, OBS, RKK, MRT, MBC e RBC têm todos canais filiais da JNN, a ABS, YBC, YBS, KNB, RBC, RNC, JRT, RKC, RNB e KRY são filiais da NNN. Porém como há limitações deste tipo na rádio AM, muitas destas rádios que emitem através de um monopólio comercial na sua banda emitem alternadamente programas das duas cadeias.

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A NRN, por outro lado, tem alguns membros próprios: o caso de Kanto, em particular, é encabeçado pela Nippon Hoso, operada pelo grupo Sankei, que detém a Fuji TV, e a Bunka Hoso (Radiodifusão Cultural). Esta rádio foi fundada por um missionário católico italiano (Paolo Marcelino) e algunas agências católicas detêm uma parte limitada do capital. Dado o seu carácter de rádio comercializada, parece uma espécie de Rádio Renascença do Japão.

Tochigi e Ibaraki têm as suas próprias rádios filiais desta cadeia, e a terceira rádio de Kansai, a OBC (dos donos da Kansai TV) junta-se ao complicado caso da ABC e da MBS, à qual junta-se a KBS, rádio regional para Quioto e Shiga. Hokkaido tem a STV como membro pleno mas a HBC ainda passa alguns programas deles. Tokai tem a Radio Tokai, Fukuoka tem a KBC e Okinawa a ROK. Ao contrário de Hokkaido e de Kansai, estas rádios não misturam os programas das outras cadeias.

As rádios privadas em AM emitem bastantes programas de entretenimento, entre programas musicais e de converseta que parecem mais alucinantes do que os animadores dos programas da manhã actuais em Portugal. Emitem também basebol, um desporto bastante popular no Japão por causa da ocupação americana (o mesmo com a Coreia do Sul) e jogos de futebol, sobretudo quando o país é qualificado para o Mundial. Um contraste às emissões de sumo na NHK.

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Existem também três rádios independentes na banda AM, todas a nível prefeitural: a Radio Nippon de Kanagawa, a GBS de Gifu e a CRK de Hyogo. Julgo que costumam passar programas de âmbito local.

Hei de dedicar um post aos nomes das rádios e televisões privadas.

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Saltemos do AM para o FM, banda pela qual temos grande estima "no velho continente", sobretudo porque o AM de cá é mais limitado e em vias de extinção (cá só há duas rádios de onda média: a Antena 1 e a Rádio Sim. Mas isto é sobre o Japão, OK?).

Aqui em Portugal e na Europa as rádios privadas de grande audiência são todas nacionais: a Comercial, a RFM, a M80, etc. E depois há as semi-nacionais como a Cidade, e depois as locais com pouca audiência e muita proximidade. No Japão, tal não é o caso.

Existe uma cadeia de rádios privadas em FM que é a Japan FM Network. A primeira rádio privada em FM nasceu em 1969, que substituiu uma rádio experimental sob a égide da Universidade de Tokai. No início dos anos 80 houve uma eclosão massiva da rádio FM no país e foram criadas rádios FM para Tóquio, Osaka e Fukuoka, que juntaram-se à rádio de Nagoya para criar a JFN em 1981. Nos anos 80 e 90 a cadeia cresceu a um nível quase nacional.

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Existem algumas províncias sem rádios locais FM, nomeadamente quatro em Kanto e três em Kansai. Nos anos 80 e 90 estavam previstas duas licenças, uma para Nara (1984) e outra para Wakayama (1991), mas tais não avançaram.

A JFN é composta por 38 membros. As regiões de Kanto, Kansai e Tokai, ao contrário das rádios AM, funcionam a nível de província por causa da potência um pouco mais "reduzida" das emissões em FM. O mesmo acontece com a NHK, onde uma parte de Kanto recebe as emissões centrais da NHK Broadcasting Center para Tóquio, Saitama e Chiba. O caso de San-in é particular: apesar de serem duas províncias, desde cedo que as rádios emitiam para as duas províncias porém com a televisão era um canal para cada província em separado até 1972.

Saga tem a única rádio independente da província, isto porque a NBC Radio Saga é uma dependência da NBC de Nagasaki. Como o único canal de televisão local (a Saga TV) foi criado já com a eclosão das emissões em UHF em 1969, nenhuma empresa local podia ter uma licença para emitir. Também porque, na altura, conseguia-se aceder às emissões das províncias vizinhas com facilidade.

A FM Okinawa é um caso particular: até 1984 era uma rádio em onda média (e por si só é outro caso particular: até 1972 era propriedade dos EUA) pertencente à Far East Broadcasting Company, uma empresa criada para difundir mensagens de índole cristã a países asiáticos. A FEBC fundou a sua rádio em Okinawa em plena ocupação americana e, dada a predominância da língua japonesa, emitiu alguns programas das rádios privadas do país. Que eu saiba nem foi membro da JRN e da NRN. Em 1984 a FEBC decidiu vender a sua rádio em Okinawa e passou a ser uma rádio 100% privada na banda FM, e pediu adesão à JFN. A FEBC ainda existe, o seu posto mais relevante é uma rádio na Coreia do Sul cuja emissão é feita em várias línguas.

Ora, o formato da JFN? As rádios normalmente passam bastantes programas de música, tal como as rádios privadas, mas dão sobretudo prioridade aos J-Pops. A JFN funciona como uma cadeia tipo as nacionais e é encabeçada pela Tokyo FM.

Por outro lado, nas zonas com mais densidade populacional, existe a Japan FM League.

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A JFL prima pela autonomia das suas cinco rádios e costumam partilhar material. Por exemplo: se a J-Wave quer fazer um concerto em Osaka, pede o material à FM 80.2. A JFL faz também o seu Top 100 semanal, em que casa membro faz a sua lista.

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Há também a MegaNet, cujas emissões são um pouco mais diversas, por serem rádios dirigidas a pessoas de várias etnias. Boa parte da emissão é feita em japonês e inglês mas existem programas noutras línguas também. Por exemplo: a RadioNEO de Aichi emite programas em português para atender à forte comunidade brasileira na região.

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Há também seis rádios independentes. Quatro delas emitem à volta de Tóquio. A FM Fuji era antigamente um membro da JFN até sair em 1998. Alguns dos membros são de províncias sem filiais da JFN: Chiba, Saitama, Kanagawa e Quioto. Curiosamente há também uma rádio independente em Niigata, a FM Port.

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No Japão ainda há rádios de onda curta. A NHK tem um serviço na onda da BBC World Service e da vizinha KBS World Radio que emite programas de informação em várias línguas. Há também a Radio Nikkei que segue a sua própria estrutura: programas sobre economia, saúde, cultura e corridas de cavalos da Japan Racing Association. O segundo canal da Radio Nikkei adopta a designação RN2 de segunda a sexta e é orientada a homens de negócios.

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Até as forças armadas americanas operam as suas rádios como parte da cadeia AFN (American Forces Network) cujas emissões costumam ser restritas às bases militares americanas no país. As estações de Misawa, Tóquio, Iwakuni e Sasebo emitem em onda média e a de Okinawa em FM.

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As rádios de Kyushu mais a FMY de Yamaguchi são agrupadas na FM Q League, uma espécie de cadeia regional para o oeste do país.

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A Universidade Aberta emite desde 1985 em FM mas, segundo fontes japonesas, as emissões serão descontinuadas em Setembro deste ano, para que sejam emitidas exclusivamente por cabo e satélite. Ao contrário de outras Universidades Abertas como a britânica ou a portuguesa, esta é a única que tem uma rádio e um canal próprias.

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  • 2 months later...

A nomenclatura das rádios e televisões privadas também é um factor essencial para a existência das mesmas. Existem vários tipos de nomenclatura:

  1. Nomenclatura geográfica de âmbito regional;
  2. Nomenclatura geográfica de âmbito provincial;
  3. Nomenclatura à base de indicativos (sobretudo abreviações);
  4. Nomenclatura à base de jornais;
  5. Nomenclatura à base de uma cadeia de televisão ou rádio;
  6. Nomenclaturas que ainda são antiquadas porém o nome japonês é genérico.

O primeiro tipo de nomenclaturas é normalmente atribuído a algumas das primeiras rádios que eram dos primeiros do tipo a emitir no país.

  • Hokkaido Broadcasting (HBC)
  • Tohoku Broadcasting (TBC)
  • A Radio Nippon era, anteriormente, a Kanto Broadcasting
  • Shin'etsu Broadcasting (SBC)
  • Hokuriku Broadcasting (MRO)
  • Chubu-Nippon Broadcasting (CBC)
  • Tokai TV (THK)
  • Não existe uma Kansai Broadcasting, mas há a Radio Kansai e a Kansai TV
  • Chugoku Broadcasting (RCC)
  • Shikoku Broadcasting (JRT)
  • San'yo Broadcasting (RSK)
  • San'in Broadcasting (BSS)
  • Não existe uma Kyushu Broadcasting, mas a RKB Mainichi ainda reflecte o antigo nome: Radio Kyushu Broadcasting
  • Ryukyu Broadcasting (RBC)

O segundo tipo é dos mais comuns. Vai desde as rádios e televisões no mesmo tecto (Aomori Broadcasting, Broadcasting System of Niigata, Yamanashi Broadcasting System, etc.) até canais de televisão (Sapporo Television, Hokkaido Television Broadcasting, Aomori Television, Niigata Sogo Television, Hiroshima HOME TV, etc.) e é aplicado a muitas rádios locais em FM, segundo o mapa.

O terceiro tipo é mais raro. Exemplos notáveis incluem a MRO de Ishikawa que vem dos indicativos JOMR (Kanazawa) e da repetidora JOMO (Nanao) ou a JRT, que veio do indicativo JOJR.

O quarto tipo é raro. Tres dos cinco grandes canais de televisão de Osaka, a Mainichi Broadcasting System, a Asahi Broadcasting Corporation e a Yomiuri TV usam os nomes dos jornais às quais estão ligados em cadeia nacional.

O quinto tipo é mais frequente entre alguns canais locais mais novos: Aomori Asahi Broadcasting, Kagoshima Yomiuri Television, etc.

O sexto tipo manteve-se para evitar a repetição de alguns nomes: RAB quer dizer Radio Aomori Broadcasting mas com as emissões televisivas passou a ser "Aomori Broadcasting". A RCC é a Chugoku Broadcasting mas até 1967, mesmo já com televisão, ainda era a Radio Chugoku.

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  • 8 months later...

A NHK opera dois canais terrestres: a NHK General (generalista) e a NHK Educational (tipo RTP 2 mas com mais primazia em programas educativos). Ao contrário da nossa RTP, mas mais próxima da BBC, a NHK não emite anúncios nos seus canais. Primeiro vou falar um pouco sobre a emissão geográfica dos canais:

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A NHK G (como prefere ser chamada) tem 50 geradoras de sinal, com indicativos próprios (exemplo: JOAK em Tóquio e JOBK em Osaka). Tal como na rádio, tem as suas emissões divididas nas prefeituras de Hokkaido e Fukuoka e na região de San-In (Tottori e Shimane). O sul de Kanto (Tóquio, Kanagawa, Saitama, Chiba) depende da geradora central no NHK Broadcasting Center. Cada região tem os seus próprios desdobramentos, sobretudo para passar noticiários. Um dos horários, por exemplo, é o das 20:45, para dar a edição da noite local. Também uma das filiais (a de Tottori) chegou a emitir o anime Free!, o que é estranho dado ter vindo de uma das privadas.

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Já o segundo canal tem 41. Ao contrário do primeiro canal, os desdobramentos são reduzidos. Os únicos desdobramentos são quando aparece o indicativo local (exemplo: JOAB em Tóquio) no encerramento da emissão diária. Tal como na rádio: a NHK General emite o dia inteiro mas está sujeita a manutenções mensais; a Educational encerra as suas emissões todas as noites. Antigamente o canal tinha um separador com a estátua do Pensador para abrir e encerrar a grelha, mas desde que a TDT espalhou-se por toda a parte eles usam um separador com um cérebro que anda. Uma novo sentido dado ao termo "com pés e cabeça".

A NHK é financiada por uma taxa que cobre todas as operações que nem na BBC (e antigamente na RTP).

Alguns dos programas mais notáveis da NHK incluem os noticiários (os principais são o Ohayo Nippon (Bom Dia Japão), News 7 e News Watch 9), telenovelas matinais (normalmente de época) que duram um quarto de hora (algumas até já foram exportadas para países subdesenvolvidos na Ásia, África e América Latina), programas infantis bem produzidos como O Interruptor de Pitágoras (isto é da NHK E), etc.

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