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33: Locomotion


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Nunca mais houve igual

Hoje trago um canal que poucos sabem, pois pouca gente lembra-se do canal. Falo do canal latino-americano Locomotion.

O Locomotion nasce na América Latina no dia 1 de Novembro de 1996. Era detido a meias pela americana Hearst Television e pela venezuelana Cisneros Television, que na altura já explorava vários canais por cabo na região. Na América Latina teve um contrato de exclusividade de dois anos com a filial local da DIRECTV. Com a quebra do contrato, o canal massificou-se para passar a ser visto por mais operadores.

O canal chega à Península Ibérica na extinta Vía Digital, que mais tarde viria a partilhar frequências com a nascente plataforma de satélite da TV Cabo. Apesar do canal não estar na TV Cabo por cabo, esteve noutro operador português: a Cabovisão.

O Locomotion surgiu com uma oferta arrojada: era um canal de informação que quebrava a lenda urbana de que "os desenhos animados são para meninos". Pois aqui o Locomotion dava uma volta de 360 graus ao conceito e com justa razão:
"Existem algumas diferenças claras entre o Locomotion e outros canais de desenhos animados. Primeiro, não é um canal para crianças, mas um canal de animação, em segundo lugar, ao contrário de outros canais, foi criado especificamente para o mercado latino-americano. A nossa intenção é fornecer uma variedade de animações que atrairão todas as idades. É claro para nós que há um apetite para este tipo de conteúdos, não só para crianças, mas também para adolescentes e adultos."

Ora, o que é que o canal oferecia na sua primeira fase? De dia era um canal de tom mais "familiar". À tarde somava conteúdos de acção como G.I. Joe, Flash Gordon e outros que tais. À noite havia o Retromotion que passava desenhos animados de outrora. A isto somava-se o Locotomía, que era dedicado a curtas de animação experimental.

 

O primeiro grafismo do Locomotion (no vídeo em cima) assentava numa mascote, cuja cabeça era o símbolo do canal. A mascote chamava-se "Loco" pelo simples facto de ter o "Loco" ja cabeça (com os Os na zona dos olhos) e a palavra Motion na boca. O nome Locomotion assentava na ideia da locomoção, ou seja, da animação, já que era a intenção do canal.

O canal teve planos para penetrar noutros territórios europeus (França, Alemanha e Itália) mas, supostamente pela falta de apoios para traduções e afins, a sua expansão fora das Américas ficou por Portugal e Espanha.

Nos intervalos chegaram a passar isto que servia de afirmação ao seu conteúdo: animação mais "ampla" no que toca a idades - através de uma personagem criada para estes separadores, o Adul Tito, uma criança com mente adulta:

Eis a mascote do canal a afirmar aos telespectadores adultos que é preciso dormir para trabalhar e ganhar dinheiro e pagar as contas para poder ver os desenhos:

Em 1999, o Locomotion muda o seu grafismo pela primeira vez. O canal catapultou-se para uma etapa de grande estima para os telespectadores dos dois lados do Atlântico:

O novo símbolo do canal passou o Loco a segundo plano. Bastava só um Locomotion e a máscara sem texto. Pronto. Instant fans.

A mudança efectuada a 1 de Novembro de 1999 assentou no conceito da internet, dos códigos digitais e do novo "target" etário: telespectadores entre os 18 e os 35 anos. Em suma, um canal para uma era digital, a Revolução da Internet. Isto porque o canal passou a ser emitido em mais operadores da América Latina e era considerado como um "canal infantil" por certos operadores (apesar do próprio canal afirmar o contrário), mas o canal decidiu responder à sua massificação com agressividade.

O novo Locomotion tinha um ar muito underground e deixou de ser "infantil". Algumas das séries que mais atraíram os telespectadores portugueses (com as suas dobragens brasileiras) eram Duckman, Aeon Flux, Bob e Margaret, Crapston Villas, The Critic e um dos mais populares do canal, o South Park. É verdade, antes da SIC Radical oferecer a série com legendas, o Locomotion servia-nos com a dobragem brasileira, completamente "uncut". Por causa disto, o canal passou a ter alguns problemas com o conteúdo e começaram a passar avisos a dizer "O seguinte programa contém: violência/linguagem adulta/sexo. Não apropriada para menores" antes de cada programa.

Porém, à medida que avançavam os tempos, uma nova revelação surge perante o canal: o anime. Porém o canal era conhecido por ter vários blocos e afins: o Locotomía sobreviveu à mudança. As séries antigas já estavam reunidas no 80s TV. O Fracto era de música techno misturado com animação experimental (cujo nome mudou para Lovevision passado algum tempo). Eram emitidos filmes (de anime) no Animafilms. Os animes tinham o seu espaço no Japanimotion. Algumas séries eram emitidas com dobragem (em espanhol latino e português brasileiro), outras eram legendadas para bem dos otakus latinos.

Em 2002, o canal é comprado pela empresa canadiana Corus Entertainment que fora reformulado no ano anterior. O novo grafismo assentava numa cidade habitada por bonecos tipo Playmobil. Para mim, foi o melhor grafismo que o canal teve. Até aqueles avisos antes dos programas ficaram mais jeitosos.

O Locomotion teve dois sinais: um para a América Latina e um para a Península Ibérica. Cá foi emitida uma dobragem brasileira da série Ranma 1/2 que supostamente iriam arranjar a uma distribuidora espanhola:

Porém. o Locomotion ibérico teve o seu triste fim no verão de 2003, quando as operadoras espanholas Via Digital e Canal Satélite Digital fundiram-se. Ao contrário de vermos uma fusão tipo Dragon Ball, a fusão em questão era um pouco mais económica. Ou seja: em vez das duas operadoras darem uns quantos passos de dança e unirem os seus dedos a gritarem "FUUUUUUUUSÃÃÃÃO!", a CSD/Digital+ ficou com a sua oferta intocada e só uma fracção dos canais da Vía Digital sobreviveram. Podem ver o caso de um dos seus sobreviventes aqui, que era espanhol (inicialmente pertencente a uma empresa catalã) e emitia anime também.

No entanto, o Locomotion sobreviveu na América Latina por mais dois anos. Progressivamente iriam retirar todas as séries que não eram anime a um ponto que só existia a identidade do Locomotion Animestation. Em 2004 foi comprado pela argentina PRAMER (Productora América) que na altura editava alguns canais por cabo, porém no ano seguinte fora vendido à Sony para criar o Animax latino-americano, que existiu durante quase seis anos e começou a ver os seus sinais de decadência quando a meio da sua passagem começou a passar filmes de imagem real de Hollywood. Mas sobre o Animax que tivemos em Portugal, é outra história e a decadência chegou mais tarde.

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