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28: as séries e dobragens do Dragon Ball em Portugal


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Parte 1: Dragon Ball (1986-1989)

O conceito base do Dragon Ball foi o conto chinês "Viagem ao Oeste", saga que consiste num macaco oriental e sete bolas que representam maravilhas antigas. Akira Toriyama tornou Sun Wukong (a tradução depende do autor do conto chinês) na já icónica personagem Son Goku, e aposto que muitos de vós já sabem de que é que estou a falar.

Telespectadores que viviam perto da Galiza ou da Andaluzia recebiam as respectivas televisões autónomas - em espanhol na andaluza e em galego no canal que é carinhosamente apelidado como "A Galega" - se bem que o outro era apelidado de "Ba-Canal Sur" por causa do seu conteúdo mais puxadote. Isto foi no início dos anos 90, onde os espanhóis (em particular os galegos) tiveram o privilégio de ver o Dragon Ball pela primeira vez na Europa. By the way: os galegos chamam a isto de "As bolas máxicas".

Eis que a série chega a França e passou por alguns cortes aqui e ali. E só depois, em 1995, é que chega a Portugal. Mas antes vou ter de falar sobre a série em si:

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A primeira série do Dragon Ball estreou no Japão a 26 de Fevereiro de 1986 na Fuji TV. No seu horário (quartas às 19 horas) substituiu o Arale/Dr. Slump, outra criação do Akira Toriyama. Mais informações sobre a emissão da série no Japão, até nas regiões onde a FNN não chegava na altura, podem ser vistas aqui (usem o tradutor SFF).

A série começava com a busca de Son Goku (o Sun Wukong de Toriyama) na sua infância quando tinha uma cauda de macaco. A sua viagem, que consiste na procura das sete bolas de cristal (cujas bolas são numeradas com o número de estrelas das ditas), participa em batalhas com com adversários cuja agressividade continua à medida que as viagens avançavam. Uma vez reunidas as sete bolas de cristal, quem as possui diz as "palavras mágicas" para pedir um desejo (com limitações) ao dragão Sheng Long (também conhecido como Shenron, de acordo com a fonética japonesa). As bolas eram um elemento importante na primeira parte da série, se bem que depois passou a um plano secundário. A série passou a ser resumida numa frase: "porrada contra seres estranhos, em que os bons da fita também eram seres estranhos, com nomes estranhos, e há bolas de cristal", ou "havia um gajo que era o Son Goku e que salvou o planeta várias vezes. No fim, morreu." (caiu um spoiler).

A Bulma ajudou o percurso do jovem Son Goku para procurar as sete bolas de cristal (que, de acordo com o conto chinês, representavam as sete maravilhas do mundo antigo). Conheceu-a nas montanhas depois de ter sido atropelada por engano. Outras personagens da série incluem o porco transformador Oolong, o ladrão Yamcha, que deixou de ser um vilão, o Mestre Kame, que ensinava as artes marciais, o Tartaruga Genial que na dobragem era pervertido, etc.

A série terminou a 12 de Abril de 1989. Totalizou 153 episódios. Na Europa chegou primeiro à França no canal TF1, a 2 de Março de 1988, no célebre Club Dorothée, através de uma versão ligeiramente cortada pela licenciadora francesa AB. Em Espanha, a TVG foi a primeira televisão autónoma a emitir, com o nome de "As bolas máxicas", e depois espalhou-se pelas restantes autónomas. Entretanto, em Portugal, chegou com vários anos de décalage face a outros países europeus. Chegou a Portugal em 1995 no Buéréré, por esta altura o Japão já tinha o GT (que muitos acham que é um erro, porque não foi adaptado de uma BD) e também chegaram a ser comercializados alguns jogos, alguns eram importados do Japão que até precisavas de um adaptador para o jogar.

Apesar das "ligeiras" censuras feitas pela AB (o que faz com que as censuras do Cartoon Network sejam uma criança a olhar para um gigante que é o CN), a série teve boa aceitação do público, a começar com a canção de abertura nos moldes da AB:

Este genérico produzido pelos licenciadores franceses do anime também foi o genérico usado pelas dobragens alemã e portuguesa - este genérico é uma mistura de templates oitentistas para canais de televisão com imagens da série. A música pode ser uma ofensa para os fãs de animes no seu estado mais puro, mas era o que a AB fazia - aliás, aquela música do Oliver e Benji era derivado do genérico do Olive et Tom francês. Pior: e que tal esta música das Navegantes da Lua de França? A que é que te soa? Música pimba? Kelly Family?

A série chegou a Portugal numa altura em que haviam poucos animes a sério (nada de adaptações literárias - se bem que esta é uma adaptação literária, só que com algum desrespeito face aos sábios chineses de outrora) e por isso, uma série como o Dragon Ball foi um sucesso de audiências, ainda mais com o Z, que será falada na segunda parte. Quando começava este genérico (se bem que o do Z surtia o mesmo efeito) as aulas eram interrompidas e a brincadeira também porque os jovens telespectadores começavam a ver uma série sem paradigmas na televisão portuguesa.

Quanto à dobragem, foi uma tradução livre dos estúdios Novaga (hoje Digital Azul). O elenco era composto pelos ilustres Henrique Feist, Cristina Cavalinhos, João Loy entre outros. A dobragem foi marcada pelo desrespeito pelo produto original, o que criou uma fórmula que raras vezes se repetiu:

Por momentos, temos a ideia de que celebridades, programas portugueses e o Estádio das Antas foram importados para os planetas em que as séries se passavam.

Brevemente, vamos falar sobre o ainda mais célebre (e comprido) Dragon Ball Z. Não percam o próximo episódio, porque nós...
...TAMBÉM NÃO!!!

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Parte 2: Dragon Ball Z

No Japão, Dragon Ball Z chegou aos ecrãs a 26 de Abril de 1989, e de todas as séries, foi a que mais tempo durou: seis anos (quase sete), cujo último episódio fora emitido nos ecrãs japoneses a 31 de Janeiro de 1996. Durante o período em que foi emitida a série, aconteceram muitos eventos: a Guerra do Golfo, a dissolução da União Soviética, da Checoslováquia e da Jugoslávia em novos países, a chegada dos canais privados e da televisão por cabo a países mais "enfraquecidos" da Europa, o surgimento da internet, etc.

Porém, quando o Toriyama esteve a preparar a série, ele estava indeciso, pois a BD era só "Dragon Ball". Optou por chamar àquilo de "Dragon Ball 2", mas sem sucesso. Optou por chamar de "Dragon Ball Z" porque julgava que iria ser o fim da saga. Mas depois houveram mais duas sequelas, das quais ainda não falei.

A série passa cinco anos depois do fim do primeiro anime. Son Goku já cresceu e perdeu a cauda de macaco e tem um filho (Son Gohan). Eis que chega o Raditz que fala com o Goku e diz que é um descendente da raça Saiyan, que enviaram o Goku (na altura "Kakarrot") para a Terra a conquistar, mas perdeu a memória. A série continua com 325 episódios, numa vertigem incrível de batalhas que se prolongou por largos anos, que a meio acabou com o Goku a tornar-se num Super Saiyan. Durante o percurso da série na sua emissão japonesa, houve uma elipse de um ano em que o Goku encontra-se com o Trunks, futuro filho da Bulma e do Vegeta, que avisa o Goku que, num espaço de mais três anos, aparecerão dois humanos artificiais com sede de vingança. O Goku sacrificou a sua vida e a vida do planeta imensas vezes e depois acabou com o Goku a vencer contra o Majin Buu. A sua vida (a do Goku) foi inteiramente restaurada perto do fim das batalhas.

A primeira série chegou a Portugal quando o Z estava quase a acabar. Quando o Z chegou a Portugal, a dita estava mesma a acabar no Japão. A larga duração da série (325 episódios!) tornou o Dragon Ball numa religião. Instalou-se a loucura, dado que a loucura da série era infinitamente melhor ao contrário da primeira série, pois tinha mais batalhas.

Entretanto, na França, a série chega a 24 de Dezembro de 1990 no Club Dorothée (linda prenda). Porém, para os franceses, a série tinha cortes aqui e ali. A violência dos animes de acção no Club Dorothée da TF1 foi tal que a influência dos cortes das cenas mais violentas chegou a atingir as banais séries americanas. Mas na SIC, isto não impediu que a série fosse um sucesso.

Novamente, o genérico japonês não foi utilizado. Desta vez, foi mais uma canção feita nos estúdios AB (proprietária da licença francesa). Os "puristas" da série fora de Portugal não devem gostar, aliás os brasileiros normalmente estão confusos face às nossas dobragens.

[em construção]

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