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3: MEO


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Primeira parte: o comando é meu

Estamos em 2018. A MEO está pelas ruas da amargura. A PT, uma marca com mais de um quarto de século de história, acabou por ser sucumbida às mãos da franco-holandesa Altice. Há pouco mais de dez anos, a MEO era outra história. A MEO era mais um projecto de Zeinal Bava, um projecto assinado pelo criados de tamanhas inovações tecnológicas em Portugal. Em 2007, a PT estava a estudar uma separação da PT Multimédia para potenciar a criação de uma nova operadora que iria funcionar em IPTV, ao contrário da TV Cabo, que funcionava, como o nome indica, por cabo.

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O primeiro serviço IPTV em Portugal foi a extinta Clix SmarTV, que começou dois anos antes da MEO. Foi a pioneira em muitas coisas: gravação interna, pausa TV, EPG para todos os canais... Quem é que já fez tamanhas inovações anteriormente? A TV Cabo experimentou tais coisas com a "televisão interactiva" uns anos antes mas aquilo até foi pelo cano abaixo. E depois trouxeram-nos uns canaizinhos fracotes: ProTV International? Um canal romeno? Para quem? Inter+? Só para os ucranianos pagarem pelo canal? Disney Channel sem pagar?

No início de 2007, a PT começou o tal "projecto IPTV". Não tinha nome na altura, aquilo é tipo os projectos da TVI: "Projecto Açores" = "Ilha dos Amores". Em Junho o serviço começou a ser comercializado sob o nome MEO, com cobertura para Lisboa, Porto e Castelo Branco. A escolha desta última cidade, em vez de, sei lá, Coimbra ou Faro, não sei porquê, mas acho que queriam testar o sistema no interior.

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"TV como eu quero. Internet até 8Mb sem limites. Chamadas ilimitadas dentro da rede PT." - foi esta a intuição original da MEO, que teve como slogan original "à minha maneira!", pois o tal serviço era uma novidade: criavam-se pacotes de canais flexíveis: o pacote base era o MEO 30+10, que tinha trinta canais incluídos e mais uns dez à escolha do assinante. Entre umas dezenas de canais adicionais, das quais só dez iriam integrar o pacote pessoal, havia a hipótese de trocar de canais cada mês. A MEO também apostou desde o princípio com a alta definição, um ano antes de chegar à minha amada ZON. Os dois primeiros canais eram o HD1 - produzido na Bélgica e já presente na Cabovisão e o LUXE.TV HD, canal cuja versão em SD fechou uns anos mais tarde.

Mas o grande problema (que todos vivemos é saber como aproveitá-las...)  era o facto da MEO não ter anúncios televisivos. Quem no seu perfeito juízo iria subscrever um pacote de televisão IPTV, com cobertura limitada por ter começado recentemente, e ainda por cima com um slogan do género "à minha maneira"? Haverá alguém que irá dar a volta à MEO? Alguém que a faça publicitar nos ecrãs portugueses?

No início de 2008, Portugal viveu uma nova revolução na televisão por cabo. O IPTV era pouco explorado, ainda dominava o cabo coaxial. Cá ainda não havia o monopólio da TV Cabo, que ainda não comprou a Bragatel. Desculpem, será que disse TV Cabo? Por causa daquele tal "spin-off" da PTM decidiram mudar o nome para ZON. Nada de nomes genéricos/"o nome diz tudo" tipo TV Cabo.

Nos meses anteriores a mudança, a TV Cabo começou por fazer umas alterações para fazer face à sua possível concorrência: uma grande alteração da grelha de canais para acomodar o mercado "em crescimento" (cujo desenvolvimento parou) e a chegada de canais como a MOV ou canais para emigrantes. A alta definição já estava nas calhas da MEO quando foi lançada, agora o próximo passo seria lançar o serviço de satélite para concorrer com o da ZON.

A MEO não foi lançada graças a uma campanha agressiva. Pretenderam fazer o lançamento de uma forma faseada. “Iremos apresentar a marca e depois a comunicação será muito localizada, quase prédio a prédio, para fazermos a apresentação do serviço. Não queremos criar junto do público expectativas que, por questões de capacidade de banda (o serviço exige um mínimo de 8 megas), não poderemos depois responder”. E como é que queriam fazer?

Antes da tal "expansão de marca", e para fazer brilharete (uma palavra tão estúpida que até é sublinhada, obrigado, Markl) à ZON, optaram por mudar a estrutura dos pacotes. O formato 30+10 foi abandonado e agora eram os canais base mais um destes pacotes que continham cinco canais cada:
-MEO Entretenimento
-MEO Informação
-MEO Desporto
-MEO Cultura
-MEO Internacional
-MEO Style
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(Jornal de Notícias)

Agora com esta reestruturação era preciso uma campanha. Mas quem é que iriam convidar?

O Gato Fedorento. "O" grupo que estava ainda a dar que falar, hoje em dia esquecido, mas o RAP é que continua a fazer o trabalho. A 2 de Abril foi transmitido o primeiro anúncio da MEO, em simultâneo com a RTP 1, a SIC e a TVI, numa altura em que os anúncios mais esperados eram estreados em simultâneo.

O grupo que abandonou a RTP para voltar para a SIC (desta vez generalista) passou a ser a voz da MEO. O slogan preliminar foi substituído pelo novo slogan "O comando é meu", da qual podiam fazer trocadilhos entre "MEO" e "meu". Não tardaram a vir inovações: catch-up on-demand de programas da RTP 1 no Videoclube, serviços para telemóvel e um novo pacote. Antes de falar sobre o tal pacote: o serviço para telemóvel era a TV Mobile da TMN, que aproveitou para mudar o seu nome para MEO Mobile. O serviço mobile tinha alguns canais em loop feitos exclusivamente para plataformas do género, como um canal da WWE, a extinta RTP Mobile (que não era em loop), o Nickelodeon (que nunca chegou propriamente à MEO), o Nick Jr. (que nunca chegou propriamente a Portugal), um tal Futebol Mobile TV, antes da MEO tinham também a Game One, etc. Passado algum tempo, foi criado mais um pacote para aqueles que não queriam a tal configuração dos "dois packs temáticos", o MEO Mix, que trouxe alguns lançamentos "exclusivos" para o mercado português na altura: o Animax, o Sony, a FOX:NEXT. O MEO Mix tinha 21 canais quando foi lançado: Eurosport News, Sailing Channel, Cartoon Network, Tiji, Baby TV, Sony, TCM, MGM (que na altura ainda emitia com qualidade de imagem inenarrável), FOX:Next, Zone Club, Chasse et Pêche, Escales, Encyclopédie, MCM Top, Trace TV, Afro Music, C-Music, FOX News, Al-Jazeera, TVE 24h e Cubavisión Internacional. Havia também a hipótese de subscrever o MEO Total por uns quinze euros (na altura até tinha pacotes baratos). O serviço Jukebox, que em Portugal ainda era inédito (em comparação com as Américas onde os serviços tipo Music Choice -ainda não era o tal monopólio da Stingray em certos países) passou a ser premium. Hoje em dia é programado pela Stingray que faz um serviço parecido para a ZAP.

Na segunda parte: da Benfica TV ao canal das Produções Fictícias que há de merecer a sua própria crónica também.

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