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A Melodia das Histórias


Jota
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Isto foram umas históriazinhas que escrevi há 2 anos. Na altura estava super orgulhoso, mas agora, quando olho para elas, acho-as uma valente bosta e, provavelmente, não escreveria as coisas desta maneira e tiraria muitas das ideias que estão lá, mas enfim, mesmo assim, decidi pôr aqui. Se tiver algum erro digam, já não pego nelas há bastante tempo e agora não as revi.

A Minha Última Melodia

Mãe, Pai, irmãos, estávamos todos juntos, noite de família, numa bela e grande sala onde, dentro de momentos, um concerto iria começar. Estava entusiasmada, o amor pela música cobria a minha pele, rodeava o meu corpo e entrava nos meus pensamentos.

A orquestra entrou. As palmas soaram e ecoram pela cúpula do edificio, rodeavam cada tijolo e cada pessoa como se fosse um ser vivo. Momentos depois, o maestro entrou.

- Finalmente vai começar – pensava

O maestro ergeu a sua batuta e fê-la soar, os espectáculo ia começar.

[Música]

Era a primeira vez que via uma orquestra ao vivo. Nunca tinha tido a oportunidade de ver uma, apenas ouvir. Estar ali, era um sonho para mim. Um sonho que anos atrás considerava-o impossível. Um sonho que nunca iria conseguir realizar, mesmo em adulta. Um sonho mágico, pura fantasia. Mas hoje, posso afirmar que não era um sonho impossível, nem mágico, nem pura fantasia, era um sonho que se tornara realidade no momento em que entrei no auditório, no momento em que a música começou!

Os meus olhos molhados, encharcavam a minha doce cara. Quem me visse e não me conhecesse, pensava que eu estava ali por obrigação e não por paixão, por amor, por realizar algo que pensava que era impossível.

Sentia cada nota, cada batimento, cada instrumento, cada instrução. Sentia o respirar dos instrumentos, a dança das notas, que bailavam por todo o auditório, que rodeavam cada pessoa que a escutasse, que enchia de alegria cada tijolo, cada pessoa. Enchia a cidade de alegria.

A música ecoava nos meus pensamentos, no meu sangue, nos meus órgãos, na minha roupa, nos meus pés, nos meus dedos, nas minhas mãos, na minha cara, nos meus olhos, em cada fio de cabelo.

Estava deslumbrada, encantada, no mundo das maravilhas, mas.... quem pensava que esta seria a primeira e última melodia que ouvia? Cada nota que sentia, cada batimento, cada instrumento que ouvia. Que seria a última alegria de viver e de ouvir cada música. Quem estava lá para me dizer?

Quem saberia que esta e apenas esta seria... A minha última melodia?

A Melodia da Vitória

O meu nome é Senji Hanazawa. Tenho vinte e oito anos e sou treinador de uma equipa de basquetebol. Desde pequeno sonho tornar uma equipa de basquetebol campeã. Já tive cinco vezes perto de o realizar, porém a vida tramou-me sempre. Hoje, estou mais uma vez no campo da final. Estou pela sexta vez neste campo a tentar ser campeão. Mas ninguém diria que desta vez, iria ficar marcado para todo o sempre. Ninguém diria que desta vez, a vida tramar-me-ia ainda mais. A uma semana no jogo final, foi me detectado um aneurisma cerebral. Disseram-me que, pelo estado do aneurisma, não iria sobreviver mais do que duas semanas e aconselharam-me a fazer de imediato uma operação, mas para isso… teria de, uma vez mais, abdicar do jogo final. Recusei-me a fazer a operação. Queria a todo o custo levar a minha equipa ao jogo final, nem que para isso abdicasse da minha vida. E assim o fiz.

Estou agora sentado no banco a assistir ao jogo… um jogo que não está a correr nada bem. Estamos no final do terceiro período e resultado está 90-33. Não sei o que fazer… estou com dores insuportáveis. Oiço cada barulho ecoar pelo meu cérebro, oiço a batimento da bola, os gritos dos adeptos, o som do chupar na palhinha. Oiço o som do apito ecoar pelo meu corpo todo.

“Treinador! Treinador” – chamavam os meus jogadores.

Quando dei por mim, já o terceiro período tinha acabado. Perguntavam-me se estava bem. Levava as mãos à cabeça. Preferi não lhes contar que eu tinha um aneurisma… não os queria preocupar.

“Treinador! Vamos para o último período, já não temos chances de vencer!” – dizia-me um jogador.

[Música]

“Não vou permitir que desistam!” – gritei – “Sabem por quantos anos esperei por este momento? Sabem por quantos anos quis estar nesta posição, neste banco, neste estádio? Sabem quantas vezes a vida me tramou e não pude estar aqui? Não vou deixar que, depois de tanto trabalho, vocês destruam o meu sonho desistindo. Não vou deixar que um aneurisma cerebral me pare… nem que para isso tenha que sacrificar-me. Nem que a última coisa que faça seja dar ordens para vencer! Eu vou vencer este jogo custe o que custar!”

“Aneurisma…cerebral? O treinador sofre de um aneurisma e simplesmente não diz nada?” - respondeu.

“Isso não é da tua conta.” – respondi-lhe – “Está na altura de mostrarmos o porquê de estarmos aqui. Está na altura de sermos um só… está na altura da técnica de ouro!”

“Mas isso vai desgastar-nos a todos!”

“QUEREM GANHAR OU NÃO?! Já disse que não vou permitir uma derrota!!! Custe o que custar, vocês vão encestar como nunca ninguém viu… vocês vão ser um só com a bola, aliás, vocês vão ser a bola! ESTAMOS ENTENDIDOS?!”

“Sim, senhor!” – gritaram os jogadores

“Óptimo! Agora vão e joguem como se fosse a vossa última vez! Joguem como nunca jogaram, com a alegria de uma criança e o profissionalismo de um jogador verdadeiro. NÃO PERMITIREI FALHAS! ACABEM COM ELES!”

O apitou soou e mais uma vez estremeceu o meu cérebro todo. Seria este o fim? Será a vida tão egoísta ao ponto de não me deixar ver a minha equipa ganhar? As dores estavam cada vez mais fortes.

“E começa o último período. Celtius Sport Club começa a atacar… mas o que é isto?! As posições dos jogadores mudaram. As expressões mudaram… será agora que vamos ver os verdadeiros Celtius?” – disse o locutor.

A bola tocou uma vez no chão e assim que tocou todos movimentaram-se. A bola percorreu o campo de uma ponta à outra entre os jogadores com uma velocidade incrível. Sem tocar no chão e fintando todos os adversários.

“O jogador principal de Celtius chega à marca de três pontos e lança a bola! Cesto!!! O último período começa extremamente bem para os Celtius, diminuindo a desvantagem em três pontos!”

Cinco minutos mais tarde…

“Jogadas incríveis do Celtius Sport Club diminuem a diferença para 9! Os seus adversários não conseguem tocar na bola. Estamos a presenciar um Celtius digno de estar na grande final. Será desta vez que eles tornar-se-ão campeões?”

“Não vamos perder este jogo! Pelo treinador… por todos os fãs…por nós! Este jogo vai ficar marcado para a eternidade! Nós vamos ser os Lendários Celtius Sport Club. Nós vamos vencer!” – pensavam os jogadores do CSC.

“Estou orgulhoso de vocês, rapazes. Nunca poderei mostrar a minha gratidão para convosco.”

“E aqui está! O empate! O Celtius conseguiu empatar o resultado!!! E é a partir daqui que a grande final vai se desenrolar.” – disse o locutor.

“É agora… o cesto final, o cesto da vitória.” – disse o jogador principal – “Rapazes! Por nós, pelo treinador e pelos fãs. Vamos todos marcar o ponto final!”

Os defesas e os centrais avançaram para a área de ataque onde se encontrava o jogador com a bola. Todos os jogadores tocaram na bola e lançaram-na para o cesto…

Os meus olhos começaram a fechar-se lentamente. De repente, senti um pequeno choque na cabeça. Teria rebentado ou não? No momento final os meus olhos fecharam-se. A última coisa que ouvi foi o apito final. Ganhámos? Não ganhámos? Quando o apito parou, perdi os sentidos.

A Melodia do Desespero

Chamo-me Cecilya e tenho 16 anos. Há 1 ano foi-me detectado hipoxemia, concentração anormal de oxigénio no sangue, o que pode causar confusão mental. E é assim que eu me sinto – confusa. Já não tenho a certeza se o que vejo é real ou fruto da minha imaginação. Já não sei se tenho amigos, família. Já não sei se o meu namorado ainda me ama.

***

“Kanon, vamos passear?” – perguntei com um sorriso

“Cecilya, já não quero namorar mais contigo.” – respondeu

“Kanon, o que é que se passou? Porque é que estás a acabar comigo, depois de 3 anos juntos?” – disse desesperada

“Ainda não percebeste, pois não?” – disse com uma voz cheia de maldade

“Não percebi o quê, Kanon?” – respondi-lhe

“És uma rapariga mimada e egoísta! Eu odeio-te! Só namorei contigo com o objectivo de te mudar, mas não resultou. Agora está na altura de eu seguir em frente e tu ficares para trás. DESAPARECE DA MINHA VIDA!” – gritou

“Isso não é razão para acabares comigo! Kanon, não me abandones! Eu preciso de ti agora mais do que nunca.” – respondi desesperada

As lágrimas cobriam o meu rosto. Isto não podia estar a acontecer.

“Porquê? Porque sofres de problemas mentais? Ahahahaha. Eu finalmente encontrei alguém que me mereça… alguém que me ame verdadeiramente, alguém que eu não preciso de mudar, alguém perfeito para mim.”

“E quem é esse alguém?!” – gritei

Neste momento a porta da sala onde nos encontrávamos abriu-se.

Lembras-te de mim, Cecilya?” – disse uma rapariga enquanto entrava na sala

[

]

Entrei em estado de choque. Não queria sequer imaginar que aquela rapariga era o “alguém perfeito” para o Kanon. Caí de joelhos no chão. As minhas lágrimas criavam poças de água no chão da sala.

“Aria? Porquê? De todas as pessoas, porque é que tinhas de ser tu?!”

“Ora Cecilya… tu sempre soubeste que eu amava o Kanon, mas por certas razões ele nunca esteve disponível! Sabe-se lá porquê!”

“Desculpa, Cecilya, mas este é o fim. Não voltes a falar comigo.”

Depois destas palavras, viraram as costas e saíram da sala

“NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!” – gritei desesperada.

***

Esta é a última conversa que me lembro que tive com o Kanon e com a Aria, a minha melhor amiga. Se isto aconteceu ou não, não sei. A confusão instalou-se no meu cérebro e desde que tenho esta memória, comecei a agir estranhamente. Não ousava olhar para o Kanon e para a Aria. Na escola, todos me abandonaram. Estava num beco sem saída.

Já nada na minha vida fazia sentido… já só restava uma solução – o suicídio.

Dez dias depois…

Um dia, sentei-me na areia a olhar para o mar. Passaram-se dias e noites. Ao certo, não sei quantas foram, mas sei que foram muitas. Estranhei ninguém reparar em mim, mas depois não me importei muito.

Quando dei por mim, estava uma pessoa sentada ao meu lado. Olhei-a na cara. Os meus olhos abriram-se completamente quando percebi quem era.

- Kanon?

- O mar é maravilhoso, não é? – respondeu-me suavemente

- Mas…mas… tu disseste que não me querias ver mais, disseste para eu desaparecer da tua vida… ou aquilo foi tudo produzido pelo meu cérebro? – perguntei

- Não te posso responder a essa pergunta. Serás tu sozinha que vais encontrar a responda. Talvez um dia encontrá-la-ás. – respondeu-me

Após isto, levantou-se e foi se embora. O seu aparecimento ao meu lado, após longos dias, foi como um clique para a minha vida. A partir deste momento, comecei a viver a minha vida mais alegre.

5 dias depois, a minha vida tinha melhorado um pouco, mas apesar disso as pessoas da escola continuavam a não ligar-me. De repente, senti o meu telemóvel vibrar. Tinha recebido uma mensagem:

“Cecilya, iluminaste a minha vida com o teu sorriso. Nunca te consegui agradecer e é por isto que estou a enviar-te esta mensagem. Vem ter comigo ao jardim, à aquele banco onde nos encontrámos pela primeira vez. Fico à tuas espera.

Kanon”

Esbocei um sorriso na cara e corri até ao parque. Mal sabia eu o que aconteceria lá.

Quando cheguei ao sítio combinado, senti uma flecha a atravessar o meu coração. Não queria acreditar no que vira.

- Kanon!!!!!!!! – gritei desesperada!

O corpo de Kanon estava estendido à frente do banco. Não vi mais nada, foquei-me apenas no corpo. De repente, uma mão pousou no meu ombro. Olhei para trás e senti-me aliviada.

- Kanon... – citei enquanto lágrimas percorriam a minha cara. – Pensava que estavas morto… afinal pareceu-me ver o teu corpo ali, à frente do banco.

- E se eu te dissesse que não foi apenas uma imaginação veres o meu corpo ali estendido? – disse-me

- O que queres dizer com isso? – perguntei

Voltei a olhar para o banco. O corpo de Kanon continuava lá… mas não estava sozinho.

- Não pode ser…

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Gostei,

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/emoticons/ATV_wink.png"> são histórias diferentes daquilo a que estamos habituados, mais curtas e simples, e com uma música como plano de fundo para a história.

Bom trabalho!

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Continua a escrever, escrever é uma boa forma de exprimir aquilo que vai em nós

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Só me falta ler a última!

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Bom trabalho!

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Obrigado. Acho que deve haver sempre daqueles finais que deixam os leitores "E agora? Aconteceu X ou Y". O que me agrada mais neste tipo de histórias é que quando estou a escrever tenho um final na minha cabeça que, por vezes, não o escrevo ou não o deixo bem evidenciado e depois de publicado ver que final é que os leitores retiraram da última cena: se é o que eu pensei, se é diferente.

Continua a escrever, escrever é uma boa forma de exprimir aquilo que vai em nós

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Só me falta ler a última!

É verdade, sim senhor. E este género, especialmente, dá para fazer isso muito bem.

Espero que gostes do último. Pessoalmente, penso que é aquele que se fica mais "O.O Mas o que é que aconteceu? Aconteceu X e Y, cenas que se contradizem?". Acho que é o mais misterioso em termos de pano de fundo e não em termos do final.

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Escreves muito bem, Jota. Tens apenas uma falha ou outra (nada de grave), pequenas gralhas que detectarias se tivesses relidos as histórias.

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Eu postei isto na altura noutro fórum e nesse fórum era mais usual meter as falas a negrito. No dia em que postei aqui limitei-me a fazer copy paste daí estar o negrito, mas se escrever mais alguma vou ter em atenção esse pormenor.

Quanto aos erros, acredito que devo ter alguns, umas por distracção, outras por falhar o dedo na tecla certa e umas de português (provavelmente), mas assim que tiver tempo vou relê-las e corrigir os erros.

Obrigado pelo elogio

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EDIT: Talvez brevemente apareça aqui mais uma. Tenho algumas ideias mas ainda tenho de pensar bem nelas e ver se dá para escrever algo de jeito.

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Não consigo ler

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Aliás, quase nunca consigo ler os spoliers! Alguém me pode dizer porquê? xD

Vou averiguar o que se passa.

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EDIT: Talvez brevemente apareça aqui mais uma. Tenho algumas ideias mas ainda tenho de pensar bem nelas e ver se dá para escrever algo de jeito.

Boa.

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Não consigo ler

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Aliás, quase nunca consigo ler os spoliers! Alguém me pode dizer porquê? xD

Deve ser porque utilizas o Google Chrome. Tanto no Chrome, como no Internet Explorer, eu não conseguia abrir os spoilers. A partir do momento que passei a utilizar o Mozilla, passei a conseguir ler spoilers.

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Deve ser porque utilizas o Google Chrome. Tanto no Chrome, como no Internet Explorer, eu não conseguia abrir os spoilers. A partir do momento que passei a utilizar o Mozilla, passei a conseguir ler spoilers.

Sim, uso o Chrome. Mas também tenho O Mozilla no PC.

Fui agora ver, e deu para ler! Obrigado pela dica

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