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Mensagem adicionada por Ruben,

Temas a abordar neste tópico:

- Informações gerais e/ou novidades sobre projetos de ficção que ainda não têm tópico;
- Discussão geral sobre projetos de ficção do canal.

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Postado
há 12 minutos, Dimitri disse:

Tenho de vos contar um verdadeiro babado que descobri sobre a segunda temporada de Morangos com Açúcar!

Ao contrário daquilo que nós vimos na televisão, a segunda temporada foi, aparentemente, completamente reformulada em questão de 5 dias. E quando digo completamente, é mesmo completamente!!! 

A protagonista original não era a Cláudia Vieira. Os primeiros ensaios e a primeira semana de gravações chegaram a ser feitos com outra atriz. Havia fotografias promocionais, materiais de divulgação e até cartazes preparados com ela. Ou seja, aquela que acabou por ser a protagonista que nós conhecemos não era, inicialmente, a escolha prevista.

Na família principal, os Rochinha, havia duas atrizes diferentes inicialmente pensadas para interpretar as personagens da Soraia e Ana Luísa.

A parte da Soraia já é público, porque a própria Maria Sampaio contou essa história publicamente num podcast sobre Morangos com Açúcar. Ela revelou que, originalmente, seria a Soraia e revelou também que tinha sido escolhida outra atriz para interpretar a irmã dela. Entretanto, tudo mudou quando a produção decidiu alterar a protagonista e escolher a Cláudia Vieira para interpretar a Ana Luísa. E essa mudança acabou por ter consequências no restante elenco. A Maria Sampaio deixou de ser a Soraia porque, segundo aquilo que foi explicado, entenderam que fisicamente a personagem já não encaixava tão bem com a nova Ana Luísa, interpretada pela Cláudia Vieira.

A Maria Sampaio acabou por sair e só regressou mais tarde, já no final da primeira fase da segunda temporada, naquele período de transição da escola para a fase de verão.

A atriz que originalmente iria interpretar a Ana Luísa tinha já alguma formação em representação. E isso é importante porque, na altura, a TVI e a produção de Morangos com Açúcar ainda procuravam manter uma determinada qualidade no elenco, à semelhança do que tinha acontecido na primeira temporada. Na primeira temporada, por exemplo, tanto a Benedita Pereira como o João Catarré já tinham algum contacto com a representação. Não eram propriamente atores com uma longa carreira, mas tinham formação, tinham feito workshops e já tinham alguma experiência. Por isso, para a segunda temporada, a ideia inicial passava também por trazer jovens com formação em teatro e representação. Havia uma atriz e um rapaz que seriam os protagonistas e que vinham precisamente desse contexto.

E aqui entra outra grande mudança: o protagonista masculino também não era suposto ser o Pedro Teixeira.

O próprio Pedro Teixeira já contou que o casting não correu particularmente bem, que não tinha grande experiência enquanto ator e que acabou por ser chamado quase de repente. De um momento para o outro, já estava escolhido e a imagem dele aparecia nos materiais promocionais. Ou seja, aquilo que nós conhecemos como a segunda temporada de Morangos com Açúcar foi, em grande medida, resultado de uma sucessão de alterações de última hora.

E há uma razão muito concreta para os dois protagonistas inicialmente escolhidos terem acabado por desistir.

Como já tinham formação e experiência na área da representação, os contratos que lhes foram apresentados eram, aparentemente, extremamente restritivos. Havia limitações relacionadas com direitos de imagem e, entre outras coisas, restrições à possibilidade de continuarem a fazer teatro durante determinado período depois de assinarem com a televisão. Para alguém que vinha precisamente de uma formação de representação e que queria continuar a trabalhar nessa área, essas condições eram muito difíceis de aceitar. E eles simplesmente não assinaram. Foi isso que obrigou a produção a reformular praticamente tudo.

A própria história da temporada era diferente. A segunda temporada não teria inicialmente o motocross como um dos seus grandes eixos. A ideia original era que a temporada fosse centrada no voleibol. O voleibol só acabaria por ser recuperado mais tarde, já na escola de Dom Sebastião (T5/T6).

E há uma coisa muito curiosa: ainda existem vestígios dessa versão original da segunda temporada. Não estou a falar dos arquivos da Plural ou de algum material perdido num baú. Está mesmo no genérico.

Se repararem com atenção no genérico da segunda temporada, existem alguns frames em que aparecem os dois jovens que originalmente seriam os protagonistas , atriz que faria de Ana Luísa e o rapaz que seria o protagonista masculino no lugar do Pedro Teixeira. Inclusive há frames dela a jogar voleibol.

Ou seja, aquilo que ficou no genérico é, na realidade, um pequeno vestígio daquela versão da temporada que acabou por nunca acontecer.

As seis pessoas que aparecem naquele núcleo do genérico tinham, originalmente, papéis pensados para a segunda temporada. Há também algumas crianças que aparecem atrás e que seriam figurantes, mas aquelas seis personagens principais estavam efetivamente integradas nos planos iniciais.

E há outra mudança particularmente curiosa: uma das raparigas que aparece no genérico estava pensada para ser a irmã do Simão. Não era a Ana Guiomar. Tanto que na primeira temporada ela nem se chamava de Marta e sim de Mitó.

E isto torna-se interessante quando voltamos à história da primeira temporada. A personagem da Ana Guiomar tinha uma história familiar completamente diferente. Nunca na primeira temporada a Marta refere que tem um irmão. Ela falava dos pais, nunca falou da morte da mãe, de uma madrasta Vanda, nunca tinha sido introduzido nada disso naquela narrativa. Isto faz sentido quando percebemos o contexto em que a segunda temporada estava a ser reconstruída.

A Ana Guiomar tinha sido uma personagem de que a produção tinha gostado na primeira temporada. E, naquele verdadeiro frenesim de substituir protagonistas e reorganizar os diferentes núcleos, acabaram por aproveitar personagens que já tinham funcionado anteriormente. O Zulu foi outra personagem integrada que não estaria inicialmente pensada, iria ficar apenas pela T1 de verão. 

A Cláudia Vieira entrou para interpretar a Ana Luísa já com 25 anos, uma idade bastante superior à da maioria dos jovens que a rodeavam no elenco. E, olhando hoje para aquilo, percebe-se que a Cláudia Vieira dificilmente teria sido a primeira escolha para aquele tipo de elenco juvenil se a produção tivesse seguido exatamente o plano inicial.

A produção daí adiante começou cada vez mais a recorrer a jovens provenientes de agências de modelos, em vez de procurar exclusivamente pessoas com formação teatral ou de representação. Se uma pessoa já vinha de um percurso de teatro, de representação e de formação artística, era muito mais provável que tivesse noção das limitações e das condições dos contratos e que não aceitasse determinadas restrições à sua carreira.

Um jovem vindo de uma agência de modelos, por outro lado, poderia estar mais disponível para aceitar aquele tipo de contrato e aquelas condições.

Curiosamente isto foi-me contado esta semana por uma colega no meu novo emprego, que ao estudar em Lisboa há poucos anos a sua senhoria era precisamente essa primeira Ana Luisa. Hoje em dia trabalha na parte farmacêutica, e não seguiu carreira. O rapaz que seria originalmente o Simão, e a irmã dele, a Marta original (que não se chamaria Marta) ela nao sabe o que é feito deles mas identificou-os no genérico. Sei quem seriam. 
 

Achei isto fascinante

 

A Carlota inicialmente também seria interpretada por outra atriz, neste caso uma modelo.

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  • Obrigado 1
  • Surpresa 5
Postado
há 28 minutos, Dimitri disse:

Tenho de vos contar um verdadeiro babado que descobri sobre a segunda temporada de Morangos com Açúcar!

Ao contrário daquilo que nós vimos na televisão, a segunda temporada foi, aparentemente, completamente reformulada em questão de 5 dias. E quando digo completamente, é mesmo completamente!!! 

A protagonista original não era a Cláudia Vieira. Os primeiros ensaios e a primeira semana de gravações chegaram a ser feitos com outra atriz. Havia fotografias promocionais, materiais de divulgação e até cartazes preparados com ela. Ou seja, aquela que acabou por ser a protagonista que nós conhecemos não era, inicialmente, a escolha prevista.

Na família principal, os Rochinha, havia duas atrizes diferentes inicialmente pensadas para interpretar as personagens da Soraia e Ana Luísa.

A parte da Soraia já é público, porque a própria Maria Sampaio contou essa história publicamente num podcast sobre Morangos com Açúcar. Ela revelou que, originalmente, seria a Soraia e revelou também que tinha sido escolhida outra atriz para interpretar a irmã dela. Entretanto, tudo mudou quando a produção decidiu alterar a protagonista e escolher a Cláudia Vieira para interpretar a Ana Luísa. E essa mudança acabou por ter consequências no restante elenco. A Maria Sampaio deixou de ser a Soraia porque, segundo aquilo que foi explicado, entenderam que fisicamente a personagem já não encaixava tão bem com a nova Ana Luísa, interpretada pela Cláudia Vieira.

A Maria Sampaio acabou por sair e só regressou mais tarde, já no final da primeira fase da segunda temporada, naquele período de transição da escola para a fase de verão.

A atriz que originalmente iria interpretar a Ana Luísa tinha já alguma formação em representação. E isso é importante porque, na altura, a TVI e a produção de Morangos com Açúcar ainda procuravam manter uma determinada qualidade no elenco, à semelhança do que tinha acontecido na primeira temporada. Na primeira temporada, por exemplo, tanto a Benedita Pereira como o João Catarré já tinham algum contacto com a representação. Não eram propriamente atores com uma longa carreira, mas tinham formação, tinham feito workshops e já tinham alguma experiência. Por isso, para a segunda temporada, a ideia inicial passava também por trazer jovens com formação em teatro e representação. Havia uma atriz e um rapaz que seriam os protagonistas e que vinham precisamente desse contexto.

E aqui entra outra grande mudança: o protagonista masculino também não era suposto ser o Pedro Teixeira.

O próprio Pedro Teixeira já contou que o casting não correu particularmente bem, que não tinha grande experiência enquanto ator e que acabou por ser chamado quase de repente. De um momento para o outro, já estava escolhido e a imagem dele aparecia nos materiais promocionais. Ou seja, aquilo que nós conhecemos como a segunda temporada de Morangos com Açúcar foi, em grande medida, resultado de uma sucessão de alterações de última hora.

E há uma razão muito concreta para os dois protagonistas inicialmente escolhidos terem acabado por desistir.

Como já tinham formação e experiência na área da representação, os contratos que lhes foram apresentados eram, aparentemente, extremamente restritivos. Havia limitações relacionadas com direitos de imagem e, entre outras coisas, restrições à possibilidade de continuarem a fazer teatro durante determinado período depois de assinarem com a televisão. Para alguém que vinha precisamente de uma formação de representação e que queria continuar a trabalhar nessa área, essas condições eram muito difíceis de aceitar. E eles simplesmente não assinaram. Foi isso que obrigou a produção a reformular praticamente tudo.

A própria história da temporada era diferente. A segunda temporada não teria inicialmente o motocross como um dos seus grandes eixos. A ideia original era que a temporada fosse centrada no voleibol. O voleibol só acabaria por ser recuperado mais tarde, já na escola de Dom Sebastião (T5/T6).

E há uma coisa muito curiosa: ainda existem vestígios dessa versão original da segunda temporada. Não estou a falar dos arquivos da Plural ou de algum material perdido num baú. Está mesmo no genérico.

Se repararem com atenção no genérico da segunda temporada, existem alguns frames em que aparecem os dois jovens que originalmente seriam os protagonistas , atriz que faria de Ana Luísa e o rapaz que seria o protagonista masculino no lugar do Pedro Teixeira. Inclusive há frames dela a jogar voleibol.

Ou seja, aquilo que ficou no genérico é, na realidade, um pequeno vestígio daquela versão da temporada que acabou por nunca acontecer.

As seis pessoas que aparecem naquele núcleo do genérico tinham, originalmente, papéis pensados para a segunda temporada. Há também algumas crianças que aparecem atrás e que seriam figurantes, mas aquelas seis personagens principais estavam efetivamente integradas nos planos iniciais.

E há outra mudança particularmente curiosa: uma das raparigas que aparece no genérico estava pensada para ser a irmã do Simão. Não era a Ana Guiomar. Tanto que na primeira temporada ela nem se chamava de Marta e sim de Mitó.

E isto torna-se interessante quando voltamos à história da primeira temporada. A personagem da Ana Guiomar tinha uma história familiar completamente diferente. Nunca na primeira temporada a Marta refere que tem um irmão. Ela falava dos pais, nunca falou da morte da mãe, de uma madrasta Vanda, nunca tinha sido introduzido nada disso naquela narrativa. Isto faz sentido quando percebemos o contexto em que a segunda temporada estava a ser reconstruída.

A Ana Guiomar tinha sido uma personagem de que a produção tinha gostado na primeira temporada. E, naquele verdadeiro frenesim de substituir protagonistas e reorganizar os diferentes núcleos, acabaram por aproveitar personagens que já tinham funcionado anteriormente. O Zulu foi outra personagem integrada que não estaria inicialmente pensada, iria ficar apenas pela T1 de verão. 

A Cláudia Vieira entrou para interpretar a Ana Luísa já com 25 anos, uma idade bastante superior à da maioria dos jovens que a rodeavam no elenco. E, olhando hoje para aquilo, percebe-se que a Cláudia Vieira dificilmente teria sido a primeira escolha para aquele tipo de elenco juvenil se a produção tivesse seguido exatamente o plano inicial.

A produção daí adiante começou cada vez mais a recorrer a jovens provenientes de agências de modelos, em vez de procurar exclusivamente pessoas com formação teatral ou de representação. Se uma pessoa já vinha de um percurso de teatro, de representação e de formação artística, era muito mais provável que tivesse noção das limitações e das condições dos contratos e que não aceitasse determinadas restrições à sua carreira.

Um jovem vindo de uma agência de modelos, por outro lado, poderia estar mais disponível para aceitar aquele tipo de contrato e aquelas condições.

Curiosamente isto foi-me contado esta semana por uma colega no meu novo emprego, que ao estudar em Lisboa há poucos anos a sua senhoria era precisamente essa primeira Ana Luisa. Hoje em dia trabalha na parte farmacêutica, e não seguiu carreira. O rapaz que seria originalmente o Simão, e a irmã dele, a Marta original (que não se chamaria Marta) ela nao sabe o que é feito deles mas identificou-os no genérico. Sei quem seriam. 
 

Achei isto fascinante

 

Chocado. O mais impressionante é que mudaram tudo tão rápido... 

E pensar que talvez muitos atores que não conhecemos podiam ter uma carreira hoje, mas por causa desses contratos acabaram por recusar aquela que podia ser a grande oportunidade deles na televisão.

  • Gosto 7
Postado
há 6 minutos, D91 disse:

@Dimitri suponho que os protagonistas eram estes:

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Essa seria a irmã do Simão, a protagonista seria a de vermelho que aparece com um rapaz de camisa verde aos 0:25, esses seriam os protagonistas. 

Tanto que no fim do genérico quando eles estão em cima da letra, ela é que está a meio.

  • Obrigado 6
Postado
há 13 minutos, RodrigoMarquês. disse:

Mas esses actores que eram para ser protagonistas acabaram por entrar? Pelo texto do @Dimitrifiquei na ideia que não… Como aparecem no genérico?

O que ele explicou foi que a mudança de elenco foi muito rápida e perto da estreia. Esses atores foram substituídos, mas mantiveram o genérico como estava. 

  • Gosto 1
Postado
há 17 minutos, RodrigoMarquês. disse:

Mas esses actores que eram para ser protagonistas acabaram por entrar? Pelo texto do @Dimitrifiquei na ideia que não… Como aparecem no genérico?

Eles aparecem no genérico porque o genérico foi um contrato à parte, foi produzido por outra produtora na época chamada Blink, então a imagem já tinha sido cedida para isso. Ficaram como se fossem ‘modelos’ e os novos não gravaram novo genérico. 

  • Gosto 6
  • Surpresa 3
Postado
há 13 minutos, Dimitri disse:

Eles aparecem no genérico porque o genérico foi um contrato à parte, foi produzido por outra produtora na época chamada Blink, então a imagem já tinha sido cedida para isso. Ficaram como se fossem ‘modelos’ e os novos não gravaram novo genérico. 

E realmente nem valia a pena gravar de novo, se não nos tivesses contado isso nunca iria desconfiar. Noutras temporadas, como a 6 de verão, também usaram modelos no genérico

  • Gosto 5
Postado
há 13 horas, Dimitri disse:

Tenho de vos contar um verdadeiro babado que descobri sobre a segunda temporada de Morangos com Açúcar!

Ao contrário daquilo que nós vimos na televisão, a segunda temporada foi, aparentemente, completamente reformulada em questão de 5 dias. E quando digo completamente, é mesmo completamente!!! 

A protagonista original não era a Cláudia Vieira. Os primeiros ensaios e a primeira semana de gravações chegaram a ser feitos com outra atriz. Havia fotografias promocionais, materiais de divulgação e até cartazes preparados com ela. Ou seja, aquela que acabou por ser a protagonista que nós conhecemos não era, inicialmente, a escolha prevista.

Na família principal, os Rochinha, havia duas atrizes diferentes inicialmente pensadas para interpretar as personagens da Soraia e Ana Luísa.

A parte da Soraia já é público, porque a própria Maria Sampaio contou essa história publicamente num podcast sobre Morangos com Açúcar. Ela revelou que, originalmente, seria a Soraia e revelou também que tinha sido escolhida outra atriz para interpretar a irmã dela. Entretanto, tudo mudou quando a produção decidiu alterar a protagonista e escolher a Cláudia Vieira para interpretar a Ana Luísa. E essa mudança acabou por ter consequências no restante elenco. A Maria Sampaio deixou de ser a Soraia porque, segundo aquilo que foi explicado, entenderam que fisicamente a personagem já não encaixava tão bem com a nova Ana Luísa, interpretada pela Cláudia Vieira.

A Maria Sampaio acabou por sair e só regressou mais tarde, já no final da primeira fase da segunda temporada, naquele período de transição da escola para a fase de verão.

A atriz que originalmente iria interpretar a Ana Luísa tinha já alguma formação em representação. E isso é importante porque, na altura, a TVI e a produção de Morangos com Açúcar ainda procuravam manter uma determinada qualidade no elenco, à semelhança do que tinha acontecido na primeira temporada. Na primeira temporada, por exemplo, tanto a Benedita Pereira como o João Catarré já tinham algum contacto com a representação. Não eram propriamente atores com uma longa carreira, mas tinham formação, tinham feito workshops e já tinham alguma experiência. Por isso, para a segunda temporada, a ideia inicial passava também por trazer jovens com formação em teatro e representação. Havia uma atriz e um rapaz que seriam os protagonistas e que vinham precisamente desse contexto.

E aqui entra outra grande mudança: o protagonista masculino também não era suposto ser o Pedro Teixeira.

O próprio Pedro Teixeira já contou que o casting não correu particularmente bem, que não tinha grande experiência enquanto ator e que acabou por ser chamado quase de repente. De um momento para o outro, já estava escolhido e a imagem dele aparecia nos materiais promocionais. Ou seja, aquilo que nós conhecemos como a segunda temporada de Morangos com Açúcar foi, em grande medida, resultado de uma sucessão de alterações de última hora.

E há uma razão muito concreta para os dois protagonistas inicialmente escolhidos terem acabado por desistir.

Como já tinham formação e experiência na área da representação, os contratos que lhes foram apresentados eram, aparentemente, extremamente restritivos. Havia limitações relacionadas com direitos de imagem e, entre outras coisas, restrições à possibilidade de continuarem a fazer teatro durante determinado período depois de assinarem com a televisão. Para alguém que vinha precisamente de uma formação de representação e que queria continuar a trabalhar nessa área, essas condições eram muito difíceis de aceitar. E eles simplesmente não assinaram. Foi isso que obrigou a produção a reformular praticamente tudo.

A própria história da temporada era diferente. A segunda temporada não teria inicialmente o motocross como um dos seus grandes eixos. A ideia original era que a temporada fosse centrada no voleibol. O voleibol só acabaria por ser recuperado mais tarde, já na escola de Dom Sebastião (T5/T6).

E há uma coisa muito curiosa: ainda existem vestígios dessa versão original da segunda temporada. Não estou a falar dos arquivos da Plural ou de algum material perdido num baú. Está mesmo no genérico.

Se repararem com atenção no genérico da segunda temporada, existem alguns frames em que aparecem os dois jovens que originalmente seriam os protagonistas , atriz que faria de Ana Luísa e o rapaz que seria o protagonista masculino no lugar do Pedro Teixeira. Inclusive há frames dela a jogar voleibol.

Ou seja, aquilo que ficou no genérico é, na realidade, um pequeno vestígio daquela versão da temporada que acabou por nunca acontecer.

As seis pessoas que aparecem naquele núcleo do genérico tinham, originalmente, papéis pensados para a segunda temporada. Há também algumas crianças que aparecem atrás e que seriam figurantes, mas aquelas seis personagens principais estavam efetivamente integradas nos planos iniciais.

E há outra mudança particularmente curiosa: uma das raparigas que aparece no genérico estava pensada para ser a irmã do Simão. Não era a Ana Guiomar. Tanto que na primeira temporada ela nem se chamava de Marta e sim de Mitó.

E isto torna-se interessante quando voltamos à história da primeira temporada. A personagem da Ana Guiomar tinha uma história familiar completamente diferente. Nunca na primeira temporada a Marta refere que tem um irmão. Ela falava dos pais, nunca falou da morte da mãe, de uma madrasta Vanda, nunca tinha sido introduzido nada disso naquela narrativa. Isto faz sentido quando percebemos o contexto em que a segunda temporada estava a ser reconstruída.

A Ana Guiomar tinha sido uma personagem de que a produção tinha gostado na primeira temporada. E, naquele verdadeiro frenesim de substituir protagonistas e reorganizar os diferentes núcleos, acabaram por aproveitar personagens que já tinham funcionado anteriormente. O Zulu foi outra personagem integrada que não estaria inicialmente pensada, iria ficar apenas pela T1 de verão. 

A Cláudia Vieira entrou para interpretar a Ana Luísa já com 25 anos, uma idade bastante superior à da maioria dos jovens que a rodeavam no elenco. E, olhando hoje para aquilo, percebe-se que a Cláudia Vieira dificilmente teria sido a primeira escolha para aquele tipo de elenco juvenil se a produção tivesse seguido exatamente o plano inicial.

A produção daí adiante começou cada vez mais a recorrer a jovens provenientes de agências de modelos, em vez de procurar exclusivamente pessoas com formação teatral ou de representação. Se uma pessoa já vinha de um percurso de teatro, de representação e de formação artística, era muito mais provável que tivesse noção das limitações e das condições dos contratos e que não aceitasse determinadas restrições à sua carreira.

Um jovem vindo de uma agência de modelos, por outro lado, poderia estar mais disponível para aceitar aquele tipo de contrato e aquelas condições.

Curiosamente isto foi-me contado esta semana por uma colega no meu novo emprego, que ao estudar em Lisboa há poucos anos a sua senhoria era precisamente essa primeira Ana Luisa. Hoje em dia trabalha na parte farmacêutica, e não seguiu carreira. O rapaz que seria originalmente o Simão, e a irmã dele, a Marta original (que não se chamaria Marta) ela nao sabe o que é feito deles mas identificou-os no genérico. Sei quem seriam. 
 

Achei isto fascinante

 

Imaginem não ter sido a Cláudia e a Rita. :manas:

A quantidade de coisas que teria sido diferente, a temporada que moldou a geração. :adoro:

  • Gosto 2
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A Marta/Mitó nota-se que foi reformulada da T1 Verão para T2 para ser a irmã do Simão.

O Gongas também começou por aparecer na T1 de Verão e na T2 foi promovido a irmão da Ana Luísa, Soraia e Tojó. @Dimitri sabes se isso já estava previsto ou também já fez parte das mudanças?

Postado
há 59 minutos, D91 disse:

A Marta/Mitó nota-se que foi reformulada da T1 Verão para T2 para ser a irmã do Simão.

O Gongas também começou por aparecer na T1 de Verão e na T2 foi promovido a irmão da Ana Luísa, Soraia e Tojó. @Dimitri sabes se isso já estava previsto ou também já fez parte das mudanças?

Isso já não sei 

  • Gosto 2
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Já que em segredos de família é só particípacao gostava que a São José Correia viesse na próxima novela da maria João Costa ou algum outro autor, nesta década tirando na corda bamba só fez novelas da maria João Mira 

Postado
há 6 minutos, EFMR disse:

Já era expectável. Na TVI e Plural não tem lugar atualmente com as novelas curtas.

Porque não? Ele vai para o Brasil fazer um “melodrama” de 30 episódios. Quem faz isso, também faz novelas de 100 episódios.

  • Gosto 3

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