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96: Porto Canal


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Muita gente aqui já comprovou: televisões locais não resultam no sentido estrito em Portugal. Nós somos provavelmente o único país europeu com mais de 10 milhões de habitantes e uma falta de televisões de tal índole.

Quando falamos da cidade do Porto, há pelo menos dois canais que nos chegam à mente: a NTV e o Porto Canal. Ainda antes havia a TV Maravilha e a TVN, ambas piratas. A TVN ficou célebre, em 1985, por emitir um debate de cerca de 90 minutos depois do encerramento da RTP 2 para legalizar as televisões regionais, mas mais nada. A NTV foi o resultado de uma das duas concessões para televisões ditas "locais" por cabo que acabariam por se tornarem em concorrentes do meio informativo nacional. Na segunda temporada da Herman Enciclopédia, episódio "As Modas - In & Out", o quarteto do PNRN funda, em parceria com a Luxomundo (a produtora mais luxuosa de Portugal), um "Canal do Norte", na qual vemos um excerto de um noticiário. Isto era claramente influência da falhada regionalização (Eu é que sou o prlrlrlrlresidente da junta!), da provável legalização das televisões regionais em sinal aberto ou das concessões das ditas para o cabo.

A 31 de Maio de 2004, a NTV saia do ar, depois da RTP ter forçadamente comprado o canal. Inicialmente o plano era para um canal dedicado às regiões, mas acabou por ser um canal de notícias, a actual RTP 3, e só demonstrou a sua faceta noticiosa ao máximo em 2008. Com o fecho da NTV, um tal "Porto Canal" queria entrar no ar na TV Cabo em 2005. Falava-se em reviver a NTV em termos, como um canal inteiramente privado (a NTV era assim até 2003 quando foi "nacionalizada" e comprada à força pela RTP) e de tentar recomeçar isto das televisões locais no cabo, mas sem sucesso, pois eventualmente o canal acabaria por ser visto em todo o país, o que é irónico. A sede era para ser no Media Park do Monte da Virgem e o proprietário a Mediapro, que mais tarde acabaria por vender o canal. Juntamente com o Porto Canal, haviam mais dois projectos, a Invicta TV da Finanzza Investments (já sabem como é que acabou a saga) e, segundo este artigo do Correio da Manhã, um tal "Canal Algarve", que nunca entrou no ar. O Porto Canal era para a TV Cabo e a Invicta TV para a TVTEL.

O canal já tinha grelha definida mas, inevitavelmente, havia uma série de atrasos que iriam por em risco o lançamento do potencial canal. Na segunda metade de 2005, falava-se praticamente nada sobre o Porto Canal. Achávamos que o canal não tinha futuro, que tinha sido mais uma vítima do "progresso", que é como quem diz, "não há televisão local para ninguém" (a definição de "censura" aplicada à televisão local que temos). Até que no início de 2006, volta-se a falar sobre o canal, dizem que era inspirado no canal local NY1 (de Nova Iorque e que serviu de exemplo para algumas televisões do género - se bem que a NY1 - que entretanto mudou de nome - era mais voltada para a informação local) e que, aí sim, pretendia ser uma espécie de "nova NTV". O Porto Canal era para arrancar no dia 23 de Junho de 2006, às 19 horas, para cobrir o São João - e era para substituir o "falido" Vivir/Viver, porém, uma série de problemas técnicos ajudou a atrasar o lançamento para uma data bem mais tardia e as frequências do Viver eram tomadas de assalto pelo Infinito, que durou até 2009.

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O Porto Canal começa a emitir no dia 29 de Setembro de 2006. Estava disponível no pacote base da TV Cabo e no canal 13 da Powerbox. A dita posição estava "sem dono" desde 1 de Julho, quando o Viver/Íntimo saiu do ar na operadora. Ainda por falar nas posições mais "importantes", o 7 ainda estava vazio, por causa das pretensões da TVI comprar a dita e criar a TVI 24. O primeiro logótipo remetia um pouco à ideia do Metro do Porto. O grafismo era moderno e cosmopolita e bem "portuense" - se bem que não consigo encontrar imagens do grafismo com o logótipo em cima. Quanto à programação, era tudo programas feitos pelo canal, e com ajuda de empresas portuenses, que eram mais ou menos "normais" e que ligavam pouco à actualidade. Tipo programas sobre coleccionistas, música local, colectividades, etc. Isto é pagar e não bufar: imagine a vingança do canal onde se falavam de "raças de cães e de ensinar a tirar nódoas de vinho de camisas brancas", que tinha uma audiência a rondar as centenas - quiçá dezenas - de telespectadores. À noite, ou melhor, de manhã, havia um tal "Discotheque" (acho que era assim que se escrevia) que tinha pessoas a dançar em discotecas, para preencher o tempo nas semanas experimentais. Fez-me lembrar uma ideia de um dos elementos da Rádio Voz de Benfica quando fechou e esboçaram a abertura de uma televisão: "e se passássemos, 24 horas por dia, imagens de pessoas a dançar?". Maravilhoso.

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A 1 de Novembro as emissões passam a ser regulares, tendo sido adicionado (ou acho que foi mais cedo) um anjo de miniatura ao DOG. Eu, na inocência dos meus oito anos de idade, achava que aquilo era um idoso qualquer a quem o canal prestava a mais devida homenagem, mas não, era uma homenagem à música de Pedro Abrunhosa, que por si só homenageava os anjos nos azulejos da cidade. Por falar em Pedro Abrunhosa, foi pena não o terem aproveitado para compor o hino do canal: "Se eu fosse um dia o teu canal, e tu o meu canal também" ou "O Teu Canal". Espera aí, aquilo não era uma das ideias do PNRN?

Uma das primeiras figuras do canal (ou melhor, o primeiro meme do canal) era o Mestre Alves, que "alegadamente" previa coisas de valor (ou falta dele) para 2007. Provavelmente inspiraram-se nele para o Professor Chibanga, mas a sua primeira aparição foi a 1 de Janeiro de 2007 - e ainda por cima o Professor Chibanga era inspirado nos videntes malianos do que no mestre de cima. (Ainda há alguns videntes que se auto-declaram como "mestres". True story.) Fez-me lembrar um vidente que, no ano passado, previa a vitória da Anamar no Dança com as Estrelas.

Passado algum tempo o canal emitia alguns documentários da TVG (Televisión da Galicia), um deles falava sobre as relações entre a Galiza e o norte de Portugal. Havia também um programa externo (portuense), A Família Galaró, que já deu na RTP. Cheguei a ver no fim de 2006. Provavelmente o canal tinha ligações com os estúdios que produziram o dito. O canal passou a ter também notícias, com o seu primeiro noticiário, o Telediário (nome inspirado do Telejornal espanhol - o dono do canal, a Mediapro, era espanhola). Lembro-me que chegou a haver um relógio antes, o único anunciante era o Finibanco (faliu!). Infelizmente não consegui encontrar genéricos. Também havia a meteorologia, cujo indicativo sonoro (pelo menos até 2010) era uma música da Enya.

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No dia 29 de Setembro de 2007, o Porto Canal inaugura uma nova grelha e muda drasticamente o símbolo - o grafismo manteve-se mas foi modificado para incluir o novo logótipo. Também surgiram os separadores com imagens antigas da zona do Porto (mais tarde do norte) e com um símbolo vintage criado para os ditos:

Havia também um anúncio a gozar com o Restaurador Olex quando o Porto Canal mudou de símbolo (estou a falar do anúncio do "Um preto de cabeleira loira ou um branco de carapinha não é natural. O que é natural é fica bem cada um usar o cabelo com que nasceu!" que era do tempo do PREC). No Natal havia um parecido com o anúncio das Fantasias de Natal. Ambos os anúncios estavam escondidos na net mas já não consigo encontrar, uma pena ;(

Por volta desta altura o canal já tinha sido consolidado, com programas icónicos como o Porto Alive, o Consultório ou o Bolhão Rouge. O canal eventualmente deixa de ser exclusivo da ZON e passa a ser emitido nos restantes operadores (salvo AR Telecom), sendo a MEO a última a juntar o canal à grelha, em Junho de 2010.

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Por ocasião do quarto aniversário, o símbolo é mudado mais uma vez, com cantos arredondados, novo tipo de letra e novo grafismo. Foram usados dois grafismos entre Setembro de 2010 e Janeiro de 2016, sendo que o segundo chegou em Novembro de 2013. O Porto Canal abriu uma série de delegações pelo norte do país, sendo que passou a ser um canal mais voltado para o norte em si do que para a cidade do Porto. Falava-se numa mudança de nome para Televisão do Norte em 2011, mas o Futebol Clube do Porto acabaria por comprar em 2011. Os efeitos passaram a ser sentidos na sua programação, com a estreia de um noticiário do clube e as emissões desportivas a partir do Dragão Caixa. Algumas das vertentes do Porto Canal anterior continuavam na grelha, mas aos poucos o canal passou a dar mais privilégio a emissões ligadas ao FC Porto, desde que tomaram o controlo a 1 de Agosto de 2011. Como a gala Dragões de Ouro, por exemplo.

https://www.youtube.com/watch?v=31JXwcXx9Ss

https://www.youtube.com/watch?v=xSfqb0mutfg

Um novo grafismo chega ao canal em Novembro de 2013, tal como os grafismos anteriores do canal, era desenvolvido pela agência WIDU. Foi utilizado até Janeiro de 2016. O número de programas desportivos aumentou, até chegaram a emitir filmes internacionais (eu achava que era engano) em sessões especiais do programa Cinema Batalha (tipo o Janela Indiscreta do Porto Canal) por algumas semanas, a começar no Natal de 2013. (Sim, é tipo o Cinestádio da A Bola TV. Mas aqui não eram filmes temáticos)

Quando as televisões generalistas começaram a emitir em 16:9 (só faltava HD), o Porto Canal ficou atrás. A contratação de Júlio Magalhães levou o canal a sérias mudanças, nomeadamente no grafismo e na sua grelha.

O canal passou a emitir em 16:9 pela primeira vez, mas passado um mês foi temporariamente suspendido da oferta NOS. Só em Agosto é que volta a integrar a oferta.

Apesar das mudanças serem mais para o positivo, o canal passou a ter algum saldo "negativo" à medida que os anos passavam. A influência do FCP aumentou e uma série de profissionais saíram do canal. No ano passado, algumas das delegações regionais foram encerradas e os noticiários foram cortados. Agora (este ano) o Júlio Magalhães assinou contrato com uns chineses (e provavelmente a Ibéria Universal) para passar a emitir documentários falados em mandarim e com legendas em português, como se fosse uma espécie de IU. Apesar do futuro incerto, o FCP lançou um web canal sem afectar o Porto Canal.

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