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Apenas Diferente


_zapping_
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Tenho uns bons episódios para ler... tenho que arranjar tempo para pôr esta história em dia.

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Quando puderes lê, _zapping_. É, sem dúvida, uma história cheia de reviravoltas que vale a pena ler. É bem interessante. Mais uma história excelente, como o TVU já nos habituou

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10 De Dezembro de 2010

O tempo passava a correr. A ideia de voltar a ver novamente dava ainda mais força a Bernardo. Estava a ser acompanhado pelos oftalmologistas. A Dra. Margarida era aquela que o iria operar. Tinha uma voz doce e tratava muito bem Bernardo.

-Não te esqueças: mantêm-te calmo; quase de certeza que vais voltar a ver! - Garante Margarida.

-Espero bem que sim! - Responde Bernardo, sorrindo. Havia uma enorme cumplicidade entre os dois - Eu confio em si!

-Não te preocupes. Vou fazer de tudo para que fiques bem. Assegura-lhe a Dra. E como está a tua relação com os teus pais?

Bernardo não lhe responde. Nos últimos anos, Margarida fora sua oftalmologista e confidente.

O telefone da mulher toca.

-Desculpa, mas tenho mesmo que atender.

Bernardo refugia-se no canto da sala. Ouviu a conversa. Margarida estava fora de si.

-Mas o que é que tu queres? Eu não te pedi já o divórcio? Quantas vezes é que te tenho de dizer que tu para mim morreste? Eu vou seguir com a minha vida para a frente!

Desliga o telefone de repente. Margarida levanta-se e agarra no casaco para saírem. Chovia a cântaros nesse dia.

- Anda comigo.

-Está bem.

Bernardo sai com Margarida. Eram já sete da tarde quando chegaram a casa dela.

-Vou fazer o jantar!

Bernardo agarra-a e beija-a. Sentia uma paixão flamejante por Margarida. Passa a noite em casa de margarida sob o toque intermitente do telemóvel de Bernardo. Matilde não parava de lhe telefonar.

A noite tivera sido mágica, mas, infelizmente, pouco duradoura. Bernardo levanta-se e tropeça em Margarida. Tentou levantar-se, mas escorregou no sangue dela. Bernardo entra em pânico. Pega no telemóvel e chama uma ambulância.

Vai com ela para o hospital, não a largando. Matilde fora ter com ele, ruída de ciúmes.

-Mas o que é que aconteceu? Pergunta Matilde.

-Passámos a noite juntos e… - Conta Bernardo, que é interrompido pelos gritos de Matilde.

-Passaram a noite juntos?! Só podes estar a gozar! Eu amo-te e dizes-me assim isso na cara?

Bernardo fica sem saber o que dizer. A noite em que se envolveram significou muito para Matilde e para este. Mas o jovem não resistiu a envolver-se com Margarida. Estava confuso.

Matilde vai embora furiosa.

Bernardo passa a noite no hospital.

Dilemas é o que há mais na nossa vida. Parecemos um carro num cruzamento. Para que lado ir? Qual o melhor caminho? O que acontecerá se for por este? E se for por aquele? Um dilema acompanha a noite de Bernardo: Matilde ou Margarida?

Qual escolher? Quem nunca se sentiu assim?

Perguntas que só o tempo nos irá responder. Não temos alternativa. Temos de escolher um caminho. Mesmo que nos venhamos a arrepender, já não dá para voltar para trás. Podemos apenas seguir em frente e esperar pelo que esse caminho, a nossa vida, o nosso legado, ainda nos irá oferecer…

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19 de Dezembro de 2010

Bernardo é chamado por volta das três da manha. Segue a enfermeira e entra no quarto.

-Como estás? pergunta docemente Bernardo, agarrando as mãos da mulher na cama de hospital.

-Estou bem! Garante-lhe.

Bernardo estremeceu. Não era a voz de Margarida, mas sim de Matilde.

Larga de imediato Matilde.

-Mas o que é que estás aqui a fazer?

-Fui atropelada! Ouve: eu não estou nada bem, mas tenho uma coisa a dizer-te…- Matilde respira fundo - Acho que estou grávida de ti… Naquela noite envolvemo-nos…

Bernardo sai do quarto, confuso com a revelação. Resolve procurar Margarida. A tarefa de procurar uma enfermeira era difícil, mas acaba por encontrar uma.

-Por favor, pode-me dizer onde está Margarida Correia? Pergunta Bernardo.

-É familiar? - Interroga-o.

-Não; sou um amigo…

-Desculpe, mas a Dra. Margarida está nos cuidados intensivos, sem visitas. - Revela a enfermeira.

-Mas o que é que ela tem? Pergunta Bernardo preocupado.

- Apresenta uma hemorragia interna grave. Corre sério risco de vida. Conta-lhe.

-Era melhor avisar o marido dela.

A enfermeira agarra no telefone e telefona para o marido de Margarida.

Bernardo não quer acreditar. Como é que não dera conta que Margarida tinha caído?

Talvez ela não estivesse naquele estado…

Envolveu-se com margarida por impulso. Fora algo do momento. Na verdade, o que fazia pulsar o seu coração era Matilde. Tinha magoado as mulheres que mais amava, porém isso não podia continuar. Matilde nunca o deixaria, ao contrário do que provavelmente iria acontecer com Margarida. Era Matilde que ele conhecia profundamente. Já Margarida apenas ouvia as lamúrias de Bernardo, nada mais do que isso. Ela envolveu-se com este por divertimento. Era isso mesmo o que Bernardo, provavelmente, significava para ela: um divertimento. Como tal, não iria deitar tudo a perder. Ia contar a Matilde o que sentia e esperar pela reacção dela. Mas, agora, o tempo ia decidir por si.

20 De Dezembro de 2010

Bernardo estava pronto para entrar para a sala de operações. Tinha arranjado um novo médico para o operar, visto que Margarida ainda se encontrava em estado crítico. Também ela ia ser operada àquela hora: Às dez da manhã. A operação de Bernardo podia não ter o resultado esperado. Podia ficar na mesma. Já Margarida podia morrer na operação. O seu estado agravara-se nos últimos dias. Era também Matilde que iria ser operada. O atropelamento causara-lhe muitos danos. Também esta corria sérios riscos. Bernardo não sabia o que fazer.

As mulheres de quem mais gostava estavam entre a vida e a morte.

Poderiam morrer as duas, sobreviver as duas, ou morrer uma e a outra não. Eram cruciais as próximas horas. Poderia também ele morrer na operação?

As respostas sem perguntas roíam-no por dentro. Quando Bernardo sair da operação terá notícias. Só espera é que sejam boas.

Nem sempre a vida é o que esperamos. Perdemos pessoas muito importantes na nossa vida. Torna-se cada vez mais vazia. Consome-nos a ideia de quem iremos perder a seguir. O tempo não pára e um dia chegará a nossa vez. Por muito que a queiramos adiar, não somos nós que temos poder para isso. Temos de seguir o percurso de todos os mortais: morrer.

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Este episódio é muito intenso. As duas mulheres da vida do «Bernardo» estão às portas da morte e ele também vai submeter-se a uma operação complicada. Como sairá ele desta? Terá ele oportunidade de revelar à «Matilde» os seus sentimentos? Ou será também tarde demais para eles?

Interessante, nfren. Esperemos pelo próximo episódio

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21 de Dezembro de 2010

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Bernardo acorda finalmente. Pela segunda vez, estava no hospital. Era das coisas que mais odiava. Só lhe trazia más recordações. A enfermeira que o acompanhava chama o médico para falar com Bernardo acerca do resultado da operação. Tinham passado dois dias desde a operação, mas Bernardo dormira profundamente durante esses dias. Não parava de perguntar por Matilde e Margarida, mas o médico não lhe respondera.

Este levara Bernardo para uma sala de oftalmologia. Tira-lhe a venda. Uma luz irradia os olhos de Bernardo. Voltou a ver. A alegria é enorme.

-Eu já consigo ver! – Gritava de alegria, Bernardo

-Ouça: Tenha calma! Tenho algumas coisas a dizer-lhe.

Bernardo fica preocupado.

-Como está a minha amiga Matilde?

- Esteve entre a vida e a morte… mas sobreviveu. Os membros inferiores foram afectados, mas não é nada que a fisioterapia não resolva.

Bernardo esboça um sorriso.

-E a Dra. Margarida? – Pergunta, apagando o sorriso.

-Bem… A Dra. margarida teve uma virose grave que se alastrou pelo seu corpo. Foi necessário proceder à amputação das pernas. Mas o bebé está bem.

Bernardo fica chocado.

-O bebé? - Pergunta, admirado, Bernardo.

-Sim. Ela está grávida de dois meses - garante o médico.

Bernardo sabia que não era o pai. Só se tinham envolvido há alguns dias.

Sai da sala e vai ter com Matilde.

Entra no quarto.

-Posso? – Diz batendo à porta.

-Claro! – diz, frágil, Matilde.

-São para ti! - Exclamou Bernardo, dando-lhe um magnífico ramo de rosas brancas -Estás mesmo linda.

Matilde abraça-o

-Já consegues ver! – Diz, chorando de alegria.

-Sim, graças a ti, que sempre me apoiaste… - Bernardo agarra as mãos de Matilde.

Matilde agarra-o e dá-lhe um beijo.

-Desculpa Bernardo…- diz, arrependida com o acto.

Bernardo beija apaixonadamente Matilde. Margarida já não importa. O marido dela estava à espera na sala. Era casada e nunca o dissera a Bernardo, sabendo que este gostava dela.

O marido desta grita desalmadamente.

-Senhor Joaquim castro, sente-se bem? – Perguntava-lhe a enfermeira, preocupada. Acaba por desmaiar e é levado pelos médicos.

Bernardo fica pensativo. Aquele homem não lhe era estranho. Só segundos depois é que se lembra. Era aquele o homem com quem chocara há uns dias. Este tinha-lhe dado o cartão e fora Matilde que lhe perguntara se necessitava do cartão que tinha no bolso. De um tal Joaquim Castro, Engenheiro Civil.

Bernardo fica com Matilde durante a noite. Estavam cada vez mais apaixonados. Não iria largar Matilde neste momento difícil. Era a sua prioridade.

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  • 2 weeks later...

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Episódio 9

24 de Dezembro de 2010

Bernardo e Matilde estavam radiantes. Ela estava a fazer excelentes progressos na fisioterapia. O bebé estava óptimo e Matilde estava pronta para ir para casa. Já conseguia andar mas ainda tinha algumas dificuldades. Era agora Bernardo que a guiava. Laica mal os sente entrar em casa fica eufórica.

Era véspera de natal. Bernardo lembrara-se do filho de Joana. Vai busca-lo à instituição. Já perdera a prática para conduzir, mas consegue chegar a Corroios sem nenhum problema. O filho de Joana, mal avista Bernardo, pula para o abraçar. Bernardo percebera de imediato que era aquela a criança que procurava.

-Como estás, campeão? - Pergunta Bernardo ao menino

-Estou triste... A minha mãe não voltou cá para me dar um beijinho contou o menino.

A assistente aparece entretanto.

-De volta. Diz ela.

-Como pode ver, já posso levá-lo pelo menos hoje. Já não estou cego e não há nada que me impeça de estar com o menino - revela Bernardo.

-Com o Hugo! Desculpe a maneira como o tratei da última vez, mas promessas como as que fez anteriormente é o que há mais nesta instituição. Promessas que não se cumprem, para infelicidade das crianças... Ele apenas tem três anos.

-Claro. Eu percebo - Diz enternecido Bernardo.

-Vai proceder à adopção do Hugo? Pergunta curiosa a assistente.

-Claro que sim! Era o último desejo da minha prima - Diz sorrindo para Hugo que estava no seu colo.

Antes de voltar para casa, entrega várias obras da sua autoria para a instituição de apoio a cegos. Queria que mostrassem o que vem na sua mente através da escultura. Iria ser a sua última entrega. Durante estes seis anos era naquele sítio em que as forças para lutar eram reforçadas. Lá encontravam-se pessoas tal como ele, mas que por vicissitudes da vida não puderam ter uma vida autónoma. Foi com eles que Bernardo aprendeu que a vida é única e que não devemos desperdiçá-la em lamúrias.

Voltam os dois para casa. Laica faz as delícias de Hugo.

Bernardo e Matilde estão radiantes.

Parece que a vida voltou a sorrir para Bernardo.

Parece que por muito pouco que a vida nos sorria aproveitamos ao máximo esses momentos.

São esses momentos que ficam na nossa memória. São esses que perduram e que nos fazem avançar para a frente em busca de momentos como esses.

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24 de Dezembro de 2010

A noite anterior fora de imensa alegria. Bernardo e Matilde estavam radiantes com a ideia de serem pais brevemente. Hugo estava radiante por ter encontrado uma família.

Era de manha cedo. O dia estava frio como o Inverno assim o fazia esperar. Alguém toca à campainha. Era o Agente da polícia.

-Desculpe vir neste dia, mas já tenho o caso da sua prima resolvido… revela o agente.

-E então? Disse Bernardo, enquanto fechava a porta para que ninguém os ouvisse.

-Ela foi morta. Responde o polícia.

Bernardo fica chocado, mas, por outro lado, aliviado. Estava provado que a sua prima não se tinha suicidado. Estivera sempre ciente disso, apesar de todas as indicações contrárias. Agora estava provado perante a justiça.

- Descobriu quem a matou? Pergunta Bernardo.

-Sim. Joaquim Castro. Conhece? Interroga-o.

Bernardo fica sem palavras. O homem que matara a sua prima era o marido da Dra. Margarida.-Ele já foi preso? - Pergunta Bernardo com um nó na garganta.

-Sim; vai ser julgado dentro de dias Garante.

-Obrigado! Diz, aliviado, Bernardo.

-É o meu dever. Responde o polícia, enquanto se despede de Bernardo, dando-lhe um envelope.

Bernardo fecha a porta e sorri. Agora percebia tudo.

Bernardo conta as novidades a Matilde.

-O que é que se passa Bernardo? Pergunta Matilde ao vê-lo com cara de caso.

-Era o agente da polícia, aquele que estava a investigar a morte da minha prima. Diz Bernardo.

-E então o que é que aconteceu realmente à tua prima? Pergunta curiosa Matilde.

Sentam-se no sofá.

-Lembras-te de eu te dizer que se pensava que ela se tinha suicidado?

-Sim, é claro que me lembro, tu nunca acreditaste! Diz Matilde.

-A minha teoria estava certa Diz firmemente Bernardo.

-Oh meu Deus! Isto parece um filme! Exclama aterrorizada Matilde.

-Sim… Ela foi assassinada Revela Bernardo.

-Que fim! Coitada da Joana! Matilde estava cada vez mais assustada -E quem foi?

-O marido da Dra. Margarida: Joaquim Castro!

Matilde fica atónita. Leva as mãos à cabeça. Conhecia esse nome dum cartão que uma vez Bernardo trouxera no bolso.

-O Joaquim Castro é o pai do Hugo! Diz Bernardo, peremptoriamente.

- Rico pai! Matou-lhe a mãe. Que horror! Mas como é que tu sabes que ele é o pai do Hugo? Ele não esteve casado dez anos? Perguntava Matilde, que estava confusa.

-Como se isso o impedisse de ter um caso com a minha prima. - Bernardo mostra-lhe o envelope. Era um teste de ADN. Este provava que o Joaquim Castro era o pai de Hugo.

-Mas tu tinhas aquela mensagem no voice-mail? Já não estou a perceber nada! Matilde não tinha peças para completar o puzzle.

-O Joaquim queria ver o filho. A minha prima metera-o na instituição. Ali estaria seguro. Mas o Joaquim tornou-se violento e vinha armado. Apesar da arma apontada para si, a Joana defendeu o filho até à morte, não lhe dando o seu paradeiro. Aquela mensagem fora a última coisa que fez antes de morrer. O Joaquim matou-a logo de seguida. Tentou procurar o Hugo, mas, felizmente não conseguiu. Conta Bernardo.

-Mas ele ainda está a monte.

-Não. Descansa; ele foi preso esta manhã e não sairá de lá tão cedo! Diz Bernardo sossegando a namorada. Matilde fica chocada com as revelações. Mas aliviada ao saber que tudo estava bem.

Há momentos na nossa vida em que nos sentimos aliviados. Por muito que doam as descobertas feitas por nós, ficamos descansados pela descoberta. Há coisas que nos chocam, nos fazem ver a vida doutra maneira. Às vezes é preciso algo drástico para nos abrir os olhos.

Modifica a nossa vida e a nossa forma de pensar. Talvez nos leve a mudar de rumo. Ou talvez não. Às vezes precisamos que a vida nos volte a abrir os olhos. Mas às vezes já não há volta a dar…

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"Depois da tempestade, vem a bonança": É este o lema do penúltimo episódio da novela que marcou a rentrée do TVU na área da ficção. Agora, o passado tumultuoso de Bernardo torna-se num futuro abençoado. Está na altura de se fazer as pazes com vida e com aqueles que dela fazem parte.

São emoções fortes no 11º Episódio da produção Apenas Diferente, que termina já na próxima quinta-feira!

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24 de Dezembro

O dia ainda prometia mais surpresas. Pareciam prendas que chegavam na noite da consoada. Presentes que podiam vir envenenados. Mas talvez o veneno se tornasse num saboroso doce…

A campainha tocara novamente. Matilde abriu a porta. Bernardo quase morrera de espanto quando vira que eram os seus pais.

Apesar da raiva, não resistiu a abraçá-los.

-Oh! Meu querido filho! – Laurinda abraça fortemente o filho.

-Laurinda! Larga o rapaz, que ainda o sufocas! – Diz Carlos. Não abraça o filho.

-A Dra. Alexandra deve de estar a chegar…

-A Dra. Alexandra? Cada vez que a vias ficavas pior que estragada!

Laurinda fica em silêncio.

-Laurinda, basta. Chegou a hora de lhe contares… - Manda Carlos.

-A Dra. Alexandra é a tua mãe verdadeira! – Revela Laurinda a medo.

Bernardo fica atónito. Não que quisesse saber da mãe naqueles seis anos, mas saber que morava mesmo ao lado era coisa do outro mundo. Alexandra sempre fora muito simpática com ele. Mas os pais não ficavam nada contentes com a relação de ambos. Agora Bernardo percebia tudo.

Laurinda estava visivelmente mais calma. Tinha feito acompanhamento psiquiátrico junto do marido. Ambos fizeram renascer o casamento.

-Matilde, tu sabias disto? – Pergunta Bernardo a Matilde, virando-se para ela.

-Sim, Bernardo. Fui dando ao longo destes anos notícias tuas aos teus pais. Desculpa, mas achei que era o melhor para ti. Apesar de tudo, eles preocupam-se contigo. - Matilde sempre soubera disso e fora ela que os convidara.

Bernardo abraça-se a Matilde. Não estava furioso. Pelo contrário. Estava grato a Matilde. Bernardo nunca teria coragem de voltar a encarar os pais se não fosse Matilde.

Alexandra chegara minutos depois abraçando o filho. Bernardo chora de alegria. No final de contas, a sua mãe sempre vivera ao seu lado

Falam os dois abertamente.

-Já percebi que os teus pais já te contaram que sou tua mãe. Entreguei-te a Augusto, pois estava a meio do curso e queria prosseguir os estudos. Foi o Augusto que te entregou à Laurinda e ao Carlos. Arranjou-te uns pais. Arranjou umas pessoas capazes de te darem tudo aquilo que eu não te dei. – Conta Alexandra.

Abraçam-se novamente. Também perdoa Alexandra. Bernardo aceita o arrependimento da mãe. Já tinham passado vinte e quatro anos. Também aceitou desculpar os seus pais. Apesar de tudo, apenas o quiseram proteger. Ficaram todos radiantes com a notícia de terem um neto. Bernardo lembra-se do seu avo. Gostaria que estivesse ali naquele momento. Mas sabia que, onde quer que estivesse, estaria orgulhoso do neto.

O dia de natal é passado em família. Já há algum tempo que Bernardo não se sentia assim: Envolto pelas pessoas que mais gostava.

-E querem saber da novidade? - Pergunta Bernardo à família, já acabado o jantar.

-Claro! Conta! - Respondem todos.

-Eu e a Matilde vamos casar! - revela Bernardo.

Uma alegria contagia a família. Estavam felicíssimos.

-Mas ainda há mais! – Interrompe Bernardo.

-Mais?! – ficam todos atónitos.

-Vamos ser pais! – Revela Bernardo, beijando Matilde.

-Estás grávida? Oh meu Deus! Vou ter um neto! – Laurinda estava felicíssima.

Ou uma neta; ainda não sabemos! – Brinca Matilde.

Ficam a digerir a felicidade pela noite dentro.

Há momentos de pura felicidade. Por muito que o azar nos bata à porta, uma maré de sorte vem de seguida. Como se costuma dizer “ depois da tempestade, vem a bonança”. Parecia que tinha chegado finalmente. Depois de tanto se esperar por ela. Depois de tanto se sofrer, gritar e espernear, a recompensa pelo nosso esforço chega sempre.

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No 12º Episódio de "Apenas Diferente", há uma lição de vida que todos devem apreender. Bernardo, e todos aqueles que estão à sua volta, vão aprender que "ser diferente faz toda a diferença". Veja como, agora que o passado se uniu com o presente.Já está disponível o grande final de "Apenas Diferente"!

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11 de Maio de 2010

O tempo passara a correr. A barriga de Matilde crescia de dia para dia tal como a felicidade entre ambos. Tinham planeado casar em Agosto, em Castelo Branco.

O filho de ambos nasce prematuramente. Era uma manhã de Maio quando o Tiago nasce. Toda a família reúne-se. Os pais e avós estavam babados. Bernardo assistira ao parto. Chorou quando sentiu o seu filho nos braços. Matilde olha para eles com as lágrimas a percorrerem-lhe a face. Era um dia inesquecível. A felicidade e o amor uniam-nos.

Margarida aparece no quarto na cadeira de rodas. A dor que sentia estava estampada na sua face. Parecia uma sonâmbula.

Bernardo vê-a. Sente renascer uma fúria dentro de si. A fúria que sentira ao saber que tinha sido usado por esta. Estava a iniciar o divórcio mas não fora isso que a impedira de utilizar Bernardo. Este sentia-se descartável. Mas Margarida não iria ficar impune. Descontrolado, vai começar a gritar com ela, mas desiste. Margarida começa a falar. Uma voz frágil e trémula sai da boca de Margarida.

-Eu vi-te há bocado. Tenho uma impressão que te conheço-o de algum lado. Dizia.

Bernardo não dissera nada. Os últimos acontecimentos colocaram Margarida numa profunda depressão. Depois do acidente, perdera a memória. Apenas se lembrava de que Bernardo a vinha ver de vez em quando, mas não sabia porquê. Bernardo sente que gritar com uma mulher naquele estado não o levariam a lado nenhum. Apesar da fúria, Margarida já tinha castigo que bastasse. Ficaria presa a uma cadeira de rodas para a eternidade. A manta que tinha servia para tapar o que já não existia em Margarida.

Margarida apenas pede um último favor a Bernardo:

-Não consigo lidar com este sofrimento. A minha filha tem dois meses precisa de alguém que cuide dela. Já não tenho forças para continuar… - Margarida perde o fôlego.

Bernardo estava sem palavras. A mulher que nunca mais queria ver à frente estava-lhe a pedir que ficasse com a sua filha. Vendo no estado em que estava e que o marido desta estava preso, aceita cuidar da pequena.

- Só te peço que me deixes junto da praia. É a minha última paragem…

Bernardo aceita aquele último pedido. Previa o que ia acontecer e não se iria atravessar nos planos de Margarida.

Bernardo entra no quarto de Matilde. Esta ouviu a conversa.

-Vai lá… dizia ainda fragilizada depois do parto.

-Apesar de tudo, és compreensiva. Nem sabes como me sinto grato por te ter a meu lado. - Bernardo beija apaixonadamente Matilde.

Bernardo leva Margarida para o carro. Leva também consigo Mariana. Põe Margarida no assento da frente. Não pesava nada. Parecia uma pena.

Arranca com direcção à praia.

Já na praia, guia margarida para junto do mar. Durante esse percurso, esta segura na filha. Canta-lhe uma canção de embalar. Uma canção de despedida.

As ondas estavam cada vez mais perto. Margarida entrega a filha a Bernardo.

-Obrigada! - Entrega-lhe uma caixa pequenina - Dá-lhe isto. É uma caixa onde eu guardava as minhas coisas quando era pequena. Quero que ela fique com uma recordação minha. Os meus bens já estão em nome dela. Tudo o que era meu um dia vai passar para a minha filha. Dizia a chorar.

-Ainda está a tempo de voltar atrás! Dizia bernardo tentando dissuadir Margarida.

-Não te preocupes! Quando não se vê solução, arranja-se uma. Afirma Margarida.

Bernardo não diz mais nada. Segura na pequena Mariana. Pega na frágil mão da criança e acena para Margarida com uma lágrima no canto do olho. Não seria um adeus. Seria um até já. Dali a pouco tempo a mãe da pequena voltaria a cuidar desta, apenas doutro lugar.

Margarida vê-se na praia sozinha. Despedira-se da filha e de Bernardo com um intenso acenar.

" A minha vida perdeu o sentido. Não aguento mais esta dor. A depressão lançou-me para um buraco bem fundo. Após o parto, era um suplício aproximar-me de ti, minha filha. Não conseguia olhar para ti. Tinha medo da minha própria filha. Agora sei que está em segurança. A tua vida continua. Desculpa o que te fiz, minha filha. Foi a melhor solução. Desculpa."

Margarida começa a aproximar-se do mar. Com as suas mãos, empurrava a cadeira de rodas que suportava o seu peso. Leve e incompleto. As pernas já não faziam parte do seu corpo.

" NADA COMO A MORTE PARA DAR SENTIDO À VIDA!" Desculpa, minha filha. Espero que um dia me perdoes e percebas que o que fiz foi por amor". Margarida entra no mar. Deixa-se levar pelas ondas. Sentia uma enorme felicidade e leveza à medida que sentia a água do mar e as calmas ondas banhar o seu corpo, o seu coração o seu ser e alma. Levanta-se da cadeira e deita-se ao mar.

15 De Agosto de 2010

Era o dia do casamento de Bernardo e Matilde. Era uma manhã ensolarada pelo sol de Agosto. A felicidade é a rainha deste dia.

Já na igreja, Carlos pergunta ao filho:

-Nervoso?

-Não! Eu sei que ela vai dizer que sim! - dizia brincando Bernardo, apesar de nervoso. Era o dia do seu casamento. Era um dia que iria ficar na sua história.

-Estou orgulhoso de ti, apesar dos inúmeros erros que cometi, sei que te tornaste num bom homem. Lutaste com todas as tuas forças. Diz, chorando, Carlos.

Abraçam-se. O primeiro que dera ao seu pai em toda a sua vida.

Os sinos assinalavam as onze quando Matilde entrara pela sé catedral de Castelo Branco acompanhada por Ricardo, o melhor amigo dos noivos. Hugo era o menino das alianças.

Bernardo e Matilde casaram-se felizes como ninguém. A felicidade e o amor que os unia eram agora mais fortes do que nunca. Laurinda e Alexandra abraçam-se comovidas. Eram as mães do noivo. Os pais de Matilde estavam igualmente radiantes.

Baptizaram conjuntamente Tiago e Mariana. Os elementos mais novos da família. Mariana vivia com Laurinda e Carlos. Era a filha deles. Bernardo entregara-lhe a menina. Queria dar-lhes uma nova oportunidade de serem pais e não cair nos mesmos erros que fizeram com Bernardo. Iriam viver novamente o seu sonho: serem pais.

O tempo passara desde o casamento.

Bernardo concluíra a sua licenciatura em artes visuais e fora convidado a expor as suas obras no museu da Gulbenkian. Matilde arranjara emprego como enfermeira no hospital de Castelo Branco para onde se mudaram. Abrem em conjunto uma instituição de apoio a crianças cegas. A vida corria às mil maravilhas. Viviam num apartamento recentemente construído centro da cidade. Tinha espaço suficiente para eles e para Hugo e Tiago. Bernardo decorara a casa com as suas obras, as que ainda lhe restaram. Bernardo entrara numa fase nova da sua vida. Talvez a mais feliz e assim o esperava. Agora, Matilde, Hugo e Tiago eram a sua prioridade. Iria correr tudo bem. Aprendera com a cegueira uma coisa muito importante: Ser apenas diferente faz toda a diferença. Torna-nos mais fortes, ajuda-nos a ultrapassar os obstáculos e seguir com a nossa vida, com rumo que lhe quisermos dar e o mais natural: a busca do amor e da felicidade e não ter medo de cair.

É através da história de Bernardo, totalmente inventada, que devemos reflectir. Devemos aprender que a nossa vida pode ter muitos momentos difíceis, mas por muito difíceis que sejam de resolver, há sempre uma solução. Não são as diferenças que devem rebaixar a pessoas. São essas que nos fazem lutar, ainda com mais forças, para quando olharmos para trás nos sintamos realizados e bem connosco. É com esta história que inferimos que o amor também tem lugar para as pessoas diferentes. São também pessoas tal como todas as outras e por isso devem ter os mesmos direitos que as outras. Devem sentir, ver e ouvir tudo o que há para desfrutar neste mundo. Ser diferente, não só referente a deficiências ou outras doenças de qualquer foro como as nossas qualidades e defeitos. Não há ninguém 100% igual a nós. Somos únicos e é com essas diferenças que devemos marcar o mundo, mudar mentalidades, abrir os olhos àqueles que são cegos às diferenças. Somos todos diferentes, mas todos iguais.

Apenas diferente, um sentimento, um gesto, tudo o que for… faz toda a diferença.

Fim

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  • 3 weeks later...

Li o início e depois acabei por não acompanhar...

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/emoticons/ATV_unsure.png"> Peço desculpa pelo meu desleixe.

Ainda vais a tempo para ler. Tu e todos. Estamos á espera dos vossos comentarios.

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