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R16: TV Guia, 21 a 27 de Abril de 1979


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Atendendo a pedidos de praticamente ninguém a não ser o @LAboy 456, vamos ver como era uma TV Guia do ano em que foi publicada pela primeira vez: 1979.

Já vi um par de páginas de programação no Santa Nostalgia e até a Enciclopédia de Cromos falou sobre as capas do início dos inícios. Hoje graças ao espólio do @Vascof2001 vamos ver um exemplar de quando a revista tinha poucos meses e se tornou no verdadeiro órgão oficial da RTP.

Poupada está a análise da capa, que deixo à mercê da Enciclopédia de Cromos:

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"A "mulher de Tony Curtis", isto é, a personagem Mercedes - casada com o vilão Fernand Mondego (Tony Curtis) - foi interpretada por Kate Nelligan, na adaptação de 1975 do "O Conde de Monte Cristo". Ainda neste número, informação sobre a "super produção da RTP", o filme "Bárbara" de Alredo Tropa. A 2º série de "Raízes" refere-se decerto á sequela da mini-série "Roots" (1977), a série em sete capitulos "Roots: The Next Generations" (1979). E no mini-poster, Rubens de Falco, o Samir Hayalla da novela "O Astro"."

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E começamos com um dos anunciantes mais improváveis de sempre - a Royal Air Maroc. A aventura. O exotismo. E ainda dizem que as revistas na altura - e viajar com eles - era coisa de rico! Aliás não é uma empresa que sumiu do nada, continua a operar e foi recentemente publicitada na televisão portuguesa - no Mundial de 2018, chegou a aparecer nos intervalos antes dos jogos (acho que foi antes de um jogo com a selecção de Marrocos e antes do ínfame Portugal-Irão) e a companhia tinha mudado pouco a sua imagem. E no anúncio viam-se pessoas altamente qualificadas e tal. Vamos ver se tal façanha seja repetida - isto é se se qualificarem para o Qatar.

Ah e a revista tinha poucas páginas portanto só vou recorrer a uma parte, e não três ou quatro como sempre.

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O Genérico: uma visita aos estúdios do Lumiar e as pessoas preferem livros adaptados de filmes, séries e telenovelas - como O Astro.

Ah e a já referida sequela de Raízes.

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Recentemente repetida pela RTP Memória foi uma série francesa adaptada da obra O Conde de Monte Cristo, numa co-produção entre inúmeros países.

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Se na revista anterior (uma Flama de 1967) falei sobre um espólio valioso do Antigo Egipto recuperado graças a milhões de dólares de um fundo da UNESCO, 12 anos mais tarde vemos uma façanha parecida (talvez relacionada), uma reconstituição a cores do túmulo de Nofretari no museu do Louvre. E ainda para mais vai ser tema de um programa da RTP.

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Em Itália, escândalo com as fotos nuas da "moça mais nua de Portobello". Em Portugal este tipo de notícia era difícil de cobrir na altura e hoje tudo o que é nudez é fortemente censurado. Por outro lado, teria sido um presságio daquilo que esta revista iria ser tantos anos mais tarde?

Spoiler

Na Alemanha são bem mais liberais na questão da nudez, tanto que nos últimos anos o Sport1 (antiga DSF) ainda passava alguns programas eróticos made in Germany. Ainda há semanas vi num site de notícias alemão um anúncio à Playboy deles onde a capa recente tinha uma actriz da novela da RTL Gute Zeiten, schlechte Zeiten a mostrar os seios.

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Nesta altura ainda não havia televisão ao sábado de manhã. A programação começa com aquilo que outrora foi designado de "Orientação de Monitores" no antigo regime e depois veio a programação infantil às 13:45 - entre os quais Era Uma Vez o Homem, ainda a preto e branco e falado em francês com legendas. E depois queixam-se de que a RTP nunca teve o guito para participar nestas produções. Décimo nono episódio: Pedro, o Grande é o tzar da Rússia e tenta fazer reformas. A seguir um programa circense, programas de interesse para ninguém (ninguém mesmo), Jornal RTP-1 (sim, houve um tempo em que era RTP-1) às 21:30, com a meteorologia dada por Olavo Rasquinho (quem tem o melhor nome: ele ou o Manuel da Costa Teso? Vote now on your phones). Depois do filme o 24 Horas e a emissão fecha. Na RTP 2, aulas do propedêutico, The UFO Project, uma série chamada O Encanto, debate e desporto. Tudo para as poucas horas em que estava no ar.

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Aos domingos (o 70x7 ainda não existia) a emissão começava mais cedo (12:30) e havia menos programação infantil (só a Maia que era a série da moda). Não havia TV Rural nesta altura (tal como o Telejornal que tinha outro nome), em vez havia Falemos de Agricultura, nome tipicamente da televisão a preto e branco. Às 18:30 um programa chamado A Criança e o Trânsito - dificilmente fariam coisas do género hoje. Ah e não havia Domingo Desportivo também.

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Segunda-feira traz-nos uma grelha que começava à hora "habitual" das 18:30 (as emissões à hora de almoço já tinham sido suprimidas). Por incrível que pareça, Filopat e Patafil era uma animação semi-experimental da extinta Deutscher Fernsehfunk, televisão estatal da finda Alemanha de Leste - a sua compra teria sido paga por Vasco Granja? E já que estamos num dia da semana, a meteorologia passa depois da novela. Muita gente só ia à cama a esta hora, sabe-se lá porquê. Ainda havia um debate de Maria Elisa: "que democracia?", diz a RTP, O Planeta dos Homens (cujo genérico causava transtornos psicológicos ao Nuno Markl) e o 24 Horas antes do fecho. No centro da RTP 2 temos um filmezinho sobre Charles Aznavour.

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A Ciência a Cada Passo, A Cada Passo a Ciência - mais um daqueles programas que dificilmente caberiam nem no Zig Zag - um filme em horário nobre e na RTP 2, um filme sobre a influência do 25 de Abril.

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25 de Abril na RTP 1 - com mais programas de celebração comparados com o que temos de há já alguns anos para cá, com mais horas do que o domingo e cuja informação foi assegurada pela RTP 2, algo estranho para a RTP 1. Na prática seria o mesmo do que o 25 de Abril italiano ter cobertura na Rai 2 mas usando os recursos da direcção de informação da Rai 1 (TG1).

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Letras Maiúsculas, que é como quem diz TODOS OS PROGRAMAS NAS REVISTAS ERAM ESCRITOS ASSIM, mas que na verdade era um programa sobre língua e literatura, versava esta semana sobre a poesia ao longo de seis séculos. A RTP 2 traz aviação.

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Jardins zoológicos na faixa infantil de sexta da RTP 1. Em horário nobre, António Vitorino de Almeida e Poldark. Na RTP 2, literatura e Jean Renoir.

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Resumo temático da semana e entrevista ao actor Robin Ellis.

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Ora aqui está um texto que faz com que o @PierreDumont comece a ter reacções parecidas a uma mulher descontrolada numa série de anime - relacionado com a conversão de sistemas entre Portugal e Brasil, a intermediária britânica que fazia as conversões das fitas da Globo da novela O Astro e a falha num dos episódios.

Portugal já tinha adoptado o sistema PAL por pressão política alemã, porém por esta altura em 1980 já estava oficialmente posto no mercado. Infelizmente, ter TV a cores era um luxo!

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Alfredo Tropa tem uma super-produção a ser feita para a RTP!

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Horóscopo e palavras cruzadas.

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Concurso Você na TV - 25 anos antes de haver um programa com o mesmo nome! Onde podemos ver algumas fotos a cores da régie (ainda) monocromática da RTP, e do outro lado um póster de Samir Hayalla.

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Para fechar, um anúncio à colónia 4711 que da primeira vez que vi no álbum do Vasco parecia uma espécie de licor. Parece mas não é. As aparências iludem.

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há 1 hora, ATVTQsV disse:

 

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Alfredo Tropa tem uma super-produção a ser feita para a RTP!

O telefilme "Bárbara" que pode ser visto no site de arquivos da RTP:

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/barbara/

A data que a RTP dá para a sua primeira transmissão é 30 de Setembro de 1982... mas sabendo que as gravações foram concluidas em 1980, não sei se foi transmitida nesse ano primeiro

Edited by LAboy 456
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há 2 horas, ATVTQsV disse:

Ora aqui está um texto que faz com que o @PierreDumont comece a ter reacções parecidas a uma mulher descontrolada numa série de anime - relacionado com a conversão de sistemas entre Portugal e Brasil, a intermediária britânica que fazia as conversões das fitas da Globo da novela O Astro e a falha num dos episódios.

Portugal já tinha adoptado o sistema PAL por pressão política alemã, porém por esta altura em 1980 já estava oficialmente posto no mercado. Infelizmente, ter TV a cores era um luxo!

Antes de tudo, gostaria de avisar que parte da imagem está ilegível por reflexo da luz...

Caso o Brasil adotasse a rede elétrica de 50 ciclos, como a Argentina, não haveria a necessidade de conversão prévia do videotape. Da mesma maneira, Portugal poderia ter adotado o "PAL-60", mas para isto, teria que converter todos os emissores, retransmissores, equipamentos e televisores monocromáticos já existentes antes de começar a emitir em cores. O processo em si não é díficil, o próprio Rio de Janeiro começou a emitir no padrão europeu (625 linhas x 25 quadros por segundo) e teve de fazer a conversão. O problema é que os portugueses ficariam isolados do restante do continente do ponto de vista técnico, o que prejudicaria a importação de programas europeus e as emissões continentais. 

Do ponto de vista puramente técnico, o PAL é infinitamente superior a qualquer outro sistema. Por aqui reinava a pressão e assédio dos Estados Unidos para a adoção do horrível "NTSC" (sistema que te dá o aspecto de hepatite). Só não entendi porque a adoção tão tardia da Televisão em cores em Portugal. Os demais países da Europa Ocidental já haviam passado plenamente para a TV em cores. O Brasil já tinha a emissão nacional de toda a programação em cores desde fevereiro de 1977. Apenas algumas estações regionais emitiam parcos telejornais em branco e preto.

Mas, voltando ao processo de conversão da fita, que está extraordinariamente bem ilustrada, eu mesmo desconhecia tal processo com detalhes. É bom que se diga que tal processo foi simplificado poucos anos depois com a intensificação das emissões via satélite e da adoção de novos padrões de gravação (U-matic, Betacam, etc). 

Agora, me impressiona o tempo escasso das emissões da RTP e das programações infantis da época. Para efeito de comparação, a TV Globo de São Paulo já emitia cerca de 19 horas diárias (7:30 - 2:30) durante a semana e aos fins de semana exibia filmes durante as madrugadas até o dia seguinte sem parar. Em comum, o Brasil tinha o programa educativo abrindo a emissão.
 

Até programas de ginástica produzidos pela TV Educativa poderiam abrir a emissão, mas era algo completamente aleatório. Lembro-me que tal exigência permenceu até o começo dos anos 2000. A princípio, as Televisões Educativas e Universitárias do Brasil eram semelhantes ao Ciclo Preparatório da RTP: longas e cansativas teleaulas. Com o passar do tempo, as emissões passaram a contar com telejornais, documentários, musicais e programas de entrevista. Algo semelhante à RTP 2 desta época.
 

 

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Comparativamente falando, a RTP 1 nos dias da semana tinha uma grelha equivalente a um canal brasileiro no início dos anos 60 em cidades fora do sudeste onde a televisão chegou, dada a escassez de horas de emissão. Assim de cabeça lembro-me desta grelha de meados dos anos 60 de Belém (o canal em questão foi cassado junto com a Tupi e foi das poucas concessões compradas por Sílvio Santos):

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Ao contrário do que o Brasil tinha, cá em Portugal, supostamente por ainda termos a sombra do antigo regime e a mudança de paradigmas do 25 de Abril para tentar ter uma televisão acessível a mais pessoas (TVs eram um luxo no antigo regime), julgo que havia uma data de pessoas que achavam que a televisão era um lixo, e que queriam que a televisão portuguesa chegasse ao nível da de outros países. Só conseguimos lá para o fim dos anos 80 - o Canal 1 foi tido como grande ponto de viragem na história da televisão portuguesa - no entanto a televisão reduzida da altura deve-se a toda uma série de políticas que existiam e que certamente hoje ninguém suportaria.

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há 15 horas, LAboy 456 disse:

O telefilme "Bárbara" que pode ser visto no site de arquivos da RTP:

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/barbara/

A data que a RTP dá para a sua primeira transmissão é 30 de Setembro de 1982... mas sabendo que as gravações foram concluidas em 1980, não sei se foi transmitida nesse ano primeiro

O filme estreou nos cinemas em 1980.

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  • 3 weeks later...

Nos primeiros meses a revista ainda tinha apenas 36 páginas. Também só havia 2 canais e o número de horas de emissão era muito menor.

@ATVTQsV ñ querendo quebrar o spoiler, eu lembro-me que no início da década de 2000 comprava a Bravo alemã (embora ñ sabendo ler) por causa das charts e dos artistas que não eram falados nas revistas de cá e na secção de sexualidade apareciam corpos masculinos e femininos nus. Eu na altura ficava chocado porque com os padrões da época uma revista para jovens ñ devia mostrar tal coisa.

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há 18 minutos, thass_hot disse:

Nos primeiros meses a revista ainda tinha apenas 36 páginas. Também só havia 2 canais e o número de horas de emissão era muito menor.

@ATVTQsV ñ querendo quebrar o spoiler, eu lembro-me que no início da década de 2000 comprava a Bravo alemã (embora ñ sabendo ler) por causa das charts e dos artistas que não eram falados nas revistas de cá e na secção de sexualidade apareciam corpos masculinos e femininos nus. Eu na altura ficava chocado porque com os padrões da época uma revista para jovens ñ devia mostrar tal coisa.

Os alemães são bem mais liberais (isto é ponto assente). Ainda me lembro de em Novembro ter visto numa das revistas (TV 7 Dias de Novembro de 1993) que na vizinha Holanda experimentaram formatos onde o homem era tido como objecto de luxúria e tal. É capaz de ter sido um formato mais aceite pela RTL 4 do que da omroep pública já que os canais do sistema público não suportariam emitir tais coisas.

A não ser uma tal BNN que tem ideias fora da caixa... (e aqui eu deixei um spoiler para uma crónica que farei a tempo da Eurovisão)

há 18 minutos, thass_hot disse:

Nos primeiros meses a revista ainda tinha apenas 36 páginas. Também só havia 2 canais e o número de horas de emissão era muito menor.

Algures durante o PREC o período da hora do almoço na RTP 1 instituído no início da década foi suprimido - não sei porquê, se era por alguma razão económica - mas a RTP 1 sem as aulas da tarde tinha uma média de cinco horas nos dias laborais, uma média que também esteve assente alguns anos mais tarde - aí sim era por motivos económicos.

Comparativamente falando a Globo tinha uma incomensurável mania das grandezas, ao ser o canal com mais horas de emissão, conforme já foi contado. Consultei muitas grelhas brasileiras da época e a concorrência abria bem mais tarde. Na altura em que o Macedão começou a fazer programas para televisão (começando com a TV Tupi do Rio, com o fecho mudou-se para a Band) pouco depois de fundar a IURD, quase ninguém estava a emitir programas às sete e meia da manhã (só a Globo, e só tinha noticiário matinal em São Paulo). Televisão portuguesa durante a manhã era ficção científica até pelo menos 1982 - foi aí que veio o primeiro Bom Dia Portugal que era um programa mais de variedades do que outra coisa.

E já aqui apregoei o facto da RTP 2 já ter antes do fim da década mais horas do que a sua congénere espanhola, abençoada TVE em não participar na Europa TV :riso_fatima:

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Foi o Carlos Cruz como Director-Geral da RTP no início de 1976 que suspendeu com as emissões à hora de almoço. No seu livro diz que serviu para fazer uma grande reestruturação da estação (inclusive a RTP-2 também esteve suspensa, no verão desse ano). Esse horário tinha uma audiência baixa e a publicidade não compensava a despesa de ter o canal aberto a essa hora.

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